quinta-feira, 19 de março de 2026

A difícil e bela missão de ser pai

                                                            

A difícil e bela missão de ser pai

Celebramos no dia 19 de março a Solenidade de São José, esposo da Bem-Aventurada Virgem Maria e patrono da Igreja, e a Liturgia da Palavra nos apresenta estas leituras: 2Sm 7, 4-5a.12-14a; Rm 4, 13.16-18.22; Mt 1, 16.18-21.24.

Sejamos enriquecidos por esta reflexão a fim de que edifiquemos famílias como santuários da vida, uma pequenina Igreja doméstica:

“A Igreja propondo-nos, em algumas Festas, a figura de homens – os Santos [...]  Propõe-se, ao invés, essencialmente, um fim educativo e pastoral; quer colocar-nos diante dos olhos encarnações concretas do Evangelho, isto é, um valor religioso vivido exemplarmente num estado e numa situação particular da  vida.

O valor evangélico encarnado por São José é o da paternidade: o que é necessário para ser um pai ‘de acordo com os planos de Deus’. É bonito saber que em alguns lugares se tenha escolhido a Festa de São José para fazer nas famílias ‘a festa do pai’.

A segunda leitura nos falou também de paternidade, com a figura de Abraão, pai de muitos povos. Também esta paternidade metafórica, da fé, ajuda a entender o sentido profundo de ser pai.

No Evangelho fala-se, enfim, de outro Pai, o único que Jesus chama ‘o meu Pai’  (talvez para tornar mais precisas as palavras de Maria: Teu pai e eu, angustiados, Te procurávamos).

José é uma pessoa da qual se fala pouco. Temos muitas oportunidades, graças às numerosas festas de Nossa Senhora, falar da mãe e da mulher, mas poucas – talvez somente a de hoje – para falar da pessoa do pai.

[...] No Antigo Testamento – escutamos na primeira Leitura – Deus diz:

Eu serei para ele um Pai; São Paulo escreve que toda paternidade, no céu e na terra, deriva e toma nome da paternidade divina (cf. Ef 3,15).

Em duas coisas Jesus nos ensinou a reconhecer, sobretudo, a paternidade de Deus. A primeira é esta: Deus é Pai porque cuida de nós (cf. 1Pd 5, 7): Vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes que vós lhe peçais. [...]

Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã (Mt 6, 8-34); vós, pois, que sois maus – acrescenta Jesus – sabeis dar boas coisas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai celeste dará boas coisas aos que lhe pedirem (Mt 7, 11).

São José encarnou este traço da paternidade. Sua solicitude desinteressada pela esposa e pelo ‘filho’ enche as primeiras páginas do Evangelho.

Quantas coisas pode isto sugerir a um pai cristão! O que significa desperdiçar, olhar para o que é realmente útil para a família, não para os próprios gostos e caprichos.

Significa não se aproveitar do próprio trabalho como pretexto para humilhar; nunca fazer pesar aos de casa que eles estão comendo ‘em suas costas’.

Significa cuidar da saúde e da integridade de seus familiares, não expô-los inutilmente a perigos, por exemplo quando dirige o carro.

A solicitude deve estender-se também à saúde mental e moral. Por isso, o pai controlará o que entra em sua casa, pessoas e livros.

O outro traço que Jesus nos apontou muitas vezes na paternidade de Deus é a bondade, isto é, Sua doçura, Sua ternura e Sua longanimidade: Sede misericordiosos – isto é, bons – como também vosso Pai é misericordioso (Lc 6, 36). Pensemos na atitude com que Jesus descreve o pai na Parábola do filho pródigo, quando este volta para casa: isto é bondade e magnanimidade.

Pensemos agora em São José, em sua delicadeza com Maria quando esta lhe revelou o mistério da sua maternidade, em silêncio no templo.

Uma coisa que os pais devem corrigir é precisamente esta. Seu verdadeiro papel na família não é, com efeito, se ocupar apenas da parte financeira, mas ser a imagem de uma bondade forte ou de uma energia bondosa.

Do contrário, vai acontecer como àquele pai desesperado porque, depois de ter dado ao filho várias notas de cem reais cada semana para se divertir, um dia o ouviu dizer: ‘Você nunca me deu nada. Por que me fez nascer?’.

Seria preciso pensar também no modo com que se exerce a autoridade. O pai não é chefe do jeito de quem dirige um trabalho ou um exército.

Não há coisa mais triste do que conhecer crianças que têm medo do próprio pai e esperam que ele saia de casa para falar e sentir-se livres. Há um número considerável destas crianças que crescem, consequentemente, cheias de inseguranças e de complexos.

É grandeza de alma reconhecer também a contribuição da própria esposa e externar este reconhecimento com gestos e palavras. E depois o diálogo conjugal; é mau sinal reservar seus melhores pensamentos, os comportamentos mais gentis para quando se está fora de casa, com os amigos ou com outras mulheres.

A coisa mais bonita e, tacitamente, mais desejada por parte dos filhos é que o pai e a mãe demonstrem que se querem bem. Isto dá-lhes segurança, os faz crescer; é como oxigênio para seus jovens pulmões. Tantas fugas trágicas no paraíso da droga e da delinquência começam pelas carências neste campo: as rupturas violentas entre pais deixam marcas no ânimo dos filhos e apagam sua confiança na vida.

O amor que havia entre o pai adotivo e a mãe de Jesus! Este se reflete também naquelas sentidas palavras de Maria: Teu pai e eu, angustiados, Te procurávamos; a angústia do pai é mencionada antes da sua.

A paternidade deve se enriquecer, em relação aos filhos, pela amizade. Isto exige que se fale livremente com eles; que não se continue a tratá-los como crianças, como acontece, muitas vezes, também quando são maiores e responsáveis; que não se apele demais para a autoridade e nem para o paternalismo; que se tenha a paciência necessária de esperar que amadureçam para que descubram por conta própria a razão de certas decisões” (1)

À luz do que afirmou o autor, Raniero Cantalamessa, apresento esta oração: 

Oremos: 

Ó Deus, contemplando a vocação de tantos pais,
Vejo como é bela e difícil a missão de ser pai.

Elevo Orações por todos os pais de nossa comunidade.
Suplico-Vos que lhes conceda a força e a luz divina
para serem como São  José,

Pai adotivo do Senhor, servo bom e fiel,
Guardião e defensor da Divina Fonte da Vida, Jesus.

Guiados por Vós, sejam como sois: solícitos, dóceis, ternos,
Pacientes e misericordiosos.

Dai, ó Deus, a eles a alegria serena e a
Graça de viver uma profunda e fecunda paternidade
Sendo de Vós imagem e sinal. Amém!

Pai Nosso que estais nos céus...

(1) “O Verbo Se faz carne” – Raniero Cantalamessa - Editora Av Maria - 2013 - pp. 834-836 

Mensagem do Papa Francisco para o 58º Dia Mundial de Oração pelas Vocações

                                                                  

Mensagem do Papa Francisco para o 58º Dia Mundial de Oração pelas Vocações

Tema: São José: o sonho da vocação”

Retomemos a Mensagem do Papa Francisco para o dia do Bom Pastor (4º Domingo da Páscoa) e o 58º Dia Mundial de oração pelas vocações (2021).

A mensagem tinha como motivação o Ano especial dedicado a São José (08/12/2020-08/12/2021), por ocasião do 150º aniversário da declaração dele como Padroeiro da Igreja universal da Igreja, do Papa PIO IX.

Apresentou-nos São José, embora não tenha sido famoso, tão pouco os Evangelhos transcrevam uma palavra sequer, como modelo de toda vocação realizada com amor e expressão de alegria, a partir de três palavras-chaves: sonho, serviço e fidelidade.

1º Sonho – São José, através dos sonhos que Deus lhe inspirou, fez da sua existência um dom, como nos falam os Evangelhos de seus quatro sonhos (cf. Mt 1, 20; 2, 13.19.22).

A partir destes, São José soube alterar os seus planos para executar os misteriosos projetos de Deus, ainda que tivesse que sacrificar os próprios.

Que ele ajude a todos, sobretudo aos jovens em discernimento, a realizar os sonhos que Deus tem para cada um; inspire a corajosa intrepidez de dizer «sim» ao Senhor, que sempre surpreende e nunca desilude, disse o Papa.

2º - Serviço - ele viveu em tudo para os outros e nunca para si mesmo, com capacidade de amar sem nada reservar para si próprio, encarnando o sentido oblativo da vida, de modo que toda a verdadeira vocação nasce do dom de si mesmo, que é a maturação do simples sacrifício; assim como no sacerdócio e na vida consagrada, ou qualquer outra vocação, requer-se esta maturidade.

São José é como a mão estendida do Pai Celeste para o Seu Filho na terra, sendo modelo para todas as vocações, pois para isto são chamadas: ser as mãos operosas do Pai em prol dos Seus filhos e filhas.”

3º - Fidelidade – A vocação de José se realiza na fidelidade incondicional a Deus, como um homem justo (Mt 1,19), que, no trabalho silencioso de cada dia, persevera na adesão a Deus e aos Seus desígnios, tudo repassando com paciência, pois sabia que a existência se constrói apenas sobre uma contínua adesão às grandes opções, e isto corresponde à laboriosidade calma e constante com que desempenhou a profissão humilde de carpinteiro (cf. Mt 13, 55).

Esta fidelidade se alimentava das palavras recebidas em sonho, em permanente convite para que não tivesse medo, porque Deus é fiel às Suas promessas: “José, filho de David, não temas’ (Mt 1, 20).

A todos nós, o Papa dirigiu palavras, para que não tenhamos medo de dar nossa resposta “...quando, por entre incertezas e hesitações, sentes como inadiável o desejo de Lhe doar a vida. São as palavras que te repete quando no lugar onde estás, talvez no meio de dificuldades e incompreensões, te esforças por seguir diariamente a Sua vontade. São as palavras que descobres quando, ao longo do itinerário da chamada, retornas ao primeiro amor. São as palavras que, como um refrão, acompanham quem diz sim a Deus com a vida como São José: na fidelidade de cada dia”.

Finalizou a Mensagem expressando o desejo de que, assim como na casa de Nazaré, onde reinava “uma alegria cristalina” (como diz um hino litúrgico), ela se faça presente em todos os lugares, como em nossos seminários, institutos religiosos e residências paroquiais:

“É a alegria que vos desejo a vós, irmãos e irmãs que generosamente fizestes de Deus o sonho da vida, para O servir nos irmãos e irmãs que vos estão confiados, através duma fidelidade que em si mesma já é testemunho, numa época marcada por escolhas passageiras e emoções que desaparecem sem gerar a alegria. São José, guardião das vocações, vos acompanhe com coração de pai!”

 


Grandeza e santidade de um carpinteiro de Nazaré chamado José

                                               


Grandeza e santidade de um carpinteiro de Nazaré chamado José

“Dize-me, José, quando conheceste Maria? Terá sido em uma manhã de primavera, quando ela voltava da fonte do vilarejo com seu cântaro na cabeça e a mão na cintura, esbelta como um lírio? Ou em um dia de sábado, enquanto conversava à parte com as jovens de Nazaré sob o arco da sinagoga? Ou ainda em uma tarde de verão, em um campo de trigo, enquanto, abaixando seus esplêndidos olhos para não revelar o pudor da pobreza, se afanava na humilde tarefa da colheita? Ou quando te retribuiu o sorriso e te tocou a cabeça com sua primeira carícia, que talvez tenha sido sua primeira aceitação, e tu não o sabias (e, à noite, encharcaste teu travesseiro com lágrimas de felicidade...)? Ela te escrevia cartas de amor?

Talvez, sim (e o sorriso que acompanha o movimento de teus olhos para o armário de tintas e vernizes dá-me a entender que, em um desses frascos vazios, que já não se abrem, ainda guardas uma daquelas cartas).

Então, uma noite, te revestiste de coragem e te aproximaste de sua janela, perfumada com manjericão e menta, e lhe cantaste suavemente os versos do Cântico dos Cânticos: "Levanta-te, minha amada, formosa minha, vem a mim! Vê o inverno: já passou! Olha a chuva: já se foi! As flores florescem na terra, o tempo da poda vem vindo e o canto da rolinha se faz ouvir em nosso campo. Despontam figos na figueira e a vinha florida exala perfume.

Levanta, minha amada, formosa minha, vem a mim! Pomba minha, que se aninha nos vãos do rochedo, pela fenda dos barrancos... Deixa-me ver teu rosto, deixa-me ouvir tua voz, pois teu rosto é tão formoso e tão doce tua voz!" (2,10-14). E tua amada, tua pomba, tua formosa se levantou de verdade. Saiu ao teu encontro, fazendo-te estremecer. Tomou tua mão na sua, e enquanto o coração te estalava no peito, te confiou ali, sob as estrelas, um grande segredo. Só tu, sonhador, podias entendê-la. Falou-te do Deus de Israel.

De um anjo do Senhor. De um mistério escondido pelos séculos e agora escondido em seu ventre. De um projeto maior que o universo e mais alto que o firmamento que se estendia sobre ti e ela.

Então, pediu-te que saísses de sua vida, que lhe dissesses adeus e a esquecesses para sempre. Foi aí que a estreitastes junto a teu coração pela primeira vez, e lhe dissestes com tremor: "De minha parte, renuncio voluntariamente a meus planos.

Quero partilhar os teus, Maria, contanto que me deixes estar contigo". Ela te respondeu que sim, e tu lhe tocaste o ventre com uma carícia: foi tua primeira benção para a Igreja nascente (...). 

E penso que tiveste mais coragem para partilhar o projeto de Maria do que ela, inicialmente, para partilhar o Projeto do Senhor. Ela apostou tudo na onipotência do Criador, mas tu apostaste tudo na fragilidade de uma criatura. Ela teve mais fé, mas tu tiveste mais esperança. E a caridade fez o resto, em ti e nela”.

 

PS:  Texto de Dom Tonino Bello para reflexão, no ano que de São José, declarado pelo Papa Francisco; iniciado em 08 de dezembro de 2020, e a ser encerrado no dia 08 de dezembro de 2021.

Texto completo, em italiano, encontra-se em: La carezza de Dio: lettera a Giuseppe. Molfetta: Meridiana | Luce e Vita, 2021.

Antonino Bello (mais conhecido como Dom Tonino).

Aprendamos com São José

                                                                 

Aprendamos com São José

Aprendamos com São José, que ao lado de Maria, na Sagrada Família de Nazaré, com o seu trabalho e presença generosa, cuidou e defendeu Maria e Jesus.

Aprendamos com São José, guardião e protetor da Sagrada Família, que livrou Maria e Jesus da violência dos injustos, levando-os para o Egito.

Aprendamos com São José, homem justo, trabalhador, e que de sua figura, emana também uma grande ternura, própria não de quem é fraco, mas de quem é verdadeiramente forte, atento à realidade, para amar e servir humildemente.

Aprendamos com São José, protetor da Igreja universal, a cuidar da terra, nossa casa comum, e trabalhar, com generosidade e ternura, para proteger este mundo que Deus nos confiou. Amém.


Fonte: Encíclica “Laudato Si’” – Papa Francisco – 2015 – n.242       

Solenidade em louvor a São José, o esposo de Maria

                                                       

Solenidade em louvor a São José, o esposo de Maria

Celebramos no dia 19 de março a Solenidade de São José, esposo da Bem-Aventurada Virgem Maria e patrono da Igreja, e a Liturgia da Palavra nos apresenta estas leituras: 2Sm 7, 4-5a.12-14a; Rm 4, 13.16-18.22; Mt 1, 16.18-21.24.

 
Reflitamos sobre a família como santuário da vida, uma pequenina Igreja doméstica, e empenhemo-nos para o fortalecimento da vocação da paternidade e na Santificação de nossas famílias.

Deste modo, a Família é o primeiro espaço indispensável para o aprendizado do valor Sagrado da Família, do aprendizado das opções que favorecem a vida para o amadurecimento da fé; o crescimento da esperança e o fortalecimento da caridade.

São José, esposo de Maria é um exemplo a ser imitado, porque foi um homem justo e piedoso; mestre de santidade; soube acolher os Mistérios de Deus e renunciou aos próprios projetos.

Também soube ler os segredos de Deus, vivendo intensamente a fidelidade à vontade de Deus, com coragem de assumir compromissos maiores.

São José foi guarda fiel do Salvador e providente da Sagrada Família.

Um modelo 
de coragem, e reconheceu na humanidade de Jesus, a Sua divindade.

Homem dos Mistérios gozosos, dolorosos, luminosos e gloriosos.

São José, o homem que enfrentou as noites escuras e hoje participa do esplendor de Deus. 

Ao lado de Maria, José acolheu e protegeu a Fonte da Vida e com o Redentor da Vida se comprometeu.

Eis um grande modelo a ser imitado por nós. Com ele podemos contar, pois está junto de Deus, na comunhão dos Santos.

Contemos com a sua intercessão junto ao Pai, por todos os pais e mães de nosso tempo e por todas as famílias.

Inspirados nos exemplos de São José, queremos nos comprometer com a promoção da dignidade e a defesa da sacralidade da vida. Amém.

Concluímos com a Oração a São José, do Papa Francisco:

“Salve, guardião do Redentor
e esposo da Virgem Maria!
A vós, Deus confiou o Seu Filho;
em vós, Maria depositou a sua confiança;
convosco, Cristo tornou-Se homem.
 
Ó Bem-aventurado José, mostrai-vos pai também para nós
e guiai-nos no caminho da vida.
Alcançai-nos graça, misericórdia e coragem,
e defendei-nos de todo o mal. Amém”.


PS: Se desejar, acesse o link e confira a carta na integra:

http://www.vatican.va/content/francesco/pt/apost_letters/documents/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html

Coração pleno do Amor de Deus

                                                   

Coração pleno do Amor de Deus

Ouvimos na quarta Quinta-feira da Quaresma a passagem do Evangelho de João (Jo 5, 31-47) com o duro discurso de Jesus contra as acusações que recebeu dos judeus ao curar um homem paralítico há  38 anos, na piscina de Betesda.

Jesus diz claramente aos seus opositores: “Vós nunca ouvistes a Sua voz nem vistes a Sua face. Desse modo a Sua Palavra não permanece em vós {...} conheço-vos muito bem: o Amor de Deus não está dentro de vós” (Jo 5, 38-42).

Jesus constata que, infelizmente, os judeus, diante da cura realizada, e apesar dos inúmeros testemunhos e sinais realizados, permaneceram incrédulos, porque eram cheios de si mesmos e, portanto, privados de Deus.

Eles não reconheceram Jesus como Salvador nem a sua missão divina por Deus confiada, ainda que quatro testemunhos concorressem para a veracidade de Sua Pessoa e Missão Redentora da Humanidade (verdadeiramente Homem, verdadeiramente Deus):

- O testemunho dado por João Batista sobre a sua pessoa e missão;
As obras (sinais) que Ele realizava;
O próprio Deus, a quem chamava de Abbá (papaizinho)
- As Escrituras Sagradas, como a fonte de Vida, falam a Seu respeito: “Ele é a Palavra de Deus que Se faz Carne no meio da humanidade.”

Pode ocorrer o mesmo conosco: incredulidade no poder de Deus, frieza e indiferença à pessoa e missão de Jesus, dureza de coração e fechamento ao amor de Deus e, consequentemente, fragilização e empobrecimento de nossos relacionamentos com o outro.

Supliquemos a Deus para que nesta Quaresma, tempo favorável de conversão, transforme nosso coração de pedra em coração de carne, como tão bem expressou o Profeta Ezequiel (Ez 36,26), confiantes na misericórdia de Deus que não despreza um coração contrito e humilhado (Sl 50).

Provocados pela Palavra de Deus, pelas duras Palavras de Jesus no Evangelho, permitamos a ação transformadora e renovadora de Deus em nossa vida, abertos à Sua misericórdia, deixando-nos modelar por Suas mãos, como barro na mão do oleiro.

Deixando de lado toda letargia, preguiça, ilusões deste mundo, com nosso coração por Deus seduzido e indiviso, revigorados pela ação do Santo Espírito, na fidelidade a Cristo Servo Sofredor, glorioso e vencedor, não vacilemos jamais na fé, tão pouco esmoreçamos e tornemos ínfima nossa esperança, crescendo na prática da caridade, comunicando ao mundo a luminosidade divina que tanto se faz necessária.

Quaresma: Deus não desiste de nós

                                                        

Quaresma: Deus não desiste de nós

Na quinta-feira da 4ª semana do Tempo da Quaresma, ouvimos a passagem do Livro do Êxodo (Ex 32,7-14), e contemplamos a lógica do Amor de Deus, que é a lógica do Amor incondicional, sem restrições, sem fim, indefectível; um amor pela humanidade, um Amor absoluto, gratuito, inesgotável, irrevogável...

É uma página da misericórdia, do Amor, da bondade, da ternura, da magnanimidade divina para conosco, pois o amor e o perdão divinos têm sempre a última palavra. O amor de Deus fala mais alto, paradoxalmente, à nossa surdez a Sua Palavra.

A lealdade de Deus para com Seu povo é incontestável, infinitamente além de nossas infidelidades, e não correspondência ao Seu Projeto de vida, fraternidade e paz!

Deus é incapaz de deixar de nos amar, porque somos obra de Suas mãos; inacabadas, portando limitações que somente o amor é capaz de aprimorar.

O Amor de Deus é a possibilidade de nos aprimorarmos, para que sejamos o que devemos ser, para que mais verdadeiramente, imagem d’Ele, o sejamos... Por isto Seu amor jamais nos falta!

Transbordemos de alegria diante de um Deus que não pensa e não faz outra coisa, senão nos amar e querer o melhor para nós!

Deus é irredutível em nos amar, porque jamais desiste de nós, e somente quem ama é capaz de entrar na alegria de Deus!

Infelizmente, na cidade é grande o número dos que não são amados por ninguém, para os quais não se tem um olhar a não ser o olhar da eficiência econômica, do quanto é capaz de gerar riquezas...

Vivemos na sociedade da descartabilidade – “... só pode ser feliz quem é reconhecido, estimado, apreciado, sobretudo amado. Não existe verdadeira experiência humana sem intercâmbio, diálogo, confidência, verdadeiro amor recíproco. Só o amor é capaz de transformar, mas com uma condição: que seja gratuito e livre”
Enquanto o mal existir, haverá a emergência e a necessidade do amor a ser vivido, para que o bem e a vida prevaleçam, a comunhão aconteça.

Moisés, confiante na misericórdia de Deus, não tem outra atitude, senão suplicar a mesma para com o povo; nada quis para si, a não ser o bem daqueles que o Senhor lhe confiou

Verdadeiramente e continuamente, a Misericórdia de Deus nos recria, nos aperfeiçoa e nos faz novas criaturas.

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