segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Devoção a Maria é fonte de vida cristã profunda (N. Sra. Aparecida)

                                

Devoção a Maria é fonte de vida cristã profunda
 
A devoção a Maria é fonte de vida cristã profunda, como vemos na Homilia do Papa São João Paulo II, quando da Dedicação da Basílica Nacional de Aparecida - SP em 1980.
 
“ ‘Viva a Mãe de Deus e nossa, sem pecado concebida! Viva a Virgem Imaculada, a Senhora Aparecida!’
 
Desde que pus os pés em terra brasileira, nos vários pontos por onde passei, ouvi este cântico. Ele é, na ingenuidade e singeleza de suas palavras, um grito da alma, uma saudação, uma invocação cheia de filial devoção e confiança para com aquela que, sendo verdadeira Mãe de Deus, nos foi dada por seu Filho Jesus no momento extremo da Sua vida para ser nossa Mãe.
 
Sim, amados irmãos e filhos, Maria, a Mãe de Deus, é modelo para a Igreja, é Mãe para os remidos. Por sua adesão pronta e incondicional à vontade divina que lhe foi revelada, torna-se Mãe do Redentor, com uma participação íntima e toda especial na história da salvação. Pelos méritos de seu Filho, é Imaculada em sua Conceição, concebida sem a mancha original, preservada do pecado e cheia de graça.
 
Ao confessar-se serva do Senhor (Lc 1,38) e ao pronunciar o seu sim, acolhendo ‘em seu coração e em seu seio’ o Mistério de Cristo Redentor, Maria não foi instrumento meramente passivo nas mãos de Deus, mas cooperou na salvação dos homens com fé livre e inteira obediência. Sem nada tirar ou diminuir e nada acrescentar à ação daquele que é o único Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, Maria nos aponta as vias da salvação, vias que convergem todas para Cristo, seu Filho, e para a sua obra redentora.
 
Maria nos leva a Cristo, como afirma com precisão o Concílio Vaticano II: ‘A função maternal de Maria, em relação aos homens, de modo algum ofusca ou diminui esta única mediação de Cristo; antes, manifesta a sua eficácia. E de nenhum modo impede o contato imediato dos fiéis com Cristo, antes o favorece’.
 
Mãe da Igreja, a Virgem Santíssima tem uma presença singular na vida e na ação desta mesma Igreja. Por isso mesmo, a Igreja tem os olhos sempre voltados para aquela que, permanecendo virgem, gerou, por obra do Espírito Santo, o Verbo feito Carne. Qual é a missão da Igreja senão a de fazer nascer o Cristo no coração dos fiéis, pela ação do mesmo Espírito Santo, através da evangelização? 
 
Assim, a ‘Estrela da Evangelização’, como a chamou o meu Predecessor Paulo VI, aponta e ilumina os caminhos do anúncio do Evangelho. Este anúncio de Cristo Redentor, de sua mensagem de salvação, não pode ser reduzido a um mero projeto humano de bem-estar e felicidade temporal. Tem certamente incidências na história humana coletiva e individual, mas é fundamentalmente um anúncio de libertação do pecado para a comunhão com Deus, em Jesus Cristo. De resto, esta comunhão com Deus não prescinde de uma comunhão dos homens uns com os outros, pois os que se convertem a Cristo, autor da salvação e princípio de unidade, são chamados a congregar-se em Igreja, sacramento visível desta unidade humana salvífica.
 
Por tudo isto, nós todos, os que formamos a geração hodierna dos discípulos de Cristo, com total aderência à tradição antiga e com pleno respeito e amor pelos membros de todas as comunidades cristãs, desejamos unir-nos a Maria, impelidos por uma profunda necessidade da fé, da esperança e da caridade.
 
Discípulos de Jesus Cristo neste momento crucial da história humana, em plena adesão à ininterrupta Tradição e ao sentimento constante da Igreja, impelidos por um íntimo imperativo de fé, esperança e caridade, nós desejamos unir-nos a Maria.
 
E queremos fazê-lo através das expressões da piedade mariana da Igreja de todos os tempos. A devoção a Maria é fonte de vida cristã profunda, é fonte de compromisso com Deus e com os irmãos. Permanecei na escola de Maria, escutai a sua voz, segui os seus exemplos. Como ouvimos no Evangelho, ela nos orienta para Jesus: ‘Fazei o que ele vos disser’ (Jo 2,5). E, como outrora em Caná da Galileia, encaminha ao Filho as dificuldades dos homens, obtendo dele as graças desejadas. Rezemos com Maria e por Maria: ela é sempre a ‘Mãe de Deus e nossa’.”
 
Rezemos com Maria e por meio dela, com a certeza de que ela caminha conosco, como Mãe da Igreja e nossa Mãe, “Estrela da Evangelização”.
 
Sintamos sua presença maternal em todos os momentos, ouvindo suas palavras nas Bodas de Caná que ressoa por todos os séculos; “Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2,5).
 
Oremos:
 
“Ó Deus todo-poderoso, ao rendermos culto à Imaculada Conceição de Maria, Mãe de Deus e Senhora nossa, concedei que o povo brasileiro, vivendo na paz e na justiça, possa chegar um dia à pátria definitiva. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Amém”

domingo, 11 de outubro de 2026

“Batismo e Cruz, Cálice e Paixão”

                                                              

“Batismo e Cruz, Cálice e Paixão”

Sejamos enriquecidos pela Catequese Batismal do Bispo e Doutor da Igreja, São João Crisóstomo (séc. V).

“Escuta, pois, o que diz Paulo, como declara as duas coisas a respeito do batismo, a saber: que é morte do pecado e cruz. Ou ignorais que todos os que foram batizados em Cristo, fostes batizados em sua morte? E novamente: Sabemos que o nosso velho homem foi crucificado com Ele, para que seja reduzido à impotência o corpo outrora subjugado ao pecado.

Sem dúvida, para que, ao escutar ‘morte’ e ao ouvir ‘cruz’ não tenhas medo, acrescentou que a cruz é morte do pecado. Percebes de que maneira o Batismo é cruz? Pois sabe que também Cristo chamou Batismo a cruz, dando-te e tomando, ao invés, o nome de Batismo. Teu Batismo o chamou ‘cruz’. ‘Minha cruz’ – diz – a chamo Batismo’.

E onde diz isto? Eu tenho um Batismo para ser batizado que vós não conheceis. E de onde tiramos a evidência de que está falando da cruz?

Os filhos de Zebedeu se aproximaram d’Ele, ou melhor, a mãe dos filhos de Zebedeu, que disse: Deixa que estes meus dois filhos se sentem um a Tua direita e o outro a Tua esquerda em Teu Reino. É o pedido de uma mãe, ainda que insensata. E o que responde Cristo?

Podeis beber o cálice que Eu vou beber, e ser batizados com o Batismo com que Eu serei batizado? Estais vendo como chamou Batismo a cruz? De onde se tira essa evidência? Podeis, diz, beber o cálice que Eu vou beber? Chama cálice a Sua paixão, e por isso diz: Pai, se é possível afasta de mim este cálice.

Percebes como chamou Batismo a cruz e cálice a Sua paixão? Contudo, os chamou assim não porque Ele mesmo Se purificasse – como iria fazê-lo, de fato, Aquele que não fez pecado, nem houve engano em Sua boca? -, mas porque o Sangue que dali corria purificava o universo inteiro.

E por esta razão diz também Paulo: Fomos sepultados juntamente com Ele por uma morte semelhante a Sua, por meio do batismo...

Não disse: na morte, mas, à semelhança de Sua morte: Aquela é morte, de fato, e esta é morte, porém, não do mesmo modo: existe uma, do corpo; a outra, do pecado. Daí a semelhança da morte.

Então, o quê?! Somente morremos com o Senhor, e somente nos unimos a Ele nas coisas tristes? Antes de tudo: nem sequer isto é triste, o ter parte na morte com do Senhor.

Contudo, espera um pouco e verás que também tens parte com Ele nas coisas que gratificam. Se morrermos com Ele, diz, cremos que também viveremos com Ele. Se no Batismo e ao mesmo tempo estão juntas sepultura e ressurreição, deixa abaixo o velho homem e assume o novo e ressuscita, como Cristo ressurgiu dos mortos para a glória de Deus Pai”. (1)

Sejamos fortalecidos pela graça divina, para que vivamos o Batismo, que nos concedeu vida nova, com fidelidade no carregar da cruz cotidiana, configurados ao Senhor em Seu Mistério de Paixão e Morte de Cruz.

Vivendo este Mistério, avançamos para águas mais profundas de nossa missão, bebendo e nos nutrindo do Cálice do Senhor, bebendo e comendo de Seu Corpo e Sangue, alimentos salutares indispensáveis para nós.

(1) Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 - p.491-492

Aspiremos as coisas mais humildes

                                                     

                             Aspiremos as coisas mais humildes

Sejamos enriquecidos pelo Sermão escrito pelo bispo e Doutor, Santo Agostinho, (séc.V).

“Dois discípulos de nosso Senhor, os santos e ilustres irmãos João e Tiago, desejaram do Senhor nosso Deus, conforme lemos no Evangelho, o sentar-se em Seu Reino um a Sua direita e outro a Sua esquerda.

Não desejaram ser reis da terra, não desejaram de nosso Senhor honras perecedouras, nem ser cumulados de riquezas, nem se ver rodeados de numerosa família, nem ser venerados por súditos, nem ser bajulados por aduladores; mas pediram algo grande e duradouro: ocupar algumas cadeiras imperecíveis no Reino de Deus.

Desejaram uma grande coisa! Não foram repreendidos em seu desejo, porém foram encaminhados para uma ordem. O Senhor viu neles um desejo de grandeza e se dignou ensinar-lhes caminho da humildade, como que lhes dizendo: ‘Percebes o que desejais, percebes que Eu estou convosco; e Eu que vos fiz e desci até vós, cheguei até a humilhar por vós’.

Estas palavras que vos narro não aparecem no Evangelho; contudo, expresso o sentido do que se lê no Evangelho.

Convido-vos agora para pensar nas palavras que se leem no Evangelho, para que vejais de onde saíram as palavras que vos disse.

Uma vez que o Senhor escutou a petição dos irmãos, lhes disse: Podeis beber o cálice que vou beber?  A vós, que buscais postos de grandeza, não vos é amargo o cálice da humildade? Ali onde se impõe um preceito duro, ali há um grande consolo. Os homens negam a beber o cálice da paixão, o cálice da humilhação. Aspiram as coisas mais sublimes? Amem antes de tudo as coisas humildes. Partindo do humilde se chega ao sublime.

Ó homem! Tu tinhas medo de suportar as afrontas da humilhação. Porém te convém beber o cálice amargo da paixão. Tuas vísceras estão irritadas, tens inflamadas as entranhas.

Bebe a amargura para conseguir a saúde. Bebeu-a o médico são, e não quer beber o enfermo debilitado?

O Senhor disse aos filhos de Zebedeu: Podeis beber o cálice? Não lhes disse: ‘podeis beber o cálice das afrontas, o cálice do fel, o cálice do vinagre, o cálice amarguíssimo, o cálice cheio de veneno, o cálice de todo tipo de dores?’. Se tivesse lhes dito isto, lhes teria atemorizado em vez de animar-lhes. Onde há participação, também se dá o consolo.

Por que desdenhas este cálice, ó servo? O Senhor o bebeu. Por que o desprezas, ó enfermo? O médico o bebeu. Por que o desprezas, ó homem fraco? O são o bebeu. Podeis beber o cálice que eu hei de beber?

Naquele momento, eles, ávidos de grandeza, ignorando as suas forças e prometendo o que ainda não tinham, dizem: Podemos. O Senhor lhes contesta: Bebereis certamente meu cálice, já que vos dou para beber, já que vos farei de fracos fortes, vos concedo a graça de padecer para que bebais o cálice da humildade; porém, não está em meu poder o sentar-vos a minha direita ou a minha esquerda, senão para aqueles para os quais foram preparados por meu Pai.” (1)

Retomo estas palavras – “Os homens negam a beber o cálice da paixão, o cálice da humilhação. Aspiram as coisas mais sublimes? Amem antes de tudo as coisas humildes. Partindo do humilde se chega ao sublime”.

Supliquemos ao Senhor que bebendo do Seu Divino Cálice, participando do Mistério da Eucaristia, comendo do Seu Corpo e bebendo do Seu Sangue, sejamos redimidos e alimentados para o combate da fé.

Aspiremos as coisas humildes para chegarmos às mais sublimes, e que nossa vida seja expressão incansável de amor, doação e serviço, sobretudo pelos mais necessitados, perfeitamente configurados a Jesus Cristo, no Mistério de Sua Paixão, Morte e Ressurreição, a serviço do Reino de Deus com a força e a luz do Santo Espírito.

 

 PS: Oportuno para que reflitamos as passagens dos Evangelhos de São Mateus (Mt 20,17-28) e São Marcos (Mc 10,35-45).

(1) Lecionário Patrístico dominical – Editora Vozes – 2013 - p. 490-491

Em poucas palavras...

                                                  


“Orai sem cessar”

“«Orai sem cessar» (1 Ts 5, 17). Orar é sempre possível. É, até, uma necessidade vital. Oração e vida cristã são inseparáveis.”

 

(1) Catecismo da Igreja Católica -parágrafo n. 2757

“Para adquirir o Reino é preciso dar tudo.” (XXVIIIDTCA)

 


“Para adquirir o Reino é preciso dar tudo.”

“Amigo, como entraste aqui sem o traje de festa?” (Mt 22,12

Reflexão sobre a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 22,1-14).

Sobre a “veste nupcial”, assim afirmou São Gregório Magno (séc. VI):

“O que significa, irmãos, a veste nupcial? Não podemos dizer que signifique o batismo nem a fé, porque quem pode entrar sem eles nestas bodas?... 

Portanto, o que devemos entender por veste nupcial, senão a caridade? 

Entra, pois, nas bodas, mas não leva a veste nupcial, aquele que pertencendo à Igreja Católica tem fé, mas lhe falta a caridade...”

Retomemos o parágrafo n. 546 do Catecismo da Igreja Católica, sobre as parábolas do Reino por Jesus apresentadas:

“Jesus chama para entrar no Reino, por meio de parábolas, traço característico do seu ensino (Mc 4,33-34).

Por meio delas, convida para o banquete do Reino (Mt 22,1-14), mas exige também uma opção radical: para adquirir o Reino é preciso dar tudo (Mt 13,44-45).

As palavras não bastam, exigem-se atos (Mt 21,28-32). As parábolas são, para o homem, uma espécie de espelho: como é que ele recebe a Palavra? Como chão duro, ou como terra boa? (Mt 13,3-9). Que faz ele dos talentos recebidos? (Mt 25,14-30). Jesus e a presença do Reino neste mundo estão secretamente no coração das parábolas.

É preciso entrar no Reino, quer dizer, tornar-se discípulo de Cristo, para «conhecer os mistérios do Reino dos céus» (Mt 13, 11). Para os que ficam «fora» (Mc 4, 11), tudo permanece enigmático (Mt 13,10-15).”

O Apóstolo Paulo também nos ilumina:

- "Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, se não tivesse caridade, seria como bronze que soa ou como címbalo que retine.” (1 Cor 13,1);

- “O amor de Cristo nos impele”  (2 Cor 5,14);

- “A fé age através do amor” (Gl 5,6);

- “A caridade é a plenitude da lei” (Rm 13,10). 

De fato, a veste nupcial é a caridade; e para que adquiramos o Reino de Deus, é preciso darmos tudo de nós, o melhor que pudermos, para o testemunho da fé:

- Na família, santuário da vida;

- Em nossas pastorais, comunidades;

- Nos diversos ministérios e serviços

- Em todos os âmbitos de nossa existência...

Contemos sempre com as luzes do Santo Espírito, iluminados pela Palavra Divina, e fortalecidos pelo Pão de imortalidade, a Eucaristia, e que sejamos revestidos com a veste da caridade, credencial para participação do Divino Banquete.


O Banquete do Cordeiro e a “veste” apropriada (XXVIIIDTCA)

                                                       

O Banquete do Cordeiro e a “veste” apropriada

A Liturgia, do 28º Domingo do Tempo Comum (Ano A) apropria-se de uma imagem muito bela: um "Banquete", para nos falar como deve ser o mundo que Deus deseja para nós. 

Deus está sempre nos convidando para participarmos de Seu Banquete de Amor, vida, felicidade, alegria e paz, mas respeita a nossa liberdade, sem nos dispensar da veste nupcial necessária para dele participar: amor, partilha, serviço, misericórdia e o dom da vida.

Participar do Banquete de Deus implica em estarmos na mais perfeita e profunda comunhão, amizade e intimidade com Ele e com nosso próximo. 

Como batizados, fomos revestidos por Cristo e, deste modo, somos sinais de comunhão com o outro, para que nossa comunhão com Deus seja credível, agradável e sinal do Banquete Eterno que prefiguramos em cada Eucaristia que celebramos e participamos.

Na passagem da primeira Leitura (Is 25,6-10a), o Profeta Isaías se utiliza da imagem do Banquete, comunicando, em meio a sinais de morte e desolação, o desejo de Deus, um horizonte esperançoso e promissor: um Banquete de amor e vida a toda humanidade oferecido. 

O Profeta, com sua palavra, exorta a confiança e a esperança numa nova era de paz e de felicidade sem fim, porque Deus vai destruir a morte para sempre e enxugar as lágrimas de todas as faces, eliminando, assim, o opróbrio que pesa sobre o Seu povo.

Na passagem da segunda leitura (Fl 4,12-14.19-20), o Apóstolo Paulo continua falando aos filipenses, exortando para que vivam a gratuidade, a solidariedade e a partilha, com os que mais precisam, revigorados pela força divina – “tudo posso n’Aquele que me fortalece”.

Quanto mais a comunidade vivenciar as exigências mencionadas, mais ela dará espaço para a intervenção divina, abrindo-se à ação da força que o Senhor nos comunica pela ação e presença do Espírito.

Da mesma forma, quanto mais o cristão tiver o coração aberto à partilha e ao dom de si mesmo, em atitude de despojamento, de entrega e de empenho, mais poderá sentir a manifestação divina, e mais alegria terá em colaborar na missão evangelizadora.

Também nossas comunidades devem fazer progressos na solicitude, generosidade, solidariedade a fim de que sejam verdadeiramente missionárias.

Na passagem do Evangelho (Mt 22,1-14), Jesus nos fala do Banquete, que Ele mesmo veio realizar em sua Pessoa e missão, como profetizara o Profeta Isaías.

Não há exclusão no Banquete do Reino, mas há uma exigência: a veste; que consiste na prática da justiça, da qual as autoridades do tempo de Jesus estavam desprovidas, tanto que O rejeitaram e O condenaram à morte. 

Diferentemente, os publicanos, pecadores, prostitutas, os que se encontravam “nas encruzilhadas à beira do caminho” O aceitaram e responderam positivamente ao seu convite, pondo-se num caminho de abertura e conversão à Sua Boa-Nova.  

A aceitação do convite do profeta à conversão e o próprio convite de Jesus, implicam em dar prioridade e corresponder à altura do Amor de Deus, em compromissos incansáveis com os valores do Reino.

Com o Batismo se dá o início desta aceitação e compromisso para uma vida em comunidade. Nesta vivência da fé, tanto o batizado como a própria comunidade corre o grande perigo de perder seu entusiasmo inicial, com consequente instalação e acomodação, esvaziando assim as exigências do Evangelho. 

É preciso eliminar a autossuficiência e viver em total atitude de humildade, de pobreza e de simplicidade, numa dinâmica de constante conversão, uma vez que a Salvação não é conquista findada.

Reflitamos:

- Tenho aceitado este convite do Senhor?
- Tenho me comprometido com este Banquete?

- Estou devidamente “vestido” para dele participar?
- Deus nos ama apesar e por causa de nossas fraquezas e nos convida para nos assentarmos à mesa com Ele. Qual é a nossa resposta?

Saibamos dar um alegre SIM a este convite, para que participantes do Banquete da Eucaristia, por ora, um dia possamos participar do Banquete da Eternidade que o Senhor nos preparou, e que só poderemos participar quando a morte irromper no horizonte de nossa existência, mas vencida, rompida, superada, com a fé na Ressurreição, que nos garante a imortalidade e eternidade de amor ─ o Céu que tanto falamos, cremos e desejamos. Façamos por merecê-lo! 

Oremos:

Ó Deus, Pai Santo, Vós que sois tão misericordioso, que desejais a Salvação do mundo inteiro, convidando-nos para as núpcias do Vosso Filho Amado,

Nós vos pedimos, embora sem nenhum mérito, mas com toda a confiança, que envieis a cada um de nós e a toda Igreja o Vosso Espírito, para que enriquecidos dos sete dons, testemunhemos com alegria, esperança e confiança a fé que abraçamos, vivendo com ardor a missão por Vós confiada.

Que sejamos sempre revestidos da veste nupcial, para sermos dignos de participar de Vosso Banquete de Amor, vida, paz, felicidade, até que um dia possamos nos inebriar no Banquete da Eternidade, porque saciados e nutridos pelo Pão e Vinho de imortalidade. Amém! 

A veste nupcial da caridade (XXVIIIDTCA)

                                                               

A veste nupcial da caridade

“Muitos são os chamados,
mas poucos os escolhidos” (Mt 22,14)

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 22,1-14), na qual Jesus nos fala sobre o convite ao Banquete Nupcial.

Vejamos parte do Sermão do Papa e Doutor da Igreja São Gregório Magno (séc. VI), sobre o que devemos entender por “veste nupcial”,  que nos fala a parábola.

“O que significa, irmãos, a veste nupcial? Não podemos dizer que signifique o batismo nem a fé, porque quem pode entrar sem eles nestas bodas?... 

Portanto, o que devemos entender por veste nupcial, senão a caridade? 

Entra, pois, nas bodas, mas não leva a veste nupcial, aquele que pertencendo à Igreja Católica tem fé, mas lhe falta a caridade.

Com fundamento se chama caridade a veste nupcial, visto que nosso Criador a teve quando foi para as bodas desposar-Se com a Igreja. 

De fato, somente o amor de Deus pode fazer que Seu Filho Unigênito una a Si as almas dos eleitos. Por isso diz São João: ‘Deus amou tanto o mundo que deu o Seu Filho primogênito’.

Logo, Aquele que veio aos homens por caridade deu a conhecer que a veste nupcial não era outra coisa que a própria caridade. 

Portanto, todo aquele que recebeu o Batismo e crê em Deus, entrou nas bodas, porém não vai com a veste nupcial se não conserva o dom da caridade... 'Porque muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos’. 

Terrível é, caríssimos irmãos, o que acabamos de ouvir... 

É preciso, portanto, que todos nos humilhemos, tanto mais que ignoramos se estaremos entre os escolhidos.

Existem alguns que nunca deram início às boas obras; outros começaram a realizar o bem, mas não persistiram neste caminho. 

Há quem quase toda a vida foi mau, porém ao final se afasta de seus erros pela dor de uma verdadeira penitência; mas há, pelo contrário, quem parece viver uma vida santa, porém até o fim de seus dias cai no erro da maldade. 

Outros começam bem e terminam melhores; outros, pelo contrário, desde a sua juventude se precipitam no abismo dos vícios e terminam agindo do mesmo modo, piores cada vez mais.

Tema, por isso, cada um, já que ignora o que lhe resta, pois não deve esquecer: pelo contrário, deve repetir continuamente as Palavras do Evangelho: ‘Muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos’” (1)

A participação no Banquete Eucarístico exige de nós esta “veste nupcial da caridade”. 

Por isso, é sempre oportuno revermos de que modo vivemos o essencial da fé cristã, o Mandamento do amor a Deus e ao próximo, sendo que o amor a Deus está em primeiro lugar na ordem dos preceitos, e o amor ao próximo na ordem da execução, como nos lembra o Bispo e Doutor Santo Agostinho (séc. V).

Oremos:

“Pai Santo, que convidais o mundo inteiro para as núpcias do Vosso Filho, concedei-nos a sabedoria do Vosso Espírito, para que possamos testemunhar qual é a esperança do nosso chamamento, e que nenhum homem recuse o Banquete da Vida Eterna ou a entrar nele sem a veste nupcial” (2)


(1)         Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 – p.232
(2)        Lecionário Comentado – Vol. II – p.539

PS: Pode-se refletir sobre  o Hino da Caridade do Apóstolo Paulo aos Coríntios (1 Cor 13).

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