quarta-feira, 29 de abril de 2026

Suplicamos a Sabedoria Divina

                                                      


Suplicamos a Sabedoria Divina

Ó Deus, por meio do Vosso Filho, venha sobre todos nós, a Sabedoria do Santo Espírito para nos iluminar e nos conduzir, encorajando-nos a fazer com que os progressos no desenvolvimento de formas de inteligência artificial sirvam, acima de tudo para a causa da fraternidade humana e da paz.

Iluminai toda a humanidade, como família humana neste inadiável compromisso, a fim de que a paz seja fruto de relações que reconheçam e acolham o outro na sua dignidade inalienável, e de cooperação e compromisso na busca do desenvolvimento integral de todas as pessoas e de todos os povos.

A Vós, ó Pai, por meio de Jesus na comunhão com o Espírito Santo, unimo-nos em oração ao Papa Francisco, para que o rápido desenvolvimento de formas de inteligência artificial não aumente as  demasiadas desigualdades e injustiças já presentes no mundo, mas contribua para pôr fim às guerras e conflitos e para aliviar muitas formas de sofrimento que afligem a família humana.

Enviai Vosso Espírito de Sabedoria para que os fiéis cristãos, os crentes das várias religiões e os homens e mulheres de boa vontade colaborem harmoniosamente para aproveitar as oportunidades e enfrentar os desafios colocados pela revolução digital, e entregar às gerações futuras um mundo mais solidário, justo e pacífico. Amém.

 

PS: Fonte inspiradora – Mensagem do Santo Padre Francisco para a Celebração do Dia Mundial da Paz - 1º de janeiro de 2024 – “Inteligência artificial e paz”.

https://www.vatican.va/content/francesco/pt/messages/communications/documents/20240124-messaggio-comunicazioni-sociali.html

Por uma autêntica Identidade Cristã!

                                                           

Por uma autêntica Identidade Cristã!

Sejamos enriquecidos pela Carta escrita a “Diogneto” (século II):

“Os cristãos não se diferenciam dos outros homens nem pela pátria nem pela língua nem por um gênero de vida especial.

De fato, não moram em cidades próprias, nem usam linguagem peculiar, e a sua vida nada tem de extraordinário.

A sua doutrina não procede da imaginação fantasista de espíritos exaltados, nem se apoia em qualquer teoria simplesmente humana, como tantas outras.

Moram em cidades gregas ou bárbaras, conforme as circunstâncias de cada um; seguem os costumes da terra, quer no modo de vestir, quer nos alimentos que tomam, quer em outros usos; mas o seu modo de viver é admirável e passa aos olhos de todos por um prodígio.

Habitam em suas pátrias, mas como de passagem; têm tudo em comum como os outros cidadãos, mas tudo suportam como se não tivessem pátria.

Todo país estrangeiro é sua pátria e toda pátria é para eles terra estrangeira.
Casam-se como toda gente e criam seus filhos, mas não rejeitam os recém-nascidos. Têm em comum a mesa, não o leito. São de carne, porém, não vivem segundo a carne.

Moram na terra, mas sua cidade é no céu. Obedecem às leis estabelecidas, mas com seu gênero de vida superam as leis. Amam a todos e por todos são perseguidos.

Condenam-nos sem os conhecerem; entregues à morte, dão a vida.
São pobres, mas enriquecem a muitos; tudo lhes falta e vivem na abundância.

São desprezados, mas no meio dos opróbrios enchem-se de glória; são caluniados, mas transparece o testemunho de sua justiça. Amaldiçoam-nos e eles abençoam. Sofrem afrontas e pagam com honras.

Praticam o bem e são castigados como malfeitores; ao serem punidos, alegram-se como se lhes dessem a vida.

Os judeus fazem-lhes guerra como a estrangeiros e os pagãos os perseguem; mas nenhum daqueles que os odeiam sabe dizer a causa do seu ódio.

Numa palavra: os cristãos são no mundo o que a alma é no corpo.
A alma está em todos os membros do corpo; e os cristãos em todas as cidades do mundo.

A alma habita no corpo, mas não provém do corpo; os cristãos estão no mundo, mas não são do mundo.

A alma invisível é guardada num corpo visível; todos veem os cristãos, pois habitam no mundo, contudo, sua piedade é invisível. A carne, sem ser provocada, odeia e combate a alma, só porque lhe impede o gozo dos prazeres; o mundo, sem ter razão para isso, odeia os cristãos precisamente porque se opõem a seus prazeres.

A alma ama o corpo e seus membros, mas o corpo odeia a alma; também os cristãos amam os que os odeiam.

Na verdade, a alma está encerrada no corpo, mas é ela que contém o corpo; os cristãos encontram-se detidos no mundo como numa prisão, mas são eles que abraçam o mundo.

A alma imortal habita numa tenda mortal; os cristãos vivem como peregrinos em moradas corruptíveis, esperando a incorruptibilidade dos céus.

A alma aperfeiçoa-se com a mortificação na comida e na bebida; os cristãos, constantemente mortificados, veem seu número crescer dia a dia.

Deus os colocou em posição tão elevada que lhes é impossível desertar.”

A reflexão desta Carta nos recorda qual é a nossa missão e identidade; bem como a razão de nosso ser, para que vivamos melhor nosso Batismo, a fim de que ndo mundo, a luz sejamos, da terra o sal, da massa o fermento: “Os cristãos são no mundo o que a alma é no corpo.” 

Deste modo, a melhor resposta a esta Carta, que também a nós dirigida é:

- A revisão de nossa conduta, atitudes, comportamentos;
- Fidelidade a princípios na coerência entre a fé e a vida;
- Fazer das virtudes divina (fé, esperança e amor) fundamentos de nossa vida;
- Viver o caminho de santidade;
- Compromoter-se com a causa do Reino, valor absoluto! 
- Criar, na misericórdia, laços de sadia fraternidade;
- Lutar, para que não haja mais dor, lamento, morte e luto;
- Refletir e avaliar nossa Identidade, para que sejamos, de fato, luz do mundo, lançando raios de ternura, e também, sal da terra, sal, que dá gosto de eternidade;
- Ser, mais que de fato, fermento da Verdade mais pura: Jesus Cristo! Amém, Aleluia!

PS: Liturgia das Horas Vol. II - p. 757 e 758.

Cremos em Jesus Cristo, o Filho de Deus

                                                          

Cremos em Jesus Cristo, o Filho de Deus

Cremos que, pelo Espírito Santo, o Filho do homem nasceu da Virgem Maria como nossa cabeça; pelo mesmo Espírito, nós também renascemos na fonte batismal, como filhos de Deus e membros do Corpo de Cristo.

Cremos que Ele nasceu livre de todo o pecado, e quanto a nós,  renascemos pela remissão de nossos pecados: mortos para o pecado e vivos para Deus (Rm 6,11).

Cremos em Jesus Cristo, verdadeiramente Homem, verdadeiramente Deus. Um homem feliz é Cristo, que nos assegura a verdadeira felicidade, pois dela é inesgotável a Divina Fonte.

Cremos que, assim como a cabeça e o corpo formam um só homem, assim o Filho da Virgem e Seus membros escolhidos formam um só homem e um só Filho do homem. Cristo completo e total, Ele a cabeça e nós, Sua Igreja, o Seu Corpo, pois Cristo é total.

Cremos em Jesus, a cabeça, unido ao Seu corpo, a Igreja, assim como todos os membros juntos constituem um só corpo unido à Sua cabeça, como Jesus assim rezou: “Quero, Pai, que assim como Eu e tu somos um, também eles sejam um em nós” (cf. Jo 17,21).

Cremos que o Filho de Deus está unido com Deus por natureza, e assim o Filho do homem está unido como Filho de Deus, numa só pessoa; por sua vez, os membros do seu corpo estão unidos a Ele sacramentalmente.

Cremos que Ele é, por natureza, Filho de Deus e nós, como membros, somos por participação, e assim, o que Ele é em plenitude, nós o somos parcialmente.

Cremos que o Filho de Deus é por geração, e nós, membros, somos por adoção, como está escrito: “Recebestes um espírito de filhos adotivos, no qual todos clamamos: Abá – ó Pai’’ (Rm 8,15).

Cremos que este Espírito nos deu a capacidade de nos tornarmos filhos de Deus (Jo 1,12), para que o primogênito de muitos irmãos pudesse nos ensinar e dizer: “Pai nosso que estais nos céus’ (Mt 6,9), e ainda, “‘Subo para junto do meu Pai e vosso Pai” (Jo 20,17).

Cremos que, na cruz, Ele tomou sobre Seu corpo de carne os pecados de todo o corpo, do mesmo modo, pela graça da regeneração, concedeu ao Seu corpo espiritual que não lhe fosse atribuído nenhum pecado, como está escrito: ‘Feliz o homem a quem o Senhor não acusa de pecado’ (Sl 31,2).

Cremos que, enquanto cabeça do Cristo místico, é Deus e perdoa os pecados; enquanto cabeça do corpo, é o Filho do homem, nada tendo que Se lhe deva perdoar; e enquanto o corpo da cabeça é formado por muitos, nada se lhe atribui.

Cremos que Ele é justo em Si mesmo e justifica-se a Si mesmo, nosso Redentor, que tomou sobre Seu corpo, na cruz, os pecados daquele corpo que Ele purifica por meio da água do Batismo, e continua salvando pela Cruz e pela água.

Cremos que Ele é o Cordeiro de Deus que tira e carrega o pecado do mundo (Jo 1,29), e assim é, ao mesmo tempo, sacerdote e vítima do sacrifício, Altar e Cordeiro.

Cremos, finalmente, que Ele é Deus; oferecendo-Se a Si mesmo, por Si reconciliou-Se consigo mesmo, com o Pai e com o Espírito Santo. Amém.



PS: “Profissão de Fé” à luz de um dos Sermões do Bem-aventurado Isaac, abade do Mosteiro de Stella (Séc. XII), em que nos apresenta Jesus Cristo, o primogênito de muitos irmãos - Liturgia das Horas - Volume II - Tempo Quaresma/Páscoa  - p. 771-772

Simplesmente por amor...

                                                                

Simplesmente por amor...

“Com o fogo do Teu amor acendes
os nossos corações com o desejo de Te amar...”

Retomemos um trecho da Carta de Santa Catarina de Sena, Doutora da Igreja - (1347-1380), dirigida a Bartolomea, esposa de Salviato de Lucca.

Abraça Jesus Crucificado, Amante e Amado... Abraça, portanto, Jesus Crucificado elevando a Ele o olhar do teu desejo! Toma em consideração o Seu Amor ardente por ti, que levou Jesus a derramar Sangue de todas as partes do Seu corpo!

Abraça Jesus Crucificado, Amante e Amado e n’Ele encontrarás a verdadeira vida, porque Ele é Deus que Se fez homem.

Que o teu coração e a tua alma ardam pelo fogo do Amor do qual foi coberto Jesus cravado na Cruz!

Tu deves, portanto, tornar-te amor, olhando para o Amor de Deus, que tanto te amou, não porque te devesse obrigação alguma, mas por um puro dom, impelido somente pelo Seu inefável Amor.

Oh inestimável Amor! Tu nos iluminas com a Tua sabedoria para que nos possamos conhecer a nós mesmos, conhecer a Tua verdade e os enganos sutis do demônio.

Quem possui o Amor de Deus, n’Ele encontra tanta alegria que cada amargura se transforma em doçura e cada grande peso se torna leve. Doce Jesus, Amor Jesus.

Com o fogo do Teu amor acendes os nossos corações com o desejo de Te amar e de Te seguir na verdade. Só Tu és o Amor, somente digno de ser amado!”

Esta Carta é oportuna para nossa espiritualidade no seguimento de Jesus, como alegres e apaixonados discípulos missionários do Senhor, simplesmente por amor.

Notemos a insistência nas palavras Amor e Amar, direta ou indiretamente.

O amor nos revela a essência da fé cristã, a essência da vida. Por isto Nosso Senhor nos deu o mais belo e irrevogável de todos os Mandamentos: “Amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei”.

A verdadeira medida de nosso amor, bem como sua altura, largura e profundidade, tem que ultrapassar as medidas humanas, para alcançar as medidas divinas testemunhadas no Amor da Cruz de Nosso Senhor!


Reflitamos:

- O que ressalta aos olhos e ao coração meditar a Carta de Santa Catarina de Sena?

- Como tenho vivido o Mandamento do Amor que Nosso Senhor nos deixou: Amar o próximo como Ele amou?

- Santa Catarina, sábia e santa. Quais são as pessoas sábias e santas que fazem parte da nossa história?

Amar a Deus, simplesmente por amor,
Porque antes de amá-Lo,
Ele nos Amou primeiro. 
Amém. Aleluia!

Sábias Mulheres que nos revelam Deus

                                                            

Sábias Mulheres que nos revelam Deus

Dia 29 de abril celebramos a Memória de Santa Catarina de Sena, e temos a oportunidade de sermos enriquecidos pelo seu “Diálogo com a Divina Providência”, que nos é apresentada na Liturgia das Horas.

“Ó Divindade eterna, ó eterna Trindade, que pela união da natureza divina tanto fizeste valer o sangue de Teu Filho Unigênito!

Tu, Trindade eterna, és como um mar profundo, onde quanto mais procuro mais encontro; e quanto mais encontro, mais cresce a sede de Te procurar.

Tu sacias a alma, mas de um modo insaciável.

Porque saciando-se no Teu abismo, a alma permanece sempre sedenta e faminta de Ti, ó Trindade eterna, cobiçando e desejando ver-Te à luz de Tua luz…

Provei e vi em Tua luz com a luz da inteligência, o Teu insondável abismo, ó Trindade eterna, e a beleza de Tua criatura…

Ó abismo, ó Trindade eterna, ó Divindade, ó Mar profundo! Que mais poderias dar-me do que a Ti mesmo? Tu és um fogo que arde sempre e não se consome.

Tu és que consomes por Teu calor todo amor profundo da alma.

Tu és de novo o fogo que faz desaparecer toda frieza e iluminas as mentes com a Tua luz. Com esta luz me fizeste conhecer a verdade.

Espelhando-me nesta luz, conheço-Te como Sumo Bem, o Bem que está acima de todo bem, o Bem feliz, o Bem incompreensível, o Bem inestimável, a Beleza que ultrapassa toda beleza, a Sabedoria superior a toda sabedoria.

Porque Tu és a própria Sabedoria, Tu, o Pão dos anjos, que no fogo da caridade Te deste aos homens.

Tu és a veste que cobre minha nudez; alimenta nossa fome com a Tua doçura, porque és doce, sem amargura alguma. Ó Trindade eterna!”

Catarina de Sena, possuidora de grande amor e preocupação pelas dificuldades da Igreja, nos deixou tão belo e grande testemunho de amor pela mesma, repetindo sempre estas palavras em sua vida agitada e sofrida: “Se morrer, sabeis que morro de paixão pela Igreja”.

Santa Catarina de Sena foi declarada Doutora da Igreja e Padroeira da Itália, pelo Papa São Paulo VI.

Ela nutria profunda paixão por Jesus Cristo, assim como outras tantas “Sábias Mulheres de Deus”, ontem, hoje e sempre, são a manifestação da acolhida e da comunicação da Sabedoria de Deus no mundo.

Viveu no século XIV, num tempo de grandes desafios, dentre eles, a peste e o cisma da Igreja. Teve uma vida simples, de origem pobre e humilde (última de uma família de 25 filhos).

Mulher de grande mística, espiritualidade e oração, que acolheu o sopro do Espírito e enriqueceu a Igreja de seu tempo e de todo o tempo, testemunhou grande amor e cuidado aos doentes, foi incansável reveladora do amor de Deus.

Morreu jovem, aos 33 anos, deixando numerosos escritos de profunda espiritualidade e Cartas de alto valor histórico e religioso.

Encontramos em seus escritos as últimas palavras:

“Do leito de morte, dirigiu ao Senhor esta comovente oração: “Ó Deus eterno!, recebe o sacrifício da minha vida em benefício deste Corpo Místico da Santa Igreja. Não tenho outra coisa para oferecer-te a não ser aquilo que me deste”.

Ressoa em nosso coração as palavras do Papa Bento XVI: “Somente enamorados por Cristo é que poderemos ser Seus discípulos”. 

Reflitamos:

- Com que profundidade mergulhamos no Mistério de Amor da Santíssima Trindade?
- Qual a profundidade de nossa paixão pela Igreja de Cristo?

- Sentimo-nos, como Catarina, enamorados por Cristo?
- Quais são as Sábias Mulheres de Deus em nossas vidas?

- Qual a nossa solicitude para com os pobres, presença de Cristo em nossa vida?

Contemplemos o testemunho de Santa Catarina, e revigoremos nossos passos, na fidelidade ao Senhor, o Caminho e a Verdade, que nos conduz à Vida!

Santa Catarina de Sena, rogai por nós! 


Para maior aprofundamento e enriquecimento, sugiro que confira:

Como é bom e suave o Teu Espírito, Senhor!

                                                          

                    Como é bom e suave o Teu Espírito, Senhor!

Sejamos enriquecidos pelo diálogo da Virgem Santa Catarina de Sena (séc. XIV), Doutora da Igreja, com a Providência divina.

“Com a indizível benignidade de sua clemência, o Pai eterno dirigiu o olhar para esta alma, e começou a falar: ‘Caríssima filha, determinei com firmeza usar de misericórdia para com o mundo e quero providenciar acerca de todas as situações dos homens. Mas o homem ignorante julga levar à morte aquilo que lhe concedo para a vida, e assim se torna muito cruel, para si próprio; no entanto, dele eu cuido sempre. Por isso quero que saibas: tudo quanto dou ao homem provém da suprema providência.

E o motivo está em que, tendo criado com providência, olhei em mim mesmo e fiquei cativo da beleza de minha criatura. Porque foi de meu agrado criá-la com grande providência à minha imagem e semelhança. Mais ainda, dei-lhe a memória para guardar meus benefícios em seu favor, por querer que participasse de meu poder de Pai eterno.

Dei-lhe, além disto, a inteligência para conhecer e compreender na sabedoria de meu Filho a minha vontade, porque sou com ardente caridade paterna o máximo doador de todas as graças. Concedi-lhe também a vontade de amar, participando da clemência do Espírito Santo, para poder amar aquilo que a inteligência visse e conhecesse.

Isto fez minha doce providência. Ser o único capaz de entender e de encontrar seu gozo em mim com alegria imensa na minha eterna visão. E como de outras vezes te falei, pela desobediência de vosso primeiro pai Adão, o céu estava fechado. Desta desobediência decorreram depois todos os males no mundo inteiro.

Para fazer desaparecer do homem a morte de sua desobediência, em minha clemência providenciei, entregando-vos meu Filho unigênito com grande sabedoria, para que assim reparasse vosso dano. Impus-lhe uma grande obediência, a fim de que o gênero humano se livrasse do veneno que se difundira no mundo pela desobediência de vosso primeiro pai. Assim, como que cativo de amor e com verdadeira obediência, correu com toda a rapidez, correu à ignominiosa morte sacratíssima, deu-vos a vida, não pelo vigor de sua humanidade, mas da divindade’".

Como Deus é misericordioso para conosco! Incansavelmente, cuida de nós, ainda que não mereçamos e não percebamos. É próprio do amor de Deus não desistir de nós, porque somos obras de Sua mão, expressão de Seu amor.

Nada teríamos se Deus não nos providenciasse, e tudo é Sua inciativa. Importa reconhecer que tudo que temos é nosso, mas antes de tudo é de Deus. O mundo, a vida, o nosso ser, tudo é de Cristo, e Cristo é de Deus, já nos disse o Apóstolo Paulo.

Deus nos criou, somos obras de Suas mãos. A beleza que temos é a perfeita semelhança com Ele. Criado à Sua imagem e semelhança nos deu a memória, que por vezes mal usamos, não guardamos os benefícios e maravilhas incontáveis que Ele realiza.   

Possuidores de memória, de inteligência, de liberdade, podemos corresponder ou não aos desígnios divinos; fortalecer vínculos com a fonte de nossa vida e aprofundar nossa amizade com Ele, no senhorio sobre todas as coisas.                 

Explicita a inteligência para compreensão de Sua sabedoria para que sua vontade seja conhecida e realizada. Deus é Pai e possui por nós uma “ardente caridade paterna” e é para nós o “doador de todas as graças.” Ainda, nos comunica a ação e a presença do Espírito Santo para “amar aquilo que a inteligência visse e conhecesse”.

Ó quão doce é a providência divina; capaz de derramar e comunicar Seu Amor por nós, ainda que nossos primeiros pais tenham pecado!.

Ressoem três passagens bíblicas:

“Deus amou tanto o mundo  que entregou o Seu Filho único, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16);

Tornando-Se semelhante aos homens e reconhecido em Seu aspecto como um homem abaixou-Se, tornando-Se obediente até a morte, à morte sobre uma Cruz. Por isso Deus soberanamente o elevou e lhe conferiu o nome que está acima de todo nome...” (Fl 2, 1-9);

“Vede que manifestação de amor nos Deu o Pai: sermos chamados filhos de Deus e nós o somos. Se o mundo não nos conhece, é porque não o conheceu” (1 Jo 3,1).

De fato, a onipotência divina tem um rosto e um nome: Jesus, que nos ama até o fim.

Esta onipotência Se revela na impotência da humanidade crucificada por Amor de nós, para nos redimir, reconciliar com Deus e nos tirar da mansão dos mortos, do abismo do pecado, da escuridão, do desamor... Ó Suprema e Divina Santíssima Trindade!

Glorifiquemos a Deus por mulheres tão sábias e tão presentes em nossas comunidades, a exemplo de Santa Catarina de Sena, que nos comunicam as maravilhas das delícias divinas em todos os tempos.

Um diálogo amoroso

                                                     

Um diálogo amoroso
 
Da Virgem Santa Catarina de Sena (séc. XIV), Doutora da Igreja, temos um Diálogo que ela faz com a Providência divina, e que muito nos ajuda a crescer na intimidade com Deus.
 
Assim inicia seu diálogo com Deus:
 
Com a indizível benignidade de Sua clemência, o Pai eterno dirigiu o olhar para esta alma, e começou a falar...”
 
Em seguida, ela nos apresenta o falar da Providência Divina:
 
Caríssima filha, determinei com firmeza usar de misericórdia para com o mundo e quero providenciar acerca de todas as situações dos homens. Mas o homem ignorante julga levar à morte aquilo que lhe concedo para a vida, e assim se torna muito cruel, para si próprio; no entanto, dele Eu cuido sempre.”
 
Como Deus é misericordioso para conosco! Incansavelmente, cuida de nós, ainda que não mereçamos, ainda que não percebamos.
 
“Por isso quero que saibas: tudo quanto dou ao homem provém da suprema providência.”
 
Nada teríamos se Deus não nos providenciasse. Tudo é nosso pela iniciativa de Deus. Importa reconhecer que tudo que temos é nosso, mas antes de tudo é de Deus. O mundo, a vida, o nosso ser, tudo é de Cristo, e Cristo é de Deus, já nos disse o Apóstolo Paulo.
 
“E o motivo está em que, tendo criado com providência, olhei em mim mesmo e fiquei cativo da beleza de minha criatura. Porque foi de meu agrado criá-la com grande providência à minha imagem e semelhança. Mais ainda, dei-lhe a memória para guardar meus benefícios em seu favor, por querer que participasse de meu poder de Pai eterno.”
 
Deus nos criou, somos obras de Suas mãos. A beleza que temos é a perfeita semelhança com Ele. Criado à Sua imagem e semelhança nos deu a memória, que por vezes mal usamos, não guardamos os benefícios e maravilhas incontáveis que Ele realiza.   Possuidores de memória, de inteligência, de liberdade, podemos corresponder ou não aos desígnios divinos; fortalecer vínculos com a fonte de nossa vida e aprofundar nossa amizade com Ele, no senhorio sobre todas as coisas.                 
 
“Dei-lhe, além disto, a inteligência para conhecer e compreender na sabedoria de meu Filho a minha vontade, porque Sou com ardente caridade paterna o máximo doador de todas as graças. Concedi-lhe também a vontade de amar, participando da clemência do Espírito Santo, para poder amar aquilo que a inteligência visse e conhecesse.”
 
Explicita a inteligência para compreensão de Sua sabedoria para que sua vontade seja conhecida e realizada. Deus é Pai e possui por nós uma “ardente caridade paterna” e é para nós o “doador de todas as graças.” Ainda, nos comunica a ação e a presença do Espírito Santo para “amar aquilo que a inteligência visse e conhecesse”.
 
Continua a Doutora:
 
“Isto fez minha doce providência. Ser o único capaz de entender e de encontrar seu gozo em mim com alegria imensa na minha eterna visão. E como de outras vezes te falei, pela desobediência de vosso primeiro pai Adão, o céu estava fechado. Desta desobediência decorreram depois todos os males no mundo inteiro.”
 
Ó quão doce é a providência divina; capaz de derramar e comunicar Seu Amor por nós, ainda que nossos primeiros pais tenham pecado. É próprio do Amor de Deus não desistir de nós, porque somos obras de Sua mão, expressão de Seu amor.
 
“Para fazer desaparecer do homem a morte de sua desobediência, em minha clemência providenciei, entregando-vos meu Filho unigênito com grande sabedoria, para que assim reparasse vosso dano. Impus-lhe uma grande obediência, a fim de que o gênero humano se livrasse do veneno que se difundira no mundo pela desobediência de vosso primeiro pai.”
 
Somos remetidos à algumas passagens bíblicas:
 
 “Deus amou tanto o mundo que entregou o Seu Filho único, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16);
 
 “Tornando-se semelhante aos homens e reconhecido em seu aspecto como um homem abaixou-se, tornando-se obediente até a morte, à morte sobre uma cruz. Por isso Deus soberanamente o elevou e lhe conferiu o nome que está acima de todo nome...” (Fl 2, 1-9);
 
 “Vede que manifestação de amor nos Deu o Pai: sermos chamados filhos de Deus e nós o somos. Se o mundo não nos conhece, é porque não o conheceu” (1 Jo 3,1).
 
Retomando o seu diálogo:
 
- “Assim, como que cativo de amor e com verdadeira obediência, correu com toda a rapidez, correu à ignominiosa Morte Sacratíssima, deu-vos a vida, não pelo vigor de Sua humanidade, mas da divindade”.
 
- “Cativo de amor” é o Senhor Jesus por nós. Que sejamos então prisioneiros também do mais Belo Amor. Completemos em nossa carne o que falta à Paixão de Cristo por amor a Igreja, como falou o Apóstolo Paulo (Col 1,24). E com ele, repitamos: “quem nos separará de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, os perigos, a espada?” ( Rm 8,35)
 
Jesus, nos deu a vida não pelo vigor de Sua humanidade, mas pelo vigor de Sua divindade.
 
A onipotência divina tem um rosto e um nome: Jesus, e Se revela no Amor que ama até o fim.
 
A onipotência divina Se revela na impotência da humanidade crucificada por Amor de nós, para nos redimir, reconciliar com Deus e nos tirar da mansão dos mortos, do abismo do pecado, da escuridão, do desamor... Ó Suprema e Divina Santíssima Trindade!
 
Glorifiquemos a Deus por mulheres tão sábias, que nos comunicam as maravilhas das delícias divinas, ontem, hoje e sempre.
 


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