terça-feira, 1 de setembro de 2026

Deus misericordioso não quer que ninguém se perca

                                                   


Deus misericordioso não quer que ninguém se perca

“Prega a palavra, insiste a tempo
e fora de tempo” (cf. 2Tm 4,2) 

 

Sejamos enriquecidos pelo sermão sobre os pastores, escrito pelo bispo e doutor da Igreja, Santo Agostinho (Sec.  V).

“A desgarrada não reconduzistes e a que se perdia não fostes procurar (Ez 34,4).  Aqui às vezes caímos em mãos dos ladrões e nos dentes dos lobos vorazes. 

Rogamos, pois, que oreis por estes nossos perigos.  Também as ovelhas são rebeldes.  Quando procuramos as erradias, declaram não ser nossas, para seu erro e perdição: ‘Que quereis de nós?  Por que nos procurais?’ Como se não fosse o mesmo motivo que nos faz querê-las e procurá-las; porque se desviam e se perdem.  Se estou no erro, diz, se na morte, que queres de mim?  Por que me procuras?’ Justamente porque estás no erro, quero reconduzir-te; porque te perdeste quero encontrar-te.  Quero assim errar, quero assim me perder’.

Queres vaguear assim, queres perder-te assim?  Muito bem, mas eu não quero.  Ouso dizer isto mesmo: sou importuno.  Escuto o Apóstolo que diz: Prega a palavra, insiste a tempo e fora de tempo (2Tm 4,2). 

Com quem, a tempo?  Com quem, fora de tempo?  A tempo com os desejosos, fora de tempo com os que não querem ouvir.  Sou inteiramente importuno, ouso dizer: ‘Tu queres errar, tu queres perecer; eu não quero’.  E afinal, não o quer Aquele que me faz tremer. 

Se eu quiser o erro, vê o que me dirá, vê como me repreenderá: Ao desgarrado não reconduzistes, ao que se perdera não fostes procurar.  Temerei mais a ti do que a Ele?  Teremos todos de nos apresentar ao tribunal de Cristo (2Cor 5, 10).

Reconduzirei a desgarrada, procurarei a perdida.  Quer queiras quer não, assim farei.  E se, em minha busca, os espinhos dos bosques me rasgarem, eu me obrigarei a ir por todos os atalhos difíceis.

Baterei todos os cercados; enquanto me der forças o Senhor que me ameaça, percorrerei tudo sem descanso. 

Reconduzirei a desgarrada, procurarei a perdida.  Se não queres que eu sofra, não te desgarres, não te percas.  E pouco dizer que tenho pena de ti, desgarrada e perdida. Tenho medo de que, se te abandonar, venha a matar o que é forte. Escuta o que se segue. E ao que era forte, matastes (Ez 34,3).  Se eu abandonar a desgarrada e perdida, o que é forte terá gosto em desgarrar-se e perder-se.”

Na fidelidade ao Deus de misericórdia, devemos fazer todo o esforço para que nenhuma de Suas “ovelhas” se disperse, por isto é preciso insistir a tempo e fora do tempo.

De fato, Deus jamais desiste de nós, e é Sua divina vontade que todos sejam salvos. Cabe a nós darmos nossa resposta livre e decidida de amor, sem jamais afastar de Seu rebanho, e do cumprimento de Sua vontade, sobretudo o amor a Ele acima de tudo e de todos. Amém.

Como amo Tua Palavra, ó Senhor!

                                                          

Como amo Tua Palavra, ó Senhor!

Como amo Tua Palavra, Senhor! Luz para nossos passos,
Palavra que é o fundamento de nossa fé cristã (1Cor 12, 27-28).

À Tua Palavra, lida e meditada em comunidade, que respondemos
Com a nossa vida como um grande “Amém” (Ne 8,6)

Glorificamos a Ti, Senhor, pela comunidade que participamos,
Lugar onde, dia a dia, ritualizamos e celebramos o “sim” dado a Ti.

Não permitas, Senhor, que nossa comunidade se fracione, se disperse,
Ou que seja apenas uma simples coexistência, sem a Tua Palavra.

Afasta o perigo de acolhermos a Tua Palavra,
Mas não vivê-la com autenticidade e não comunicá-la ao mundo.

Dá-nos Teu Espírito para que vivamos o “amém”, o “sim” à Tua Palavra,
Palavra do Pai que Tu és e revelaste aos humildes e pequeninos (Mt 11, 25).

Concede-nos a graça de ouvir a Tua Palavra e vivê-la alegremente,
Na graça da Missão, do anúncio acompanhado do testemunho.

Revigorados pelo Pão de Tua Palavra e nutridos pelo
Pão da Eucaristia, no qual estás verdadeiramente presente:
Verdadeira Comida, Salutar Bebida. Amém.

Vossa Palavra ilumina nossos passos

                                                            

Vossa Palavra ilumina nossos passos

Ó Deus, não permitais que apenas estudemos a Sagrada Escritura, compreendendo-a como tão apenas um livro pertencente ao passado, como uma história distante da nossa, mas que a compreendamos entrelaçada com a nossa, hoje, iluminando e abrindo caminhos novos para a construção de Vosso Reino, e melhor correspondermos aos Vossos desígnios de amor para com toda a humanidade.

Ó Deus, ensinai-nos o verdadeiro e fecundo modo de leitura da Sagrada Escritura, de Vossas Santas Palavras, sobretudo os Evangelhos, a fim de torná-los sempre uma Boa Notícia para o mundo, anunciando e testemunhando a Vida Nova do Ressuscitado, e a vida nova do Espírito, viver e comunicar, para que sejam transformadas todas as marcas do pecado, e vivamos na plena vida e liberdade que somente Vós podeis nos conceder.

Ó Deus, ajudai-nos a redescobrir sempre a atualidade da Mensagem do Vosso Filho, o Cristo Vivo, Glorioso e Ressuscitado, com a assistência de Vosso Santo Espírito, a partir da situação concreta do mundo no qual estamos inseridos e somos chamados a ser sal, fermento e luz, procurando saídas e respostas para os problemas que a todos nos afligem, sem jamais perdermos a luminosidade da fé, a perenidade da esperança e a eterna caridade. Amém.


Fonte de inspiração: At 13,13-25 e Comentário do Missal Cotidiano – Editora Paulus – p. 415-416

Igualdade, liberdade e justiça

                                

 

Igualdade, liberdade e justiça

N’Ele e com Ele, todos os muros caem em ruínas para sempre,
E pontes que criam comunhão são edificadas.
Assim nos fala o Apóstolo aos Gálatas e a nós:
“Todos vós sois um só em Cristo Jesus”. (1)

N’Ele e com Ele, superam-se barreiras e todos os preconceitos,
porque somos iguais em dignidade e com sagrados direitos,
com inadiáveis compromissos com a fraternidade, pois
já não há judeu nem grego, circunciso e incircunciso, bárbaro, cita. (2)
 
N’Ele e com Ele, alcançamos a autêntica liberdade,
Pois é para a liberdade que Ele nos libertou. (3)
Rompem-se todas as correntes que nos aprisionam:
Já não há mais escravos nem livres, somos iguais. (4)
 
N’Ele e com Ele, resgate da imagem e semelhança
Do homem e mulher, à imagem de Deus criados,
e não se escrevem mais linhas de machismos e feminicídios
ou quaisquer coisas semelhantes: já “não há homem e mulher”. (5)
 
“Todos vós sois um só em Cristo Jesus”, repetimos, (6)
Rompem-se nacionalismos radicais segregadores,
Bem como inviabiliza toda forma de dogmatismo,
Seja de expressão religiosa ou cultural.
 
Setembro e a primavera que se anuncia,
Que venha a beleza e o exalar do perfume das flores
E iluminados pela Carta de Paulo aos Gálatas,
Empenhos pela igualdade, liberdade e justiça, fortalecidos.
   
 
(1)         Gl 3,28
(2)        Gl 3,26-28; Cl 3,11)
(3)        Gl 5,1
(4)        Gl 3,26-28
(5)        Gl 3,26-28
(6)        
Gl 3,28


Peregrinos da esperança inflamados pelo fogo devorador do amor de Deus

                                                    

Peregrinos da esperança inflamados pelo fogo devorador do amor de Deus
 
 
“O Profeta Elias surgiu como um fogo, e sua Palavra
queimava como uma tocha... Felizes os que te viram,
e os que adormeceram na tua amizade!”
(Eclo 48, 1.11)
 
Vemos na Sagrada Escritura como o fogo devorador do Amor de Deus que tomou conta da vida dos Profetas, e não diferente com o Profeta Elias.
 
Aa Palavra de Deus “é como o fogo” (Jr 23,29), um fogo imparável que desce do céu, inflama o coração dos Profetas que a anuncia ao povo, como que provocando um incêndio sobre a terra.
 
O fogo de Deus longe de destruir a humanidade pecadora, não é devastador, porque a purifica e a transforma para que corresponda melhor aos desígnios e ao Amor divinos:
 
“Elias é considerado pela tradição de Israel o primeiro dos Profetas; com a Palavra que Deus lhe tinha colocado nos lábios não aniquilou o povo, mas purificou-o da corrupção social, da idolatria, do culto a Baal.
 
Ardia de zelo pela causa do Senhor, por isso foi levado para o Céu naquele fogo que o tinha envolvido durante toda a vida. O seu desaparecimento misterioso deu origem à convicção de que ele não morrera e que um dia haveria de regressar para preparar a vinda do Messias” (1)
 
Assim como Elias e João Batista, que foram grandes Profetas antes do Senhor, outros tantos Santos, Profetas e mártires também o foram.
 
Inflamaram ao fogo de Sua mensagem de salvação, porque encontraram no Evangelho a força para enfrentar toda forma de sofrimento, até em sua expressão máxima: a morte.
 
Na Palavra do Senhor encontraram coragem para viver em plenitude a vida própria dos cristãos, e sentiram o coração arder como fogo, assim como sentiram os discípulos de Emaús quando ouviram a Palavra do Ressuscitado.
 
Estes levaram adiante o desejo de Jesus –“Vim trazer fogo à terra e quero que se inflame” (cf. Lc 12,49-53). 
 
Assim como Jesus, o Filho do Homem, Se inseriu na linha dos Profetas sofredores, os Seus discípulos missionários o mesmo o fazem.
 
Jesus por Sua Vida, Paixão e Morte, é uma testemunha convicta da glória que passa pelo sofrimento, pela Cruz, mas que transpõe a soleira da morte.
 
Deste modo, todo cristão é testemunha viva de Cristo, é aquele que O torna vivo e presente no mundo de hoje.
 
Hoje também o Papa Leão XIV, os bispos, os sacerdotes e tantos Agentes de Pastoral são como esta “tocha de fogo”, como assim o foi Elias.
 
Tantos pais e mães, educadores e educadoras, ainda que já na glória estejam, são como tochas acesas a aquecer, iluminar e fazer arder nosso coração.
 
Em cada Eucaristia que participamos, celebramos a Paixão e morte e Ressurreição do Senhor, e por isto nos tornamos um com Ele, no Seu Mistério profundo, intenso, imensurável de Amor e Salvação e renovamos a certeza de que “O Senhor não cria nenhuma prisão onde possa fechar os Seus filhos rebeldes e não conhece outro fogo senão o do Seu amor ‘cujas chamas são chamas de fogo, uma faísca de Javé. As águas da torrente jamais poderão apagar o amor nem os rios afogá-lo” (Ct 8, 6-7). (2)
 
Concluindo, somente em plena comunhão com o Senhor é que a chama ardente da caridade jamais se apagará, e nossas palavras não serão tão apenas palavras, mas o ressoar da Palavra que antes encontrou espaço, vez e voz no mais profundo de nós: Jesus, a Palavra do Pai na comunhão com o Santo Espírito.

(1) Lecionário Comentado - Tempo Advento/Natal - Editora Paulus - Lisboa - 2011 - pp. 122-123
(2) idem

A Palavra do Senhor é luz para o meu caminho

                                                     

A Palavra do Senhor é luz para o meu caminho

Ressoem em nós, as palavras do Apóstolo:

“E não só isso, pois nos gloriamos também de nossas tribulações,
sabendo que a tribulação gera a constância, A constância leva a uma virtude provada E a virtude provada desabrocha em esperança. E a esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5,3-5).

Quando a Palavra de Deus é anunciada com ardor e zelo,
E encontra um coração que a acolhe com fé pura e fecunda,
Comunica a alegria que é dom do Espírito e fruto desta fé.

Quando a Palavra de Deus é anunciada com mesmo ardor e zelo,
E encontra um coração que a acolhe com pouca fé e entusiasmo,
Não se consegue enxergar, para além dos fatos dolorosos, a Manifestação da força e ação do Espírito.

Quando a Palavra de Deus é anunciada com ardor e zelo,
E encontra um coração que a acolhe com fé comprovada,
Edifica-se uma Igreja peregrina e profética.

Quando a Palavra de Deus é assim anunciada,
A Igreja torna-se verdadeiramente a Igreja do
Crucificado Ressuscitado, aberta e enriquecida pela graça divina.

Quando a Palavra de Deus é anunciada com ardor e zelo,
E encontra um coração que a acolhe com fé,
Os dias de sofrimentos, crise e contestações ganham novo sentido. Amém.

A justiça social

                                                    

A justiça social

Uma síntese sobre a “Justiça Social”, apresentada nos parágrafos n.1928-1948 do Catecismo da Igreja Católica.

A justiça social é garantida pela sociedade, quando esta realiza as condições que permitem às associações e aos indivíduos obterem o que lhes é devido, segundo a sua natureza e vocação.

Ela, deste modo, está ligada ao bem comum e ao exercício da autoridade, tendo em vista o respeito pela pessoa humana:

A justiça social só pode alcançar-se no respeito da dignidade transcendente do homem. A pessoa constitui o fim último da sociedade, que está ordenada para ela: a defesa e promoção da dignidade da pessoa humana ‘foram-nos confiadas pelo Criador, tarefa a que estão rigorosa e responsavelmente obrigados os homens e as mulheres em todas as conjunturas da história’’”. (n.1929).

A falta deste respeito à pessoa humana, leva ao uso da força e violência para o alcance da obediência dos membros da sociedade.

Portanto, o respeito pela pessoa humana passa pelo princípio: “Que cada um considere o seu próximo, sem qualquer exceção, como ‘outro ele mesmo’, e zele, antes de mais, pela sua existência e pelos meios que lhe são necessários para viver dignamente” (n.1931).

Há uma igualdade de dignidade entre todos os homens e mulheres, porque criados à imagem do Deus único, dotados de uma idêntica alma racional, todos os homens têm a mesma natureza e a mesma origem.

Portanto, todos foram resgatados pelo sacrifício de Cristo, portanto, chamados a participar da mesma Bem-Aventurança divina.

Deste modo, “toda a espécie de discriminação relativamente aos direitos fundamentais da pessoa, quer por razão do sexo, quer da raça, cor, condição social, língua ou religião, deve ser ultrapassada e eliminada como contrária ao desígnio de Deus” (n.1935).

Quanto às diferenças entre as pessoas, fazem parte do desígnio de Deus, que quer que precisemos uns dos outros e devem estimular a caridade.

A igual dignidade das pessoas humanas exige esforços no sentido de reduzir desigualdades sociais e econômicas excessivas; conduzindo ao desaparecimento das desigualdades iníquas.

A solidariedade humana ou o princípio da solidariedade, também enunciado sob o nome de “amizade” ou de “caridade social”, é uma exigência direta da fraternidade humana e cristã:

“A solidariedade manifesta-se, em primeiro lugar, na repartição dos bens e na remuneração do trabalho. Implica também o esforço por uma ordem social mais justa, em que as tensões possam ser resolvidas melhor e os conflitos encontrem mais facilmente uma saída negociada’ (n.1940).

Há uma necessidade de se resolver os problemas socioeconômicos, com a ajuda de todas as formas de solidariedade: solidariedade dos pobres entre si, dos ricos com os pobres, dos trabalhadores entre si, dos empresários e empregados na empresa; solidariedade entre as nações e entre os povos.

E neste sentido, a solidariedade internacional é uma exigência de ordem moral, e dela depende em parte, a paz do mundo.

A solidariedade é uma virtude eminentemente cristã, e esta virtude vai além dos bens materiais, pois ao difundir os bens espirituais da fé, a Igreja favoreceu, por acréscimo, o desenvolvimento dos bens temporais, a que, muitas vezes, abriu novos caminhos.

Assim se verificou, ao longo dos séculos, a Palavra do Senhor: “Procurai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais vos será dado por acréscimo" (Mt 6, 33).

Conclui com as Palavras de PIO XII em seu discurso de 1º de junho de 1941:

«Desde há dois mil anos que vive e persevera na alma da Igreja este sentimento, que levou e ainda leva as almas até ao heroísmo caridoso dos monges agricultores, dos libertadores de escravos, dos que cuidam dos doentes, dos mensageiros da fé, da civilização, da ciência a todas as gerações e a todos os povos, em vista a criar condições sociais capazes de a todos tornar possível uma vida digna do homem e do cristão” (n.1942).

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