terça-feira, 5 de maio de 2026
Enviai-nos o Espírito Santo, o Paráclito, o Consolador (VIDTPA)
Somente o Senhor renova nossas forças (VIDTPA)
Somente o Senhor renova nossas forças
No 6º Domingo da Páscoa, quando ouvimos a passagem do Evangelho de João (Jo 14,15-21) sejamos enriquecidos pelo Sermão de São João Máximo de Turim (séc. V), que nos ajuda a viver intensamente a graça do Batismo.
“Irmãos: recordará vossa santidade que recentemente disse em minha pregação que o homem recupera sua juventude e que, mesmo debilitado pela idade, converte-se novamente em criança pela inocência de seus costumes; de maneira que, mediante o sacramento, vemos os anciãos transformarem-se em crianças.
Realmente, abandonar o que alguém era para assumir o que antes tinha sido não deixa de ser uma espécie de inovação. É, repito, uma inovação.
Por isso são chamados ‘neófitos’, pois graças a uma concreta novidade têm abandonado as marcas da velhice e assumido a graça da simplicidade, como diz o Apóstolo: Despojai-vos da velha condição humana, com suas obras, e vesti-vos da nova condição criada à imagem de Deus.
E o santo Davi também afirma: E como uma águia se renova tua juventude, dando a entender que, pela graça do Batismo, é possível fazer reviver o que de envelhecido há em nossa vida, e renovar-se com uma nova juventude o que em nós estava arruinado pela caducidade do pecado.
E para que compreendas que o profeta fala da graça do Batismo, compara a inovação batismal com a renovação da águia, da qual se diz que prolonga sua vida mediante a contínua troca de plumagem e que, ao irem-se caindo as plumas velhas, se rejuvenesce com a nova plumagem da qual vai se revestindo, de maneira que, depostos os sinais da velhice, veste-se o ornato da renovada novidade. De onde podemos deduzir que a velhice da águia se faz sentir não em seus membros, mas na plumagem. De fato, veste-se novamente, e, ao bater das asas, outra vez a velha mãe se converte em aguioto (filhote de águia).
Pois temos de compará-la aos franguinhos quando, com a plumagem aveludada recém-estreada, têm que treinar-se novamente em seus lentos voos e reduzir, como ave novata, a estreiteza do ninho e a algumas inseguras tentativas, os majestosos voos de outros tempos. Porque ainda que o costume lhe tenha dotado da arte de voar, a escassez da plumagem lhe diminui a confiança em si mesma.
Esta profecia do salmista se refere, pois, à graça do Batismo. De fato, também nós neófitos, batizados recentemente, depondo como a águia os sinais da velhice, revestiram-se das novas vestes da santidade; e enquanto as antigas marcas vão desprendendo-se quais leves plumas, ornam-se com a renascida graça da imortalidade. De tal maneira que neles somente envelhecem os caducos pecados da senilidade, não a vida. E assim como a águia se transforma em aguioto, assim eles voltam à infância. Estão inteirados da vida no mundo, porém lhes assiste a segurança da reencontrada justiça.
Mas examinemos ainda com maior atenção o que diz o santo Davi. Não diz: se renova como as águias, mas: como uma águia se renova tua juventude. Afirma, pois, que nossa juventude se há de renovar como a de uma só águia. E eu diria que esta só e única águia é em realidade Cristo o Senhor, cuja juventude se renovou quando ressuscitou dentre os mortos.
Pois, depostos os mortais despojos da corrupção, voltou a florescer mediante a assunção da carne rediviva, como Ele mesmo diz pela boca do profeta: Minha carne floresceu novamente, lhe dou graças de todo o coração. Minha carne, diz, floresceu novamente.
Observai que verbo utilizou. Não disse: ‘floresceu’, mas ‘refloresceu’, pois não refloresce a não ser o que já floresceu. Floresceu verdadeiramente a carne do Senhor quando, pela primeira vez, saiu do incontaminado seio da Virgem Maria, como diz Isaías: Brotará um renovo do tronco de Jessé, e de sua raiz florescerá um rebento.
Refloresceu, ao invés, quando cortada pelos judeus a flor do corpo, germinou rediviva no sepulcro pela glória da ressurreição; e como uma flor, exalou sobre todos os homens o aroma e o esplendor da imortalidade, espargindo por toda parte com suavidade o odor das boas obras e manifestando com majestade a incorruptibilidade da eterna divindade.” (1)
Vivamos a graça do Batismo, como discípulos missionários do Senhor, renovando n’Ele e com Ele nossas forças, participando ativa, consciente e piedosamente do Banquete da Eucaristia.
Discípulos missionários do Senhor precisam sempre a coragem de buscar novos caminhos, para que vivam maior fidelidade a Ele, e sempre abertos à ação Espírito Santo, na procura de respostas necessárias aos inúmeros desafios presentes na ação evangelizadora.
Concluo com as palavras do Apóstolo Paulo aos Colossenses (Cl 3,1-2):
“Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus; aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres.” (cf. Cl 3,1-2)
(1) Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes - 2012 - p. 107-108.
Reconciliados com Deus por meio de Jesus Cristo (VIDTPA)
Em poucas palavras... (VIDTPA)
O Paráclito
“Jesus, ao anunciar e prometer a vinda do Espírito Santo, chama-Lhe o «Paráclito», que, à letra, quer dizer: «aquele que é chamado para junto», ad vocatus (Jo 14, 16. 26; 15, 26; 16, 7).
«Paráclito» traduz-se habitualmente por «Consolador», sendo Jesus o primeiro consolador (1Jo2,1). O próprio Senhor chama ao Espírito Santo «o Espírito da verdade» (Jo 16,13).” (1)
(1) Catecismo da Igreja Católica – n. 692
Em poucas palavras... (VIDTPA)
O envio do Paráclito
“Antes da sua Páscoa, Jesus anuncia o envio de um «outro Paráclito» (Defensor), o Espírito Santo.
Agindo desde a criação (Gn 1,2) e tendo outrora «falado pelos profetas» (Símbolo niceno-constantinopolitano), o Espírito Santo estará agora junto dos discípulos, e n’eles (Jo 14,17), para os ensinar (Jo 14,26) e os guiar «para a verdade total» (Jo 16, 13). E, assim, o Espírito Santo é revelado como uma outra pessoa divina, em relação a Jesus e ao Pai.” (1)
(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 243
Em poucas palavras... (VIDTPA)
Vinde Espírito Santo...
“A forma tradicional de pedir o Espírito é invocar o Pai, por Cristo, nosso Senhor, para que nos dê o Espírito Consolador (Lc 11,13). Jesus insiste nesta petição em seu nome no próprio momento em que promete o dom do Espírito de verdade (Jo 14,17; 15,26; 16,13).
Mas, também é tradicional a oração mais simples e mais direta: «Vinde, Espírito Santo». Cada tradição litúrgica desenvolveu-a em antífonas e hinos:
«Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos Vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor» (Sequência de Pentecostes).
«Rei celeste, Espírito consolador, Espírito da verdade, presente em toda a parte e tudo enchendo, tesouro de todo o bem e fonte da vida, vem, habita em nós, purifica-nos e salva-nos, Tu que és Bom!» (Liturgia Bizantina).(1)
Em poucas palavras... (VIDTPA)
Jesus promete a vinda do Espírito Santo
“Só quando chega a Hora em que vai ser glorificado, é que Jesus promete a vinda do Espírito Santo, pois a sua morte e ressurreição serão o cumprimento da promessa feita aos Apóstolos (Jo 14,16-17.26).
O Espírito da verdade, o outro Paráclito, será dado pelo Pai a pedido de Jesus; será enviado pelo Pai em nome de Jesus; Jesus O enviará de junto do Pai, porque do Pai procede.
O Espírito Santo virá, nós O conheceremos, Ele ficará conosco para sempre, habitará conosco; há de ensinar-nos tudo, há de lembrar-nos tudo o que Cristo nos disse e dará testemunho d'Ele; conduzir-nos-á à verdade total e glorificará a Cristo. Quanto ao mundo, confundi-lo-á em matéria de pecado, de justiça e de julgamento.”(1)
(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 729







