quarta-feira, 26 de agosto de 2026
Santificar e santificar-se, eis a missão do Presbítero!
Peregrinos da esperança, aprendamos com Tobias
Fidelidade na provação
Fidelidade na provação
Reflexão à luz da passagem do Livro de Tobias (Tb 1,3;2,11a-8).
Tobias (quer dizer – “Deus é bom”) andava no caminho da verdade e da justiça em total fidelidade a Deus a todo custo, como rezamos no refrão do Salmo da Missa (Sl 111/112):
“Feliz o homem que respeita o Senhor e que ama com carinho a sua Lei...”
Tobias viveu a fidelidade desde a sua juventude. Mesmo desterrado (sob o domínio dos assírios), manteve-se fiel a seus compromissos religiosos; tornando-se rico, servia-se do que tinha em favor dos outros. Mesmo colocando em risco a própria vida, dava sepultura aos justiçados e assassinados.
A cena descrita na passagem, bem como em todo o livro, coloca em evidência a sua generosidade.
Tobias mesmo dando tudo, Deus lhe pede tudo:
“Quando menos o esperamos, pode vir a ‘provação’ decisiva, a confirmar a própria doação e é o pressuposto da retribuição de Deus.” (1)
A preocupação e interesse pelos seus irmãos que padecem, exigiu sacrifícios, renúncia às próprias comodidades, afastamento das vozes da própria razão – “Só indigência do irmão dá a medida de seu interesse.” (2)
Reflitamos:
- Quais são as lições a aprender com Tobias?
- Qual a autenticidade da fidelidade à Lei Divina em nossa vida?
- Qual é o nosso compromisso solidário com os que mais precisam?
- Como enfrentamos as provações em nosso cotidiano?
Peçamos a Deus: “Dai-nos força para resistir à tentação, paciência na tribulação, e sentimentos de gratidão na prosperidade”.
Oremos:
“Senhor Deus, que nos convocais para a mesa santa, sinal de unidade e de amor, concedei-nos a graça de cumprirmos com confiança a obra que nos confiastes, para atendermos às necessidades da vida e cooperarmos na edificação do vosso Reino.” Amém.
(1) Missal Cotidiano – Editora Paulus – 1988 – pág. 844-845.
(2)Lecionário Comentado – Tempo Comum – Volume I – Editora Paulus – Lisboa - p.427
Presbítero: a fecundidade da fidelidade no Ministério Presbiteral
Presbítero: a fecundidade da fidelidade no Ministério Presbiteral
“Uma fidelidade que gera futuro”
A fecundidade do ministério presbiteral é diretamente proporcional à fidelidade vivida, garantia de um futuro fecundo.
Deste modo, o presbítero viverá com zelo de Pastor a identidade presbiteral, para que seja sacerdote segundo o amor do Coração de Jesus.
A cada dia, será renovada a chama do primeiro amor do encontro pessoal com Cristo, que deu um novo horizonte e um rumo decisivo à sua vida; aquele memorável encontro que o Senhor o amou, escolheu, chamou e confiou a graça da vocação de discípulos Seu.
Nos passos do Bom Pastor, a Ele configurado, tem os passos firmados e cresce na familiaridade e íntima amizade com Ele, de tal modo que, é envolvida toda a sua pessoa, coração e inteligência, sem cansaço ou desânimo indesejáveis.
A fidelidade deve ser expressa no serviço, na fraternidade, na sinodalidade, na missão gera futuro:
- Fidelidade e serviço – uma vida oferecida ao celebrar o Sacrifício de Cristo na Eucaristia; no anúncio da Palavra de Deus; na absolvição dos pecados; na generosa dedicação a serviço da comunhão e no necessário cuidado dos que mais sofrem e passam necessidades.
Conta com a sabedoria divina para viver o chamado ao ministério ordenado, como dom livre e gratuito de Deus, e sua vida é generosa resposta marcada pela graça, gratidão e gratuidade, envolvido pela divina ternura que sabe trabalhar com as fragilidades e limitações humanas.
Tão somente aberto ao sopro do Espírito, que conduz a Igreja, cuida da formação permanente, acompanhada da cotidiana conversão e vigilância, para que não caia na tentação do imobilismo ou o fechamento.
- Fidelidade à fraternidade - imprescindível o estabelecimento de vínculos de comunhão com os bispos e presbíteros, superando toda tentação de individualismo; de tal modo que a fraternidade presbiteral é elemento constitutivo do ministério pela Igreja confiado; jamais mergulhado na empobrecedora solidão ou reclusão em si mesmo.
A concórdia e harmonia na caridade será um hino a Jesus Cristo, na vida em comum, unidade irrepreensível, para que cada vez mais inserido na fecunda comunhão de Amor da Vida Trinitária.
- Fidelidade e sinodalidade - aberto ao sopro do Espírito, que conduz e anima a Igreja, vive sadia e fecunda relação no cuidado das comunidades, sem jamais concentrar tudo em suas mãos ou cair na tentação de trabalhar sozinho; e assim vive o ministério da síntese e não a síntese de todos os Ministérios na edificação de uma Igreja ministerial, sinodal, misericordiosa e missionária.
- Fidelidade e missão – exala o odor do óleo que ungiu as suas mãos em alegre atitude de doação, serviço, com humildade e mansidão; vivendo a compaixão, proximidade e coerência, sem cair na tentação da eficiência expressa na preocupação com a quantidade de atividades e projetos realizados, ou em empobrecedor quietismo, fechado em si mesmo, assustado pelos contexto nos qual inserido.
Na graça da missão, o fogo da caridade pastoral garante o equilíbrio e a unificação da vida de todo presbítero na vida cotidiana, de tal modo que a missão alcança todas as dimensões da sociedade, em particular a cultura, a economia e a política, para que tudo seja recapitulado em Cristo (cf. Ef 1,10).
Na missão vivida com sabedoria, cuida da necessária harmonia entre a contemplação e a ação, afastando toda a tentação do individualismo e a celebração de si mesmo, em empobrecedora autorreferencialidade; e com João Batista, aprende a se fazer pequeno para que Ele, Jesus, cresça e seja conhecido e glorificado (cf. Jo 3,30).
Na necessária presença no mundo midiático, usa as redes sociais e todos seus instrumentos à disposição com discernimento e sabedoria, para ver o que de fato contribui para a sadia evangelização, lembrando as palavras do Apóstolo Paulo – “Tudo me é lítico! Sim, mas nem tudo convém.” (1 Cor 6,12).
- Fidelidade e futuro – empenha-se na vivência do ministério, por um renovado Pentecostes vocacional dentro da Igreja, cuidando das pastorais e dentre elas a pastoral familiar e juvenil, sem jamais se esquecer que “não há futuro sem cuidar de todas as vocações!”.
Por fim, pode contar e confiar na intercessão da Virgem Imaculada, Mãe do Bom Conselho, e de São João Maria Vianey, padroeiro dos párocos, para que viva “um amor tão forte que dissipa as nuvens da rotina, do desânimo e da solidão: um amor total que nos é dado em plenitude na Eucaristia. Amor Eucarístico, amor sacerdotal.” Amém.
PS: Reflexão inspirada na Carta Apostólica “Uma fidelidade que gera futuro” – Papa Leão XIV -8/12/25 – Solenidade da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria.
O Senhor nos refaz de todos os cansaços (Papa Francisco - 2015)
Discípulos missionários: irradiar luz, promover a vida
Discípulos missionários: irradiar luz, promover a vida
“Sois filhos dos que mataram os profetas”
Na quarta-feira da 21ª Semana do Tempo Comum, ouvimos a passagem do Evangelho de São Mateus (Mt 23,27-32).
Após denunciar o fanatismo farisaico e do “purismo” exibicionista, compara os fariseus a sepulcros caiados, porque o agir destes não corresponde às suas convicções.
Deste modo, procurarão matar não somente a Jesus, mas Seus seguidores. Por isto as duras palavras de Jesus:
- “Ai de vós mestres da Lei e fariseus hipócritas! Vós sois como sepulcros caiados: por fora parecem belos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e de toda podridão.” (Mt 23,27).
- “Com isso, confessais que sois filhos daqueles que mataram os profetas. Completai, pois, a medida de vossos pais!” (Mt 23,31).
Assim lemos no Lecionário Comentado:
“O tema sepulcro é muito significativo para a vida cristã. Embora frequentemente seja deixado fora da reflexão. Jesus no Evangelho (Mt 23,27-32) indica-o como símbolo dos Seus adversários, monumentos de conhecimento e de sabedoria humana que se devem contemplar, mas interiormente frágeis e fracos, pois estão cheios de morte.” (1)
Continuando sobre o tema sepulcro:
“O Senhor Jesus, depois de ter nascido numa manjedoura morreu numa Cruz, e foi acabar onde sepultamos os restos do nosso corpo e as obras da nossa existência. Mas desse lugar Deus quis declarar, ressuscitando-O dos mortos, que não há espaço onde a vida não possa entrar e levar luz e calor. Isto significa que toda a situação humana é recuperável aos olhos de Deus.” (2)
Como discípulos missionários do Senhor, devemos nos empenhar em viver uma religião pura e agradável a Deus, que consiste, antes de tudo, em ter pureza de coração, e todo esforço em colocar em prática Seus Mandamentos, pois tanto na Lei como no Evangelho, o primeiro e principal mandamento é amar a Deus, que não se separa do segundo mandamento que se expressa no amor ao próximo como Jesus Cristo nos falou na passagem do Evangelho de Mateus (Mt 22,34-40).
Deste modo, seremos portadores de vida, mesmo onde tudo pareça ser, irredutivelmente, morte para sempre.
Crer na Ressurreição de Jesus é sagrado compromisso de escancarar todos os sepulcros de hipocrisia, iniquidade e tudo aquilo que possa ferir a vida, em todos os seus aspectos, numa necessária ecologia integral, acenando para a eternidade. Amém.
(1) - Lecionário Comentado - Tempo Comum - Volume II - Editora Paulus - Lisboa - pág. 213
(2) idem
Ó Mãe, nós te pedimos...
Ó Mãe, nós te pedimos...
Maria, discípula mais perfeita do Senhor, rogai por nós.







