quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Nada nos separará da Verdadeira Videira

                                                        

Nada nos separará da Verdadeira Videira

“Quem nos separará do amor de Cristo”

Sejamos enriquecidos pelo Comentário do Bispo São Cirilo de Alexandria (séc. V) sobre a passagem do Evangelho de João, em que Jesus Se apresenta como a Videira e nós os ramos (cf. Jo 15).

“Querendo mostrar a necessidade de estarmos unidos a Ele pelo amor, e a grande vantagem que nos vem desta união, o Senhor afirma que é a Videira. Os ramos são os que, já se tornaram participantes da Sua natureza pela comunicação do Espírito Santo. De fato, é o Espírito de Cristo que nos une a Ele.

A adesão a esta Videira nasce da boa vontade; a união da Videira conosco procede do Seu afeto e natureza. Foi, de fato, pela boa vontade que nos aproximamos de Cristo, mediante a fé; mas participamos da Sua natureza por termos recebido d’Ele a dignidade da adoção filial. Pois, segundo São Paulo, quem adere ao Senhor torna-se com Ele um só Espírito (1Cor 6,17).

Do mesmo modo, o autor sagrado, noutro lugar da Escritura, dá ao Senhor o nome de alicerce e fundamento. Sobre Ele somos edificados como pedras vivas e espirituais, para nos tornarmos, pelo Espírito Santo, habitação de Deus e formarmos um sacerdócio santo. Entretanto, isto só será possível se Cristo for nosso fundamento. A mesma coisa vem expressa na analogia da videira: Cristo afirma ser ele próprio a Videira e, por assim dizer, a mãe e a educadora dos ramos que dela brotam.

N’Ele e por Ele, fomos regenerados no Espírito Santo, para produzirmos frutos de vida, não da vida antiga e envelhecida, mas daquela vida nova que procede do amor para com Ele. Esta vida nova, porém, só poderemos conservá-la se nos mantivermos perfeitamente inseridos em Cristo, se aderirmos fielmente aos santos Mandamentos que nos foram dados, se guardarmos com solicitude este título de nobreza adquirida e se não permitirmos que se entristeça o Espírito que habita em nós, quer dizer, Deus que por Ele mora em nós.

O evangelista João nos ensina sabiamente de que modo estamos em Cristo e Ele em nós, quando diz: A prova de que permanecemos com Ele, e Ele conosco, é que Ele nos deu o Seu Espírito (1Jo 4,13).

Assim como a raiz faz chegar aos ramos a sua seiva natural, também o Unigênito de Deus concede aos homens, sobretudo aos que lhe estão unidos pela fé, o Seu Espírito. Ele os conduz à santidade perfeita, comunica-lhes a afinidade e parentesco com Sua natureza e a do Pai, alimenta-os na piedade e dá-lhes a sabedoria de toda virtude e bondade.”

Vivendo intensamente o Tempo Pascal, renovamos a graça de pertencermos à Videira do Pai, que é Jesus Cristo, e nela somos ramos que se nutrem da “seiva natural”, que é o próprio Espírito, que nos ilumina e nos enriquece com todos os dons.

É o Espírito a linfa vital que garante a fecundidade de nossa fé, a fim de que produzamos saborosos frutos Pascais na família, na comunidade e em todos os lugares.

É o Espírito que o Senhor prometeu e nos envia sempre, para que renovemos a alegria e o ardor na missão a nós confiada, sem desânimo, apesar das inúmeras dificuldades que possamos enfrentar.

Fiquemos para sempre unidos à Videira, como sagrados ramos do Pai e com a Seiva do Espírito, tenhamos coragem de suportar as podas necessárias, que são a expressão dos despojamentos e enriquecimentos, quedas e erguimentos, próprios da condição humana.

Absolutamente nada nos separará desta Videira, como tão bem expressou o Apóstolo (Rm 8,31-39).

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Aprendendo a orar

                              


Aprendendo a orar
“Temos necessidade de erradicar
o verbalismo rumoroso de nossa Oração.
O silêncio é preferível à multiplicação de palavras.

A retórica vazia faz mal
especialmente quando se quer
seriamente rezar...”

A Oração é tão necessária e imprescindível em nossa vida. No entanto, nos perguntamos: 

- como e quando orar? 
- o que dificulta ou impede nossa oração?

A Oração somente é possível porque nos foi dado o Espírito, que intercede a nós ao Pai, como fala o Apóstolo Paulo aos Romanos – “O Espírito vem em socorro da nossa fraqueza, pois não sabemos o que pedir, nem como pedir; é o próprio Espírito que intercede em nosso favor, com gemidos inefáveis...” (cf. na íntegra Rm 8,26-30).

Arranquemos pela raiz todas as palavras inúteis em nossa oração. Não multipliquemos palavras, como nos ensinou o Senhor.

Extintas as palavras inúteis, no vazio delas o preenchimento da Palavra Eterna. Sendo a oração um diálogo, não podemos tão apenas falar ininterruptamente, sem dar espaço Àquele que sempre tem algo muito melhor a nos dizer e a nos oferecer, antes mesmo que digamos ou que peçamos.

A Oração bem feita, séria, tem ressonância, tem consequência, provoca mudanças de pensamentos, critérios e atitudes.

Orar é acolher a Palavra do Pai, na comunhão do Filho, a nós comunicada pelo Espírito.

Silêncio orante: Palavra ouvida e acolhida, vida transformada e revigorada. Assim o seja! Da verborragia orante, livrai-nos, Senhor!
                                                                                             
Reflitamos:

- Sentimo-nos questionados em nossas orações?
- Oramos ou apenas fazemos retóricas e justificativas de nossos pecados diante da misericórdia divina?

- Rezamos seriamente sempre?

Ponhamo-nos em constante Oração: “Vigiai e orai sem cessar” 

Pai Nosso que estais nos céus...


PS: Carta de Paulo aos Romanos (Rm 8,26-30; 1 Ts 5,16-24)

Revestidos da armadura divina

                                                       

Revestidos da armadura divina

Os dias passam, consomem-se e nós nos consumimos. A cada dia, uma batalha, uma conquista, decepções e surpresas agradáveis; encontros e desencontros; ganhos e perdas; derrotas, vitórias. Assim é a vida: comporta o movimento dos contrários.

A vida não é feita de apenas uma nota, um tom, um som, uma palavra, uma rima, um parágrafo. A vida é percurso, desafio, superação, eterno recomeço, morte e Ressurreição.

Neste sentido, a passagem da Carta de Paulo aos Efésios (Ef 6,10-20) é riquíssima, para nos fortalecer no bom combate da fé.

Paulo fala do cristão à luz de uma metáfora: o guerreiro, um gladiador que se coloca intrepidamente no combate consagrando e confiando a sua vida ao Senhor.

“Fortalecei-vos no Senhor, pelo Seu soberano poder” (Ef 6,10). A nossa força vem de Deus.

“Revesti-vos da armadura de Deus” – revestidos de Cristo pelo Batismo não há nada a temer. O Senhor é escudo, proteção, refúgio e muito mais, como rezou o Salmista (Sl 143).

Lutamos a todo instante contra as forças espirituais do mal, espalhadas nos ares, afirma o Apóstolo. É preciso vigiar e orar a todo instante, para que sejamos conduzidos, animados, iluminados pelo Santo Espírito no combate e para que vencedores sejamos.

Com a armadura de Deus mantemo-nos inabaláveis, assegura o Apóstolo, no cumprimento de nosso dever (Ef 6,13).

Ele ainda nos exorta: sejamos cingidos com a verdade, o corpo vestido com a couraça da justiça, e os pés calçados de prontidão para incansavelmente anunciar o Evangelho (Ef 6,15).

Nosso escudo é a fé, e com ele apagamos todas as flechas da maldade, da mentira, da hipocrisia, da injustiça.

Nosso capacete é o divino capacete da salvação, tendo nas mãos a espada do Espírito que é a própria Palavra de Deus (Ef 6,18).

Finaliza exortando à indispensável Oração em todas as circunstâncias, numa vigília permanente, Oração feita incessantemente uns pelos outros.

Que tenhamos sempre coragem em cada amanhecer de nos revestirmos de Cristo, de sermos  Sua presença no mundo, comunicando a Sua imprescindível luz em meio às trevas, dando gosto de Deus a quantos possamos, como sal da terra.

Revestidos da armadura de Deus, fermentaremos o mundo novo, não recuaremos na vida de fé, avançaremos corajosamente, enfim, nossa fé será verdadeiramente fecunda.

Seduzidos por Jesus trilhemos o caminho da verdade!

                                                      

Seduzidos por Jesus trilhemos o caminho da verdade!

"Que preciosos e maravilhosos são, caríssimos, os dons de Deus! Vida na imortalidade, esplendor na justiça, verdade na liberdade, fé na confiança, temperança na santidade; e tudo isto nossa inteligência concebe".

 

Sejamos enriquecidos pela Carta aos Coríntios, do Papa São Clemente I (Séc. I). 

"Revistamo-nos de concórdia; e humildes e moderados, rejeitemos para longe toda murmuração e maledicência, justificando-nos não por palavras, mas por obras.

Pois se disse: Quem fala muito, ouvirá por sua vez; ou acaso se julga justo o homem falador? (cf. Jó 11,2).

Cumpre-nos, portanto, estar prontos a fazer o bem; de Deus tudo procede.

Pois Ele nos predisse: Eis o Senhor, e Sua recompensa está diante d'Ele para dar a cada um segundo suas obras (cf. Ap 22,12). Por isso exorta-nos a nós que n’Ele cremos de todo o coração, a não sermos preguiçosos e indolentes em toda obra boa.

Nele nos gloriemos, n’Ele confiemos. Submetamo-nos à Sua vontade e, atentos, observemos a multidão dos anjos, como a Seu redor cumprem Sua vontade.

A Escritura conta: Miríades de miríades assistiam-no e milhares de milhares o serviam e clamavam: Santo, santo, santo, Senhor dos exércitos; toda a criação está cheia de Sua glória (Dn 7,10; Is 6,3).

Por conseguinte também nós, em consciência, congregados como um só na concórdia, com uma só voz clamemos sem descanso para nos tornarmos participantes de Suas excelentes e gloriosas promessas: Os olhos não viram, os ouvidos não ouviram, nem suspeitou o coração dos homens, quão grandes coisas preparou para os que o aguardam (cf. 1Cor 2,9).

Que preciosos e maravilhosos são, caríssimos, os dons de Deus! Vida na imortalidade, esplendor na justiça, verdade na liberdade, fé na confiança, temperança na santidade; e tudo isto nossa inteligência concebe.

O que não será então o que se prepara para aqueles que O aguardam? O Santíssimo Artífice e Pai dos séculos é o único a conhecer a quantidade imensa e a beleza de tudo isso.

Assim, pois, a fim de participarmos dos dons prometidos, empreguemos todo o empenho em sermos contados no número dos que O esperam.

E como se fará isto, diletos? Far-se-á, se pela fé nosso pensamento se estabilizar em Deus, se procurarmos com diligência aquilo que lhe é agradável e aceito, se fizermos tudo quanto se relaciona com Sua vontade irrepreensível e seguirmos a via da verdade, rejeitando para longe de nós toda injustiça”.

Firmemos nossos passos no seguimento de Jesus, Caminho, Verdade e Vida (cf. Jo 14,6), seduzidos por Jesus testemunhemos a verdade! Este é o verdadeiro Caminho na fidelidade a Ele. Quando negamos a verdade, ofendemos a Deus.

Seduzidos por Jesus, por Seu amor, sempre a caminho, testemunhemos com fidelidade esta Verdade que nos liberta.

Com Ele teremos como disse o Papa –“...Vida na imortalidade, esplendor na justiça, verdade na liberdade, fé na confiança, temperança na santidade; e tudo isto nossa inteligência concebe.” 

Sigamos Jesus, o próprio Caminho no caminho, 
a Verdade da verdade para a perfeita alegria e liberdade, 
a Vida Plena, abundante que se prolonga e se torna infinita: 
eternidade! Amém. 

Em poucas palavras...

                                             


 “À vossa proteção..."

“À vossa proteção recorremos, santa Mãe de Deus;
não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades,
mas livrai-nos sempre de todos os perigos,
ó Virgem gloriosa e bendita”. (1)

 

 

(1)  A mais antiga Oração à Nossa Senhora: 

https://www.vaticannews.va/pt/oracoes/a-vossa-protecao.html 

 

 

  

A Sabedoria de Deus

                                                   

A Sabedoria de Deus

À luz do Comentário sobre o Livro dos Provérbios, escrito pelo Bispo Procópio de Gaza (séc. VI), reflitamos sobre a Sabedoria de Deus, que misturou o vinho e pôs a Mesa para nós.

“A Sabedoria construiu para si uma casa. O poder por si subsistente de nosso Deus e Pai preparou para Si próprio uma casa: o Universo onde Ele habita por Sua virtude. No Universo colocou também o homem que Ele criou à Sua imagem e semelhança, composto de natureza visível e invisível.

Ergueu, então, sete colunas. O Espírito Santo deu os seus sete dons ao homem depois de criado e conformado a Cristo, para que cresse em Cristo e observasse Seus Mandamentos.

Por estes dons, o homem espiritual chega à perfeição e se fortalece, pelo enraizamento na fé, na participação da vida sobrenatural. Sua fortaleza é dinamizada pela ciência, enquanto que sua ciência se manifesta pela fortaleza.

Assim, a natural nobreza do espírito humano é elevada pelo dom da fortaleza, e predisposta a procurar com fervor e a desejar inteiramente as vontades divinas, pelas quais tudo foi criado.

Pelo dom do conselho, torna-se capaz de distinguir, entre o que é falso e as santíssimas vontades de Deus, incriadas e imortais. Deste modo tornamo-nos capazes de meditá-las, ensinar e cumprir.

Pelo dom da prudência, enfim, somos levados a aprovar e aceitar estas mesmas vontades e não outras. Estas três virtudes exaltam o natural esplendor do Espírito.

Misturou em Sua taça o Vinho e preparou a Mesa. Neste homem, em quem, como em uma taça, mesclam-se a natureza espiritual e a corpórea, Deus uniu à ciência das coisas o conhecimento d’Ele próprio como o criador de tudo.

Este dom da inteligência, tal qual o vinho, faz o homem embriagar-se de tudo quanto se refere a Deus. Sendo assim, graças a Ele, que é o Pão Celeste, nutrindo as almas pela virtude e inebriando e deleitando pela doutrina, a Sabedoria dispõe tudo como as iguarias do Celeste Banquete para os que dele desejam participar.

Enviou os Seus servos, chamando-os em alta voz à Sua Mesa, dizendo. Enviou os Apóstolos, a serviço de Sua divina vontade na proclamação do Evangelho, que provindo do Espírito está acima de toda a lei, quer escrita, quer natural, a fim de chamar todos a Si.

N’Ele próprio, como numa taça, mediante o Mistério da Encarnação, fez-se a mistura admirável das naturezas divina e humana, de maneira pessoal, isto é hipostática, sem confusão. Enfim, pelos apóstolos ele proclama: Quem é insensato, venha a mim. Quem é insensato, porque julga em seu coração que Deus não existe, abandone a impiedade, venha a mim pela fé, e saiba que sou Eu o criador de tudo e Senhor.

Aos carentes de sabedoria Ele diz: Vinde, comei comigo o meu pão e bebei o vinho que misturei para vós. Tanto àqueles que não têm obras da fé quanto aos mais perfeitos em Sua doutrina Ele chama:

‘Vinde, comei o meu corpo que à semelhança do pão dos fortes vos nutre; e bebei o meu sangue, que como vinho de doutrina celeste vos deleita e conduz à deificação; pois de modo admirável misturei o sangue à divindade para vossa salvação’".

Partícipes da Mesa do Senhor, nutridos pela Eucaristia, Corpo e Sangue do Senhor, é necessário que nos abramos à ação do Espírito, que recebemos ao comungar.

Alimentados pelo Pão da Eucaristia e inebriados pelo Vinho Sagrado, enriquecidos pelos dons do Espírito, somos enviados ao mundo para fazer resplandecer a Divina Luz, dando gosto de Deus a todas as coisas que fizermos, bem como diluir como fermento na massa, para que façamos crescer o melhor de Deus onde quer que estejamos.

Peregrinos de esperança, supliquemos sempre a presença do Espírito Santo, para dirigir nossos passos, iluminar nossos pensamentos, orientar nossas ações, como discípulos missionários do Senhor:

“Vinde, Espírito Santo, enchei o coração dos Vossos fiéis...”


Fonte: Liturgia das Horas – quarta-feira da 7ª Semana do Tempo Comum

“A necessidade e o limite”

“A necessidade e o limite”

Somos o resultado de uma sucessão de fatos vividos, assimilados, rezados, amadurecidos. Portanto, é preciso que revisitemos a História, e a nossa própria história, assegurando viagem frutuosa para o futuro…

A beleza da vida consiste em aprender a viver equilibradamente, sobriamente… Entre a necessidade e o limite.

Por três anos, coloquei Ministério Presbiteral a mim confiado, pelo Sacramento da Ordem, a serviço da Diocese de Ji-Paraná (Ro),  junto às comunidades que me conquistaram, dia pós dia; na evangelização da mesmas; formação, inserção na vida do povo, com seus dramas e alegrias; no trabalho de formação junto aos seminaristas do Propedêutico e outras tantas atividades que poderiam ser mencionadas.

No entanto, houve a necessidade da volta conflitando com o desejo de permanecer. Tudo isto me levou a refletir sobre a relação entre a real necessidade e nossos limites, e a necessária tomada de uma difícil decisão.

Viver momentos de decisão oferece a oportunidade de refletirmos que somente Deus é Ilimitado, Infinito em possibilidades, Absoluto, Onipresente e Onisciente. Nós, humanos, limitados, imperfeitos e incapazes de responder a todos os apelos que nos cercam.

Passamos toda a nossa vida nesta procura do equilíbrio entre a necessidade e nossos limites. Nem opulência, nem carência, mas a exata medida, para que possamos encontrar a verdadeira realização.

Necessidades humanas respondidas com os nossos limites humanos, eis o que nos propõe o Apóstolo Paulo: “A graça de Deus se manifestou para a salvação de todos os homens. Essa graça nos ensina a abandonar a impiedade e as paixões mundanas, para vivermos neste mundo com equilíbrio, justiça e piedade, aguardando a bendita esperança, isto é, a manifestação da glória de Jesus Cristo, nosso grande Deus e Salvador” (Tt 2,11-13).

Vivia um amor pela Diocese de Guarulhos e a de Ji-Paraná. Duas realidades tão distintas e tão próximas dentro de mim. Incardinado (pertencente à Diocese de Guarulhos), sou o que sou graças a tudo o que ela me ofereceu. Como missionário, fui o que fui também por tudo que ela também me ofereceu.

Como disse o poeta Carlos Drumonnd de Andrade:

“Meu Deus, por que me abandonaste
Se sabias que eu não era Deus
Se sabias que eu era fraco.

Mundo, mundo vasto mundo
Se eu me chamasse Raimundo
Seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo, mundo vasto mundo,
Mais vasto é meu coração”. 

Assumir as duas realidades, mas num único amor, pois somos uma mesma Igreja. Quando se ama se vive o dilema do poeta muçulmano:

“Quando estás comigo, o amor não me deixa dormir. E quando não estás comigo, as lágrimas não me deixam dormir. Teu amor chegou ao meu coração e partiu feliz.

Depois retornou e me colocou o gosto do amor, mas mais uma vez foi embora. Timidamente pedi que ficasse comigo alguns dias. Então veio, sentou-se junto a mim e se esqueceu de partir”. 

Quem sou eu

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG