quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Em poucas palavras...

                                                   


"A glória de Deus..." 

“Pois a glória de Deus é o homem vivo, e a vida do homem é a visão de Deus. Com efeito, se a manifestação de Deus, através da criação dá a vida a todos os seres da terra, muito mais a manifestação do Pai, por meio do Verbo, dá a vida a todos os que veem a Deus”.(1)

  

(1) Bispo Santo Irineu (séc. II)

Em poucas palavras...

                                              


                           “...O amor ignora as leis...”
 
“Deus, que o mundo não pode conter, como o olhar limitado do homem o abrangeria? Mas o que deve ser, o que é possível, não é a regra do amor.
 
O amor ignora as leis, não tem regra, desconhece medida. O amor não desiste perante o impossível, não desanima diante das dificuldades.” (1)

 

(1)São Pedro Crisólogo, Bispo - (séc V)

 

Travessia em tempo de pandemia

 


  Travessia em tempo de pandemia 


A travessia pelo deserto em tempo de pandemia nos desafia:

Noticiário invade nossas casas, comunidades e outros espaços,

Inquietando-nos, roubando e adiando sonhos e projetos,

Mas haveremos de vencer juntos na solidariedade,

Comunhão, proximidade real ou virtual, quando possível,

Com a firme convicção de que lições haveremos de aprender.


Travessia com suas subtrações num rol imensurável:

Daqueles que partiram para a eternidade cedo demais;

Dos encontros, festas, aulas, formações e celebrações.

Travessia vivida como um pesadelo sem fim,

Em que somos desafiados a dar razão da esperança viva,

Fé inquebrantável e caridade vivida mais necessária.


Travessia com suas adições da mesma forma sucedem:

Soma de sorrisos que não empalidecem, apesar de toda a dor.

Soma de experiências que marcarão para sempre nossa vida,

Que não mais voltará a ser como antes, pois  

Navegávamos como que numa nave à deriva;

Ao encontro da tragédia que vivenciamos.


Travessia com suas multiplicações, contemplamos:

Multiplicaram-se esforços de crescimento, superação;

Esforços de vidas sacrificadas para que outros vivessem.

Quer nos espaços da comunidade ou do cotidiano,

Multiplicações de mil nomes de pessoas ora visíveis

Ora em anonimatos em heroicas atividades lembramos.

Travessia com suas divisões em gestos tantos vistos.


Aprendizado para repartir o pouco que se tem,

Para que, juntos, nos fortaleçamos e consigamos atravessar,

E a margem do horizonte do inédito que nos move, alcançar.

Divisão de responsabilidades sem lamentos, com dedicação,

A fim de que nada e a ninguém falte o essencial para sobreviver.

Travessia se faz sofrendo e aprendendo, incansavelmente.


Como assim o fez o Povo de Deus, narra a Sagrada Escritura;

Travessia que nos aproxima uns dos outros ao encontro do Outro,

Do Deus do Êxodo, da libertação, da solidariedade sempre presente,

Que jamais à nossa dor se faz cego, surdo, mudo e indiferente.

Amor que ama para que não desistamos da travessia.


“Iahweh disse: ‘Eu vi a miséria do meu povo que está no Egito.

Ouvi seu grito por causa dos opressores; pois eu conheço as suas 

angústias. Por isso desci a fim de libertá-lo da mão dos egípcios,

E para fazê-lo subir desta terra para uma terra boa e vasta,

Terra que emana leite e mel, o lugar dos cananeus, dos heteus, dos 

amorreus, dos ferezeus, dos heveus e jebuzeus’” (Ex 3,7-8).


PS: Escrito em 2020

 

O Mistério da Piedade

                                              


O Mistério da Piedade

Ouçamos o que nos diz o apóstolo Paulo em sua Primeira Carta a Timóteo:

“Não pode haver dúvida de que é grande o mistério da piedade: Ele foi manifestado na carne, foi justificado no Espírito, contemplado pelos anjos, pregado às nações, acreditado no mundo, exaltado na glória!” (1 Tm 3,16)

Oremos:

Ó Deus, Vos pedimos pelos Vossos presbíteros, para que anunciem e testemunhem, com renovada paixão e ardor, o grande Mistério da Piedade, Jesus Cristo, e jamais a si mesmos, numa indesejável autorreferencialidade.

Professem com os lábios e o coração que Jesus é o Senhor, Aquele que foi manifestado na carne, justificado no Espírito, contemplado pelos anjos, pregado às nações, acreditado no mundo e exaltado na glória.

Concedei a eles um coração de pobre, reconciliado e unificado por ardente paixão por Cristo, para que vivam a graça do Ministério da Ordenação, servindo a Vossa amada Igreja, verdadeiramente sinodal.

Pedimos-vos, também, que toda a Igreja seja alegre portadora desta Boa Nova, e sejamos revestidos da nova humanidade! (cf. Ef 4,24), vivendo a graça do batismo, como alegres discípulos missionários do Senhor. Amém.

Culto, fé e missão

                                                   


Culto, fé e missão


Na passagem do Livro de Josué (Js 24,1-13), encontramos como que um “Credo” do Povo de Deus, em sua história de libertação, sob a intervenção e ação de Deus.


Oremos:


Ó Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó, Deus de nossos pais, fazei arder nossos corações para que firmemos nossos pés a caminho, vivendo a graça da vocação, como cristãos que somos pela graça do Batismo.


Concedei-nos a graça de vivermos a Aliança de amor, em continua conversão, sem jamais incorrer no pecado da idolatria do dinheiro, sexo, poder, bem-estar, ciência, técnica, esporte, prazer...


Dai-nos Vosso Espírito, para que, como Igreja Sinodal, Povo de Deus, juntos a caminho, vivamos a perfeita relação dos elementos únicos e comuns: fé, culto, missão. (2)


Ajudai-nos, na fidelidade ao Vosso Filho, a aprender a amar e servi-Lo na pessoa de nossos irmãos, de modo que nosso culto centrado na Eucaristia, fonte e ápice da vida da Igreja, fortaleça os vínculos da fraternidade e comunhão, numa vida comunitária de caridade ativa, como sinal do Vosso Reino. Amém.
  
(1)         Fonte: Comentário do Missal Cotidiano – Editora Paulus – p.1150, sobre a passagem do Livro de Josué (Js 24,1-13).
(2)        Efésios 4-6

Do ativismo estéril livrai-nos, Senhor!

                                                              


Do ativismo estéril livrai-nos, Senhor!

A Homilia do Papa São Gregório Magno (séc. VI), sobre a vocação do Profeta Ezequiel é oportuna para refletirmos sobre o Ministério Presbiteral e toda vocação da Igreja; para nos iluminar em nossas atividades, para que não nos cansemos ou nos esvaziemos neste indesejável ativismo, com complicadas consequências.

“Por amor de Cristo, me consagro totalmente a Sua palavra Filho do homem, Eu te coloquei como sentinela da casa de Israel (Ez 3,16). É de se notar que o Senhor chama de sentinela aquele a quem envia a pregar.

A sentinela, de fato, está sempre no alto para enxergar de longe quem vem. E quem quer que seja sentinela do povo deve manter-se no alto por sua vida, para ser útil por sua providência.

Como é duro para mim isto que digo!
Ao falar, firo-me a mim mesmo, pois minha língua não mantém, como seria justo, a pregação e, mesmo que consiga mantê-la, a vida não concorda com a língua.

Eu não nego ser culpado, conheço minha inércia e negligência. Talvez haja diante do juiz bondoso um pedido de perdão no reconhecimento da culpa. Na verdade, quando no mosteiro podia não só reter a língua de palavras ociosas, mas quase continuamente manter o espírito atento à oração.

Mas depois que pus aos ombros do coração o cargo pastoral, meu espírito não consegue recolher-se sempre, porque está dividido entre muitas coisas.

Sou obrigado a decidir ora questões das Igrejas, ora dos mosteiros; com frequência ponderar a vida e as ações de outrem; ora auxiliar em certos negócios dos cidadãos, ora gemer sob as espadas dos bárbaros invasores e temer os lobos que rondam o rebanho sob minha guarda.

Por vezes, devo encarregar-me da administração, para que não venha a faltar o necessário aos submetidos à disciplina da regra. Às vezes devo tolerar com igualdade de ânimo certos ladrões, ora opor-me a eles pelo desejo de conservar a caridade.

Estando assim dispersa e dilacerada a mente, quando voltará a recolher-se toda na pregação, e não se afastar do Ministério da Proclamação da Palavra?

Por obrigação do cargo, muitas vezes tenho de encontrar-me com seculares; por isso sempre relaxo a guarda da língua. Pois se constantemente me mantenho sob o rigor de minha censura, sei que sou evitado pelos mais fracos e nunca os atraio para onde desejo.

Por esta razão, muitas vezes tenho de ouvi-los pacientemente em questões ociosas. Mas, sendo eu mesmo fraco, arrastado aos poucos pelas palavras vãs, começo a dizer sem dificuldade aquilo que a princípio tinha ouvido com má vontade; e ali onde me aborrecia cair, agrada-me permanecer.

Que, pois, ou que espécie de sentinela sou eu, que não estou de pé no monte da ação, mas ainda deitado no vale da fraqueza? Poderoso é, porém, o Criador e Redentor do gênero humano para conceder-me, a mim, indigno, a elevação da vida e a eficácia da palavra. Por Seu amor, me consagro totalmente a Sua Palavra.”

A cada dia, as atividades se multiplicam, a realidade do rebanho nos consome, e nos debatemos com a necessidade de muito para fazer e com tão pouco tempo; com atividades múltiplas a serem feitas, mergulhando-nos num perigoso ativismo...

Oportuno retomarmos a indagação apresentada no final da Homilia:

“Que, pois, ou que espécie de sentinela sou eu, que não estou de pé no monte da ação, mas ainda deitado no vale da fraqueza?” 

No “monte da ação”, devemos estar de pé. Mas sem vigilância e oração, fortalecimento da fé, revigoramento com o Pão da Eucaristia, jamais êxito teremos.

Sem contemplarmos o Senhor, e Sua Palavra não ouvirmos em belas e santas Liturgias, sem nos nutrirmos do Pão de Eternidade, remédio de imortalidade, antídoto para não morrer, deitar-nos-emos no vale da fraqueza, sucumbidos e enterrados no vale da morte, na triste mansão dos mortos!

O “monte da ação” nos desafia todo dia com múltiplos apelos e compromissos. Jamais sucumbir às dificuldades, provações, inquietações, incertezas, jamais ficar deitados no vale de nossa fraqueza!

Não podemos perder o horizonte por Deus para nós querido; pondo-nos sempre de pé, como sentinelas, no monte da ação e com coragem o subamos.

E ainda que o vale da fraqueza tivermos que enfrentar, e se no monte da ação de lutar nos cansarmos, lembremo-nos que Deus sempre tem a última palavra e não nos deixará sucumbir no vale de nossa fraqueza.

Nutrindo uma espiritualidade essencialmente eucarística,
pelo vale da fraqueza passaremos, 
e “no monte da ação” momentaneamente de pé estaremos,
até que um dia possamos adentrar nas alturas onde Deus se encontra: Céu! 
Hosana no mais alto dos céus!

Do vale da fraqueza livrai-nos, Senhor! Amém.

PS: Oportuna para o 16º Domingo do Tempo Comum -  ano B

A vigilância cristã

                                                     


A vigilância cristã

Na quinta-feira da 21ª semana do Tempo Comum, ouvimos a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 24,42-51), e refletimos o tema da vigilância necessária, como discípulos missionários do Senhor.

Assim lemos no Comentário do Missal Cotidiano:

“O tempo do cristão é o tempo da espera: espera de Deus e de Seu evento, vivido na disponibilidade interior da confiança e da esperança.

Faltando vigilância, falta uma importante dimensão da fé: a capacidade constante de passar de um estado de transitoriedade a outro.

Ainda hoje Jesus vem a nós, como o ladrão da noite. Sabemos quanto é difícil discernir seu apelo e sua presença nos acontecimentos do ‘hoje’ de Deus.

Dificilmente reconhecemos Jesus e O recebemos, se não nos preparamos de contínuo e não estamos prontos a cada instante.

Uma coisa sabemos pela fé: Deus está de tal modo ligado ao homem que onde quer que estivermos, lá está Ele, presente, ainda que não o saibamos.

É preciso romper as barreiras, saltar os muros, ser infatigáveis na busca da comunhão com todos. Então a espera será premiada”. (1)

A atitude de vigilância na espera do Senhor que vem, é elemento constitutivo de nossa fé, na esperança de um novo céu e uma nova terra, na prática concreta da caridade, pois tão somente a caridade nos impele para sagrados compromissos com o Reino (2 Cor 5,14) – “Pois a caridade de Cristo nos compele, quando consideramos que um só morreu por todos e que, por conseguinte, todos morreram”.

Vigilância em todo o tempo, lugar e âmbitos, que nos interpela para o testemunho da fé, ainda que situações adversas.

Vigilância nas palavras, pensamentos, ações bem como nas indesejáveis omissões na prática da caridade, que deve ser expressa pelo “...esforço interior de nos mantermos sempre na presença de Deus, a fim de que os nossos pensamentos, afetos, intenções e obras possam ser purificados por Aquele que é Santo por excelência, e que é capaz de tornar os Seus filhos fiéis ao bem recebido, em condições de trabalhar e de amar na espera d’Aquele que é o único que merece ser esperado”. (2)

Portanto, estarmos vigilantes e acordados não é uma atitude opcional para os cristãos, pois somos chamados a rezar, a trabalhar, a fazer o bem, mantendo viva a tensão para o Senhor que vem – “Se, todavia, esperar alguém na nossa experiência, em geral provoca sempre agitação e frustração, a vigilância cristã é estável e frutuosa. O cristão sabe que a sua identidade de filho amado não depende só de si próprio, mas está em relação direta com a atuação de Deus que age sempre em nosso favor.” (3)

Deste modo, é preciso que vivamos a vigilância:

- No cultivo da espiritualidade, com a assiduidade na participação da Santa Missa, bem como nos momentos de oração pessoal ou comunitária;

- Na vivência dos demais Sacramentos;

- No cuidado da família: pais, filhos, irmãos...;

- na atividade pastoral e/ou ministério;

- Na prática dos Mandamentos divinos, sem jamais separar o amor a Deus do amor ao próximo;

- N4o cuidado de nossa Casa Comum.

 

(1)         Missal Cotidiano – Editora Paulus – p.1207

(2)        Lecionário Comentado – Volume Tempo Comum I – p. 218

(3)        Idem – p.217


PS: Oportuno para o XXXIIIDTCB

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