terça-feira, 21 de abril de 2026

Sede de autênticas e salutares amizades

 


Sede de autênticas e salutares amizades

A autêntica amizade nos impulsiona mutuamente para voarmos em direção das estrelas  e alcançarmos a luz que nos vem do alto; a luz divina, que nos ilumina e nos conduz por noites e caminhos, vales escuros e, por vezes, sombrios.

E assim alcançam um outro olhar, quando perspectivas pareciam não mais existir, ou quando muito parcas, fracas ou o não bastante para passos trocar pelo peso do sofrimento, dor e a frágil humana condição.

Amizades, precisamos para acender a luz da esperança no mundo, e assim podemos, porque a esperança não decepciona, e ela tem nome: Jesus, sobretudo porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações por meio do Espírito Santo (cf. Rm 5,5).

Sede de amizades autênticas haverá de sempre nos acompanhar, porque sem elas, que sentido a vida teria, que beleza e encanto possuiria?

Também o Senhor tem sede de nossa amizade e por isto não nos chamou e tratou como servos, mas nos chamou e conosco se relacionou como Amigo.

Como o discípulo amado, em Seu peito reclinemos, e em Suas Chagas gloriosas mergulhemos, para que forças e reencanto reencontremos, e com Ele, n’Ele, na Palavra e na Eucaristia, amizade autêntica eternizada. Amém. Aleluia!

Papa Francisco: sua vida e voz profética ressoarão em nossos corações

                                                 


Papa Francisco: sua vida e voz profética ressoarão em nossos corações

Como Vigário de Cristo e Pastor de toda a Igreja, o Papa detém o ofício universal de ensinar e governar, sempre visando ao e desenvolvimento espiritual do Povo de Deus.

O cânon 331 do Código de Direito Canônico afirma que o Papa é o sucessor de Pedro - "O Bispo da Igreja de Roma, no qual perdura o múnus concedido pelo Senhor singularmente a Pedro, primeiro dos Apóstolos, para ser transmitido aos sucessores, é a cabeça do Colégio dos Bispos, Vigário de Cristo e aqui na terra Pastor da Igreja universal.”

E ainda, no mesmo Cânon, sobre o poder do Papa, declara-se – “ele tem poder ordinário supremo, pleno, imediato e universal, que pode sempre exercer livremente” (CDC – can. 331).

O Papa Francisco nos ajudou a rever os caminhos, para que sejamos uma Igreja cada vez mais sinodal, misericordiosa e missionária.

Ressalto seu testemunho de pobreza, poder traduzido em serviço, conforme nos ensinou Jesus Cristo nas páginas dos Evangelhos; sua defesa profética e incondicional dos pobres, e da vida de todas as pessoas, sobretudo das mais vulneráveis; seu empenho como promotor de uma consciência ecológica no cuidado com a nossa Casa Comum, expresso em seus escritos, discursos e Encíclicas; sua atuação como um arauto da paz, com a corajosa denúncia dos conflitos,  afirmando que vivemos uma “terceira guerra mundial em pedaços.”

Rezemos pelo descanso eterno do nosso querido Papa, que viveu seu Pontificado com zelo, amor e ardor, e elevemos nossas orações para que o Espírito Santo anime, conduza e ilumine a escolha de seu sucessor.

“Vinde Espírito Santo, enchei os corações dos Vossos fiéis...”

 PS: Escrito em 21 de abril de 2025.

A minh’alma tem sede de Deus e de alegria

                                                            

A minh’alma tem sede de Deus e de alegria


“Que eu Te conheça e Te ame,
para encontrar em Ti minha alegria”

Vivendo intensamente o Tempo Pascal, sejamos enriquecidos pelos escritos do bispo Santo Anselmo (séc. XII), em seu “Proslógion, em que manifesta o ardente desejo de conhecer a Deus e amá-Lo, e n’Ele encontrar a sua alegria.

“Encontraste, ó minh’alma, o que procuravas? Procuravas a Deus e viste que Ele está muito acima de tudo, e nada melhor do que Ele se pode pensar; que Ele é a própria vida, a luz, a sabedoria, a bondade, a eterna felicidade e a feliz eternidade; e que Ele é tudo isto sempre e em toda parte.

Senhor meu Deus, meu Criador e Redentor, dize à minh’alma sedenta em que és diferente daquilo que ela viu, para que veja mais claramente o que deseja. Ela se esforça por ver sempre mais; contudo nada vê além do que já viu, senão trevas. Ou melhor, não vê trevas, porque elas não existem em Ti; porém vê que não pode enxergar mais por causa das trevas que possui.

Verdadeiramente, Senhor, esta é a luz inacessível em que habitas; verdadeiramente nada há que penetre nesta luz para ali te ver, tal como és. De fato, eu não vejo essa luz, porque é excessiva para mim; e, no entanto, tudo quanto vejo é através dela: semelhante à nossa vista humana que, pela sua fraqueza, só pode ver por meio da luz do sol e contudo não pode olhar diretamente para o sol.

Minha inteligência é incapaz de ver essa luz, demasiado brilhante para ser compreendida; os olhos de minh’alma não suportam fixar-se nela por muito tempo. Ficam ofuscados pelo seu esplendor, vencidos pela sua imensidade, confundidos pela sua grandeza.

Ó luz suprema e inacessível! Ó verdade plena e bem-aventurada! Como estás longe de mim que de ti estou tão perto! Quão afastada estás de meu olhar, de mim que estou tão presente ao teu olhar!

Estás presente em toda parte, e eu não te vejo. Em Ti me movo, em Ti existo, e de Ti não posso me aproximar. Estás dentro de mim e a meu redor, e eu não Te percebo.

Peço-Te, meu Deus, faze que eu Te conheça e Te ame, para encontrar em Ti minha alegria. E se não o posso alcançar plenamente nesta vida, que ao menos vá me aproximando, dia após dia, dessa plenitude. Cresça agora em mim o conhecimento de Ti, para que chegue um dia ao conhecimento perfeito; cresça agora em mim o amor por Ti até que chegue um dia à plenitude do amor; seja agora a minha alegria grande em esperança, para que um dia seja plena mediante a posse da realidade.

Senhor, por meio de Teu Filho ordenas, ou melhor, aconselhas a pedir, e prometes acolher o pedido para que nossa alegria seja completa. Por isso, peço-Te, Senhor, o que aconselhas por meio do nosso admirável Conselheiro; possa eu receber o que em Tua fidelidade prometes, a fim de que minha alegria seja completa. Deus fiel, eu Te peço: faze que O receba, para que minha alegria seja completa.

Por enquanto, nisto medite meu espírito e fale minha língua. Isto ame meu coração e proclame minha boca. Desta felicidade prometida tenha forme e sede a minha carne. Todo o meu ser a deseja, até que um dia entre na alegria do meu Senhor, que é Deus uno e trino, bendito pelos séculos. Amém”.

Muitas vezes, podemos experimentar esta sede de Deus, como tão bem expressou o bispo; sobretudo quando passamos por noites escuras, enfrentando tempestades que parecem se eternizar, ou ventos contrários que parecem levar com eles nossos sonhos e projetos, exigindo renovadas e redobradas forças.

Esta reflexão nos coloca sequiosamente diante do Mistério de Deus, que tão somente Ele pode saciar a nossa sede de amor, vida, alegria e paz.

Concluo, retomando palavras do bispo, extraídas de outro texto:

“Ensinai-me a Vos procurar e mostrai-Vos quando Vos procuro; não posso procurar-Vos se não me ensinais  nem encontrar-Vos se não Vos mostrais. Que desejando eu Vos procure, procurando Vos deseje, amando Vos encontre,  e encontrando Vos ame”.

Em poucas palavras...

                                                         

                                    Tenho sede de Deus

Deus, Mistério tão profundo e imenso que não cabe nas limitações de nossa mente e coração. 

“Ensinai-me a Vos procurar e mostrai-Vos quando Vos procuro; não posso procurar-Vos se não me ensinais nem encontrar-Vos se não Vos mostrais. Que desejando eu Vos procure, procurando Vos deseje, amando Vos encontre,  e encontrando Vos ame”. (1)

 

(1) Santo Anselmo (séc. XII)

Os sete sinais no Evangelho no quarto Evangelho

                                            


Os sete sinais no Evangelho no quarto Evangelho

Na primeira parte da sua obra, João Apóstolo e Evangelista, procura nos revelar quem é Jesus Cristo e sua missão, bem como apresentar a Sua natureza divina, e nos apresenta através de sete sinais:

  • As bodas de Caná (Jo 2,1-12)
  • A Cura do filho de um funcionário real (Jo 4,43-54)
  • A Cura do enfermo na piscina de Betesda (paralítico) (Jo 5,1-47)
  • A Multiplicação dos pães (Jo 6,1-15)
  • O Caminhar sobre as águas do mar (Jo 6,16-70)
  • A Cura do cego de nascença (Jo 9,1-41)
  • A Ressurreição de Lázaro (Jo 11,1-54)

 

Aperfeiçoamento espiritual constante

                                               

                                  Aperfeiçoamento espiritual constante

Reflexão à lkuz da passagem da Carta aos Colossenses (Cl 1,9b-11): 

“Que chegueis a conhecer plenamente a vontade de Deus, com toda a sabedoria e com o discernimento da luz do Espírito. Pois deveis levar uma vida digna do Senhor, para lhe serdes agradáveis em tudo. Deveis produzir frutos em toda a boa obra e crescer no conhecimento de Deus, animados de muita força, pelo poder de Sua glória, de muita paciência e constância, com alegria.” (1)

O apóstolo Paulo exorta a comunidade de Colossas e a nós, em todo o tempo, a fim de que tenhamos um aperfeiçoamento espiritual constante, vivamos uma vida agradável a Deus:

São imprescindíveis suas exortações para a vida cristã: 

- O conhecimento pleno da vontade de Deus;

- Viver uma vida digna do Senhor para ser agradáveis a Ele em tudo;

- Produzir frutos em toda a boa obra;

- Crescer no conhecimento de Deus. 

Ressoem as palavras do Senhor, que ouvimos na passagem do Evangelho de Mateus: 

“Assim brilhe a Vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus” (Mt 5,16)

Oportunao o Comentário do Missal Cotidiano:

"A comunidade cristã procura em todas as coisas o que faz caminhar com Deus. Descobrir antes de tudo um encontro com Deus... contemplá-Lo também na face do irmão e restituir um rosto humano ao homem desfigurado. Sim o conhecimento é para o amor. Sem amor, de que vale o conhecimento de Deus. De que vale dar o próprio corpo às chamas?"(1)

Oremos:

Senhor Deus, ajudai-nos a conhecer plenamente a Vossa vontade, com toda a sabedoria e discernimento da luz do Espírito, e uma vez conhecida, com Vosso Espírito, a vivamos concretamente, dia a dia.

Ajudai-nos a levar uma vida digna, na fidelidade aos Vossos divinos mandamentos, para que, em tudo, sejamos agradáveis a Vós, irradiando a Vossa Luz a quantos precisarem, e sermos sal da terra e fermento na massa, a serviço do Vosso Reino.

Concedei-nos a graça de produzir frutos em toda boa obra, de modo especial os frutos do Espírito: caridade, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, lealdade, mansidão, continência (Gl 5,2).

Iluminai nossa mente e as entranhas mais profundas de nosso coração, para que ao Vos conhecermos, cada vez mais Vos amemos, até que um dia possamos contemplá-lo face a face, na glória da eternidade. 

“Ensinai-me a Vos procurar e mostrai-Vos quando Vos procuro; pois não posso prourar-Vos  se não me ensinais nem encontrar-Vos se não Vos mostrais. Que desejando eu Vos procure, procurando Vos deseje, amando Vos encontre,  e encontrando Vos ame”.  (2)

Dai-nos, Senhor Deus, a graça de crescermos no conhecimento de Vós, bem como no conhecimento pleno de Vossa vontade, para que a realizando, vivamos uma vida digna e que Vos agrade, sobrepondo sempre a Vossa à nossa, e tão somente assim produziremos frutos em toda a boa obra. 

Ajudai-nos a levar muitos a Vos dar glória ao virem as obras que fazemos, resplandecendo a Vossa luz no mundo, e sendo sal da terra, vivendo assim a graça do batismo que recebemos, na fidelidade às Palavras de Vosso Filho, em comunhão com o Espírito Santo. Amém. 


1) Comentário do Missal Cotidiano - Editora Paulus - pág. 1231 

     ) Santo Anselmo – séc. XII

  

  PS: Apropriado para reflexão da passagem da Carta de Paulo aos Colossenses (Cl, 1,9-14), proclamada na quinta-feira da 22ª Semana do Tempo Comum.



Nosso desejo mais profundo: encontrar o Senhor

                                                               

Nosso desejo mais profundo: encontrar o Senhor
 
Deus é Mistério profundo que não cabe nas limitações de nossa mente e coração, como veremos na reflexão de Santo Anselmo (séc. XII).
 
“Que pode fazer, Altíssimo Senhor, que pode fazer este exilado longe de Vós? Que pode fazer este Vosso servo, sedento do Vosso amor, mas tão longe de Vossa presença? Aspira ver-Vos, mas Vossa Face se esconde inteiramente dele. Deseja aproximar-se de Vós, mas Vossa morada é inacessível. Aspira encontrar-Vos, mas não sabe onde estais.
 
Tenta procurar-Vos, mas desconhece a Vossa face. Senhor, Vós sois o meu Deus, o meu Senhor, e nunca Vos vi. Vós me criastes e me redimistes, destes-me todos os Vossos bens e ainda não Vos conheço. Fui criado para Vos ver e ainda não fiz aquilo para que fui criado.
 
E Vós, Senhor, até quando? Até quando, Senhor, nos esquecereis, até quando nos ocultareis a Vossa Face? Quando nos olhareis e nos ouvireis? Quando iluminareis os nossos olhos e nos mostrareis a Vossa Face? Quando voltareis a nós?
 
Olhai-nos Senhor, ouvi-nos, mostrai-Vos a nós. Dai-nos novamente a Vossa presença para sermos felizes, pois sem Vós somos tão infelizes! Tende piedade dos rudes esforços que fazemos para alcançar-Vos, nós que nada podemos sem Vós.
 
Ensinai-me a Vos procurar e mostrai-Vos quando Vos procuro; pois não posso procurar-Vos se não me ensinais nem encontrar-Vos se não Vos mostrais. Que desejando eu Vos procure, procurando Vos deseje, amando Vos encontre, e encontrando Vos ame” (1).
 
Entremos no íntimo de nossa alma, afastando-nos de tudo, exceto de Deus ou daquilo que nos ajude a procurá-Lo, suplicando ao Senhor Deus que ensine nosso coração para que saibamos onde e como procurá-Lo, onde e como encontrá-Lo.
 
Bebamos desta fonte genuína de espiritualidade, fazendo germinar o que de melhor possamos plantar em nossos corações vigilantes e orantes.
 
Incansavelmente procuramos por Deus, a mais bela procura, porque jamais nos cansa, e uma vez encontrado, ainda falta tudo por encontrá-Lo, como disse Santo Agostinho.
 
Procuremos no mais profundo de nós mesmos Aquele que veio, vem e virá, Aquele que nos felicitou e nos divinizou com Sua morada em nós.
 
Reflitamos:
 
- Por que procurarmos fora de nós Aquele que em nós habita?
- Por que nos distanciarmos d’Aquele que é mais íntimo de nós do que nós de nós mesmos?
 
Concluímos repetindo suas palavras, na incansável procura por Deus:
 
“Ensinai-me a Vos procurar e mostrai-Vos quando Vos procuro; pois não posso procurar-Vos se não me ensinais, nem encontrar-Vos se não Vos mostrais. Que desejando eu Vos procure, procurando Vos deseje, amando Vos encontre,  e encontrando Vos ame”.
 
(1) Liturgia das Horas - Vol. I – pág. 151-152
 
 
PS: Oportuno para o Tempo do Advento, quando nos preparamos para a Vinda d’Aquele que veio, vem e virá, e que tanto esperamos e incansavelmente procuramos, revigorando nossa espiritualidade para frutos saborosos do Natal produzirmos: amor, vida, sorriso, felicidade, justiça, paz...
 
Advento: tempo de dar sabor à vida e fazer germinar aquilo que de bom possamos plantar em corações vigilantes que se predispuseram ao arado indispensável, pelo jugo da Cruz, pois não há Natal sem o Mistério da Paixão, Morte, e Ressurreição do Senhor.
 
 


Quem sou eu

Minha foto
4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG