segunda-feira, 20 de abril de 2026

Na solidão da noite, a fogueira foi acesa

                                                         

Na solidão da noite, a fogueira foi acesa

"O amor de Deus foi derramado em nossos corações 
pelo Espírito Santo que nos foi dado" (Rm 5,5)

Na solidão do quintal acendi minha fogueira,
e como que uma corte celestial de anjos,
traziam lenhas para mantê-la acesa.
Ouvia o crepitar das chamas, 
como uma suave melodia cantando aos céus.

Olhando para as chamas, pedi a Deus que em meu coração,
Também fossem acesas, e que jamais se apaguem,
Bem como no coração de tantos quantos oro e nele carrego.
Seja nosso coração reflexo e sinal da Folha Ardente de Caridade:
O doce amado Sagrado Coração de Jesus.

Na solidão do quintal, fogueira acesa, fogo crepitante.
Fui queimando meus pensamentos negativos,
Possíveis medos, inseguranças e angústias tão humanas.
Fossem também queimados os mesmos de tantos que
A vida com sonhos, pesadelos, cansaços e esperanças comigo compartilham.

Supliquei a Deus que fossem queimados para sempre
A hipocrisia, a ganância, chagas abomináveis dos preconceitos,
A banalização do mal e a violação da sacralidade da existência humana.

Na solidão do quintal, fogueira acesa, músicas pelos anjos cantadas.
Não há quadrilhas, bebidas típicas que venham à memória.
Mas vem um novo canto de um inédito amanhecer.
Onde o mal cede lugar ao bem, o ódio ao amor, a morte à vida.
Um suave canto de louvor pela criação e criaturas.
Não mais abusadas, vilipendiadas, destruídas,
E nossa Casa Comum melhor cuidada, porque não fala mais alto
A ambição desmedida do lucro, sobrepondo-se à beleza da vida.

Na solidão do quintal, fogueira acesa, bebidas pelos anjos servidas,
Pré-anunciando um banquete celestial por Deus para nós preparado.
Saciados no tempo presente pela bebida do néctar do amor divino,
Refazemos nossas forças, celebrando a beleza da vida,
Tão ameaçada, machucada, esmagada, insanamente destruída.
Néctar do amor, bebida que nos cura de nossa loucura destruidora,
Bebida e saboreada porque não permite a eternidade da noite escura
E na luminosidade divina confia, nesta superação, necessária travessia.

As fogueiras não foram acesas, dirão; responderei: de fato.
Não nos encontramos, não ouvimos músicas como outrora.
Não saboreamos delícias das festas juninas.
Não hasteamos bandeiras, tão pouco dançamos quadrilha.
Nem pipoca, nem batata-doce, canjica, pé-de-moleque,
Nem qualquer outra comida ou bebida.
Talvez para que reaprendamos esta beleza, por ora esquecida,
Do encontro, da festa, da vida, do sorriso, da fraterna vivência.

Na solidão do quintal, fogueira acesa?
No coração com certeza, mais que acesa,
Para que vençamos o frio da noite prolongada que vivemos.
E brevemente, podermos celebrar,
E falar das fogueiras tantas que Deus vai acendendo:
A chama do fogo do amor do Espírito,
Que em nossos corações, pelo Espírito foi derramada,
Como tão bem expressou o Apóstolo Paulo (Rm 5,5). 
Amém. Aleluia!

Rezando com os Salmos - Sl 62(63),2-9

 



A minha alma tem sede Deus

“– Sois Vós, ó Senhor, o meu Deus!
Desde a aurora ansioso Vos busco!
= A minh'alma tem sede de Vós,
minha carne também Vos deseja,
como terra sedenta e sem água!

– Venho, assim, contemplar-Vos no templo,
para ver Vossa glória e poder.
– Vosso amor vale mais do que a vida:
e por isso meus lábios Vos louvam.

– Quero, pois, Vos louvar pela vida,
e elevar para Vós minhas mãos!
– A minh'alma será saciada,
como em grande banquete de festa;
– cantará a alegria em meus lábios,
ao cantar para Vós meu louvor!

– Penso em Vós no meu leito, de noite,
nas vigílias suspiro por Vós!
– Para mim fostes sempre um socorro;
de Vossas asas à sombra eu exulto!
– Minha alma se agarra em Vós;
com poder Vossa mão me sustenta.”

O Salmo 62(63),2-9 nos fala sobre a sede de Deus, que deve nos acompanhar em todos os momentos:

“Com a imagem do deserto que precisa da chuva para encher-se de vida, o salmista mostra como sem Deus não existe verdadeira vida. Enquanto viver quer sentir a proteção divina e cantar os louvores de Deus.” (1)

Concluímos com um trecho da Catequese do Papa São João Paulo II (25/04/01):

“No que diz respeito a este tema, a oração do Salmo 62 relaciona-se com o cântico de outro Salmo maravilhoso: ‘Assim como a corça suspira pelas correntes de água, assim também a minha alma suspira por Vós, ó meu Deus. A minha alma tem sede do Senhor, do Deus vivo’ (41, 2-3).

Assim como o Salmista, cremos que tão somente Deus pode saciar nossa sede de vida, amor, paz e fraternidade. No entanto, saciados pelo Pão da Palavra e da Eucaristia, é tempo de também saciar a fome e sede de vida, amor, paz e fraternidade de nossos irmãos e irmãs, nos mais diversos espaços em que vivemos.

(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB - pág. 777


Ó Mãe, nós te pedimos...

                                                      


Ó Mãe, nós te pedimos...

Maria, discípula mais perfeita do Senhor, rogai por nós. 

Maria, interlocutora do Pai, em Seu projeto de enviar Seu Verbo para a Salvação da humanidade, rogai por nós.
 
Maria, figura de mulher livre e forte, rogai por nós.
 
Maria, Virgem de Nazaré com uma missão única na História da Salvação, rogai por nós.
 
Maria, que nos favorece o encontro com o Cristo, com o Pai e com o Espírito Santo, rogai por nós.
 
Maria, presente em nossas comunidades, rogai por nós.
 
Maria, artífice de comunhão, rogai por nós.
 
Maria, a seguidora mais radical de Cristo, rogai por nós.
 
Maria, Virgem pura e sem mancha do pecado original, rogai por nós.
 
Maria, a mais bela flor da criação, rogai por nós. 
 
Mãe da fidelidade, rogai por nós.
 
Mãe da disponibilidade, rogai por nós.
 
Mãe da Igreja missionária, rogai por nós.
 
Mãe servidora, rogai por nós.
 
Mãe da alegria, rogai por nós.
 
Mãe da esperança, rogai por nós.
 
Mãe da humildade, rogai por nós.
 
Mãe da solidariedade, rogai por nós.
 
Mãe que fortalece os vínculos fraternos entre todos, rogai por nós.
 
Mãe boa pastora, rogai por nós.
 
Mãe do amor pelos últimos, rogai por nós.
 
Mãe de todos nós, presente ao pé da Cruz, rogai por nós.
 
Mãe da paciência, rogai por nós.
 
Mãe lutadora, rogai por nós.
 
Mãe do Perpétuo Socorro, rogai por nós.

“À vossa proteção recorremos, santa Mãe de Deus; não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita”. (1) 


Amém.

 
(1)  A mais antiga Oração à Nossa Senhora: 
https://www.vaticannews.va/pt/oracoes/a-vossa-protecao.html 


PS: Livre adaptação dos parágrafos 266-272 da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe – Aparecida

O Senhor caminha conosco

                                                         

O Senhor caminha conosco

Senhor, Vós sois nosso companheiro na estrada,
Seja ela fácil ou não, com pedras ou espinhos.

Senhor, Vós que sois nosso companheiro na estrada,
Aquecei nossos corações com a Vossa Palavra.

Senhor, Vós que sois nosso companheiro na estrada,
Em tempos de provação, fortalecei nossa fé.

Senhor, Vós que sois nosso companheiro na estrada,
Nos tempos sombrios que vivemos, reanimai nossa esperança.

Senhor, Vós que sois nosso companheiro na estrada,
Em tempos de partilha e solidariedade, ensinai-nos a santa caridade.

Senhor, Vós sois nosso companheiro na estrada,
Sentimos Vossa presença caminhando com a nossa comunidade.

Senhor, Vós sois nosso companheiro na estrada,
Vos reconhecemos nas Escrituras e no partir do Pão.

Senhor, Vós sois nosso companheiro na estrada,
Ficai conosco, porque a tarde cai.

Senhor, Vós que sois nosso companheiro na estrada,
Refazei-nos do cansaço para novo caminhar.

Senhor, Vós que sois nosso companheiro na estrada,
Abri nossos olhos, aquecei nosso coração.

Senhor, Vós que sois Deus com o Pai, na unidade do Espírito Santo, sois nosso companheiro na estrada, ontem, hoje e sempre. 
Amém. Aleluia! 

PS: passagem do Evangelho de Lucas (Lc 24,14-35)

“Morramos...” (IVDTPA)

                                                     

  “Morramos...” 

Morramos como grãos de trigo no campo da Igreja...
Morramos como grãos de trigo...
Morramos...

Sejamos enriquecidos por esta reflexão que o Missal Dominical nos oferece para aprofundamento da Liturgia do IV Domingo da Páscoa, Dia do Bom Pastor:

“Cabe aqui uma consideração a respeito do rebanho, isto é, da comunidade e de cada um dos que creem; não devem eles unicamente ser exigentes com seus pastores, como magistério, com a Igreja como instituição (o que corresponde à correção fraterna); devem também sentir e manifestar-lhes seu profundo amor, impregnado de franqueza, caridade e obediência.

Ao lado do Espírito de crítica e de rebelião, que grassa mesmo no seio da Igreja, não faltam os testemunhos. O cardeal Newman, que se tornou católico por devoção à Igreja, vê-se, em certo momento, impedido de trabalhar pela própria Igreja.

Menosprezado pelos protestantes, mal interpretado por muitos católicos, olhado com desconfiança por certos bispos, suspeito de heresia, carregou sua cruz com paciência heroica, até o momento em que pôde retomar a atividade apostólica que era o objetivo de sua vida.

"Será necessário superarmos a nós mesmos, morrendo como grãozinhos de trigo no campo da Igreja, em lugar de morrermos como revolucionários diante de suas portas" (K. Rahner).

São exaltados, na reflexão, o valor e a beleza da exigência e da criticidade para com os pastores que cuidam do rebanho, mas também exaltadas as atitudes que devem impregnar a vida do rebanho, como o amor, a franqueza, a caridade e a obediência.

A criticidade e a exigência para com os pastores serão sempre bem-vindas, mas feitas com caridade e numa relação de lealdade e transparência. A mesma postura também será exigida dos pastores em relação ao rebanho, sem a qual, não serão ouvidos, e se ouvidos, o serão pelo medo e não pela relação de amor, maturidade e fraternidade que deve construir com o rebanho.

Atitudes que devem ser vividas também entre o próprio rebanho; entre aqueles que conduzem as Pastorais, quer coordenando, quer coordenados...

A ausência destas atitudes, a saber: criticidade com caridade, lealdade acompanhada da caridade, obediência acompanhada do desejo de se colocar no caminho do crescimento e amadurecimento, muitas vezes leva ao desânimo, afastamento, esfriamento, esmorecimento, cansaço, falta de horizontes, desculpas multiplicadas, forças subtraídas, experiências negativadas somadas, comunidade dividida: falta da liberdade nas coisas possíveis, enfraquecimento da unidade necessária, e esfriamento da caridade que, acima de tudo, há de sempre estar...

Deste modo, a afirmação de K. Rahner é providencialíssima e oportuna:

"Será necessário superarmos a nós mesmos, morrendo como grãozinhos de trigo no campo da Igreja, em lugar de morrermos como revolucionários diante de suas portas".

Bem sabemos que nossa Igreja é santa e pecadora. Por isto iniciamos a Santa Missa confessando nossos pecados diante da misericórdia de Deus e também reconhecemos nossas limitações e imperfeições ao rezar o Prefácio da Oração Eucarística V:

“E a nós, que agora estamos reunidos e somos povo santo e pecador, dai força para construirmos juntos o Vosso Reino que também é nosso”.

Na fidelidade ao Cristo Bom Pastor, renovemos a alegria de pertencermos a Igreja e façamos nossa declaração de amor a Jesus, que nos confiou o cuidado do Seu rebanho, ainda que não mereçamos.

Jamais nos extraviemos do rebanho. Importa darmos o melhor de nós, para que nenhuma ovelha se perca, e também saibamos ir ao encontro das ovelhas extraviadas.

Não nos acomodemos por sermos e pertencermos ao rebanho, pois seremos cobrados por aquela que se extraviou e que o Senhor jamais se esqueceu ou desprezou, conforme vemos na Parábola da Misericórdia (Lc 15).

Dai-nos Senhor a docilidade necessária.
Afastai de nós toda rebeldia inútil e estéril.
Fazei-nos membros apaixonados e vivos do
Seu amado e querido rebanho. 

Morramos como grãos de trigo no campo da Igreja,
Morramos como grãos de trigo.
Morramos!

Fecundemos um mundo novo!
Semeemos o essencial: amor, verdade, justiça, liberdade...
Frutifiquemos! Glorifiquemos! Ressuscitemos!

Amemos e sigamos o Bom Pastor, por amor a Ele, 
amando Sua Igreja.

Eis a grande revolução:
Amar e um mundo novo construir,
gerado pelo e no Coração que nos acolheu,
fez-nos nascer e nos alimentou.
Amém. Aleluia!

“Dai graças ao Senhor...”

                                                       

“Dai graças ao Senhor...”

“Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom, eterna é a sua misericórdia”, por nos constituir Seu Povo, com características que o distingue nitidamente de todos os agrupamentos religiosos, étnicos, políticos ou culturais da história.

“Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom, eterna é a Sua misericórdia”, por sermos Seu Povo, e, ao mesmo tempo, não ser propriedade de nenhum povo; mas adquiriu para Si um povo constituído por aqueles que outrora não eram um povo, mas agora somos “raça eleita, sacerdócio real, nação santa” (1 Pd 2, 9).

“Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom, eterna é a Sua misericórdia”, por nos fazer membro deste Povo, não pelo nascimento físico, mas pelo “nascimento do Alto”, ‘da água e do Espírito’ (Jo 3, 3-5), isto é, pela fé em Cristo e pelo Batismo.

“Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom, eterna é a Sua misericórdia”, e constituiu Jesus Cristo, o Ungido, o Messias, a Cabeça da Igreja, com a unção do Espírito santo, iluminando todo o Corpo, como um “Povo messiânico”.

“Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom, eterna é a Sua misericórdia”, porque concedeu, à condição deste Povo, a dignidade da liberdade dos filhos de Deus, residindo em nossos corações, como num templo, o Espírito Santo.

“Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom, eterna é a Sua misericórdia”, por nos firmar na fidelidade à Sua Lei, que é o Mandamento Novo, de amar como o próprio Cristo nos amou, na Lei Nova do Espírito Santo.

“Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom, eterna é a Sua misericórdia”, por nos confiar à missão de ser sal da terra e a luz do mundo, constituindo-nos no mais forte germe de unidade e esperança e salvação para todo o gênero humano.

“Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom, eterna é a Sua misericórdia”, por conceder como destino final o Reino de Deus, começado na terra, e dilatando-se cada vez mais, até ser no fim dos séculos, por Ele consumado. Amém. Aleluia!


Fonte: Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n.782

A fraqueza do rebanho e a fortaleza do Pastor (IVDTPA)

                                                                

A fraqueza do rebanho e a fortaleza do Pastor

Reflexão à luz da passagem dos Atos dos Apóstolos (At 2, 14a.36-41), um discurso catequético sobre a atitude correta para que se acolha a proposta de Salvação que Deus nos faz, por meio de Jesus Cristo.

Professar a fé em Cristo, o Bom Pastor, requer conversão, para que se viva o Batismo como vida nova: adesão, seguimento, acolhida do Espírito Santo para deixar recriar, vivificar e se transformar por esta  presença divina em nós.

A conversão (metanoia) é consequência de ter sentido “pontadas no coração”, a aflição e o remorso por ter feito algo contrário à justiça, e implica na atitude que conduz ao arrependimento. É o primeiro passo para a mudança de vida:

“É a atitude de quem reconhece a verdade das acusações que lhe são imputadas, de quem admite os seus erros e limitações e de quem está verdadeiramente disposto a reequacionar a vida, a corrigir os esquemas errados que têm orientado, até aí, a sua existência [...]

Significa a mudança radical da mente, dos comportamentos, dos valores, de forma a que o coração do crente se volte de novo para Deus [...]

É a renúncia ao egoísmo e a autossuficiência, e o aceitar a proposta de Salvação que Deus faz através de Jesus. Implica o acolher Jesus como o Salvador e segui-Lo, no caminho do amor, da entrega, do dom da vida.” (1)

Por isto, dirigem a pergunta a Pedro e aos outros Apóstolos: “O que havemos de fazer, irmãos?” (At 2,37).

Ao que Pedro responde – “Convertei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para o perdão dos vossos pecados. E vós recebereis o dom do Espírito Santo” (At 2, 38).

Receber o Batismo implica no desejo de conversão e receber o Espírito Santo, optando por Cristo, acolhendo-O no coração, de modo que a vida daquele que crê ganha um dinamismo divino, e a cada instante é recriado, vivificado e transformado.

Deus, que deseja nossa mudança, acredita no bom propósito de nossa conversão. É preciso tomar consciência dos caminhos errados que possam ter sido trilhados, da ausência de sentido em certas opções que se tenha feito.

A “metanoia” nos pede atitude corajosa, porque é mais fácil viver comodamente instalados, na autossuficiência, do que com humildade reconhecer os erros, “dar o braço a torcer”.

Ela exige a eliminação dos preconceitos mais diversos, de esquemas mentais; admissão das falhas, limites e incoerências que marcam a condição humana.  E trata-se de um processo ininterrupto.

Na passagem da segunda Leitura (1 Pd 2, 20b-25), Pedro  nos diz como deve agir aquele que segue o Bom Pastor, respondendo à injustiça com o amor, ao mal com o bem.

O contexto vivido pela comunidade na década de 80 era de perseguição, dificuldades, hostilidade por parte daqueles que defendiam a ordem romana:

“O autor da carta conhece perfeitamente a situação de debilidade em que estas comunidades estão e prevê que, num futuro próximo, o ambiente se vá tornar menos favorável ainda.

Recorda, pois, aos destinatários da carta, o exemplo de Cristo, que sofreu e morreu, antes de chegar à Ressurreição. É um convite à esperança: apesar dos sofrimentos que têm de suportar, os crentes estão destinados a triunfar com Cristo; por isso, devem viver com alegria e coragem o seu compromisso batismal.” (2)

Jesus é o modelo para os que creem, conduz e guarda a todos que n’Ele confiam. O cristão segue e testemunha a fidelidade a este Jesus que sofreu sem culpa e que suportou os sofrimentos com Amor, rejeitando absolutamente o recurso da violência, com total mansidão, porque tão somente o amor gera a vida nova e transforma o mundo:

'Ele sofreu (v. 21) sem ter feito mal nenhum (v. 22); maltratado pelos inimigos, não respondeu com agressão e vingança (v. 23); pelo dom da Sua vida, eliminou o pecado que afastava os homens de Deus e uns dos outros (vs. 24); por isso, Ele é o Pastor que conduz e guarda os crentes (v. 25)’" (3)

A passagem do Evangelho (Jo 10,1-10): Jesus é o Bom Pastor que conduz a humanidade às pastagens verdejantes e às fontes cristalinas de onde brota vida em plenitude.

A imagem do Bom Pastor, que nos remete ao Livro do Profeta Ezequiel (Ez 34), é a mensagem catequética de que a promessa de Deus se cumpriu em Jesus Cristo: o Bom Pastor, esperado e prometido por Deus, agora presente no meio da humanidade.

No entanto, esta presença é recusada pelas autoridades de Seu tempo, quando Jesus cura o cego de nascença (cf. Jo 9).

As autoridades religiosas não somente preferiram continuar nas trevas da autossuficiência, como também impediram o Povo que lhes foi confiado de descobrir a luz libertadora que Jesus tinha para oferecer:

“Jesus não usa meias Palavras: os dirigentes judeus são ladrões e bandidos (cf. Jo 10,1), que se servem das suas prerrogativas para explorar o povo (ladrões) e usam a violência para o manter sob a sua escravidão (bandidos).

Aproximam-se do Povo de Deus de forma abusiva e ilegítima, porque Deus não lhes confiou essa missão (“não entram pela porta”): foram eles que a usurparam. O seu objetivo não é o bem das “ovelhas”, mas o seu próprio interesse”. (4)

Diferentemente, Jesus estabelece com as pessoas uma relação pessoal de Amor e proximidade: Suas ovelhas reconhecem a Sua voz e O seguem, porque encontram segurança, liberdade e vida plena e definitiva (Jo 10,10).

Jesus não somente caminha diante das ovelhas, mas Se fez o próprio Caminho (Jo 14, 6).

Estabelece uma relação de respeito à dignidade de cada um, à sua individualidade. Relaciona-Se de forma humana, tolerante, amorosa e que também deve ser vivida pelo Seu rebanho, no cumprimento do Mandamento do Amor a Deus e ao próximo, de tal modo que se possa dizer: “tal Cristo, tal Pastor...”, numa coerência entre o crer, pregar e viver.

O rebanho reconhece a Sua voz e não se deixa seduzir pelo “canto da sereia”.

Jesus também diz que Ele é a “Porta”, e quem por ela entrar será salvo. Passar por esta "Porta" é encontrar a liberdade desejada e a vida em plenitude, numa total e incondicional adesão a Ele e seguimento até o fim, acolhendo e vivendo a Sua proposta, numa vida marcada pela doação, entrega e serviço por amor.

Ao celebrarmos o Dia do Bom Pastor, como Igreja Sinodal, Povo de Deus caminhando juntos, renovemos a alegria de pertencermos ao rebanho do Senhor, com maior solicitude e fidelidade à Sua Voz para que nos empenhemos no caminho da santidade a serviço no mundo, cada vez mais comprometidos com a ação evangelizadora.

Oremos:

“Deus eterno e Todo-Poderoso, conduzi-nos à comunhão das alegrias celestes, para que o rebanho possa atingir, apesar de sua fraqueza, a fortaleza do Pastor. Por N. S. J. C. Amém”.

(1) (2) (3) (4) www.Dehonianos.org/portal


PS: Apropriado para o Domingo do Pastor (IVDTPA) e terça-feira da oitava da Páscoa, quando se proclama a passagem dos Atos dos Apóstolos (At 2,36-41)

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