sábado, 17 de outubro de 2026

Adoremos somente a Deus (XXIXDTCA)

                                       

Adoremos somente a Deus
 
A Liturgia do 29º Domingo do Tempo Comum (ano A) tem como tema principal a subordinação de nossa existência a Deus, num compromisso efetivo com o mundo novo. 
 
É preciso entregar nossa existência nas mãos de Deus que é o Senhor da história (Is 45,1.4-6). Somos instrumentos preciosos em Suas mãos, porque assim Ele o quis.
 
Na passagem do Evangelho (Mt 22,15-21), mais uma vez Jesus está diante de Seus opositores (dirigentes judeus, herodianos e saduceus). 
Encontra-Se em Jerusalém, onde vai se desenrolar o confronto final entre Ele e o judaísmo.
 
Depois das Parábolas que Ele dirigiu aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo, as autoridades procuram um pretexto para matá-Lo.
 
Preparam-lhe uma armadilha: é lícito compactuar com um sistema de exploração? É lícito ou não pagar tributos ao Imperador de Roma?
 
A conclusão a que se chega é que se deve contribuir para o bem comum, mas tendo Deus como único Senhor.
O homem sendo imagem de Deus somente a Ele pertence. Deus é seu único Senhor (Gn 1, 26-27). Logo “Dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”: a César o tributo. Mas a Deus, a vida do Povo. Jesus dá a entender que pagar o tributo à autoridade imperial é lícito, entretanto o que mais Lhe interessa é que seja dado a Deus aquilo que Lhe pertence: a vida do povo.
 
Há uma mensagem transparente: os grandes da terra devem se colocar a serviço dos pequeninos, glorificando o verdadeiro Senhor. 
 
Reflitamos: 
 
- Como devolver a Deus um povo sem vida, abandonado, famélico?
- Qual a alegria que sentimos, como discípulos, em saber que a nossa glória consiste em a Deus pertencer, adorando-O e servindo-O na pessoa do outro?
 
Para Jesus, a submissão deve se dar única e exclusivamente a Deus. O homem e a sua vida pertencem a Deus. É preciso, portanto, redescobrir a centralidade de Deus em nossa existência, pois não há felicidade sem Deus, pois somos imagem de Deus, e a Ele pertencemos.
 
Reflitamos:
 
- Como está esta imagem em cada criatura que convivemos?
- Reconhecemos no outro a imagem e presença de Deus?
 
- O que fazemos para regatar a dignidade do outro?
- Damos a César o que é de César e a Deus o que é de Deus?
 
Como discípulos missionários do Senhor, não podemos nos omitir na construção de um mundo melhor; conquistando direitos e cumprindo deveres. 
O compromisso com o novo céu e a nova terra, com o mundo futuro, não nos dispensa de compromissos irrenunciáveis no tempo presente. Portanto, a esperança é uma só: a esperança do céu se dá na construção de um mundo novo, a partir deste exato momento da história que vivemos, com renovados compromissos sociais e políticos. 
Jamais devemos nos omitir na construção e promoção da cultura da vida, da dignidade, da paz, como instrumentos que somos nas mãos de Deus, pois a fé cristã não é evasão, alienação, fuga, o abrir mão de compromissos.
 
Oremos: 
Ó Deus Uno e Trino, que jamais abusemos do poder que nos é confiado, e que toda autoridade constituída sirva para o bem de todos, com a força do Espírito e conforme a Palavra do Verbo Encarnado, para que todos os povos Vos reconheçam como o único Deus a ser adorado, amado e servido. Amém!
 



 
PS: oportuno para a terça-feira da 9ª Semana do Tempo Comum, em que se proclama a passagem do Evangelho de Marcos (Mc 12,13-17).

Dar a cada um o que lhe pertence (XXIXDTCA)

                                         


Dar a cada um o que lhe pertence

Sejamos enriquecidos pelo Sermão escrito por São Lourenço de Brindisi (1559-1619), capuchinho, doutor da Igreja, para a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 22, 15-21).

“«Então, dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus». É preciso dar a cada um o que lhe pertence. Eis uma palavra verdadeiramente cheia de sabedoria e de ciência celestial.

Porque nos ensina que há duas espécies de poder: um humano e terreno, outro divino e celeste. […] Ensina-nos que devemos estar sujeitos a uma dupla obediência: às leis dos homens e às leis divinas. […]

Temos de pagar a César a moeda que tem a efígie e a inscrição de César, e a Deus o que recebeu o sinete da imagem e semelhança divinas: «Resplandeça sobre nós, Senhor, a luz da Tua face!» A luz da Tua face deixou em nós a Tua marca, Senhor (Sl 4,7).

Fomos criados à imagem e semelhança de Deus (cf Gn 1,26). Tu és homem, ó cristão. És, portanto, moeda do tesouro divino, uma moeda que tem a efígie e a inscrição do Imperador divino.

Assim, pergunto com Cristo: «De quem é esta imagem e esta inscrição?» Tu respondes: «De Deus». E eu digo-te: «Então porque não dás a Deus o que é de Deus?»

Se queremos realmente ser imagem de Deus, devemos assemelhar-nos a Cristo, pois Ele é a imagem da bondade de Deus e «imagem fiel da Sua substância» (Hb 1,3). E Deus, «àqueles que Ele de antemão conheceu, também os predestinou para serem uma imagem idêntica à do Seu Filho» (Rm 8,29).

Cristo deu verdadeiramente a César o que era de César e a Deus o que era de Deus. Ele observou da maneira mais perfeita os preceitos contidos nas duas tábuas da lei divina, «tornando-Se obediente até à morte e morte de Cruz» (Fp 2,8), e por isso foi elevado ao mais alto grau de todas as virtudes visíveis e invisíveis.”

Somos verdadeiramente imagem e semelhança de Deus, assim o cremos, portanto, devemos dar a César o que é de César e a Deus o que a Ele pertence.

Dar a Deus a nossa vida, a vida do povo, de modo que tudo coloquemos em Suas mãos, ciente de nossas responsabilidades, como cidadãos, obrigações e direitos, mas que tudo seja revertido em prol do povo que a Deus pertence.

Urge que a vida humana seja promovida em todos os seus âmbitos, a fim de que possamos amá-Lo e adorá-Lo sobre todas as coisas, sobre todos os poderes, e cientes de que tudo a Ele pertence: toda honra, glória, poder e louvor. Amém.

Missão: uma questão de amor (XXIXDTCA)

                                                     

Missão: uma questão de amor

Refletir o quanto Deus nos ama é sempre necessário, para que cresçamos em maior correspondência ao Seu Amor, bem como refletir sobre a nossa Missão, recebida desde o dia de nosso Batismo, para que de fato seja sempre uma questão de amor…

Refletindo sobre a passagem do Livro do Profeta Isaías (Is 45,1.4-6), vemos que Deus vem ao nosso encontro, pois não sabe fazer outra coisa a não ser nos amar.

Vem para nos libertar de toda e qualquer opressão e escolhe quem quer para salvar Seu povo, como foi o caso da escolha de Ciro, rei dos persas.

Diferente é a ida do povo até Deus, muitas vezes a humanidade é movida pelo ódio, interesses impuros, hipocrisia, gerando medo, conflitos e violências.

Nem sempre se acorre a Deus de coração puro, sincero e por amor… Muitos interesses ficam submersos, camuflados revelando a falta da gratuidade e verdadeira intimidade.

Às vezes procuramos a Deus para pedir sem nada a oferecer, outras O procuramos sem estarmos enraizados em Seu amor. Deus é amor e o nosso encontro com Ele deve ser sempre por amor.

Some-se a esta passagem o Evangelho de São Mateus (Mt 22,15-21), quando os fariseus e herodianos preparam uma armadilha muito séria para apanhar Jesus em contradição – na conhecida questão, se é lícito pagar imposto a César.

Como que os colocando diante do espelho, podemos refletir toda a hipocrisia que carregam em si, dentro do coração, pois Jesus pede a moeda, e eles a tinham consigo.

A resposta de Jesus alarga o horizonte: “Devolva a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. Que tributos sejam pagos e vida seja revertida em favor deste mesmo povo – todo o poder é relativo e deve estar a serviço do povo. Absoluto somente o Reino de Deus – “Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça e tudo mais vos será acrescentado” (Mt 6,33).

A adoração leva ao compromisso com amor e dignidade, acima de todo o poder está Deus, pois Seu poder é eterno. Devolva a Deus o povo cheio de vida, feliz, alimentado, com cultura e dignidade… Não podemos devolver a Deus um povo faminto, abandonado, sofrido, sem vida, desmotivado, sem abrigo, sem perspectivas, sem alegria…

Devolver a Deus o que é de Deus é multiplicar momentos de Oração, dar o dízimo com amor, participar das Missas com alegria, solidarizar-se, com a sacralidade da vida e sua dignidade comprometer-se.

Quem não fizer o bem deixa de devolver a Deus o que é de Deus, e muitas vezes até podemos estar roubando de Deus o que lhe pertence, pois tudo é d’Ele. Sem Deus nada somos, nada podemos, porque d’Ele viemos, n’Ele e por Ele somos, existimos, nos movemos, e para Ele haveremos de voltar. Ele é o princípio e o fim de nossa vida, alfa e ômega!

Devolver a Deus o que é de Deus, iluminados pela Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses (1 Ts 1,1-1-5b) é construir a vida sobre três pilares: fé, esperança e caridade (amor) que não se destroem jamais.

Fé:
Deve ser atuante, pascal, viva, sincera, comprometida, verdadeira e adubada, regada todos os dias de nossa vida para que possa produzir frutos agradáveis ao Senhor…

Esperança:
Deve ser firme, pois do contrário as coisas vão de água abaixo… Não ser derrotista, pessimista, arrasado… Crer contra toda humana esperança…

Amor:
Que não é sentimento passageiro, mas mandamento e exercício constante; pede empenho, dedicação, esforço, vigilância… Não existe “amei e ponto final”, pois a cada dia se ama mais, ele é eterno é o esforço da eternidade e indefinível, indeterminado, como o próprio Paulo disse em Romanos (Rm 13,8), não fiqueis devendo nada ao outro a não ser o amor mútuo… Amar sempre, verdadeiramente, entre amigos e esposos, pais e filhos (o que está faltando em muitas famílias)…

É preciso ir ao encontro de Deus e cultivar Seu amor, deixando que Ele abrase nosso coração com o fogo do Espírito Santo, nos iluminando com Sua luz.

É sempre tempo de devolver a Deus o que é de Deus: fé atuante, caridade esforçada e firme esperança… O mundo precisa de pessoas assim.

Reflitamos:

- Estamos devolvendo a César o que é de César e a Deus o que é de Deus?
- Como vivemos a fé, a esperança e a caridade?

Acendei, ó Pai, a chama do amor eterno que nasce do Eterno Amor (Espírito Santo), revelado e testemunhado pelo Seu Filho e Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém!

“Não existem duas esperanças” (XXIXDTCA)

                                                       

“Não existem duas esperanças”

Oportuno para a reflexão das passagens do Evangelho de Mateus e Marcos (Mt 22,15-21; Mc 12,13-17), sobre a questão feita pelos fariseus e herodianos a Jesus, se é lícito pagar imposto a César, encontramos esta afirmação:

“Não existem duas esperanças: uma terrena e outra celeste; a esperança é uma só: diz respeito à realidade futura, mas através do empenho cristão, a antecipa na realidade terrestre”

De fato, estamos no mundo com uma responsabilidade de participação irrenunciável, para torná-lo mais humano, justo e fraterno.

E se a fé cristã professada, maior ainda o compromisso, pois deve ser vivida integralmente e não permite omissão ou evasão nesta participação.

A fé cristã confere à religião um papel fundamental no mundo, tornando sem fundamento qualquer atitude de desconsideração, como se ela não tivesse nenhuma contribuição positiva a oferecer.

Com o Concílio Vaticano II, como Igreja, somos chamados a rever as reticências ou ausências do cristão no seu real compromisso com o mundo, procurando sua superação a fim de que sejamos sal da terra e luz do mundo.

A fé cristã, acenando para a esperança na eternidade, não se exime da concretização no tempo presente, inserida na realidade terrestre, concreta. 

Esta fé se vive com os olhos nos céus, mas com os pés tocando à realidade do cotidiano, não criando uma dicotomia entre o mundo dos homens e mulheres e o mundo de Deus.

De modo que todo poder político deve exercer a sua vocação primeira, a promoção do bem comum, e se assim o for, de fato, estaremos dando “a Deus o que é Deus e a César o que é de César”, entregaremos a Deus um povo com vida plena, digna e feliz.

O céu não se espera na passividade, mas na medida em que vivemos a graça do Batismo, e nos tornamos discípulos missionários do Senhor, verdadeiramente comprometidos com o Reino de Deus, que ultrapassa qualquer forma de realidade que se possa conceber.

Nenhuma realidade é bastante suficiente para esgotar a riqueza do Reino que Jesus veio inaugurar, por isto, rezamos no Pai Nosso, a oração que Ele nos ensinou:

“Venha a nós o Vosso Reino, Senhor, seja feita a Vossa vontade assim na terra como no céu” (cf.  Mt 6,10).

PS: Missal Dominical – Editora Paulus, 1995 – p. 834.

Deus nos pede a Sua imagem (XXIXDTCA)

                                                           

Deus nos pede a Sua imagem

“Buscas a imagem de Deus?
Você a tem em si mesmo..."

Sobre a passagem do Evangelho proclamado no 29º Domingo do Tempo Comum - Ano A (Mt 22, 15-21), sejamos enriquecidos pelo Sermão de Santo Agostinho:

“Buscas a imagem de Deus? Você a tem em si mesmo; o artífice não pode fazer a imagem de Deus, mas Deus pode fazer uma imagem de Si mesmo.

Não fez outro distinto de ti mesmo, mas que te fez a ti a Sua imagem. Adorando, pois, a imagem de homem que o artífice fez, profana a imagem de Deus, que Deus imprimiu em ti mesmo.

Portanto, quando te chama para que voltes, quer devolver-te aquela imagem que tu, esfregando-a em certo modo com a ambição terrena, perdeste e obscureceste.

Daqui procede, irmãos, que Deus busque a Sua imagem em nós. Isto foi o que recordou àqueles judeus que lhe apresentaram uma moeda.

Quando lhe disseram: ‘Senhor, é lícito pagar tributo a César?’, sua primeira intenção era tentar-lhe; se dizia ‘é lícito’, seria acusado de querer que Israel vivesse sob a maldição, ao querer que estivesse submetido a tributo, que estivesse sob o jugo de outro rei e pagasse impostos; se, porém, dizia ‘não é lícito pagar tributo’, lhe acusariam de ordenar algo contra César e de ser o causante de que não pagassem os impostos devidos enquanto povo submetido.

Conheceu que lhe tentavam; conheceu, por assim dizer, a verdade para a falsidade e com poucas palavras deixou exposta a mentira procedente da boca dos mentirosos.

Não emitiu sentença contra eles por Sua boca, mas deixou que eles mesmos a emitissem contra si, segundo o que está escrito: ‘Por tuas palavras serás declarado justo e por elas declarado inocente. Por que me tentais, hipócritas?’, Ele lhes disse.

‘Mostrai-me a moeda’. Mostraram-na para Ele. ‘De quem, disse, é a imagem e a inscrição?’ Responderam: ‘De César’. E Ele: ‘Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.’ Como César busca a sua imagem sua moeda, assim Deus busca a Sua em tua alma.

‘Dai a César’, disse, ‘o que é de César’. O que César te pede? Sua imagem. O que Deus te pede? Sua imagem.  Porém, a do César está na moeda, a Deus está em ti.

Se alguma vez perdes uma moeda, choras porque perdeste a imagem de César; e não choras quando adoras um ídolo sabendo que fazes uma injúria à imagem de Deus que reside em ti?” (1)

Se Deus nos pede a Sua imagem impressa em cada um de nós, não podemos dar a Deus rostos desfigurados, corpos mutilados pelo absurdo do fanatismo religioso, como vemos em noticiários, constantemente.

É preciso dar a Deus o que é d’Ele, cada criatura por Ele feita, por Suas mãos modeladas, predestinados que o fomos desde a criação para sermos santos e irrepreensíveis sob o Seu olhar de amor, como Paulo assim o disse (Ef 1,4).

Deus nos pede Sua imagem impressa em cada um de nós. Além disto, pelo Batismo, fomos marcados pelo Selo do Seu Espírito; a Deus pertencemos e a nenhuma criatura, tampouco ao poder que passa.

Reflitamos sobre o que devemos fazer, para que não venhamos a dar para Deus:

- corpos desfigurados pelo flagelo da fome que ainda assola bilhões de pessoas:

- corpos tratados e vendidos como mercadorias, como tão bem retratou a Campanha da Fraternidade de 2014, com o tema: Fraternidade e Tráfico Humano; e o lema: “Foi para a liberdade que Cristo nos libertou.” (Gl 5,1).

Concluo com este canto:

“A minha vida é do mestre, o meu coração é do meu mestre...”

(1) Lecionário Patrístico Dominical - Editora Vozes - 2013 - p.234-235. 

Afeição, ternura e carinho na evangelização (XXIXDTCA)

                                                         

Afeição, ternura e carinho na evangelização

A Primeira Carta de Paulo aos Tessalonicenses (o Livro mais antigo do Novo Testamento) é muito inspiradora para refletirmos sobre a vida cristã.

Podemos, a partir desta Carta, avaliar os propósitos e compromissos mais sólidos, para que sejamos mais afetivos e efetivos junto às nossas comunidades.

Contemplamos na ação do Apóstolo o carinho do mesmo para com a comunidade, que se notabiliza por uma fé ativa, pela caridade esforçada e firmeza de sua esperança, pois acolhe com alegria a Palavra e a irradia para outros lugares, apesar das tribulações, dificuldades e perseguições.

Literalmente, Paulo conviveu com a comunidade, pregou a Palavra, trabalhando noite e dia para não se tornar um peso para ela.

A afeição, a ternura e o carinho de Paulo para com a comunidade aparecem explicitamente em suas palavras: –“Apresentamo-nos no meio de vós cheios de bondade, como uma mãe acaricia os filhinhos. Tanto bem vos queríamos que desejávamos dar-vos não somente o Evangelho de Deus, mas até a própria vida, de tanto amor  que vos tínhamos” (1Ts 2,7-8).

O Apóstolo nos ensina: quem ama se empenha. O amor pede esforço, dedicação, criatividade, coragem, ousadia para manter acesa a chama da profecia, ancorados na esperança da Ressurreição, que nos compromete a fazer do Paraíso, não algo que no tempo foi perdido, antes, um compromisso que se renova como projeto de vida nova a ser construído. Menos saudades, muito mais esperança e compromisso, até que vejamos acontecer novo céu e nova terra.

O Discípulo missionário do Senhor é aquele que teve o coração por Cristo seduzido, e assim, vive com a comunidade intensa e verdadeira relação de amor e ternura, como o Apóstolo o fez, e de modo muito especial àquele que possuir o Sacramento da Ordem.

A mensagem do Apóstolo Paulo é apelo de conversão constante, para que trabalhemos junto à nossas comunidades, com empenho e dedicação, de modo que, jamais se pode fazer de qualquer Ministério pela Igreja confiado, fonte de riqueza abominável, que esvaziaria toda beleza da Palavra pregada.

Avaliemos como testemunhamos nossa fé; como a tornamos viva em compromissos concretos de amor, para que nossa esperança não tenha sido uma evasão, mas sinceros compromissos com a Boa-Nova da Ressurreição.

Todos sintamos o mesmo desejo do Apóstolo: não apenas pregar a Palavra, mas dar a nossa vida pela Igreja, de modo especial pelas comunidades que nos foram confiadas ou das quais somos membros, pedras vivas e escolhidas.

Redescobrir e reavivar no mais profundo de nós a alegria de ser discípulo missionário, em todo o tempo, aprendendo sempre com o  Apóstolo que incansavelmente anunciou e testemunhou a Palavra, no bom combate da fé.

PS: Apropriada para a reflexão de 1 Ts 1,1-5.8b-10

Sagrados compromissos com a promoção do bem comum

                                                


Sagrados compromissos com a promoção do bem comum

 

Em tempo de eleições e promessas, oportuno lembrar que o compromisso na promoção do bem comum é para todas as pessoas, de modo especial para aqueles que se propõem à cargos públicos.

 

Sejamos iluminados pelos parágrafos n.1905-1917 do Catecismo da Igreja Católica, sobre o que vem a ser o bem comum.

 

De acordo com a natureza social do homem e da mulher, o bem de cada um/a está necessariamente relacionado ao bem comum; e este, por sua vez, abrange o conjunto das condições sociais que permitem aos grupos e às pessoas atingir a sua perfeição, do modo mais pleno e fácil.

 

São três os elementos essenciais do bem comum:

 

1º.  O respeito e a promoção dos direitos fundamentais da pessoa;

2º. A prosperidade ou desenvolvimento dos bens espirituais e temporais da sociedade (exigência do bem-estar social e o desenvolvimento da própria sociedade);

3º. A paz e a segurança do grupo e dos seus membros.

 

Concluindo, importa que o bem comum esteja sempre orientado para o progresso das pessoas, de modo que a ordem das coisas deve estar subordinada à ordem das pessoas, e não o inverso.

 

Esta ordem, por sua vez, constrói-se na justiça e é vivificada pelo amor e tem como base a verdade, cabendo ao Estado defendê-lo e promovê-lo na sociedade civil; em favor de toda a família humana e da sociedade internacional.

 

Que o Espírito do Senhor nos conduza e nos ilumine para sagrados compromissos com o bem comum, somando com quem realmente tem histórias e compromissos com ele, e não ajam com exclusivos interesses próprios.

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