terça-feira, 1 de setembro de 2026

Rezando com os Salmos - Sl 84 (85)

 



“O Amor e Verdade se encontrarão...”
 

“–1 Ao maestro do coro. Salmo dos filhos de Coré.
–2 Favorecestes, ó Senhor, a Vossa terra,
libertastes os cativos de Jacó.
–3 Perdoastes o pecado ao Vosso povo,
encobristes toda a falta cometida;
–4 retirastes a ameaça que fizestes,
acalmastes o furor de Vossa ira.


–5 Renovai-nos, nosso Deus e Salvador,
esquecei a vossa mágoa contra nós!
–6 Ficareis eternamente irritado?
Guardareis a vossa ira pelos séculos?

–7 Não vireis restituir a nossa vida,
para que em Vós se rejubile o Vosso povo?
–8 Mostrai-nos, ó Senhor, Vossa bondade,
concedei-nos também Vossa salvação!

–9 Quero ouvir o que o Senhor irá falar:
é a paz que ele vai anunciar;
– a paz para o seu povo e seus amigos,
para os que voltam ao Senhor seu coração.
–10 Está perto a salvação dos que o temem,
e a glória habitará em nossa terra.

–11 A verdade e o amor se encontrarão,
a justiça e a paz se abraçarão;
–12 da terra brotará a fidelidade,
e a justiça olhará dos altos céus.

–13 O Senhor nos dará tudo o que é bom,
e a nossa terra nos dará suas colheitas;
–14 a justiça andará na sua frente
e a salvação há de seguir os passos seus.”

 

Contemplemos com o Salmo 84(85) que a nossa salvação está próxima:

“Ação de graças pelo fim do exílio (538a.C) e invocação a Deus para que termine sua obra de salvação. O salmista manifesta sua esperança na plena restauração do povo, com o triunfo da paz e da justiça” (1)

Conforme as palavras de Orígenes (séc. III), no Salvador caído por terra, Jesus Cristo, Deus abençoou a sua terra.

Com o Mistério da Morte e Ressurreição do Senhor, renovemos a nossa confiança da Salvação que Ele nos alcançou, e fortaleçamos os vínculos da vida em comunidade, na comunhão e fraternidade, sinalizando a emergência de uma nova sociedade, onde a verdade e o amor se encontrarão, justiça e paz se abraçarão, brotará da terra a verdade e a justiça inclinará do alto céus (Sl 85, 11-12). Amém.

 

(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB – p. 799

“Vinde & Vede”

                                      

“Vinde & Vede”
 “A juventude mora no coração da Igreja
e é fonte de renovação da sociedade”

Dez anos passados, realizamos o XVIII EJC - Encontro de Jovens com Cristo  em que foi renovada a esperança de todos nós, pois vimos Jovens que, como André, Pedro, João, Felipe, Tiago e outros discípulos, responderam ao chamado que Jesus fez para serem Seus seguidores.

Jesus dirigiu uma pergunta aos Jovens que participaram do EJC: “Que procurais?” e estes responderam: “Mestre, onde moras?”. O Senhor respondeu: ‘Vinde e Vede’. (Jo 1,38-39).

Os Jovens vieram, fizeram seu Encontro pessoal com Jesus, que os marcará para sempre e os fará alegres discípulos missionários do Senhor na construção do Reino de Deus: Reino de amor, alegria, vida, justiça, felicidade e paz.

Voltemos para o que nos disseram os Bispos  em Documento dedicado especialmente à juventude: “A juventude mora no coração da Igreja e é fonte de renovação da sociedade. Os jovens de todos os tempos e lugares buscam a felicidade. A Igreja continua olhando com amor para os jovens, mostrando-lhes o verdadeiro Mestre − Caminho, Verdade e Vida − que os convida a viver com Ele. Nós, pastores, consideramos urgente e importante o tema da evangelização da juventude para refleti-lo à luz da Palavra de Deus e de tantas riquezas e desafios deste momento histórico-cultural em que vivemos” (Evangelização da Juventude  Desafios e perspectivas pastorais n. 85).

Mais que acreditar, é dedicar tempo e espaço para que a juventude seja protagonista da evangelização, junto com tantos outros que nos antecederam e com mais tempo vivido, participaram com ardor, corajosa e decididamente na evangelização.

Foi à luz destas palavras, sobretudo quando se afirma que a juventude mora no coração da Igreja e é fonte de renovação da sociedade, que decidimos o tema: “Jovens, o que procurais?”; e o lema: “Vinde&Vede”, que motivaram as reflexões do EJC.

Para o êxito deste Encontro, contamos com o sim dado por vários casais, que prontamente se dispuseram a servir, não importando qual seria o trabalho, sabedores de que todo trabalho possui igual beleza, pois, embora indignos sejamos, o Senhor nos chamou para trabalhar em Sua messe; não pelos nossos méritos, mas para nos santificar, nos enriquecer, nos cumular com Suas bênçãos.

Não há nada mais precioso para nós do que ser chamado pelo Senhor para trabalhar em Sua vinha. Ele é a nossa pérola preciosa de maior valor, Ele é o nosso tesouro escondido, pelo qual tudo vendemos, de tudo nos dispomos, para adquirir o terreno no qual Ele Se encontra, ou seja, que O tenhamos sempre no mais profundo de nós, mais íntimo a nós, do que nós a nós mesmos, como bem falou Santo Agostinho, em seu incansável e feliz encontro, quando partiu a procura de Deus.

Agora é tempo de todos avançarmos para águas mais profundas, e cada Jovem, tendo encontrado e feito uma profunda experiência pessoal com Cristo, leve tantos outros jovens à mesma experiência, à mesma graça.

Impossível ter-se encontrado com Jesus e retê-Lo somente para si. Agora é a sua vez, Jovem, de levar outros jovens ao mesmo encontro, como fizeram os primeiros discípulos.

O EJC não termina, deve prolongar para sempre na vida de quem dele participou: comunicando a Boa-Nova do Evangelho com palavras e obras, em todos os lugares em que se vive. E num mundo em que redes sociais virtuais se formam, também este espaço impregnar com a Semente da Palavra do Senhor, semeando o que melhor pudermos, para vermos florir o jardim de Deus que tanto desejamos: um mundo mais belo, humano, justo e fraterno.

Que Deus derrame copiosas bênçãos sobre os Jovens que fizeram o Encontro e sobre todos os que, direta e indiretamente, e de modos diferentes, trabalharam, colaboraram, acreditaram e participaram deste EJC, não medindo esforços para seu êxito. 

Somos libertos pela Palavra e ação de Jesus

                                   

Somos libertos pela Palavra e ação de Jesus
 
“O que é isso? Um ensinamento novo, dado com autoridade...
Ele manda até nos espíritos maus, e eles obedecem!”
 
Deus tem um Projeto de liberdade e vida plena para a humanidade, que se contrapõe aos projetos marcados pelo egoísmo, escravidão de toda forma e morte.
 
Na passagem do Evangelho (Mc 1,21-28), vemos a ação de Jesus, o Filho de Deus, que vem cumprir o Projeto de libertação.
 
Depois de apresentar o chamamento dos discípulos, o Evangelista apresenta uma jornada ministerial do Senhor, com Sua autoridade revelada no ensino e diante dos “espíritos impuros”.
 
Com Sua Palavra e ação, Jesus renova aqueles que O acolhem e acreditam em Sua Palavra, tornando-os verdadeiramente livres do egoísmo, do pecado e da própria morte.
 
A ação de Jesus faz suscitar a interrogação daqueles que O viram ensinar e expulsar os demônios: “Que vem a ser isto? Uma nova doutrina e com que autoridade!”. Também nós devemos nos perguntar “quem é Jesus para nós?”
 
Jesus veio nos libertar de tudo o que nos faça “prisioneiros” e nos roube a vida e a alegria de viver. Com Sua Palavra e ação, Jesus nos revela que Deus não desistiu da humanidade, e quer conduzi-la à vida plena e feliz.
 
Seus seguidores não poderão cruzar os braços, continuando a Sua missão na luta contra os “demônios” de tantos nomes, que roubam a vida e a liberdade das pessoas.
 
O discípulo de Jesus, com Sua Palavra e presença, luta na libertação de todos os demônios que desfiguram as pessoas, para que estabeleçamos relações mais fraternas.
 
Ser discípulo consistirá em percorrer o mesmo caminho que Ele percorreu, lutando até o fim, em total doação da vida para que tenhamos um mundo mais humano, mais livre, mais solidário, mais justo e mais fraterno. Sendo assim, é inconcebível que os discípulos cruzem os braços, de olhos voltados para o céu.
 
Há um mundo a ser transformado e, como Igreja em saída (como tem insistido o Papa Francisco), não podemos ficar fechados em nossas sacristias, mas assumir corajosamente, com a força do Espírito, com sabedoria e criatividade, a dimensão missionária, elemento constitutivo da Igreja, presença nas mais diversas realidades, em incansável empenho para a transformação das realidades:  familiar, social, política, econômica, cultural, do trabalho e da comunicação.
 
Nem sempre isto se dá de modo tranquilo, porque pode gerar conflitos, divisões, sofrimentos, incompreensões, perseguições, mas vale a pena, porque é fiel Àquele que prometeu jamais nos desamparar, jamais nos deixar órfãos na missão por Ele confiada, afinal nos comunicou o Seu Espírito, que nos assiste em todos os momentos.
 
O discípulo de Jesus é alguém que embarcou nesta aventura de amor que dá sentido à vida, o que nos torna cúmplices e instrumentos nas mãos de Deus, para que construamos um mundo novo, de homens e mulheres livres e felizes.
 
Com o coração seduzido e inflamado por Jesus, que voltou para nós o Seu olhar de amor e nos chamou pelo nome, não há como voltar atrás; de modo que, quem pelo Senhor sentiu-se amado, já não pode mais viver sem o Seu Amor, a Sua Palavra e presença.
 
 
 
(1) Missal Quotidiano, Dominical e Ferial – Paulus – Lisboa – p.1177
 
P
S: Oportuno para reflexão sobre a passagem do Evangelho de Lucas (Lc 4,31-37).

Em poucas palavras...

                                                       


A necessária escuta da Palavra de Deus

“E sobretudo há a obra da evangelização e da catequese que se tem revitalizado precisamente pela atenção à Palavra de Deus.

É preciso, amados irmãos e irmãs, consolidar e aprofundar esta linha, inclusive com a difusão do livro da Bíblia nas famílias.

De modo particular é necessário que a escuta da Palavra se torne um encontro vital, segundo a antiga e sempre válida tradição da ‘lectio divina’: esta permite ler o texto bíblico como Palavra viva que interpela, orienta, plasma a existência.” (1)

 

(1)Novo Millennio Ineunte - 2001 - Papa São João Paulo II

 

Em poucas palavras...

 


O Verbo não tem necessidade de sílabas

“Lembrai-vos de que o discurso de Deus que se desenvolve em todas as Escrituras é um só e um só é o Verbo que Se faz ouvir na boca de todos os escritores sagrados, o qual, sendo no princípio Deus junto de Deus, não tem necessidade de sílabas, pois não está sujeito ao tempo”. (1)

 

(1)Catecismo da Igreja Católica n. 101 – citação de Santo Agostinho

Os Mandamentos divinos: caminho de felicidade

Os Mandamentos divinos: caminho de felicidade

Como discípulos missionários, é preciso utilizar os bens que passam para alcançarmos os bens que não passam, e com sabedoria, fidelidade e habilidade, participarmos da construção de uma nova sociedade, pondo os bens a serviço de todos, numa clara postura profética contra a ambição e a acumulação.

O discípulo deve ser livre de todos os bens porque possui um Bem Maior: Jesus Cristo e a eternidade.

São Basílio Magno (séc. IV) já nos acenava que toda a concentração ou desperdício geram situações de miséria e indigência:

“Não és acaso um ladrão, tu que te apossas das riquezas cuja gestão recebeste? ... Ao faminto pertence o pão que conservas; ao homem nu o manto que manténs guardado; ao descalço, os sapatos que estão estragando em tua casa; ao necessitado, o dinheiro  que escondeste. Cometes assim tantas injustiças quantos são aqueles a quem poderias dar.”

A prática da Oração, feita por um coração puro e sintonizado com os desígnios divinos, abre os horizontes da fraternidade, amizade, comunhão e solidariedade, gerando a vida e a paz, acompanhada da prática dos Mandamentos da Lei Divina:

1. Amar a Deus sobre todas as coisas.
2. Não tomar o Seu santo nome em vão.
3. Guardar domingos e festas de guarda.

E mais os outros sete, que nos ajudam a construir um Projeto de Amor e vida, felicidade, alegria, partilha e paz:

4. Honrar pai e mãe.
5. Não matar.
6. Não pecar contra a castidade.
7. Não furtar.
8. Não levantar falso testemunho.
9. Não desejar a mulher do próximo.
10. Não cobiçar as coisas alheias.

Amar a Deus sobre todas as coisas é saber se relacionar com Ele e com todos, fazendo uso das coisas, sem se deixar escravizar por elas. Os Mandamentos Divinos garantem nossa adoração a Deus, pois adoramos a Deus, amando o próximo. Amém.

A eficácia da Palavra no caminho de conversão

                                                          

A eficácia da Palavra no caminho de conversão

A Palavra de Deus é fonte inesgotável de conversão para todos os cristãos e, sobretudo para nós, Presbíteros.

Como sermos autênticos discípulos missionários credíveis do Verbo que se fez Carne se não nos propusermos a trilhar o frutuoso caminho da conversão sincera, silenciosa, contínua...?

Para que possamos avançar neste santo e inadiável propósito é preciso dar passos firmes na acolhida sincera da “Verbum Domini”  Exortação Apostólica do Papa Bento XVI sobre a Palavra de Deus na vida e na Missão da Igreja   e, como presbíteros, termos a coragem de “puxar a fila” na certeza de que construiremos comunidades mais sólidas e instrumentos do Reino, porque firmadas e alimentadas pela Palavra Divina.

Neste caminho, temos que superar as tentações sedutoras, e aqui, lembramos as fundamentais e também nascentes de outras: ter, ser e poder, que bem sabemos o Senhor as venceu no deserto e nos ensinou que também nós podemos vencê-las.

Se a elas sucumbirmos esvaziaremos o sentido de nosso ministério, ofuscaremos inexoravelmente a face do Cristo que nos chamou,  consagrou e enviou com a força do Espírito.

Como amantes do Verbo que Se fez Carne, temos que encontrar na Palavra a fonte de conversão para todos nós... Nela inspirados e iluminados há de ser superado todo o cansaço; recuperadas as perdas de horizontes que nos motivam a caminhar partícipes da civilização do amor em prol da cultura da vida; estéreis fechamentos serão rompidos; esvaziamentos encontrarão seu conteúdo existencial e vital; compensações não serão necessárias; não correspondência ao que o rebanho de nós espera será impensável...

Vale ressaltar que muito do que me refiro aos presbíteros é absolutamente indispensável para todos os cristãos leigos. A conversão é, portanto, imperativo para todos!

Assim como pedimos o pão de cada dia na oração que o Senhor nos ensinou,  podemos intuir que a graça da conversão também é suplicada, para que melhor correspondamos à vontade de Deus.

Sendo a Palavra de Deus o centro e fonte de nossa espiritualidade e da ação evangelizadora, jamais poderemos separá-la da Eucaristia que celebramos, bem como não poderemos nos acomodar em seu conhecimento, acolhimento e vivência. Bem disse são Jerônimo: “Ignorar as Escrituras é ignorar o próprio Cristo”.

Palavra de Deus não apenas para ser conhecida, mas acolhida, encarnada e vivida, como sementes que se plantam para florescer já no tempo presente, reconstruindo o paraíso não como estéril saudosismo, mas como compromissos intransferíveis...

Urge que nos empenhemos arduamente e decididamente no caminho da conversão, que não consiste num ponto de chegada em si, mas como um caminho permanente a ser percorrido. Sempre alimentados pela Palavra Divina, daremos razão de nossa esperança ao mundo; artífices da caridade porque crentes em sua força, eficácia e penetração no mais profundo de nós mesmos (1Pd 3).

Supliquemos: “A conversão de cada dia nos dai hoje, Senhor!". Amém.

Quem sou eu

Minha foto
4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG