sábado, 24 de outubro de 2026

Sejamos inflamados pelo Amor Divino

                                                       

Sejamos inflamados pelo Amor Divino


Sejamos enriquecidos pelos escritos do Bispo Santo Antônio Maria Claret (sec. XIX).

“Impelidos pelo fogo do Espírito Santo, os Apóstolos percorreram o orbe da terra. Incendiados do mesmo fogo, os missionários apostólicos chegaram, chegam e chegarão até o fim do mundo, de um extremo da terra a outro, para anunciar a Palavra de Deus, podendo, assim, com justiça dizer de si mesmos as palavras do Apóstolo Paulo: O amor de Cristo nos impele (2Cor 5,14).

A caridade de Cristo estimula, incita-nos a correr e voar com as asas do santo zelo. Quem ama a Deus de verdade, também ama o próximo. O verdadeiro zeloso é o mesmo que ama, mas em grau maior, conforme o grau de amor: quanto mais arde de amor, tanto mais é impelido pelo zelo. 

Se alguém não tem zelo, testemunha por isto que em seu coração o amor, a caridade se extinguiu. Quem tem zelo deseja e faz as maiores coisas e se esforça para que Deus seja sempre mais conhecido, amado e servido nesta e na outra vida, já que este amor sagrado não tem fim. 

O mesmo faz com o próximo: sua ambição e esforço são para que na terra todos estejam contentes, e na pátria celeste felizes e ditosos; que todos se salvem, nenhum pereça eternamente nem ofenda a Deus, nem permaneça mesmo por breve instante no pecado. É isto que vemos nos Santos Apóstolos e em todos os que são movidos pelo espírito apostólico.

A mim mesmo eu digo: um filho do Imaculado Coração de Maria é aquele que arde de caridade e, por onde quer que passe, incendeia; que deseja eficazmente, por todos os meios, que todos os homens se inflamem com o fogo do Amor Divino. 

Não se amedronta com coisa alguma; goza com as privações; vai ao encontro dos trabalhos; abraça as tristezas; nas calúnias está contente; alegra-se nos tormentos; pensa unicamente em como seguir e imitar Jesus Cristo, rezando, trabalhando, sofrendo sempre e unicamente preocupado com a glória e a salvação dos homens”.

Santo Antônio Maria Claret fundou a Congregação dos Missionários Filhos do Coração Imaculado de Maria (Claretianos). 

Com o texto acima, somos convidados a crescer no amor por Cristo, fortalecendo nossos passos como peregrinos da esperança.

Sejamos verdadeiramente impelidos a assumir com ardor a missão que recebemos em nosso Batismo, fazendo progressos na devoção Mariana, como a Igreja nos exorta, para que ela não seja estéril.

Renovemos a cada dia nossa fidelidade ao Senhor, com renúncias necessárias, inflamados pelo Amor do fogo do Espírito, para anunciar por todo o mundo a Boa Nova do Reino.

PS: Memória celebrada dia 24 de outubro

Em poucas palavras...

                                       


“É ainda tempo de conversão...”

“É ainda tempo de conversão... Deus cuidou de nós, uma e outra vez, como de uma árvore que parece totalmente incapaz de dar fruto.

O jardineiro, porém, sente pena. Deus tem pena dos homens e cuida deles, uma vez mais, por meio da mensagem e da esperança de Jesus. Se não correspondemos a esses cuidados, o machado da destruição cairá sobre nós.” (1)

 

 

(1) Comentários da Bíblia Litúrgica – Gráfica de Coimbra 2 – p. 1149 – passagem do Evangelho de Lucas (Lc 13,1-9)

 

A essência do ser cristão: Amar como Jesus amou

                                                            

A essência do ser cristão: Amar como Jesus amou
 
Reflitamos sobre o maior Mandamento da Lei, e sejamos iluminados pelo escrito do Bispo e Mártir São Cipriano (séc. III):
 
“A vontade de Deus é aquela que Cristo cumpriu e ensinou: a humildade no comportamento, a firmeza na fé, o respeito nas palavras, a retidão nas ações, a misericórdia nas obras, a moderação nos costumes, o não ofender os outros e tolerar aquilo que nos fazem, o conservar a paz com os nossos irmãos: amar ao Senhor de todo o coração, amá-Lo enquanto Pai, temê-Lo enquanto Deus; o não preferir nada a Cristo, já que Ele nada preferiu a nós; o manter-nos inseparavelmente unidos ao Seu Amor, o estar junto à Cruz com fortaleza e confiança; e, quando está em jogo o Seu nome e Sua honra, mostrar em nossas palavras a constância da fé que professamos; nos tormentos, a confiança com que lutamos, e na morte, a paciência que nos obtém a coroa.
 
Isto é querer ser coerdeiro de Cristo, isto é, cumprir o Preceito de Deus e a vontade do Pai.
 
Pedimos que se faça a vontade de Deus no céu e na terra: ambas as coisas pertencem à consumação de nossa incolumidade e salvação.
 
Pois ao ter um corpo terreno e um espírito celeste, somos ao mesmo tempo céu e terra, e, em ambos, isto é, no corpo e no espírito, pedimos que se faça a vontade de Deus.
 
Porque existe guerra declarada entre a carne e o espírito, e um antagonismo diário entre os dois oponentes, de maneira que não fazemos o que queremos, porque enquanto o espírito deseja o celestial e divino, a carne se sente arrastada pelo terreno e temporal.
 
Por isso, pedimos que, com o socorro e o auxílio divino, reine a concórdia entre os dois setores em conflito, de modo a cumprir-se a vontade de Deus tanto no espírito como na carne, possa salvar-se a alma renascida por Ele no Batismo.
 
É o que aberta e claramente declara o Apóstolo Paulo, dizendo: ‘Porque os desejos da carne se opõem ao do Espírito, e estes aos da carne. Pois são contrários uns aos outros. É por isso que não fazeis o que quereríeis.
 
Ora, as obras da carne são estas: fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, superstição, inimizades, brigas, ciúmes, ódio, ambição, discórdia, partidos, invejas, bebedeiras, orgias e outras coisas semelhantes.
 
Destas coisas vos previno como já preveni: os que praticarem não herdarão o Reino de Deus! Ao contrário, o fruto do Espírito é: caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança’. (cf. na íntegra Gl 5, 13-26).
 
Por isso, com Oração cotidiana e até continua, temos de pedir que no céu e na terra se cumpra a vontade de Deus sobre nós. Porque esta é a vontade de Deus: que o terreno dê lugar ao celestial e que prevaleça o espiritual e o divino”. (1)
 
Como vemos é uma exortação para que nada prefiramos a não ser Jesus Cristo, vivendo segundo o Espírito.
 
Assim vivendo, teremos do Senhor mesmos pensamentos e sentimentos, de modo que poderemos dizer como o Apóstolo Paulo: “Para mim o viver é Cristo” (Fl 1,21)
 
Na vinha do Senhor, muitos são chamados, mas poucos são os que dão resposta generosa e decidida, exatamente pelas provações, exigências próprias de um autêntico discipulado, que não acontece sem a cruz, inevitável para o alcance da glória eterna.
 
Deste modo, autênticos discípulos do Senhor seremos se soubermos dar nossa resposta generosa e decidida, exatamente pelas provações, exigências próprias de um autêntico discipulado, que não acontece sem a cruz, inevitável para o alcance da glória eterna.
 
Urge que não percamos a essência do ser cristão, e que a graça de Deus seja abundantemente em nós derramada, para nos colocarmos no caminho com o Senhor, vivendo os inseparáveis Mandamentos como distintivos do ser cristão, para que nosso discipulado seja fecundo.
 
 
 
(1) Lecionário Patrístico Dominical - Editora Vozes - 2013 - p.225.
PS: Oportuno para reflexão das passagens: Mt 21,29-32; Mt 22,34-40; Mc 12,28b-34
 
 


O Mandamento do Amor é o nosso distintivo!

                                                  

O Mandamento do Amor é o nosso distintivo!

“Amor que desconhece barreiras e limites...”

O Mandamento do Amor é a proposta essencial do cristianismo: “Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei.” (Jo 13,13,31-33a.34-35). A identidade cristã passa pela intensidade e profundidade de como e do quanto se ama o próximo. Deste modo, nos reconhecerão como discípulos do Senhor.

A nossa identidade não é uma filosofia, conjunto de ideologias... Não somos meros cumpridores da lei; cumpridores da prática de ritos em si mesmo.

O discípulo de Cristo é marcado pelo doar-se totalmente, como Ele o fez: Amou-nos até o fim, até as últimas consequências e continua nos amando...

O Mandamento do Amor não é conselho ou condição, é imperativo! Foi dado, a nós, pelo Senhor. Amar na alegria e na tristeza, nos momentos bons e difíceis, amar o igual e o diferente, amar mesmo sem ser amado...

Amor que desconhece barreiras e limites... Amor que supera preconceitos, discriminações.

Assim é o amor cristão, o novo Mandamento, porque é o amor vivido como Ele viveu, e não segundo nossos mesquinhos conceitos e critérios.

A partir desta fé, inaugura-se um relacionamento que transforma a si mesmo e todos os que estão a sua volta, culminando na renovação de todas as estruturas geradoras de lágrimas, luto, dor e sofrimento.

A fé na Ressurreição de Cristo nos convoca a nossa própria renovação, bem como de todas as estruturas do mundo, para ser a expressão de uma Aliança que deu certo.

 Ø   Jesus, plenitude do Amor de Deus por nós, teria morto em vão?

O amor e a alegria de sermos partícipes de um novo céu e de uma nova terra devem estar presentes em nós e em nossas comunidades, de modo que os ministérios na comunidade estejam a serviço do Reino.

Tudo se torna mais belo e grandioso quando nos pomos a servir a comunidade e não nos servir da mesma.

Ser discípulo é ser testemunha, no mundo, do Amor de Deus, na fidelidade, acolhida, partilha e serviço...  É ser marcado pelo entusiasmo, generosidade, solidariedade, no respeito à liberdade, no sentido mais pleno e belo que se possa dizer...

A vida cristã se move a partir da novidade da Ressurreição, construindo o novo céu e a nova terra, a Jerusalém Celeste, a utopia que nos move.

A utopia que nos faz crescer a cada dia no Mandamento fundamental que nos identifica com Ele, Jesus!

Eis o grande desafio: a construção de uma comunidade escatológica que experimente sinais do Reino, e ainda que não plenamente, mas experimente...

Por isto uma comunidade alegre e consciente de que o horizonte de um mundo novo, renovado, transformado, com vida e dignidade, marcado pela fraternidade e paz, é possível...

Amemos como Jesus nos amou! Exigência fundamental para aquele que n’Ele crê! Amar, não na nossa medida, mas na medida em que Ele nos amou! A maneira de Jesus nos amar ultrapassa a nossa maneira de amar.

A nossa religião é a religião do amor, se não o for não terá mais razão de ser, de existir...

Amar é condição para pertencer a Comunidade de Jesus, e assim, descobrirão através de nossa vida, relacionamentos e testemunhos, a presença e a vida do Amor de Deus em nós!

Eis a força que nos move: 
Ser, no mundo, sinal vivo do Deus que ama!

Amor que ultrapassa nossa humana compreensão,
Porque Amor de Divina condição!
Amém. Aleluia!


PS: Apropriado para a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 22,34-40)

“Não deixemos que nos roubem a esperança”

                                                          


“Não deixemos que nos roubem a esperança”

Vivendo tempos sombrios, marcados por tantos sinais de dor e sofrimento, corrupção, prantos e morte, retomemos o parágrafo da Exortação Evangelli Gaudium, parágrafo n.86, no qual o Papa Francisco nos exortou a não perdermos a esperança:

“É verdade que, nalguns lugares, se produziu uma «desertificação» espiritual, fruto do projeto de sociedades que querem construir sem Deus ou que destroem as suas raízes cristãs. Lá, «o mundo cristão está a tornar-se estéril e se esgota como uma terra excessivamente desfrutada que se transforma em poeira».

Noutros países, a resistência violenta ao cristianismo obriga os cristãos a viverem a sua fé às escondidas no país que amam. Esta é outra forma muito triste de deserto. E a própria família ou o lugar de trabalho podem ser também o tal ambiente árido, onde há que conservar a fé e procurar irradiá-la.

Mas «é precisamente a partir da experiência deste deserto, deste vazio, que podemos redescobrir a alegria de crer, a sua importância vital para nós, homens e mulheres. No deserto, é possível redescobrir o valor daquilo que é essencial para a vida; assim sendo, no mundo de hoje, há inúmeros sinais da sede de Deus, do sentido último da vida, ainda que muitas vezes expressos implícita ou negativamente.

E, no deserto, existe, sobretudo, a necessidade de pessoas de fé que, com suas próprias vidas, indiquem o caminho para a Terra Prometida, mantendo assim viva a esperança». Em todo o caso, lá somos chamados a ser pessoas-cântaro para dar de beber aos outros.

Às vezes o cântaro transforma-se numa pesada cruz, mas foi precisamente na Cruz que o Senhor, trespassado, Se nos entregou como fonte de água viva. Não deixemos que nos roubem a esperança!”

Oremos:

Senhor Jesus, concedei-nos a graça de cultivar a virtude divina da esperança, que se constitui em um distintivo dos cristãos, discípulos missionários Vossos, em meio às provações e contrariedades.

Senhor Jesus, renovai em nós a confiança em Vossa Palavra e poder, pois cremos que a última palavra é a Vossa, pois Vós tendes Palavras de vida eterna, que nos orientam e nos firmam os passos nesta travessia do deserto árido de nossa história.

Senhor Jesus, ajudai-nos a aprofundar nossas raízes, não em nós mesmos, mas em Vós, no amor de Vosso Pai, nutridos pela Seiva de Amor do Vosso Espírito, suportemos também as podas necessárias para produzirmos saborosos frutos de amor, vida e paz.

Senhor Jesus, que tão apenas em Vós confiemos, pois “Mais vale refugiar-se no Senhor do que confiar nos poderosos” (Sl 117,9), pois cremos, como disse Vosso Apóstolo: – “Se Deus é por nós, quem estará contra nós?” (Rm 8,31).

Senhor Jesus, não deixeis jamais que nos roubem a esperança, para que jamais nos percamos no caminho, e tenhamos sempre à nossa frente, o horizonte do inédito a ser buscado, construído, sem esmorecimentos, vacilações e recuos. Amém.

Fidelidade e prática dos Mandamentos divinos

                                


Fidelidade e prática dos Mandamentos divinos

Sejamos enriquecidos pelo Tratado contra as heresias escrito por Santo Irineu de Lião (séc. II).

“A tradição dos seus maiores que eles fingiam observar como derivada da Lei era contrária à Lei dada por Moisés. Por isso disse Isaías: Teus taverneiros colocam água no vinho, indicando que ao austero preceito de Deus os maiores tinham misturado uma tradição aguada, isto é, uma lei adulterada e contrária à Lei, como o manifestou o Senhor, dizendo-lhes: Por que vós anulais o mandamento de Deus por causa da vossa tradição?

E não só anularam a Lei de Deus por suas transgressões, colocando água no vinho, mas erguendo contra ela sua própria lei, lei que ainda hoje se chama ‘farisaica’. Nesta lei tiram algumas coisas, acrescentam outras e interpretam não poucas ao seu bem-querer. De tudo isto se servem particularmente os seus próprios mestres.

Querendo reivindicar tais tradições, não quiseram submeter-se à Lei de Deus que os orientava para a vinda de Cristo; antes, recriminavam ao Senhor porque curava em sábado, coisa que certamente - como já vimos - a Lei não proibia, já que, de certo modo, ela também curava, prescrevendo a circuncisão naquele dia; porém, cuidavam-se muito bem de acusarem a si mesmos por transgredir o preceito em nome de sua tradição e da mencionada ‘lei farisaica’, não levando em conta o principal mandamento da Lei, que é o amor a Deus.

Sendo este o primeiro e principal preceito e o segundo o amor ao próximo, o Senhor ensinou que toda a Lei e os profetas dependem destes dois mandamentos. E Ele mesmo não nos deu nenhum mandamento maior do que este, mas o renovou, ordenando aos seus discípulos amar a Deus de todo o coração e ao próximo como a si mesmos.

E Paulo diz que o amor é o cumprimento perfeito da Lei, e quando desaparecem os demais carismas, permanecerão a fé, a esperança e o amor, porém o maior dos três é o amor; e que o conhecimento sem o amor de Deus não tem valor nenhum, nem  conhecer todos os segredos, nem a fé, nem a profecia, visto que tudo é tolice e vaidade sem o amor; que o amor torna o homem perfeito, e quem ama a Deus é um homem perfeito neste mundo e no futuro: porque jamais deixaremos de amar a Deus, mas quanto mais o contemplemos, mais o amaremos.

Sendo, portanto, na Lei e no Evangelho o primeiro e maior mandamento é o mesmo, isto é, amar o Senhor Deus de todo o coração, e o segundo, semelhante a ele, amar o próximo como a si mesmo, é evidente que um só e o mesmo é o Autor tanto da Lei como do Evangelho. Assim, sendo os mesmos, em ambos os Testamentos, os mandamentos fundamentais da vida, apontam para um mesmo Senhor, o qual deu, é verdade, preceitos particulares adaptados a cada Testamento, porém propôs em ambos alguns mandamentos comuns, os mais importantes e sublimes, sem os quais não é possível salvar-se.” (1)

Tanto na Lei como no Evangelho, o primeiro e principal mandamento é amar a Deus, que não se separa do segundo mandamento que se expressa no amor ao próximo como Jesus Cristo nos falou na passagem do Evangelho de Mateus (Mt 22,34-40).

Trata-se, portanto. de um duplo preceito inseparável que devemos viver na relação com Deus e com nosso próximo, que nos credencia, se vividos, caminhar para a eternidade. Amém.

  

(1) Lecionário Patrístico Dominical - Editora Vozes - 2013 - pp. 458-459

PS: Oportuno para a reflexão da passagem do Evangelho de Marcos (Mc 12,28b-34).

Presbítero: graça e missão

                                                           

Presbítero: graça e missão
 
“Irmãos, cuidai cada vez mais de confirmar a vossa vocação e eleição. Procedendo assim, jamais tropeçareis. Desta maneira vos será largamente proporcionado o acesso ao reino eterno de Nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo” (2Pd 1,10-11)
 
Reflexão sobre o Ministério Presbiteral à luz das passagens bíblicas do Livro do Levítico (Lv 13,1-2.44-46) e do Evangelho de Marcos  (Mc 1,40-45).
 
Acometido pela lepra, a pessoa vivia uma situação dramática; e esta enfermidade era utilizada para caracterizar todo tipo de sofrimento relativo à pele, que deforma a aparência da pessoa. Era o que havia de mais grave sobre “impureza”.
 
Reflitamos sobre como conceber o Ministério Presbiteral, para que seja a expressão da misericórdia divina.
 
Deus não exclui, ao contrário integra a todos na comunhão mais que querida. Esta foi a ação de Deus no Antigo e no Novo Testamento através da prática do Amor Encarnado, Jesus Cristo.
 
Jesus acolhe com Amor: toca, cura, liberta, renova, restaura, reintegra aquele homem acometido de terrível mal que o condenava como pecador, marginalizado, amaldiçoado, excluído, indigno, fora da Bênção de Deus, numa palavra, um pecador maldito.
 
A prática de Jesus confirma a lógica de Deus que não marginaliza ninguém, e bem diferente é a lógica humana, que de modo geral vai noutro sentido.
 
Jesus com Sua prática Se contrapõe àquilo que em nome de Deus cria mecanismos de rejeição, exclusão e marginalização.  Ele é a manifestação da compaixão, do Deus cheio de Amor.
 
O gesto de Jesus revela Amor e solidariedade. Com a cura do leproso, e outros sinais é a certeza de que o tempo se completou, o Reino de Deus se faz presente no meio dos homens, sem racismos, exclusões.
 
A cura do leproso é a chegada de um novo tempo inaugurado por Jesus, que toma para Si as dores e sofrimentos de toda a humanidade.
 
Note-se que o leproso curado ao ser enviado ao templo para confirmar a sua cura, imediatamente se põe a anunciar as maravilhas alcançadas.
 
Também o Apóstolo Paulo fez o caminho de conversão. De ser escolhido amado e enviado por Deus. Sua vida nos ensina que Jesus é modelo de obediência e entrega, e o tem como fonte de vida. Assim deve fazer todo cristão. Para o Apóstolo o amor por Jesus torna tudo relativo e Ele é a fonte da mais madura liberdade.
 
Paulo, pelo amor que tudo subordina, faz da própria vida um dom. Assim deve ser a vida do discípulo missionário do Senhor. Assim deve acontecer com todo aquele que se sente acolhido, amado, tocado, curado, perdoado, liberto pela ação misericordiosa de Deus: tornar-se um alegre discípulo missionário do Reino.
 
Na passagem do Evangelho, vemos que no mesmo instante que foi curado, pelo poder curador de Deus, através de  um simples contato humano, que se trata, no entanto, de um gesto corajoso do Filho de Deus para restituir a vida a um homem desesperado.
 
Este gesto servirá de testemunho, pois o leproso curado não poderá calar o amor que lhe restituiu a vida.
 
Da mesma forma, todo o Presbítero, é por excelência o homem que experimentou o particípio do Amor de Deus e é chamado para prolongar tantas maravilhas em infinitivos infinitos.
 
O Padre é alguém que foi chamado por Deus; acolhido, escolhido, amado, curado, tocado, formado, ordenado, consagrado, enviado...
 
Assim foi como acolhido, acolher cada irmão e irmã, sem nenhuma discriminação ou preferência para ajudar o Povo de Deus a perceber o quanto também Deus os escolheu para produzir frutos saborosos nesta Vinha que é a própria Igreja, com podas necessárias, como bem nos fala o Evangelho de São João (Jo 15).
 
Assim como foi por Deus amado, é o Ministro do Amor por excelência. Se não comunicar e não testemunhar o amor está condenado a viver um Ministério sem vida, alegria, sabor, graça e sentido.
 
Assim como foi curado, e o é todos os dias, em cada Eucaristia é o Ministro da cura de tantos males que roubam a alegria e a vida do rebanho a ele confiado.  Ministro da cura por excelência, Ministro da cura porque comunicador da vida nova do Espírito.
 
Assim como foi tocado um dia por um amor em forma de chama, deve a todos tocar, com sua palavra e gestos, a vida de cada membro da comunidade. Não poderá ser o gélido toque de quem não crê; nada espera e não ama de verdade, sem nenhum outro interesse a não ser o pleno cumprimento da Lei.
 
Teve a graça de ser formado, teve a graça de aprofundar a sabedoria como saber, soma de conhecimentos, mas tem que ser formado na sabedoria como sabor; sabor de vida, ternura, dignidade, perdão, paz, fraternidade, comunhão. Há a sabedoria do saber, mas há a sabedoria do sabor, na qual os pequenos são preciosos mestres.
 
Com o Sacramento da Ordem não pode ter nenhuma tentação de prestígio, poder, sucesso, riqueza. 
 
Contempla o Amor de Deus que a todos acolhe sem excluir ninguém do Seu convívio, da Sua bondade, e deste modo, é ordenado para arrebanhar, conduzir, santificar, ensinar, governar. 
 
Deve conduzir o rebanho para verdes pastagens, como homem do Banquete Eucarístico e da Palavra que fortalece, orienta e ilumina.
 
Como consagrado e enviado tem uma missão especial: é enviado para comunicar a semente do Verbo; espalhar Boa Nova do Evangelho em tantos corações; Enviado para que ensine e ajude a humanidade a viver tudo o que Jesus nos ensinou (Mc 16, 19)
 
Assim fez Jesus para com o leproso, assim haverá de fazer todo discípulo Seu, e de modo especial aquele a quem Ele chamou para ser Presbítero de Sua Igreja.
 
Deste modo, o Presbítero é para toda a comunidade um alegre testemunho de quem foi também por Deus amado e curado, e a comunidade vendo assim o presbítero, também se sentirá amada e encorajada a fazer o mesmo caminho, celebrando devotamente a Eucaristia.
 
Ele é alguém que se sente amado para amar muito mais do que para ser amado, na mais bela e fecunda expressão do Mandamento que nosso Senhor nos deixou: amar a Deus e ao próximo como Ele nos amou.
 


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