quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Quaresma e sagrados compromissos com a Fraternidade – (CF 2026)

 


Quaresma e sagrados compromissos com a Fraternidade – (CF 2026)

Celebremos e vivamos a Quaresma como tempo favorável de conversão e penitência, para que bem nos preparemos para a Celebração da Páscoa do Senhor, Mistério de Morte e Ressurreição – “Arrependei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15), disse Jesus.

Com a Igreja, aprendemos que  a Quaresma não deve ser apenas interna e individual, mas também com dimensão externa e social.

Neste sentido, a Igreja no Brasil realiza todo ano, na Quaresma, a Campanha da Fraternidade (CF) que, longe de esvaziar o sentido quaresmal, dá a ele conteúdo e fecundidade para flores e frutos pascais.

A CF é uma iniciativa concreta para realizarmos ações que dão testemunho de arrependimento e verdadeira conversão nos diversos âmbitos: pessoal, comunitário, eclesial e social.

A CF 2026 tem como Tema  “Fraternidade e Moradia”, e  como lema “Ele veio morar entre nós (cf. Jo 1,14).

Urge refletir sobre a realidade de moradia, e lembramos as palavras do Papa Francisco:

“É bom que todos nos perguntemos: por que estão sem casa estes nossos irmãos? Não têm um teto, por quê?”

Assim lemos no parágrafo n. 13 do Manual da Campanha da Fraternidade deste ano:

“A pergunta por um teto, uma digna moradia, nasce da fraternidade. Só nos incomoda que alguém esteja privado de um teto, carente de uma moradia digna, se reconhecemos nele um irmão...”

Destaco o Objetivo Geral da CF 2026:

“Promover, a partir da Boa-Nova do Reino de Deus e em espírito de conversão quaresmal, a moradia digna como prioridade e direito, junto aos demais bens e serviços essenciais de toda a população.”

E tem como objetivos específicos:

1.   Analisar a realidade da moradia precária, admitida como normal e que culpabiliza os pobres e segrega milhões de pessoas no Brasil.

 

2.     Identificar omissões do poder público e da sociedade civil frente à universalização dos direitos à moradia e à cidade, bem como iniciativas pastorais, governamentais e da organização popular que promovem a moradia.

 

3.     Conscientizar, a partir da Palavra de Deus e do Ensino Social da Igreja, sobre a necessidade sagrada de teto, terra e trabalho para todos.

 

4.     Corrigir a compreensão da moradia como mercadoria, objeto de especulação ou mérito individual.

 

5.     Fortalecer a presença eclesial e o compromisso sociotransformador junto aos mais pobres, caminhando com os movimentos e organizações populares que promovem a moradia.

 

6.     Empenhar-se para efetivar leis e viabilizar políticas públicas de moradia em todas as esferas sociais e políticas.

Fundamental que multipliquemos espaços e encontros para refletir, rezar e encontrar caminhos para darmos sagrados passos para que estes sagrados objetivos se realizem, bem como vivermos os exercícios quaresmais: oração, jejum e esmola, como lemos na passagem do Evangelho de São Mateus (cf. Mt 6, 1-18). Amém.

Quaresma: tempo de conversão e compromisso com a Campanha da Fraternidade

 


Quaresma: tempo de conversão e compromisso com a Campanha da Fraternidade
 
Como Igreja, com a Quarta-feira de Cinzas, iniciamos o Tempo da Quaresma, tempo favorável de graça e salvação, para todos que se põem a caminho com o Senhor.
 
Quaresma vem do latim: quadragésima, e lembra, sobretudo, os quarenta anos do Povo de Deus no deserto e os quarenta dias do Senhor, também no deserto, sofrendo as tentações do maligno do ter (acúmulo), ser (prestígio) e poder (domínio).
 
A Liturgia da Palavra, neste itinerário quaresmal rumo à Páscoa, nos propõe tomar consciência de nossos pecados, em fecunda penitência (como nos ensina a Igreja, que ela seja interna e individual, mas sobretudo externa e social), na prática dos exercícios quaresmais: esmola, oração e jejum (Mt 6, 1-18).
 
É um tempo de quarenta dias vividos na proximidade do Senhor, na entrega a Ele, e com ele podermos vencer estas tentações, perfeitamente configurados ao Seu Mistério de Vida, Paixão, Morte e Ressurreição.
 
E neste Tempo da Quaresma, a Igreja no Brasil realiza, desde 1964, com gestos e compromissos concretos, a Campanha da Fraternidade que, em 2026, traz o tema: “FRATERNIDADE E MORADIA”, e o lema bíblico: "Ele veio morar entre nós" (Jo 1,14).
 
A Campanha da Fraternidade bem compreendida e vivida, com reflexões, aprofundamento, leva, necessariamente, compromissos com a sacralidade da vida e os direitos inalienáveis, dentre eles a de moradia. Fundamental que retomemos o seu objetivo geral e objetivos específicos.
 
Exorto para que se multipliquem encontros, reflexões, momentos de oração para que vivamos uma santa Quaresma e uma corajosa e necessária participação da Campanha da Fraternidade, para bem celebrarmos a Páscoa do Senhor, e cantarmos, alegremente, o Aleluia.

Quarta-feira de Cinzas: iniciaremos o itinerário quaresmal

                                                              

Quarta-feira de Cinzas: iniciaremos o itinerário quaresmal

Com as missas e celebrações da Quarta-feira de Cinzas, iniciamos a caminhada penitencial da Quaresma, com o rito solene e  austero da imposição das cinzas, e deste modo, cumpre-se, mais uma vez, a palavra profética que nelas se proclama: um povo que se reúne para pedir perdão a Deus e para elevar até Ele as suas súplicas; um povo que deseja acolher o convite de conversão, a “rasgar o coração e não as vestes” (cf. Jl 2,12-18); um povo que se deixa ferir pela forte Palavra de Deus, para o regresso a Ele, a quem reconhece como um Senhor “clemente e compassivo, paciente e misericordioso” (Sl 145,8);.

Com a imposição das cinzas, somos interpelados a refletir sobre nossas escolhas, renúncias necessárias, para maior fidelidade ao Senhor, para segui-Lo, carregando nossa cruz de cada dia, em atitude permanente de conversão e resposta a um Deus que nos ama e jamais nos abandona, querendo sempre o melhor para nós.

A mortificação e os sacrifícios a que somos chamados, neste tempo, não são inspirados pelo desprezo da nossa humanidade, mas pelo sincero desejo de reencontrar o que é essencial, a única coisa necessária, Deus, nosso bem maior e fonte de todos os bens que quer nos conceder, a vida plena e feliz.

Supliquemos ao Senhor, para que nos conceda a  graça de começar com o santo jejum o Tempo da Quaresma, a fim de que, no combate contra o espírito do mal, sejamos fortalecidos com o auxílio das virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança, dando testemunho das virtudes divinas que nos movem: fé, esperança e caridade. Amém.

 

Fonte: Lecionário Comentado - Volume Quaresma/Páscoa - Editora Paulus - Lisboa - pp.37-41

Campanha no momento, compromisso sempre! (CF 2026)

 


Campanha no momento, compromisso sempre!


A Igreja no Brasil realiza mais uma Campanha da Fraternidade, com uma proposta extremamente atual e de importância indiscutível.
 
Tema: “FRATERNIDADE E MORADIA”

Lema: “Ele veio morar entre nós ” (cf. Jo 1,14)

Exorto que nos empenhemos em acompanhar, refletir e ajudar a desenvolver esta Campanha, que não se encerra, como se diz, indevidamente, com a Páscoa.

 

Oração da Campanha da Fraternidade 2026 – CNBB

Deus, nosso Pai,

em Jesus, vosso Filho,

viestes morar entre nós e

nos ensinastes o valor da dignidade humana.

 

Nós vos agradecemos

por todas as pessoas e grupos que,

sob o impulso do Espírito Santo,

se empenham em prol da moradia digna para todos.

 

Nós vos suplicamos:

dai-nos a graça da conversão,

para ajudarmos a construir uma sociedade mais justa e fraterna,

com terra, teto e trabalho para todas as pessoas,

a fim de, um dia, habitarmos, convosco, a casa do céu.

Amém.

 

PS: A Campanha da Fraternidade inicia na Quarta-feira de Cinzas.

 

O sentido das Cinzas

                                                

  O sentido das Cinzas

Receber a cinza, na Missa da Quarta-Feira de Cinzas, não é receber vacina ou remédio. A Cinza que recebemos é para lembrar-nos que temos que viver a Quaresma no jejum, na oração e na penitência: “Convertei-vos e crede no Evangelho!" (Mc 1,15); e ainda: " “Lembra-te que és pó e ao pó voltarás”.

A cinza é produzida pela queima dos ramos do Domingo de Ramos do ano anterior. Isto quer dizer que eu vivi um ano com Jesus. O ramo com o qual O aclamamos, voltamos a recebê-lo em cinza até a próxima "Entrada em Jerusalém".  

Cinza na cabeça, significa que temos que ser melhores: Deus merece que sejamos melhores a cada dia.

Quaresma: Tempo de Graça e Reconciliação

Quaresma: Tempo de Graça e Reconciliação

Iniciamos o Tempo Litúrgico da Quaresma, Tempo de conversão e prontidão ao chamado divino. 

E, é com estas Palavras do Apóstolo que a Igreja nos convida a viver este Tempo frutuoso: “Em nome de Cristo suplicamo-vos: reconciliai-vos com Deus... Como Seus colaboradores, exortamo-vos a não receber em vão a graça de Deus.

Pois Ele diz: No tempo favorável ouvi-te e, no dia da salvação, vim em teu auxílio. É este o tempo favorável, é este o dia da salvação” (2 Cor 5,20 – 6 2 – cf. na íntegra).

Nisto consiste a Quaresma, tempo favorável de nossa conversão, meditação e aprofundamento do Mistério da Vida, Paixão e Morte de nosso Senhor, para que, também a Ele configurados neste Mistério, trilhemos para a desejada Páscoa, como a mais bela Vitória de Sua Ressurreição.

Não podemos receber em vão a graça de Deus, como bem nos falou o Apóstolo. É preciso, como os Profetas, dizer sim a Deus que Se nos revela em cada instante, do mesmo modo que nos chama, envia, acompanha e garante o êxito na missão.

Entretanto, para que o Projeto de Deus Pai verdadeiramente aconteça, na fidelidade a Jesus, abrindo-se sempre ao Espírito Santo, protagonista principal da Evangelização, a Ele devemos responder como fez o Profeta Isaías: “Eis-me aqui, envia-me a mim” (Is 6,8).

Como resposta ao convite de reconciliação com Deus e com os irmãos, urge nos colocarmos em atitude generosa e alegre nas diversas atividades pastorais, dentro e fora dos espaços da comunidade, vivendo a caridade como expressão de nossa fé, dando conteúdo sólido à nossa esperança.

Inspirados no Profeta Isaías, é necessário, como Igreja, olhar para a realidade de nossa juventude, refletir sobre a mesma e procurar caminhos para que os jovens reencontrem seu espaço e missão na Igreja e no mundo. 

A primavera da Igreja é possível quando não fechamos os olhos, coração e ouvidos para a realidade da juventude e, juntos, somamos e multiplicamos as riquezas e diferenças possíveis entre eles e os que não são mais sociologicamente jovens, mas carregam a chama e a beleza da alegria, do sonho, da força e o ardor da juventude.

Inseridos na realidade social, o cristão há de ser uma voz profética na defesa da vida, de sua dignidade, de nossos direitos inalienáveis. Empenhados com a justiça e a vida para que esta seja mais humana e fraterna. 

Não podemos ficar indiferentes aos novos espaços da comunicação da Palavra divina, e através deste meio, continuamos buscando reflexões que nos ajudem a acolher a preciosa proposta de conversão e busca do Sacramento da Penitência e reconciliação, que a Quaresma nos oferece.

Acolhamos a graça de Deus sequioso de água cristalina, mas para isto, de nada adiantam mudanças superficiais, é preciso “rasgar nosso coração”, como nos fala o Profeta Joel, rompendo com tudo que nos escravize, para maior fidelidade ao Projeto Divino. E, assim, vivendo a graça batismal, seremos Profetas, Sacerdotes e Reis. 

Com lábios e coração puros, aos céus nossas palavras subirão, e nossa vida e missão serão uma contínua e corajosa resposta ao Senhor: “Eis-me aqui, envia-me a mim".

A Quarta-feira de Cinzas no Mistério da Fé

                                                     

A Quarta-feira de Cinzas no Mistério da Fé
 
Com a Quarta-feira de Cinzas, a Igreja inicia a Quaresma, Tempo favorável da Salvação, e os fiéis recebem as Cinzas como sinal que vem da tradição Bíblica, (2Sm 13,19; Est 4,1; Jó 42,6; 1 Mc 3,47 e Lm 2,10), e que se tem mantido até os nossos dias, na Tradição da Igreja.
 
As Cinzas significam a condição da pessoa que é pecadora, confessando a sua culpa diante do Senhor. Exprimem a vontade de conversão, confiando na bondade do Senhor, paciente e cheio de misericórdia. Por este sinal começamos a percorrer o caminho da conversão, cujo ponto alto se dará na Celebração Penitencial, durante o Tempo Quaresmal.
 
A Cinza não é vacina nem mágica! Não cura doenças, não afasta os pecados do carnaval. Usar Cinzas na cabeça para significar que a pessoa está disposta a se comprometer com a Quaresma, que ela quer realizar sua própria transformação para a fraternidade, colaborando para a transformação da própria sociedade.
 
Deste modo, nos desafia a temática da Campanha da Fraternidade com o tema: “Fraternidade e Moradia", iluminado pelo lema: "Ele veio fazer morada entre nós" (cf. Jo 1,14).
 
Na Quarta-feira de Cinzas, a Liturgia da Palavra (Mt 6,1-18) nos convoca para os exercícios Quaresmais de conversão e que envolvem as relações fundamentais do ser humano.
 
Jesus nos aponta o caminho da autêntica e frutuosa prática da Oração, jejum e caridade, e tão somente assim firmamos nossos passos no  caminho de aperfeiçoamento espiritual desejável com esforços para a necessária santificação, como discípulos missionários seus.
 
Vejamos em que estas práticas consistem:
 
A Oração:
Trata-se do relacionamento da criatura com o Criador, através da oração, viver e intensificar a profunda relação filial com Deus;
 
A Esmola:
Trata-se do relacionamento da criatura com o seu próximo, através da partilha, sobretudo com os mais necessitados;
 
O Jejum:
Trata-se do relacionamento da criatura com a natureza, com os bens criados por Deus.
 
O homem e mulher são senhores de todos os bens. Através do jejum, sentem na pele a necessidade do outro. Sentem-se interpelados a fazer com que todos participem dos frutos da criação e do trabalho humano.
 
Quaresma, quarenta dias que nos lembrarão do Povo de Deus caminhando quarenta anos pelo deserto; também os quarenta dias que o Senhor Jesus ficou no deserto enfrentando as armações e tentações diabólicas do ser, ter, poder. Vencendo o maligno nos mostrou o caminho a percorrer.
 
Trata-se, portanto, de percorrer um itinerário que nos configura mais perfeitamente a Jesus Cristo, no Mistério de Sua Paixão, Morte e Ressurreição.
 
Concluo com as palavras do Bispo São Pedro Crisólogo (séc. V), que nos ajuda neste aprofundamento:
 
“Há três coisas, meus irmãos, três coisas que mantêm a fé, dão firmeza à devoção e perseverança à virtude. São elas a Oração, o Jejum e a Misericórdia. O que a Oração pede, o Jejum alcança e a Misericórdia recebe".

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG