domingo, 5 de julho de 2026

“Meu jugo é suave e meu fardo é leve” (XIVDTCA)

                                                      


“Meu jugo é suave e meu fardo é leve”

Reflitamos sobre O Sagrado Coração de Jesus, à luz da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 11,25-30).

A fé vivida não permite a acomodação mas deve ser vivida na confiança e na busca de forças tão somente em Deus, nos cansaços possíveis ao enfrentar os desafios da missão evangelizadora.

A Palavra de Jesus alcança as entranhas mais profundas de nossa alma e coração: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e Eu vos darei descanso”.

Somente Jesus pode nos oferecer o verdadeiro “descanso”, porque é “manso e humilde de coração”, e nos oferece os distintivos, que haveremos de carregar e viver, para que o mundo O reconheça e O veja em nós: a Cruz e o Mandamento do amor a Deus e ao próximo.

Não há discipulado e nem seguimento de Jesus sem a Cruz, que é garantia de Vitória, passagem para a glória – “Quem quiser me acompanhar, renegue-se a si mesmo, tome sua cruz e venha” (Mt 16, 24). Oferece o jugo que Ele mesmo carregou e conosco carrega.

Nosso cristianismo somente pode ser vivido, com alegria e plenamente, na certeza de que Ele caminha ao nosso lado – “Quem se arrasta atrás de seu jugo com subterfúgios e compromissos, é derrubado pelo tédio e abatido pela solidão”  (1).

Não podemos nos abater pela solidão, tristeza, desânimo, para que possamos carregar nossa cruz com alegria, confiança, disponibilidade, coragem e firmeza até o fim.

Carreguemos o jugo da cruz, vivendo a Lei do Senhor, a Lei do Amor “... Este é o meu Mandamento: amai-vos uns aos outros como Eu vos amei” (Jo 15,12). 

Somente o amor faz viver. O Mandamento do Amor se constitui na expressão máxima da vida cristã, porque Cristo mesmo nos disse – “... Ninguém teve maior Amor do que Aquele que dá a vida por Seus amigos (Jo 15,13)". 

E disse o Evangelista João: “Deus amou tanto o mundo que nos deu o Seu Filho único para que não morra quem n’Ele crer mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16).

O Senhor entregou Sua vida por nós, aceitou a morte, e morte de Cruz, amando-nos, amou-nos até o fim.

A cruz cotidiana assumida, vivendo a Lei do Amor, e a glória da eternidade um dia.

Façamos por Ele e pelo nosso próximo o mesmo: descanso, forças e alegria no tempo presente encontraremos e na eternidade, plenamente viveremos.

(1) Missal Cotidiano - pág. 1035

Humildade e mansidão do Senhor (XIVDTCA)

                                                            

Humildade e mansidão do Senhor

"Vinde, pois, e aprendei de mim,
que sou manso e humilde de coração!"

Na Liturgia do 14º Domingo do Tempo Comum (ano A) ouvimos a passagem do Evangelho (Mt 11,25-30), e somos enriquecidos com o Sermão do Bispo São João Crisóstomo (séc. IV), refletindo sobre a humildade e mansidão de coração de Nosso Senhor.

“Vês, amante de Cristo, quanta seja a misericórdia do Criador para conosco?

Vês como nas mesmas ameaças brilha a benignidade? Vês como Sua misericórdia se antecede a Sua indignação? Vês como o castigo é superado pela bondade?

Isto não é maravilhoso! Porque Ele mesmo é manso e benigno Senhor nosso, e solícito, como é de Seu costume, de nossa salvação, que claramente nos fala no Evangelho, como a pouco nos fazia quando nos lia:

Vinde a mim e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração! Quanto Se abaixa o Criador, e, apesar disso, a criatura não O reverencia!

Vinde e aprendei de mim!, disse o Senhor quando veio aos Seus servos para consolá-los em suas quedas. Assim Cristo Se porta conosco, e assim nos demonstra a Sua misericórdia.

Quando convinha castigar os pecadores e acabar com sua espécie que O irritou, justamente então Se dirige aos réus com Palavras brandas e lhes diz:

Vinde e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração! Deus Se humilha e o homem se ensoberbece!

Manso é o juiz e soberbo o réu! Humilde voz lança o artífice, e o barro fala como se fosse algum rei! Ó, vinde e aprendei de mim, que Sou manso e humilde de coração!

Não vos curvaram os acontecimentos anteriores; não vos amansaram os que logo se seguiram; nem finalmente os que ao pouco sobrevieram!

Porém Ele, como então, também agora, uma vez que fez tremer as criaturas, logo as pacificou com a Sua misericórdia. Vinde, pois, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração!

Ele não vem com chicote para açoitar, mas com nossa natureza para curar! Vinde e vede Sua inefável bondade!

Quem não ama ao amo que não açoita? Quem não se admira do juiz que suplica ao réu? Te enches completamente de admiração a humildade de Suas Palavras?

Sou Artífice e amo a minha obra! Eu sou Obreiro e perdoo aquele que Eu mesmo inventei! Se eu uso do supremo direito que me dá minha dignidade, não levantarei a humanidade caída; e como ela padece de uma enfermidade incurável, se não uso de remédios suaves, ela não poderá se curar!

Se não trato a humanidade e a pessoa humana com benignidade, perece! Se somente uso de ameaças, perde-se! Por isto, aplico, como a quem está caído, medicamentos de suavidade. Abaixo-me ao máximo na comiseração para levantá-la de sua queda!

Aquele que está em pé não consegue levantar ao caído se não abaixar sua mão. Pois vinde e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração! Não falo para ostentação: pelos fatos vos dei experiência. Que Eu seja manso e humilde de coração, podes deduzir do estado em que me vês e ao qual Eu vim.

Analisa minha forma e qual seja minha dignidade: medita-o e adora-me! Por ti me humilhei! Pensa de que lugar desci e em que lugar falo contigo.

Sendo o céu meu trono, agora falo contigo na terra. Nas alturas sou glorificado, porém, como magnânimo, não me encolerizo, porque sou manso e humilde de coração!

Se Eu não fosse um manso Filho do Rei, não teria escolhido por mãe uma serva. 

Se Eu não fosse manso, o Artífice das substâncias visíveis e invisíveis, não teria me desterrado aqui convosco.

Se não fosse manso, não teria estado Eu, o Pai do século futuro, envolto em pano.

Se não fosse manso, não teria suportado a pobreza do presépio, Eu que possuo todas as riquezas de todas as criaturas.

Se não fosse manso, não me teria encontrado entre animais, Eu a quem os querubins não ousam olhar.

Se Eu não fosse manso, que com minha saliva dou vista aos cegos, jamais teria sido cuspido pela boca de homens maus.

Se não fosse manso, nunca teria tolerado a bofetada de um servo, Eu que sou quem dá liberdade aos servos.

Se não fosse manso, jamais teria apresentado minhas costas aos açoites em benefício dos escravos.

Mas por que não digo o que é ainda maior?

Se eu não fosse manso, nunca teria carregado a dívida de morte, Eu que nada devia, em lugar daqueles que deviam padecê-la.” (1)

Concluindo, a mansidão do Senhor e o Seu Amor dão “vertigem”, porque ultrapassam todas as medidas, parâmetros, lógicas humanas.

Neste Coração manso e humilde, o discípulo amado recostou sua cabeça.

Neste mesmo coração também podemos, quantas vezes quisermos, o mesmo fazer, para que nos sintamos amados, perdoados, e renovados para carregar, com fidelidade e coragem, nossa cruz.

Neste Coração manso e humilde encontramos espaço, porque dilatado na Cruz, para que nele coubéssemos. 

Nele encontramos forças para alcançarmos a vida plena e digna já, nesta travessia por que passamos, até que um dia possamos na glória dos céus, entrar, e a face do Pai contemplar, na plena comunhão do Espírito, vivendo e crendo em Jesus, que Se fez o Caminho, a Verdade e a Vida.

Também n'Ele, os enfermos renovam forças; desesperados reencontram a esperança; os fracassos superados seguidos de vitórias; entristecidos reencontram a alegria; aflitos reencontram a paz; pecadores, a pureza de alma; ansiosos, a serenidade; dependentes, a sobriedade; os apáticos e indiferentes se libertam destas amarras em sadios compromissos com a Boa Nova do Reino.

Neste Coração manso e humilde...



(1) Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 – pp. 267-268.

Em poucas palavras... (XIVDTCA)

                            


Saudação do Apóstolo Pedro

“Irmãos eleitos segundo a presciência de Deus Pai, pela santificação do Espírito para obedecer a Jesus Cristo e participar da bênção e da aspersão do seu sangue, graça e paz vos sejam concedidas abundantemente” (1)

  

(1)            1 Pd 1,1-2

Na Trindade vemos o Amor (XIVDTCA)

                                                              

Na Trindade vemos o Amor

Retomemos parte do “Tratado sobre a Santíssima Trindade”, do Bispo Santo Agostinho (séc. V).

“Nosso Senhor Jesus Cristo, ao realizar Seus milagres, como querendo dar uma lição mais sublime aos que d’Ele se admiravam, e conduzir as secretas e eternas realidades a estes espíritos atentos e como que suspenso no fascínio de Seus prodígios, lhes diz:

Vinde a mim todos vós que estais cansados sob o peso de vossos fardos, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo. Ele não disse: ‘Aprendei de mim a ressuscitar mortos de quatro dias’, mas aprendei de mim que sou manso e humilde de coração.

A solidíssima humildade é mais poderosa e mais segura que os cumes soprados pelos ventos. Por isso segue e diz: E encontrareis descanso para as vossas almas.

A caridade não se ensoberbece, e Deus é caridade; e os fiéis no amor descansarão n’Ele, chamados do estrondoso exterior aos deleites interiores. Se Deus é caridade, para que andar correndo desatinados pelos cumes dos céus e das profundezas da terra em busca d’Aquele que mora em nós, se nós queremos estar junto d’Ele?

Ninguém diga: ‘Não sei o que amar’. Ame ao irmão e amará ao Amor. Conhece melhor a dileção que lhe impulsiona ao amor que ao irmão a quem ama. Eis aqui como podes conhecer melhor a Deus que ao irmão; mais conhecido porque está mais presente; mais conhecido porque é algo mais íntimo; mais conhecido porque é algo mais correto.

Abraça ao Deus Amor e abraça a Deus por amor. É o amor que nos une com vínculo de santidade a todos os anjos bons e a todos os servos de Deus; consolida-nos a eles e nos submete a Ele.

Quanto mais imunizados estejamos contra o inchaço do orgulho, mais plenos estaremos de amor. E aquele que está cheio de amor, do que está preenchido a não ser de Deus?

Porém tu dirás: ‘Vejo a caridade e a contemplo, enquanto posso, com os olhos de minha inteligência, e deposito fé à Escritura, que diz:

Deus é amor, e quem permanece no amor em Deus permanece; mas quando medito no amor, não descubro a Trindade’ Vês a Trindade se vês o Amor.” (1)

É este caminho de santidade que devemos percorrer, num mergulho constante no Mistério do Amor de Deus, crescendo a cada dia no amor a Ele, concretizado no amor ao próximo, para não nos tornarmos míopes de Deus, como bem disse o Papa Bento XVI, em sua primeira Encíclica “Deus Caritas Est”:

"O citado versículo Joanino (1Jo 4,20 ) deve, antes, ser interpretado no sentido de que o amor ao próximo é uma estrada para encontrar também a Deus, e que o fechar os olhos diante do próximo torna cegos também diante de Deus" (n.16).

Supliquemos ao Senhor que nos conceda a graça da imunização contra o “inchaço do orgulho”.

Supliquemos, também, para que sejamos cumulados do Seu Amor, para que, ao desejar abraçar ao Deus Amor, abracemos a Deus por amor, na pessoa de nosso próximo, pois somente amando o irmão estaremos amando ao Amor, somente vendo o Amor, é que veremos a Santíssima Trindade de Amor, como ele tão bem expressou:

“Vês a Trindade se vês o amor”.


(1): Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes -  p. 169-170

A Lei do Reino de Deus (XIVDTCA)

                                                       

A Lei do Reino de Deus
 
“Vinde a mim, todos vós que estais cansados e fatigados
sob o peso dos vossos fardos, e Eu vos darei descanso.”
 
A Lei do Reino de Deus consiste no amor aos pobres, humildes e pequenos, assim como Jesus o fez. É o que contemplamos na passagem do Evangelho do 14º Domingo do Tempo Comum (ano A) - (Mt 11,25-30).
Oremos:
 
Ó Senhor, nós cremos que Vos revelastes a todos, mas os sábios, ontem e hoje, tornam, muitas vezes, ineficaz e vã a revelação de Deus, porque não abrem o coração a Vós.
 
Quando pregastes em nosso meio, os inteligentes e os sábios, os mestres religiosos do templo, os escribas, os fariseus, conhecedores da lei e hábeis manipuladores das tradições, embora possuindo o conhecimento da Lei, tornaram-se opressores e sobrecarregam os ombros dos pobres e dos ignorantes de pesos insuportáveis, que se quer tocaram nem com um dedo! (Lc 11, 46).
 
Vós, ao contrário, Senhor, chamastes a Si os que estão fatigados e oprimidos, e o jugo que lhes impusestes foi suave e o fardo leve.
 
Oferecestes, ontem e hoje, Vosso suave jugo, não por ser ele menos exigente, com moralidade permissiva e licenciosa, mas porque Vós, Senhor, com Vossa solidariedade e participação concreta, o tornastes leve.
 
Vós sois, Senhor, o primeiro dos pobres, dos simples, dos mansos, carregando, na frente, a Cruz sobre Vossos ombros.
 
Vossa proximidade torna suportável e leve a cruz de todos nós, Vossos discípulos missionários que Vos seguimos, no anúncio e no testemunho.
 
Cremos e procuramos viver a Lei do Reino de Deus, por vós anunciada e vivida, que consiste na Lei do Amor em favor dos mais pequeninos, dos mais pobres.
 
Cremos e Vos louvamos, Senhor, que, por Vossa ação entre nós, nos revelastes um Deus que escolhe os humildes, os simples, os ignorantes.
Aprendemos convosco a Lei do grão de mostarda, dos inícios humildes e ocultos, assim como Paulo, Vosso amigo e corajosa testemunha, o fez e proclamou aos irmãos da Comunidade de Corinto:
 
“Considerai, de fato, o vosso chamado, irmãos: não há entre vós muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos nobres.
 
Deus escolheu o que é tolo, no mundo, para confundir os sábios; Deus escolheu o que é fraco, no mundo, para confundir os fortes, Deus escolheu o que é ignóbil e desprezado e o que nada é, para reduzir a nada as coisas que são, a fim de que ninguém possa gloriar-se diante de Deus” (1Cor 1, 26-29).
 
Dai-nos força, Senhor, para que, a Vosso exemplo, carreguemos o jugo da cruz, com amor e fidelidade, sem jamais esmorecer e, se quedas houver, saibamos que estais conosco neste erguer e continuar do caminho que nos leva à glória, mas que passa, necessariamente, pelo carregar da cruz de cada dia, acompanhado de renúncias de nós mesmos, para maior disponibilidade a Vós; e nos pobres e pequenos, Vos amar e servir. Amém!
 


Mansidão e doçura (XIVDTCA)

                                              


Mansidão e doçura (Cristãos Leigos e Leigas)

Ajudai-me, Senhor, a fim de que mantenha a mansidão e doçura, virtudes tipicamente cristãs, para com todos (cf. Mt 11,29), como assim fizestes para conosco, cansados e abatidos, como ovelhas sem pastor que estávamos.

Concedei-me a graça de ser inclinado à mansidão; acompanhado da contínua luta contra mim mesmo, domínio de mim, afastando toda e qualquer forma de egoísmo.

 Conceda-me progredir na paciência, constância e coragem, renúncia e sacrifício, desenvolvendo sentimentos de bondade inaugurando e fortalecendo relações fraternas de comunhão e solidariedade, sem jamais fomentar a discórdia, violência, e propagação do ódio e rancor, como assim fizeram os santos no bom combate da fé.

Conceda-me a doçura que educa para a compreensão, à clemência, à humildade, à plena e contínua comunhão com Deus; assim como a  mansidão que é a sua mais alta e delicada expressão, porque, esquecendo-se de si mesmo, alguém vive e trabalha para os outros. Amém.

 

Fonte: Missal Cotidiano - Editora Paulus, 1997 - pág. 1483 – passagem bíblica: Tt 3,1-7

“Vinde a mim...”: um amoroso convite (XIVDTCA)

                                                           

“Vinde a mim...” um amoroso convite

A Liturgia do 14º Domingo do Tempo Comum nos apresenta a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 11,25-30), e somos enriquecidos com a Catequese Batismal de São João Crisóstomo, Bispo e Doutor da Igreja (séc. V).

Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso de vossos fardos e Eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso para as vossas almas. Vistes maior superabundância de bondade? Percebes a generosidade do convite? Vinde a mim – diz – todos vós que estais cansados e fatigados. Amoroso o convite! Inefável a bondade!

Vinde a mim todos: não somente os que ordenam, mas também os que obedecem; não somente os livres, mas também os escravos; não somente os homens, mas também as mulheres; não somente os jovens, mas também os anciãos; não somente os de corpo são, mas também os aleijados e entrevados, todos – diz – vinde. Tais são, realmente, os dons do Senhor: não conhece diferença entre escravo e livre, nem entre rico e pobre, mas toda esta desigualdade está rejeitada: Vinde – diz – todos vós que estais cansados e fatigados.

Observa a quem Ele chama: aos que se esgotaram completamente nas iniquidades, aos que estão oprimidos pelos pecados, aos que nem sequer podem mais levantar a cabeça, aos que estão mortos de vergonha, aos que mais estão privados de confiança para falar. E por que os chama? Não para pedir-lhes conta, nem para estabelecer um tribunal. Então, para quê? Para fazer-lhes descansar de seu cansaço, para tirar-lhes a sua carga pesada.

E será que poderia acontecer algo mais pesado do que o pecado? Este, na realidade, por mais que tantas vezes não o sintamos ou queiramos ocultá-lo das pessoas comuns, é aquele que desperta contra nós o juiz incorruptível que é a nossa consciência, e ela, sempre alerta, vai tornando nossa dor contínua, como um carrasco que dilacera e sufoca a mente, mostrando desta forma a enormidade do pecado. Aos que estão, pois, oprimidos pelo pecado – diz –, e como sobrecarregados por uma carga, a estes aliviarei agraciando-lhes com o perdão de seus pecados. Unicamente, vinde a mim! Quem será tão de pedra, quem tão teimoso que não obedeça a um convite tão bondoso?

Em seguida, para ensinar-nos também de que modo alivia, acrescenta: Tomai sobre vós o meu jugo. ‘Entrai, diz, sob o meu jugo. Porém não vos assusteis ao ouvir jugo, porque este jugo nem roça o pescoço nem faz abaixar a cabeça; ao contrário, ensina a pensar nas coisas do alto e forma na verdadeira filosofia.

Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei: ‘Unicamente, entrai sob o jugo e aprendei. Aprendei, ou seja: aplicai o ouvido, para poder aprender de mim’. De fato, não vou exigir de vós nada pesado: vós, meus escravos, imitai a mim, vosso amo; vós que sois terra e pó, imitai a mim, feitor do céu e da terra, vosso Criador: Aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração.

Vês a condescendência do Senhor? Vês sua inconcebível bondade? Não nos exigiu algo pesado ou odioso. Realmente, ele não disse: ‘Aprendei de mim que realizei prodígios, que ressuscitei mortos, que fiz milagres’. Tudo isso era unicamente próprio de seu poder. Então, o quê? Aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso para as vossas almas. Percebes como são grandes os benefícios e a utilidade deste jugo?

Portanto, o que foi considerado digno de entrar sob este jugo e é capaz de aprender do Senhor a ser manso e humilde de coração, obterá para a sua alma todo o alívio. Este é, realmente, o ponto capital de nossa salvação: quem é possuidor desta virtude, mesmo que esteja unido ao corpo, poderá rivalizar com os poderes incorpóreos e já não ter nada em comum com o presente”. (1)

Jesus nos faz um amoroso convite e espera a nossa resposta. Acorramos ao Senhor, sem demora, e n’Ele encontraremos acolhida amorosa.

Refaçamo-nos de nossos cansaços, para continuarmos nosso discipulado: Seu jugo é suave e Seu fardo é leve.

Vivamos na vigilância e solidariedade para fazermos nossa travessia pelo mar revoltoso do medo e das dificuldades, no mesmo barco e debaixo da mesma tempestade. Mas certíssimos da Sua presença que nos ajuda a vencer todo o medo.

Carreguemos, portanto, com coragem e confiança nossa cruz cotidiana, certos de que não a carregamos sozinhos. E supliquemos humildemente:

“Jesus, manso e humilde de coração, fazei o nosso coração semelhante ao Vosso!”



(1) Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 – pp. 170-172

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