domingo, 19 de julho de 2026

Mais paciência e misericórdia (XVIDTCA)

                                                   

Mais paciência e misericórdia

A Liturgia da Palavra da terça-feira da 17ª Semana do Tempo comum nos convida a refletir sobre a Parábola do joio e do trigo, à luz da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 13, 36-43).

A partir da explicação da Parábola feita por Jesus, contemplamos o ser de Deus, que é paciente, cheio de misericórdia, indulgente e clemente.

No Livro da Sabedoria (Sb 12, 13.16-19), um dos livros mais recentes do Antigo Testamento (primeira metade do século I a.C), refletimos sobre a verdadeira Sabedoria de Deus que se manifestou na história de Israel. Somente quem se abrir à ela encontrará a verdadeira felicidade.

A mensagem é de que Deus não quer a morte do pecador, mas que ele se converta e viva, pois a sua lógica, muitas vezes se contrapõe à lógica humana, pois se trata da lógica do perdão e da misericórdia revestida em sinais de paciência, como bem retrata o Salmista: “Ó Senhor Vós sois bom, sois clemente e fiel! (Sl 85).

Deus jamais deseja a destruição do pecador, de modo que a salvação Ele nos oferece como dom, e exige de nós uma resposta, esforço, empenho, compromisso, sinceridade, dedicação.

Nisto consiste a vida segundo o Espírito da qual nos fala o Apóstolo Paulo na Carta aos Romanos (Rm 8,26): um caminho sem nenhuma facilidade, mas com a certeza da verdadeira felicidade que deve ser buscada corretamente.

Somente Deus pode:

- vir a todos a nós com a força de que tanto precisamos, para enfrentar as obscuridades de momentos que possamos passar;
- nos ajudar a interpretar os fatos que nos marcam, e a compreender os desígnios divinos;
- renovar no mais profundo de nós o fascínio pelas coisas divinas, sem jamais perdermos o encanto, a paixão, o enamoramento por Jesus;

Somente a vida segundo o Espírito não nos permitirá sucumbir em ativismos que nos levariam inevitavelmente ao cansaço, ao desencanto e desencontro de múltiplas formas e matizes...

Acolher o Espírito nos fará pacientes como Deus é paciente, conforme veremos na Parábola do joio e do trigo.

Urge que saibamos silenciar para a contemplação da face e do ser divino, que Se manifesta na misericórdia, que faz chover sobre bons e maus.

A Parábola do joio e do trigo exorta-nos à conversão e crescimento espiritual, além de nos questionar, animar, ensinar, fortalecer a fé e nos levar ao mergulho tão necessário dentro de nós mesmos.

Ela é como injeção de ânimo, de esperança e renovação de compromissos com o Reino de Deus.

É preciso tomar cuidado, multiplicando na vigilância, a oração, o diálogo, o silêncio, pois dentro de cada um de nós pode muito bem coexistir uma belíssima plantação de trigo, mas sufocada pela indesejável plantação do joio, sem culpar terceiros.

Sendo assim, expulsemos todo o desânimo, a apatia, a indiferença, os prejulgamentos, os preconceitos. Creiamos na força da Palavra, que acolhida no mais profundo de nós, em chão fértil, frutos abundantes jamais faltarão.

Abandonemos toda a atitude simplista de condenação, porque de joio e de trigo todos temos um pouco. Cuidado haveremos de tomar de não excomungar, excluir, extirpar, eliminar o pecador junto com seu pecado.

Mais paciência e misericórdia (não como sinônimo de conivência), menos julgamento e condenação nos farão comunidades mais pascais, evidentemente zelando pelo amadurecimento e crescimento do testemunho, sem jamais esvaziar e mutilar a Palavra Divina e sem negar e contra-testemunhar a Eucaristia que celebramos - Mistério de Amor e Comunhão. 

PS: Oportuno para o 16º Domingo do Tempo Comum - passagem do Evangelho - Mt 13,24-43)

A incomparável Compaixão Divina (XVIDTCB)

                                                   

A incomparável Compaixão Divina

Com a Liturgia do 16º Domingo do Tempo Comum (ano B), refletimos sobre o Amor e a solicitude de Deus para com o Seu rebanho, verdadeiramente, uma compaixão incomparável.

Deus mesmo é quem promete ser o próprio Pastor, conforme a primeira Leitura do Livro do Profeta Jeremias (Jr 23,1-6).

O Profeta Jeremias é a voz incompreendida que clama pela conversão e fidelidade do Povo a Deus e ao Seu Divino Projeto Libertador. Por isto é considerado o “Profeta da desgraça”.

Ele denuncia a ação dispersiva dos pastores do seu tempo, e anuncia a pertença do Povo a Deus. Fala da intervenção divina através da repatriação dos exilados (a volta do exílio); a escolha de pastores exemplares e a vinda do Messias.

Já não mais ficarão perdidos e abandonados ao sabor dos ventos e dos mares, dos interesses inescrupulosos de seus pastores, de suas autoridades.

Com Jeremias, aprendemos a confiar em Deus mantendo, nas adversidades, a alegria, a serenidade, a esperança e a paz, e, de modo muito especial, a não usar o povo que nos foi confiado em benefício próprio.

Reflitamos:

- Como acolhemos e vivemos a proposta de Jesus no cuidado daqueles que nos foram confiados, dentro e fora da Igreja?

Na passagem da segunda Leitura (Ef 2,13-18), refletimos sobre a   missão dos discípulos, que são, por sua vez, continuadores da Missão do Senhor, unidos por amor, sem barreiras e divisões, porque estas foram superadas pela vida e missão do Senhor Jesus.

Da prisão, o Apóstolo Paulo escreve aos Efésios, e sua “Carta Circular” é enviada a várias Igrejas da Ásia Menor, através de Tíquico, o portador, por volta dos anos 58/60.

A Carta tem como tema central o que Paulo chama de Mistério do Projeto Divino para o Seu povo, desde a eternidade e o papel de Jesus Cristo neste Projeto: romper os muros que nos separam, formando um só povo.

Responder à proposta de Jesus é passar a integrar a comunidade dos santos, como homens novos, acolhendo e comunicando a salvação que se destina a todos.

É preciso edificar comunidades que se abram à proposta de Deus, deixando-se transformar por Sua proposta de Amor. Ser, de fato, uma comunidade de irmãos e irmãs que se amam, quebrando as barreiras, vivendo na unidade e na fraternidade universal.

Reflitamos:

- Quais são os muros a serem destruídos dentro e fora da comunidade?
- Quais são as pontes que devemos construir para solidificar a unidade e a fraternidade universal?
- Nossa comunidade deixa-se transformar pela proposta amorosa de Deus?

Na passagem do Evangelho (Mc 6,30-34), refletimos sobre o regresso dos discípulos que foram enviados em missão, entusiasmados pelos resultados, mas cansados, naturalmente.

Jesus compreende e os convida ao recolhimento, a gozar da intimidade com Ele, recuperando as forças, para não caírem num ativismo que esvazia a vida de sentido e dinamismo.

É preciso estar sempre refeito e disposto para colocar-se com alegria a serviço do rebanho sofrido do Senhor, e nisto consiste a essência de toda atividade pastoral. De modo que podemos dizer: "tal Cristo, tal cristão".

Reflitamos:

- Vivemos num ativismo descontrolado?
- Nossas atividades não são, por vezes, de funcionários eficientes tão apenas?

- Nossas atividades são revigoradas por uma genuína espiritualidade?
- Qual o perigo da fadiga, cansaço, desânimo, diante dos muitos desafios e das respostas que devemos dar diante do povo?

- Diante do rebanho, temos a humanidade e a sensibilidade de Jesus?
- Nosso coração e consciência doem diante dos clamores que brotam da vida do povo simples de nossas comunidades?

- O que procuramos fazer em resposta a estes clamores?

Nisto consiste o eterno ciclo na vida do discípulo missionário do Senhor por força de seu Batismo: envio, missão, cansaço, descanso, renovação, continuidade.

Começar e recomeçar sempre, sem desânimo, revigorados no Banquete da Palavra e da Eucaristia, a serviço do Reino, até que alcancemos a glória da eternidade, e então brilharemos com os  justos no Reino do Pai, conforme o Senhor nos assegurou.

Acolher, escutar e servir com amor! (XVIDTCC)

                                                               

Acolher, escutar e servir com amor!

Com a Liturgia do 16º Domingo do Tempo Comum (Ano C), refletimos sobre a hospitalidade, acolhimento e a escuta do Senhor que sempre tem algo a nos dizer.

A passagem da primeira Leitura (Gn 18,1-10a) nos apresenta a figura de Abraão como modelo daquele que confia em Deus.

A mensagem catequética é clara: Abraão é modelo de vida e de fé. Atento, percebe a presença de Deus, acolhe, dialoga, partilha e é por Deus recompensado.

A bondade e a gratuidade diante de Deus não ficam sem a recompensa, como vemos na história de Abraão. Deus vem sempre ao nosso encontro, num convite ao diálogo que crie laços de comunhão. 
    
Abraão nos ensina a nos colocarmos diante de Deus com total respeito, submissão e confiança, e sua atitude nos convida à reflexão sobre a nossa relação com Deus.                                                                         
Na passagem da segunda Leitura (Cl 1,24-26), o Apóstolo Paulo mais uma vez insiste: para quem crê no Senhor,  para uma vivência cristã autêntica, importa acolher Sua Pessoa, Sua Palavra e viver Seus valores.

Paulo está preso, mas sente-se como alguém verdadeiramente livre por causa de Jesus, e sabe que seus sofrimentos não foram em vão.

Completou em sua carne o que falta à Paixão de Cristo, em favor de Seu Corpo que é a Igreja, como ele mesmo afirma.

Paulo pôs cada batida de seu coração a serviço do Evangelho e da libertação de todos, num empenho incontestável, fazendo de Cristo o centro de sua existência, sua experiência de fé.

Exorta-nos à comunhão perfeita com Cristo, com coragem para suportar o sofrimento e a perseguição, se preciso for, para alcançarmos a Salvação, a vida em plenitude.

À luz da passagem do Evangelho (Lc 10,38-42), o verdadeiro encontro com Jesus, acompanhado da escuta de Sua Palavra, dará o real sentido e vigor para nossa ação e missão.  

A “escuta” de Sua Palavra torna-se o ponto de partida e nos projeta para novos compromissos, coloca-nos em perfeita sintonia com a vontade de Deus.

Esta passagem que Jesus visita à casa de Marta e Maria não tem propósito para acentuar a oposição que se faz entre ação e contemplação, antes se trata de uma advertência para que não caiamos num ativismo desenfreado que nos esgote levando ao vazio, e nem tão pouco caiamos num espiritualismo sem compromissos concretos de solidariedade para com o próximo.

É preciso dar tempo à Oração, ao silêncio e à escuta do que Deus tem a nos dizer: é preciso ter ouvidos e coração de Maria, e mãos de Marta, para que assim façamos melhor a vontade de Deus.

Aprendamos e reaprendamos a sentar aos pés do Senhor, pois somente Ele tem Palavra de Vida Eterna.

Escutemos o Senhor que nos reenvia diferenciados para a vida cotidiana, para o muito fazer.

Somente enraizados, vivificados n’Ele é que frutos de vida eterna produziremos, e somente com a linfa vital do Seu Amor é que tornaremos a vida mais bela e fraterna (cf. Jo 15).

Reflitamos:

- Abraão, Maria, Marta, Paulo... O que eles nos ensinam para que tenhamos maior fidelidade ao Senhor, no testemunho de uma fé autêntica?
- Qual a acolhida que Deus encontra em nosso coração?

- Qual o tempo que dedicamos à escuta de Sua Palavra?
- Quanto que sou capaz de sofrer por amor à Igreja, completando em minha carne o que falta à Paixão de Cristo por amor a Sua Igreja?

Paremos e nos assentemos aos pés do Senhor para O acolhermos, e consequentemente a Sua Palavra, que nos renova e revigora, prolongando-a no cotidiano, pois tão somente assim celebraremos e viveremos uma autêntica Eucaristia.

Jesus nos revela a face misericordiosa do Pai (XVIDTCB)

                                                                     

Jesus nos revela a face misericordiosa do Pai

No sábado da 4ª Semana do Tempo Comum, ouvimos a passagem do Evangelho de Marcos (Mc 6, 30-34),  em que Jesus, com Sua Palavra e ação, nos revela a face misericordiosa de Deus, em plena fidelidade a Ele.

Dentre tantas passagens do Antigo Testamento, em Jeremias (Jr 23,1-6), vemos que Deus é tomado da compaixão que enfrenta todo tipo de sofrimento, suscitando Profetas, discípulos para cuidar com carinho do Seu rebanho. Ninguém pode ficar excluído do pão, da alegria, da vida.

Há um só Deus, um só povo, um só Senhor, como bem diz São Paulo na Carta aos Efésios (Ef 2,13-18).

Com Jesus, os “muros” foram derrubados. Ele gerou o homem novo com vida plena. Não podemos ficar desanimados e desorientados à mercê dos ventos e das marés. Ele mesmo nos devolve a paz, a alegria e a serenidade.

Para que nossa missão seja plena de êxito, é necessário intimidade e confiança em Deus, e a certeza de que é o Espírito Santo o Protagonista da história.

A comunidade tem que ser sinal e instrumento da compaixão, do Amor e da ternura divina. Coração e mente sensibilizados aos clamores do povo e à busca de evangélicas respostas.

Na fidelidade a Jesus, pleno de ternura e compaixão, vivendo a proximidade e solidariedade com o Seu rebanho, que parece ovelhas sem pastor, desenvolvemos e fortalecemos nossa ação evangelizadora.

É deste compromisso que nascem e se revigoram as atividades pastorais. Ministérios e serviços da comunidade, para bem cuidar, pastorear o rebanho.

Reflitamos:

- Quando estou cansado e desanimado onde me reabasteço para continuar a missão evangelizadora?
- O discípulo é testemunha visível da compaixão e Amor de Deus.

- Como tenho testemunhado a compaixão e o Amor de Deus?
- Sou agente de Pastoral na minha comunidade? Sirvo a Deus com entusiasmo e empenho?

- Tenho consciência de que continuo a missão do Senhor Jesus?

Oremos:

Derramai, ó Deus, sobre todos nós, Vossos dons, para que, movidos pelo Espírito, em plena fidelidade ao Vosso Filho, irradiemos a luz necessária, sobretudo nas situações mais obscuras por que passemos; proclamando, com ardor  e o coração inflamado de amor, a Palavra que é Alimento. Amém.

sábado, 18 de julho de 2026

Em poucas palavras...



O tempo não apaga amores verdadeiros

O tempo não apaga amores verdadeiros - assumem-se mutuamente rugas e cicatrizes: “De modo que eles já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe” (1)

(1)        cf. Mt 19,6; Mc 10,9


A graça divina da missão

                                                       

A graça divina da missão

Discípulos missionários do Senhor, somos,
Pela graça do Batismo, um dia recebido.
De modo que possamos dizer como o Apóstolo:
Para nós o viver é Cristo, morrer é lucro (Fl 1,21).
Que graça maior, poderíamos ter recebido?

Vivemos, mas não nós, como disse o Apóstolo:
“Eu vivo, mas não eu: é Cristo que vive em mim.
Minha vida atual na carne, eu a vivo na fé,
Crendo no Filho de Deus, que me amou
E se entregou por mim” (Gl 2,20)

Sendo assim, seus passos haveremos de seguir,
Com renúncias, a cruz cotidiana carregar,
Revelando Sua presença e Suas marcas,
Como no selo, no coração, indelevelmente marcar:
Humildade, mansidão, fé, amor e esperança.

Em todo lugar, Sua luz divina irradiar;
Por lugares onde normalmente circulamos,
E em novos areópagos que nos desafiam,
Usar de todos os meios, inclusive os mais modernos,
Para o Seu Amor, Pessoa e Projeto, testemunhar.

Verdadeiramente servos por amor,
D’Aquele que Se fez servo humilde e obediente,
Que de tudo Se esvaziou para nos enriquecer.
Que nada reivindicou para Si,
Mas viveu em constante atenção ao próximo.

Discípulos missionários de Jesus, sejamos em todo o tempo;
D’Ele que está presente no Pão da Palavra e Pão da Eucaristia,
Expressão máxima da caridade que recria e renova,
Na constante atenção e solidariedade com o próximo,
Bom Samaritano da misericórdia, mansidão e paciência. Amém.


Fonte inspiradora: Mt 12,14-21; Lc 10,25-37

Em poucas palavras...

                                                                


“Jesus convida os pecadores para a mesa do Reino...”

"Jesus convida os pecadores para a mesa do Reino: «Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores» (Mc 2, 17).

Convida-os à conversão sem a qual não se pode entrar no Reino, mas por palavras e atos, mostra-lhes a misericórdia sem limites do Seu Pai para com eles e a imensa «alegria que haverá no céu, por um só pecador que se arrependa» (Lc 15, 7).

A prova suprema deste amor será o sacrifício da Sua própria vida, «pela remissão dos pecados» (Mt 26, 28)."

 

(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 545

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG