domingo, 4 de outubro de 2026

Em poucas palavras... (XXVIIDTCA)

                                                



                         "A verdadeira videira é Cristo"

“A Igreja é a agricultura ou o campo de Deus (1 Cor 3,9). Nesse campo cresce a oliveira antiga de que os patriarcas foram a raiz santa e na qual se realizou e realizará a reconciliação de judeus e gentios (Rm 11, 13-26).

Ela foi plantada pelo Celeste agricultor como uma vinha eleita (Mt 21, 33-43 par.; Is 5,1 ss.). A verdadeira videira é Cristo que dá vida e fecundidade aos sarmentos, isto é, a nós que pela Igreja permanecemos n'Ele, sem O qual nada podemos fazer (Jo 15, 1-5).” (1)

 

(1)        Vaticano II - Lumen Gentium n.6


A missão de cuidar e cultivar a vinha do Senhor (XXVIIDTCA)

                                                                      

A missão de cuidar e cultivar a vinha do Senhor

A Evangelização é a vocação própria da Igreja

Igreja missionária que somos, sejamos convictos e corajosos discípulos missionários, renovando a alegria da missão que o Senhor nos confiou, uma missão para libertar as pessoas de tudo que fere sua dignidade.

A nossa missão é a continuidade da missão do Senhor, como vemos na passagem do Evangelho de Lucas -  “Enviou-me para anunciar a libertação” (Lc 4,18).

A Igreja nos propõe buscar caminhos para concretizar sua missão essencial que é evangelizar: "Anunciar o Evangelho não é título de glória para mim; é, antes uma necessidade que se me impõe. Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho" (1Cor 9,16).

Deste modo, a Igreja existe para pregar e ensinar; ser o canal do dom da graça; reconciliar os pecadores com Deus e perpetuar o sacrifício de Cristo na Santa Missa, que é o memorial da Sua morte e gloriosa Ressurreição; e esta tarefa e missão devem acontecer em meio às amplas e profundas mudanças da sociedade atual, o que as tornam ainda mais urgentes.

Para responder a este e outros desafios, a Igreja deve começar por evangelizar a si mesma, para conservar o frescor, o alento e a força para anunciar o Evangelho, como exortou o Concílio Vaticano II: a Igreja se evangeliza por uma conversão e renovação constantes, a fim de evangelizar o mundo com credibilidade, como sinal e instrumento do Reino.

Na “Evangelii Gaudium”, o Papa Francisco diz de modo muito apropriado: “Uma Igreja em saída”, ou seja, “uma comunidade de discípulos missionários que ‘primeireiam’, que se envolvem, que acompanham, que frutificam e festejam... ela sabe ir à frente, sabe tomar a iniciativa sem medo, ir ao encontro, procurar os afastados e chegar às encruzilhadas dos caminhos para convidar os excluídos. Vive um desejo inexaurível de oferecer misericórdia, fruto de ter experimentado a misericórdia infinita do Pai e a sua força difusiva” (n. 24).

Nisto consiste o cuidado e cultivo da vinha do Senhor que Ele mesmo nos confiou (Mt 21,33-43) para produzirmos os frutos do Reino de Deus, em maior sintonia e fidelidade à Sua vontade, que nos é anunciada em cada encontro, e de modo especial em cada Ceia Eucarística, em comunidade, alimentados pelo Pão da Palavra, da Eucaristia e da Caridade, com a seiva do amor do Espírito Santo.

Neste processo de conversão, para que sejamos uma “Igreja em saída”, são inesgotáveis os caminhos que podemos trilhar: fortalecer nossos grupos de reflexão; revigorar o trabalho social da Igreja, sempre numa atividade integrada e integradora, sem perdas de energias com criatividade e empenho, buscando a perfeita sintonia e interação entre fé e vida; através das diversas atividades pastorais que, se somadas, mantêm acesa a chama missionária que jamais pode ser apagada, para que a vinha do Senhor não produza frutos amargos e indesejáveis.

Entretanto, para que a vinha produza frutos saborosos e agradáveis ao Senhor, e o Reino de Deus aconteça em nosso meio, é também indispensável que invoquemos a sabedoria do Santo Espírito para que nos ilumine na escolha daquele (a) que vai dirigir a nossa nação nos próximos quatro anos.

Sabemos que desafios, dentro da própria Igreja e fora dela, não nos faltam, e permanentemente somos chamados a dar razão de nossa esperança, numa fé mais sólida, e caridade ativa, que torne o mundo mais justo e fraterno, sem fincar âncoras no já conhecido, lançando as redes em águas mais profundas (Lc 5,1-11).

Finalizando, que abençoados pela Mãe da Igreja, a perfeita discípula missionária do Senhor, através da qual Deus nos enviou e nos concedeu o mais Belo e Bendito Fruto da Vinha, Jesus Cristo, nosso Salvador, continuemos em oração para que não percamos jamais o ardor missionário de sermos anunciadores da Boa-Nova do Evangelho.

Em poucas palavras... (XXVIIDTCA)

                                                         


“A verdadeira Videira é Cristo”

“«A Igreja é a agricultura ou o campo de Deus (1 Cor 3,9). Nesse campo cresce a oliveira antiga, de que os patriarcas foram a raiz santa e na qual se realizou e realizará a reconciliação de judeus e gentios (Rm 11,13-26).

Ela foi plantada pelo celeste Agricultor como uma vinha eleita (Mt 21, 33-43; Is 5, 1-7). A verdadeira Videira é Cristo: é Ele que dá vida e fecundidade aos sarmentos, isto é, a nós que, pela Igreja, permanecemos n'Ele, e sem o Qual nada podemos fazer (Jo 5,1-5» (Lumen Gentium n.6).” (1)

 

(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 755

Fé autêntica: voos mais altos, travessias mais serenas (XXVIIDTCC)

                                                      


Fé autêntica: voos mais altos, travessias mais serenas

Com a Liturgia deste 27º Domingo do Tempo Comum (ano C), sobretudo à luz do Evangelho de São Lucas (Lc 17,5-10), veremos que não há autêntico cristianismo sem a fé.

Os patriarcas (AT) são protagonistas das primeiras páginas bíblicas da fé como confiança absoluta em Deus e em Suas promessas, na superação de aparentes contradições, em entrega incondicional a Ele e à Sua Palavra.

Os Profetas, por sua vez, arautos da fé ao convidar a superar as seguranças e confianças em alianças humanas, no apego e confiança à Palavra dada por Deus: Antiga Aliança.

Crer é dar-se a Deus, ainda que Ele pareça ausente, como nos diz o 
Profeta Habacuc (Hab 1,2-3; 2-2-4). 

A fé torna-se, portanto, o único caminho para compreensão do mistério da história. Vivê-la é permanecer firmemente ancorado somente em Deus, ainda que aos nossos olhos pareça ausente.

Assim afirma o Missal Dominical: 

“No Novo Testamento, o objeto da fé atinge a plenitude: O Filho de Deus Se manifesta e Seu Reino é constituído. 

Mas a atitude pessoal continua a mesma; uma decisão da vontade que ama, move a inteligência a superar os cálculos humanos, para entregar-se a Deus com toda fidelidade. 

A fé não consiste, pois, tanto numa adesão intelectual a uma série de verdades abstratas, mas é a adesão incondicional a uma pessoa, a Deus que nos propõe Seu amor em Cristo morto e Ressuscitado. 

A fé é, portanto, obediência a Deus, comunhão com Ele, vitória sobre a solidão. É dom de Deus, mas dom que espera nossa livre resposta, que quer tornar-se a alma da nossa vida cotidiana e da comunidade cristã”.(1)

Diante de Deus, absolutamente soberano, nossa postura deve ser de permanente humildade, abertura e fé. Adesão de fé implica necessariamente em lealdade e fidelidade.

Jamais podemos nos envergonhar ou nos intimidar no testemunho de nosso Senhor, como tão bem nos admoesta Paulo na Carta a Timóteo (2Tm 1,6-8.13-14). 

A concretização da fé jamais se dará sem a Oração, a escuta da Palavra Divina, a comunhão com Deus e a celebração ativa, piedosa e consciente dos Sacramentos.

A fé verdadeira é vista quando percebem em nós o entusiasmo para viver o que somos, fazer o que nos propomos, amar para que façamos e vivamos melhor do que vivemos e somos, e assim na fidelidade ao Pai, em voos mais altos nas Asas do Espírito ou atravessando serenamente o mar da vida com nosso pequeno barco, tendo ao nosso lado a imprescindível presença do Senhor.

Não podemos fazer pelo outro o que lhe é próprio, mas não podemos nos tornar indiferentes diante da fé de nosso irmão. O cultivo da própria fé nos faz responsáveis pela fé de nosso próximo.

Trabalhar pelo Reino na concretização de nossa fé é a maior graça que de Deus recebemos, de modo que Ele nada nos deve. Nós é que precisamos viver maior gratuidade no trabalho. 

Deus nada nos deve, pelo contrário. De que modo poderíamos quitar nossa dívida para com Ele? 

A realização de Seu amor supera qualquer recompensa que ousássemos pensar ou cobrar! 

Na Oração do Dia, rezamos que Deus nos dá mais do que ousamos pedir! Dá-nos gratuitamente e incomparavelmente muito mais do mereçamos ou possamos conceber!

Diante de Deus, devemos nos colocar como simples servos: com alegria, gratuidade, serviço, prontidão, confiança, testemunhando a fé, que é dom, d’Ele recebida.

Nossa fé é necessária para nós mesmos, para ficarmos firmes na adesão a Deus, em Jesus Cristo, na força do Espírito. 

Quem vive a fé no espírito de comunhão jamais achará que está fazendo demais para os outros, ao contrário, quanto mais serve por amor, mais desejará fazê-lo, com alegria e sem cansaço que extenue, esvazie. 

A fé é o novo conhecimento, o modo pelo qual lemos a realidade com o olhar de Cristo.

A fé é virtude, atitude habitual da alma, inclinação permanente a julgar e agir segundo o pensamento de Cristo, com espontaneidade e vigor, diz a Igreja sempre.

Voltando ao Missal Dominical:

“Com sua fé, tem o cristão neste mundo a tarefa de destruir as falsas seguranças propondo-lhe as questões fundamentais e oferecendo a todos sua grande esperança. 

A fé cristã é posta diante de um desafio: tornar-se propugnadora de problemas que nenhum laboratório, experiência ou computador eletrônico podem resolver, e que, no entanto, decidem o destino do homem e do mundo".

O Bispo e mártir São Policarpo (séc. II) já nos dizia com intensa profundidade em sua Carta aos Filipenses: 

“... se a lerdes com atenção, sereis edificados na fé que vos foi dada. Ela é a mãe de todos nós (Gl 4,26), seguida pela esperança, precedida pela caridade em Deus, em Cristo e no próximo...”

Vivendo a fé na comunhão com Deus e com o outro, a vida tem outra cor, as páginas outro teor, e em tudo invejável vigor!


“Creio, Senhor, mas aumentai minha fé.”


(1) (2) Missal Dominical - Editora Paulus - página 1258

Tenhamos fé no Senhor (XXVIIDTCC)

                                                    


Tenhamos fé no Senhor
“Creio, Senhor, mas aumentai minha fé”

A Liturgia do 27º Domingo do Tempo Comum (ano C) é um convite a reconhecermos, com humildade, a nossa pequenez e finitude diante de Deus, renovando nosso compromisso com o Reino, na gratuidade plena, sem cálculos, exigências, acolhendo com alegria os dons de Deus, confiando e nos entregando totalmente em Suas mãos.

A primeira Leitura (Hab 1,2-3; 2,2-4) nos apresenta uma passagem que retrata o período pré-exílio. O Profeta grita a sua impaciência e a do próprio povo, questionando a atitude de Deus para com o pecado.

O Profeta, além de escutar a Palavra Divina, a transmite e, com total confiança, como uma sentinela vigilante, espera a resposta de Deus.

Diante da injustiça e da opressão, parece que Deus muitas vezes é indiferente e ausente, mas a conclusão é que o tempo de Deus não corresponde ao nosso, Ele intervirá no momento certo, manifestando Sua força e poder.

Esta inquietação também pode nos marcar quando se diz:

“Se Deus existe, como é que Ele pode pactuar com a injustiça e opressão? Se Deus existe, por que é que há crianças a morrer de cancro ou de fome? Se Deus existe, por que é que os bons sofrem e os maus são compensados com glória, honras e triunfos? Se Deus existe, por que o sofrimento do inocente?” (1)

Também nós nos indagamos diante de situações de injustiça, violência e pecado: “Onde está Deus?”, “Por que Deus não intervém?”, “Quando Deus agirá?”.

Na verdade, são questões que podem até serem feitas, mas o que importa é não nos omitirmos naquilo que nos compete, no testemunho e na superação do que for possível. 

A hora da intervenção divina não nos compete. Está em nossas mãos superar os sinais de morte e injustiça, sem culparmos Deus, o que nos levaria ao não reconhecimento de nossa responsabilidade.

Na passagem da segunda Leitura (2 Tm 1,6-8.13-14), o Apóstolo Paulo exorta Timóteo a reavivar a vocação, reanimar o carisma que recebeu, à luz da escuta da Palavra Divina, da comunhão com Deus e dos Sacramentos, que nos comunicam a graça divina.

É preciso viver as qualidades fundamentais, que devem estar presentes na vida do Apóstolo: a fortaleza frente às dificuldades, o amor que impulsiona para uma entrega total a Cristo e ao rebanho, e a prudência necessária para animação e orientação da comunidade. Resumindo: fortaleza, amor e prudência.

Com isto, se afasta o perigo das desilusões, fracassos, monotonia, fragilidade humana, que enfraquecem o entusiasmo original, levando à perda das motivações primeiras do compromisso com Jesus e a Boa-Nova do Reino.

É preciso despir-se de toda preguiça, inércia, comodismo, renovando as forças e a coragem para superar todo medo, e, assim, vencermos as dificuldades que nos impedem de viver inteiramente para Deus e para nosso próximo. Impelidos pelo Amor divino vamos bem mais longe.

A passagem do Evangelho (Lc 17, 5-10) situa-se no contexto da viagem que Jesus fez para Jerusalém, para consumar a missão redentora da humanidade, passando pelo Mistério da Paixão, Morte e Ressurreição. É a terceira parte do Evangelho de Lucas, que nos ensina mais duas lições: fé e humildade no difícil caminho do Reino.

A fé não consiste em crer em verdades abstratas, que não ressoam em nosso cotidiano, mas ancorar-se em Deus, entregar-se a Ele, em confiante, generoso e frutuoso serviço, multiplicando nossas obras.

Portanto, urge aprofundar a nossa fé, com adesão incondicional à Pessoa de Jesus Cristo e Sua proposta de Salvação; vivendo a obediência e comunhão com Ele, na certeza da vitória sobre a solidão.

Mas o que é a fé?

“A fé não é primordialmente, a adesão a Dogmas ou a um conjunto de verdades abstratas sobre Deus; mas é a adesão a Jesus, à Sua proposta, ao Seu Projeto – ou seja, ao Projeto do Reino... 

Pedir a Jesus que lhes aumente a fé significa, portanto, pedir-Lhe que lhes aumente a coragem de optar pelo Reino e pela exigência que o Reino comporta; significa pedir que lhes dê a decisão para aderirem incondicionalmente à proposta de vida que Jesus lhes veio apresentar” (2)
         
A fé levará os discípulos a transformarem a morte em vida, o desespero em esperança e a escravidão em liberdade, acolhendo a Salvação como dom de Deus, e não como mérito pelo que se faz.

Somos simples servidores do Senhor. A adesão total à Sua pessoa, o serviço acompanhado da humildade e da confiança, serão nossa identidade e identificação com o Senhor.

Sendo a Salvação um dom divino, o discípulo, com humildade e gratidão, tudo fará para corresponder a esta graça recebida.

Coragem e empenho serão suas marcas, e estas farão a luz de Deus brilhar mais forte no meio das trevas:

“Quem me segue, não andará nas trevas, mas terá a luz da vida”, nos disse o Senhor (Jo 8,12).

Finalizando, a fé somente poderá ser vivida numa relação de Amor com o Senhor, que nos faz ver para além das aparências, ver como Deus vê, com o coração.

Conceda-nos o Senhor a graça do fortalecimento da fé, para que O amemos cada vez mais acima de todas as coisas, e ao nosso próximo como Jesus nos amou.

Quanto maior e mais verdadeira a nossa fé, mais profunda e intensa também será e haverá de ser nossa relação com Deus e com a Sua imagem e semelhança, a criatura humana.
                                                                                                                                      
(1) (2) – www.dehonianos.org.br

Matrimônio: um sinal do amor de Deus (XXVIIDTCB-Homilia)

                                                       

Matrimônio: um sinal do amor de Deus

Reflitamos sobre a Aliança Matrimonial que, no Projeto de Deus, consiste na formação de uma comunidade de amor, estável e indissolúvel, que seja reflexo do próprio Amor de Deus.

Acolher a Boa Nova do matrimônio na construção do Reino é testemunhar ao mundo a indissolubilidade deste Sacramento, passando pelo amor-doação, com entrega, renúncias e sacrifícios.

O casal deve contemplar no Amor de Cristo a fonte inspiradora e inovadora do matrimônio, que tem propriedades essenciais e irrenunciáveis: amor, liberdade, fidelidade, indissolubilidade, fecundidade.

O matrimônio cristão, dentro do Plano Divino, sinaliza para o mundo o Amor de Deus pelo Povo, o Amor de Cristo pela Igreja. O casal cristão, pelo amor vivido, viabiliza o movimento do Amor de Deus que é desde sempre e eterno.

Assim vemos na passagem do Livro de Gênesis (Gn 2,18-25), que  fala da união do homem e mulher pelo vínculo do matrimônio, formando uma só carne. 

Uma comunhão de amor indissolúvel; um amor que é mais forte do que qualquer outro vínculo, de modo que uma vida compartilhada é caminho para a felicidade a ser alcançada.

O texto é antes uma catequese sobre a origem da vida. A criação de Deus somente se completa com a criação da mulher.

O sono profundo revela que a criação é um “segredo de Deus” e a mulher goza de igualdade, complementaridade em relação ao homem (não há qualquer possibilidade de uma relação de dominação e dominado, de escravidão, prepotência, egoísmo, machismo...).

O que deve ser buscado é a unidade a que estão destinados, vivendo em comunhão um com o outro.

Portanto, somos vocacionados para o amor. A solidão (mesmo acompanhada de todos os bens) é caminho da infelicidade, da incompletude. O sentido da existência é a realização humana no amor, porque obra do Amor de Deus.

Iluminados pela passagem da Carta aos Hebreus (Hb 2,9-11), vemos que a “qualidade do Amor de Deus” é uma doação até às últimas consequências. Assim também o casal cristão deve amar, na doação total e eterna, sem limites.

Na passagem do Evangelho (Mc 10, 2-16), Jesus é questionado sobre o divórcio, e reafirma a indissolubilidade do matrimônio desde o princípio da criação.

A concessão ao divórcio deve-se à mediocridade humana, pelo matrimônio homem e mulher formam uma só carne, comunhão total, amor eterno.

Jesus coloca o matrimônio no patamar mais alto do amor: amor estável, duradouro e indissolúvel.

É preciso que se edifique a família em bases sólidas, para que se evite o fracasso do amor. Com simplicidade e confiança, devem amadurecer num processo constante, fortalecendo os vínculos do amor, de modo que o Sacramento do matrimônio segue na contramão da sociedade, apresentando ao mundo a marca da indissolubilidade e indestrutibilidade da Aliança abençoada por Deus.

Evidentemente, a Igreja não deixa de reconhecer e acolher com misericórdia os casais que vivem em segunda união. Em nenhuma circunstância as pessoas divorciadas devem ser marginalizadas da vida da comunidade cristã. Esta deve em todos os instantes acolher, integrar, compreender, ajudar aqueles a quem as circunstâncias da vida impediram de viver o projeto ideal de Deus.

Entretanto, não se trata de renunciar, revogar o ideal que Deus propõe, antes é o testemunho da bondade e misericórdia de Deus para com todos que, por diversas razões não puderam realizar o ideal que um dia diante de Deus, do altar e de toda a comunidade, se comprometeram a viver.

Os Documentos da Igreja (Papa São João Paulo II, Papa Francisco), exortam ao acolhimento com misericórdia e envolvimento destes, em atividades de caridade para com o próximo.

Como vimos, o Sacramento do matrimônio é um dos sinais do Amor de Deus. Que em cada Eucaristia celebrada, as forças sejam renovadas para sua solidificação e santificação.

O casal cristão experimenta nas provações, dificuldades, ventos contrários, a presença e a ajuda de Cristo que dá força, conforto e esperança.
Urge anunciar e testemunhar o valor sagrado e irrevogável do Sacramento do matrimônio, para que tenhamos famílias sólidas e felizes, sem nunca esquecermos:

“Como Jesus não abandonou nem a Humanidade, nem a Igreja quando O pregavam na Cruz, assim cada Matrimônio contraído ‘no Senhor’ conserva a indissolubilidade da união entre Cristo e a Igreja, mesmo quando a Cruz está presente”  (1)

E ainda: “Quem se reveste deste Espírito nos dias felizes, poderá continuar a viver desta mesma esperança nas horas difíceis da prova. E isto como a ‘criança’ que nos braços da mãe se sente segura, porque sabe acolher na transparência e na proximidade tudo o que lhe reserva a vida, certa do amor materno que a envolve” (2)

Que todos que desejam um dia contrair esta aliança indissolúvel de amor, reflitam na beleza do sagrado compromisso, para serem mais um sinal do Amor eterno e indissolúvel de Deus.
    
(1) (2) Lecionário Comentado - Tempo Comum - Volume II - Lisboa - pág. 493.                           

O Sacramento do Matrimônio no Plano de Deus (XXVIIDTCB)

                                                


O Sacramento do Matrimônio no Plano de Deus

No 27º Domingo do Tempo Comum (Ano B), refletimos sobre a aliança matrimonial que, no Projeto de Deus, consiste na formação de uma comunidade de amor, estável e indissolúvel, que seja reflexo do próprio Amor de Deus.

A passagem da primeira Leitura (Gn 2,18-24) fala da união do homem e mulher pelo vínculo do matrimônio, formando uma só carne. Uma comunhão de amor indissolúvel; um amor que é mais forte do que qualquer outro vínculo, de modo que uma vida compartilhada é caminho para a felicidade a ser alcançada.

O texto é antes uma catequese sobre a origem da vida. A criação de Deus somente se completa com a criação da mulher.

O sono profundo revela que a criação é um “segredo de Deus” e a mulher goza de igualdade, complementaridade em relação ao homem (não há qualquer possibilidade de uma relação de dominação e dominado, de escravidão, prepotência, egoísmo, machismo...).

O que deve ser buscado é a unidade a que estão destinados, vivendo em comunhão um com o outro.

Portanto, somos vocacionados para o amor. A solidão (mesmo acompanhada de todos os bens) é caminho da infelicidade, da incompletude. O sentido da existência é a realização humana no amor, porque obra do Amor de Deus.

A passagem da segunda Leitura (Hb 2,9-11) nos fala da “qualidade do Amor de Deus” – uma doação até às últimas consequências. Assim também o casal cristão deve amar, na doação total e eterna, sem limites.

O autor escreve às comunidades que vivem uma realidade de desânimo, enfrentamento de dificuldades, perseguições, hostilidades.

Exorta a que não cedam às doutrinas não coerentes com a fé. Apresenta a superioridade de Jesus Encarnado, Morto e Ressuscitado que revela o incrível Amor de Deus pela humanidade, de que modo elas podem superar o medo paralisante da morte.

Assim, a comunidade pode enfrentar a injustiça, a opressão, as forças do mal que oprime a humanidade: quem viver como Jesus não fica prisioneiro da morte, mas tem em si a semente da vida verdadeira e eterna. Deve acolher e viver com alegria e fidelidade as propostas de Deus nos passos de Jesus, com a força do Espírito: amar, partilhar, servir, perdoar...

Na passagem do Evangelho (Mc 10, 2-16), diante da questão do divórcio, Jesus reafirma a indissolubilidade do matrimônio desde o princípio da criação.

A concessão ao divórcio deve-se à mediocridade humana, pelo matrimônio homem e mulher formam uma só carne, comunhão total, amor eterno.

Jesus coloca o matrimônio no patamar mais alto do amor: amor estável, duradouro e indissolúvel.
Acolher a Boa Nova do matrimônio na construção do Reino é testemunhar ao mundo a indissolubilidade deste Sacramento, passando pelo amor-doação, com entrega, renúncias e sacrifícios.

O casal deve contemplar no Amor de Cristo a fonte inspiradora e inovadora do matrimônio, que tem propriedades essenciais e irrenunciáveis: amor, liberdade, fidelidade, indissolubilidade, fecundidade.

O matrimônio cristão, dentro do Plano Divino, sinaliza para o mundo o Amor de Deus pelo Povo, o Amor de Cristo pela Igreja. O casal cristão, pelo amor vivido, viabiliza o movimento do Amor de Deus que é desde sempre e eterno.

É preciso que se edifique a família em bases sólidas, para que se evite o fracasso do amor. Com simplicidade e confiança, devem amadurecer num processo constante, fortalecendo os vínculos do amor, de modo que o Sacramento do matrimônio segue na contramão da sociedade, apresentando ao mundo a marca da indissolubilidade e indestrutibilidade da Aliança abençoada por Deus.

Evidentemente, a Igreja não deixa de reconhecer e acolher com misericórdia os casais que vivem em segunda união. Em nenhuma circunstância as pessoas divorciadas devem ser marginalizadas da vida da comunidade cristã. Esta deve em todos os instantes acolher, integrar, compreender, ajudar aqueles a quem as circunstâncias da vida impediram de viver o projeto ideal de Deus.

Entretanto, não se trata de renunciar, revogar o ideal que Deus propõe, antes é o testemunho da bondade e misericórdia de Deus para com todos que, por diversas razões não puderam realizar o ideal que um dia diante de Deus, do altar e de toda a comunidade, se comprometeram a viver.

Os Documentos da Igreja, sobretudo do Papa São João Paulo II, exortam ao acolhimento com misericórdia e envolvimento dos mesmos, em atividades de caridade para com o próximo.

Evidentemente que o acompanhamento de um Sacerdote é mais do que recomendável neste assunto (aqui, não é possível um amplo desenvolvimento).

Como vimos, o Sacramento do matrimônio é um dos sinais do Amor de Deus. Que em cada Eucaristia celebrada as forças sejam renovadas para sua solidificação e santificação.

Anunciemos e testemunhemos ao mundo o valor sagrado e irrevogável do Sacramento do matrimônio, para que tenhamos famílias sólidas e felizes, sem nunca esquecermos:

“Como Jesus não abandonou nem a Humanidade, nem a Igreja quando O pregavam na Cruz, assim cada Matrimônio contraído ‘no Senhor’ conserva a indissolubilidade da união entre Cristo e a Igreja, mesmo quando a Cruz está presente”  (1)

O casal cristão experimenta nas provações, dificuldades, ventos contrários, a presença e a ajuda de Cristo que dá força, conforto e esperança.

“Quem se reveste deste Espírito nos dias felizes, poderá continuar a viver desta mesma esperança nas horas difíceis da prova. E isto como a ‘criança’ que nos braços da mãe se sente segura, porque sabe acolher na transparência e na proximidade tudo o que lhe reserva a vida, certa do amor materno que a envolve” (2)

Que todos que desejam um dia contrair esta aliança indissolúvel de amor reflitam na beleza do sagrado compromisso, para serem mais um sinal do Amor eterno e indissolúvel de Deus pela humanidade.

     
(1) (2) Leccionário Comentado - Volume II - Tempo Comum - Editora Paulus - Lisboa - p. 493.                                             

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