sexta-feira, 27 de março de 2026

“Oração a Cristo”

                                                     

“Oração a Cristo”

Elevemos a Deus esta Oração a Cristo do Papa São Paulo VI, em que se dirige a Cristo, nosso único medianeiro.

“Ó Cristo, nosso único medianeiro.

Tu és necessário: para entrarmos em comunhão com Deus Pai; 
para nos tornarmos contigo, que és Filho único e Senhor nosso, 
Seus filhos adotivos; 
para sermos regenerados no Espírito Santo.

Tu és necessário, ó único verdadeiro mestre das verdades ocultas e indispensáveis da vida, 
para conhecermos o nosso ser e o nosso destino, o caminho para O conseguirmos.

Tu és necessário, ó Redentor nosso, para descobrirmos a nossa miséria e para a curarmos; 
para termos o conceito do bem e do mal e a esperança da santidade; para deplorarmos os nossos pecados e para obtermos o Seu perdão.

Tu és necessário, ó irmão primogênito do gênero humano, 
para encontrarmos as razões verdadeiras da fraternidade entre os homens, os fundamentos da justiça, os tesouros da caridade, o sumo bem da paz.

Tu és necessário, ó grande paciente das nossas dores, 
para conhecermos o sentido do sofrimento e 
para lhe darmos um valor de expiação e de redenção.

Tu és necessário, ó vencedor da morte, 
para nos libertarmos do desespero e da negação e 
para termos certezas que nunca desiludem.

Tu és necessário, ó Cristo, ó Senhor, ó Deus conosco, 
para aprendermos o amor verdadeiro e 
para caminharmos na alegria e na força da Tua caridade, 
ao longo do caminho da nossa vida fatigosa, 
até ao encontro definitivo contigo amado, esperado, 
bendito nos séculos. Amém”.

Jesus: O Deus que Se fez homem

                                                                  

Jesus: O Deus que Se fez homem

A Liturgia da 6ª feira da Quinta Semana da Quaresma nos apresenta, na primeira Leitura, a confissão do Profeta Jeremias como que em forma de Oração (Jr 20,10-13).

O contexto é dificílimo: o Profeta foi açoitado, preso durante uma noite, mas fica irremovível na confiança em Deus – “O Senhor, porém, está ao meu lado como valente guerreiro”, assim ele falou.

Ele enfrenta as adversidades olhando para o Alto, e tem confiança presença de Deus, ainda que se esteja sozinho, pelos amigos abandonado.

Jeremias viveu a incompreensão, o abandono, teve que viver a dramaticidade de lutar sozinho e firmar passos contra a corrente. No entanto, não se curvou, não desistiu. 

Do seu coração, porque crê, brota um cântico de alegria e louvor (Jr 20,13).

Reflitamos:

- Será esta a nossa atitude diante das dificuldades?
- Será também inabalável e serena a nossa confiança em Deus?

- Será este o cântico que sai de nossos lábios, nos momentos das adversidades, perseguições, abandonos, incompreensões, difamações?

Urge que nossa súplica seja acompanhada da confiança, que será seguida do louvor e gratidão pela ação d’Aquele que nunca nos abandona, é o que nos ensina o Profeta Jeremias e que podemos rezar com o Salmo (Sl 17, 2-7).

Também ouvimos, na passagem do Evangelho (Jo 10,31-43), em que o Evangelista continua a nos falar da perseguição dos judeus contra Jesus. 

Querem apedrejá-Lo por não reconhecerem que Ele é o Messias no meio dos homens, e O acusam de blasfemo:

“Os judeus, interrogados por Jesus, procuram justificar a explosão do seu ódio dando-lhe uma aparência aceitável: ‘Não queremos apedrejar-Te por boas obras, mas por blasfêmia: Tu és apenas um homem e fazes-Te passar por Deus (Jo 8,33).

Mas a verdade é completamente contrária: enquanto Jesus não é um homem que Se faz Deus, mas é Deus que Se faz homem; quem é cego aos sinais e às obras de Deus, quem pensa só em salvaguardar sem escrúpulos a própria segurança, eliminando tudo o que se lhe opõe, não pode perceber o Mistério maravilhoso da Encarnação”. (1)

Jesus não foi um homem que Se fez Deus, mas exatamente o contrário, um Deus que Se fez homem, que Se fez carne, que habitou em nosso meio, que viveu nossa condição humana.

É este Deus que Se Encarnou em nosso meio que amamos e queremos seguir.Um Deus que Se fez  exatamente como nós, exceto no pecado, que queremos conhecer, amar, seguir, anunciar, testemunhar.

De fato, o cristianismo não é uma ideologia que passa, mas uma Boa Nova Eterna que seduziu, e há de seduzir muitos, por causa do poder radiante da Cruz que nos acompanha em todo tempo.

Assim fez Jeremias antes da Encarnação do Verbo, assim fizeram todos os que aceitaram o chamado do Senhor desde o princípio, e o farão para sempre.

Aquele que existiu desde sempre, Se encarnou e veio morar entre nós, e morando, amando, a humanidade redimiu, a Salvação nos alcançou.

Não foi um homem que veio e Se fez Deus para nos salvar, mas o contrário, Deus que Se encarnou e veio, por Amor incondicional, extremo e total, nos salvar. Amém.

(1) Lecionário Comentado - Vol. Quaresma/Páscoa – Editora Paulus – p. 253. 

Campanha no momento, compromisso sempre! (CF 2026)

 


Campanha no momento, compromisso sempre!


A Igreja no Brasil realiza mais uma Campanha da Fraternidade, com uma proposta extremamente atual e de importância indiscutível.
 
Tema: “FRATERNIDADE E MORADIA”

Lema: “Ele veio morar entre nós ” (cf. Jo 1,14)

Exorto que nos empenhemos em acompanhar, refletir e ajudar a desenvolver esta Campanha, que não se encerra, como se diz, indevidamente, com a Páscoa.

 

Oração da Campanha da Fraternidade 2026 – CNBB

Deus, nosso Pai,

em Jesus, vosso Filho,

viestes morar entre nós e

nos ensinastes o valor da dignidade humana.

 

Nós vos agradecemos

por todas as pessoas e grupos que,

sob o impulso do Espírito Santo,

se empenham em prol da moradia digna para todos.

 

Nós vos suplicamos:

dai-nos a graça da conversão,

para ajudarmos a construir uma sociedade mais justa e fraterna,

com terra, teto e trabalho para todas as pessoas,

a fim de, um dia, habitarmos, convosco, a casa do céu.

Amém.

 

PS: A Campanha da Fraternidade inicia na Quarta-feira de Cinzas.

 

Quaresma: tempo de conversão e compromisso com a Campanha da Fraternidade (CF 2026)

 


Quaresma: tempo de conversão e compromisso com a Campanha da Fraternidade
 
Como Igreja, com a Quarta-feira de Cinzas, iniciamos o Tempo da Quaresma, tempo favorável de graça e salvação, para todos que se põem a caminho com o Senhor.
 
Quaresma vem do latim: quadragésima, e lembra, sobretudo, os quarenta anos do Povo de Deus no deserto e os quarenta dias do Senhor, também no deserto, sofrendo as tentações do maligno do ter (acúmulo), ser (prestígio) e poder (domínio).
 
A Liturgia da Palavra, neste itinerário quaresmal rumo à Páscoa, nos propõe tomar consciência de nossos pecados, em fecunda penitência (como nos ensina a Igreja, que ela seja interna e individual, mas sobretudo externa e social), na prática dos exercícios quaresmais: esmola, oração e jejum (Mt 6, 1-18).
 
É um tempo de quarenta dias vividos na proximidade do Senhor, na entrega a Ele, e com ele podermos vencer estas tentações, perfeitamente configurados ao Seu Mistério de Vida, Paixão, Morte e Ressurreição.
 
E neste Tempo da Quaresma, a Igreja no Brasil realiza, desde 1964, com gestos e compromissos concretos, a Campanha da Fraternidade que, em 2026, traz o tema: “FRATERNIDADE E MORADIA”, e o lema bíblico: "Ele veio morar entre nós" (Jo 1,14).
 
A Campanha da Fraternidade bem compreendida e vivida, com reflexões, aprofundamento, leva, necessariamente, compromissos com a sacralidade da vida e os direitos inalienáveis, dentre eles a de moradia. Fundamental que retomemos o seu objetivo geral e objetivos específicos.
 
Exorto para que se multipliquem encontros, reflexões, momentos de oração para que vivamos uma santa Quaresma e uma corajosa e necessária participação da Campanha da Fraternidade, para bem celebrarmos a Páscoa do Senhor, e cantarmos, alegremente, o Aleluia.

Quaresma e sagrados compromissos com a Fraternidade – (CF 2026)

 


Quaresma e sagrados compromissos com a Fraternidade – (CF 2026)

Celebremos e vivamos a Quaresma como tempo favorável de conversão e penitência, para que bem nos preparemos para a Celebração da Páscoa do Senhor, Mistério de Morte e Ressurreição – “Arrependei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15), disse Jesus.

Com a Igreja, aprendemos que  a Quaresma não deve ser apenas interna e individual, mas também com dimensão externa e social.

Neste sentido, a Igreja no Brasil realiza todo ano, na Quaresma, a Campanha da Fraternidade (CF) que, longe de esvaziar o sentido quaresmal, dá a ele conteúdo e fecundidade para flores e frutos pascais.

A CF é uma iniciativa concreta para realizarmos ações que dão testemunho de arrependimento e verdadeira conversão nos diversos âmbitos: pessoal, comunitário, eclesial e social.

A CF 2026 tem como Tema  “Fraternidade e Moradia”, e  como lema “Ele veio morar entre nós (cf. Jo 1,14).

Urge refletir sobre a realidade de moradia, e lembramos as palavras do Papa Francisco:

“É bom que todos nos perguntemos: por que estão sem casa estes nossos irmãos? Não têm um teto, por quê?”

Assim lemos no parágrafo n. 13 do Manual da Campanha da Fraternidade deste ano:

“A pergunta por um teto, uma digna moradia, nasce da fraternidade. Só nos incomoda que alguém esteja privado de um teto, carente de uma moradia digna, se reconhecemos nele um irmão...”

Destaco o Objetivo Geral da CF 2026:

“Promover, a partir da Boa-Nova do Reino de Deus e em espírito de conversão quaresmal, a moradia digna como prioridade e direito, junto aos demais bens e serviços essenciais de toda a população.”

E tem como objetivos específicos:

1.   Analisar a realidade da moradia precária, admitida como normal e que culpabiliza os pobres e segrega milhões de pessoas no Brasil. 

2.     Identificar omissões do poder público e da sociedade civil frente à universalização dos direitos à moradia e à cidade, bem como iniciativas pastorais, governamentais e da organização popular que promovem a moradia. 

3.     Conscientizar, a partir da Palavra de Deus e do Ensino Social da Igreja, sobre a necessidade sagrada de teto, terra e trabalho para todos. 

4.     Corrigir a compreensão da moradia como mercadoria, objeto de especulação ou mérito individual. 

5.     Fortalecer a presença eclesial e o compromisso sociotransformador junto aos mais pobres, caminhando com os movimentos e organizações populares que promovem a moradia. 

6.     Empenhar-se para efetivar leis e viabilizar políticas públicas de moradia em todas as esferas sociais e políticas.

Fundamental que multipliquemos espaços e encontros para refletir, rezar e encontrar caminhos para darmos sagrados passos para que estes sagrados objetivos se realizem, bem como vivermos os exercícios quaresmais: oração, jejum e esmola, como lemos na passagem do Evangelho de São Mateus (cf. Mt 6, 1-18). Amém.

Estarão nossos corações preparados?

                                                          

Estarão nossos corações preparados?

O Texto “Das Catequeses de São Cirilo de Jerusalém”, Bispo (Séc. IV) muito nos ajuda na vivência do Tempo da Quaresma para bem celebrar a Semana Santa.

“O céu se rejubile e exulte a terra (Sl 95,11), por causa dos que serão aspergidos e purificados com o hissopo espiritual, pelo poder daquele que durante a Paixão, também com um hissopo colocado na ponta de uma cana, saciou Sua sede.

Rejubilem também os poderes celestes e preparem-se as almas que vão se unir ao divino Esposo; pois uma voz grita no deserto: Preparai o caminho do Senhor (Mt 3,3).

Obedecei, portanto, filhos da justiça, à advertência de João, que diz: Endireitai o caminho do Senhor (Mc 1,3). Afastai de vós todo impedimento e obstáculo, a fim de que, por um caminho reto, chegueis à vida eterna.

Preparai vossas almas com fé sincera, como vasos puros, para receber o Espírito Santo. Começai por lavar vossas vestes pela penitência, a fim de que o Espírito celeste vos encontre purificados quando fordes chamados a Sua presença.

O Esposo chama a todos sem discriminação. Sua graça é ampla e generosa. Todos são convocados pela voz de Seus arautos. Mas depois, Ele próprio escolhe aqueles que entrarão para as núpcias, que são uma imagem do Batismo. 

Não aconteça agora que algum daqueles que já deram seu nome ouça estas palavras: Amigo, como entraste aqui sem o traje nupcial? (Mt 22,12). Ao contrário, que todos possam ouvir:

Muito bem, servo bom e fiel! Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da alegria do teu Senhor! (Mt 25,21.23).

Até agora ficastes do lado de fora da porta; que todos vós possais dizer: O rei introduziu-me nos seus aposentos (Ct 1,4).

Minha alma exulta de alegria no Senhor; Ele me vestiu com as vestes da salvação, envolveu-me com o manto da justiça e adornou-me como um noivo com sua coroa, ou uma noiva com suas joias (Is 61,10).

Seja a alma de todos vós encontrada sem mancha nem ruga ou coisa semelhante. Não que já esteja assim antes de terdes recebido a graça – pois, do contrário, não teríeis sido chamados à remissão dos pecados! – mas procedei de modo que vossa consciência nada tenha para vos condenar quando receberdes o Batismo, e possa desta maneira dispor-se para os efeitos da graça.

Na verdade, irmãos, trata-se de um acontecimento da maior importância: Aproximai-vos do Batismo com grande cuidado. Cada um de vós se apresentará diante de Deus, na presença da multidão inumerável de anjos.

O Espírito Santo marcará as vossas almas com o Seu sinal; vós sereis recrutados para o exército do grande rei. Por conseguinte, preparai-vos e ficai a postos; não apenas com a brancura resplandecente de vossas vestes, mas com o fervor de vossas almas conscientes da própria inocência”.

A caminhada Quaresmal e a Páscoa, como tempos fortíssimos de espiritualidade, nos preparam para a acolhida do Espírito Santo em Pentecostes, como momento culminante, fundante de nosso Itinerário de fé...

Que nossos corações estejam preparados 
para celebrar e acolher o transbordante Amor de Deus, 
na celebração da Semana Santa, 
e exultarmos de alegria na Páscoa,
 com a mais bela e doce espera:
A vinda do Espírito, 
Dom Maior de Deus!

Estarão nossos corações preparados, 
como vasos puros, para receber o Espírito Santo?

Em poucas palavras... (Semana Santa)

                                                



Celebremos e vivamos O Mistério da Semana Santa

 

Somos discípulos missionários do Senhor, do Servo Sofredor e vencedor, porque o Pai O Ressuscitou, e em Seu nome, nos enviou o Seu Espírito: acreditemos, contemplemos e imitemos a Paixão do Senhor, morrendo com Ele, para com Ele também ressuscitarmos.

 

 

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG