domingo, 27 de julho de 2025

Mensagem do Santo Padre Leão XIV para o V Dia Mundial dos Avós e dos Idosos (Síntese) (26/07)

 


Mensagem do Santo Padre Leão XIV
para o V Dia Mundial dos Avós e dos Idosos (Síntese)

A mensagem para o V Dia Mundial dos avós e dos idosos, escrita pelo Papa Leão XIV, tem como inspiração bíblica a passagem do Livro do Eclesiástico: “Bem-aventurado aquele que não perdeu a esperança” (cf. Sir 14, 2)

Vivendo o Ano Jubilar da Esperança, o Papa destaca a importância da esperança em todas as idades, lembrando algumas personagens bíblicas: Abraão, Sara, Moisés, Zacarias, Isabel.

Diante da constatação do aumento daqueles que estão avançados em idade, como valorizar estas experiências; quais são os gestos e compromissos que podem ser assumidos para que haja sinais de libertação, superação de abandonos e solidão? – “Cada paróquia, associação ou grupo eclesial é chamado a tornar-se protagonista da “revolução” da gratidão e do cuidado, a realizar-se através de visitas frequentes aos idosos, criando para eles e com eles redes de apoio e oração, tecendo relações que possam dar esperança e dignidade àqueles que se sentem esquecidos".

Considerando que  a fragilidade dos idosos precisa do vigor dos jovens, é igualmente verdade que a inexperiência dos jovens precisa do testemunho dos idosos para projetar o futuro com sabedoria, afirma o Papa.

Urge que sejamos sinais de esperança para os idosos – “Este ano é o momento propício para realizá-la: a fidelidade de Deus às Suas promessas ensina-nos que há uma bem-aventurança na velhice, uma alegria autenticamente evangélica que nos convida a derrubar os muros da indiferença na qual os idosos estão frequentemente encerrados”.

Conclui a sua mensagem com um convite para que sejamos sinais de esperança em todas as idades – “Transmitamos com amor a fé que vivemos na família e nos encontros quotidianos durante tantos anos: louvemos sempre a Deus pela Sua benevolência, cultivemos a unidade com as pessoas que nos são caras, abramos o nosso coração aos que estão mais longe e, em particular, aos necessitados. Assim, seremos sinais de esperança, em todas as idades.”


PS: Confira a Mensagem na íntegra

https://www.vatican.va/content/leo-xiv/pt/messages/grandparents/documents/20250626-messaggio-nonni-anziani.html

Vinde habitar em nosso coração (XVIIDTCC) (26/07)

 


Vinde habitar em nosso coração

Assim nos falou o Senhor – “Vendei vossos bens e dai esmola. Fazei bolsas que não se estraguem, um tesouro no céu que não se acabe; ali o ladrão não chega nem a traça corrói. Porque onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.” (Lc 12,33-34)

Há um antigo relato oriental que nos ajuda a compreender a alegoria do tesouro – “...quando os deuses criaram o homem, puseram nele algo de sua divindade; mas o homem fez um mal uso dessa divindade e os deuses decidiram tirá-la. Reuniram-se em grande assembleia para ver onde podiam esconder esse tesouro que lhe haviam dado. Um disse: ‘vamos colocá-lo no pico da montanha mais alta’. Um outro, porém, retrucou: ‘não, o homem acabará escalando a montanha e encontrará o tesouro’. Um outro disse: ‘vamos escondê-lo no fundo do oceano’. Mas, alguém respondeu: ‘Não, o homem poderá descer às profundezas e descobrir o tesouro’. Por fim, um terceiro disse: ‘Já sei onde vamos esconder esse tesouro: no mais profundo do coração do homem! Ali, ele nunca o buscará’” (1).

A alegoria nos ajuda a compreender as palavras do Senhor: onde se encontra nosso tesouro ali estará nosso coração.

É sempre tempo favorável para refletirmos:

- quais são os tesouros pelos quais nos consumimos e corremos atrás?

- quais são os tesouros que mais precisamos e pelos quais somos capazes de nos sacrificar?

Sejam nossos tesouros a Igreja que somos, cuja Cabeça é o Cristo e nós o seu corpo.

Sejam nossa família, pequena Igreja Doméstica, espaço de comunhão, amor, perdão, diálogo, solidariedade;

Sejam a fé, dom que Deus nos concedeu, irmanada com as virtudes da esperança e da caridade;

Bem como, sejam também nossos compromissos pastorais dentro e fora da Comunidade que participamos.

Roguemos a Deus para que jamais nos percamos entre as “bijuterias” que o mundo nos oferece insistentemente, e que jamais poderão nos preencher e nos conceder a felicidade e vida plena, que tão somente o Senhor Jesus pode nos dar, e nós temos o maior de todos os tesouros que habita em nós: – O Espírito Santo (1 Cor 6,19).

Nem montanha, nem mar, Deus quis habitar no mais profundo de nós. Amém.

Oremos: 

“Ó Deus, sois o amparo dos que em Vós esperam e, sem Vosso auxílio, ninguém é forte, ninguém é santo; redobrai de amor para conosco, para que, conduzidos por Vós, usemos de tal modo os bens que passam, que possamos abraçar os que não passam. Por nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém!”. (2)

  

(1) Pe. Adroaldo Palaoro (SJ)

(2) Oração do dia - 17º Domingo do Tempo Comum 

 

Aprendamos com o Divino Multiplicador! (XVIIDTCB) (26/07)

                                                            

Aprendamos com o Divino Multiplicador!

Com a Liturgia do 17º Domingo do Tempo Comum (ano B), sentados à mesa com Jesus, aprendemos a grande lição de amor e a partilha. 

Deste modo, a Liturgia nos mergulha na reflexão sobre a grandiosidade do Amor de Deus para com Seu povo. Outrora com Moisés o povo foi saciado com o maná, agora é o próprio Senhor que Se dá em Alimento, e Alimento de Vida Eterna, sendo apresentado pelo Evangelista Mateus como um novo Moisés.

Contemplamos a face de um Deus providente, dedicado, preocupado no sentido de que nada nos falte.

Alimentados pelo Amor de Deus, no Pão da Eucaristia e no Pão da Palavra, aprendemos que somente a partilha nos saciará.

É preciso, como partícipes do Banquete Eucarístico, superarmos a indiferença, o egoísmo, a acomodação para entrarmos na lógica do Reino, como prolongamento da Eucaristia que celebramos.
  
Vinde, escutai e comei. Ide, partilhai e vivei! Ecoam as palavras do profeta Isaías na primeira Leitura que retrata o tempo do exílio (2 Rs 4,42-44).

A necessidade de manter viva a esperança e começar a partir do quase nada a história. Viver é um eterno recomeço, e é possível quando em Deus e em Sua Palavra se confia; jamais acomodar-se, mas pôr-se sempre a caminho.

É preciso desinstalar, arriscar, buscar novos caminhos, não deixando se enganar por falsas miragens, ilusórias saídas que aprofundam dores e sofrimentos.
  
Com o Apóstolo Paulo (Ef 4,1-6), aprendemos que nada pode nos separar do Amor de Deus manifestado em Jesus Cristo, e do Seu Projeto de felicidade para todos nós - nem tribulação, angústia, perseguição, fome, perigo, nudez, espada... (Rm 8,35-39).

Nossa confiança em Deus será tão maior quanto mais profunda for nossa experiência de Seu Amor.

O milagre da partilha dos pães e peixe nos ensina que a fome é de responsabilidade humana, logo há a emergência da solidariedade – dai-lhes vós mesmos de comer. Também nos ensina a necessária gratidão a Deus, pois possuímos tudo para saciar a fome da humanidade (5 pães + 2 peixes). Não haverá jamais lugar para o egoísmo e nos poremos todos no alegre aprendizado da gratuidade e partilha. 

Aprendemos com Jesus que tudo procede de Deus e é para todos; bens e dons devem ser partilhados livre e alegremente e nada nos faltará (sobrarão 12 cestos).

O milagre da multiplicação dos pães e peixes sem dúvida é apelo e sinal. Apelo para que não nos omitamos diante da fome e da miséria que destrói a vida de irmãos e irmãs e, ao mesmo tempo, é sinal do Banquete da Vida que celebramos em cada Eucaristia, preanunciando o Banquete da Eternidade em que todos se assentarão, como muito bem expressa o Salmo que cantamos:

“Pelos prados e campinas, verdejantes eu vou... Um lugar em Sua mesa me preparou...” 

Aprendamos a Matemática de Deus (XVIIDTCB) (26/07)

                                                           

Aprendamos a Matemática de Deus

Na Liturgia da Palavra do 17º Domingo do Tempo Comum (ano B), ouviremos a passagem do Evangelho de São João (Jo 6, 1-15), em que narra o sinal que Jesus fez no deserto, celebrando com a multidão o Banquete da Vida, em oposição ao banquete de Herodes, o banquete da morte:
 
Sacrifício voraz de vidas inocentes e justas, como a vida de João Batista. No Banquete de Jesus, há credenciais exigidas para autêntica participação:
 
O amor de compaixão, a solidariedade, a confiança na providência de Deus, a gratidão, a bênção, e a consciência de que os bens de graça, d’Ele, recebidos devem ser generosamente partilhados.
 
O pão que de Deus, cotidianamente, recebemos, por Ele abençoado e por nós partilhado, ganha um novo sabor.
 
No Banquete da Vida de Nosso Senhor, não há como se omitir diante da dor, da fome, da miséria da existência humana: “Dai-lhes vós mesmos de comer” (Mt 14,16)
 
É possível superar esta brutal realidade que rouba a beleza do Projeto Divino. O Profeta Isaías já anunciara a promessa messiânica, de restauração da vida, em que Deus nos chama a comer e a beber sem paga: Vinho e leite, deleite e força, alegria, revigoramento... (Is 55,1-8).
 
O Profeta Eliseu também soube partilhar o pouco para saciar a fome de muitos (2 Rs 4,42-44).
 
Uma última exigência: Aprender a nova matemática de Deus: Na racionalidade da matemática humana 5+ 2 = 7, indiscutivelmente, logo os 5000 homens, sem contar mulheres e crianças, estariam condenados à fome, ao desalento...
 
Na racionalidade da Matemática Divina, 5 + 2 = plenitude, perfeição, tudo!
 
Temos tudo para saciar a fome da humanidade, pois os bens que de Deus recebemos, quando partilhados, são multiplicados.
O milagre da multiplicação dos 5 pães e 2 peixes foi um sinal do Banquete Eucarístico que celebramos.
 
Alimentando-nos de um pedaço de Pão e um pouco de Vinho, Corpo e Sangue do Senhor, prolongamos a celebração na vida, multiplicando gestos de compaixão, partilha, solidariedade, tornamo-nos promotores da justiça, da fraternidade, da vida e da paz.
 
Santo Inácio de Antioquia, Bispo e Mártir, no séc. I, num contexto de dominação e perseguição, nos exortava com sabedoria indiscutível:
 
“Vosso Batismo seja a vossa arma; a fé, o vosso capacete; a caridade, a vossa lança; a paciência, a vossa armadura completa. As vossas obras sejam vosso depósito para receberdes em justiça o que vos é devido”.
 
Quando aprendizes da matemática divina, nada nos separará do Amor de Deus (Rm 8,35-39): nem a tribulação, angústia, perseguição, fome, nudez, perigo, espada...
 
Quando aprendizes da matemática divina, intensificaremos nosso relacionamento com Deus, que é misericórdia, piedade, amor, paciência, compaixão, muito bom para com todos e pleno de ternura que abraça toda criatura (Sl 144).
 
Quando aprendizes da matemática divina, aprenderemos, como disse um autor desconhecido, que:

Somente a água que damos de beber ao próximo poderá saciar nossa sede. Somente a roupa que doamos poderá vestir nossa nudez. Somente o doente que visitamos poderá nos curar.
 
Somente o pão que oferecemos ao irmão poderá nos satisfazer.
Somente a palavra que suaviza a dor poderá nos consolar.
Somente o prisioneiro que libertamos poderá nos libertar”.
 
Somente a partir da matemática de Deus é que teremos o sinal de um novo céu e uma nova terra, pois não é a lógica fria e irracional, mas a lógica da compaixão, amor, solidariedade e partilha que multiplica, abundantemente, em nós, todas as graças divinas.
 
 
 Matemática de Deus... Uma bela lição a aprender. 
 

O Senhor sacia a nossa fome... (XVIIDTCB) (26/07)

                                                      

O Senhor sacia a nossa fome...

Oportuna é a reflexão Santo Hilário de Poitiers, Doutor da Igreja (séc. IV), sobre a passagem do Evangelho de João (Jo 6,1-5) em que Jesus realiza o sinal da multiplicação de cinco pães e dois peixes.

"Como os discípulos lhe aconselhavam a que enviasse as multidões para as cidades mais próximas para que pudessem comprar alimentos, ele lhes respondeu:

‘Não há necessidade de irem’. Assim demonstra que aqueles dos quais cuidava não necessitavam se alimentar de uma doutrina colocada à venda, e também não tinham necessidade de voltar para a Judeia para comprar alimentos; por isso manda aos Apóstolos que lhes deem sua própria comida.

Acaso o Senhor desconhecia que os apóstolos não tinham nada para dar-lhes? Aquele que conhecia as profundezas do espírito humano não conhecia, acaso, a pequena quantidade de comida que as mãos dos Apóstolos possuíam?

Na verdade, era necessário manifestar completamente uma razão tipológica. Ele ainda não tinha concedido aos Apóstolos o consagrar e o oferecer o Pão do Céu como Alimento de Vida Eterna. Por isso Sua resposta era dirigida para a compreensão espiritual.

De fato, eles responderam que só tinham cinco pães e dois peixes, porque ainda se encontravam sob o império dos cinco livros da Lei – os cinco pães -, e se alimentavam do ensinamento de dois peixes, ou seja, dos Profetas e de João.

Nas obras da Lei a vida estava como no pão, e a pregação dos Profetas e de João reanimava a esperança da vida humana mediante a força da água.

Assim, os Apóstolos ofereceram estas coisas em primeiro lugar porque ainda se encontravam debaixo daquele regime. Mas também indica que a pregação dos Evangelhos, difundindo-se a partir dessas origens, se desenvolve fazendo crescer mais e mais sua força.

O Senhor tinha tomado os pães e os peixes. Levantou os olhos ao céu, disse a bênção e os partiu, ao mesmo tempo em que dava graças ao Pai porque, depois do tempo da Lei e os Profetas, Ele Se transformava em Alimento evangélico.

Em seguida o povo foi convidado a sentar-se na relva. Já não está estendido sobre a terra sem motivo, mas apoiado na Lei, e cada um se estende sobre os frutos de seu trabalho como sobre a erva da terra.

Os pães foram dados também aos Apóstolos: é através deles que os dons da graça divina deviam repartir-se. O povo se alimentou dos cinco pães e dos dois peixes e, uma vez saciados os convidados, os pedaços de pão e de pescado eram tantos que encheram doze cestos.

Isto quer dizer que a multidão se saciou com a Palavra de Deus que vem do ensinamento da Lei e dos Profetas, e em seguida do ministério do Alimento eterno. A abundância do poder divino reservada para os povos pagãos transborda até a plenitude dos doze Apóstolos. (1)

Dentre os pontos que nos chamam atenção, destaco o paralelo feito entre os cinco pães e dois peixes:

- Cinco pães, aludindo aos cinco Livros da Lei, aos cinco primeiros Livros da Sagrada Escritura (Pentateuco): Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio);

- Os dois peixes aludindo aos Profetas que precederam Jesus e o último dos Profetas, João Batista.

De fato, todos ainda estavam ancorados na Antiga Aliança, sob a Lei e os Profetas. Com Jesus, inaugura-se um novo tempo, e Ele veio dar pleno cumprimento da Lei e dos Profetas, como refletimos na Sua Transfiguração, no Monte Tabor, com a presença de Moisés e Elias (o primeiro simbolizando a Lei, e o segundo os Profetas).

Jesus é Aquele que vem trazer o Alimento Eterno, Ele próprio Se dá em verdadeira Comida e verdadeira Bebida (Jo 6).

Iluminados por Sua Palavra de Vida Eterna, aprendizes e obedientes a Seus Ensinamentos, e também por Ele saciado com o Pão Vivo e Verdadeiro, somos chamados a viver com alegria, o amor e a partilha, inseridos numa nova lógica, que vai gerar um mundo novo.

O sinal realizado tem tons Eucarísticos, prefigura o Banquete Provisório da Eucaristia, que nos prepara para o Banquete de Eternidade, como tão bem expressou o Salmista (Sl 23).

A multiplicação dos pães e peixes é a mais bela lição de amor e partilha, condição indispensável para uma sociedade da saciedade, e não da fome, da morte, da exploração do outro.

Vivamos não mais sob o jugo da Lei, mas iluminados e conduzidos pelo Espírito, saibamos colocar nossos pães e peixes em comum, para que todos tenham vida plena e feliz.

O Sinal realizado aponta para um mundo novo que todos temos que construir, aprendendo os sagrados ensinamentos do Divino Mestre do Amor e da Partilha: Jesus.


Lecionário Patrístico Dominical – Ed. Vozes - Pág. 436-437.

Eucaristia: milagre do amor e da partilha (XVIIDTCB) (26/07)

                                              

Eucaristia: milagre do amor e da partilha
 
Com a Liturgia do 17º Domingo do Tempo Comum (ano B), contemplamos a ação de Deus: é próprio do Seu Amor vir sempre ao nosso encontro saciando nossa fome de amor, liberdade, justiça, vida, esperança e paz.
 
A Liturgia da Palavra é um grito profético: não tem sentido a morte pela fome. Infelizmente, a fome no mundo não depende da falta de alimentos, mas é resultado do egoísmo, do acúmulo, por parte de poucos, das riquezas que Deus colocou à disposição de todos.
 
A fome não é um problema criado por Deus, mas por nós. Se as lições divinas aprendermos, de fome de pão material e espiritual ninguém nunca mais morrerá.
 
Temos a graça de refletir quais são nossas “fomes” e como procuramos saciá-las, sem jamais perder o sentido da mais preciosa fome que possamos ter, como acima mencionamos, e somente com Jesus, Pão da Vida e da Eternidade, é que ela será plenamente saciada.
 
Com a passagem da primeira Leitura (2Rs 4,42-44), refletimos sobre o gesto de acolhida, amor e partilha, feito pela viúva, que acolhendo a pessoa do profeta, acolhe o próprio Deus.
 
A passagem bíblica tem como cenário um período bastante conturbado da História do Povo de Deus. Um contexto de infidelidade e injustiça; a oposição da idolatria (Baal) e a adoração ao Deus vivo e verdadeiro (Javé).
 
Elizeu fazia parte de uma comunidade de filhos de Profetas, que viviam pobremente como seguidores incondicionais de Javé. Tem como missão apontar Deus, que verdadeiramente sacia a fome da humanidade, não promovendo espetáculos, mas nos pequenos gestos de partilha, doação e solidariedade, e quer contar conosco para ir ao encontro dos irmãos mais necessitados, oferecendo a vida em abundância.
 
Contemplamos o grande paradoxo: a generosidade, a partilha e a solidariedade não empobrecem, mas geram vida em abundância. Passa-se do egoísmo à partilha, da partilha à sobra.
 
Esta experiência vivida inspirará os autores dos Evangelhos para falar da multiplicação dos pães.
 
Na passagem da segunda Leitura (Ef 4,1-6), o Apóstolo Paulo nos apresenta a figura do Homem Novo que abandona todo egoísmo, orgulho e autossuficiência para cultivar atitudes de humildade, mansidão e paciência.
 
A passagem é a "Carta do cativeiro", uma sólida catequese paulina, uma síntese de seu pensamento, e com ela refletimos sobre quais devem ser os compromissos a serem vividos com Cristo, para que sejamos, de fato, criaturas novas: união, humildade, mansidão, paciência, unidade (dom de Deus e empenho humano) que se fundamenta na comunhão da Trindade Santa. A comunidade deve estar sempre vigilante, superando manifestações de rivalidade, inveja, ódio, divergência, divisões e ciúmes. Qual comunidade está isenta destes males que a desfigura?
 
Mais uma vez, voltamos a refletir sobre os muros a serem destruídos dentro de nossas famílias, comunidades e mundo, e quais são as pontes de unidade e de paz a serem edificadas.
 
Com a passagem do Evangelho (Jo 6,1-5), refletimos sobre a lógica do Reino, que se funda na partilha, em oposição à lógica do mundo, que é o egoísmo.
 
É o grande convite à generosidade e à partilha. Evidentemente que o sinal feito por Jesus tem matizes da Eucaristia que instituirá pouco mais tarde.
 
Aprendemos, em cada Ceia Eucarística celebrada, que o pão é insuficiente, quando cada um procurar saciar somente a sua fome, mas se multiplicará sem medida, abundantemente, quando todos estiverem dispostos a colaborar, a fim de que ninguém fique privado do que lhe é próprio.
 
Deste modo, o Evangelista apresenta a ação libertadora de Jesus como o novo Moisés. Jesus é o Pão que sacia a sede de vida da humanidade. Não mais a travessia do Mar Vermelho, mas agora a grande travessia, a Páscoa da Libertação.
 
Deus realizou a Antiga Aliança com Moisés, e agora, Jesus no Monte é o Sinal e o realizador da Nova e Eterna Aliança.
 
Lá, Moisés recebe a Palavra, os Mandamentos; aqui, Ele é a própria Palavra, não apenas o Mandamento do Amor, mas a própria fonte e expressão máxima do Amor: Jesus.
 
Jesus revela a face de Deus, e nos convida a não fugirmos da responsabilidade. Revela o rosto de Deus, um rosto de bondade que é atento às necessidades do povo. Jesus é o próprio Deus que Se revestiu de nossa humanidade e vem ao nosso encontro para nos revelar o Amor Trinitário.
 
A comunidade de Seus seguidores é chamada sempre ao abandono dos velhos esquemas, e a abrir-se sempre ao novo: amor e partilha.
 
Não podemos jamais nos omitir diante dos clamores dos empobrecidos. É preciso construir uma sociedade nova, não mais a sociedade da carência, mas a sociedade da saciedade, onde ninguém é privado do essencial para viver.
 
Em Jesus, o povo vê Aquele que vai ajudar a superar a miséria e a escravidão. Somente n’Ele há esperança de um novo tempo.
 
Na multiplicação dos pães, no Evangelho proclamado, cinco pães e dois peixes, igual a sete, que significa totalidade.
 
Temos tudo para saciar a fome da multidão, nada nos falta.   A sobra recolhida e guardada, sem desperdício, implica que a missão é inacabada e será sempre necessária uma nova partilha.
 
Reflitamos:
 
-  Cremos no milagre do amor e da partilha?
 
-  Quais são os peixes e pães que temos para partilhar, para que o milagre da multiplicação de Deus aconteça?
 
-  Nossas Eucaristias celebradas têm levado a compromissos irrenunciáveis com a fome dos empobrecidos?
 
- Temos procurado Jesus, no Pão da Palavra e da Eucaristia, para saciar a nossa fome? 
 
- Vivemos como criaturas novas, na humildade, bondade, paciência?
 
- Cremos na divina providência ou nos inquietamos por qualquer coisa?
 
- O que é preciso para que haja menos inquietação, mais confiança e compromissos solidários com o mundo novo?
 
 
Concluindo, ninguém pode dizer que nada tem para oferecer. Sempre temos algo que podemos dar ao outro para fazê-lo melhor: amor, amizade, tempo, atenção, sorriso.
 
Quando nos colocamos nas mãos de Deus com toda a confiança, abrimos nosso coração e mãos, oferecemos o que de melhor temos, e Deus, na sua infinita onipotência e bondade, faz o milagre acontecer.
Não nos ocorra de ficarmos esperando que Deus tudo faça. Partilhemos nossos pães e peixes e teremos muitíssimo mais a oferecer.
Quem a Deus ama e confia, confiando se entrega, se entregando recebe, e recebe, imensuravelmente, já nesta vida e na vida eterna. 
Oremos:
 
"Deus, Nosso Pai, que quisestes simbolizar no Pão abundante a Salvação que colocais à disposição de todos os seres humanos, fazei que possamos recebê-Lo nesta Celebração comendo juntos, em unidade de mente e coração, o Corpo do Vosso Filho.
 
Só assim poderemos partilhar o que nos dais, contribuindo para que ninguém fique privado do alimento necessário. Amém!".
 
 

O Senhor nos ensina a alegria da partilha (XVIIDTCB) (26/07)

                                                             

O Senhor nos ensina a alegria da partilha

 “Jesus tomou os pães, deu graças e distribuiu-os aos
que estavam sentados, tanto quanto queriam.
E fez o mesmo com os peixes.”
(Jo 6,11)

A Liturgia do 17º Domingo do Tempo Comum (ano B) nos convida a refletir sobre a realidade da fome em sua múltipla expressão, e a ação de Deus em nosso favor para que esta seja saciada em plenitude, também nos exorta aos necessários compromissos de amor e partilha.

Aqui, não se trata apenas da fome do pão material, mas de outras tantas fomes: amor, liberdade, justiça, paz, esperança, fraternidade, solidariedade, alegria, ternura...

Na passagem da primeira Leitura (2 Rs 4, 42-44), com o Profeta Eliseu, aprendemos que a multiplicação de gestos de partilha e generosidade para com os irmãos revelam a presença de Deus, que vem ao nosso encontro para saciar a fome do mundo.

O Profeta Eliseu viveu um período muito conturbado, com a multiplicação das injustiças contra os pobres e as arbitrariedades contra os fracos, acompanhado da infidelidade a Deus na violação da Aliança.

A descrição contida na passagem nos revela que quando o homem é capaz de sair do seu egoísmo, com a disponibilidade para a partilha dos dons recebidos das mãos de Deus, torna-se gerador de vida em abundância. Ainda que pareça paradoxal, a partilha e a solidariedade não empobrecem, mas geram vida em abundância: quanto mais se partilha, mais se tem.

A ação de Deus se revela na ação dos pobres, que partilham com amor e generosidade, sem espetáculos. Deus quer precisar de nós, de nossa generosidade e bondade. Criando-nos sem a nossa participação, não quer nos salvar sem a mesma, como disse Santo Agostinho.

Na passagem da segunda Leitura (Ef 4,1-6), o Apóstolo Paulo exorta a comunidade a amadurecer na autenticidade de seu testemunho, abolindo toda prática fundada no egoísmo, orgulho, ciúmes, rivalidade, inveja, ódio, autossuficiência e preconceito, e assim, se esforçar em viver as exigências cristãs: a humildade, a mansidão e a paciência, que são os pilares da unidade.

A mensagem do Apóstolo é como que um convite a construir pontes, que criam proximidade, e não muros, que criam barreiras e divisões.

Na passagem do Evangelho (Jo 6,  1-5), com a multiplicação dos pães e peixes, Jesus nos convida a passar da escravidão à liberdade, da lógica do egoísmo à lógica do amor e da partilha.

Ainda podemos dizer que o capítulo 6 deste Evangelho é uma Catequese sobre Jesus, o Pão da Vida, que sacia a fome de vida plena de toda a humanidade em todos os tempos.

Alguns paralelos são notáveis:
- O Evangelista nos apresenta a ação libertadora de Jesus, de modo que Ele é o Novo Moisés, que tirará o povo da situação de miséria e escravidão em que se encontrava;

- O local em que Jesus realiza o sinal nos reporta ao Monte Sinai, onde Moisés recebeu os Dez Mandamentos;

- Com Moisés se deu a passagem da libertação da escravidão do Egito, e com Jesus temos a nova Páscoa, de modo especial a passagem da morte para a vida.

Outros elementos contidos na passagem, como também os gestos e palavras, revelam que a comunidade é constituída de gente simples e humilde, e com vocação para o serviço, que se expressa na partilha e solidariedade. Tão somente assim ela passa a viver a nova lógica proposta por Jesus.

É preciso substituir o egoísmo pelo amor e pela partilha. Jesus é a revelação do Deus que Se revestiu de nossa humanidade, e veio ao nosso encontro para revelar o amor Trinitário, fonte de vida plena e fraterna.

Com Jesus, vivendo a Sua Palavra, acolhida de modo especial na Eucaristia que celebramos, tornamo-nos partícipes de uma sociedade da saciedade, e não de uma sociedade com o pecado da desigualdade, da fome e da morte.

A caridade vivida em relação ao outro, sobretudo aos pobres, revela a autenticidade de nosso discipulado. Deste modo a comunidade tem que ser sempre um lugar deste aprendizado que nunca termina.

Sintamo-nos questionados e inquietos sobre os “pães e peixes” que temos para partilhar: amor, amizade, tempo, sorriso, dons, etc. Ainda que tenhamos pouco aos olhos humanos, quando partilhado com amor, torna-se multiplicado aos olhos de Deus.

Não há ninguém neste mundo que não tenha nada a partilhar ou algo a receber. E assim, todos nos enriquecemos, quando aprendemos e reaprendemos a alegria da partilha que o Senhor nos ensina, como expressão do amadurecido amor.

Somente deste modo é que o Reino de Deus acontece, quando não partilhamos do que sobra, mas até mesmo daquilo que possa nos faltar. Se assim realizado, não falta, multiplica, e todos somos saciados e alcançamos a verdadeira felicidade.

Renovemos a certeza de que quando colocamos nas mãos de Deus o que temos e o que somos, Ele faz o milagre acontecer!

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