segunda-feira, 20 de julho de 2026

Santa Rosa de Lima, uma mulher inflamada de amor. Também o sejamos! (XVIIDTCA)

                                                            

Santa Rosa de Lima, uma mulher inflamada de amor.
Também o sejamos!

Ao celebrar no dia 23 de agosto, a Memória de Santa Rosa de Lima, (1586 -1617), Padroeira da América Latina, sejamos enriquecidos por um de seus escritos:

“O Senhor Salvador levantou a voz e com incomparável majestade disse: 

'Saibam todos que depois da tribulação se seguirá a graça; reconheçam que sem o peso das aflições não se pode chegar ao cimo da graça; entendam que a medida dos carismas aumenta em proporção da intensificação dos trabalhos. Acautelem-se os homens contra o erro e o engano; é esta a única verdadeira escada do paraíso e sem a cruz não há caminho que leve ao céu'.

Ouvindo estas palavras, penetrou-me um forte ímpeto de me colocar no meio da praça e bradar a todos, de qualquer idade, sexo e condição: 

'Ouvi, povos; ouvi, gente. A mandado de Cristo, repetindo as Palavras saídas de Seus lábios, quero vos exortar: Não podemos obter a graça, se não sofrermos aflições; cumpre acumular trabalhos sobre trabalhos, para alcançar a íntima participação da natureza divina, a glória dos filhos de Deus e a perfeita felicidade da alma'.

O mesmo aguilhão me impelia a publicar a beleza da graça divina; isto me oprimia de angústia e me fazia transpirar e ansiar. Parecia-me não poder mais conter a alma na prisão do corpo, sem que quebradas as cadeias, livre, só e com a maior agilidade fosse pelo mundo, dizendo: 

'Quem dera que os mortais conhecessem o valor da graça divina; como é bela, nobre, preciosa; quantas riquezas esconde em si, quantos tesouros, quanto júbilo e delícias! Sem dúvida, então, eles empregariam todo o empenho e cuidado para encontrar penas e aflições! Iriam todos pela terra a procurar, em vez de fortunas, os embaraços, moléstias e tormentos, a fim de possuir o inestimável tesouro da graça. É esta a compra e o lucro final da paciência. 
Ninguém se queixaria da cruz nem dos sofrimentos que lhe adviriam talvez, se conhecessem a balança, onde são pesados para serem distribuídos aos homens'." (1)

A História de Santa Rosa de Lima nos fortalece na fidelidade ao Senhor Jesus, no testemunho mais audacioso e corajoso de nossa fé e esperança, para que a seu exemplo sejamos mais inflamados de amor.

Sua vida é marcada por extraordinária serenidade no enfrentar das tribulações, provações dolorosas que acompanhou sua breve existência, imitando Cristo, pobre e crucificado. Uma mulher com predicados incontáveis por Deus concedidos.

Sua consagração a Deus como cristã leiga a fez participante da Terceira Ordem Dominicana, com amor imenso pela Eucaristia e devoção a Maria, elevando intensas orações pelo crescimento da igreja, especialmente entre os índios da América.

Retomo algumas de suas afirmações:

- “... sem o peso das aflições não se pode chegar ao cimo da graça”;

- “Acautelem-se os homens contra o erro e o engano; esta é a única verdadeira escada do paraíso e sem a cruz não há caminho que leve ao céu”;

- “Ninguém se queixaria da cruz nem dos sofrimentos que lhe adviriam talvez, se conhecessem a balança, onde são pesados para serem distribuídos aos homens”.

Num tempo de promessas inconsistentes de felicidade fugaz, a mensagem de Santa Rosa chega ao mais profundo de nosso coração. Muitos querem a felicidade sem a fidelidade no carregar da cruz. Ele jamais nos prometeu facilidades, ao contrário, nos disse:

“Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia e siga-me (Lc 9,23).

Esta escada, a qual ela se refere, é a cruz, exortando-nos à coragem e maturidade para subi-la, degrau por degrau, dia pós dia, e que muitos querem jogar tudo para o alto, fugindo, sumindo ou até mesmo chegando ao suicídio.

Nossos lamentos serão cada vez menos intensos se soubermos nos configurar a Cristo Jesus Crucificado e Ressuscitado, acompanhado de mais fascínio por Ele e Sua Palavra, maior a sedução por Seu amor e proposta.

Nossos tempos precisam de “Rosas de Lima”, possuidoras como ela não apenas de beleza estética, que também possuía, mas possuidoras da beleza mais preciosa, a beleza da alma e do coração.

Assim como Santa Rosa de Lima, que encontrou o Tesouro escondido e a Pérola preciosa de grande valor: o Reino de Deus, o Amado – Jesus, e por Ele totalmente se entregou, o mesmo façamos (cf. Mt 13,44-46).

Como Santa Rosa de Lima, façamos de nossa vida uma oferenda permanente e agradável aos olhos de Deus.

Santa Rosa de Lima, tão inflamada de Amor Divino! Também o sejamos!

Oremos:

Ó Deus, que inspirastes Santa Rosa de Lima,
inflamada de amor, a deixar o mundo,
a servir os pobres e a viver em austera penitência,
Concedei-nos, por sua intercessão,
seguir na terra os Vossos caminhos
e gozar no céu as Vossas delícias.
Por N.S.J.C. Amém!”

(1) Liturgia das Horas - Volume IV Tempo Comum - pág. 1222-1223

O Reino dos céus é como uma rede lançada ao mar (XVIIDTCA)

                                                           

O Reino dos céus é como uma rede lançada ao mar

Na quinta-feira da 17ª Semana do Tempo Comum, ouvimos a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 13,47-53), em que Jesus nos apresenta mais uma parábola, exclusiva deste Evangelista,  sobre o Reino dos Céus: a parábola da rede lançada ao mar, e que recolhe todo tipo de peixe.

O Evangelista tinha diante de si uma comunidade imersa na monotonia, na falta de empenho, numa vivência morna da fé, logo, pouco exigente e comprometida.

Deste modo, era necessário buscar uma Palavra do Senhor, para que ela perseverasse diante das perseguições e hostilidades, enfrentando as dificuldades que vão se apresentando na caminhada da comunidade.

Nisto consiste a beleza das Parábolas: revigoram o ânimo, o entusiasmo, ajudam no discernimento e fortalecem no seguimento de Jesus.

A comunidade deve ver no Reino a grande pérola ou tesouro, pelo qual todo sacrifício deve ser feito e toda renúncia não será em vão.

É preciso rever a escala de valores que pautam nossa vida: o que nos seduz, o que consome nossas forças, nosso tempo; bem como refletir sobre a alegria que devemos ter por sermos instrumentos, colaboradores na realização do Reino.

A Parábola da rede e dos peixes leva a comunidade a refletir, mais uma vez, sobre a necessidade da paciência para ver o Reino de Deus acontecer (joio e trigo).

Deus não tem pressa de condenar e destruir. Ele não quer a morte do pecador, por isso, dá ao homem o tempo necessário e suficiente para amadurecer as suas opções e fazer suas escolhas.

Refletimos sobre a Misericórdia de Deus, que se manifesta na tolerância, paciência, sempre desejoso de que em nós aconteça a conversão e o amadurecimento.

Na conclusão da passagem do Evangelho, os discípulos são chamados a compreender e acolher o novo ensinamento proposto, num renovado compromisso e empenho.
  
Reflitamos:

- O que pedimos quando dizemos: “Venha a nós o Vosso Reino”?
- Como vivemos a paciência a serviço do Reino?

-  Como Igreja, estamos a serviço do Reino. Temos consciência desta missão?

Sentimos alegria contagiante ao trabalhar para que o Reino de Deus aconteça?

O melhor Ele já nos deu: O Espírito Santo e os sete Dons (Sabedoria, Entendimento, Conselho, Fortaleza, Ciência, Piedade e Temor de Deus). Empenhemo-nos, decididamente, na construção do Reino, o Espírito nos assiste, a Sabedoria nos é comunicada, incessantemente. 

Como discípulos missionários do Senhor, renovemos nossa alegria de participar da realização do Reino de Deus, como herdeiros da graça em Cristo Jesus, pelo Espírito Santo, no amor do Pai.


PS: Apropriado para o 17º Domingo do Tempo Comum - Ano A

O julgamento final e as obras de misericórdia (XVIIDTCA)

                                                      


                       O julgamento final e as obras de misericórdia

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 25,31-46), que nos fala sobre o juízo final, quando o Senhor virá em Sua glória para nos julgar a todos.

Trata-se de uma passagem fundamental para todos nós, pois nos ilumina para que vivamos uma religião pura e verdadeira aos olhos de Deus.

Deste modo, nossas orações, tudo o que professamos e celebramos, precisa ser mais do que nunca acompanhado de compromissos concretos, como vemos nas obras de Misericórdia Corporais e Espirituais:

Obras de misericórdia corporais: Dar de comer a quem tem fome; dar de beber a quem tem sede; vestir os nus; dar pousada aos peregrinos; assistir aos enfermos; visitar os presos; enterrar os mortos. 

Obras de misericórdia espirituais: Dar bom conselho; ensinar os ignorantes; corrigir os que erram; consolar os aflitos; perdoar as injúrias; sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo; rogar a Deus por vivos e defuntos.  

São iluminadoras as palavras do Bispo e Doutor Santo Agostinho sobre esta passagem:

“Todo o mal que os maus fazem é registado – e eles não o sabem. No dia em que ‘Deus virá e não se calará’ (Sl 50, 3) [...]. Então, Ele Se voltará para os da Sua esquerda: ‘Na terra, dir-lhes-á, Eu tinha posto para vós os meus pobrezinhos, Eu, Cabeça deles, estava no céu sentado à direita do Pai – mas na terra os meus membros tinham fome: o que vós tivésseis dado aos meus membros, teria chegado à Cabeça. Quando Eu coloquei os meus pobrezinhos na terra, constituí-os vossos portadores para trazerem as vossas boas obras ao meu tesouro. Vós nada depositastes nas mãos deles: por isso nada encontrais em Mim’” (1).

Tenhamos sempre esta solicitude para com os “pobrezinhos na terra”, pois são eles os “portadores” que levam nossas boas obras ao tesouro do Senhor.

Empenhemo-nos neste “depósito”, para que possamos ouvir dos lábios do Senhor:

“Vinde benditos de meu Pai! Recebei como herança o Reino que meu Pai vos preparou desde a criação do mundo” (Mt 25,34).  

(1)         Sermão de Santo Agostinho – cf. Catecismo da Igreja Católica n. 1039


PS: Apropriado para o dia de Finados ou da Solenidade de Cristo Rei e Senhor do Universo, quando se proclama esta passagem do Evangelho de Mateus (Mt 25,31-46)

Em poucas palavras... (XVIIDTCA)

 


       “....Quando Eu coloquei os meus pobrezinhos na terra...”

“Todo o mal que os maus fazem é registrado – e eles não o sabem. No dia em que ‘Deus virá e não se calará’ (Sl 50, 3) [...]. Então, Ele Se voltará para os da Sua esquerda: ‘Na terra, dir-lhes-á, Eu tinha posto para vós os meus pobrezinhos, Eu, Cabeça deles, estava no céu sentado à direita do Pai – mas na terra os meus membros tinham fome: o que vós tivésseis dado aos meus membros, teria chegado à Cabeça.

Quando Eu coloquei os meus pobrezinhos na terra, constituí-os vossos portadores para trazerem as vossas boas obras ao meu tesouro. Vós nada depositastes nas mãos deles: por isso nada encontrais em Mim’” (1).



(1)         Sermão de Santo Agostinho (séc V)– cf. Catecismo da Igreja Católica n. 1039

 

domingo, 19 de julho de 2026

Os frutos da boa obediência

                                      


 

Os frutos da boa obediência


“Um ancião tinha seu escravo como discípulo e, desejando dominá-lo, convenceu-o a manter completa obediência.
 
Por isso, o ancião lhe disse: ‘Vai, acende o fogo no forno, toma o livro que é lido na ‘synaxis’ e lança-o no forno’.
 
Ele foi e fez sem questionar. 

E, quando o livro foi lançado, o forno se apagou.
 
Isto ocorreu para entendermos que a obediência é boa, porque é uma escada para o Reino dos Céus.” (1)
 
Somos todos eternos aprendizes da obediência,
Com Maria, José, santos e santas, quanto a aprender!
 
Aquela que coloca a vontade divina acima de tudo,
Acompanhada de renúncia dos projetos e vontades próprias.
 
Que os Pais do deserto viveram e ensinaram,
A escada para que adentremos no Reino dos Céus.
 
Não a obediência com gosto de subserviência,
Mas como expressão de sagrada liberdade.
 
Não com a miopia para outras possibilidades,
Mas docilidade aos acenos do Espírito.
 
Não como a resignação estéril e , fria,
Mas com a chama do amor que crepita e impulsiona.
 
Obediência como expressão de mansuetude,
Que floresce e frutifica com a resiliência. 
 
Suas marcas indeléveis de prontidão e solicitude,
Colocando nas mãos divinas nossa finitude.
 
Obediência que garante sagrados frutos,
Porque vivida com todas as veras do coração.
 
Acompanhada da necessária oração,
Na graça da simplicidade e da humildade.
 
Alimentado pelo Pão da Palavra e da Eucaristia,
Na Mesa Sagrada nutrido, porque peregrinar é preciso!
 
 
(1)  Ditos anônimos dos Pais do deserto – Editora Vozes – 2023 – pp.66-67
 

“Maria é a mais bela flor que desabrochou na criação”

                                                   


“Maria é a mais bela flor que desabrochou na criação
 
Sejamos enriquecidos pelas palavras do então Papa Bento XVI, para vivermos intensamente a nossa devoção Mariana:
 
“... Com efeito, Maria, é a flor mais bonita que desabrochou na criação, a "rosa" que apareceu na plenitude dos tempos quando Deus, enviando o seu Filho, conferiu ao mundo uma nova Primavera.
 
E é ao mesmo tempo protagonista, humilde e discreta, dos primeiros passos da Comunidade cristã: Maria é o seu coração espiritual, porque a sua própria presença no meio dos discípulos constitui a memória viva do Senhor Jesus e o penhor do dom do Seu Espírito.
 
O Evangelho deste Domingo, tirado do capítulo 14 de São João, oferece-nos um retrato espiritual implícito da Virgem Maria, onde Jesus diz: "Se alguém me ama, guarda a minha Palavra; meu Pai amá-lo-á, viremos a ele e nele faremos morada" (Jo 14, 23).
 
Estas expressões são dirigidas aos discípulos, mas podem ser aplicadas ao máximo grau precisamente àquela que é a primeira e perfeita discípula de Jesus.
 
Efetivamente, Maria foi a primeira que observou de maneira plena a Palavra do seu Filho, demonstrando deste modo que O ama não apenas como Mãe, mas ainda antes como serva humilde e obediente; por isso, Deus Pai amou-a e nela a Santíssima Trindade fez a Sua morada.
 
Além disso, quando Jesus promete aos Seus amigos que o Espírito Santo os assistirá, ajudando-os a recordar cada uma das Suas Palavras e a compreendê-las profundamente (cf. Jo 14, 26), como não pensar em Maria, que no seu coração, templo do Espírito, meditava e interpretava fielmente tudo aquilo que o seu Filho dizia e fazia?
 
Deste modo, já antes e, sobretudo, depois da Páscoa, a Mãe de Jesus tornou-se também a Mãe e o modelo da Igreja.”
 
Ela é a primeira flor a exalar o odor de Cristo para o mundo, acolhendo-O em seu ventre pela ação do Espírito.
 
Flor que O acompanhou em todos os instantes, como os Evangelhos e a Igreja nos ensinam e cremos: desde a concepção, em seu crescimento em idade, tamanho, sabedoria e graça diante de Deus;  partícipe fundamental no primeiro sinal de Caná da Galileia; presente na hora da agonia, da Paixão, da morte e da Ressurreição.
 
Maria é a “rosa” que apareceu na plenitude dos tempos como nos falou o Papa, e, com certeza, é a rosa que torna mais belo o céu, porque nele, ao lado do Filho, se encontra.
 
Maria é a “rosa” que se faz presente em nosso caminhar, nos dizendo sempre, como disse em Caná: “fazei tudo o que Ele vos disser”.
 
Maria é a “rosa” que nos dá a certeza de que não estamos sós e que o Espírito Santo que nela agiu, continua agindo, assistindo e conduzindo a Igreja de Seu Filho e soprando onde Ele quer.
 
Maria é a mais bela “rosa” que jamais perde o encanto, a vida, a graça.
 
Maria é a mais bela “rosa” que torna mais belo o jardim de nossa existência, até que um dia tenhamos a graça de vê-la no céu, como há muito se canta:
 
“Com minha mãe estarei na Santa Glória um dia,
Junto com a Virgem Maria, no céu triunfarei...” 

Resiliência na travessia

                                                 


Resiliência na travessia

Resiliência: uma palavra que tem sido cada vez mais falada, e que bem compreendida e vivida pode nos ajudar ao escrever sempre novas páginas de alegria, vida e esperança.

Uma possível definição da palavra: “habilidade que uma pessoa desenvolve para resistir, lidar e reagir de modo positivo em situações adversas”. (1)

Oremos:

Concedei-nos, Senhor, resiliência no enfrentar de uma enfermidade, acompanhada da fé, de mãos dadas com a ciência: uma fé que a ciência não dispensa, uma ciência que a fé não desconsidere.

Que nos ajude no autocontrole, acompanhado da força de vontade de superação de situações embaraçosas, e que não nos sejam aniquiladas as nossas forças.

Para suportar com fortaleza, sem nos deixarmos vencer pelo espírito de medo e timidez, crendo em Vós, que nos acompanha em todos os passos e nos fortalece, (2)

Peregrinos de esperança sejamos, resilientes em toda e qualquer situação, confiando em Vossa presença na barca de Vossa Igreja, que nos garante o chegar à outra margem, em necessária travessia... (3)

Com sabedoria, remar, por vezes, contra a maré das provações e dificuldades, aguentando firme, sem jamais perder o horizonte da esperança, no bom combate da fé (4), inflamados pela chama de Vossa Caridade. Amém.

 

(1)     Dicionário Aulete

(2)    2 Tm 1,7

(3)    Mc 4,35-41

(4)   2 Tm 4,7

 

Quem sou eu

Minha foto
4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG