terça-feira, 31 de março de 2026

Semana Santa: Tempo de recolhimento, silêncio e oração (Parte VI)

 


Semana Santa: Tempo de recolhimento, silêncio e oração (Parte VI)

 Pai, se este cálice não pode passar sem que eu o beba, seja feita a tua vontade!” (Mt 26,42).

Oremos:

“Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.”

Com Maria, em Jerusalém, perto do seu Filho para celebrar a Páscoa: a última Páscoa judaica e a primeira Páscoa em que o seu Filho é o Sacerdote e a Vítima.

Com Maria, Vossa Amada e inseparável Mãe, tão serena e plena de liberdade, queremos permanecer convosco no “inverno” de Vossa Paixão e Morte.

Não permitais que dela nos separemos, e ensinai-nos a sermos constantes, a lutar até o fim, sem vacilar na fé, esmorecer na esperança ou esfriar na caridade, a fim de que cresçamos continuamente no amor por Vós.

Queremos ficar ao Vosso lado para contemplar, com ela, a Vossa Paixão, a Morte, e convosco Ressuscitarmos, e sabemos que com ela, lugar privilegiado não há. Amém.

 

 

 PS: Fontes: Magistério e Tradição da Igreja e outras fontes litúrgicas que se encontram neste blog

 

Minhas reflexões no Youtube

 
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Lava-pés: sagrado compromisso de Amar e Servir

 


Lava-pés: sagrado compromisso de Amar e Servir

O Tríduo Pascal, iniciando na noite de Quinta-feira da Semana Santa nos envolve completamente e, se vivido intensamente, algo muda substancialmente na vida de quem o celebra ativa, consciente, piedosamente, para que seja abundante em frutos de alegria, vida e paz!

Na Quinta-feira Santa, com a Missa da Ceia do Senhor, agradecemos a Deus de infinita bondade, a Instituição da Eucaristia, como memorial da Sua Nova e Eterna presença; recebemos o Mandamento Novo do Amor e aprendemos com Jesus, numa lição de humildade, ao lavar os pés dos discípulos, a atitude de serviço em favor da vida de nosso semelhante, num gesto supremo de humildade.

Fundamental que reflitamos sobre a Eucaristia, ponto alto e fonte da vida cristã. Eucaristia celebrada no altar para no cotidiano ser vivida.

A Missa não tem fim em si mesma, continua em todo o nosso existir. Somos as testemunhas da sua presença, transformados n’Aquele que recebemos, vivendo o Novo Mandamento que Ele nos deu, criando laços mais humanos, belos e fraternos em atitude de servidores do Reino da Vida.

Em resumo, há um estreito vínculo indissolúvel entre a Eucaristia, a fraternidade universal, o amor e o serviço.

Eucarísticos que somos, urge que sejamos testemunhas críveis do amor, e nossa vida marcada por compromissos solidários em favor da vida, sobretudo dos mais empobrecidos – “Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que Eu fiz...” (Jo 13,15). 

Nisto consiste a beleza do lava-pés: Amar e Servir, nutridos pela força do Eucaristia, na mais bela expressão do Mandamento do Amor que nos deu Nosso Senhor Jesus Cristo.

 

A serpente e a Cruz de Nosso Senhor!

                                                                  

A serpente e a Cruz de Nosso Senhor!
 
 "Como Moisés ergueu na haste a serpente no deserto,
o Filho do Homem há de ser levantado numa cruz;
e, assim, quem nele crer, não pereça para sempre,
mas possua a vida eterna." (1)

Como fazer a relação entre estes versículos, perguntou uma assídua leitora:
 
“A serpente que foi uma maldição para o povo, foi depois levantada ao alto e todos que a olhavam eram libertos (cf. Nm 21,8).
 
A cruz  que era sinal de vergonha quando Cristo, nela, foi elevado tornou-se,  por Sua morte e Ressurreição, sinal de libertação (cf. Jo 3,14-15).
Procurei a resposta diante de um crucifixo e diante da Palavra Divina, inspirando-me na passagem do Evangelho de São João ( Jo 3,16):
 
“Pois Deus amou tanto o mundo que deu o Seu Filho Unigênito, para que não morra todo o que n'Ele crer, mas tenha a vida eterna”.
 
Outra passagem é a Carta de São Paulo aos Gálatas (Gl 6,14):
 
“Quanto a mim, que eu não me glorie, a não ser na Cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, por meio do qual o mundo foi crucificado para mim e eu para o mundo.” 
 
Contemplando a imagem da serpente e da Cruz de Nosso Senhor refletimos sobre seu simbolismo e significado na vida do Povo de Deus.
 
O que era sinal de morte tornou-se fonte de cura, libertação: a serpente. O que era ignomínia, escândalo, terror... Deus, por amor sem limite, aceitando nela ser morto, tornou-se para a humanidade fonte de Salvação: CRUZ.
 
Somente Deus tem poder, pelo amor sem medida, de transformar aquilo que é sinal de morte em sinal de vida. 
A serpente levantada, o Filho levantado: que amor incrível, que incrível AMOR!
 
É próprio do amor transformar sinais de morte em sinais de vida, assim como é próprio do amor autêntico amar até o fim, até o extremo, até as últimas consequências.
Deus nos amou no deserto, no Calvário, e em todo lugar, pois Deus nos amou, ama e nos amará sempre porque o amor é ETERNO. 
 
Coloquemo-nos diante do Senhor, evidentemente, não da cruz palpável e visível, mas naquela em que acreditamos, em que por amor, Ele morreu em favor de nós, simplesmente por amor, para nossa redenção, sinal de fidelidade, de um amor que ama até o fim. 
 
Abramo-nos às “Delícias do Espírito”, que acontece sempre que nos colocamos a refletir a Sagrada Escritura, e mergulhamos neste mar imenso de sabedoria e luminosidade.
 
(1) Antífona da Liturgia das Horas – Semana Santa
PS: Apropriado para reflexão da passagem do Evangelho de São João (Jo 3,7b-15)
 


Imitar Jesus na vida e na morte sempre!

                                                           

Imitar Jesus na vida e na morte sempre!

Sejamos iluminados pelo texto “Do Livro sobre o Espírito Santo”, de São Basílio Magno, Bispo (Séc. IV).

"O desígnio de nosso Deus e Salvador em relação ao homem consiste em levantá-lo de sua queda e fazê-lo voltar, do estado de inimizade ocasionado por sua desobediência, à intimidade divina.

A vinda de Cristo na carne, os exemplos de Sua vida apresentados pelo Evangelho, a Paixão, a Cruz, o Sepultamento e a Ressurreição não tiveram outro fim senão salvar o homem, para que, imitando a Cristo, ele recuperasse a primitiva adoção filial.

Portanto, para atingir à perfeição, é necessário imitar a Cristo, não só nos exemplos de mansidão, humildade e paciência que Ele nos deu durante a Sua vida, mas também imitá-Lo em Sua morte, como diz São Paulo, o imitador de Cristo:

'Tornando-me semelhante a Ele na Sua morte, para ver se alcanço a ressurreição dentre os mortos' (Fl 3,10).

Mas como poderemos assemelhar-nos a Cristo em Sua morte?
Sepultando-nos com Ele por meio do Batismo.

Em que consiste este sepultamento e qual é o fruto dessa imitação?

Em primeiro lugar, é preciso romper com a vida passada. Mas ninguém pode conseguir isto se não nascer de novo, conforme a Palavra do Senhor, porque o renascimento, como a própria palavra indica, é o começo de uma vida nova. Por isso, antes de começar esta vida nova, é preciso por fim à antiga.

Assim como, no estádio, os que chegam ao fim da primeira parte da corrida, costumam fazer uma pequena pausa e descansar um pouco, antes de iniciar o retorno, do mesmo modo, era necessário que nesta mudança de vida interviesse a morte, pondo fim ao passado para começar um novo caminho.

E como imitar a Cristo na Sua descida à mansão dos mortos?
Imitando no Batismo o Seu sepultamento. Porque os corpos dos batizados ficam, de certo modo, sepultados nas águas.

O Batismo simboliza, pois, a deposição das obras da carne, segundo as palavras do Apóstolo:

'Vós também recebestes uma circuncisão, não feita por mão humana, mas uma circuncisão que é de Cristo, pela qual renunciais ao corpo perecível. Com Cristo fostes sepultados no Batismo' (Cl 2,11-12).

Ora, o Batismo, por assim dizer, lava a alma das manchas contraídas por causa das tendências carnais, conforme está escrito:

'Lavai-me e mais branco do que a neve ficarei'(Sl 50,9). 

Por isso, reconhecemos um só Batismo de salvação, já que é uma só a morte que resgata o mundo e uma só a ressurreição dos mortos, das quais o Batismo é figura”.

Somos convidados a imitar Cristo na mansidão, humildade e paciência que são atitudes que marcaram Sua vida. 

Imitá-Lo na Sua morte, assumindo o Mistério da Paixão e Cruz, de modo que se morrermos com Ele, com Ele também ressuscitaremos e poderemos celebrar a verdadeira Páscoa do Senhor em nossa vida. 

Eis a Boa Nova do Batismo que um dia recebemos: A semente de imortalidade, e deste modo, urge que O imitemos, num amor incondicional e fidelidade expressa da mesma forma!

Reflitamos:

-  Quais são as atitudes de Jesus que devo intensificar mais em minha vida?

--- De que modo me configuro a Cristo no Mistério de Sua Paixão e Morte?

- -  O que significa morrer com Cristo para ressuscitar com Ele concretamente na vivência do meu Batismo?
- 
- - O que me falta ainda para uma rica e frutuosa preparação para a Celebração da Páscoa do Senhor?

Oremos:

"Concedei, ó Deus, ao vosso povo que desfalece, por sua fraqueza, recobrar novo alento pela Paixão do Vosso Filho. Que Convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo. Amém".

Voltai para nós Vosso olhar de amor e perdão (Semana Santa)

                                            


Voltai para nós Vosso olhar de amor e perdão

Na Semana Santa e em todo o tempo, imploremos a Cristo Salvador, que nos remiu por Vossa morte e ressurreição, que Ele tenha piedade de nós e do mundo inteiro.

Oremos:

Senhor Jesus, Vós, que subistes a Jerusalém para sofrer a Paixão, e assim entrar na glória, conduzi Vossa Igreja à Páscoa da eternidade.

Concedei Seus frutos aos que renasceram pelo batismo, Vós que transformastes o madeiro da cruz em árvore da vida plena e eterna.

A Vós que fostes elevado na cruz, deixastes a lança do soldado Vos traspassar, curai as nossas feridas da infidelidade e incredulidade para que creiamos e correspondamos ao vosso indizível amor por nós.

Assim como pregado na cruz, perdoastes o ladrão arrependido, nós Vos suplicamos para que nos perdoeis, também a nós, pecadores, assim como nos perdoamos a quem nos tem ofendido.

Ajudai-nos, para que crendo na Vossa vitória sobre a morte, porque pelo Pai Ressuscitado fostes, como discípulos missionários Vossos, sejamos revigorados nas virtudes divinas que nos impelem: fé, esperança e caridade. Amém.

 

 

PS: Fonte - Preces das Laudes da Semana Santa

O Olhar do Amado...

                                                      


O Olhar do Amado...

“Moisés fez, pois, uma serpente de bronze e
colocou-a como sinal sobre uma haste.
Quando alguém era mordido por uma serpente,
e olhando para a serpente de bronze, ficava curado”
(Nm 21,9)

Contemplo os olhares cheios de confiança,
Olhares suplicantes, silenciosos,
Acompanhados de dor e esperança,
À Misericórdia Divina que não nos ignora.

Contemplo os mesmos olhares no Calvário,
Diante do Corpo mutilado, dilacerado
Da Divina Fonte, agora sem vida,
Pela maldade morto, Coração trespassado...

Contemplo Jesus erguido entre o céu e a terra,
Tendo como causa, incompreendida e última,
A salvação do mundo, a humanidade redimida.
Como suportar dor assim tão grande, na Cruz vivida?

Contemplo o próprio Olhar de Jesus,
Enquanto ainda vida tinha,
Antes de dizer: “tudo está consumado, 
Pai, em Tuas mãos entrego meu Espírito”.

Aquele Olhar que se volta para cada um de nós
Em meio à dor, gemidos, prantos incontidos,
Como também incontida Sua manifestação
De Amor e tão grande ternura.

Um pouco antes, de Seus doces lábios
Aquelas palavras que atravessarão séculos,
Milênios, até o fim da humanidade:
“Pai, perdoai-lhes, pois não sabem o que fazem”.

Seu Olhar, enquanto pôde, cruzou amavelmente
Com nossos olhares, ainda que não o tenhamos feito,
Comunicou-nos a riqueza do Seu Amor,
Haverá quem nos ame tanto assim?

Que nosso olhar não se desvie de Seu olhar
Reconhecendo em Sua humanidade lapidada
A divindade, ainda que não possa ser vista,
Ali presente, para nossa humanidade redimida.

Ó Senhor, como não Te contemplar?
Como meu olhar de Ti desviar?
“Se trouxeste o Céu à terra,
E elevaste a terra ao céu”?

Ó Senhor, como não Te amar?
Como Teu Amor não testemunhar?
Quero ser Teu servo indigno, mas com ardor,
E minha vida consumir em chama eterna de amor. Amém!

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG