quarta-feira, 6 de maio de 2026

O Esplendor da Verdade

                                                               

O Esplendor da Verdade

“Fazei brilhar sobre nós, Senhor,
a luz da vossa face” (Sl 4,7).

Reflitamos sobre uma temática de extrema atualidade: a questão ética; em que ela consiste e quais são os caminhos éticos que devemos trilhar para que construamos uma sociedade justa, fraterna e solidária.

Dentre as possíveis luzes que o Magistério da Igreja nos oferece, destaco a Encíclica “Veritatis Splendor” do Papa São João Paulo II (1993): “O Esplendor da Verdade brilha em todas as obras do Criador, particularmente no homem criado à imagem e semelhança de Deus (cf. Gn 1,26): a verdade ilumina a inteligência e modela a liberdade do homem, que, deste modo, é levado a conhecer e amar o Senhor. Por isso, reza o salmista: ‘Fazei brilhar sobre nós, Senhor, a luz da vossa face’” (Sl 4,7).

O Papa nos questiona sobre a impossibilidade da indiferença diante de questões fundamentais como: “Que devo fazer? Como discernir o bem do mal?”, e acentua que a resposta somente é possível graças ao esplendor da verdade, que brilha no íntimo do espírito humano.

Urge pautar a questão da questão ética em todos os âmbitos de nossa existência: na política, na realidade da juventude, na dramática situação da saúde pública, e, sobretudo nos espaços na Igreja, pois, como discípulos missionários do Senhor, a ética deve nortear o nosso agir, de modo que o serviço realizado seja a mais cândida expressão do amor que nos move, e isto já nos alegra e nos basta.

Sempre com o desejo de ver brilhar sobre nós a luz da face do Senhor, é importante conhecer e dizer não aos sete pecados capitais (soberba, avareza, luxúria, ira, inveja, gula, preguiça), e abertura aos sete dons do Espírito Santo (sabedoria, entendimento, conselho, fortaleza, ciência, temor e piedade), para que a luz do Senhor, verdadeiramente, brilhe em nossa face.

Olhando para o horizonte da evangelização na cidade, sejamos sempre conduzidos pelas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora no Brasil recentemente aprovada na Assembleia dos Bipos, e brevemente em nossas mãos (2026-2032).

Sendo evangelizar a essência da missão da Igreja, cumprindo o mandato do Senhor, e a partir dele, iluminados pela Palavra Divina, não podemos ficar indiferentes ao que acontece dentro e fora da Igreja, mas como uma Igreja discípula, missionária, profética e misericordiosa, unidos com todas as pessoas de boa vontade, reencontrar os princípios éticos que assegurem uma vida mais digna e plena, a caminho do Reino definitivo.

Evidentemente, a ética cristã que norteia nossa vida e ação, é o Mandamento do amor a Deus e ao próximo como a si mesmo, Mandamentos inseparáveis, como assim afirmou o Senhor: “O primeiro Mandamento é este: ‘Ouça ó Israel! O Senhor nosso Deus é o único Senhor. Ame o Senhor teu Deus com todo o seu coração, com toda a sua alma, com toda a sua mente, com toda a sua força’. O segundo é: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’. Não existe outro mandamento maior do que estes.’” (Mc 12,28-31).

Por uma autêntica Identidade Cristã!

                                                   

Por uma autêntica Identidade Cristã!

Sejamos enriquecidos pela Carta escrita a “Diogneto” (século II):

“Os cristãos não se diferenciam dos outros homens nem pela pátria nem pela língua nem por um gênero de vida especial.

De fato, não moram em cidades próprias, nem usam linguagem peculiar, e a sua vida nada tem de extraordinário.

A sua doutrina não procede da imaginação fantasista de espíritos exaltados, nem se apoia em qualquer teoria simplesmente humana, como tantas outras.

Moram em cidades gregas ou bárbaras, conforme as circunstâncias de cada um; seguem os costumes da terra, quer no modo de vestir, quer nos alimentos que tomam, quer em outros usos; mas o seu modo de viver é admirável e passa aos olhos de todos por um prodígio.

Habitam em suas pátrias, mas como de passagem; têm tudo em comum como os outros cidadãos, mas tudo suportam como se não tivessem pátria.

Todo país estrangeiro é sua pátria e toda pátria é para eles terra estrangeira.
Casam-se como toda gente e criam seus filhos, mas não rejeitam os recém-nascidos. Têm em comum a mesa, não o leito. São de carne, porém, não vivem segundo a carne.

Moram na terra, mas sua cidade é no céu. Obedecem às leis estabelecidas, mas com seu gênero de vida superam as leis. Amam a todos e por todos são perseguidos.

Condenam-nos sem os conhecerem; entregues à morte, dão a vida.
São pobres, mas enriquecem a muitos; tudo lhes falta e vivem na abundância.

São desprezados, mas no meio dos opróbrios enchem-se de glória; são caluniados, mas transparece o testemunho de sua justiça. Amaldiçoam-nos e eles abençoam. Sofrem afrontas e pagam com honras.

Praticam o bem e são castigados como malfeitores; ao serem punidos, alegram-se como se lhes dessem a vida.

Os judeus fazem-lhes guerra como a estrangeiros e os pagãos os perseguem; mas nenhum daqueles que os odeiam sabe dizer a causa do seu ódio.

Numa palavra: os cristãos são no mundo o que a alma é no corpo.
A alma está em todos os membros do corpo; e os cristãos em todas as cidades do mundo.

A alma habita no corpo, mas não provém do corpo; os cristãos estão no mundo, mas não são do mundo.

A alma invisível é guardada num corpo visível; todos veem os cristãos, pois habitam no mundo, contudo, sua piedade é invisível. A carne, sem ser provocada, odeia e combate a alma, só porque lhe impede o gozo dos prazeres; o mundo, sem ter razão para isso, odeia os cristãos precisamente porque se opõem a seus prazeres.

A alma ama o corpo e seus membros, mas o corpo odeia a alma; também os cristãos amam os que os odeiam.

Na verdade, a alma está encerrada no corpo, mas é ela que contém o corpo; os cristãos encontram-se detidos no mundo como numa prisão, mas são eles que abraçam o mundo.

A alma imortal habita numa tenda mortal; os cristãos vivem como peregrinos em moradas corruptíveis, esperando a incorruptibilidade dos céus.

A alma aperfeiçoa-se com a mortificação na comida e na bebida; os cristãos, constantemente mortificados, veem seu número crescer dia a dia.

Deus os colocou em posição tão elevada que lhes é impossível desertar.”

A reflexão desta Carta nos recorda qual é a nossa missão e identidade; bem como a razão de nosso ser, para que vivamos melhor nosso Batismo, a fim de que ndo mundo, a luz sejamos, da terra o sal, da massa o fermento: “Os cristãos são no mundo o que a alma é no corpo.” 

Deste modo, a melhor resposta a esta Carta, que também a nós dirigida é:

- A revisão de nossa conduta, atitudes, comportamentos;
- Fidelidade a princípios na coerência entre a fé e a vida;

- Fazer das virtudes divina (fé, esperança e amor) fundamentos de nossa vida;
- Viver o caminho de santidade;

- Compromoter-se com a causa do Reino, valor absoluto! 
- Criar, na misericórdia, laços de sadia fraternidade;

- Lutar, para que não haja mais dor, lamento, morte e luto;
- Refletir e avaliar nossa Identidade, para que sejamos, de fato, luz do mundo, lançando raios de ternura, e também, sal da terra, sal, que dá gosto de eternidade;

- Ser, mais que de fato, fermento da Verdade mais pura: Jesus Cristo! Amém, Aleluia!

PS: Liturgia das Horas Vol. II - p. 757 e 758.

Nada podemos sem Jesus

                                                     

Nada podemos sem Jesus

Acolhamos o comentário de Santo Agostinho, referente ao Evangelho de João (Jo 15), no qual Jesus Se apresenta como a Videira e, dela, somos os ramos.

“Portanto, todos nós, unidos a Cristo, nossa Cabeça, somos fortes, mas, separados da nossa Cabeça, não valemos nada [...]. Porque, unidos à nossa Cabeça, somos Videira; sem a nossa Cabeça [...], somos ramos cortados, destinados não ao uso dos agricultores, mas ao fogo. Por isso Cristo diz no Evangelho: Sem mim não podeis fazer nada. Ó Senhor! Sem ti, nada; contigo, tudo [...]. Sem nós, Ele pode muito ou, melhor, tudo; nós sem Ele, nada”.

Todos temos projetos, sonhos, metas a serem alcançadas. A Igreja tem seus Planos Pastorais, desafios que clamam por respostas: profecia a ser revigorada; missão a ser renovada em ardor indispensável; evangelização que não se acomode aos velhos métodos, mas incansável em buscar novos métodos, expressões, meios para que a Boa Nova do Evangelho chegue a tantos que ainda não conhecem Jesus.

Reflitamos:

- Como comunicar o Evangelho, como Boa Nova que transforma e compromete com um Mundo Novo, sinalizando a alegria da presença do Reino de Deus em nosso meio?

- Como se colocar frente ao indiferentismo religioso e ao número dos que se declaram sem religião que cresce e nos preocupa?

- Como, diante de uma mentalidade secular, manter a fidelidade ao Evangelho nas pequenas e grandes, antigas e novas questões que vão surgindo?

- Como ser Boa Nova para o mundo sem trair o Evangelho?

Mais do que nunca a Igreja, Mãe e Mestra, perita em humanidade, como aprendemos, deve permanecer fiel Àquele que a edificou sobre a fé de Pedro (Mt 16,18), não se conformando a este mundo (Rm 12,2), e sem jamais se envergonhar do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, como bem falou o Apóstolo aos Romanos (Rm 1).

Jamais trair o Evangelho para se acomodar aos tempos. Jamais perder a graça de ser sal, fermento e luz, ainda que incompreensões, perseguições tenha que enfrentar. Assim foi, assim o será, já nos disse o Senhor quando do Sermão da Montanha (Mt 5,1-12).

Bem disse Santo Agostinho e nós cremos e rezamos:

“Ó Senhor! Sem ti, nada; contigo, tudo [...].
Sem nós, Ele pode muito ou, melhor, tudo;
nós sem Ele, nada”.

Que as Palavras de Cristo permaneçam em nós

                                         



Que as Palavras de Cristo permaneçam em nós

Sejamos enriquecidos pelo comentário sobre o Evangelho de São João, escrito pelo bispo Santo Agostinho:

“Se permanecerdes em Mim, diz o Senhor, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes e ser-vos-á concedido. Quem permanece em Cristo, que pode querer senão o que agrada a Cristo? Quem permanecem no Salvador, que pode querer senão o que não é alheio à salvação?

De fato, queremos algumas coisas porque estamos em Cristo, mas queremos outras coisas porque ainda estamos neste mundo. Porque permanecemos neste mundo, somos por vezes impelidos a pedir o que nem sabemos se nos convém. Mas não suceda isto em nós, se permanecemos em Cristo, que, quando pedimos, não faça senão o que nos convém.

Portanto, permanecendo n’Ele, quando as Suas palavras permanecem em nós, pediremos o que queremos e ser-nos-á concedido. Porque se pedimos e não nos é concedido, não pedimos o que permanece n’Ele nem o que está nas Suas palavras que permanecem em nós, mas o que provém da cobiça e da enfermidade da carne, que não está n’Ele e na qual não permanecem as Suas palavras.

Está de acordo com as Suas palavras a oração que Ele mesmo nos ensinou, quando dizemos: Pai nosso, que estais nos céus. Não nos afastemos das palavras e do sentido desta oração nas nossas petições, e ser-nos-á concedido o que pedimos.

Só podemos dizer que as Suas Palavras permanecem em nós, quando fazemos o que Ele nos mandou e amamos o que prometeu. Mas quando as Suas Palavras permanecem na memória e não se encontram no modo de viver, o ramo não está inserido na videira, porque não recebe a vida da raiz.

A esta diferença se pode aplicar o que diz a Escritura: Guardam na memória os seus mandamentos, para os cumprir. Muitos guardam-nos na memória para os desprezar, ou até para os ridicularizar e atacar.

As palavras de Cristo não permanecem naqueles que de algum modo tem contato com elas, mas não aderem a elas. Por isso não serão para eles um benefício, mas um testemunho adverso. E porque estão neles sem permanecerem neles, só as têm para serem julgados por elas...”.

Bem afirmou o bispo – “Só podemos dizer que as Suas Palavras permanecem em nós, quando fazemos o que Ele nos mandou e amamos o que prometeu.”.

Como discípulos missionários do Senhor, devemos nos empenhar para maior fidelidade à Palavra de Deus e, também, para colocá-la em prática, não nos tornando apenas meros ouvintes.

Quanto mais profundo nosso amor pelo Senhor, mais empenho neste propósito. Podemos afirmar que a vivência e testemunho da Palavra de Deus é diretamente proporcional ao amor que por Ele temos e nutrimos.

Oremos:

Senhor Jesus, seja a nossa participação na Mesa da Eucaristia, tempo de graça e fortalecimento deste santo propósito, até que possamos alcançar a glória da eternidade e para sempre imersos no amor da Santíssima Trindade. Amém. Aleluia!

 

“O inverno presente e a primavera futura”

                                                     

“O inverno presente e a primavera futura”

Para aprofundamento da passagem do Evangelho (Jo 15,1-8),  reflitamos sobre um trecho do Comentário de Orígenes (séc. III).

“Toda planta, após a morte do inverno, espera a ressurreição da primavera. Portanto, se também nós somos enxertados na morte de Cristo no inverno deste mundo e da vida presente, verificamos que, na primavera futura, produzimos frutos de justiça sugados da seiva de Sua raiz; e se estamos enxertados em Cristo, será necessário que, como os ramos da Videira verdadeira, o Pai nos pode, Ele que é o agricultor, para que demos fruto abundante” (1).

Estamos vivendo o tempo do “inverno deste mundo”, mas a fé cultivada alimenta nossa esperança de que haverá a “primavera futura”, com frutos abundantes.

No entanto, as podas se fazem necessárias, para que mais frutos produzamos, e assim, mais ainda a caridade seja expressa em gestos concretos de amor e solidariedade.

Nutrimos nossa fé, esperança e caridade com a Seiva do Amor que nos vem do Espírito.

Nisto consiste a vida dos discípulos missionários: passar do inverno deste mundo e da vida presente à primavera futura, suportando, com maturidade, as podas necessárias, certos de que não nos falta a Seiva do Amor do Deus, por meio do Seu Espírito, que é abundantemente derramado em nossos corações.

Oremos:

Ó Deus, que nos inseristes em Cristo como ramos na verdadeira vide, dai-nos o Vosso Espírito, para que amando-nos uns aos outros com sincero amor, nos tornemos primícias de uma Humanidade nova e produzamos frutos de santidade e de paz” (2). Amém!


(1)         Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 – p.355
(2) Lecionário Comentado – Editora Paulus – Lisboa – 2011 – Vol. Quaresma/Páscoa – p.533

terça-feira, 5 de maio de 2026

Anunciar e testemunhar a vida Nova do Ressuscitado

                                      

Anunciar e testemunhar a vida Nova do Ressuscitado
“É preciso que passemos por muitos sofrimentos para entrar no Reino de Deus” (At 14,22)
 
A Liturgia da terça-feira da quinta Semana do Tempo da Páscoa nos apresenta na primeira Leitura, a passagem do Livro dos Atos dos Apóstolos (At 14,19-28), que retrata o fim da primeira viagem missionária de Paulo e Barnabé.
 
A missão do anúncio e do testemunho do Ressuscitado tem traços fundamentais:
 
- O entusiasmo necessário para vencer os perigos e as dificuldades para o anúncio da boa nova;
 
- A comunicação de palavras de consolação para fortalecimento da fé da comunidade confiada;
 
- O necessário apoio mútuo;
 
- A Oração e a consciência de que a missão não é obra puramente humana, mas de iniciativa divina, tendo Deus como autor autêntico da conversão, sob a ação e iluminação do Espírito Santo.
 
Reflitamos:
- De que modo vivemos o Novo Mandamento do Amor que o Senhor nos ordenou?
 
- Somos uma comunidade missionária, indo ao encontro daqueles que não conhecem ainda a Boa Nova do Ressuscitado?
 
É tempo de amar como Jesus ama; somente assim nossa vida terá sentido e a alegria Pascal transbordará verdadeiramente em nosso coração, e seremos fiéis à missão que Ele nos confiou. 
 
Que o Espírito Santo nos acompanhe em todo o tempo na graça da missão Evangelizadora, renovando nossa coragem e fidelidade.  Amém. Aleluia!

“Deixo-vos a minha paz, a minha paz vos dou...”

                                                          

“Deixo-vos a minha paz, a minha paz vos dou...”

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de João (Jo 14,27-31a), em que Jesus diz aos Seus discípulos, num contexto de despedida, pois é iminente o Mistério de Sua Paixão e Morte:

“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; mas não a dou como o mundo. Não se perturbe nem se intimide o vosso coração” (Jo 14,27).

Será, portanto, a missão dos apóstolos continuar a missão de Jesus Cristo, comunicar o “Shalom”, como instrumentos da paz, da vida nova, da comunhão a ser vivida com Deus e com o próximo - shalom!, que é o próprio Jesus, como já anunciara o Profeta Isaías:

“Pois nasceu para nós um pequenino, um filho nos foi dado. O principado está sobre Seus ombros e Seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai para sempre, Príncipe da Paz, e a paz não terá fim sobre o trono de Davi e Seu Reino, para estabelecê-lo e confirma-lo no direito e na justiça desde agora e para sempre. O zelo do Senhor dos exércitos o fará” (Is 9,5-6).

Verdadeiramente, Jesus Cristo é a nossa paz, nosso Shalom, plenitude de vida que veio ao nosso encontro, assumindo nossa humanidade, fragilidade, para nos presentear com a Sua divindade; e ainda mais dar a Sua vida na expressão máxima de amor, morrendo na crudelíssima morte de Cruz, mas o Pai O Ressuscitou.

“Shalom” expressa, portanto, riqueza inesgotável, pois significa a plenitude de vida e de Salvação que é o próprio Jesus, e assim a comunidade deve crescer no amor mútuo, em perfeição e alegria.

Alcançará êxito em sua missão e se empenhará em estabelecer relações de harmonia, serenidade, tranquilidade, confiança, afinal o Ressuscitado Se faz presente em seu meio.

Contemplemos a vida e ação de Jesus, que fazia resplandecer Sua divindade, assim como manifestavam Sua humanidade, e como discípulos d’Ele sejamos promotores da paz, pois tão somente assim seremos chamados filhos de Deus, como Ele mesmo nos falou no Sermão da Montanha:

“Bem-Aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5,9).

O Cardeal J. Suenens assim nos fala sobre Jesus, Homem-Deus, um de nós, exceto no pecado:

“Jesus teve fome e sede (Mt 4,2; 21,18); (Jo 4,7; 19,28), é sujeito ao cansaço (Jo 4,6), faz amizades, chora Lázaro (Jo 11,35), tem compaixão das multidões (Mt 10,36), ou Se enche de alegria diante das manifestações de amor do Pai (Lc 10,21).

Aproxima-Se dos homens com uma simplicidade e uma autoridade impressionantes: os pecadores, os doentes, os que sofrem, n'Ele encontram a compreensão que buscam e ao mesmo tempo o apelo enérgico que os converte.

Entrega-Se, cada dia, à missão que Lhe foi confiada pelo Pai, desde a tentação no deserto até a suprema entrega no Horto das Oliveiras, onde contemplamos a profundidade humana de Seu sofrimento e de Sua adesão ao Pai e a Sua vontade”. (1)

Quando a comunidade dos discípulos reaprende a amar, capacita-se para a missão de paz, e então, se torna sal da terra, luz do mundo e fermento na massa, de modo que a não vivência ou a recusa do amor impede que a paz aconteça, paz que nos é dada como dom divino, compromisso humano inadiável.

Reflitamos:

-  Como Igreja ,de que modo estamos a serviço da promoção da paz?
-  Como vivemos a graça da missão de comunicar a Paz que Jesus nos dá?

Vivendo o Tempo Pascal, renovemos a alegria por sermos plenificados de todos os dons que o Ressuscitado nos comunica, na espera da Celebração da vinda de Seu Espírito, que conduz, anima, revigora a Igreja, para continuar a Sua Missão.

(1) Missal Dominical - Editora Paulus - p.72

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