quinta-feira, 10 de setembro de 2026

A “regra de ouro”

                                                      


A “regra de ouro”

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 6,27-38), em que Jesus quer e exige o amor sem limites para com os irmãos e irmãs, por isto diz aos Seus discípulos para amarem a todos, mesmo os inimigos, e que rezem e façam o bem desinteressadamente.

Deste modo, o mandamento do amor aos inimigos, consiste no sentido e centro do amor dos cristãos, o amor gratuito por excelência:

“Todas as outras atitudes podem esconder egoísmo (busca do meu próprio eu através dos outros). Só quando se dá sem esperar recompensa, quando se ama sem que o outro o mereça, quando se perde para que o outro ganhe, só então se atingiu o mistério do amor que nos ensina (e nos oferece) Cristo. Viver esta realidade significaria a única verdadeira revolução da nossa história.” (1)

O discípulo do Senhor, peregrino de esperança de novos tempos, novas relações fraternas, deverá orientar e conduzir sua vida pela  regra de ouro: “Assim como quereis que os outros vos façam, fazei-o vós a eles.” (Lc 6,31).

Sobre esta regra, assim lemos no Catecismo da Igreja Católica:

“A Lei evangélica implica a escolha decisiva entre «os dois caminhos» (Mt 7,13-14) e a passagem à prática das palavras do Senhor (Mt 7,21-27); resume-se na regra de ouro: «Tudo quanto quiserdes que os homens vos façam, fazei-lho, de igual modo, vós também, pois nisso consiste a Lei e os Profetas» (Mt 7, 12, Lc 6,31).

Toda a Lei evangélica se apoia no «mandamento novo» de Jesus (Jo 13,34), de nos amarmos uns aos outros como Ele nos amou (Jo 15,12).”  (2)

Bem sabemos que é um mandamento de extrema exigência, e que nos coloca a questão: Como vivê-lo em nosso cotidiano, tantas vezes marcado por relações que criam feridas, frutos do ódio e violência de diversas formas?

O Lecionário Comentado pode nos ajudar em necessárias respostas e luzes:

“É preciso reconhecer que o Evangelho nos deixa a todos em dificuldade, porque nos coloca perante palavras claras do Mestre, fazendo-nos entrar no coração da mensagem cristã.

Só um coração novo, um coração convertido, uma mente iluminada pela oração, pelo Espírito e pela Palavra, pode viver um amor a intensidade desejada por Cristo, tornando-nos capazes de amar os nossos inimigos e de abençoar os que nos causaram mal.” (3)

O Apóstolo Paulo, em sua Carta aos Romanos (c.12), nos ajuda a dar passos neste sentido, e é oportuno que retomemos em Leitura Orante com seus passos (leitura, meditação, oração e contemplação), e haverá de nascer em nossos corações santos propósitos para maior fidelidade Àquele que, tendo nos amado, amou-nos até o fim, ainda que não o mereçamos, e que no ápice de dor, crueldade, ainda saíram de seu coração e lábios, palavras que ressoam e exalam o odor do amor e do perdão por todo o tempo: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23,34)

Esteja a “regra de ouro” em nossa mente e coração, para orientar e conduzir nossas relações, fora e dentro da comunidade, sobretudo para que aprendamos e vivamos o amor aos inimigos.

Oremos:

 
“Pai clementíssimo,
que no Vosso único Filho
nos revelais o amor gratuito e universal,
dai-nos um coração novo,
para que nos tornemos capazes de amar
também os nossos inimigos
e abençoar os que nos fizeram mal.” Amém. (4)

 
(1) Comentário à Bíblia Litúrgica – Editora Coimbra 2 – Palheira – pág. 1088
(2)Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 1970
(3)Lecionário Comentado – Tempo Comum – Volume I – Editora Paulus – 2010 – pág. 318
(4)Idem pág. 319

PS: Apropriado para a passagem do Evangelho de Mateus  (Mt 7,6.12-14)

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Em poucas palavras...

                                        


Disciplina e entrega “paulinas” na ação evangelizadora

“Para aceitar o Evangelho e assimilá-lo em profundidade, é necessário treino, exercício, domínio do corpo, capacidade de luta.

Para evangelizar, o cristão deve ser totalmente consagrado a Deus no sentido paulino da ‘escravidão’; deve estar em contínuo exercício de ascese, deve poder dominar o próprio corpo, para chegar a uma ‘existência verdadeiramente nova’” (1)

 

 

(1)        Comentário do Missal Cotidiano – Editora Paulus – p. 1262 – passagem bíblica – (1 Cor 9,16-19.22b-27)

Em poucas palavras...

 




A comunidade dos discípulos missionários do Senhor

“Eis aqui como as novas relações devem ser vividas no interior da comunidade cristã:

- relações fundadas na verdade, ou seja, saber dizer “sim” e saber dizer “não” e não basear-se em suposições;

- relações de encontro: assumir os problemas cara a cara, sem escamoteá-los;

-  relações de liberdade: comunidade onde reine a liberdade de palavra;

-  relações de amabilidade e compreensão: face a face, mas com amor e ternura;

- relações de contínuo desbloqueio: não guardar as coisas, porque nos fecham ao próximo, e quando explodem, causam danos recíprocos;

-  relações de esperança: não perder nunca a esperança no outro, não se encastelar nunca, não desistir de reconstruir a amizade com ele; 

- relações de amor vigoroso: ajuda e exigência mútua.” (1)

 

(1)Reflexão sobre a passagem do Evangelho (Mt 18,15-20) - Pe Adroaldo Palaoro - SJ

 

Súplica pela misericórdia

                                      

Súplica pela misericórdia

Discípulos Missionários do Senhor e  misericordiosos como o Pai haveremos de ser.

Muito oportuna a Oração escrita por Santa Faustina Kowalska, em 1937, e que se encontra em seu Diário (p.163 - Caderno I), para que assim o sejamos.

Compreendamos no que consiste a misericórdia para um cristão, e o que ela exige, para que seja autêntica e agradável a Deus.

Sejamos misericordiosos como o Pai! E somente seremos, se nos configurarmos decididamente a Jesus, que nos revela a Face misericordiosa do Pai, na plena comunhão com o Espírito Santo, o Amor.

Ajudai-me, Senhor, para que os meus olhos sejam misericordiosos, de modo que eu jamais suspeite nem julgue as pessoas pela aparência externa, mas perceba a beleza interior dos outros e possa ajudá-los.

Ajudai-me, Senhor, para que os meus ouvidos sejam misericordiosos, de modo que eu esteja atenta às necessidades dos meus irmãos e não me permitais permanecer indiferente diante de suas dores e lágrimas.

Ajudai-me, Senhor, para que a minha língua seja misericordiosa, de modo que eu nunca fale mal dos meus irmãos; que eu tenha para cada um deles uma palavra de conforto e de perdão.

Ajudai-me, Senhor, para que as minhas mãos sejam misericordiosas e transbordantes de boas obras, nem se cansem jamais de fazer o bem aos outros, enquanto, aceite para mim as tarefas mais difíceis e penosas.

Ajudai-me, Senhor, para que sejam misericordiosos também os meus pés, para que levem sem descanso ajuda aos meus irmãos, vencendo a fadiga e o cansaço; o meu repouso esteja no serviço ao próximo.

Ajudai-me, Senhor, para que o meu coração seja misericordioso e se torne sensível a todos os sofrimentos do próximo; ninguém receba uma recusa do meu coração. Que eu conviva sinceramente mesmo com aqueles que abusam de minha bondade. Quanto a mim, me encerro no Coração Misericordiosíssimo de Jesus, silenciando aos outros o quanto tenho que sofrer.

Vós mesmo mandais que eu me exercite em três graus da misericórdia; primeiro: Ato de misericórdia, de qualquer gênero que seja; segundo: Palavra de misericórdia – se não puder com a ação, então com a palavra; terceiro: Oração. Se não puder demonstrar a misericórdia com a ação nem com a palavra, sempre a posso com a oração. A minha oração pode atingir até onde não posso estar fisicamente.
Ó meu Jesus, transformai-me em Vós, porque Vós tudo podeis”. Amém.

PS: Reflexão oportuna para o 7º Domingo do Tempo Comum (ano C) e na quinta-feira da 23ª Semana do Tempo Comum, quando ouvimos a passagem do Evangelho de Lucas (Lc 6,27-38), e continuamos a refletir sobre o Sermão da Planície feito por Jesus (Lc 6,17.20-26). Memória celebrada dia 6 de outubro.

O luto na perspectiva cristã, como lidar?

                                                          

O luto na perspectiva cristã, como lidar?

Vivemos e convivemos com a dor e o seu ponto final, a própria morte. Quando esta irrompe em nossa vida, parece tudo desmoronar. A alguns ela provoca o desalento, o desânimo, a fuga, a compensação indesejável na droga, ou até outros meios (que não são poucos) para sua superação e explicação da mesma, na procura de  algo que possa preencher o vazio deixado.

Há muitos estudos especializados sobre o luto ou possíveis perdas (emprego, amizade, algo alcançado etc.), porém um que pertence a Elisabeth Kübler-Ross (1969) nos apresenta os vários passos de sua vivência e superação, e que se tornaram conhecidos como “Os cinco Estágios do Luto” (ou da Dor da Morte, ou da Perspectiva da Morte).

Podem ser assim esquematicamente apresentados os “Estágios do Luto”:

1.  Negação, recusa e Isolamento: "Isso não pode estar acontecendo”, "não pode ser"; " é mentira". Diante do fato paralisante, a pessoa naturalmente poderá chorar desconsoladamente, e nenhuma palavra lhe faz sentido.

2.  Cólera (Raiva): "Por que eu? Não é justo."; “por que exatamente comigo? Não é justo o que ocorreu". É o momento em que a pessoa percebe os limites incontroláveis da vida e ocorre uma reluta dramática em reconhecê-los. Normalmente se culpa pela perda, por não ter feito o que devia ou por ter deixado de fazer o que poderia para que não acontecesse tal fato.

3.  Negociação: "Me deixe viver apenas até meus filhos crescerem." Há o autofortalecimento mediante uma espécie de negociação com a dor da perda: "não posso sucumbir nem afundar totalmente; preciso aguentar esta dilaceração, garantir meu trabalho e cuidar de minha família". Já aparece um ponto de luz nesta longa noite escura.

4.  Depressão: "Estou tão triste. Por que se preocupar com qualquer coisa?" Há o vazio assumido a ser preenchido quando se der a aceitação que consiste no estágio seguinte.
           
5.  Aceitação resignada e serena do fato incontornável: "Tudo vai acabar bem." Há um processo dolorido de amadurecimento. Ninguém sai do luto como entrou.

Evidentemente, na vida de cada um estes estágios não acontecem assim tão claramente como apresentados, mas com certeza o leitor deve ter refletido sobre a experiência do luto já vivido.

- Mas como a fé pode intervir e ajudar nesse processo de recusa, cólera, negociação, depressão e aceitação?
- Em que nos diferenciamos?
- Qual é o elemento que nos leva a dar um passo e a ter um olhar transcendente?

A fé na Ressurreição, o olhar que transcende à própria morte, que para quem crê em Jesus Cristo Ressuscitado, não tem a palavra última.

Quando tomei conhecimento destes “estágios do luto e da perda”, foi a primeira interrogação que me descortinou no horizonte do Ministério de Pastor, e ao mesmo tempo frente à própria experiência da morte de entes queridos.

Primeiramente me dei conta de que há um tempo para que o luto aconteça, que não se dá tão logo façamos o enterro. Ficamos num processo prolongado, variando de pessoa para pessoa. Aqui entra o elemento indispensável da fé e a riqueza de citações bíblicas que poderiam ser mencionadas para refazermos nossas forças.

A primeira delas que vemos em tantas salas de velórios: “Eu sou a Ressurreição. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá. E quem vive e crê em mim jamais morrerá” (Jo 11,25-26). O próprio Senhor nos garantiu que foi para a casa do Pai para nos preparar uma morada e nos exortou a não nos perturbamos diante do inevitável fato da morte (Jo 14,2-3).

O Apóstolo Paulo na Carta aos Coríntios (cf. 1Cor 15, 12-20), nos diz literalmente que se Cristo não Ressuscitou vazia é a nossa fé, a nossa pregação.

Salmos, Evangelhos, Epístolas, entre outros Livros da Sagrada Escritura, são nestes momentos o Pão da Palavra que nos reanima, fortalece, e porque fundados na fé. Vemos, à luz da Palavra, o horizonte último da eternidade se abrir para aqueles que nos antecederam, e com os quais nos encontraremos se enraizados e solidificados na caridade, pois o céu será o epílogo do presente, o amor que vivemos, prolongado e plenificado sem medida, pois estaremos na plena comunhão com Deus e Seu Amor Trino, imensurável que já experimentamos, antegozamos. Amém.

Santidade e perfeição

                                                       


Santidade e perfeição

“O Senhor falou a Moisés, dizendo:
‘Fala a toda a comunidade dos filhos de Israel, e dize-lhes:
Sede santos, porque Eu, o Senhor vosso Deus, sou santo” (1).

Naquele dia Jesus falou aos Seus discípulos,
E continua falando a nós hoje e para sempre:
“Sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito” (2)

Tudo o que Deus espera de nós, é santidade e perfeição.
Ainda que não correspondamos, de nós não desiste,
Porque não nos olha como inimigos e para sempre perdidos.

O olhar de Deus nos envolve e acompanha a cada passo.
E o passo maior e decidido, quando aprendemos a Ele retornar,
Em atitude contrita, e reconhecedores de nossos pecados.

Confessemos, enquanto é tempo, nossos pecados e infidelidades
Arrancando de nós toda ira, ódio, rancor ou desejo de vingança;
Retribuamos a quem nos insultou, perdão acompanhado da oração.

Aspiremos o cume da virtude, ascendendo degraus da perfeição,
Agraciados pelo perdão e amor divinos, para amar e também perdoar.
Amor não somente a quem nos ama, mas também pelos inimigos.

Santidade e perfeição buscadas, assistidos pela força do Santo Espírito,
Vivendo a loucura da Cruz, jamais pela sabedoria do mundo conduzidos,
E de Cristo mesmos pensamentos e sentimentos termos e vivermos.

(1) Lv 19,1; 1 Pd 1,1-16
(2) Mc 5,48

PS: Oportuno para a passagem do Evangelho de Lucas (Lc 6,27-38)

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