sexta-feira, 31 de julho de 2026

Em poucas palavras...

                                                   


Palavras, milagres, prodígios e sinais feitos por Jesus

“Jesus acompanha as suas palavras com numerosos «milagres, prodígios e sinais» (At 2,22), os quais manifestam que o Reino está presente n'Ele. Comprovam que Ele é o Messias anunciado (Lc 7,18-23).” (1)

 

(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 547

O valor sagrado do trabalho humano

 


                       O valor sagrado do trabalho humano
 
               “O trabalho humano como participação na obra do Criador"
 
Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 13,54-58), sobre a sacralidade do trabalho, desde o princípio.
 
Voltemos à passagem do Livro do Gênesis (Gn 1,26-2,3), onde encontramos o Projeto de Deus Criador: que o homem e a mulher continuem a obra da criação, através de seu trabalho.
 
Pelo trabalho humano, há um prolongamento e aperfeiçoamento da obra do Criador. Deus não concluiu a Sua obra, nos permitindo continuá-la, através das atividades humanas, dentre elas destaca-se o trabalho.
 
O mundo está em contínuo processo de criação, como Obra prima de Deus. É fato que muitas vezes o trabalho foi apresentado como maldição, fruto da desobediência - uma espécie de penalidade.
 
O Magistério tem ensinado, nos últimos tempos que esta concepção é errônea (sobretudo com o Papa Leão XIII - Encíclica “Rerum Novarum”, até os dias de hoje com o Papa Leão XIV)
 
Na passagem do Evangelho mencionada, contemplamos Cristo que foi trabalhador, filho de operário: São José.
 
Trabalhando com Suas mãos, participou ativamente da vida de Seu tempo. Com Sua encarnação e atividade testemunhou a santificação pelo trabalho.
 
Sim, verdadeiramente, o trabalho deve ser caminho de santificação, pois é cocriar o mundo. O trabalho deve ser visto como Bênção e não maldição.
 
A Sagrada Família foi a Escola onde aprendemos a beleza da lição do trabalho humano, com tão belos Mestres: Jesus, Maria e José...
 
Hoje, muitos são os sinais que clamam por justiça no mundo do trabalho: desemprego, insegurança no mundo do trabalho; falta de perspectivas para os jovens, trabalho infantil, perda da seguridade social, etc.
 
- O que é possível propor como espiritualidade para o mundo do trabalho?
 
A Igreja nos propõe caminhos:
 
-  Solidariedade;
-  Manifestações coletivas em prol da vida;
 
- Trabalho como vocação;
- Trabalho como prolongamento da obra do criador; bem como do seu aperfeiçoamento;
 
-  O trabalho como caminho de santidade;
-  O resgate do Domingo como Dia do Senhor e de encontro pessoal com Deus, com a família e amigos.
 
Quanto à comunidade política junto ao Estado deve:
 
- Assegurar o exercício dos deveres e direitos para que haja dignidade no mundo do trabalho;
-  Garantir trabalho e salário justo para todos;
- Garantir a seguridade social para todos.
 
Que o trabalho não sirva apenas para a multiplicação do lucro de alguns, mas assegure o bem comum. Enfim, que o trabalho seja para o homem e não o homem para o trabalho.
 
Celebrar a Eucaristia é:


- Colocar no Altar de Deus nossa existência: angústias e esperanças; cansaço e suor, sonhos e pesadelos; toda atividade humana, como o trabalho do dia a dia.
- Colocar em Deus a confiança de um dia alcançar um emprego, uma nova perspectiva na realidade em que se vive.
 
Urge que como Igreja, sejamos uma presença evangelizadora no vasto e complicado mundo da política, da economia, da cultura e em todos os níveis da vida.
 
Que Deus nos conceda a graça do trabalho, para que sejamos cocriadores, trilhando o caminho de santificação, e finalizando, fiquemos com as palavras de Santo Agostinho:
 
“O Amor à verdade busca o descanso.
A necessidade do amor acolhe o trabalho justo...
Quando o amor e a verdade se encontram:
Vida, trabalho e dignidade também celebram
um doce encontro e a vida fica bem mais
perto de tudo aquilo que Deus espera:
Crescei, multiplicai-vos e dominai a terra". Amém.
 

 
PS:  Reflexão oportuna para a 17ª sexta-feira do Tempo Comum e também par ao dia 1º de Maio celebraremos o Dia Internacional do Trabalho, e todos trabalhadores e trabalhadoras têm São José Operário como Padroeiro, cuja Festa Litúrgica foi instituída pelo Papa Pio XII em 1955.
 
 

"Buscar primeiro o Reino de Deus” Que bela e maravilhosa Missão!

                                                       

"Buscar primeiro o Reino de Deus”
Que bela e maravilhosa Missão!

Como nos preocupamos com as exigências do dia a dia, muitas vezes sem colocar em primeiro lugar a busca pelo Reino de Deus, confiando no Senhor.

Esta é a essência da mensagem da Liturgia da Palavra do 8º. Domingo do Tempo Comum (ano A).

O Profeta Isaías, na primeira Leitura (Is 49, 14-15), nos ensina que Deus nunca nos abandona, mas nos trata com verdadeiro amor de mãe:

“Pode uma mulher esquecer-se daquele que amamenta? Não ter ternura pelo fruto de suas entranhas? E mesmo que ela o esquecesse, Eu não te esqueceria nunca.”

Com esta belíssima comparação, o Profeta nos fala de Deus tomando a imagem do amor maternal: amor instintivo, avassalador, eterno, gratuito e incondicional, mas elevado ao grau infinito. Elevado à enésima potência tendendo ao infinito, se matematicamente pudéssemos dizer...

O Profeta, homem da confiança e esperança, é aquele que ajuda o Povo de Deus a perceber a presença divina em Sua aparente ausência, despertando para resposta amorosa a Ele. Ajuda o Povo de Deus a perceber a face oculta de Deus revelada na ternura, misericórdia, compaixão...

Relacionar-se e corresponder a este Deus, somente assim o futuro tornar-se-á promissor... O Profeta, com a Palavra Divina em seus lábios, faz reacender a chama que não fumega no coração daquele que crê. Sempre precisamos de Profetas assim.

Quando tudo parece mais nada, há alguém que nos aponta o Todo Poderoso, Onipotente, Aquele que para o qual nada é impossível: “Tudo podemos n’Aquele que nos fortalece”, nos dirá mais tarde o Apóstolo Paulo ( Fl 4,13).

Esse mesmo Apóstolo na segunda Leitura (1Cor 4, 1-5), fala da autenticidade de seu Ministério, de “simples operário de Cristo e administrador dos Mistérios de Deus”, o qual exerce com muita fidelidade, com os olhos fixos no essencial que é a proposta de salvação/libertação que Jesus veio realizar. Somos apenas veículos desta mensagem, imprescindíveis porque assim Deus o quis.

O Evangelista Mateus (Mt 6, 24-34) nos revela que Jesus ensina a darmos o devido valor às coisas, colocando Deus em primeiro lugar: “Não podeis servir a Deus e a riqueza”.

E também convida a nos abandonarmos completamente à Providência de Deus: “Não vos preocupeis por vossa vida, pelo que comereis, nem por vosso corpo, pelo que vestireis.”

Não entendamos confiança como sinônimo de passividade ou de comodismo: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a Sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo.”

Insisto, a Ação Divina não dispensa a ação humana, muito pelo contrário, eleva-a como possibilidade de participação na construção do Reino. Haverá responsabilidade e graça tão belas quanto essas?

Quanto maior for nossa confiança em Deus, tanto mais cresce nossa responsabilidade. Também poderemos dizer que a responsabilidade é diretamente proporcional à confiança que temos em Deus.

Santo Inácio de Loyola diz de forma límpida e contundente: “devemos confiar como se tudo dependesse de Deus e nos empenhar como se tudo dependesse de nós.”.

“Buscar o Reino de Deus” com absoluta confiança em Deus, como meros instrumentos, veículos de Sua Mensagem. Lembremo-nos que continuamos a refletir o desdobramento das Bem Aventuranças, a Missão de ser Sal e Luz (Capítulos 5 e 6 de Mateus).

Sendo assim, concluindo, podemos afirmar que ser Discípulo do Senhor é ter encontrado uma Pessoa que mudou nossa vida, e que ela só tem sentido e conteúdo quando em relacionamento contínuo e íntimo, renovado no Banquete da Eucaristia.

É preciso trilhar o caminho da santidade empenhados na construção do Reino, com total confiança em Deus e em Sua força, com disponibilidade, fidelidade, alegria e com muito amor a fim de que correspondamos ao Amor Divino que jamais nos falta.

Somente assim comunicaremos luz da Fonte de Luz nas mais diversas situações obscuras, nas "cavernas sombrias e escuras" da existência.

Celebremos mais um ano de Ministério Presbiteral (I)

                                                          

Celebremos mais um ano de Ministério Presbiteral (I)

O que é bom poderá ser ainda melhor! 
Rever o caminho, alargar o horizonte...

Celebrar mais um ano de Ministério Presbiteral é tempo favorável para que o Presbítero retome o que ouviu no dia do Sacramento da Ordenação:

“Transmite a todos a Palavra de Deus, que recebeste com alegria. Meditando na Lei do Senhor, procura crer no que leres, ensinar o que creres, praticar o que ensinares. Seja, portanto, a tua pregação alimento para o Povo de Deus e a tua vida, estímulo para os fiéis, de modo a edificares a casa de Deus, isto é, a Igreja, pela palavra e pelo exemplo”.

Somente com o tempo é que se vai tomando consciência do que estas palavras implicam, quão profundas e exigentes o são.

Aponto algumas respostas para esta questão ora apresentada:

- De que modo o Presbítero é sal da terra e luz do mundo, haja vista que já o seria pelo Batismo recebido?

- É preciso configurar-se a Cristo, o Bom Pastor, tendo feito um encontro com Sua pessoa;

- Cultivar intensa e crescente amizade e intimidade com Ele, para levar a tantos outros ao mesmo encontro e amizade;

- Ter Sua Palavra na mente, porque antes impregnou toda sua vida e criou raízes no coração. A Palavra a ser proclamada deverá antes ser interiorizada, por meio da escuta e da meditação, para partilhar ricamente o Evangelho com todos; de modo que será o homem da Palavra e um homem de palavra...

- Ensinar não a sua sabedoria, mas a Sabedoria do Verbo de Deus convidando a todos à conversão e à santidade;

- Mais que anunciador da Palavra ser testemunha viva e eficaz desta Palavra – como crerão na Palavra anunciada, se pelo anunciador não for vivenciada, testemunhada?

- Tornar-se amigo dos pobres para gozar de predileção e amizade de Deus, pois os pobres são por excelência os amigos de Deus;

- Somar-se com o outro em comunidade para romper barreiras que impeçam a luz divina resplandecer (e não poucas são as barreiras que separam povos, famílias, amigos, comunidades...);

- Alimentar-se da Eucaristia, para edificar a comunidade a ele confiada, tornando-a uma comunhão de fiéis, por isto a humildade resplandece em tudo que fala e faz, do menor ao maior compromisso;

- Deixar Deus trabalhar suas limitações, imperfeições próprias de todo ser. O Presbítero não é nunca um super-homem, um super-herói, mas alguém que descobriu e se abriu a graça de Deus, e por isto a alegria lhe tomou conta do coração, e jamais poderá recuar na auspiciosa, maravilhosa, deleitosa missão;

- Por estar sujeito a todas as virtudes e fraquezas da condição humana, cultivar a vigilância ativa, sem perder o horizonte da santidade, que não é algo para amanhã, mas para cada instante – o horizonte da santidade é o momento presente, o aqui e agora de nossa existência;

- Viver uma vigilância ativa acompanhada da busca e revigoramento do equilíbrio afetivo, sexual, psicológico, buscando a maturidade humana e espiritual, a superação das instabilidades, reveses, crises e tentações inerentes ao seu estado de vida e ministério;

- Consumir-se por uma caridade pastoral, ininterruptamente, mantendo acesa permanentemente a chama profética.

- Consumir-se não implicará em ativismo estressante, “esvaziador” de suas forças, fuga de si mesmo ou de algo que o perturbe ou o inquiete. O fazer do presbítero e todo cristão tem apenas uma motivação: o amor, com os olhos fixos em Jesus, coração com Ele em perfeita sintonia;

- Encontrar a profunda e verdadeira liberdade que procede do Espírito e por isto colocar-se profética e incansavelmente contra todo jugo de opressão que ceifa vidas, culturas, valores e povos;

- Falar a linguagem do Espírito, uma linguagem inteligível somente pelos simples, como bem disse Santo Antônio: “Quem está repleto do Espírito Santo fala várias línguas. As várias línguas são os vários testemunhos sobre Cristo, a saber: a humildade, a pobreza, a paciência e a obediência.”;

- Enamorar-se por Cristo e assim não saberá fazer outra coisa se não possibilitar ao Povo de Deus a mesma experiência; Cristo Homem Deus, o mesmo da Cruz que ora à direita glorioso está... Não um Cristo que signifique evasão, alienação, distanciamentos, fugas, solidão empobrecedora.

Celebremos mais um ano de Ministério Presbiteral (II)

                                                        

Celebremos mais um ano de Ministério Presbiteral (II)

Rever o caminho, alargar o horizonte...

- deve ser um homem sacramental, sinal visível do Amor de Deus, em todos os momentos, sobretudo quando celebra os Sacramentos, e celebra não para os outros, mas com os outros, deixando-se impregnar pelo Mistério celebrado, na mais perfeita mistagogia, sobretudo quando celebra a Eucaristia, quando a Palavra prega, quando o Mistério celebra...;

- Deve ser, portanto, um “mistagogo”, homem do Mistério e não misterioso;

- Ser um homem com autoridade não merecida, que não a confundirá com autoritarismo;

- Ter no coração a paciência e serenidade necessárias para ver as sementes do Reino crescer, sem imediatismos estéreis e inconsequentes...;

- Dar testemunho da pobreza, do desapego, da confiança incondicional em Deus, vivendo o celibato não como privação, mas como total liberdade para amar e servir o Povo de Deus, a Igreja que pelo Sacramento da Ordem se entregou;

- Ser alguém que experimentou a misericórdia de Deus quando chamado, porque não o foi por méritos, talvez até por não ter nenhum, mas para que Deus manifeste Sua onipotência através da misericórdia e muitas vezes multiplicada no Sacramento da Penitência;

- Ter a vida iluminada por Deus, portanto iluminadora, como bem disse o Profeta Isaías – “... Se acolheres de coração aberto o indigente e prestares o socorro ao necessitado, nascerá nas trevas a tua luz e tua vida obscura será como o meio-dia”;

- Fazer com sua vida, obras, gestos de amor evangélico multiplicados, muito mais do que com suas palavras, a luz de Deus brilhar diante dos homens, multiplicando assim os louvores que sobem aos céus, ao Pai, porque a honra, a glória, o louvor somente a Ele pertencem;

- Ser consciente de que nada somos e poderíamos não fosse a graça de Deus. Se méritos há, a Deus tão apenas, porque servos inúteis o somos. Bem disse Santo Agostinho: “Vão pregador da Palavra de Deus externamente, quem não a escuta interiormente” e São Gregório Magno – “Que o pastor seja discreto no silêncio, útil na fala, para não falar o que deve calar, nem calar o que deve dizer”, pois tanto uma palavra inoportuna quanto o silêncio podem arrastar ao erro ou deixar de instruir. O mesmo acrescenta – “Muitas vezes, pastores imprudentes, temendo perder as boas graças dos homens, têm medo de falar abertamente o que é reto, por isso, agem como mercenários que fogem à vinda do lobo... Quando o pastor tem medo de dizer o que é reto, não é o mesmo que dar as costas, calando-se?”. Nunca é demais repetir nosso padroeiro: “Cessem as palavras, falem as obras, estamos cansados de palavras vazias...”;

- deve empenhar-se, incansavelmente, para tornar o mundo mais iluminado e segundo os desígnios de Deus; portanto, dever ter o gosto de Deus nos lábios, na boca, no coração, no fundo da alma; 

- Jamais parar no tempo, pois vive num contexto de mudança de época, pôr-se em atitude de formação permanente em todos os níveis, portanto não ter uma fé que o afaste do mundo, mas no diálogo com as ciências, procurar dar pertinência ao seu discurso, pregação, anúncio, denúncia. Não há presbítero que tudo saiba e nada mais tenha de aprender. A comunidade precisa de sábios Presbíteros que a ajude a compreender o mundo, que estejam inseridos no tempo presente vivido. Nisto consiste ser luz que brilha e não ofuscada, sem penetração, irradiação, iluminação...;

- Não ser arauto do relativismo de valores, subjetivismos, moralismos, dogmatismos, individualismos, egolatrias, e outros tantos empecilhos à moral cristã...

Não nos curvemos diante das dificuldades...

                                                     


Não nos curvemos diante das dificuldades...

Olhando ao nosso redor, as múltiplas atividades cotidianas, as menores e maiores ações, podemos afirmar sem medo de errar que a correspondência ao amor divino é a garantia da transposição de todos os obstáculos: Quando se ama como Deus ama, são vencidas as dificuldades.

De outro lado, sem amor as mínimas dificuldades ganham novo tamanho, dimensão, e até mesmo se tornam insuperáveis e insuportáveis. 

Quão necessária é a correspondência ao Amor de Deus em perfeita união e sintonia com Seu mais profundo e imensurável Amor por nós!

Bem se expressou o Bispo Santo Agostinho:

“Todas estas coisas, não obstante, parecem difíceis aos que não amam; aos que amam, pelo contrário, isso mesmo lhes parece leve. Não há padecimento, por mais cruel e insolente que seja, que o amor não torne fácil ou quase inexistente”.

A alegria deve ser mantida em meio às dificuldades sendo o sinal mais cristalino e indiscutível de que o Amor de Deus inflama e motiva nossas ações:

“Naquilo que se ama, ou não se sente a dificuldade ou ama-se a própria dificuldade [...]. Os trabalhos dos que amam nunca são penosos" (Santo Agostinho).

Esta reflexão é um convite a revermos o modo como realizamos nossas atividades cotidianas e qual a intensidade com que fazemos as coisas que nos são confiadas nos mais diversos espaços em que convivemos.

Iluminado pelas palavras do Bispo, contemplo neste momento tantas situações que são a mais pura expressão do que ele disse:

Contemplo mães/pais que amam seus filhos, embora muitas vezes incompreendidos e até mesmo convivendo com a ingratidão;

Contemplo filhos que cuidam com carinho de seus pais, mesmo quando o declínio natural se manifesta com as limitações próprias da existência;

Contemplo profissionais que cuidam da vida do outro, enfrentando realidades humanas por vezes tão desafiadoras, mas o que conta é o amor com que realizam...

Contemplo agentes de pastorais que não se curvam diante das dificuldades que vão surgindo no desenvolver dos trabalhos; que não recuam, mas avaliam, reorientam, redimensionam, relativizam em nome de um bem maior, do valor absoluto do Reino; que amam a Pastoral e a Igreja, inseparavelmente, que amam as alegrias e as tristezas; amam no êxito, amam no fracasso daquilo que poderia ter sido diferente...

Contemplo outras tantas situações, pessoas de tantos nomes... Contemplo os que não fazem por fazer; não vivem por viver. 

Continuemos esta contemplação...

Movidos pelo amor e pela oração, seremos verdadeiramente contemplativos na ação, como muito bem disse Santo Inácio de Loyola, e retomemos uma afirmação a ele atribuída:  

“Aja como se tudo dependesse de você, sabendo bem que, na realidade,  tudo depende de Deus.” (1)

Jamais nos curvemos diante das dificuldades. Amando como Deus nos ama, o que nos poderá reter, recuar, desistir? 

Concluímos com as palavras do Apóstolo Paulo “Tudo posso n’Aquele que me fortalece.” (Fl 4,13).
 


(1)  (cf. Pedro de Ribadeneira, Vida de S. Inácio de Loyola, Milão, 1998)

Sejamos contemplativos na ação

                                                  


Sejamos contemplativos na ação

Em tempos difíceis que estamos vivendo, em quarentena, devido a pandemia do novo coronavírus, muito oportuna esta reflexão do Papa Bento XVI, no Ângelus do dia 17 de junho de 2012, na Praça de São Pedro, em que reflete a passagem do Evangelho de Marcos (Mc 4,26-34):

“Queridos irmãos e irmãs,
A liturgia de hoje nos oferece duas breves parábolas de Jesus: a da semente que cresce por si próprio e da semente de mostarda (cfr Mc 4,26–34). Através de imagens referentes ao mundo da agricultura, o Senhor apresenta o mistério da Palavra e do Reino de Deus, e indica as razões da nossa esperança e do nosso empenho.

Na primeira parábola, a atenção é colocada sobre o dinamismo da semeação: a semente que é lançada sobre a terra, enquanto o agricultor dorme e acorda, germina e cresce sozinha.

O homem semeia com a confiança que o seu trabalho não será infecundo. Aquilo que sustenta o agricultor nos seus afazeres cotidianos é justamente a confiança na força da semente e na bondade do terreno.

Esta parábola se refere ao mistério da criação e da redenção, da obra fecunda de Deus na história. Ele é o Senhor do Reino, o homem é seu humilde colaborador, que contempla e aprecia a ação criadora divina e espera pacientemente os frutos.

A colheita final nos faz pensar na intervenção final de Deus no fim dos tempos, quanto Ele realizara plenamente o seu Reino. O tempo presente é o tempo de semear e o crescimento da semente é assegurado pelo Senhor.

Cada cristão, então, sabe bem que pode fazer tudo aquilo que puder, mas que o resultado final depende de Deus: esta consciência é o sustenta no cansaço de cada dia, especialmente nas situações difíceis.

A tal propósito escreve Santo Inácio de Loyola: ‘Aja como se tudo dependesse de você, sabendo bem que, na realidade, tudo depende de Deus’ (cfr Pedro de Ribadeneira, Vida de S. Inácio de Loyola, Milão, 1998).

Também a segunda parábola utiliza a imagem da semente. Aqui, porém, se trata de uma semente específica, o grão de mostarda, considerada a menor de todas as sementes.

Embora tão miúda, no entanto, é plena de vida, desde sua ruptura, vem um rebento capaz de quebrar o solo, e chegar até a luz do sol e crescer até se tornar ‘maior de todas as plantas da horta’ (cfr Mc 4,32): a fragilidade é a força da semente, a ruptura é sua potência: assim é o Reino de Deus: uma realidade humanamente pequena, composta por quem é pobre de coração, por quem não confia na própria força, mas naquela do amor de Deus, por quem não é importante aos olhos do mundo; e ainda, justamente através da ruptura deles, explode a força de Cristo e transforma aquilo que é aparentemente insignificante.

A imagem da semente é particularmente querida para Jesus, porque expressa bem o mistério do Reino de Deus. Nas duas parábolas de hoje, isso representa um ‘crescimento’ e um ‘contraste’: o crescimento que vem graças a um dinamismo inserido na própria semente e o contraste que existe entre a pequenez da semente e a grandeza daquilo que produz.

A mensagem é clara: o Reino de Deus, também exige nossa colaboração, é antes de tudo, dom do Senhor, graça que precede o homem e suas obras. A nossa pequena força, aparentemente impotente diante dos problemas do mundo, se colocada naquela de Deus, não teme obstáculos, porque certa é a vitória do Senhor.

É o milagre do amor de Deus, que faz germinar e crescer cada semente de bem lançada na terra. E a experiência deste milagre de amor nos faz otimistas, apesar das dificuldades, sofrimentos e o mal que encontramos.

A semente germina e cresce, porque o que a faz crescer é o amor de Deus. A Virgem Maria, que acolheu como ‘terra boa’ a semente da Palavra divina, reforça em nós essa fé e esta esperança”.
Reflitamos sobre a graça do Reino de Deus que Jesus inaugurou, e que nos chama para sermos colaboradores e trabalhar pelo mesmo.

“...Venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa vontade...”, assim rezamos na Oração que o Senhor nos ensinou.

O Reino cresce no silêncio e na aparente insignificância de nossos trabalhos. No entanto, são preciosos aos olhos de Deus, se feitos com amor.

Retomemos as palavras de Santo Inácio de Loyola (séc. XVI) ao longo destes dias de recolhimento e oração:

“Aja como se tudo dependesse de você, sabendo bem que, na realidade, tudo depende de Deus”.



(1) (cf. Pedro de Ribadeneira, Vida de S. Inácio de Loyola, Milão, 1998).
PS: Escrito em 23 de março de 2020


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