quarta-feira, 10 de junho de 2026

Meditemos sobre o mais Belo Coração (SCJ)

                                                       


Meditemos sobre o mais Belo Coração

Em silêncio orante, meditemos:

 “[...] Nosso Senhor permitiu este golpe de lança para chamar a nossa atenção para o Seu Coração, para nos fazer pensar no Seu Amor que é a fonte de todos os Mistérios da Salvação: as promessas do Éden, as profecias e as figuras da antiga lei, a ação providencial sobre o povo de Deus, a encarnação, a vida, os ensinamentos e a morte do Salvador.

A abertura do lado de Jesus é como a fonte que regava o paraíso terrestre, é como a fenda do rochedo que deu a água para saciar o povo de Israel.” (1)

Água e Sangue jorrados do lado aberto do Senhor: Vida e Alimento.



(1) Leão Dehon, OSP 3, p. 367ss. Tradução do Pe. José Jacinto Ferreira de Farias, SCJ - O Coração de Jesus aberto pela lança- Sexta–feira Santa - (Jo 19, 34- 36).

Neste Coração manso e humilde... (SCJ)

                                                    

Neste Coração manso e humilde...

"Vinde, pois, e aprendei de mim,
que sou manso e humilde de coração!"

Reflitamos sobre o Sagrado Coração de Jesus, à luz da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 11,25-30).

Retomemos o  Sermão do Bispo São João Crisóstomo (séc. IV), que nos fala sobre a humildade e mansidão de coração de Nosso Senhor.

“Vês, amante de Cristo, quanta seja a misericórdia do Criador para conosco?

Vês como nas mesmas ameaças brilha a benignidade? Vês como Sua misericórdia se antecede a Sua indignação? Vês como o castigo é superado pela bondade?

Isto não é maravilhoso! Porque Ele mesmo é manso e benigno Senhor nosso, e solícito, como é de Seu costume, de nossa salvação, que claramente nos fala no Evangelho, como a pouco nos fazia quando nos lia:

Vinde a mim e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração! Quanto Se abaixa o Criador, e, apesar disso, a criatura não O reverencia!

Vinde e aprendei de mim!, disse o Senhor quando veio aos Seus servos para consolá-los em suas quedas. Assim Cristo Se porta conosco, e assim nos demonstra a Sua misericórdia.

Quando convinha castigar os pecadores e acabar com sua espécie que O irritou, justamente então Se dirige aos réus com Palavras brandas e lhes diz:

Vinde e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração! Deus Se humilha e o homem se ensoberbece!

Manso é o juiz e soberbo o réu! Humilde voz lança o artífice, e o barro fala como se fosse algum rei! Ó, vinde e aprendei de mim, que Sou manso e humilde de coração!

Não vos curvaram os acontecimentos anteriores; não vos amansaram os que logo se seguiram; nem finalmente os que ao pouco sobrevieram!

Porém Ele, como então, também agora, uma vez que fez tremer as criaturas, logo as pacificou com a Sua misericórdia. Vinde, pois, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração!

Ele não vem com chicote para açoitar, mas com nossa natureza para curar! Vinde e vede Sua inefável bondade!

Quem não ama ao amo que não açoita? Quem não se admira do juiz que suplica ao réu? Te enches completamente de admiração a humildade de Suas Palavras?

Sou Artífice e amo a minha obra! Eu sou Obreiro e perdoo aquele que Eu mesmo inventei! Se eu uso do supremo direito que me dá minha dignidade, não levantarei a humanidade caída; e como ela padece de uma enfermidade incurável, se não uso de remédios suaves, ela não poderá se curar!

Se não trato a humanidade e a pessoa humana com benignidade, perece! Se somente uso de ameaças, perde-se! Por isto, aplico, como a quem está caído, medicamentos de suavidade. Abaixo-me ao máximo na comiseração para levantá-la de sua queda!

Aquele que está em pé não consegue levantar ao caído se não abaixar sua mão. Pois vinde e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração! Não falo para ostentação: pelos fatos vos dei experiência. Que Eu seja manso e humilde de coração, podes deduzir do estado em que me vês e ao qual Eu vim.

Analisa minha forma e qual seja minha dignidade: medita-o e adora-me! Por ti me humilhei! Pensa de que lugar desci e em que lugar falo contigo.

Sendo o céu meu trono, agora falo contigo na terra. Nas alturas sou glorificado, porém, como magnânimo, não me encolerizo, porque sou manso e humilde de coração!

Se Eu não fosse um manso Filho do Rei, não teria escolhido por mãe uma serva. 

Se Eu não fosse manso, o Artífice das substâncias visíveis e invisíveis, não teria me desterrado aqui convosco.

Se não fosse manso, não teria estado Eu, o Pai do século futuro, envolto em pano.

Se não fosse manso, não teria suportado a pobreza do presépio, Eu que possuo todas as riquezas de todas as criaturas.

Se não fosse manso, não me teria encontrado entre animais, Eu a quem os querubins não ousam olhar.

Se Eu não fosse manso, que com minha saliva dou vista aos cegos, jamais teria sido cuspido pela boca de homens maus.

Se não fosse manso, nunca teria tolerado a bofetada de um servo, Eu que sou quem dá liberdade aos servos.

Se não fosse manso, jamais teria apresentado minhas costas aos açoites em benefício dos escravos.

Mas por que não digo o que é ainda maior?

Se eu não fosse manso, nunca teria carregado a dívida de morte, Eu que nada devia, em lugar daqueles que deviam padecê-la.” (1)

Concluindo, a mansidão do Senhor e o Seu Amor dão “vertigem”, porque ultrapassam todas as medidas, parâmetros, lógicas humanas.

Neste Coração manso e humilde, o discípulo amado recostou sua cabeça, e também nós, podemos fazer quantas vezes quisermos, para que nos sintamos amados, perdoados, e renovados para carregar, com fidelidade e coragem, nossa cruz.

Neste Coração manso e humilde encontramos espaço, porque dilatado na Cruz, para que nele coubéssemos.

Neste Coração manso e humilde, encontramos forças para alcançarmos a vida plena e digna já, nesta travessia por que passamos, até que um dia possamos na glória dos céus, entrar, e a face do Pai contemplar, na plena comunhão do Espírito, vivendo e crendo em Jesus, que Se fez o Caminho, a Verdade e a Vida.

Neste Coração manso e humilde, enfermos renovam forças; desesperados reencontram a esperança; os fracassos superados seguidos de vitórias; entristecidos reencontram a alegria; aflitos reencontram a paz; pecadores, a pureza de alma; ansiosos, a serenidade; dependentes, a sobriedade; os apáticos e indiferentes se libertam destas amarras em sadios compromissos com a Boa Nova do Reino.

Neste Coração manso e humilde...



(1) Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 – pp. 267-268.

Que ela nos ensine a mergulhar no Coração de Jesus! (SCJ)

                          

Que ela nos ensine a mergulhar no Coração de Jesus!

A Monja Santa Margarida Maria Alacoque nasceu em 1647 e morreu em 1690, e foi grande inspiradora da devoção ao Sagrado Coração de Jesus que há muito já fazia parte da tradição da Igreja. Para que o Movimento do Apostolado da Oração fosse espalhado pelo mundo inteiro, a ela pode-se creditar boa parte.

Com sua colaboração, devido às revelações recebidas, contemplamos a estreita relação entre o Sagrado Coração de Jesus e a Eucaristia, de modo que a devoção ao Sagrado Coração de Jesus leva,  inevitavelmente, ao fortalecimento da fé, esperança e caridade.

O coração é um dos modos para falar do infinito Amor de Deus pela pessoa humana, obra de Sua criação, fruto do Seu amor, nascido das entranhas de Seu coração, e da mesma forma redimidos pela Água e Sangue que do Seu coração jorrou abundantemente. Não há dúvida de que este Amor encontra seu ponto alto com a vinda de Jesus.

A devoção ao Sagrado Coração de Jesus tem a sua origem na própria Sagrada Escritura.

No Antigo Testamento encontramos: Ezequiel 34,11-16: Deus cuida do Seu rebanho; Ezequiel 11,19-20: Tirarei o coração de pedra e colocarei um coração de carne.

Outras passagens do Novo Testamento:
Mateus 11,25-30: Jesus é manso e humilde de coração;
Lucas 15: O coração de Deus é fonte de Misericórdia.

Dois momentos fortes do Evangelho merecem ênfase:

O gesto de São João, discípulo amado, encostando a sua cabeça em Jesus durante a última ceia (cf. Jo 13,23); e na Cruz, onde o soldado abriu o lado de Jesus com uma lança (cf. Jo 19,31-37): O Coração de Jesus é transpassado pela lança e jorra Sangue e Água: Sacramentos da Igreja – Batismo e Eucaristia.

No primeiro, o consolo pela dor da véspera da Sua morte, e no outro, o sofrimento causado pelos pecados da humanidade.

Estes dois exemplos do Evangelho nos ajudam a entender o apelo de Jesus feito em 1675 a Santa Margarida Maria Alacoque:

“Eis este Coração que tanto tem amado os homens... não recebo da maior parte senão ingratidões, desprezos, ultrajes, sacrilégios, indiferenças...

... Eis que te peço que a primeira sexta-feira depois da oitava do Santíssimo Sacramento (Corpo de Deus) seja dedicada a uma festa especial para honrar o meu Coração, comungando neste dia e dando-lhe a devida reparação por meio de um ato de desagravo, para reparar as indignidades que recebeu durante o tempo em que esteve exposto sobre os altares...

... E prometo-te que o meu Coração se dilatará para derramar com abundância as influências de Seu Divino Amor sobre os que tributem esta divina honra e que procurem que ela lhe seja prestada.”

O Papa São João Paulo II sempre cultivou esta devoção, e a incentiva a todos que desejem crescer na amizade com Jesus. Em 1980, no dia do Sagrado Coração, afirmou:

“Na solenidade do Sagrado Coração de Jesus, a liturgia da Igreja concentra-se, com adoração e amor especial, em torno do Mistério do Coração de Cristo. Quero hoje dirigir juntamente convosco o olhar dos nossos corações para o mistério desse Coração. Ele falou-me desde a minha juventude. Cada ano volto a este mistério no ritmo litúrgico do tempo da Igreja.”

Uma devoção autêntica ao Coração de Jesus faz brotar no coração santas atitudes e compromissos:

Crescimento notável do amor pela Igreja; os pequenos e pobres têm lugar todo especial; procura-se alimentar constantemente do amor de Deus, de modo privilegiado na Eucaristia; há a necessidade do recolhimento, do silêncio diante do Augustíssimo Sacramento; fortalecimento do profetismo; torna-se imperativo o engajamento nas diversas pastorais e movimentos; empenho decidido na participação da construção de um Mundo Novo; não se contentar em ter Deus dentro do coração apenas, mas estar sempre dentro do coração de Deus; tornando-se autêntico e apaixonado discípulo missionário do Senhor.

Finalizando, o Coração de Jesus é o templo do Espírito Santo que faz de nós também Seu templo – somos templos do Espírito Santo. Num mundo marcado muitas vezes pela frieza, indiferença e anonimato o Coração de Jesus é para nós fornalha ardente de caridade.

Urge fazer o nosso coração semelhante ao Coração de Jesus, aperfeiçoando e aprofundando a prática do Mandamento do Amor; intensificando nossa devoção e contemplação do Coração de Jesus; aprofundando nossa espiritualidade essencialmente Eucarística e, porque não dizer, participando do Apostolado da Oração.

A devoção ao Sagrado Coração é o empenho no pleno cumprimento da Lei maior do Amor de Deus que é o amor a Ele e ao próximo, somente assim estaremos no Coração de Deus e Ele em nosso coração. 

PS: Santa Margarida Maria Alacoque - Memória celebrada dia 16 de outubro

Três rios correm do Coração de Jesus! (SCJ)

                                                                      

Três rios correm do Coração de Jesus!

Sejamos enriquecidos por uma das Cartas escrita por Santa Margarida Maria Alacoque (séc. XVII), em que nos fala do Sagrado Coração de Jesus.

“A mim me parece que o grande desejo de nosso Senhor, de que se tribute honra especial a Seu Sagrado Coração, tem por finalidade renovar em nós os frutos da redenção.

Pois o Sagrado Coração é fonte inexaurível; que somente quer difundir-Se pelos corações humildes, a fim de que estejam livres e prontos a viver sua vida em conformidade com seu beneplácito.

Deste Divino Coração correm sem parar três rios: o primeiro é de misericórdia pelos pecadores, derramando neles o espírito de contrição e de penitência.

O segundo é de caridade, para auxílio de todos os sofredores, em particular dos que aspiram à perfeição, para que encontrem os meios de superar as dificuldades.

Do terceiro, enfim, emanam o amor e a luz para Seus amigos perfeitos, que Ele deseja unir a Sua ciência e à participação de Seus preceitos, para que, cada um a seu modo, se dedique totalmente à expansão de Sua glória.

Este Coração Divino é oceano de todos os bens. N’Ele precisam os pobres mergulhar todas as suas necessidades. É oceano de alegria, onde temos de mergulhar todas as nossas tristezas.

É abismo de humildade contra nossa loucura, abismo de misericórdia para os miseráveis, abismo de Amor para as nossas indigências.

Tendes, por isto, de unir-vos ao Coração de nosso Senhor Jesus Cristo, no princípio da vida nova, para vos preparardes bem; no fim, para consumardes.

Vossa Oração é vazia? Então, basta que ofereçais a Deus as preces que o Salvador eleva por nós no Sacramento do altar, entregando Seu fervor em reparação de vossa tibieza. Sempre que ides fazer algo, rezai assim:

‘Meu Deus, faço ou suporto isto no Coração de Teu Filho e, conforme a Seus santos desígnios, ofereço-Te em reparação de tudo quanto há de falho ou de imperfeito em minhas obras’.

E deste modo, em todas as circunstâncias. E em tudo que vos acontecer de penoso, aflitivo ou injurioso, dizei a vós mesmos:

‘Recebe o que o Sagrado Coração de Jesus Cristo te envia a fim de unir-te a Ele’.

Acima de tudo, porém, guardai a paz do coração que supera todos os tesouros. Para guardá-la, nada de melhor que renunciar à própria vontade e colocar a vontade do divino Coração em lugar da nossa, de modo que Ela realize em nosso nome o que redunda em Sua glória. E nós, felizes, nos submetamos a Ele, com absoluta confiança” (1)

Contemplando a Imagem do Sagrado Coração de Jesus, façamos nosso exercício espiritual de contemplação do amor de Deus.

Seja, portanto, nosso coração inundado e transbordado pelo Amor Divino e que dele saiam três rios:

- de Misericórdia para com os pecadores; 
- de Caridade para com os pobres;
- e de Amor para com aqueles que o Senhor tanto ama!

(1) Das Cartas de Santa Margarida Maria Alacoque - (Vie et Oeuvres 2, Paris 1915)
Memória celebrada dia 16 de outubro.

A pira e a Fornalha (SCJ)

                                                                 

A pira e a Fornalha

Não são sinônimos para quem crê, para quem tem fé,
Para quem não permite que morram os belos sonhos,
Para quem não deixa que se pulverizem as vitais utopias,
Para quem pela Paixão do Reino se consome avidamente.

Na pira não se queimam mais cadáveres em sacrifício,
Queimam suas atitudes que nos roubam a beleza do viver,
De modo especial, os pecados capitais que nos seduzem:
Soberba, avareza, luxúria, ira, gula, inveja e preguiça.

Vejo suas labaredas crepitarem e aos céus subirem,
Como pontas fumegantes alcançando as alturas,
Precedendo às cinzas que dos pecados ficarão
Porque foram tirados das entranhas de nossa alma.

Pira com fogaréu em chamas como línguas de fogo;
Seu fogo por enquanto não poderá ser apagado, 
Sobretudo quando ainda  há os que resistem nela não jogar
Sentimentos de ódio, orgulho, petulância, ambição.

Mas há outra Fornalha para sempre acesa, eu creio,
Fornalha ardente de caridade: o Sagrado Coração de Jesus.
Fogo inextinguível, implacável e imortal em labaredas,
Ao contrário, nos vem dos céus, inflamando nosso coração.

Coração incandescente e eternamente luminoso,
Que nos comunica a luz em sombrias travessias,
Para que não tropecemos no dia ainda que claro,
Mas por vezes escuro pelas reais dificuldades.

Ó Divina Fornalha ardente, também vejo Suas chamas,
Ouço o suave ruído do crepitar de Suas chamas descendo,
Cumulando minha alma dos sete dons, como em Pentecostes:
Sabedoria, Entendimento, Conselho, Fortaleza, Ciência, Temor e Piedade.

Viver é fazer escolhas sábias, sem hesitações e letargias;
Nas piras, queimarmos o que for necessário para que mais humanos sejamos,
Pela Fornalha ardente do Coração de Jesus sendo inflamados,
Porque somente assim felizes seremos, porque divinamente amados.

O coração do Padre à luz dos mais Belos Corações! (SCJ)

                                                             

O coração do Padre à luz dos mais Belos Corações!

Retomo esta reflexão que fiz, por ocasião do encerramento do Ano Sacerdotal (2009-2010), para que tenhamos Presbíteros conforme o Coração de Jesus.

O Lema que o motivou ressoará para sempre no coração de cada Sacerdote e no coração de todo o Povo de Deus: “Fidelidade de Cristo, fidelidade do Sacerdote”, bem como a célebre frase do Padroeiro de todos os Padres: “O Sacerdote é o amor do Coração de Jesus” – São João Maria Vianney.

É preciso tornar o coração do Presbítero semelhante aos mais Belos Corações: O Imaculado Coração de Maria e o Dulcíssimo Sagrado Coração de Jesus, e assim o lema e a frase acima encontrem conteúdo e iluminem o seu caminhar.
  
A exemplo de Maria, o Presbítero deve ter: 

- um coração pleno de ternura, para ser sinal d’Aquele que é Fonte de toda ternura;
- um coração radiante porque se nutre Daquele que é a Fonte dos bens mais necessários;

- um coração alegre, porque servidor Daquele que é Fonte da plena alegria;
- um coração pleno de esperança, porque a reacende na Fonte da preciosa e eterna chama que jamais se apaga;

- um coração transparente, para revelar ao mundo a Face Divina, em perfeita configuração ao Cristo, em envolvente relação de apaixonamento;
- um coração singelo e meigo, para acolher no coração a Semente do Verbo, em que flores e frutos do Reino abundantemente se multiplicam;

- um coração que perdoa, porque servo do perdão que vem Daquele que da humanidade é Fonte de redenção;

- um coração com marcas da solidariedade, porque aprendiz e servidor da Solidariedade Divina, que não consentiu que ficasse para sempre decaída a humanidade pelo pecado;
- um coração pleno de virtudes, porque enriquecido por Aquele do qual procede todos os carismas, virtudes em infinidade;

- um coração plenamente livre, porque ama, testemunha o Evangelho Daquele que é a Verdade que nos Liberta;
- um coração iluminado, pleno de luz, porque é sinal d’Aquele que das nações é a Eterna Luz;

- um coração cristalino, porque sacia sua sede Naquele que é Fonte de toda Água cristalina!
- um coração inebriante, porque  se nutre do mais puro Pão, do Sangue d’Aquele que na Cruz, abundantemente derramou. Sangue inebriante, que nos redime e inebria, presente na Eucaristia!

Deste modo será apaixonado pela vida, porque servidor d'Aquele que dela é Fonte, e por isto amante e defensor da sacralidade da vida, portadora da imaculada e inviolável dignidade.

Deste modo, viverá o Puro Amor, amando a humanidade como Aquele que a humanidade, até o fim amou, com um coração indiviso à vontade Divina, para servir e consagrar Aquele que foi Todo fidelidade a Deus!São estes, entre outros, os compromissos que devem estar enraizados em seu coração, ocupando as entranhas de sua alma...

É imperativo que o sacerdote tenha um coração semelhante ao Imaculado Coração de Maria, porque somente assim ele será o amor do Coração do Filho, o amor do Coração de Jesus!  Somente assim poderá, revigorado a cada dia em seu Ministério, ser da massa o fermento, da terra o sal, do mundo um raio de luz! 

O Sacratíssimo Coração e o Santíssimo Sacramento (SCJ)

                                                        

O Sacratíssimo Coração e o Santíssimo Sacramento

Celebraremos a Festa do Sagrado Coração de Jesus, fornalha ardente de caridade; um coração trespassado do qual jorrou Sangue e Água, prefigurando nosso Batismo e a Eucaristia, nosso salutar Alimento de eternidade.

Retomemos a reflexão de Dom Murilo, muito oportuna para esta Festa:

“1ª pergunta: O que Jesus Eucarístico nos oferece?
Ele nos oferece um caminho de vida e de espiritualidade.

Lemos no livro do Deuteronômio: “Lembra-te de todo o caminho por onde o Senhor teu Deus te conduziu” (Dt 8,2).

Para Moisés, a peregrinação dos hebreus pelo deserto, ao longo de quarenta anos, serviu para o Senhor por Seu povo à prova, saber o que tinha no coração e se observaria ou não os Mandamentos Divinos.

Essa longa travessia tornou-se uma referência para todos que viveram no Antigo Testamento. Pouco a pouco, o povo escolhido foi tomando consciência de que a causa de sua desgastante e a cansativa peregrinação foi o esquecimento de Deus.

Quando o Senhor é esquecido, multiplicam-se, imediatamente, bezerros de ouro, que passam a ser adorados.

Séculos depois, Jesus se apresentaria como “caminho” (“Eu sou o caminho...”).

Nos Atos dos Apóstolos, por cinco vezes aparece essa palavra para expressar a Projeto de vida apresentado por Jesus. Ser Seu discípulo é seguir o Caminho.

Atualmente, somos convidados a nos lembrar de que nas estradas que percorremos há “Alguém” que nos acompanha, mesmo que, como aconteceu com os discípulos de Emaús, Sua presença não seja logo percebida.

Na Eucaristia, Jesus nos convida a nos unirmos a Ele. Porque sabe que sozinhos não iremos longe, Ele nos oferece “o Pão descido do céu” (Jo 6,5). Ele próprio é esse Pão.

É um privilégio receber como Alimento o próprio Filho de Deus – privilégio e graça. Afinal, só Ele pode nos dar o perdão dos pecados, a salvação e a vida eterna. Desgraça suprema é viver eternamente longe de Deus.

2ª pergunta: O que Jesus Eucarístico espera de nós?
“Não te esqueças do Senhor teu Deus que te fez sair do Egito!”, lemos no Deuteronômio (8,14).

Pecar é esquecer-se de Deus; é construir uma vida sem referência a Ele; é ignorar Seus Mandamentos; é seguir um caminho próprio. Em nossa época, mais e mais secularizada, pretende-se justamente isto: construir um mundo sem referência ao Criador.

A participação na Eucaristia exige de nós uma abertura para o outro: não podemos amar a Deus, que não vemos, se não amamos o irmão que está ao nosso lado.

Somos chamados a buscar a unidade entre nós, pois o mesmo Cristo que nos alimenta e nos transforma, alimenta e transforma nossos irmãos:

“Porque há um só Pão, nós todos somos um só corpo” (1Cor 10,17). Não podemos ficar indiferentes às divisões em nossa família e em nossas comunidades. Tais divisões nascem do egoísmo, do ciúme e do ódio ciosamente guardado nos corações.

Quem recebe o Senhor deve viver segundo Seus Ensinamentos, acolher quem é amado por Ele e ter sentimentos que Ele possa ter em nós.

3ª pergunta: O que podemos oferecer a Jesus Sacramentado?
Podemos lhe oferecer nossa acolhida: Jesus, esta cidade é Tua. Entra na casa de cada filho e filha desta cidade; também na casa daqueles que não Te conhecem e, por isso, não Te amam!

Somos chamados a lhe oferecer nosso coração: Jesus, meu coração é Teu. É inconstante, é pobre, mas é o que tenho. Toma conta dele e transforma-o segundo o Teu coração, manso e humilde!

Mais do que tudo, devemos adorá-Lo no Santíssimo Sacramento, unindo-nos a todos aqueles que, ao longo dos 465 anos da história desta cidade, O adoraram.” (1)

Como estabelecer a relação da Eucaristia com o Sagrado Coração de Jesus, a partir das três questões apresentadas:

- O que Jesus Eucarístico nos oferece?
- O que Jesus Eucarístico espera de nós?
- O que podemos oferecer a Jesus Sacramentado?

Celebrando a Festa do Sagrado Coração de Jesus, reflitamos:

- O que O Sagrado Coração de Jesus nos oferece?
- O que O Sagrado Coração de Jesus espera de nós?
- O que podemos oferecer ao Coração de Jesus?

Ao concluir, repitamos com o coração sintonizado com o mais belo Coração:

- “Jesus, manso e humilde de coração, fazei nosso coração semelhante ao Vosso”; e ainda:

- “Sagrado Coração de Jesus, fazei o nosso coração semelhante ao Vosso”.

  

(1) Reflexão feita pelo Arcebispo de Salvador, Dom Murilo S. R. Krieger,  quando da realização da Festa de Corpus Christi - (2014).

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