domingo, 4 de outubro de 2026

A necessária Sabedoria divina

                                            


A necessária Sabedoria divina

Ouçamos o que nos diz o apóstolo Paulo:

“Que a Palavra de Cristo, com toda a sua riqueza, habite em vós. Ensinai e admoestai-vos uns aos outros com toda a sabedoria.

Do fundo dos vossos corações, cantai a Deus salmos, hinos e cânticos espirituais, em ação de graças.” (1)

Oremos:

Senhor Deus, que Vossa Palavra esteja em nossos lábios, mas antes nas entranhas de nosso coração, para que saibamos ensinar e admoestar com misericórdia e sabedoria inseparáveis, promovendo a concórdia e comunhão.

Pelos presbíteros, para que sejam como pastores: “...discreto no silêncio, útil na fala, para não falar o que deve calar, nem calar o que deve dizer. Pois da mesma forma que uma palavra inconsiderada arrasta ao erro, o silêncio inoportuno deixa no erro aqueles a quem poderia instruir.” (2)

Em todo o tempo, com salmos, hinos e cânticos espirituais, saibamos render-Vos graças, por todas os bens e dons recebidos de Vossas mãos tão liberais e generosas, ainda que nada mereçamos. Amém.

 

 

(1) Cl 3,16

(2) Papa São Gregório Magno (séc. VI)

Resiliência na travessia

                                                 


Resiliência na travessia

Resiliência: uma palavra que tem sido cada vez mais falada, e que bem compreendida e vivida pode nos ajudar ao escrever sempre novas páginas de alegria, vida e esperança.

Uma possível definição da palavra: “habilidade que uma pessoa desenvolve para resistir, lidar e reagir de modo positivo em situações adversas”. (1)

Oremos:

Concedei-nos, Senhor, resiliência no enfrentar de uma enfermidade, acompanhada da fé, de mãos dadas com a ciência: uma fé que a ciência não dispensa, uma ciência que a fé não desconsidere.

Que nos ajude no autocontrole, acompanhado da força de vontade de superação de situações embaraçosas, e que não nos sejam aniquiladas as nossas forças.

Para suportar com fortaleza, sem nos deixarmos vencer pelo espírito de medo e timidez, crendo em Vós, que nos acompanha em todos os passos e nos fortalece, (2)

Peregrinos de esperança sejamos, resilientes em toda e qualquer situação, confiando em Vossa presença na barca de Vossa Igreja, que nos garante o chegar à outra margem, em necessária travessia... (3)

Com sabedoria, remar, por vezes, contra a maré das provações e dificuldades, aguentando firme, sem jamais perder o horizonte da esperança, no bom combate da fé (4), inflamados pela chama de Vossa Caridade. Amém.

 

(1)     Dicionário Aulete

(2)    2 Tm 1,7

(3)    Mc 4,35-41

(4)   2 Tm 4,7

 

Em poucas palavras...

                                                            


“Seja o pastor...” 

“Seja o pastor discreto no silêncio, útil na fala, para não falar o que deve calar, nem calar o que deve dizer. Pois da mesma forma que uma palavra inconsiderada arrasta ao erro, o silêncio inoportuno deixa no erro aqueles a quem poderia instruir.”(1)

 

(1) Papa São Gregório Magno (séc.VI)

 

Presbítero: Homem da Palavra e de palavra

                                                       


Presbítero: Homem da Palavra e de palavra

A pós-modernidade apresenta para a humanidade inúmeros desafios, dentre eles, podemos destacar a crise da credibilidade da palavra. Se há algo que entrelaça as pessoas, e cria elos de confiança, solidariedade e comunhão, é a palavra.

Quando tudo parece efêmero, passageiro e fugaz, emerge a necessidade de algo que dê segurança na grande travessia e aventura da história humana: a força da palavra.

Missão fundamental, neste contexto, desempenham os presbíteros, que foram constituídos ministros do Verbo que Se fez Carne e habitou no meio de nós (Jo 1), a própria Palavra viva e eficaz, mais penetrante que qualquer espada (Hb 4,12).

Pregam não a si mesmos, tão pouco ideias próprias e filosofias que passam, mas a Palavra Eterna – “Toda a Escritura é inspirada por Deus, para instruir, para refutar, para corrigir, para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito, qualificado para toda obra” (2Tm 3,16-17).

Já no século VI, o papa São Gregório Magno dizia-nos “Seja o pastor discreto no silêncio, útil na fala, para não falar o que deve calar, nem calar o que deve dizer. Pois da mesma forma que uma palavra inconsiderada arrasta ao erro, o silêncio inoportuno deixa no erro aqueles a quem poderia instruir...”, e ainda dizia com tristeza -“... embora haja quem escute as boas palavras, falta quem as diga. Eis que o mundo está cheio de Sacerdotes. Todavia na messe de Deus é muito raro encontrar-se um operário. Recebemos, é certo, o ofício sacerdotal, mas não o pomos em prática...”.

O sopro do Concílio Vaticano II nos desafiou a assumir as alegrias e tristezas, angústias e esperanças da humanidade, como Igreja de Cristo. Tudo o que há de humano, toca a vida da Igreja, consequentemente, o Ministério Presbiteral.

Deste modo, as comunidades esperam do presbítero uma palavra, não uma palavra qualquer, paliativa, provisória, mas uma palavra divina, inspiradora e fonte para a busca de novos horizontes, no embate cotidiano.

A cada instante, as mais diversas situações vividas pelo Povo de Deus pedem uma palavra: diante de um nascimento, a gratidão a Deus pelo dom da vida; no processo educativo das crianças, compartilhamos a missão dos pais; na ausência da saúde, a palavra de bênção e encorajamento; na hora da agonia, uma palavra de carinho e esperança; quando tudo parece escuridão, uma palavra que se faz uma centelha de luz; na insegurança que nos acompanha, uma palavra de confiança d’Aquele que jamais nos decepciona: “Provai e vede como o Senhor é bom, feliz quem n’Ele encontra o seu refúgio” (Sl 34,9); nas questões emergentes uma palavra ética, que assegure a sacralidade da vida; na hora derradeira, na hora da morte, a palavra que aponta à eternidade; à glória da Ressurreição.

Os presbíteros são por excelência ministros de um Deus vivo e Ressuscitado, que quer vida plena para todos, desde o tempo presente, culminando na luz da eternidade, manifestação da plenitude do Amor de Deus. O presbítero é testemunha de que o céu é possível, e começa agora, aqui, e completa-se na Jerusalém Celeste.

Lembremos sempre as palavras pronunciadas pelo bispo, no dia da Ordenação Diaconal, quando entrega ao candidato o Livro dos Santos Evangelhos e diz: “Recebe o Evangelho de Cristo do qual foste constituído mensageiro; transforma em fé viva o que leres, ensina aquilo que creres e procura realizar o que ensinares”. 

Desde então, e para sempre, o presbítero se torna o homem da Palavra e há de ser sempre um homem de palavra!

Um salutar Ministério Presbiteral

Um salutar Ministério Presbiteral

Apresento algumas características que devem marcar o Ministério Presbiteral:

O Presbítero deve ser um homem sacramental, sinal visível do Amor de Deus, em todos os momentos, sobretudo quando celebra os Sacramentos, e celebra não para os outros, mas com os outros, deixando-se impregnar pelo Mistério celebrado, na mais perfeita mistagogia, sobretudo quando celebra a Eucaristia, quando a Palavra prega, quando o Mistério celebra; um “mistagogo”, homem do Mistério e não misterioso.

Na condução da comunidade, tem autoridade não merecida, que não pode ser confundida com o autoritarismo; portanto precisa ter paciência e serenidade para ver as sementes do Reino crescer, sem imediatismos estéreis e inconsequentes.

No testemunho de vida, marcada pela pobreza, desapego, confiança incondicional em Deus, vive o celibato não como privação, mas como total liberdade para amar e servir o Povo de Deus, a Igreja que pelo Sacramento da Ordem se entregou.

Ele é alguém que experimentou a misericórdia de Deus quando chamado, porque não o foi por méritos, talvez até por não ter nenhum, mas para que Deus manifeste Sua onipotência através da misericórdia e muitas vezes multiplicada no Sacramento da Penitência.

Sua vida é iluminada por Deus, portanto iluminadora, como bem disse o Profeta Isaías:  

“... Se acolheres de coração aberto o indigente e prestares o socorro ao necessitado, nascerá nas trevas a tua luz e tua vida obscura será como o meio-dia”; sendo assim faz com sua vida, obras, gestos de amor evangélico multiplicados, muito mais do que com suas palavras, a luz de Deus brilhar diante dos homens, multiplicando assim os louvores que sobem aos céus, ao Pai, porque a honra, a glória, o louvor somente a Ele pertencem.

Tem consciência de que nada é e nada pode se não for com a graça de Deus. 

É luminoso, com o gosto de Deus nos lábios, na boca, no coração, no fundo da alma, e assim com palavra e obras incansavelmente empenha-se para tornar o mundo mais iluminado e gostoso, segundo os desígnios de Deus; e para isto, jamais para no tempo, pois vive num contexto de mudança de época, colocando-se em atitude de formação permanente em todos os níveis.

Sua fé não o afasta do mundo, mas no diálogo com as ciências, procura dar pertinência ao seu discurso, pregação, anúncio, denúncia.

Não há presbítero que tudo saiba e nada mais tenha de aprender e a comunidade precisa de sábios Presbíteros que a ajude a compreender o mundo, que estejam inseridos no tempo presente vivido. Nisto consiste ser luz que brilha e não ofuscada, sem penetração, irradiação, iluminação.

Anuncia a Boa-Nova do Evangelho não como um arauto do relativismo de valores, subjetivismos, moralismos, dogmatismos, individualismos, egolatrias, e outros tantos empecilhos à moral cristã.

Lembramos aqui o que afirmou Santo Agostinho: 

“Vão pregador da Palavra de Deus externamente, quem não a escuta interiormente” e São Gregório Magno: “Que o pastor seja discreto no silêncio, útil na fala, para não falar o que deve calar, nem calar o que deve dizer”, pois tanto uma palavra inoportuna quanto o silêncio podem arrastar ao erro ou deixar de instruir.

E ainda acrescenta: Muitas vezes, pastores imprudentes, temendo perder as boas graças dos homens, têm medo de falar abertamente o que é reto, por isso, agem como mercenários que fogem à vinda do lobo... Quando o pastor tem medo de dizer o que é reto, não é o mesmo que dar as costas, calando-se?”. 

Lembramos também Santo Antônio: “Cessem as palavras, falem as obras, estamos cansados de palavras vazias...”.

Reflitamos:

- O que a Igreja espera de cada Presbítero?
- O que fazemos para que isto se torne cada vez mais concreto?
- De que modo ajudamos concretamente?
- Elevamos a Deus súplicas e agradecimento pelos mesmos?

Pai Nosso que estais nos céus...

Amar e cuidar dos que nos foram confiados

                                                      

Amar e cuidar dos que nos foram confiados

O Papa São Gregório Magno (séc. VI), em sua Regra Pastoral, exorta aqueles que conduzem o rebanho pelo Senhor confiado, a serem pastores discretos no silêncio e úteis na palavra, como veremos.

“Seja o pastor discreto no silêncio, útil na fala, para não falar o que deve calar, nem calar o que deve dizer. Pois da mesma forma que uma palavra inconsiderada arrasta ao erro, o silêncio inoportuno deixa no erro aqueles a quem poderia instruir.

Muitas vezes, pastores imprudentes, temendo perder as boas graças dos homens, têm medo de falar abertamente o que é reto. E segundo a palavra da Verdade, absolutamente não guardam o rebanho com solicitude de pastor, mas, por se esconderem no silêncio, agem como mercenários que fogem à vinda do lobo.

O Senhor, pelo Profeta, repreende estes tais dizendo: ‘Cães mudos que não conseguem ladrar’ (Is 56,10). De novo queixa-se: ‘Não vos levantastes contra nem opusestes um muro de defesa da casa de Israel, de modo a entrardes em luta no dia do Senhor’ (Ez 13,5).

Levantar-se contra é contradizer sem rebuços aos poderosos do mundo em defesa do rebanho. E entrar em luta no dia do Senhor quer dizer: por amor à justiça resistir aos que lutam pelo erro.

Quando o pastor tem medo de dizer o que é reto, não é o mesmo que dar as costas, calando-se? É claro que se, pelo rebanho, se expõe, opõe um muro contra os inimigos em defesa da casa de Israel.

Outra vez, se diz ao povo pecador: ‘Teus profetas viram em teu favor coisas falsas e estultas; não revelavam tua iniquidade a fim de provocar à penitência’ (Lm 2,14).

Na Sagrada Escritura algumas vezes os profetas são chamados de doutores porque, enquanto mostram ser transitórias as coisas presentes, manifestam as que são futuras.

A Palavra divina censura aqueles que veem falsidades, porque, por medo de corrigir as faltas, lisonjeiam os culpados com vãs promessas de segurança; não revelam de modo nenhum a iniquidade dos pecadores porque calam a palavra de censura.

Por conseguinte, a chave que abre é a palavra da correção porque, ao repreender, revela a falta a quem a cometeu, pois muitas vezes dela não tem consciência.

Daí Paulo dizer: ‘Que seja poderoso para exortar na sã doutrina e para convencer os contraditores’ (Tt 1,9). E Malaquias: ‘Guardem os lábios do sacerdote a ciência; e esperem de sua boca a lei porque é um mensageiro do Senhor dos exércitos’ (Ml 2,7). Daí o Senhor admoestar por meio de Isaías: ‘Clama, não cesses; qual trombeta ergue tua voz’ (Is 58,1).

Quem quer que entre para o sacerdócio, recebe o ofício de arauto, porque caminha à frente, proclamando a vinda do rigoroso juiz, que se aproxima.

Portanto, se o sacerdote não sabe pregar, que protesto elevará o arauto mudo? Daí se vê por que sobre os primeiros pastores o Espírito Santo pousou em forma de línguas; com efeito, imediatamente impele a falar sobre ele aqueles que inunda de luzes”.

Como zelosos pastores no cuidado do rebanho, estas Regras devem ser sempre lembradas e nos acompanhar no exercício do ministério.

Da mesma forma, devem estar presentes no coração e na mente de todos os Agentes de Pastoral, de modo especial no coração daqueles que têm o Ministério de Coordenação ou qualquer outra responsabilidade maior na comunidade.

Não podemos também deixar de reconhecer que este cuidado deve se fazer presente no coração dos pais e de todo educador, dentro ou fora do âmbito eclesial.

Supliquemos ao Senhor que o Seu Espírito venha em socorro de nossa fraqueza e tenhamos a palavra certa, na hora certa, para que não pequemos pela indiferença ou omissão. 

A Vinha do Senhor e os frutos esperados por Deus (XXVIIDTCA)

                                                          

A Vinha do Senhor e os frutos esperados por Deus

Com a Liturgia do 27º Domingo do Tempo Comum (ano A), refletimos sobre os frutos abundantes que  o Senhor espera encontrar em nossa vida.

Verdadeiramente abundantes porque muito nos foi dado, à luz de uma imagem tão bela e inspiradora, a imagem da Vinha que é a imagem do Povo de Deus, e dos frutos que, como Povo de Deus, devemos produzir: amor, paz, justiça, bondade e misericórdia...

Se não produzirmos os frutos por Deus esperados, Ele tirará de nós a Vinha e confiará a outros; grande é, portanto, a nossa responsabilidade.

Na passagem da primeira Leitura, o Profeta Isaías falando do Povo como Vinha (Is 5,1-7),  a compara como uma esposa que deixou de ser fiel e se converteu numa prostituta (Is 1,21-26). É preciso superar a infidelidade à Aliança voltando-se para Deus.  

O Profeta Isaías exerceu o seu ministério em Jerusalém por um longo período. Após uma fase mais tranquila, deparou-se com uma realidade marcada pela exploração dos empobrecidos, contrastando com o fausto cultural, incoerente e mentiroso, porque não era resultado de verdadeira adesão a Javé e Seu projeto de vida plena para todos.

Ele se apropria da imagem da Vinha como que de uma “cantiga de amor”, como recurso para a transmissão da mensagem que Deus lhe confiou, a fim de que resgate o povo a que pertence, em total e incondicional fidelidade ao Pai que não se cansa de amar, perdoar e libertar Seu povo. É próprio do Amor de Deus não se cansar e não desistir da nossa salvação.

O Profeta/Poeta brinca com as sonoridades e com o ritmo, em alternância de sons doces de canções de amor e a aspereza das canções de trabalho.  Mas num momento ápice o cântico se transforma em queixa e grito pela justiça, numa interpelação direta de seus interlocutores para que cessem os gritos de horror que procedem dos empobrecidos que são como os frutos selvagens de que fala o Profeta/Poeta. Estes frutos são as injustiças, arbitrariedades, violência e sangue dos inocentes e consequentemente a não defesa do direito dos pobres. 

Deste modo a imagem da vinha, com seus frutos amargos, é a mais perfeita expressão da imagem do povo infiel a Deus, que multiplica o número dos sofredores. De outro lado o Profeta é incansável em proclamar o Amor de Deus que nos ama para nos transformar, de modo que, transformados por Seu amor, amemos nosso próximo.

A história da Vinha da primeira Leitura é, numa palavra, a História do Amor de Deus por nós que não cessa.

Reflitamos:

- De que modo correspondemos a este Amor?
- Quais os frutos que estamos produzindo? São os frutos esperados por Deus?

- Produzimos frutos de tolerância, misericórdia, bondade e compreensão?
- Nossas Missas e Celebrações têm nos levado a inadiáveis compromissos com a vida dos mais necessitados?

- Quais são as implicações concretas de nossos cultos e louvores que a Deus sobem?

A passagem da segunda Leitura (Fl 4,6-9) é escrita por Paulo; preso provavelmente em Éfeso expressa mais uma vez o seu carinho pela comunidade. Fala um pouco de si e exorta a comunidade à fidelidade, recordando as obrigações inadiáveis de uma comunidade que professa a fé no Ressuscitado.

O Apóstolo lembra que em nossa fraqueza é preciso que nos apoiemos na oração. Devemos pedir a graça da fidelidade, para que possamos dar muitos frutos, guardando nossos corações e pensamentos em Cristo Jesus.
A comunidade deve viver na alegria, porque vive na comunhão com Cristo. Deve sentir-se segura nos braços de Deus, na presença constante da bondosa mão de Deus.

Enumera certas questões que a comunidade deve cultivar e apreciar: a verdade, a nobreza, a justiça, a pureza, amabilidade e a boa reputação, ou seja, tudo que for digno de louvor. Esta Carta de Paulo é a chamada “magna carta do humanismo cristão”.
A comunidade deve multiplicar os arautos e testemunhas dos valores humanos. Deve viver os valores humanos em confronto constante com a Palavra, e com fidelidade sem jamais trair e renegar a Boa Nova do Evangelho. Ser sal, fermento e luz de um Mundo Novo(cf. Mt 5,13-16).

A comunidade enxertada em Cristo pode produzir muito mais, na serenidade e tranquilidade em total confiança em Deus, o que a caracterizará não como comunidade de fracassados, alienados e falhos, mas uma comunidade constituída pelos mais do que vencedores n’Aquele que nos amou, Jesus.

Reflitamos:

- - Como comunidade, como vivemos aacolhida, a simpatia que deve interligar todos entre si, a amabilidade, a verdade, a coerência?
- - Como estando no mundo não comungar aquilo que venha afetar e esvaziar a nossa fé?
- - Como viver a fé sem cair em contradições que empobreceria a nossa missão?

Com a passagem do Evangelho (Mt 21,33-43) mais uma vez voltamos à temática da Vinha. 

O cenário é a cidade de Jerusalém, com a presença dos opositores de Jesus que o levarão à prisão, julgamento, condenação e morte. Jesus está plenamente consciente do destino que lhe está reservado. 


Jesus enfrenta os dirigentes de Seu tempo (aqueles que detêm os poderes políticos, religiosos, econômicos e ideológicos); sabe que será condenado implacavelmente, porque não acolherão a Boa Nova do Reino que veio inaugurar.

A Parábola contada por Jesus é riquíssima em simbolismo:

A Vinha é Israel, o Povo de Deus;
O Dono da Vinha é o próprio Deus;
Os vinhateiros homicidas são os líderes religiosos;
Os servos assassinados são os Profetas que Deus havia enviado; o Filho assassinado é o próprio Jesus.

Com a Parábola, Jesus insiste na necessidade de se produzir os frutos do Reino, vivendo na radicalidade à Sua proposta.

Os frutos são: amor, serviço, doação, justiça, paz, tolerância, partilha... É preciso dizer não ao comodismo, à instalação, a procura de facilidades.

Reflitamos:

- Qual é o nosso compromisso com o Reino?
- Quais os frutos que estamos produzindo na nossa vida, com o nosso agir?

- Como temos assumido a missão de trabalhar na Vinha do Senhor?
- Quais os frutos que produzimos dentro e fora da Igreja?

- É muito simples condenar os vinhateiros homicidas, mas o que fazemos com o Mandamento da Lei de Deus, que se resume no amor a Deus e ao próximo, como Ele nos ordenou?

 - Escutamos os mensageiros que nos foram enviados por Deus?     
 - O que precisa ser transformado em nossa vida, para que, na Vinha trabalhando, frutos mais saborosos e abundantes possamos multiplicar?

Deus nos ama e espera pacientemente que nos convertamos. Trabalhando na Vinha que Ele nos confia, jamais faltarão frutos saborosos em nossas mesas. Deus nunca desiste de Sua obra de amor e salvação.   
                   
Se nada produzimos ou se frutos amargos produzimos, não é culpa de Deus, mas porque não soubemos corresponder ao amor e confiança que Ele em nós depositou.

É tempo de nos convertemos, para que Deus fique satisfeito com os frutos que venhamos a produzir, que na verdade não serão para Ele, mas para nós mesmos.

Deus não quer outra coisa senão a nossa felicidade! Frutos doces e saborosos sempre, amargos jamais!

Esterilidade da Vinha impensável, frutos abundantes e permanentes jamais faltarão se a Ele nos abrirmos e n’Ele  confiarmos, correspondendo cada vez mais ao Seu Amor!

Somos todos membros do Povo de Deus, a Igreja, que tem a missão de produzir frutos, para não frustrar as esperanças do Senhor na hora da colheita.

Ao chamar os Seus para que O seguisse, Jesus lhes dá uma missão precisa: anunciar o Evangelho do Reino a todas as nações (cf. Mt 28, 19 ; Lc 24, 46-48). Por isso, o discípulo é missionário, pois Jesus o faz partícipe de Sua missão, ao mesmo tempo em que o vincula como amigo e irmão:

“Cumprir essa missão não é tarefa opcional, mas parte integrante da identidade cristã, porque é a extensão testemunhal da Vocação mesma” (Aparecida, 144).

Nesta perspectiva, consideremos e meditemos as palavras de S. Paulo: “Irmãos ocupai-vos com tudo o que é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável, honroso, tudo o que é virtude ou de qualquer modo mereça louvor; é o que deveis ter no pensamento” (Fl 4,8).

Eis a nossa Missão: como batizados, trabalhar, com
alegria, amor e fidelidade, na Vinha do Senhor.
Não desapontemos o querer de Deus!

Oremos:

“Pai justo e misericordioso, que velais incessantemente
sobre a Vossa Igreja, não abandoneis a Vinha que à
 Vossa direita plantou: continuai a cultivá-la e a
enriquecê-la de servos missionários escolhidos,
para que, enxertada em Cristo, verdadeira Videira,
 produza frutos abundantes de Vida Eterna.
 Amém”!

 

PS: Oportuno para reflexão sobre a passagem do Evangelho de Marcos (Mc 12,1-12), proclamada na segunda-feira da 9ª Semana do Tempo Comum.


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