segunda-feira, 31 de março de 2025

Em poucas palavras... (20/03)

                                                             


Preparemos a Celebração da Páscoa do Senhor 

“...E nós, que nos preparamos para a grande Solenidade, que caminho havemos de seguir? Ao aproximarem-se as Festas Pascais, a quem tomaremos por guia? Certamente nenhum outro, amados irmãos, senão Aquele a quem chamamos nosso Senhor Jesus Cristo (...) 

(...) Nós deixamos tudo e Te seguimos (Mt 19,17). Sigamos também nós o Senhor; preparemo-nos para celebrar a Festa do Senhor não apenas com palavras, mas também com nossos atos.” (1)

 

(1) Das Cartas Pascais, do Bispo Santo Atanásio (séc. IV)

Deus nos surpreende com Suas maravilhas (16/03)

                                                      

Deus nos surpreende com Suas maravilhas

Na segunda-feira da quarta semana da Quaresma, ouvimos a passagem do Evangelho de João (Jo 4,43-54), em que Jesus realiza o segundo sinal, em Caná da Galileia, curando o filho de um funcionário real.

Através do sinal realizado por Jesus, este pagão reconhece que Jesus não é somente um taumaturgo, mas é a Palavra do Pai, a fonte de vida para todo aquele que n’Ele crer.

Não somente ele acreditou em Jesus, como todos de sua casa, como nos fala o Evangelista, revelando assim, o dinamismo da fé, que tende ao envolvimento de todos.

Bem afirmou o Papa São João Paulo II na Carta Encíclica Redemptoris Missio (1990):

“De fato, a missão renova a Igreja, revigora a sua fé e identidade, dá-lhe novo entusiasmo e novas motivações. É dando a fé que ela se fortalece! A nova evangelização dos povos cristãos também encontrará inspiração e apoio, no empenho pela missão universal” (n.2).

Vemos, no entanto, que o funcionário real alcançou a graça da cura do seu filho, por meio de Jesus, fazendo um iter (caminho) em três etapas:

1ª – uma fé inicial demonstrada ao recorrer a Jesus;
2ª – A fé na Palavra de Jesus;
3ª – a fé em Jesus, como doador da vida.

Oremos:

Cremos em Vós, ó Deus, que nos surpreendeis a cada instante, realizando maravilhas em nosso favor, em meio a tantos sinais de dor, sofrimento e morte.

Cremos em Vós, ó Deus, um Deus surpreendente e infinitamente maior do que o nosso coração, como nos falou vosso Evangelista (1 Jo 3,20).

Cremos em Vós, ó Deus, que criais a cada instante novos céus e nova terra, como anunciaram os Profetas, dentre eles, Isaías (Is 65,17).

Cremos em Vós, ó Deus, rico em misericórdia, como nos revelou o Vosso Amado Filho, que incessantemente nos enviais Vosso Espírito Santo de Amor para nos conduzir.

Cremos em Vós, ó Deus, que não permitis que Vos fechemos em esquemas mentais rígidos, e tão pouco à mesquinhez de nossos corações, nas angústias de seus horizontes.

Cremos em Vós, ó Deus, que quereis dialogar com Vossas criaturas que somos, em todos os momentos, dando-nos vida além de nossas expectativas e súplicas.

Cremos em Vós, ó Deus, que alargais, elevais e purificais nossos desejos, acolhendo e os colocando em plano mais elevado, a fim de que sejam semelhantes aos Vossos.

Cremos em Vós, ó Deus, que caminha conosco nesta caminhada quaresmal, num êxodo em direção à Páscoa, com alegria, fé e esperança.

Cremos em Vós, ó Deus, em Vosso Espírito de amor e em Vosso Filho, que tem palavra de vida eterna, que nos garante vida plena e eterna. Amém.


Fonte: Lecionário Comentado – Tempo da Quaresma e Páscoa – Editora Paulus – 2011 – pp.193-194

“A sétima hora” (16/03)

                                                             

“A sétima hora”

“Ele perguntou a que horas o menino tinha melhorado.
Eles responderam:  ‘Ontem à hora sétima, a febre o deixou’” (Jo 4,52).

A passagem do Evangelho: Jo 4,43-54.
O acontecimento memorável:
a realização do segundo sinal de Jesus,
a cura do filho de um funcionário real, em Cafarnaum.

Era a hora sétima,
quando o menino foi pelo Senhor curado.
Também temos nossa sétima hora,
Nossa “sétima hora” de cada dia.

Nossa “sétima hora” de cada dia!
Quantas vezes ela acontece em nossa vida,
E nos sentimos pelo Senhor tocados;
Por Sua Palavra, curados e iluminados.

Nossa “sétima hora” de cada dia!
Acontece, sobretudo quando à divina misericórdia,
Humilde e sinceramente, nos abrimos,
Fortalecendo vínculos fraternos e de concórdia.

Nossa “sétima hora” de cada dia!
A experimentamos no silêncio da oração,
Quando cessam nossas humanas palavras,
Diante da Palavra que nos aquece e ilumina.

Nossa “sétima hora” de cada dia!
De modo especialíssimo na Eucaristia,
Que piedosamente participamos, e que,
Transborda graça, paz, amor e alegria.

Nossa “sétima hora” de cada dia!
Quando o Senhor revigora nossa fé
Reaviva nossa necessária esperança, e
Inflama nosso coração com Seu Divino Amor.

Nossa “sétima hora” de cada dia,
Nos dai hoje, Senhor, para que
De toda enfermidade curados sejamos,
Para que Vos amemos e ao próximo sirvamos. 
Amém.

domingo, 30 de março de 2025

A inexplicável Misericórdia Divina nos faz novas criaturas (IVDTQC)

                                                   

A inexplicável Misericórdia Divina nos faz novas criaturas

“Irmãos, se alguém está em Cristo, é uma criatura nova.
O mundo velho desapareceu. Tudo agora é novo.” (2Cor 5, 17)

No 4º Domingo da Quaresma (Ano C) refletimos sobre o ser de Deus que é misericórdia, bondade e Amor.

Um Amor paciente, eterno, gratuito, inquebrantável, reintegrador, assim é o Amor divino que revela a lógica da misericórdia que é superior à lógica da justiça.

É o “Domingo Laetare”, Domingo da alegria, da reconciliação e da renovação, que começa a despontar em nosso coração, no horizonte que transcende a própria morte: a Ressurreição.

Na passagem da primeira Leitura (Js 5,9a.10-12), vemos que o tempo novo, a terra nova  serão frutos da reconciliação com Deus e com os irmãos (segunda Leitura – 2 Cor 5,17-21) na prática da misericórdia (Evangelho – Lc 15,1-3.11-32).

Deus tem para com a humanidade um olhar de amor, incansável e irrenunciável, não obstante a nossa pobreza, desobediência, incoerência e infidelidade.

Um olhar que confere dignidade, pertença, alegria e festa: “estávamos perdidos e fomos encontrados, estávamos mortos e voltamos a viver”.

Como discípulos missionários do Senhor, não basta ser justo, fazer tudo bem, é preciso reconciliar, reintegrar os que se perderam, eis aqui o grande desafio: não se contentar com os santos, mas santificar os não santos.

Não se afastar da corrente do Amor de Deus, de Sua misericórdia, que é a verdadeira fonte revelada por Jesus que não veio para condenar o mundo, mas veio para salvá-lo (Jo 12,47).

Este é o grande desafio: ser uma Igreja que não se constitui na comunidade dos que não erram, dos que não caem. 

A Igreja é a comunidade dos pecadores que querem voltar ao Pai, dos que ajudam a retomar o caminho, não julgando e nem condenando, nem se tornando obstáculo para quem deseja a reconciliação, a graça de se tornar uma nova criatura.

Por isto, a Assembleia Eucarística é essencialmente o lugar da vivência e acolhida do perdão do Pai, que está sempre de braços abertos para nos acolher e nos envolver com laços de ternura; sempre pronto a Se entranhar no mais profundo de nós por Sua misericórdia.

Assim fez Jesus, e por isto assumiu um Amor incondicional e eterno, morrendo na Cruz, fazendo da Cruz a máxima expressão da misericórdia divina, que é sem limites.

Dando mais um passo neste Itinerário Quaresmal, nosso coração seja iluminado com o esplendor da Graça divina, renovado pela misericórdia infinita de Deus, de modo que pensemos e procuremos o que é reto e amemos a Deus de todo o coração, com toda força, alma e entendimento. 

Amemos a Deus com todo o nosso ser, e a cada criatura d’Ele, como expressão do autêntico amor que tem dupla face: amor a Deus e o amor ao próximo.

Voltemos para a alegria e ternura divinas, que nascem do perdão experimentado e vivenciado. O que conta para Deus não é o passado, a lista de pecados que temos para apresentar, mas o abraço acolhedor que Ele está sempre pronto a nos dar.

Como o pai da Parábola, Deus está sempre nos esperando, e quando apontamos, ainda que distante, Ele sai correndo ao nosso encontro.

Este é o Deus que cremos e anunciamos e que Jesus nos revelou com Sua vida, doação e entrega total por Amor à humanidade, que nos comunicou a Vida Nova, enriquecendo-nos imensuravelmente pela presença de Seu Espírito.

Reflitamos:

  - Quais são os sinais de morte que precisam ser reconciliados, superados,      para que um mundo novo e um tempo novo sejam inaugurados?

- Quais são os opróbrios que nos pesam e dos quais Deus, por Sua misericórdia, quer nos libertar?

- Quais são e como são nossos olhares para as pessoas e para o mundo que clama pela acolhida e uma nova oportunidade?


Concluindo, a Misericórdia Divina se manifesta na acolhida, no Amor, no perdão, para que em Cristo sejamos uma nova criatura. 

“Festa, roupa nova, anel e sandálias” (IVDTQC)


“Festa, roupa nova, anel e sandálias”

Iluminados sejamos pelo Sermão do Papa e Doutor da Igreja, São Gregório Magno, sobre o filho pródigo, contida na  passagem do Evangelho (Lc 15,11-32).

“Disse o pai aos seus servos: Trazei depressa a primeira túnica para vestir meu filho. A primeira túnica é a veste abençoada da inocência, que nosso primeiro pai Adão recebeu, tendo sido criado com sabedoria pela mão de Deus, e depois a perdeu sendo enganado pelo demônio.

E assim, após nossos primeiros pais terem pecado conheceram que estavam nus, e como pessoas que haviam perdido aquela glória da imortalidade, revestiram-se de peles de animais mortais.

Pelos servos aos quais o Pai deu esta ordem, entendemos todos os santos pregadores: estes trouxeram a primeira veste, quando com sua santa doutrina não só converteram os homens, mas também mostraram claramente que, guardando a devida justiça em suas obras, seriam sublimados a tanta graça que não seriam apenas cidadãos dos anjos, mas também herdeiros de Deus e coerdeiros de Jesus Cristo.

E colocai um anel nos seu dedo. Este é o costume que, com o anel, sejam seladas as coisas íntimas; e, assim, pelo anel podemos entender o selo da fé, com a qual se selam no coração dos fiéis todas as coisas que da parte de Deus lhes são prometidas.

Também é costume que a esposa confirme com um anel a fidelidade com seu esposo, e assim podemos entender por este anel a graça que Cristo nosso Redentor dá para a Igreja, Sua Esposa.

E diremos, então, que o filho pródigo recebeu o anel quando uniu a si, mediante a fé, a Igreja tirada da gentilidade. E com razão se põe o anel na mão, para mostrar que, com as obras, se confirmará a fé, e com a fé as obras.

E sandálias nos pés. Pelos sapatos entende-se o ofício da pregação, porque assim afirma a Sagrada Escritura quando diz: quão formosos são os pés dos mensageiros da paz, e que pregam o bem; e o glorioso Apóstolo confirmando isto escrevendo de Éfeso diz: tende, irmãos, os pés calçados, e estai preparados para a pregação do santo Evangelho.

Diremos, pois, que voltando o filho pródigo à misericórdia do pai, adornam-lhe os pés e as mãos. Adornam-lhe as mãos para ensinar a nós e a todos os fiéis que vivamos com obras de justiça; e os pés para que, levando em consideração o exemplo dos santos, trabalhemos por caminhar ao céu.

Trazei um novilho gordo e matai-o. Por este novilho gordo entende-se o próprio Filho de Deus, Jesus Cristo, nosso Senhor e Redentor: porque na verdade, para a nossa alma, Sua carne é de uma gordura e virtude espiritual de tão abundante graça, que se nos dispusermos a recebê-la, muito nos confortará no caminho em que peregrinamos, pois só ela foi capaz de apagar os pecados do mundo inteiro.

Mandou, pois trazer o novilho e matar-lhe, na mesma ocasião em que ordenou que os Mistérios de Sua vida santíssima e de Sua morte e paixão fossem publicados pelos santos Apóstolos. Porque parece que este novilho santíssimo acabou de ser sacrificado para alguém, quando de novo volta a crer n’Ele; e então é comido, quando é recebido sacramentalmente na alma limpa, quando se faz memória de Sua paixão com alma limpa.

Este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi encontrado. Deveis observar que disse ‘comamos’, falando em plural, por onde podemos entender que da carne santíssima deste novilho tão santo, não só come o filho que estava morto e reviveu, perdido e foi achado, mas também comeu o pai e os criados de sua casa.

Nisto se vê que nossa conversão e saúde é a alegria do Pai celestial, e Sua alegria é o perdão de nossos pecados. E este gozo não é só do Pai soberano, mas também do Filho e do Espírito Santo, porque a obra, a alegria e o amor da Santíssima Trindade é una.” (1)

Cremos que Deus é misericórdia, e Jesus é o rosto da misericórdia divina. Jesus nas Parábolas da misericórdia (Lucas 15) nos fala da alegria que há nos céus por um só pecador que se converte.

Na própria Parábola comentada por São Gregório Magno, temos a festa promovida pelo pai, pelo fato do filho ter voltado, pois estava perdido e foi encontrado, estava morto e voltou a viver.

São expressivas as palavras finais do Sermão do Papa:
“Nisto se vê que nossa conversão e saúde é a alegria do Pai celestial, e sua alegria é o perdão de nossos pecados. E este gozo não é só do Pai soberano, mas também do Filho e do Espírito Santo, porque a obra, a alegria e o amor da Santíssima Trindade é una”.

E antes, guardemos tempo meditando no simbolismo da veste, anel, sandália e do banquete oferecido, no qual se sacrificou um novilho para comemorar a grande e esperada volta do filho, que o pai soube aguardar com toda paciência, pois a misericórdia de Deus Se revela na paciência e espera de nossa conversão.

(1) Lecionário Patrístico Dominical – Ed Vozes - 2013 – pp. 571-572. 

Deus não quer a morte do pecador (IVDTQC)

                                                      

Deus não quer a morte do pecador

O escritor, poeta e filósofo assim escreveu sobre a parábola do filho pródigo, como é conhecida, ou a “a Parábola do pai misericordioso”, como também podemos chamá-la:

O pai “ama tanto o seu filho que o apanha com um anzol invisível e com uma linha de pesca invisível, que é suficientemente grande para deixá-lo vaguear até aos confins do mundo e, no entanto, fazê-lo regressar com um só puxão de linha”. (1)

Na figura do pai, contemplamos a face e o agir de Deus, que nos ama com o amor infinito, sempre pronto a nos acolher de volta, recriados e renovados por Sua misericórdia, que nos envolve em Sua indizível ternura e desejo de que sejamos felizes; felicidade que somente podemos encontrar, se d’Ele não nos distanciarmos.

Rezemos por quantos estejam afastados do convívio amoroso de Deus, distantes também de nossas comunidades, da Mesa do Pão da Palavra e da Eucaristia.

Repensemos nossa pastoral, para que seja mais acolhedora e misericordiosa, assim como nos ensinou Jesus com as três Parábolas que encontramos, sobretudo, no capítulo 15 do Evangelho de São Lucas.

Seja a Quaresma tempo de reconciliação com Deus e com nosso próximo. Deus está sempre pronto a nos acolher e nos perdoar, oferecendo novas possibilidades, um novo caminho:

“Deus não fecha os olhos com complacente paternalismo, mas abre novo crédito de confiança a nossas responsabilidades e dá a garantia de vencer o mal com o bem. Renova assim no pecador a alegria de viver”. (2)

Participemos da festa dos reconciliados, que experimentam a força e a vida nova que nasce de cada gesto de amor, acolhida e perdão.

Oremos:

“Ó Deus, que pelos exercícios da Quaresma já nos dais na terra participar dos bens do céu, guiai-nos de tal modo nesta vida, que possamos chegar à luz em que habitais. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.”


(1) Lecionário Comentado – Editora Paulus – Volume Quaresma Páscoa – 2011 – p. 132
(2) Missal Cotidiano – Editora Paulus – p. 222

Movidos pelo amor (30/03)

                                                            

Movidos pelo amor

O monge São João Clímaco (séc. VI) nos apresenta, no oitavo degrau da Escada Santa, um fato presenciado que muito nos ilumina sobre o verdadeiro amor, que se estende aos inimigos:

“Um dia vi três monges humilhados de maneira semelhante no mesmo momento. O primeiro ficou imensamente ofendido, perturbou-se, mas guardou o silêncio. O segundo alegrou-se por si mesmo, mas entristeceu-se por quem o insultava. O terceiro só pensou no dano causado ao seu próximo e chorou com extrema compaixão. Um era movido pelo temor, o outro pela esperança da recompensa, o terceiro pelo amor.”

Também nós podemos ser humilhados ou constrangidos, por diversas situações ou por alguém, e podemos ter semelhantes atitudes.

Roguemos a Deus que nos dê a mansidão necessária, para que alcancemos o grau elevado da terceira atitude, a fim de que sejamos movidos pelo amor, choremos por extrema compaixão de quem nos tenha ofendido.

Ainda que nos seja difícil, é a melhor atitude que devemos ter, para que não nos seja roubada a graça e a alegria de perdoar e ser perdoado, inseparavelmente.

De nossos olhos, sejam vertidas lágrimas de compaixão, que  purifiquem nosso olhar e nosso coração, e possamos ver  a presença de Deus no coração de nosso próximo, ainda que nos tenha ofendido. Amém.


PS: citado em Fontes: Os Místicos Cristãos dos primeiros séculos – textos e comentários – Edições Subíaco – p.224
Memória celebrada no dia 30 de março.

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