sábado, 3 de outubro de 2026

Resiliência na travessia

                                                 


Resiliência na travessia

Resiliência: uma palavra que tem sido cada vez mais falada, e que bem compreendida e vivida pode nos ajudar ao escrever sempre novas páginas de alegria, vida e esperança.

Uma possível definição da palavra: “habilidade que uma pessoa desenvolve para resistir, lidar e reagir de modo positivo em situações adversas”. (1)

Oremos:

Concedei-nos, Senhor, resiliência no enfrentar de uma enfermidade, acompanhada da fé, de mãos dadas com a ciência: uma fé que a ciência não dispensa, uma ciência que a fé não desconsidere.

Que nos ajude no autocontrole, acompanhado da força de vontade de superação de situações embaraçosas, e que não nos sejam aniquiladas as nossas forças.

Para suportar com fortaleza, sem nos deixarmos vencer pelo espírito de medo e timidez, crendo em Vós, que nos acompanha em todos os passos e nos fortalece, (2)

Peregrinos de esperança sejamos, resilientes em toda e qualquer situação, confiando em Vossa presença na barca de Vossa Igreja, que nos garante o chegar à outra margem, em necessária travessia... (3)

Com sabedoria, remar, por vezes, contra a maré das provações e dificuldades, aguentando firme, sem jamais perder o horizonte da esperança, no bom combate da fé (4), inflamados pela chama de Vossa Caridade. Amém.

 

(1)     Dicionário Aulete

(2)    2 Tm 1,7

(3)    Mc 4,35-41

(4)   2 Tm 4,7

 

A Política como sublime vocação

                                                        


A Política como sublime vocação
 
É fundamental, sobretudo no momento que estamos vivendo, com a proximidade das eleições gerais (para Presidente, Senador, Deputado Federal e Estadual, Governador), valorizarmos os espaços de reflexão para o discernimento de nossas escolhas (voto), e valioso conteúdo, encontramos na cartilha que está sendo divulgada em nossa Diocese.
 
Sempre oportunas as palavras do Papa Francisco: “Peço a Deus que cresça o número de políticos capazes de entrar num autêntico diálogo que vise efetivamente sanar as raízes profundas e não a aparência dos males do nosso mundo. A política, tão denegrida, é uma sublime vocação, é uma das formas mais preciosas da caridade, porque busca o bem comum.... Rezo ao Senhor para que nos conceda mais políticos, que tenham verdadeiramente a peito a sociedade, o povo, a vida dos pobres” (cf. Exortação Apostólica “Evangelii Gaudium” n. 205).
 
É preciso que a política seja de fato uma “sublime vocação”; “uma das formas mais preciosas da caridade, porque busca o bem comum”, sobretudo quando a realidade nos apresenta uma face maculada pela corrupção em todos os âmbitos, de modo especial na política, pelo descaso com o bem público, absurda indiferença na promoção do bem comum, com a objetivação de interesses pessoais mesquinhos, que fazem multiplicar a dor e o sofrimento de milhões de empobrecidos, privados do pão, da moradia, da educação, da saúde, lazer e muito mais que lhes seria pleno direito como cidadãos.
 
Nas eleições, é preciso que sejamos criteriosos em nossas escolhas, não vendendo nosso voto, nem trocando por favores, de modo que nossas escolhas sejam expressão consciente, pois, ainda que não pareça, nosso voto tem um “preço” altíssimo, que incide decididamente em toda a nossa vida, positiva ou negativamente.
 
Abertos à ação do Espírito, que nos fortalece na vocação profética, dom divino e resposta humana, empenhemo-nos na construção de uma nova realidade de vida plena e feliz para toda a humanidade, tendo a política, precioso e indispensável instrumento.
 
Ontem e hoje, o mundo precisa de Profetas, pessoas que não cedam à idolatria e injustiças, e se coloquem como vozes de Deus na defesa dos pequenos, dos pobres, dos excluídos, porque gozam de especial amor e predileção por Deus, como nos revela a Sagrada Escritura.

Cidades mais humanas

                                

Cidades mais humanas

 “Eu vi Satanás cair do céu, como um relâmpago”
(Lc 10,18)

Os cristãos, de modo especial, em coerência com a Palavra Sagrada, que creem na fé que professam,  denunciam a servidão de homens e mulheres aos poderes econômicos e políticos de qualquer tipo; colaborando na edificação de um universo mais humano; colaborando para a libertação de atavismos (heranças) e hábitos, do legalismo frio e que rouba a beleza da vida, bem como sacralizações ilusórias que em nada colaboram para a sacralidade da vida humana, desde sua concepção até seu declínio natural.

Muito mais do que denunciar as alienações, é preciso que curemos as chagas que ferem a humanidade.

Deste modo, é missão da Igreja lembrar a todos que não somos donos de nós mesmos, e somos todos responsáveis uns pelos outros, a fim de favorecer vida digna para todos; livre de toda forma de exclusão.

Como nos diz o Senhor no Evangelho de Lucas (Lc 10,17-24), somos capazes e se faz necessário fazer Satanás “cair do céu’”, tornando nossas cidades mais humanas.

Sejam fortalecidas todas as lutas contra as segregações de toda sorte; suprimidas todas as causas da opressão; reformadas as estruturas políticas, quando estas se mostram incapazes de resolver os problemas da sociedade moderna (moradia, ensino, cultura, lazer...).

Multipliquem-se todo trabalho e empenho, para que sejam aliviadas enfermidades; idosos acolhidos e amparados em direitos sociais já adquiridos e que sejam assegurados.

Vençamos toda forma de isolamento, bem como sejam repelidas todas as pressões ou situações que levem as pessoas ao vício e à injustiça, e à expressão máxima, que se vê aumentando dia pós dia, o suicídio.

É sempre oportuno e necessário refletir sobre a missão da Igreja, considerando que é tempo de evangelizar, como nos lembram as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora do Brasil (2019-2023) (Documento 109 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB):

“EVANGELIZAR no Brasil cada vez mais urbano, pelo anúncio da Palavra de Deus, formando discípulos e discípulas de Jesus Cristo, em comunidades eclesiais missionárias, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, cuidando da Casa Comum e testemunhando o Reino de Deus rumo à plenitude”.

Eis a missão da Igreja, como sal da terra e luz do mundo e fermento na massa, em total fidelidade ao Senhor, que nos enviou ao subir para o céu, nos comunicando a presença e a ação do Espírito que vem em socorro de nossa fraqueza, firmando nossos passos em santos propósitos, para que construamos cidades mais humanas e mais fraternas, onde Deus seja visto com maior nitidez aos nossos olhos, em sorrisos e pessoas felizes, com dignidade e encantamento pela vida.

Fonte inspiradora:
Evangelho de Lucas (Lc 10,17-24)
Comentário do Missal Cotidiano – Editora Paulus  – p.1346
 

Sabedoria e humildade nos levam ao céu

                                          

Sabedoria e humildade nos levam ao céu

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 10,17-24),  sobre a oração, a sabedoria e humildade que nos levam ao céu.

A Oração de Jesus:
“Eu Te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos...”

O comentário do Missal Cotidiano:
“O Reino que se avizinha inverterá os valores e realidades humanas, favorecendo, sobretudo os pequeninos, os simples, os pobres de Deus, a saber, o que está convencido da própria insignificância e nulidade, e se deixa penetrar pela sabedoria de Deus.”

E ainda:
“Os humildes e simples estão em comunicação direta com Deus, ‘verão a Deus’.”

A afirmação de uma sábia Doutora da Igreja – Santa Teresa do Menino Jesus: 
“Sinto que se, por impossível, achasses uma alma mais frágil, menor que a minha, comprazer-te-ia em ajudá-la com favores ainda maiores, se se abandonasse com inteira confiança à Tua misericórdia infinita”.

O ecoar de um cântico: o Magnificat, que assim Maria viveu:
“Ele pôs os olhos sobre a humilhação de Sua serva; doravante todas as gerações me proclamarão bem-aventurada” (Lc 1,48)

O desafio cristão: 
Que vivamos tal qual Maria, como os pobres mencionados pelo Senhor, Santa Terezinha e tantos outros...

O que alcançaremos no tempo presente: 
A felicidade, a luz, a alegria, o amor...

E, no final dos tempos ou de nossa vida: 
A Eternidade, o Céu! Aleluia!

A verdadeira Felicidade

                                                      

A verdadeira Felicidade

Jesus voltou-Se para os
discípulos e disse-lhes em particular:
“Felizes os olhos que veem o que vós vedes!”

Concedei-nos, Senhor, a verdadeira felicidade que somente de Vós procede,
Quando nos abrimos à ação da Vossa graça em nossas vidas,
Que nos revigora para gerar e formar Cristo em nós e nos outros.

Concedei-nos, Senhor, a verdadeira felicidade que somente de Vós procede,
Quando abrimos o coração para acolher Vossa presença na Palavra,
Na Eucaristia, de modo sublime, e no próximo, que é também Vossa morada.

Concedei-nos, Senhor, a verdadeira felicidade que somente de Vós procede,
Quando nos abrimos à ação do Espírito Santo, e por Ele somos conduzidos.
Suportando as adversidades do deserto por que temos que passar.

Concedei-nos, Senhor, a verdadeira felicidade que somente de Vós procede,
Quando nos abrimos à sabedoria maior que vem do Santo Espírito,
Reconhecedores de nossa fragilidade e pequenez diante de Vós.

Concedei-nos, Senhor, a verdadeira felicidade que somente de Vós procede,
Quando nos abrimos e mergulhamos em Vosso Mistério,
Que nos abre para as realidades eternas e imutáveis.

Concedei-nos, Senhor, a verdadeira felicidade que somente de Vós procede,
Quando nos sentimos envolvidos pelo Vosso Amor no mais profundo das
Entranhas de nossa alma e coração.

Concedei-nos, Senhor, a verdadeira felicidade que somente de Vós procede,
Quando nos abrimos aos Vossos desígnios e, com alegria e ardor,
Do Vosso Reino nos tornamos humildes instrumentos.

Concedei-nos, Senhor, a verdadeira felicidade que somente de Vós procede,
Quando aspiramos as coisas do alto, onde estais glorioso,
À direita do Pai, na comunhão com o Espírito Santo. Amém.



PS: Inspirado na passagem do Evangelho de Lucas (Lc 10, 17-24)

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

“Infância espiritual”: conquista da maturidade

                                                         

        “Infância espiritual”: conquista da maturidade 

“Em verdade vos digo, se não vos tornardes como crianças,
não entrareis no Reino dos Céus. Pois o que se humilhar
até fazer-se semelhante a uma destas crianças,
este será grande no Reino dos Céus’ (Mt 18,3)
 
Retomemos o Sermão do Papa São Leão Magno, e aprendamos a melhor forma de humildade que o Senhor nos ensina quando adorado pelos magos.
 
Os magos, guiados pela estrela, foram ver uma Criança, um Menino; uma frágil Criança silenciosa, guardada por Sua mãe, Maria. 

Viram Aquele que cresceria em tamanho, sabedoria e graça diante de Deus e que, com sinais e poder, inauguraria o Reino de Deus.
 
O maior sinal de Seu poder, ali era oferecido na forma de uma Criança, em extrema expressão de humildade, que sem nada dizer já estava ensinando aos magos e a toda humanidade.
 
Crescendo em fidelidade e obediência ao Pai, suportou com grande brandura as crueldades dos que se levantavam contra Ele, quanto mais nós temos que ser humildes e pacientes nas provações e dificuldades por que tenhamos que passar.
 
Também crescendo em sabedoria, nos ensinou que a sabedoria cristã não consiste nem na abundância de palavras, nem da habilidade para discutir, nem no desejo de louvor e de glória, mas na sincera e voluntária humildade, e por isto nos apresentou uma criança como o maior no Reino dos Céus, acenando para a desejável infância espiritual que devemos buscar permanentemente.
 
Urge que mantenhamos sempre a “infância espiritual”, expressa na humildade, na simplicidade, na confiança incondicional em Deus, na realização de Sua vontade, assim como o Senhor nos falou.
 
Ainda temos muito que aprender com Aquela Criança, que um dia foi posta numa humilde manjedoura, Seu primeiro altar, naquele singelo presépio, para que percebamos os sinais de Deus em nosso meio e d’Ele também sejamos sinal para o outro, pois tão somente assim viveremos a “infância espiritual” e alcançaremos a maturidade desejada e necessária.
 
 
Fonte inspiradora:  Mt 18,1-5.10.12-14; Lc 9,46-50; Mc 9,33-37; Mc 10,13-16

Santos Anjos da Guarda: reverência, gratidão e confiança

                                                      

Santos Anjos da Guarda: reverência, gratidão e confiança

No dia 02 de outubro, celebramos a Memória dos Santos Anjos da Guarda, sejamos enriquecidos pelo Sermão do Abade São Bernardo (séc. XII).

“A teu respeito ordenou a Seus anjos que te guardem em todos os teus caminhos (Sl 90,11). Louvem o Senhor por Sua misericórdia e Suas maravilhas para com os filhos dos homens. Louvem e proclamem às nações que o Senhor agiu de modo magnífico a favor deles. Senhor, que é o homem para que assim o conheças? Ou por que inclinas para Ele teu coração? Aproximas dele teu coração, enches-te de solicitude por sua causa, cuidas dele. Enfim, a ele envias o Teu Unigênito, infundes o Teu Espírito, prometes até a visão de Tua face. E para que nas alturas nada falte no serviço a nosso favor, envias os Teus Santos Espíritos a servir-nos, confia-lhes nossa guarda, ordenas que se tornem nossos pedagogos.

A teu respeito, ordenou a Seus anjos que te guardem em todos os teus caminhos. Esta palavra quanta reverência deve despertar em ti, aumentar a gratidão, dar confiança. Reverência pela presença, gratidão pela benevolência, confiança pela proteção. Estão aqui, portanto, e estão junto de ti, não apenas contigo, mas em teu favor.

Estão aqui para proteger, para te serem úteis. Na verdade, embora enviados por Deus, não nos é lícito ser ingratos para com eles, que com tanto amor lhe obedecem e em tamanhas necessidades nos auxiliam.

Sejamos-lhes fiéis, sejamos gratos a tão grandes protetores; paguemos-lhes com amor; honremo-los tanto quanto pudermos, quanto devemos. Prestemos, no entanto, todo o nosso amor e nossa honra Àquele que é tudo para nós e para eles; de quem recebemos poder amar e honrar, de quem merecemos ser amados e honrados.

Assim, irmãos, n’Ele amemos com ternura Seus anjos como futuros coerdeiros nossos, e enquanto esperamos nossos intendentes e tutores dados pelo Pai como nossos guias. Porque agora somos filhos de Deus, embora não se veja, pois ainda estamos sob a tutela quais meninos que em nada diferem dos servos.

Aliás, mesmo assim tão pequeninos e restando-nos ainda uma tão longa, e não só tão longa, mas ainda tão perigosa caminhada, que temos a temer com tão poderosos protetores? Eles não podem ser vencidos, nem seduzidos, e ainda menos seduzir, aqueles que nos guardam em todos os nossos caminhos. São fiéis, são prudentes, são fortes; por que trememos de medo? Basta que os sigamos, unamo-nos a eles e habitaremos sob a proteção do Deus do céu”. (1)

De fato, deve aumentar sempre em nós a reverência pelos anjos, por sua presença conosco, acompanhada da gratidão sempre maior por sua benevolência constante por nós, bem como a confiança porque podemos contar com sua proteção em todos os momentos.
Reverência, gratidão e confiança sejam sempre renovadas em nós pela presença e ação dos anjos em nosso favor, pois assim é o desejo de Deus.

Contemplemos a ação dos anjos nas inúmeras páginas da Sagrada Escritura, bem como no ensinamento da Igreja, como podemos ver nos parágrafos 328-336 do Catecismo da Igreja Católica.

Concluo com os parágrafos 328 e 336, respectivamente:

“Santo Agostinho diz a respeito deles: ‘Angelus [...] officii nomen est, non naturae. Quaeris nomen naturae, spiritus est; quaeris officium, angelus est: ex eo quod est, spiritus est: ex eo quod agit, angelus –Anjo é nome de ofício, não de natureza. Desejas saber o nome da natureza? Espírito. Desejas saber o do ofício? Anjo. Pelo que é, é espírito: pelo que faz, é anjo (anjo = mensageiro)’. Com todo o seu ser, os anjos são servos e mensageiros de Deus. Pelo fato de contemplarem ‘continuamente o rosto do meu Pai que está nos céus’ (Mt 18, 10), eles são ‘os poderosos executores das suas ordens, sempre atentos à sua palavra’ (Sl 103, 20)”.

“Desde o seu começo até à morte, a vida humana é acompanhada pela sua assistência e intercessão. ‘Cada fiel tem a seu lado um anjo como protetor e pastor para guiá-lo na vida’. Desde este mundo, a vida cristã participa, pela fé, na sociedade bem-aventurada dos anjos e dos homens, unidos em Deus”.

Como é bom saber que os anjos nos guardam em todos os caminhos, como rezamos no Salmo 91!

“Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador...”

(1) Liturgia das Horas - Volume IV - Editora Paulus - p. 1335-1336

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