sábado, 12 de setembro de 2026
Eternos aprendizes do perdão (XXIVDTCA)
Em poucas palavras... (XXIVDTCA)
Eucaristia e Penitência
“Eucaristia e Penitência. A conversão e a penitência cotidianas têm a sua fonte e alimento na Eucaristia: porque na Eucaristia torna-se presente o sacrifício de Cristo, que nos reconciliou com Deus: pela Eucaristia nutrem-se e fortificam-se os que vivem a vida de Cristo: «ela é o antídoto que nos livra das faltas cotidianas e nos preserva dos pecados mortais» (Concílio de Trento).” (1)
(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo 1436
Em poucas palavras...(XXIVDTCA)
O amor de Deus é eterno
“O amor de Deus é «eterno» (Is 54, 8): «Ainda que as montanhas se desloquem e vacilem as colinas, o meu amor não te abandonará» (Is 54, 10). «Amei-te com amor eterno: por isso, guardei o meu favor para contigo» (Jr 31, 3).”
(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 220
Rezando com os Salmos - Salmo 102 (103) (XXIVDTCA)
Contemplemos a bondade divina
“–1 Bendize, ó minha alma, ao Senhor,
e todo o meu ser, Seu santo nome!
–2 Bendize, ó minha alma, ao Senhor,
não te esqueças de nenhum de seus favores!
–3 Pois Ele te perdoa toda culpa,
e cura toda a tua enfermidade;
–4 da sepultura Ele salva a tua vida
e te cerca de carinho e compaixão;
–5 de bens ele sacia tua vida,
e te tornas sempre jovem como a águia!
–6 O Senhor realiza obras de justiça
e garante o direito aos oprimidos;
–7 revelou os Seus caminhos a Moisés,
e aos filhos de Israel, Seus grandes feitos.
–8 O Senhor é indulgente, é favorável,
é paciente, é bondoso e compassivo.
–9 Não fica sempre repetindo as Suas queixas,
nem guarda eternamente o Seu rancor.
–10 Não nos trata como exigem nossas faltas,
nem nos pune em proporção às nossas culpas.
–11 Quanto os céus por sobre a terra se elevam,
tanto é grande o seu amor aos que o temem;
–12 quanto dista o nascente do poente,
tanto afasta para longe nossos crimes.
–13 Como um pai se compadece de seus filhos,
o Senhor tem compaixão dos que o temem.
–14 Porque sabe de que barro somos feitos,
e se lembra que apenas somos pó.
–15 Os dias do homem se parecem com a erva,
ela floresce como a flor dos verdes campos;
–16 mas apenas sopra o vento ela se esvai,
já nem sabemos onde era o seu lugar.
–17 Mas o amor do Senhor Deus por quem o teme
é de sempre e perdura para sempre;
– e também Sua justiça se estende
por gerações até os filhos de seus filhos,
–18 aos que guardam fielmente Sua Aliança
e se lembram de cumprir os Seus preceitos.
–19 O Senhor pôs o seu trono lá nos céus,
e abrange o mundo inteiro Seu reinado.
=20 Bendizei ao Senhor Deus, Seus anjos todos,
valorosos que cumpris as suas ordens,
sempre prontos para ouvir a sua voz!
–21 Bendizei ao Senhor Deus, os Seus poderes,
Seus ministros, que fazeis Sua vontade!
=22 Bendizei-O, obras todas do Senhor
em toda parte onde se estende o Seu reinado!
Bendize, ó minha alma, ao Senhor!”
O Salmo 102(103) é um hino de louvor à bondade e misericórdia divinas:
“A misericórdia divina age em nossa vida e na história. Deus nos preserva de muitos males, nos enche de benefícios e com clemência nos perdoa.” (1)
Glorifiquemos a Deus por sua bondade, paciência e compaixão em todo o tempo, ainda que por momentos difíceis possamos passar, pois Ele vem sempre ao nosso encontro em todo o tempo:
“Graças à misericordiosa compaixão do nosso Deus, o sol que nasce do alto nos veio visitar (cf. Lc 1,78). Amém.
(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB – p. 813
A parábola do servo sem compaixão ” (XXIVDTCA)
A parábola do servo sem compaixão
Aprofundando a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 18,21-35); voltemo-nos para a Bula “Misericordiae Vultus”, do Papa Francisco, quando da declaração do Ano da Misericórdia (08/12/15 - 20/11/16).
“Temos depois outra parábola da qual tiramos uma lição para o nosso estilo de vida cristã.
Interpelado pela pergunta de Pedro sobre quantas vezes fosse necessário perdoar, Jesus respondeu: « Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete » (Mt 18, 22) e contou a parábola do « servo sem compaixão ».
Este, convidado pelo senhor a devolver uma grande quantia, suplica-lhe de joelhos e o senhor perdoa-lhe a dívida. Mas, imediatamente depois, encontra outro servo como ele, que lhe devia poucos centésimos; este suplica-lhe de joelhos que tenha piedade, mas aquele recusa-se e fá-lo meter na prisão.
Então o senhor, tendo sabido do fato, zanga-se muito e, convocando aquele servo, diz-lhe: « Não devias também ter piedade do teu companheiro, como eu tive de ti? » (Mt 18, 33). E Jesus concluiu: « Assim procederá convosco meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar ao seu irmão do íntimo do coração » (Mt 18, 35).
A parábola contém um ensinamento profundo para cada um de nós. Jesus declara que a misericórdia não é apenas o agir do Pai, mas torna-se o critério para individuar quem são os Seus verdadeiros filhos.
Em suma, somos chamados a viver de misericórdia, porque, primeiro, foi usada misericórdia para conosco. O perdão das ofensas torna-se a expressão mais evidente do amor misericordioso e, para nós cristãos, é um imperativo de que não podemos prescindir.
Tantas vezes, como parece difícil perdoar! E, no entanto, o perdão é o instrumento colocado nas nossas frágeis mãos para alcançar a serenidade do coração.
Deixar de lado o ressentimento, a raiva, a violência e a vingança são condições necessárias para se viver feliz. Acolhamos, pois, a exortação do Apóstolo: « Que o sol não se ponha sobre o vosso ressentimento » (Ef 4, 26). E sobretudo escutemos a palavra de Jesus que colocou a misericórdia como um ideal de vida e como critério de credibilidade para a nossa fé: « Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia » (Mt 5, 7) é a bem-aventurança a que devemos inspirar-nos, com particular empenho, neste Ano Santo.
Na Sagrada Escritura, como se vê, a misericórdia é a palavra-chave para indicar o agir de Deus para conosco. Ele não Se limita a afirmar o Seu amor, mas torna-o visível e palpável. Aliás, o amor nunca poderia ser uma palavra abstrata. Por sua própria natureza, é vida concreta: intenções, atitudes, comportamentos que se verificam na atividade de todos os dias.
A misericórdia de Deus é a Sua responsabilidade por nós. Ele sente-Se responsável, isto é, deseja o nosso bem e quer ver-nos felizes, cheios de alegria e serenos. E, em sintonia com isto, se deve orientar o amor misericordioso dos cristãos. Tal como ama o Pai, assim também amam os filhos. Tal como Ele é misericordioso, assim somos chamados também nós a ser misericordiosos uns para com os outros.”
Contemplamos a misericórdia divina através da parábola, em que Jesus nos apresenta a pergunta de Pedro, sobre quantas vezes se deve perdoar um irmão: deve-se perdoar setenta vezes sete, ou seja, o perdão se expressa em plenitude ilimitada.
Jesus, de fato, é o rosto da misericórdia divina:
“Jesus Cristo é o rosto da misericórdia do Pai. O mistério da fé cristã parece encontrar nestas palavras a sua síntese. Tal misericórdia tornou-se viva, visível e atingiu o seu clímax em Jesus de Nazaré” (Misericodiae vultus” – Papa Francisco).
Sejam nossas comunidades lugar do aprendizado e da vivência do perdão, que deverá ser vivido em todos os âmbitos e em todo o tempo, como sinal do Reino de Deus.
PS: A dívida do servo perdoado era exorbitante (10.000 talentos; sendo que um talento equivale a 6000 denários; 1 denário equivalente a um dia de trabalho). Seriam necessários mais de 165.000 anos para pagamento de sua dívida. De outro lado, a dívida não perdoada por ele em relação ao seu devedor era de apenas 100 denários, ou seja, menos de um terço de dias de trabalho de um ano: conclusão – de fato, o amor de Deus por nós é pleno e ilimitado (exorbitante). De acordo com a nota da Bíblia de Jerusalém, 10.000 talentos equivale a 174 toneladas de ouro; 100 denários a 0,30 gramas de ouro.
Em poucas palavras... (XXIVDTCA)
Eucaristia e comunhão vivida
“Não há limite nem medida para este perdão essencialmente divino (Mt 18,21-22; Lc 17,3-4). Quando se trata de ofensas (de «pecados», segundo Lc 11, 4, ou de «dívidas» segundo Mt 6, 12), de fato nós somos sempre devedores: «Não devais a ninguém coisa alguma, a não ser o amor de uns para com os outros» (Rm 13, 8). A comunhão da Santíssima Trindade é a fonte e o critério da verdade de toda a relação (1 Jo 3,19-24). E é vivida na oração, sobretudo na Eucaristia (Mt 5,23-24):
«Deus não aceita o sacrifício do dissidente e manda-o retirar-se do altar e reconciliar-se primeiro com o irmão: só com orações pacíficas se podem fazer as pazes com Deus. O maior sacrifício para Deus é a nossa paz, a concórdia fraterna e um povo reunido na unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo» (São Cipriano).” (1)
(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 2845
A dimensão ilimitada do perdão (XXIVDTCA)
A
dimensão ilimitada do perdão
Sejamos
enriquecidos pelo Sermão n.139 escrito por São Pedro Crisólogo (séc. V), bispo
e doutor da Igreja.
“Assim
como o ouro fica escondido na terra, assim também o sentido divino se oculta
nas palavras humanas. Por isso, sempre que nos é proclamada a palavra
evangélica, a mente deve colocar-se alerta e o espírito deve prestar atenção,
para que o entendimento possa penetrar o segredo da ciência celeste.
Digamos
por que o Senhor começa hoje com estas palavras: Tenham cuidado, se teu irmão te ofende, repreende-o, se ele se
arrepende, perdoa-o.
Coragem,
irmão! Deus te ordena: perdoa, perdoa os pecados; sê misericordioso frente ao
delito, perdoa as ofensas de que fostes objeto, não percas agora os poderes
divinos que tens; tudo o que tu não perdoares em outro, o negas a ti mesmo.
Repreende-o
como juiz, perdoa-o como irmão, pois a caridade unida à liberdade e a liberdade
fundida com a caridade expele o terror e anima ao irmão.
Quando
o irmão te fere está exaltado, quando comete um delito, está enfurecido, está
fora de si, perdeu todo sentimento de humanidade; quem não o socorre pela
compaixão, quem não lhe cura mediante a paciência, quem não lhe sara
perdoando-o, não está são, está mal, enfermo, não tem comiseração, demonstra
ter perdido os sentimentos humanitários.
O
irmão está furioso, atribui à enfermidade: tu, ajuda-o como a um irmão; tudo o
que ele faça em semelhante situação atribui à sua perturbação, e o ocorrido não
poderás imputá-lo ao irmão; e tu prudentemente lançarás a culpa à enfermidade,
e ao irmão, o perdão; desta forma, sua saúde redundará em tua honra e o perdão
te acarretará o prêmio.
Se teu irmão te
ofende, repreende-o; se ele se arrepende, perdoa-o. Perdoa ao que peca, perdoa ao que
se arrepende, para que, quando tu, por sua vez, pecares, o perdão te seja
concedido como compensação, não como doação.
Sempre
é bom o perdão, porém quando é devido, torna-se duplamente doce. Aquele que,
perdoando, já se assegurou o perdão antes de pecar, evitou o castigo, tem
inclinado ao juiz em seu favor, enganou o juízo.
Se te ofende sete
vezes em um dia, e sete vezes volta a dizer-te: “sinto muito”, o perdoarás. Por que constrange com a lei,
reduz no número e coloca um limite de perdão Aquele que tanto nos favorece pela
misericórdia e que tão facilmente concede pela graça? E se em lugar de sete te
ofende oito vezes? Vai prevalecer o número sobre a graça? Pode contrapor-se o
cálculo à bondade? Pode uma só culpa condenar ao castigo a quem sete vezes
consecutivas obtém o perdão? De jeito nenhum. Se é proclamado feliz aquele que
perdoou sete vezes, muito mais feliz será aquele que perdoa setenta vezes sete.
Esquecido
deste mandato, Pedro interroga ao Senhor, dizendo: Se meu irmão me ofende, quantas vezes devo perdoá-lo? Até sete vezes?
Jesus lhe responde: Não te digo até
sete vezes, mas até setenta vezes sete.
Portanto,
o número prescrito não limita, mas amplia o perdão, e ao que o preceito coloca
um limite, o assume ilimitadamente a livre vontade; de maneira que se perdoares
até o limite do que ordena o preceito, outro tanto te será contado à
obediência, te será contado ao prêmio. E se o número sete setuplicado por dias,
meses e anos implica a concessão da totalidade do perdão, calcule o cristão e
julgue o ouvinte que cotas não alcançará o número sete setuplicado setenta
vezes sete.
Então
realmente vai cessar toda forma contratual de débitos e créditos; então se
abolirá de verdade qualquer condição servil; então chegará àquela liberdade sem
fim; então será recuperado o campo eterno e imortal; então chegará o verdadeiro
perdão quando será inclusive abolida a própria necessidade de pecar, quando,
cancelada toda imundície, o mundo deixará de ser imundo, quando com o retorno
da vida deixará de existir a morte, quando estabelecido o reinado de Cristo, o
diabo perecerá definitivamente.
Orai,
irmãos, para que o Senhor aumente em nós a fé e possamos finalmente crer, ver e
possuir estes bens.”(1)
Como
afirmou o bispo, o número prescrito não limita, mas amplia o perdão: o perdão
tem dimensão universal e infinita, porque assim é o amor de Deus:
verdadeiramente indizível.
Também nós somos chamados a viver a graça do perdão, não apenas
pedir perdão a Deus, mas viver sua prática em relação ao nosso próximo, assim
como rezamos na Oração que o Senhor nos ensinou – “Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem
ofendido” (Cf. Mt 6,11).
(1)
Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 - pág.
213-214







