quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Naveguemos pelo oceano de incertezas


 

Naveguemos pelo oceano de incertezas

“Coragem, sou Eu. Não tenhais medo!” (Mt 14,27)

Do alto da montanha, olho para a imensidão do mar e me pergunto sobre o que é viver.

Algumas respostas vêm de um grande antropólogo que recentemente nos deixou, Edgar Morin:

- “Por mais que acreditemos armados de certezas e programas, precisamos aprender que toda vida é um navegar num oceano de incertezas, atravessando algumas ilhas ou arquipélagos de certezas, onde nos reabastecemos.” (1)

- “A certeza e o inesperado precisam ser integrados na História humana. Nela, o imprevisto não passa de acaso, é também, como a revolução para Marx, a ‘velha toupeira que trabalha debaixo da terra para aparecer de repente’. A surpresa do inesperado não deve ser anestesiada. Ao contrário, deve nos estimular a compreendê-lo, pensá-lo e, sem poder prevê-lo, pelo menos esperá-lo” (2)

“- As grandes venturas só têm um tempo. Sua lembrança não me enche apenas de saudade, mas também de uma doce e triste alegria.” (3)

- “Em primeiro lugar, quero indicar que o risco do erro e da ilusão é permanente em toda a vida humana, pessoal, social, histórica, em toda decisão e ação e mesmo em toda abstenção, podendo conduzir a desastres.” (4)

E, por fim, a instigante afirmação de Rita Levi-Montalcini, Prêmio Nobel de Medicina:

“ Dê vida a seus dias, em vez de dar dias à sua vida.” (5)

Erros, ilusões, o impensável inesperado, certezas, incertezas, pequenas ou grandes venturas marcadas como selo na memória e no coração...

O mar, o vento, as ondas, as tempestades... Travessias para a outra margem consiste todo o viver...

Viver com intensidade e paixão pela vida, dando vida a cada dia, a cada momento, a cada instante.

Não sucumbir nem ao medo nem ao cansaço, tampouco recolher-se em amedrontada solidão do que possa devorar vorazmente a própria existência.

Descer a montanha, navegar no mar das incertezas, porque Deus, em sua infinita bondade, concede-nos, de fato, “ilhas e arquipélagos de certezas onde nos abastecemos”; e para quem crê, a Eucaristia é, por excelência, uma delas.

Deus Onipotente e misericordioso fez-se presente em nossa travessia, por meio do Seu Filho, e nos comunica o sopro suave do Seu Espírito, e que hoje arde em nossos corações como chama eterna de Amor. Amém.

 

(1)    Lições de um século de vida - Edgar Morin – Bertrand Brasil – p.33

(2)   Idem – p.36

(3)  P.42

(4)  P.91

(5)   P.37



Oração do(a) Secretário(a) Paroquial

                                           


Oração do(a) Secretário(a) Paroquial 

Ó Deus, Vos peço a assistência do Espírito Santo, para que, como secretário(a), seja sinal da presença do Vosso Filho Jesus Cristo, a quantos vierem ao nosso encontro. 

Enriquecido (a) pelos dons da Sabedoria, Entendimento, Conselho, Fortaleza, Ciência, Temor e Piedade, corresponda à missão que fui agraciado (a), sem mérito algum, mas porque sois infinitamente misericordioso. 

Que ao terminar o dia, diga apenas: fui um(a) simples servo(a) e fiz apenas o que devia fazer (cf. Lc 17,10), no pensamento, palavra e ação. Amém.

Não sejamos pedra de tropeço, nem motivo de escândalo


Não sejamos pedra de tropeço, nem motivo de escândalo

“E, se alguém escandalizar um destes pequeninos que creem, melhor seria que fosse jogado no mar com uma pedra de moinho amarrada ao pescoço.” (cf. Mc 9,42)

Senhor, somos Teus discípulos missionários, peregrinos da esperança de tempos novos, como Igreja à serviço do Reino de amor, vida e fraternidade e paz.

Ajudai-nos, Senhor, e não permitais que escandalizamos nosso próximo com a nossa vida, colocando à prova a fé dos mais humildes.

Ajudai-nos, Senhor, e não permitais que nossa atitude e conduta possa ser um perigo para a fé dos mais simples.

Ajudai-nos, Senhor, e não permitais que escandalizemos, vivendo de tal modo que levemos alguém ao abandono do caminho da Igreja.

Ajudai-nos, Senhor, e não permitais escandalizar nossos irmãos e irmãs matando a alegria da fé em Deus no coração dos simples.

Ajudai-nos, Senhor, e não permitais que escandalizemos, manipulando a religião para alimentar culpa e medo de Deus.

Ajudai-nos, Senhor, e não permitais que escandalizemos e façamos sofrer os pequeninos impondo sobre os ombros dos mais vulneráveis pesados fardos do legalismo e do moralismo.

Ajudai-nos, Senhor, e não permitais toda e qualquer forma de escândalo que possa causar a morte.

Ajudai-nos, Senhor, para que, como Igreja, cortemos na raiz toda forma daquilo que parece valioso, mas pode ser causa de escândalo.

Ajudai-nos, Senhor, para que, como Igreja, cortemos as raízes do clericalismo, de toda e qualquer forma de poder opressor das consciências.

Ajudai-nos, Senhor, para que, como Igreja, não tenhamos novas páginas de abuso sexual de menores, da suntuosidade, de rigorismo, a cultura da aparência e da ostentação, a riqueza escandalosa, a falta de humanidade, ritualismos extravagantes, a insensibilidade diante da miséria e violência. Amém.


PS: Fonte inspiradora – Reflexão do Pe. Adroaldo Palaoro – SJ, para o 26° Domingo do Tempo Comum.

  

Repouso em Teu peito, Senhor!

                                                         

Repouso em Teu peito, Senhor!

“As raposas têm tocas e as aves do céu têm ninhos,
mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça” (Lc 9,58).

O Reino de Deus precisa ser anunciado,
Não há mais tempo a perder.
Há um mundo clamando, eu escuto...

Não podemos ficar parados,
Ele nos chama e qual nossa resposta?
Não fiquemos indiferentes, insensíveis.

Há doentes sem carinho, na fila esperando,
Crianças, pelas ruas e praças, suplicantes,
Jovens sem sentido, drogados, perdidos.

Famílias em situação de enfermidade crônica,
Ausência de perdão, de diálogo, de alegria, de compreensão;
Carentes de formação, doutrina, princípios, luz...

A criação geme em dores de parto,
Esperando também a reconciliação,
Paulo assim compreendeu e nos proclamou.

Há um caminho a ser percorrido,
Há uma meta a ser alcançada,
Coragem, firmeza, mansidão vivenciadas. 

Não fincar âncoras no passado consumado,
Inaugurar o futuro, germinando sementes,
Que no presente são, no coração, fecundadas.

Ele nos chama e nos pede confiança,
Despojamento, discernimento, prontidão...
Não há nada mais belo e sagrado a fazer, 

Ao seu chamado prontamente responder,
Carregar a cruz, renúncias são necessárias,
Amadurecimento, crescimento, alcançados.

Mas como seguir alguém que nem tem
Onde a cabeça reclinar, apesar do mundo
Por Ele ter sido feito e d’Ele ser Senhor?

De fato, não teve onde reclinar a cabeça,
Se não o duro Madeiro da Cruz.
Inclinando a cabeça disse: “tudo está consumado”.

Não tinha almofada, travesseiro, aconchego...
Despido, despojado, insultado, crucificado,
O abismo da maldade humana quis derrotá-Lo.

Quem não tinha onde reclinar a cabeça,
Porque assim livremente o quis,
Pobre Se fez para nos enriquecer. 

Descendo ao mais profundo da mansão dos mortos,
Resgatou a vida, para renascer, ressuscitar
Cheio de beleza, vigor, enfim Glorificado.

Hoje não mais reclina a cabeça sobre o Madeiro,
Está de pé, ao lado do Amado Pai, nosso Criador,
Em comunhão plena, Divino Cordeiro.

Vitorioso, glorioso, à direita do Pai Reinando,
Sua cabeça majestosamente coroada
Pelos Anjos e Santos, mártires e por tantos adorado.

Ele que nunca teve onde reclinar a cabeça
Quer tão apenas um lugar para ser acolhido:
O mais profundo do coração humano.

Ele bate, se abrirmos Ele entrará, 
E com Ele faremos a deliciosa Refeição
No Banquete Eucarístico, sinal do Banquete de Eternidade.

Ele não tinha travesseiro...
Tão pobre, tão despojado, tão simples,
Sobre o Seu ombro, quem apoio não encontrou?

Repousemos em Seu Coração!
Sacratíssimo Coração!
Amantíssimo Coração!

Aquele que não tinha onde reclinar a cabeça
Fez-Se apoio, sustento de toda a humanidade.
Deitado em Seu peito, refaço-me, sigo em frente...

PS: apropriado para a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 8,18-22; Lc 9,57-62)

O olhar e a voz da misericórdia divina: Jesus

 


O olhar e a voz da misericórdia divina: Jesus


“Naquele tempo, Jesus viu um homem chamado Mateus,

sentado na coletoria de impostos, e disse-lhe:

‘Segue-me!’’.  Ele se levantou e seguiu a Jesus.” (Mt 9,9)

 

O olhar,

A voz,

A resposta...

 

Um momento que muda uma vida.

Ontem, o olhar de compaixão do Senhor;

A Sua voz, penetrante como espada de dois gumes;

A resposta de Mateus ao chamado.

 

Hoje, Ele também passa por nós.

Seu olhar, mar de compaixão, nos envolve.

É impossível a indiferença ao fixarmos n’Ele, o nosso olhar.

Um colírio para a fé, e  para sempre nossos olhos n’Ele fixos.

 

Sua voz como suave melodia,

Envolve-nos o  corpo, a alma e o espírito.

Invade os ouvidos do coração,

Em  divino abraço de ternura.

 

“Segue-me”.

Ontem, Mateus Te seguiu,

A vida por Ti entregou,

Martírio abraçou, consumido pelo Amor.

 

“Segue-me”.

Hoje, nós discípulos missionários Teus,

Queremos por Ti a vida consumir,

Com renúncias cotidianas necessárias, a cruz assumir.

 

Ó divino olhar de misericórdia a nós dirigido.

Ó suavidade de voz que invade as veias do coração.

Que nosso coração contigo em perfeita sintonia,

Seduzido pelos mesmos sentimentos que brotam do teu coração. Amém.



PS: Passagem do Evangelho de Mateus (Mt 9,9-13)

 

Em poucas palavras...

                                                


Peregrinos da Esperança: desprendimento e entrega total

“Nada se deve preferir a Ele. Sobretudo quem possui grandes riquezas terá de fazer renúncias dolorosas. Mas é necessário saber enfrentá-las com alegria, para entrar na glória adquirida por Jesus pelo preço de um desprendimento e de uma entrega total.

A Eucaristia é penhor da vida eterna, infinitamente mais precioso que tudo. Sob os sinais do sacramento, recebe-se o próprio autor da Salvação.” (1)

 

 

(1)Missal Quotidiano, Dominical e Ferial - Editora Paulus – Lisboa – passagem do Evangelho (Mc 10,17-30) – pág. 2070; apropriado para a passagem do Evangelho de Lucas (Lc 9,57-62).

Antes que o sol se ponha...

 


Antes que o sol se ponha...

Que a esperança jamais se ponha
Antes que o sol se ponha atrás da montanha,
cerro meus ouvidos aos que bradam o fim da história,
que não há esperança alguma no horizonte da humanidade,
ou que em estéril saudosismo, dizem que nada é mais como antes.
 
Cerrados sejam também para os que semeiam dogmatismos,
Fundamentalismos, sectarismos que criam muros, insanas divisões.
Seja nos espaços reais da convivência cotidiana,
Seja nos espaços virtuais que semeiam discórdias e violência.
 
O sol se porá, inevitavelmente, como todos os dias,
O véu da escuridão cobrirá mais uma vez a Terra.
E, na espera dos raios de sol em nova aurora,
Peço as luzes de quem tem algo salutar a dizer.
 
Quero ouvir os que me fazem crer no novo humanismo;
que não poupam esforços para não incorrermos em barbáries,
porque se não vigilantes, ela é sempre possível,
e não podemos recuar jamais nos avanços históricos alcançados.
 
Recolhido na espera dos primeiros raios de um novo dia,
Releio, reflito e compartilho com pessoas de boa vontade,
Palavras que nos fazem reacender a esperança de um novo tempo,
Porque a fé também assim exige, expressa em fecunda caridade:
 
“Ser humanista doravante não é apenas pensar que os perigos, as incertezas e as crises (entre as quais a da democracia, a do pensamento político, a provocada pela explosão do lucro, a da biosfera e a multidimensional da pandemia) nos uniram numa comunhão de destinos.


Ser humanista não é apenas saber que somos todos humanos semelhantes e diferentes, não é apenas querer escapar das catástrofes e aspirar um mundo melhor.


Ser humanista é também sentir intimamente que cada um de nós é um momento efêmero de uma aventura extraordinária, a aventura da vida que deu origem à aventura humana, que, ao longo das criações, tormentos e desastres, chegou a uma crise gigantesca, na qual está em jogo o destino da espécie.


O humanismo regenerado, não é apenas o sentimento de comunidade humana, de solidariedade humana, é também o sentimento de estar no interior dessa aventura desconhecida e incrível, e desejar que ela continue em direção a uma metamorfose, da qual nascerá um novo devir.” (1)

Sigamos em frente... que o sol se ponha,
Mas jamais se ponha com ele a esperança.
Renovam-se as forças, novas linhas escrever,
O inédito do melhor nos desafia... Amém.

  
 
(1)
 Lições de um século de vida - Edgar Morin – Bertrand Brasil – p. 86.88

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