sexta-feira, 28 de agosto de 2026

O Perdão Divino cura as feridas de nosso pecado

                                                              

O Perdão Divino cura as feridas de nosso pecado

Sejamos enriquecidos e iluminados com as palavras do Bispo Santo Agostinho (séc. V). 

Trata-se de um comentário ao Salmo 31, muito oportuno para refletirmos sobre nossa condição limitada, pecadora, necessitada de misericórdia e cura divina.

Se não reconhecemos nossa condição pecadora é como um paciente que “indo ao médico para ser curado, perdesse o juízo e a consciência e mostrasse os membros sadios, ocultando os enfermos. Deus é quem deve vendar as feridas, não tu; porque se, por vergonha, queres ocultá-las com bandagens, o médico não te curará. Deves deixar que seja o médico quem te cure e pense as feridas, porque ele as cobre com medicamentos.

Enquanto com as bandagens do médico as chagas se curam, com as bandagens do doente ocultam-se. E a quem pretendes ocultá-las? Àquele que conhece todas as coisas”.

A procura do perdão no Sacramento da Penitência exigirá de nós, antes de tudo, reconhecimento, tomada de consciência do mal, do pecado que realizamos. Somado a isto o arrependimento, a contrição, o bom propósito de correção e superação.

É preciso que compreendamos a beleza do Sacramento da Penitência instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo em várias passagens do Evangelho:

1.º Contrição – A palavra “contrição” significa fratura ou despedaçamento, como quando uma pedra é esmagada e reduzida a pó.  Trata-se de um desgosto da alma, pelo qual se detesta os pecados cometidos e se propõe não os tornar a cometer no futuro. Dá-se o nome de contrição à dor dos pecados, para significar que o coração duro do pecador se despedaça pela dor de ter ofendido a Deus.

2.º Confissão  é o momento da acusação distinta dos nossos pecados ao confessor (Sacerdote), para dele recebermos a absolvição e a penitência. Chama-se também acusação porque não deve ser apenas uma narração indiferente, mas uma verdadeira e dolorosa manifestação dos próprios pecados.

3.º Satisfação – é a boa oração ou outra boa obra que o confessor apresenta ao pecador em expiação dos seus pecados.

4.º Absolvição – É o momento que o Sacerdote, através de fórmula própria, pronunciada em nome de Jesus Cristo, absolve e perdoa o pecador.

Tendo oportunidade, como nos ensina a Igreja e a fé que professamos, procuremos  um Presbítero para uma frutuosa confissão de nossos pecados. 

O pecado nos fragiliza, o perdão nos cura e renova.

Reconheçamos, pois, nossa condição pecadora!


Uma conversa hipotética e interminável...

                                                           

Uma conversa hipotética e interminável...

Livre pensar sem pretensão alguma mais, 
a não ser de ajudar a crescer e amadurecer 
no que há de essencial do cristianismo: Amar!

Livre pensar para evangelicamente amar!
Livre pensar para o Mandamento Maior vivenciar.

Livre pensar para melhor viver e proclamar.
Livre pensar para o amor anunciar e testemunhar!

Apóstolo Paulo, diga-me duas palavras apenas sobre o amor:

O amor é a plenitude da lei” e “O amor jamais passará”
(muito mais do que três você poderia dizer com suas Cartas).

E permita-me pedir a terceira:

“Nada fiqueis devendo, a não ser o amor mútuo”.

Santo Agostinho, diga-me duas palavras também:

A medida do amor é amar sem medida."
 “Ame e faça o que quiseres”.

E uma terceira, se também eu puder pedir:

“Tarde Te amei, ó beleza tão antiga e tão nova...”

Transcorridos séculos pergunto a um cantor/poeta:

 Qual é o sinônimo de amor e ele me responderá:
“Sinônimo de amor é amar!”

E um outro assim cantou:

"Por ser exato, o amor não cabe em si. Por ser encantado, o amor revela-se. Por ser amor, invade e fim".

Hipotética e interminável conversa, 
por que o amor é indizível!

Quanto se diga, quanto se há de viver...
Quanto há de se amar, dívida salutar...
A dívida de amor é amar!

Ó maravilhosa dívida que a todos nos enriquece,
Quanto mais a pagamos,
Mais a vida de teias consistentes se tece!

Em poucas palavras...

                                                    


Jesus: ora em nós, por nós e recebe a nossa Oração 

“Ele ora por nós como nosso Sacerdote; ora em nós como nossa cabeça e recebe a nossa Oração como nosso Deus. Reconheçamos n’Ele a nossa voz, e em nós a Sua voz. (...) 

Ele ora na Sua condição de servo, e recebe a nossa Oração na Sua condição de Deus; ali é criatura, aqui o Criador; sem sofrer mudança, assumiu a condição mutável da criatura, fazendo de nós, juntamente com Ele, um só homem, cabeça e corpo. Nossa Oração, pois, se dirige a Ele, por Ele e n'Ele; oramos juntamente com Ele e Ele ora juntamente conosco.”  (1)

 

(1) Santo Agostinho, Bispo e Doutor da Igreja – séc. V 

“Se quiseres encontrar misericórdia”

                                                                  

Se quiseres encontrar misericórdia”

Misericórdia:

Expressão da ternura amor de Deus,
Abundantemente derramada no Seu Sagrado Coração trespassado.

Se quiseres encontrar misericórdia, nos convida Santo Agostinho:

“Se quiseres, porém encontrar misericórdia,
Antes de Sua chegada perdoa.
Se algo foi feito contra ti, dá do que tens em abundância...
Se
desses do que é teu, seria liberalidade,
Quando dás do que é d’Ele é devolução”

A misericórdia que vivenciamos é devolução,
Porque antes o Amor de Deus foi derramado em nosso coração.
Em permanente tempo de Páscoa, na alegria da Ressurreição,
Eis para mim e para ti tão bela missão!

Em poucas palavras...

                                             


A mortificação voluntária...

“A mortificação, voluntária ou aquela que nos aparece sem a termos procurado, não é uma simples privação, mas manifestação de amor, pois ‘padecer necessidade é coisa que pode acontecer a qualquer pessoa, mas saber padecêla é próprio das almas grandes’ (Santo Agostinho) das almas que amam muito.” (1)

 

(1) https://www.hablarcondios.org/pt/meditacaodiaria.aspx

 

 

Sejamos vigilantes na fé

                                                                  

Sejamos vigilantes na fé
“Portanto, ficai vigiando, pois não
sabeis qual será o dia, nem a hora.” (Mt 25, 13)

Na Liturgia da Sexta-feira da 21ª Semana do Tempo Comum é proclamada a passagem do Evangelho em que Jesus nos fala do Reino de Deus a partir da conhecida Parábola das dez virgens (Mt 25, 1-13).

Enriquecedora é esta reflexão que encontramos no Missal Cotidiano:

“Jesus descreve a Bem-Aventurança eterna como uma festa de núpcias, em que o esposo é o Cristo. Mas a Parábola põe a tônica sobre as insensatas que encontram a porta fechada, porque não chegaram a tempo.

A Palavra que Jesus dirige a essas jovens é uma das mais terríveis de toda a Bíblia: ‘Não vos conheço’. Trata-se da separação total, se nos lembrarmos de que ‘conhecer’ implica na Bíblia um elemento afetivo.

Ser ‘repelido’ é o resultado da falta de ‘fé vigilante’. É terrível pensar que muitas vezes é salva a fachada, porém dentro está morto o amor, e com ele a esperança.

Continua-se por hábito, cansadamente, por comodismo ou por capricho, mas perdeu-se do ‘convite às bodas’. Falta no íntimo a espera vigilante e ativa (ter óleo) do encontro com Cristo, cuidadosamente preparado”. (1)

Na prática de uma fé vigilante, é preciso que, como discípulos missionários, não deixemos faltar o azeite da esperança, da justiça, da solidariedade, da confiança, do amor, da alegria: “As comunidades cristãs não devem permitir-se distrações ou superficialidades, mas são chamadas a alimentar a fé com o azeite da esperança e da paciência, que jamais podem abrandar em quem espera a sabedoria verdadeira e fecunda”. (2)

É preciso estar sempre vigilante nas pequenas atitudes:

“Acordar com o propósito de ser melhor, de agir melhor, de não dar tanta importância às pequenas coisas que nos desgastam por qualquer motivo, de sorrir mais, de ajudar mais o próximo, de cuidar mais da vida, pois, agindo assim, estaremos vigilantes e preparados”. (3)

Oremos: 

Senhor Deus, concedei-nos o dom da sabedoria que vem do Vosso Espírito, para acolhermos e vivermos a Palavra do Vosso Filho, para que um dia tenhamos a graça de sermos partícipes do Banquete da Eternidade.

Concedei-nos, também,  a graça de acrescentar cada vez mais o azeite em nossas lâmpadas, para que não se apague na espera, quando Vosso Filho vier gloriosamente pela segunda vez, e que o fogo do Espírito esteja crepitando em nossos corações, e assim sejamos dignos de correr ao mais desejado e esperado encontro. Amém. (4)


(1) Missal Cotidiano - Editora Paulus - p. 1211
(2)Lecionário Comentado - Editora Paulus - 2011 - p. 221
(3) Liturgia da Palavra I – reflexões para os dias da semana – Pe. José Carlos Pereira - Editora Paulus – p.253
(4) Livre adaptação Lecionário Comentado - Edit. Paulus - 2011 - p.223 

Inquieta está a nossa alma: do combate ao repouso eterno

                                                                       

Inquieta está a nossa alma: do combate ao repouso eterno

O Bispo Santo Agostinho (séc. V) nos ajuda a encontrar o verdadeiro repouso que somente pode em Deus ser encontrado, no livro de suas Confissões.

“Grande és Tu, Senhor, e sumamente louvável: grande é a Tua força, e a Tua sabedoria não tem limites! Ora, o homem, esta parcela da criação, quer Te louvar, este mesmo homem carregado com sua condição mortal, carregado com o testemunho de seu pecado e com o testemunho de que resistes aos soberbos.

Ainda assim, quer louvar-Te o homem, esta parcela de Tua criação! Tu próprio o incitas para que sinta prazer em louvar-Te. Fizeste-nos para Ti e inquieto está nosso coração, enquanto não repousa em Ti.

Dá-me, Senhor, saber e compreender o que vem primeiro: o invocar-Te ou o louvar-Te? Começar por conhecer-Te ou por invocar-Te? Mas quem Te invocará sem Te conhecer?

Por ignorância, poderá invocar alguém em lugar de outro. Será que é melhor seres invocado, para seres conhecido? Como, porém, invocarão aquele em quem não creem? ou como terão fé, sem anunciante?

Louvarão o Senhor aqueles que O procuram. Quem O procura encontra-O e tendo-O encontrado, louva-O. Buscar-Te-ei, Senhor, invocando-Te; e invocar-Te-ei, crendo em Ti. Tu nos foste anunciado; invoca-Te, Senhor, a minha fé, aquela que me deste, que me inspiraste pela humanidade de Teu Filho, pelo ministério de Teu pregador.

Invocarei o meu Deus, o meu Deus e Senhor: mas como? Porque ao invocá-Lo eu O chamarei para dentro de mim.

Que lugar haverá em mim, aonde o meu Deus possa vir? Aonde virá Deus em mim, o Deus que fez o céu e a terra? Há, então, Senhor, meu Deus, algo em mim que Te possa conter?

O céu e a terra, que fizeste e nos quais me fizeste, são eles capazes de Te conter? Ou, se sem Ti nada existiria de quanto existe, é porque tudo quanto existe Te contém? 

Portanto eu, que também existo, que tenho de pedir Tua vinda em mim, em mim que não existiria se não estivesses em mim? Ainda não estou nas profundezas da terra e, no entanto, ali também estás. Pois, mesmo que desça às profundezas da terra, ali estás.

Não existiria, pois, meu Deus, de forma alguma existiria, se não estivesses em mim. Ou melhor, não existiria eu se não existisse em Ti, de quem tudo, por quem tudo, em quem todas as coisas existem?

É assim, Senhor, é assim mesmo. Para onde Te chamo, se já estou em Ti? Ou donde virás para mim? Para onde me afastarei, fora do céu e da terra, para que lá venha a mim o meu Deus, que disse: Eu encho o céu e a terra?

Quem me dera descansar em Ti! Quem me dera vires a meu coração, inebriá-lo a ponto de esquecer os meus males, e abraçar-Te a Ti, meu único bem! Que és para mim? Perdoa-me, se falo.

Que sou eu a Teus olhos, para que me ordenes amar-Te e, se não o fizer, Te indignares e ameaçares com imensas desventuras? É acaso pequena desventura não Te amar?

Ai de mim! Dize-me, por compaixão, Senhor meu Deus, o que és Tu para mim. Dize à minha alma: Sou Tua salvação. Dize de forma a que ela Te escute. Os ouvidos de meu coração estão diante de Ti, Senhor.

Abre-os e dize à minha alma: Sou Tua salvação. Correrei atrás destas palavras e segurar-Te-ei. Não escondas de mim Tua face. Morra eu, para que não morra, e assim possa contemplá-La.”

Há o tempo do combate, há o tempo do repouso. Retomo três citações literais para início da reflexão:

- “Grande és Tu, Senhor, e sumamente louvável: grande é a Tua força, e a Tua sabedoria não tem limites!”

- “Tu próprio o incitas para que sinta prazer em louvar-Te. Fizeste-nos para Ti e inquieto está nosso coração, enquanto não repousa em Ti.”

- “Quem O procura encontra-O e tendo-O encontrado, louva-O. Buscar-Te-ei, Senhor, invocando-Te; e invocar-Te-ei, crendo em Ti.”

 

Assumir esta confissão como nossa é preciso. Reconhecer a força do Senhor e a Ele elevar louvores sem fim. Abrir-se à Sua sabedoria infinita para que não haja em nós lugar para a loucura que nos afasta do outro e do próprio Deus, fonte inesgotável da divina sabedoria!

Não se encontra por vezes inquieto nosso coração?

Reflitamos sobre as inquietudes de tantos nomes que possamos sentir e passar, vendo nelas uma provisoriedade.

Este trecho do seu “Livro das Confissões” nos ajuda a procurar respostas para a inquietude de nosso coração enquanto não repousa no Senhor…

Há muitas inquietações que não deveriam nos consumir tanto, se maior fosse a nossa fé e a nossa amizade com o Senhor, que nos ama e nos tem como amigos.

Contemplemos a graça de termos no mais profundo de nós a presença do Espírito Santo, como morada d’Ele, como Templos Sagrados de Deus que o somos, hóspedes do mais belo Amor.

Mais confiança, melhor procura, nossa alma encontrará a paz que tanto ansiamos e o sentido para o existir: "A vida nos é dada para procurar Deus; a morte, para encontrá-Lo; e a eternidade, para possuí-Lo".

Repouso só encontraremos no Senhor. Por ora, é o nosso tempo de trilhar, caminhar, peregrinar… Nisto consiste a fé. Não nos permite parar, estagnar…

Abrir sempre os horizontes da fé em inadiáveis compromissos com o Reino até que alcancemos a glória da imortalidade – eternidade – céu!

Ainda não é hora do repouso, mas do combate até que chegue a grande hora de nossa partida e encontro mais que desejável, porém não sabedores, de quando, o somos. Importa a vigilância ativa…

No auge da inquietação  “inquieto está o nosso coração, enquanto não repousa em Ti”, Deus, a quem procuramos encontrar no mais pleno deleite da alma.

Ansiemos também por este encontro, por esta calma que somente os que a Deus encontram, desfrutam. 

Se repouso tivermos será o provisório para o refazer das forças, para que jamais desistamos do repouso eterno que é o mais precioso mergulho na plenitude do Amor Divino.

Ponhamo-nos em incansável procura, já O tendo encontrado. Mas como o próprio Santo Agostinho diz, Deus é um Mistério tão inextinguível que uma vez encontrado ainda falta tudo por encontrá-Lo.

Quando encontramos o Senhor, sentimos falta e desejo do louvor, do encontro, do Banquete, do sentar-se para escutá-Lo…

Invocá-Lo e, com fé, crendo, sempre e mais do que sempre, indubitavelmente seremos atendidos. Amém.

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