sexta-feira, 12 de junho de 2026

Três rios correm do Coração de Jesus! (SCJ)

                                                                      

Três rios correm do Coração de Jesus!

Sejamos enriquecidos por uma das Cartas escrita por Santa Margarida Maria Alacoque (séc. XVII), em que nos fala do Sagrado Coração de Jesus.

“A mim me parece que o grande desejo de nosso Senhor, de que se tribute honra especial a Seu Sagrado Coração, tem por finalidade renovar em nós os frutos da redenção.

Pois o Sagrado Coração é fonte inexaurível; que somente quer difundir-Se pelos corações humildes, a fim de que estejam livres e prontos a viver sua vida em conformidade com seu beneplácito.

Deste Divino Coração correm sem parar três rios: o primeiro é de misericórdia pelos pecadores, derramando neles o espírito de contrição e de penitência.

O segundo é de caridade, para auxílio de todos os sofredores, em particular dos que aspiram à perfeição, para que encontrem os meios de superar as dificuldades.

Do terceiro, enfim, emanam o amor e a luz para Seus amigos perfeitos, que Ele deseja unir a Sua ciência e à participação de Seus preceitos, para que, cada um a seu modo, se dedique totalmente à expansão de Sua glória.

Este Coração Divino é oceano de todos os bens. N’Ele precisam os pobres mergulhar todas as suas necessidades. É oceano de alegria, onde temos de mergulhar todas as nossas tristezas.

É abismo de humildade contra nossa loucura, abismo de misericórdia para os miseráveis, abismo de Amor para as nossas indigências.

Tendes, por isto, de unir-vos ao Coração de nosso Senhor Jesus Cristo, no princípio da vida nova, para vos preparardes bem; no fim, para consumardes.

Vossa Oração é vazia? Então, basta que ofereçais a Deus as preces que o Salvador eleva por nós no Sacramento do altar, entregando Seu fervor em reparação de vossa tibieza. Sempre que ides fazer algo, rezai assim:

‘Meu Deus, faço ou suporto isto no Coração de Teu Filho e, conforme a Seus santos desígnios, ofereço-Te em reparação de tudo quanto há de falho ou de imperfeito em minhas obras’.

E deste modo, em todas as circunstâncias. E em tudo que vos acontecer de penoso, aflitivo ou injurioso, dizei a vós mesmos:

‘Recebe o que o Sagrado Coração de Jesus Cristo te envia a fim de unir-te a Ele’.

Acima de tudo, porém, guardai a paz do coração que supera todos os tesouros. Para guardá-la, nada de melhor que renunciar à própria vontade e colocar a vontade do divino Coração em lugar da nossa, de modo que Ela realize em nosso nome o que redunda em Sua glória. E nós, felizes, nos submetamos a Ele, com absoluta confiança” (1)

Contemplando a Imagem do Sagrado Coração de Jesus, façamos nosso exercício espiritual de contemplação do amor de Deus.

Seja, portanto, nosso coração inundado e transbordado pelo Amor Divino e que dele saiam três rios:

- de Misericórdia para com os pecadores; 
- de Caridade para com os pobres;
- e de Amor para com aqueles que o Senhor tanto ama!

(1) Das Cartas de Santa Margarida Maria Alacoque - (Vie et Oeuvres 2, Paris 1915)
Memória celebrada dia 16 de outubro.
Liturgia das Horas - Vol.IV - Tempo Comum - Editora Paulus - p. 1385-1386

Festa ao Sagrado Coração de Jesus (SCJ)

                                                                

Festa ao Sagrado Coração de Jesus

A devoção ao Sagrado Coração de Jesus tem a sua origem na própria Sagrada Escritura.

No Antigo Testamento:

Ezequiel 34,11-16 – Deus cuida do Seu rebanho.
Ezequiel 11,19-20 – Tirarei o coração de pedra e colocarei um coração de carne.

No Novo Testamento:

Mateus 11,25-30 – Jesus é manso e humilde de coração.
Lucas 15 – O Coração de Deus é Fonte de Misericórdia.           
João 19,31-37 – O Coração de Jesus é transpassado pela lança e jorra Sangue e Água: Sacramentos da Igreja – Batismo e Eucaristia

O coração é um dos modos para falar do infinito Amor de Deus por nós, e este Amor encontra seu ponto alto com a vinda de Jesus.

A devoção ao Sagrado Coração de um modo visível aparece em dois acontecimentos fortes do Evangelho: o gesto de São João, discípulo amado, encostando a sua cabeça em Jesus durante a última ceia (cf. Jo 13,23); e na Cruz, onde o soldado abriu o lado de Jesus com uma lança (cf. Jo 19,34).

Em um, temos o consolo pela dor da véspera da Sua morte, e no outro, o sofrimento causado pelos pecados da humanidade.

Estes dois exemplos do Evangelho nos ajudam a entender o apelo de Jesus feito em 1675 a Santa Margarida Maria Alacoque:

“Eis este Coração que tanto tem amado os homens... não recebo da maior parte senão ingratidões, desprezos, ultrajes, sacrilégios, indiferenças...

Eis que te peço que a primeira sexta-feira depois da oitava do Santíssimo Sacramento (Corpo de Deus) seja dedicada a uma Festa especial para honrar o meu Coração, comungando neste dia e dando-lhe a devida reparação por meio de um ato de desagravo, para reparar as indignidades que recebeu durante o tempo em que esteve exposto sobre os altares; e prometo-te que o meu Coração Se dilatará para derramar com abundância as influências de Seu divino Amor sobre os que tributem esta divina honra e que procurem que ela lhe seja prestada.”

O Papa São João Paulo II sempre cultivou esta devoção, e a incentiva a todos que desejam crescer na amizade com Jesus.

Em 1980, no dia do Sagrado Coração, afirmou:

“Na Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, a Liturgia da Igreja concentra-se, com adoração e amor especial, em torno do Mistério do Coração de Cristo.

Quero hoje dirigir juntamente convosco o olhar dos nossos corações para o Mistério desse Coração. Ele falou-me desde a minha juventude. Cada ano volto a este Mistério no ritmo litúrgico do tempo da Igreja.”

Portanto, faz parte da tradição da Igreja esta Devoção inspirada pela Monja Santa Margarida Maria Alacoque, que nasceu em 1647 e morreu em 1690, e o Movimento do Apostolado da Oração encontra-se pelo mundo inteiro.

Esta devoção ao Sagrado Coração de Jesus está em estreita relação com a Eucaristia, e fortalece nossa fé, esperança e caridade.
        
Vejamos as consequências de uma autêntica devoção ao Sagrado Coração de Jesus:

- fortalece o amor à Igreja e às Comunidades;
- são sempre alimentados do Amor de Deus;
- leva à paixão e compromisso com os pobres, e estes têm lugar todo especial;
- fortalece o profetismo;
- exige o engajamento nas diversas pastorais e movimentos;
- torna-se participante da construção de um mundo novo.

Deste modo, não basta ter apenas Deus dentro de nosso coração, mas estar sempre dentro do Coração de Deus, de tal forma que, quando cumprimos a Lei maior de Deus que é o amor a Ele e ao próximo estamos no coração de Deus e Deus em nosso coração.

Concluindo, o Coração de Jesus é o templo do Espírito Santo que faz de nós também Seu templo, e urge fazer o nosso coração semelhante ao Coração de Jesus, aperfeiçoando a prática do Mandamento do Amor, com a intensificação de nossa devoção e contemplação do Coração de Jesus, a fim de que tal modo, vivamos uma espiritualidade essencialmente Eucarística.

Oportuno, portanto, iniciar ou fortalecer o Apostolado da Oração em nossas Paróquias.

Num mundo marcado, muitas vezes, 
pela frieza, indiferença e anonimato 
o Coração de Jesus é para nós
Fornalha Ardente de Caridade.

Bênção para os namorados

                                                        

Bênção para os namorados

Ó Deus Pai de Amor, que viveis e reinais em comunhão com Vosso amado Filho, e com o Espírito Santo, derramai copiosas bênçãos sobre os namorados que a Vós recorrem neste e em todos os dias.

Abençoados por Vós, cresçam em estima um pelo outro, com amor sincero, e se conformem aos Vossos desígnios, dando passos para o aprofundamento do amor vivido.

Também Vos pedimos que, na graça do namoro santo, sejam para o mundo testemunhas da santidade por Vós querida, conduzidos pela Vossa Palavra e alimentados pelo Vosso Sacramento da Eucaristia, não se curvem à imposição da cultura do prazer sem maiores compromissos.

Ó Deus, que por Vós abençoados, como namorados, sal da terra e luz do mundo, no seguimento dos ensinamentos recebidos de Vosso amado Filho, com a força e sabedoria do Santo Espírito que neles habitam, tenham os passos orientados e os corações confirmados em Vosso amor. Amém. 

É preciso corresponder ao amor de Deus (SCJ)

                                                       

É preciso corresponder ao amor de Deus

“Oseias, Profeta do amor, canta a fidelidade do Amor de Deus
para com a humanidade e Sua capacidade de perdão”.

Reflitamos sobre o Sagrado Coração de Jesus, à luz da passagem do Livro do Profeta Oseias (Os 11,1.3-4.8c-9),  na qual contemplamos a face misericordiosa de Deus, Sua fidelidade irrevogável que se manifesta no perdão, no convite à conversão.

É sempre imperativo para o profetismo a ser vivido, voltar-se para Deus em absoluta relação de amor com Ele, aprofundando nossa fidelidade aos Seus preceitos, em relacionamentos de gratuidade para com Ele e com nosso próximo. 

A confiança incondicional na Sua presença deve ser sempre acompanhada de frutuosa prática da justiça para que o culto seja a Ele agradável, de modo que, o suor e o sangue, se necessário no chão derramados reguem sementes de um novo amanhecer, tão somente assim o incenso que se sobe no culto, será por Ele aceito.

Profecia é sinal de sangue e suor derramados, incenso ao Deus Vivo e Verdadeiro elevado!

Vejamos o que nos diz o Missal Cotidiano:

“Quando Israel era criança, Eu já o amava, e desde o Egito chamei meu filho... Ensinei Efraim a dar os primeiros passos, tomei-o em meus braços, mas eles não reconheceram que Eu cuidava deles.

Eu os atraía com laços de humanidade, com laços de Amor; era para eles como quem leva uma criança ao colo; e rebaixava-me a dar-lhes de comer. Meu coração comove-se no íntimo e arde de compaixão...” (1)

O Profeta nos convida a refletir, a tomar consciência e abandonar o ignominioso serviço às divindades inexistentes, materializada na adoração muito presente entre nós:

“Hoje gritariam os Profetas contra muitas divindades a quem os cristãos queimam incenso de sua devoção, pretendendo ao mesmo tempo continuar cristãos: a divindade do dinheiro, do sexo, do comodismo e dos bens de consumo, a divindade do carro, da televisão, do estrelismo em todas as formas, esportes, cinema, moda...

‘Afinal de contas, que mal há nisso?’ pergunta-se. O cristão, porém, não deve caminhar levianamente; deve examinar-se, para ver se e em que medida alguma dessas divindades o impede de ter verdadeiro relacionamento com Deus”. (2)

Somente a fidelidade a Deus e Seu Projeto conduzirá a humanidade à verdadeira felicidade, na construção de relacionamentos fundados na prática da justiça, externados em gestos solidários que levem à edificação da fraternidade universal. 

Eclipsá-lo ou afirmar Sua morte, têm sido motivos para o caos em que muitas vezes nos encontramos mergulhados, sem perspectivas utópicas, sem horizontes promissores...

A reflexão do Livro do Profeta Oseias nos leva a tomar uma atitude: ceder ao ignominioso serviço idolátrico voltando-nos contra nós mesmos ou viver na fidelidade e adoração verdadeira do retorno para Deus em absoluta fidelidade a Sua Lei, que se resume no amor a Ele e ao próximo, prelibando a alegria da conversão, do perdão obtido em alegre e verdadeiro louvor a Ele também oferecido.

A idolatria, a infidelidade e a ingratidão para com Deus levam-nos, inevitavelmente, a uma ignominiosa realidade. Indubitavelmente a adoração e o culto a Deus, expressos no amor e no serviço ao próximo, levar-nos-á a prelibação da alegria no mais fundo de nosso coração, onde Ele fez Sua morada.

Ah, o Amor de Deus, como compreendê-lo?
Impossível para nossos critérios e conceitos.
Amor de Deus, mais que compreendido,
Precisa ser correspondido e vivido,
eis o caminho a percorrer e melhor viver!


(1); (2) - Missal Cotidiano - Editora Paulus - pág. 996

Contemplemos o infinito amor e ternura de Deus (SCJ)

                                                       


Contemplemos o infinito amor e ternura de Deus 

Aprofundando sobre a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, reflitamos à luz da  passagem do Livro do Profeta Oseias (Os 11,1-4.8.c-9), uma das mais belas de todo o Antigo Testamento, na qual mediante uma linguagem humana cheia de experiência da intimidade familiar, Deus Se apresenta com o Coração de Pai e Mãe. Já havia Se apresentado com a imagem esponsal, e agora como Pai.

Quanto nos impressiona o Amor de Deus que é diferente do amor humano, pois o Seu ardor é totalmente consumado na misericórdia irrevogável e eterna.

Contemplamos uma das mais ternas imagens para descrever o Amor de Deus por nós, o carinho e cuidado materno e paterno que tem para conosco, Seus filhos.

De santidade infinita, o Senhor Deus é o “totalmente outro” do homem e da mulher, e assim Sua fidelidade é eterna, e Seu amor e perdão são sempre possíveis.

Deus sendo totalmente outro, é o mais belo e puro e eterno Amor, que acolhe, acompanha, perdoa, renova, recria, reconduz... Deus exige tão apenas amor, porque de fato, amor exige amor, e não amor qualquer, mas um amor fiel.

Concluindo, vejamos o que nos diz o Lecionário Comentado sobre esta passagem:

“Há quem diga que, de calcar a mão sobre a bondade e misericórdia de Deus, corre-se o risco de debilitar a mensagem cristã e tornar vazia a própria vida cristã, a tal ponto é sempre possível o perdão...

Mas nossa própria experiência humana nos diz que não pode ser assim. Um perdão forte, generoso, que procura redimir, muitas vezes vence a ofensa; trará o filho ao pai, o esposo à esposa. Ainda, porém, que nunca se dê isso entre os homens (o que não é verdade), dá-se entre Deus e nós. Amor exige amor. E amor fiel.” 

Concluindo:

Todos os tons e vocábulos do amor (esponsal, amigável, paterno/materno) são utilizados pelo Profeta (Oseias) para exprimir o que é inexprimível, isto é, a ternura infinita do Deus enamorado loucamente do homem [...] o amor é contagioso e pede amor: e eis que o nosso programa de vida, necessariamente missionário, porque quem recebe deve dar – tem por modelo Jesus e Seu Ministério (Evangelho do dia Mt 10,7-15).” (1)

Contemplemos a ternura infinita do Deus, enamorado loucamente do homem, como Oseias tão bem nos apresenta.


(1) Lecionário Comentado - Editora Paulus - Lisboa - 2011 - pp.693-694.

Senhor Jesus, manso e humilde de coração (SCJ)

                                                        

Senhor Jesus, manso e humilde de coração

Senhor Jesus, manso e humilde de coração, sentimos, por vezes, nossa pequenez e fragilidade por diversos motivos, internos e externos, enquanto caminhamos peregrinos longe de Vós, tão próximo de nós.

Senhor Jesus, manso e humilde de coração, nestes momentos podemos, humanamente, sentir-nos perturbados, porém sabemos que podemos confiar em Vós, que prometestes nunca nos deixar órfãos.

Senhor Jesus, manso e humilde de coração, ajudai-nos a compreender que, no sofrimento, participamos em Sua Paixão para participar em Sua Vida; sofrendo, comunicamos vida aos outros; e quando somos fracos, então é que somos fortes.

Senhor Jesus, manso e humilde de coração, ajudai-nos, para que, em nossa pequenez e imperfeição, venhamos a dar a Vós o que de melhor pudermos, do melhor modo possível, testemunhando a fé com palavras e ações.

Senhor Jesus, manso e humilde de coração, se ao praticar o bem, nos sentirmos frágeis, e no mal parecermos fortes, ajudai-nos a redescobrir que a verdadeira força somente pode vir de Vós, que agis através da fraqueza humana, para que advenha maior glória para Deus.

Senhor Jesus, manso e humilde de coração, que morrestes e Ressuscitastes para nos comunicar vida plena e definitiva, ajudai-nos para que, como Igreja, anunciemos a ação e presença de Deus, na fidelidade ao Vosso Pai, na comunhão com Vosso Espírito.

Senhor Jesus, manso e humilde de coração, num mundo por vezes marcado pela cultura da morte, até mesmo acreditando e proclamando que Deus “morreu”; ajudai-nos, como Igreja, a proclamar o amor no meio do ódio, a fraternidade entre todos. Amém.


Fonte: Missal Cotidiano – Editora Paulus – p.892;  passagens  Bíblicas: 2 Cor 4,7-15; Mt 11,28-30

O Sacratíssimo Coração e o Santíssimo Sacramento (SCJ)

                                                        

O Sacratíssimo Coração e o Santíssimo Sacramento

Celebraremos a Festa do Sagrado Coração de Jesus, fornalha ardente de caridade; um coração trespassado do qual jorrou Sangue e Água, prefigurando nosso Batismo e a Eucaristia, nosso salutar Alimento de eternidade.

Retomemos a reflexão de Dom Murilo, muito oportuna para esta Festa:

“1ª pergunta: O que Jesus Eucarístico nos oferece?
Ele nos oferece um caminho de vida e de espiritualidade.

Lemos no livro do Deuteronômio: “Lembra-te de todo o caminho por onde o Senhor teu Deus te conduziu” (Dt 8,2).

Para Moisés, a peregrinação dos hebreus pelo deserto, ao longo de quarenta anos, serviu para o Senhor por Seu povo à prova, saber o que tinha no coração e se observaria ou não os Mandamentos Divinos.

Essa longa travessia tornou-se uma referência para todos que viveram no Antigo Testamento. Pouco a pouco, o povo escolhido foi tomando consciência de que a causa de sua desgastante e a cansativa peregrinação foi o esquecimento de Deus.

Quando o Senhor é esquecido, multiplicam-se, imediatamente, bezerros de ouro, que passam a ser adorados.

Séculos depois, Jesus se apresentaria como “caminho” (“Eu sou o caminho...”).

Nos Atos dos Apóstolos, por cinco vezes aparece essa palavra para expressar a Projeto de vida apresentado por Jesus. Ser Seu discípulo é seguir o Caminho.

Atualmente, somos convidados a nos lembrar de que nas estradas que percorremos há “Alguém” que nos acompanha, mesmo que, como aconteceu com os discípulos de Emaús, Sua presença não seja logo percebida.

Na Eucaristia, Jesus nos convida a nos unirmos a Ele. Porque sabe que sozinhos não iremos longe, Ele nos oferece “o Pão descido do céu” (Jo 6,5). Ele próprio é esse Pão.

É um privilégio receber como Alimento o próprio Filho de Deus – privilégio e graça. Afinal, só Ele pode nos dar o perdão dos pecados, a salvação e a vida eterna. Desgraça suprema é viver eternamente longe de Deus.

2ª pergunta: O que Jesus Eucarístico espera de nós?
“Não te esqueças do Senhor teu Deus que te fez sair do Egito!”, lemos no Deuteronômio (8,14).

Pecar é esquecer-se de Deus; é construir uma vida sem referência a Ele; é ignorar Seus Mandamentos; é seguir um caminho próprio. Em nossa época, mais e mais secularizada, pretende-se justamente isto: construir um mundo sem referência ao Criador.

A participação na Eucaristia exige de nós uma abertura para o outro: não podemos amar a Deus, que não vemos, se não amamos o irmão que está ao nosso lado.

Somos chamados a buscar a unidade entre nós, pois o mesmo Cristo que nos alimenta e nos transforma, alimenta e transforma nossos irmãos:

“Porque há um só Pão, nós todos somos um só corpo” (1Cor 10,17). Não podemos ficar indiferentes às divisões em nossa família e em nossas comunidades. Tais divisões nascem do egoísmo, do ciúme e do ódio ciosamente guardado nos corações.

Quem recebe o Senhor deve viver segundo Seus Ensinamentos, acolher quem é amado por Ele e ter sentimentos que Ele possa ter em nós.

3ª pergunta: O que podemos oferecer a Jesus Sacramentado?
Podemos lhe oferecer nossa acolhida: Jesus, esta cidade é Tua. Entra na casa de cada filho e filha desta cidade; também na casa daqueles que não Te conhecem e, por isso, não Te amam!

Somos chamados a lhe oferecer nosso coração: Jesus, meu coração é Teu. É inconstante, é pobre, mas é o que tenho. Toma conta dele e transforma-o segundo o Teu coração, manso e humilde!

Mais do que tudo, devemos adorá-Lo no Santíssimo Sacramento, unindo-nos a todos aqueles que, ao longo dos 465 anos da história desta cidade, O adoraram.” (1)

Como estabelecer a relação da Eucaristia com o Sagrado Coração de Jesus, a partir das três questões apresentadas:

- O que Jesus Eucarístico nos oferece?
- O que Jesus Eucarístico espera de nós?
- O que podemos oferecer a Jesus Sacramentado?

Celebrando a Festa do Sagrado Coração de Jesus, reflitamos:

- O que O Sagrado Coração de Jesus nos oferece?
- O que O Sagrado Coração de Jesus espera de nós?
- O que podemos oferecer ao Coração de Jesus?

Ao concluir, repitamos com o coração sintonizado com o mais belo Coração:

- “Jesus, manso e humilde de coração, fazei nosso coração semelhante ao Vosso”; e ainda:

- “Sagrado Coração de Jesus, fazei o nosso coração semelhante ao Vosso”.

  

(1) Reflexão feita pelo Arcebispo de Salvador, Dom Murilo S. R. Krieger,  quando da realização da Festa de Corpus Christi - (2014).

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