sábado, 15 de agosto de 2026

Naum: “Ai de ti, cidade sanguinária”

 


Naum: “Ai de ti, cidade sanguinária”

Na sexta-feira da 18ª Semana do Tempo Comum (ano par), ouvimos a passagem do Livro de Naum (Na 2,1.3; 3,1-3;6-7).

O Livro de Naum é caso único entre todos os escritos proféticos do Antigo Testamento.

Composto por três capítulos, são poemas exultantes de militarismo e vingança acerca da queda da capital do grande império assírio, Nínive:

“O canto triunfal pela queda de Nínive é um hino de louvor à justiça de Deus exercida sobre todos os povos.” (1)

Sempre bom lembrar que o império assírio foi um dos mais despóticos e sanguinários, em que a lei da espada e da destruição foram princípios militares básicos.

Nele, não encontramos:

- Características próprias do gênero literário profético, como sejam oráculos condenatórios e salvíficos;

- Chamamento ao arrependimento, à conversão;

- Anúncio de castigo, nenhuma condenação.

No entanto, os poemas de Naum são “a expressão poética e litúrgica dos sentimentos de ódio e sádica vingança com os quais uma vítima contempla a morte do seu assassino”. (2)

Quanto ao profeta Naum, “...apenas sabemos que nasceu em Elcós, que foi um extraordinário poeta e que ninguém o igualou, em todo o Antigo Testamento, quando se tratou de evocar liricamente o assalto e a queda de uma grande cidade.” (3)

Não podemos ficar na leitura superficial do livro, e chegar à conclusão que nada oferece de importante:

“Parece um escrito espiritualmente vazio, repleto de rancores nacionalistas... Naum é um profeta de verdade, e no seu desabafo nacionalista, é manifesta a fé em Deus como senhor da história e dos povos.” (4)

Pelos adjetivos, imagens e sentimentos provocados, o alucinante vigor da sua técnica e realismo das suas invocações, sua obra parece um “quadro impressionista”.

Deste modo, podemos afirmar que Naum foi um “Poeta vigoroso, concreto me conciso, profeta que tinha o culto da verdade, judeu de corpo inteiro, tanto nos seus sentimentos como na sua teologia, passou pelo Novo Testamento sem se dar conta dele. Apesar de seu escrito poder ser considerado como o cumprimento adiantado do dito do Senhor: ‘Todos quantos se servirem da espada morrerão à espada’ (Mt 26,52).   (5).

De fato, Deus conduz a história e é contrário à violência e à opressão.

Iluminador o Comentário do Missal Cotidiano:

“Para os oprimidos Deus é a grande esperança de libertação; porém sua libertação atinge o íntimo do homem, livra-o do desejo da violência e leva-o a viver em paz, a fazer da vida uma festa, a suprimir a maldade. Utopia, dizem. Guerras, violências, rapinas... são a realidade cotidiana. Isto porque os homens menosprezam a Deus quando, memo querendo o bem, não têm força para fazê-lo e recaem no mal. Quando às alianças humanas anteporemos uma sincera e eficiente aliança com Deus?” (6)

Com o Profeta Poeta Naum, temos a expressiva mensagem de que  todos os poderes passam e jamais podem ocupar o lugar de Deus e que, tão somente a Ele pertencem toda a honra, glória, poder e louvor.

De fato, sua misericórdia, bondade, proteção estará sempre conosco. Renovemos nossa confiança e esperança em Deus, por mais adversas as situações que possamos passar.

Concluo citando Santa Teresa D’Avila e Santa Teresa dos Andes, respectivamente, que inspiraram o título desta reflexão:

“Nada te perturbe, nada te espante, tudo passa,
Deus não muda, a paciência tudo alcança; quem a Deus tem nada lhe falta: só Deus basta.”

 

“Só Deus nos basta para sermos felizes. Apalpo a cada instante o que é ser toda de Deus e parece-me que, se agora me fosse necessário passar pelo fogo para consagrar-me a Ele, não titubearia em fazê-lo, pois todos os sacrifícios desaparecem diante da felicidade de possuir a Deus só”.

 

(1) Comentários à Bíblia Litúrgica – Gráfica Coimbra – Palheira – p.736

(2)Idem - p. 735

(3)Idem - p. 735

(4)Idem - p. 736

(5)Idem – p. 736

(6)Comentário Missal Cotidiano – Editora Paulus – p. 1124

 

 

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