quinta-feira, 10 de julho de 2025

Com amor Eterno, Deus nos ama

                                                    

Com amor Eterno, Deus nos ama


"Eu os atraía com laços de humanidade, com laços de amor; era para eles como quem leva uma criança ao colo, e rebaixava-me a dar-lhes de comer. Meu coração comove-se no íntimo e arde de compaixão" (Os 11,4.8).

Na quinta-feira da 14ª Semana do Tempo Comum (ano par), ouvimos a passagens do Livro do Profeta Oseias (Os 11,1-4-8.c-9).

Trata-se de  uma das mais belas passagens de todo o Antigo Testamento, na qual mediante uma linguagem humana cheia de experiência da intimidade familiar, Deus Se apresenta com o Coração de Pai e Mãe. Já havia Se apresentado com a imagem esponsal, e agora como Pai.

Quanto nos impressiona o Amor de Deus que é diferente do amor humano, pois o Seu amor é totalmente consumado na misericórdia irrevogável e eterna.

Contemplamos uma das mais ternas imagens para descrever o Amor de Deus por nós, o carinho e cuidado materno e paterno que tem para conosco, Seus filhos.

De santidade infinita, o Senhor Deus é o “totalmente outro” do homem e da mulher, e assim Sua fidelidade é eterna, e Seu amor e perdão são sempre possíveis.

Deus sendo totalmente Outro, é o mais belo e puro e eterno Amor, que acolhe, acompanha, perdoa, renova, recria, reconduz... Deus exige tão apenas amor, porque de fato, amor exige amor, e não amor qualquer, mas um amor fiel.

Vejamos o que nos diz o Lecionário Comentado sobre esta passagem:

“Há quem diga que, de calcar a mão sobre a bondade e misericórdia de Deus, corre-se o risco de debilitar a mensagem cristã e tornar vazia a própria vida cristã, a tal ponto é sempre possível o perdão...

Mas nossa própria experiência humana nos diz que não pode ser assim. Um perdão forte, generoso, que procura redimir, muitas vezes vence a ofensa; trará o filho ao pai, o esposo à esposa. Ainda, porém, que nunca se dê isso entre os homens (o que não é verdade), dá-se entre Deus e nós. Amor exige amor. E amor fiel.” (1)

Ainda mais sobre o amor de Deus:

Todos os tons e vocábulos do amor (esponsal, amigável, paterno/materno) são utilizados pelo Profeta (Oseias) para exprimir o que é inexprimível, isto é, a ternura infinita do Deus enamorado loucamente do homem [...] o amor é contagioso e pede amor: e eis que o nosso programa de vida, necessariamente missionário, porque quem recebe deve dar – tem por modelo Jesus e Seu Ministério (Evangelho do dia Mt 10,7-15).” (2)

Contemplemos a ternura infinita do Deus, enamorado loucamente do homem e da mulher, como Oseias tão bem nos apresenta.


(1) Lecionário Comentado - Editora Paulus -  pp.693-694.
(2) Idem

Da ignominiosa idolatria à prelibação da alegria do Amor de Deus!

                                                       

Da ignominiosa idolatria à prelibação da alegria do Amor de Deus!

“Oseias, Profeta do amor, canta a fidelidade do Amor de Deus
para com a humanidade e Sua capacidade de perdão”.

Na Liturgia da Quinta-feira da 14ª Semana do Tempo Comum (ano Par), nos apresenta a passagem do Livro do Profeta Oseias (Os 11,1-9), na qual contemplamos a face misericordiosa de Deus, Sua fidelidade irrevogável que se manifesta no perdão, no convite a conversão.

É sempre imperativo para o profetismo a ser vivido, voltar-se para Deus em absoluta relação de amor com Ele, aprofundando nossa fidelidade aos Seus preceitos, em relacionamentos de gratuidade para com Ele e com nosso próximo. 

A confiança incondicional na Sua presença deve ser sempre acompanhada de frutuosa prática da justiça para que o culto seja a Ele agradável, de modo que, o suor e o sangue, se necessário no chão derramados reguem sementes de um novo amanhecer, tão somente assim o incenso que se sobe no culto, será por Ele aceito.

Profecia é sinal de sangue e suor derramados, incenso ao Deus Vivo e Verdadeiro elevado!

Assim diz o Missal Cotidiano:

“Quando Israel era criança, Eu já o amava, e desde o Egito chamei meu filho... Ensinei Efraim a dar os primeiros passos, tomei-o em meus braços, mas eles não reconheceram que Eu cuidava deles.

Eu os atraía com laços de humanidade, com laços de Amor; era para eles como quem leva uma criança ao colo; e rebaixava-me a dar-lhes de comer. Meu coração comove-se no íntimo e arde de compaixão...”

O Profeta nos convida a refletir, a tomar consciência e abandonar o ignominioso serviço às divindades inexistentes, materializada na adoração muito presente entre nós como nos diz com toda profundidade o Missal Cotidiano (pág. 996):

“Hoje gritariam os Profetas contra muitas divindades a quem os cristãos queimam incenso de sua devoção, pretendendo ao mesmo tempo continuar cristãos: a divindade do dinheiro, do sexo, do comodismo e dos bens de consumo, a divindade do carro, da televisão, do estrelismo em todas as formas, esportes, cinema, moda...

‘Afinal de contas, que mal há nisso?’ pergunta-se. O cristão, porém, não deve caminhar levianamente; deve examinar-se, para ver se e em que medida alguma dessas divindades o impede de ter verdadeiro relacionamento com Deus”.

Somente a fidelidade a Deus e Seu Projeto conduzirá a humanidade à verdadeira felicidade, na construção de relacionamentos fundados na prática da justiça, externados em gestos solidários que levem à edificação da fraternidade universal. 

Eclipsá-lo, mesmo afirmar Sua morte, têm sido motivos para o caos em que muitas vezes nos encontramos mergulhados, sem perspectivas utópicas, sem horizontes promissores...

A reflexão do Livro do Profeta Oseias nos leva a tomar uma atitude: ceder ao ignominioso serviço idolátrico voltando-nos contra nós mesmos ou viver na fidelidade e adoração verdadeira do retorno para Deus em absoluta fidelidade a Sua Lei, que se resume no amor a Ele e ao próximo, prelibando a alegria da conversão, do perdão obtido em alegre e verdadeiro louvor a Ele também oferecido.

A idolatria, a infidelidade e a ingratidão para com Deus levam-nos, inevitavelmente, a uma ignominiosa realidade. Indubitavelmente a adoração e o culto a Deus, expressos no amor e no serviço ao próximo, levar-nos-á a prelibação da alegria no mais fundo de nosso coração, onde Ele fez Sua morada.

Ah, o Amor de Deus, como compreendê-lo?
Impossível para nossos critérios e conceitos.
Amor de Deus, mais que compreendido,
Precisa ser correspondido e vivido,
eis o caminho a percorrer e melhor viver!

Porta e portais se abram ao Senhor

                                                               

Porta e portais se abram ao Senhor

“Eis que estou à porta, e bato;
se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta,
entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo”. (Ap 3,20)

A Liturgia das Horas nos apresenta um Comentário sobre o Salmo 118, escrito pelo Bispo Santo Ambrósio, que nos recorda que somos templos divinos, e precisamos abrir as portas e portais ao Senhor, para que venha fazer morada.

“’Eu e o Pai viremos e faremos nele nossa morada’. Franqueia, então, a tua porta ao que vem, abre tua alma, alarga o íntimo de tua mente para veres as riquezas da simplicidade, os tesouros da paz, a doçura da graça.

Dilata o coração e corre ao encontro do sol, da eterna luz, ‘a que ilumina a todo homem’. Esta luz verdadeira brilha para todos. Mas, se alguém fecha as janelas, priva-se da eterna luz. Assim também Cristo é repelido se fechas a porta de teu espírito. Embora possa entrar, não quer ser importuno, não quer entrar à força. Recusa-Se a usar de coação!

Nascido da Virgem, Ele saiu do seio, irradiando luz sobre o mundo inteiro, refulgindo para todos. Os que desejam, acolhem a claridade inextinguível que noite alguma interrompe. Pois à do sol que vemos diariamente, sucede a noite escura; mas o sol da justiça jamais se põe, porque à sabedoria não sucede a maldade.

Feliz aquele a cuja porta Cristo bate. Nossa porta é a fé, que, quando sólida, defende a casa toda. Por esta porta Cristo entra. Daí dizer a Igreja no Cântico: ‘A voz de meu irmão bate à porta’. Escuta o que bate, escuta o que deseja entrar: ‘Abre para mim, minha irmã esposa, minha pomba, minha perfeita, porque tenho a cabeça coberta de orvalho e meus cabelos, das gotas da noite’.

Observa que o Deus Verbo bate à porta principalmente quando sua cabeça está coberta de orvalho noturno. Digna-Se visitar os atribulados e tentados, para que não sucumbam às amarguras. A cabeça cobre-se de orvalho e de gotas quando o corpo sofre. Importa, portanto, vigiar para não ficar excluído à chegada do Esposo. Se dormes e o teu coração não vigia, afasta-se antes de bater. Se o teu coração está vigilante, bate e pede ser-lhe aberta a porta.

Possuímos a porta de nossa alma, possuímos também portais sobre os quais se diz: ‘Levantai, príncipes, vossos portais, erguei-vos, portas eternas, e entrará o Rei da glória’. Se quiseres levantar os portais de tua fé, entrará em ti o Rei da glória, trazendo a vitória de Sua paixão. Tem também portas a justiça. Delas lemos o que disse o Senhor Jesus por meio de Seu profeta: ‘Abri-me as portas da justiça’.

Há quem tenha portas, há quem tenha portais. A essas portas Cristo bate, bate aos portais. Abre, então, para Ele; quer entrar, quer encontrar vigilante a Esposa”.

É preciso que abramos a porta e portais de nossa fé ao Senhor, para que nossa alma seja iluminada, e não nos percamos nos caminhos escuros que a vida nos apresenta.

Quando abrimos a caverna escura de nossa existência ao Senhor, e nos abrimos ao Seu Plano e Projeto de amor, há o encontro conosco mesmos, e ao mesmo tempo com Ele.

Da mesma forma, é preciso estar vigilantes para a chegada do Senhor, que baterá à nossa porta, para entrar e cear conosco, como nos falou o Autor do Livro do Apocalipse:

“Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo”. (Ap 3,20).

Felizes seremos com a chegada do Senhor, que veio, vem e virá, e como não sabemos nem o dia e nem a hora, importa sempre vigiar.

quarta-feira, 9 de julho de 2025

Enviados para testemunhar a Palavra da Salvação

                                                                       

Enviados para testemunhar a Palavra da Salvação

“A Palavra da Salvação
coloca-nos a caminho...”

Na passagem do Evangelho (Mt 10,1-7), proclamada na quarta-feira da 14ª Semana do Tempo Comum, Jesus escolhe e envia os doze Apóstolos em missão. 

Bem sabemos que "doze" representa a “totalidade” da população (doze Patriarcas, doze tribos, etc.).

A eles Jesus confere a Sua autoridade, com o poder de expulsar demônios, curar enfermidades e pregar a Boa Notícia da chegada do Reino, como Apóstolos (enviados).

Jesus os envia com sua realidade existencial concreta, marcada por ímpetos de heroísmos, intuições, interrogações sinceras, renegações, fugas e, por fim, a traição.

São Enviados para comunicar a Palavra da Salvação, que tantas vezes aclamamos, quando ao terminar a proclamação do Evangelho, dizemos: –“Glória a Vós Senhor!”.

A Palavra da Salvação ouvida, acolhida, acreditada, precisa ser vivida, testemunhada e, assim, com ela, sermos sinais e instrumentos do Reino:

"A Palavra da Salvação coloca-nos a caminho, na Igreja, para a dimensão de plenitude do Reino”.(1)

A Palavra da Salvação, encarnada corajosamente em nossa vida, tornará iluminado nosso caminho, e de quantos possamos esta luz comunicar.

Portanto, torna-se necessário que estejamos sempre atentos à voz do Espírito Santo que anima, conduz, ilumina, orienta a Igreja, guiando-a com o esplendor da verdade, para que a fé seja luminosa, dando razão de nossa esperança, e a caridade vivida, gere um mundo novo, tão desejado, como sinal do Reino de Deus.

A fé não se vive isoladamente, como gesto intimista, porque possui dimensão comunitária, eclesial.

Alimentados e revigorados com a força da Palavra (Pão) e saciados pelo Pão de Imortalidade (Eucaristia), continuamos nossa viagem para a eternidade, comprometidos na transformação de nossa provisoriedade, até o esplendor da glória na eternidade. A Eucaristia é verdadeiramente o viático, o Alimento nesta viagem para a eternidade.

Por vezes moribundos e fracos, devido às dificuldades a serem enfrentadas, temos que nos alimentar sempre deste Pão Eucarístico, acolhendo no mais profundo de nós a Palavra de Salvação, que ilumina os recônditos mais obscuros de nossa alma e de nossa história.

A Eucaristia é, de fato, Banquete luminoso, porque é o Mistério da Fé que professamos.

Concluindo, meditemos estas Palavras que são ditas nas Missas, e que devem, com toda intensidade de piedade, nos comprometer com a Sua segunda vinda:

“Anunciamos Senhor a Vossa Morte e proclamamos a
Vossa Ressurreição, Vinde Senhor Jesus”.



(1) Lecionário Comentado - Editora Paulus - Tempo Comum - Volume I - pág. 681

Rezando com os Salmos - Sl 62(63),2-9

 



A minha alma tem sede Deus

“– Sois Vós, ó Senhor, o meu Deus!
Desde a aurora ansioso Vos busco!
= A minh'alma tem sede de Vós,
minha carne também Vos deseja,
como terra sedenta e sem água!

– Venho, assim, contemplar-Vos no templo,
para ver Vossa glória e poder.
– Vosso amor vale mais do que a vida:
e por isso meus lábios Vos louvam.

– Quero, pois, Vos louvar pela vida,
e elevar para Vós minhas mãos!
– A minh'alma será saciada,
como em grande banquete de festa;
– cantará a alegria em meus lábios,
ao cantar para Vós meu louvor!

– Penso em Vós no meu leito, de noite,
nas vigílias suspiro por Vós!
– Para mim fostes sempre um socorro;
de Vossas asas à sombra eu exulto!
– Minha alma se agarra em Vós;
com poder Vossa mão me sustenta.”

O Salmo 62(63),2-9 nos fala sobre a sede de Deus, que deve nos acompanhar em todos os momentos:

“Com a imagem do deserto que precisa da chuva para encher-se de vida, o salmista mostra como sem Deus não existe verdadeira vida. Enquanto viver quer sentir a proteção divina e cantar os louvores de Deus.” (1)

Concluímos com um trecho da Catequese do Papa São João Paulo II (25/04/01):

“No que diz respeito a este tema, a oração do Salmo 62 relaciona-se com o cântico de outro Salmo maravilhoso: ‘Assim como a corça suspira pelas correntes de água, assim também a minha alma suspira por Vós, ó meu Deus. A minha alma tem sede do Senhor, do Deus vivo’ (41, 2-3).

Assim como o Salmista, cremos que tão somente Deus pode saciar nossa sede de vida, amor, paz e fraternidade. No entanto, saciados pelo Pão da Palavra e da Eucaristia, é tempo de também saciar a fome e sede de vida, amor, paz e fraternidade de nossos irmãos e irmãs, nos mais diversos espaços em que vivemos.

(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB - pág. 777


Eucaristia celebrada e na vida prolongada

                                                             

Eucaristia celebrada e na vida prolongada

O antigo opúsculo “Doutrina dos doze Apóstolos” nos diz como a Igreja, no princípio, celebrava a Eucaristia.

Dai graças assim, primeiro sobre o Cálice:
'Nós te damos graças, Pai nosso, pela Santa Videira de Davi, Teu servo, que nos deste a conhecer por Jesus, Teu servo; a Ti a glória pelos séculos'.

Em seguida, sobre o pão partido:
'Nós Te damos graças, ó Pai nosso, pela vida e ciência que nos deste a conhecer por Jesus, Teu servo; a Ti a glória pelos séculos.

Do mesmo modo como este Pão estava espalhado pelos montes e, colhido, tornou-se uma só coisa, assim, desde os confins da terra, se reúne Tua Igreja em Teu Reino; porque Te pertencem a glória e o poder, por Jesus Cristo, nos séculos'.

Ninguém coma ou beba da Vossa Eucaristia que não tenha sido batizado em nome do Senhor.

De fato, sobre isto disse ele: Não jogueis aos cães as coisas santas.

Refeitos, dai graças assim: 'Nós Te damos graças, Pai Santo, por Teu Santo Nome, cujo trono puseste em nossos corações, e pela ciência, pela fé e imortalidade, que nos manifestaste por Jesus, Teu servo; a Ti a glória pelos séculos'.

Senhor onipotente, Tu criaste tudo por causa de Teu nome, deste aos homens o alimento e a bebida, a fim de Te agradecerem; a nós, porém, concedeste o Alimento e a Bebida espirituais e a vida eterna, por Teu servo. Antes de tudo Te damos graças por seres poderoso; a Ti a glória pelos séculos.

Lembra-Te, Senhor, de Tua Igreja para defendê-la de todo mal e torná-la perfeita em Tua caridade; reúne-a, santificada, dos quatro ventos em Teu reino que lhe preparaste; porque Teu é o poder e a glória pelos séculos.

Venha a graça e passe este mundo! Hosana ao Deus de Davi! Quem é santo, aproxime-se; se não o for, faça penitência; Maranathá, amém.

Congregados no Dia do Senhor, parti o Pão e dai graças, depois de terdes confessado vossos pecados, a fim de ser puro vosso sacrifício.
Todo aquele, porém, que tiver uma desavença com seu companheiro, não se junte a Vós antes de se terem reconciliado, para que não seja profanado vosso sacrifício.

Pois foi o Senhor que disse:
'Em todo lugar e em todo tempo oferecer-me-eis um sacrifício puro, porque sou o Grande Rei, diz o Senhor, e é admirável o meu nome entre as nações.”  (1)

Sejamos elevados a pronunciar ou a ouvir tais palavras ao celebrar e participar da Ceia Eucarística, e questionemos se temos o coração puro para recebê-La.

Participemos ativa, consciente e piedosamente  na Ceia Eucarística, e redescubramos o Salutar Sacramento da Penitência (conhecido como Sacramento da Confissão) para reconciliarmo-nos com Deus e com nosso próximo. 

É sempre tempo para celebrarmos o Sacramento da Penitência, com uma boa confissão de nossos pecados, e renovados pela misericórdia e perdão divinos.

Corramos, sem demora, se necessário, ao exame de consciência, contrição, confissão e compromisso de tornar mais verdadeira e frutuosa a Eucaristia que celebramos, para que ela não seja reduzida a um culto isolado, mas se prolongue em nossa vida, com gestos de acolhida, perdão, ternura, amor, solidariedade...


(1) Lit. das Horas - Vol. III - pág. 418-419.

terça-feira, 8 de julho de 2025

A paradoxalidade do Amor de Deus: Amar na contramão da história...

                                                                  

A paradoxalidade do Amor de Deus:
Amar na contramão da história...

À luz da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 9,36-10,8), refletimos sobre a compaixão, o Amor misericordioso de Deus, que nos chama e envia para sermos sinal desta compaixão, no trabalho da Messe, no cuidado do rebanho.    
  
O cristão é, fundamentalmente, alguém que descobriu que Deus o ama. Por isso, enfrenta a cada dia o bom combate da fé com serenidade e alegria. Possui uma esperança que brota da certeza fundamental: o Amor de Deus.

Este Amor deve ser para nós o grande tesouro de que nos fala a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 6,19-23): “…ajuntai tesouros no céu, onde a traça e a ferrugem não destroem, nem os ladrões assaltam e roubam… Pois onde estiver teu tesouro, aí estará também o teu coração”. 

O cristão condiciona e fundamenta toda sua vida nesta certeza, e vive a alegria de quem encontrou e experimentou o Amor de Deus que o faz discípulo missionário, Sal e Luz, ou seja, Eucarístico.  

Com a Palavra, Jesus Cristo revelou o Deus Bíblico: Deus de Amor, pois o Espírito do Senhor repousava sobre Ele na mais perfeita relação de comunhão e Amor.

A reflexão sobre o Amor de Deus é convite para que embarquemos na aventura da Aliança de Amor. Não um amor qualquer, mas no exato sentido da Palavra Amor, pois Deus é Amor.

Deus ama o Povo e o tem como Seu tesouro, Sua propriedade e o constitui povo de sacerdotes e nação santa (Ex 19,2-6a).

Ama apesar de toda infidelidade, traição, idolatria, abandono, morticínios, sacrifícios inúteis, abominações, reclamações sem fundamento, provação, provocação, lamentações infundadas, ingratidão, atrocidades cometidas, amor não correspondido…

De que Amor se fala?
Do Amor de Deus, que é o Amor que ama na contramão da história, daí sua paradoxalidade: Ama um povo pequeno, aos olhos humanos, absolutamente desprezível, débil, frágil e insignificante. 

Encarna-Se para redimi-lo e não somente este povo, mas toda a humanidade, em Cristo Jesus, e perpetua Seu Amor na presença do Espírito Santo, não nos deixando órfãos!

Reflitamos:

 Ø   E, por que não corresponder na exata medida deste Amor?
 Ø   Por que não fazer do Amor de Deus e de Sua presença em nós o bem maior que se possa querer e ter?

Deus habita em cada um de nós como templo Seu, sendo para nós o mais belo Hóspede!

Vejamos os tantos modos de falar sobre o Amor de Deus a partir de apenas uma simples vogal:

Idealizador,
Idílico, Ilimitado, Ilimitado,
Ilógico, Iluminador, Ilustre, Imaculado,
Imortal, Impecável, 
Imperante, 
Imperdível,
Imperturbável, Implacável, Impressionante, Imutável, Imprescindível, Inalienável, Inalterável, Incandescente,
Incansável, Incendiário, Incessante, Incomensurável,
Incomparável, Incondicional, Inconfundível,
Incontestável, Incorruptível,
Indelével, Indiscutível, 
Indispensável, 
Indissociável, 
Incrível Indubitável, Indulgente, Inédito, Inerente, Inesgotável, Inesquecível, Inestimável, Inexplicável, Infalível, Infiltrante, Infinito, Inflamável, Inigualável, Iniludível, Inimitável, Inovador, Inqualificável, Inquebrável, Insaciável, Insigne, Inspirador, 
Insubstituível, 
Inteligente,
Interminável, Íntimo, Inusitado, Inviolável,
Irradiante, Irrecusável, Irrenunciável,
Irresistível, Irrestrito, Irretocável,
Irreversível, Irrevogável,
Irrigador...

A missionariedade consistirá em corresponder ao Amor de Deus. Somente no verdadeiro encontro e apaixonamento por Cristo e Seu Evangelho estaremos, como João Batista, vivendo nossa vocação profética, ontem, hoje e sempre.

Contemplemos na Cruz o Mistério do Encontro/presença de um Deus que é Amante (Pai), Amor (Espírito Santo), Amado (Filho), como nos falou Santo Agostinho.

Quem sou eu

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