sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Comunidades Eclesiais missionárias e fecundas

                                          


Comunidades Eclesiais missionárias e fecundas

Nossas comunidades eclesiais missionárias são espaços sagrados em que se procura viver autenticamente a Palavra de Deus, como herdeiros da bênção que o Senhor nos agraciou.

Neste sentido, as Palavras do Apóstolo Pedro são iluminadoras:

“Sede todos unânimes, compassivos, fraternos, misericordiosos e humildes. Não pagueis o mal com o mal, nem ofensa com ofensa. Ao contrário, abençoai, porque para isto fostes chamados: para serdes herdeiros da bênção.” (1)

Oportunas as palavras atribuídas a diferentes autores, como nos falou o Papa São João XXIII:

“Mas é preciso manter também a norma comum que, expressa com palavras diversas, se atribui a diferentes autores: nas coisas necessárias, unidade; nas duvidosas, liberdade; em todas, caridade.” (2)

Supliquemos a Deus para que nos conceda a graça de assim vivermos, como discípulos missionários do Senhor, com o coração ardente e os pés sempre a caminho.

 

 

(1)         Primeira Carta de São Pedro (1 Pd 3,8-9)

(2)        Sobre o conhecimento da verdade, restauração da unidade e da paz na caridade – Papa São João XXIII – 29/06/1959

Em poucas palavras...

                                          


Virgem Maria, modelo supremo de fé

“Só a fé pode aderir aos caminhos misteriosos da onipotência de Deus. Esta fé gloria-se nas suas fraquezas, para atrair a si o poder de Cristo (2 Cor 12,19; Fl 4,13).

Desta fé é modelo supremo a Virgem Maria, pois acreditou que «a Deus nada é impossível» (Lc 1, 37) e pôde proclamar a grandeza do Senhor: «O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas; 'Santo' –  é o seu nome» (Lc 1, 49).”  (1)

 

(1)  Catecismo da Igreja Católica - parágrafo n. 273

Suplicamos Teu Espírito, Senhor!

                                                        


Suplicamos Teu Espírito, Senhor!

Senhor, como filhos de Deus, renascidos do alto pelo Espírito Santo, embora indignos o fôssemos, possuímos a Cristo, que nos ilumina e nos recria, e nos guia pelo Espírito através de vários modos, porque em nós fizeste morada, e nossos corações são conduzidos de maneira suave e invisível pela ação desta graça divina indizível.

Suplicamos Teu Espírito, Senhor, pelos que choram e se lamentam pelo gênero humano e suplicam por Ele com lágrimas e pranto, abrasados de amor espiritual, porque nosso amor por Ti passa necessariamente pelo outro, e assim vivemos amores inseparáveis: a Deus e ao próximo.

Suplicamos Teu Espírito, Senhor, para inflamar com uma alegria e um amor tão grande por todos aqueles que responderam ao Teu chamado, para que possam ser Tua presença, abraçando e amando a todos de coração, sem distinção de bons e maus, pois assim Deus age, fazendo chover sobre bons e maus.

Suplicamos Teu Espírito, Senhor, pelos que conservam o espírito de humildade, colocando-se abaixo de todos os outros, tendo-se a si mesmo como os mais abjetos e desprezíveis, para melhor amar e servir, pois tão somente assim nos tornamos grandes no Teu Reino, também fazendo-nos o último e servo de todos, como Tu o fizeste.

Suplicamos Teu Espírito, Senhor, que nos comunica uma alegria inefável, que deve se constituir numa marca daqueles que se colocam como discípulos missionários Teu a serviço do Reino por Ti inaugurado.

Suplicamos Teu Espírito, Senhor, por tantas pessoas boas e corajosas, para que, equipadas com toda armadura régia e lançando-se ao combate, batalhem com valentia contra os inimigos e os vença, lançando-se contra o inimigo o submeta sob os seus pés.

Suplicamos Teu Espírito, Senhor, por tantas pessoas de alma serena em que repousa em um grande silêncio, tranquilidade e paz, e assim gozam de um maravilhoso otimismo e bem-estar espiritual, e de um sossego inefável, porque sabem em quem confiam, e podem dizer como o Teu Apóstolo: “Tudo posso n’Aquele que me fortalece”. (Fl 4,13).

Suplicamos Teu Espírito, Senhor, para nos acompanhar também em momentos em que nada de especial possamos experimentar, para que, também nestes momentos, saibamos sentir a Tua presença silenciosa, que nos acompanha e nos assiste, ainda que nada supliquemos.

Suplicamos Teu Espírito, Senhor, para toda a Tua Igreja, para que vivamos a vocação à santidade para qual fomos predestinados, em Cristo, desde o princípio da criação, numa conduta irrepreensível e sem mancha diante do Pai celestial.

Suplicamos Teu Espírito, Senhor, e com Ele os dons da inteligência, uma sabedoria e conhecimento inefáveis, superiores a tudo o que se possa expressar, e também os dons do conselho, fortaleza, temor e piedade, para que cada vez mais a Tua vontade, o Teu Projeto de amor, vida, justiça e paz saibamos realizar.

Suplicamos a graça celestial do dom do Espírito, com muita fé, esperança e amor, para que, governados e guiados por Ele, cheguemos à perfeição da plenitude de Cristo, na fidelidade ao Pai que nos criou e nos ama, incondicional e eternamente. Amém.


Fonte inspiradora: Sermão atribuído a um Autor anônimo do século IV – Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes - pp.411-412. 

Não nos curvemos diante das dificuldades...

                                                 


Não nos curvemos diante das dificuldades...

Olhando ao nosso redor, as múltiplas atividades cotidianas, as menores e maiores ações, podemos afirmar sem medo de errar que a correspondência ao amor divino é a garantia da transposição de todos os obstáculos: Quando se ama como Deus ama, são vencidas as dificuldades.

De outro lado, sem amor as mínimas dificuldades ganham novo tamanho, dimensão, e até mesmo se tornam insuperáveis e insuportáveis. 

Quão necessária é a correspondência ao Amor de Deus em perfeita união e sintonia com Seu mais profundo e imensurável Amor por nós!

Bem se expressou o Bispo Santo Agostinho:

“Todas estas coisas, não obstante, parecem difíceis aos que não amam; aos que amam, pelo contrário, isso mesmo lhes parece leve. Não há padecimento, por mais cruel e insolente que seja, que o amor não torne fácil ou quase inexistente”.

A alegria deve ser mantida em meio às dificuldades sendo o sinal mais cristalino e indiscutível de que o Amor de Deus inflama e motiva nossas ações:

“Naquilo que se ama, ou não se sente a dificuldade ou ama-se a própria dificuldade [...]. Os trabalhos dos que amam nunca são penosos" (Santo Agostinho).

Esta reflexão é um convite a revermos o modo como realizamos nossas atividades cotidianas e qual a intensidade com que fazemos as coisas que nos são confiadas nos mais diversos espaços em que convivemos.

Iluminado pelas palavras do Bispo, contemplo neste momento tantas situações que são a mais pura expressão do que ele disse:

Contemplo mães/pais que amam seus filhos, embora muitas vezes incompreendidos e até mesmo convivendo com a ingratidão;

Contemplo filhos que cuidam com carinho de seus pais, mesmo quando o declínio natural se manifesta com as limitações próprias da existência;

Contemplo profissionais que cuidam da vida do outro, enfrentando realidades humanas por vezes tão desafiadoras, mas o que conta é o amor com que realizam...

Contemplo agentes de pastorais que não se curvam diante das dificuldades que vão surgindo no desenvolver dos trabalhos; que não recuam, mas avaliam, reorientam, redimensionam, relativizam em nome de um bem maior, do valor absoluto do Reino; que amam a Pastoral e a Igreja, inseparavelmente, que amam as alegrias e as tristezas; amam no êxito, amam no fracasso daquilo que poderia ter sido diferente...

Contemplo outras tantas situações, pessoas de tantos nomes... Contemplo os que não fazem por fazer; não vivem por viver. 

Continuemos esta contemplação...

Movidos pelo amor e pela oração, seremos verdadeiramente contemplativos na ação, como muito bem disse Santo Inácio de Loyola, e retomemos uma afirmação a ele atribuída:  

“Aja como se tudo dependesse de você, sabendo bem que, na realidade,  tudo depende de Deus.” (1)

Jamais nos curvemos diante das dificuldades. Amando como Deus nos ama, o que nos poderá reter, recuar, desistir? 

Concluímos com as palavras do Apóstolo Paulo “Tudo posso n’Aquele que me fortalece.” (Fl 4,13).
 


(1)  (cf. Pedro de Ribadeneira, Vida de S. Inácio de Loyola, Milão, 1998)

Rezando com os Salmos - Sl 143 (144)

 


Feliz quem a Deus se confia


“=1 Bendito seja o Senhor, meu rochedo,
que adestrou minhas mãos para a luta,
e os meus dedos treinou para a guerra!

–2 Ele é meu amor, meu refúgio,
libertador, fortaleza e abrigo;
– é meu escudo: é n’Ele que espero,
ele submete as nações a meus pés.

=3 Que é o homem, Senhor, para Vós?
Por que dele cuidais tanto assim,
e no filho do homem pensais?
–4 Como o sopro de vento é o homem,
os seus dias são sombra que passa.

–5 Inclinai Vossos céus e descei,
tocai os montes, que eles fumeguem.
–6 Fulminai o inimigo com raios,
lançai flechas, Senhor, dispersai-o!

=7 Lá do alto estendei Vossa mão,
retirai-me do abismo das águas,
e salvai-me da mão dos estranhos;
–8 sua boca só tem falsidade,
sua mão jura falso e engana.

–9 Um canto novo, meu Deus, vou cantar-Vos,
nas dez cordas da harpa louvar-Vos,
–10 a Vós que dais a vitória aos reis
e salvais Vosso servo Davi.
–11 Da espada maligna livrai-me
e salvai-me da mão dos estranhos;
– sua boca só tem falsidade,
sua mão jura falso e engana.

–12 Que nossos filhos, quais plantas viçosas,
cresçam sadios, e fortes floresçam!
– As nossas filhas, colunas robustas,
que um artista esculpiu para o templo.

–13 Nossos celeiros transbordem de cheios,
abastecidos de todos os frutos!
– Nossas ovelhas em muitos milhares
se multipliquem nas nossas campinas!

=14 O nosso gado também seja gordo!
Não haja brechas em nossas muralhas,
nem desterro ou gemido nas praças!
–15 Feliz o povo a quem isto acontece,
e que tem o Senhor por seu Deus!”

O Salmo 143(144) é uma Oração pela vitória e pela paz:

“Um rei agradece a vitória, obtida não com sua força, mas com o auxílio divino; reconhece sua indignidade diante de Deus, pede a graça de novos triunfos e de uma era de paz e de prosperidade para o povo.” (1)

O Apóstolo Paulo faz ressoar estas palavras na passagem aos Filipenses:

“Tudo posso naquele que me dá força” (cf. Fl 4,13).

 

Tenhamos também mesma atitude na prosperidade, acompanhado da gratidão a Deus que caminha conosco e nos assiste em todo o tempo.


(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB – p. 849

“Santo Anjo do Senhor...”

                                             



“Santo Anjo do Senhor...”

À luz da Sagrada Escritura, reflitamos sobre a presença e ação dos Anjos, que são mensageiros de Deus que nos comunicam a Sua vontade, Seus desígnios. 

Um Anjo anunciou o Mistério da Ação do Espírito, para gerar o Verbo no ventre de Maria.

Do mesmo modo, a José para que entendesse e participasse do Projeto de Salvação Divina, assumindo Maria como esposa, pois a concepção de sua amada esposa era uma ação do Espírito Santo.

Também em outro momento proclamado na Solenidade da Sagrada Família, em que por três vezes um Anjo fala com José: ora para fugir com Maria e o Menino para o Egito; ora para retornar para Israel e por fim para se dirigir para Nazaré para o cumprimento da Escritura, ainda mais que a vida da frágil Criança, do Divino Salvador ainda corria ameaça de morte (cf. Mt 2, 13-15).

Caminhando como discípulos missionários do Senhor, para maior fidelidade a Ele, suplicamos ao Senhor para que nos envie sempre Seus Anjos para nos proteger das ciladas do inimigo, para que nossos passos sejam cada vez mais firmados na verdade, na justiça, no amor, na liberdade e na paz.

Deus sempre nos envia Seus Anjos: os que vemos e outros não, sempre presentes em nossa vida, para que não vacilemos em nenhum instante, sequer tenhamos lampejos de esquecimentos dos Preceitos de Deus, para que O adoremos em espírito e verdade, com toda nossa alma, entendimento e coração.

E que em nossas fraquezas, os Anjos nos lembrem de que quando somos fracos então é que somos fortes, pois Deus manifesta Sua força e poder, como bem nos disse o Apóstolo Paulo: “Tudo posso n’Aquele que me fortalece” (cf. Fl 4,13), e ainda: “Quando sou fraco, então é que sou forte” (2Cor 12,10).

Que tenhamos, também, a graça de sermos como “Anjos” na vida de tantos quantos precisarem; “Anjos” que ajudam e animam o outro para não sucumbir diante das tentações que o mundo oferece, a não ceder ao domínio da mentira, da injustiça, da vaidade, do orgulho e da ambição, do ódio e do desamor...

“Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador...” 

“Amar até as últimas consequências...”

                                                      

“Amar até as últimas consequências...”

Meditemos sobre esta frase:
“Jesus, um Rei que Se doa. Reinar com Ele é amar até as últimas consequências!”

Amar até as últimas consequências...
Ser batizado é ser outro Cristo, a Seu exemplo, tendo d’Ele os mesmos sentimentos, para participar do Seu Reino...

Refletindo sobre o amor cristão:
Amar com alegria na doação da própria vida, entregando-a nas mãos de Deus em favor do próximo;

Amar sabendo esperar os frutos que virão, a partir da ação feita. Esperar silenciosamente e pacientemente, na alegria experimentada pelo bem que se fez;
Amar renunciando a si mesmo por uma causa infinitamente maior;

Amar colocando-se a serviço do outro nas diversas pastorais da comunidade;
Amar no silêncio, amar na ingratidão, 
amar para além de todo e qualquer resultado;

Amar na gratuidade, pura e simplesmente;
Amar na exata medida do Amor que é Jesus, que nos amou até o fim.

Portanto, como batizados, devemos ser no mundo sinal e instrumento do Amor de Deus, que cria e recria novas relações e um mundo novo.

Sejamos mais alegres e corajosos participantes da construção do Reino, arautos do Evangelho, como sacerdotes, profetas, reis e pastores.

Eis a missão intransferível e irrenunciável, a ser vivida com toda intensidade, fortalecidos na luz do Espírito de Deus.

Temos o Espírito, nada nos falta! 
Tudo temos e tudo podemos
n’Aquele que nos fortalece!
 (cf. Fl 4,13).

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG