segunda-feira, 9 de março de 2026

Precisamos do Teu Espírito

                                                

Precisamos do Teu Espírito

Senhor Jesus, enfrentastes a reação furiosa dos habitantes de Nazaré, Teus concidadãos, querendo contigo acabar, mas firmaste Teus passos, em plena confiança na Missão do Pai a Ti confiada.

Senhor Jesus, a incredulidade e a reação negativa destes não Te removeram do firme propósito e da caminhada que iniciaste culminando em Tua morte, em Jerusalém.

Senhor Jesus, Tu és um Profeta, e como os profetas, não fugiste da perseguição, e assim haverá de ser com os que vierem a Te seguir em todos os tempos e lugares.

Senhor Jesus, contigo aprendemos que o destino comum de cada profeta é o de ser rejeitado, por causa do fechamento do coração aos desígnios e Projeto divino do Reino.

Senhor Jesus, fortalecei nossa fé, a fim de que nosso olhar transcenda os “muros“, e assim, consiga contemplar e enfrentar os problemas do nosso tempo.

Senhor Jesus, enviai-nos de Teu Pai de Amor, o Teu Espírito, para que vivamos com fidelidade a missão profética, que recebemos pelo  Batismo, a fim de que sal e luz, sejamos. Amém.


Fonte de inspiração: Lc 4,24-30 e Lecionário Comentado Tempo da Quaresma e Páscoa – Editora Paulus - Lisboa -  pp. 154-155

Quaresma: Tempo de recolocar a vida nos trilhos da Salvação

Quaresma: Tempo de recolocar a vida nos trilhos da Salvação

A Igreja nos exorta para que façamos da Quaresma um Tempo oportuno para recolocarmos nossa vida nos trilhos da Salvação.

Quaresma jamais foi, e jamais será, tempo de luto ou de tristeza! 

Quaresma vem do latim quadragésima e lembra, sobretudo, os quarenta anos do Povo de Deus no deserto e os quarenta dias do Senhor no deserto sofrendo as tentações do maligno. É um tempo de quarenta dias vivido na proximidade do Senhor, na entrega a Ele.

Quaresma é tempo:

- abençoado e privilegiado na vida da Igreja de conversão, purificação e glorificação do Senhor;

- de mergulhar corajosamente no infinito mar de misericórdia de Deus;

- de conversão e entrada na prática e na solidariedade de Jesus;

- de caminharmos para a Festa, preparada no coração através da Oração, jejum e esmola;

- da volta confiante ao Senhor; 

- de carregar com fidelidade e coragem nossa cruz de cada dia;

- de aprofundar o desejo de santidade em esforço incansável de conversão, renúncia ao pecado, e de tudo aquilo que nos afasta de Deus; esforçando-nos por uma vida mais intensamente santa;

- de intensa expectativa e inteligente concentração para vivermos intensamente as alegrias da Ressurreição do Senhor;

-  de abrir o coração para a novidade do Evangelho, tendo como centro a Cruz de Cristo, sinal de salvação e reconciliação com a humanidade;

- de renovação da Aliança com Deus;

- da revitalização das promessas do Batismo, para uma inserção mais consciente na vida da comunidade;

- de envolver-se de corpo e alma na libertação das pessoas excluídas e oprimidas, vítimas de tanta corrupção, violência e descaso com a vida;

- de buscar caminhos para valorização da vida que muitas vezes é banalizada, violada, instrumentalizada…

- de abandonar os ídolos e renovar nossa fidelidade ao Deus de Jesus Cristo por meio da escuta da Palavra, intensificando momentos de profunda Oração;

- de se deixar conduzir ao deserto, para que o Senhor nos fale ao coração;

- de rever as linhas de conduta, corrigir os erros de trajetória, aprofundar a unidade entre nós;

- de reconhecer o negativo, a morte, o sofrimento, para vencê-los e superá-los, na Páscoa que se anuncia;

- de subir com Jesus ao monte Tabor e viver na intimidade com Ele, de conhecer Seus desígnios para vivê-los na planície;

de ressuscitar com Cristo se colocando a serviço do Seu Reino;

- de compromisso Fraternidade e a vida: dom e compromisso;

- de ver, sentir compaixão e solidarizar-se com o próximo;

- de compromisso com a Paz bíblica: Plenitude de vida; condições dignas para se viver.

Continuemos nossa caminhada Quaresmal, pois há um longo Itinerário Espiritual a ser percorrido. Estamos apenas no começo, e tenho certeza de que podemos fazer desta a melhor de todas as Quaresmas já vivida. 

Reflexões não nos faltam. Urge colocá-las em prática, e neste sentido, realizar a Campanha da Fraternidade que tem como tema - "FRATERNIDADE E MORADIA", e como lema - "Ele veio morar entre nós" (Cf. Jo 1,14)

Seja a semente da fraternidade plantada no terreno fecundo do nosso coração, e regada com o amor mais intenso que devemos viver na Quaresma e em todo tempo.

Cultivemos a esperança de um novo tempo, sinal da Páscoa, anunciada na madrugada da Ressurreição no mais profundo do coração daqueles que creem e que fazem da fé um teimoso compromisso com a dignidade humana para que tenhamos Vida plena! 

Em poucas palavras...

                                                      


A Cultura do Encontro

“A cultura do encontro constrói pontes e abre janelas para os valores e princípios sagrados que inspiram os outros.

Derruba os muros que dividem as pessoas e as mantêm prisioneiras do preconceito, da exclusão ou da indiferença.” (1)



(1) Papa Francisco à delegação de monges budistas de Taiwan  (16/03/23)

 

Em poucas palavras...

 


“Se eu... Deus...”

“Se eu escuto, Deus não se cala. Se eu me abro, Ele não se fecha. Se eu me confio, Ele me acolhe. Se eu me entrego, Ele me sustenta. Se eu me afundo, Ele me levanta.” (1)

 

(1)“À vontade com Deus”  - José Pagola

 

Em poucas palavras...

                                                   


Matrimônio cristão: Sacramento da Aliança de Cristo com a Igreja

“Toda a vida cristã tem a marca do amor esponsal entre Cristo e a Igreja.

Já o Batismo, entrada no povo de Deus, é um mistério nupcial: é, por assim dizer, o banho de núpcias (Ef 5,26-27) que precede o banquete das bodas, a Eucaristia.

O Matrimônio cristão, por sua vez, torna-se sinal eficaz, sacramento da Aliança de Cristo com a Igreja. 

E uma vez que significa e comunica a graça desta aliança, o Matrimônio entre batizados é um verdadeiro sacramento da Nova Aliança (Concílio de Trento).” (1)

 

 

(1)               Catecismo da Igreja Católica - parágrafo n. 1617

Santa Francisca Romana: humildade, paciência e compaixão

                                                        

Santa Francisca Romana: humildade, paciência e compaixão

No dia 9 de março, celebramos a Memória de Santa Francisca Romana (séc. XV), e há escritos sobre esta, por Maria Magdalena Anguillaria, superiora das Oblatas de Tor de’Specchi, que nos fala de sua paciência, compaixão e solidariedade com os pobres.

Deus pôs à prova a paciência de Francisca não apenas nos bens exteriores de sua fortuna, mas quis experimentá-la em seu próprio corpo, por meio de graves e frequentes doenças, com que foi atingida, como já se disse e se dirá em seguida. Mesmo assim, nunca se notou nela o menor gesto de impaciência ou qualquer atitude de desagrado pelo tratamento que, às vezes com certa falta de habilidade, lhe tinha sido ministrado.

Francisca mostrou sua coragem na morte prematura dos filhos, que amava com grande ternura. Aceitava a vontade divina com ânimo sempre tranquilo, dando graças por tudo o que lhe acontecia. Com igual constância, suportou os caluniadores e as más línguas que criticavam seu modo de vida. Jamais demonstrou a menor aversão por estas pessoas que pensavam e falavam mal dela e do que lhe dizia respeito. Mas, pagando o mal com o bem, costumava rezar continuamente a Deus por elas.

Contudo, Deus não a escolheu para ser santa somente para si, mas para fazer reverter em proveito espiritual e corporal do próximo os dons que recebera da graça divina. Por isso, era dotada de grande amabilidade a ponto de que todo aquele que tivesse ocasião de tratar com ela, imediatamente se sentia cativado por sua bondade e estima, e se tornava dócil à sua vontade.

Havia em suas palavras tanta eficácia de força divina, que com breves palavras levantava o ânimo dos aflitos e angustiados, sossegava os inquietos, acalmava os encolerizados, reconciliava os inimigos, extinguia ódios inveterados e rancores, e muitas vezes impediu a vingança premeditada. Com uma palavra, era capaz de refrear qualquer paixão humana e de conduzir as pessoas aonde queria.

Por isso, de toda parte recorriam a Francisca como a uma proteção segura, e ninguém saía de perto dela sem ser consolado; no entanto, com toda franqueza, repreendia também os pecados e censurava sem temor tudo o que era ofensivo e desagradável a Deus.

Grassavam em Roma várias epidemias, mortais e contagiosas. Desprezando o perigo do contágio, a santa não hesitava também nessas ocasiões em mostrar o seu coração cheio de misericórdia para com os infelizes e necessitados de auxílio alheio.

Depois de encontrar os doentes, primeiro persuadia-os a unirem suas dores à paixão de Cristo; depois, socorria-os com uma assistência assídua, exortando-os a aceitarem de bom grado aquele sofrimento da mão de Deus e a suportá-los por amor daquele que em primeiro lugar tanto sofrera por eles.

Francisca não se limitava a tratar os doentes que podia agasalhar em sua casa, mas ia à sua procura em casebres e hospitais públicos onde se abrigavam. Quando os encontrava, saciava-lhes a sede, arrumava os leitos e tratava de suas feridas; e por pior que fosse o mau cheiro e maior a repugnância que lhe inspiravam, imensa era a dedicação e a caridade com que deles cuidava.

Costumava também ir ao Campo Santo, levando alimentos e finas iguarias, para distribuir entre os mais necessitados; de volta para casa, recolhia e trazia roupas usadas e pobres trapos cheios de sujeira; lavava-os cuidadosamente e consertava-os; depois, como se fossem servir ao seu Senhor, dobrava-os com cuidado e guardava no meio de perfumes.

Durante trinta anos, Francisca prestou este serviço aos enfermos e nos hospitais; quando ainda morava em casa de seu marido, visitava com frequência os hospitais de Santa Maria e de Santa Cecília, no Transtévere, o do Espírito Santo, em Sássia, e ainda outro no Campo Santo. Durante o período de contágio não era apenas difícil encontrar médicos que curassem os corpos, mas também sacerdotes para administrarem os remédios necessários às almas. Ela mesma ia procurá-los e levá-los àqueles que já estavam preparados para receber os sacramentos da penitência e da eucaristia. Para conseguir isto mais facilmente, sustentava à própria custa um sacerdote, que ia aos referidos hospitais visitar os doentes que ela lhe indicava”.

Francisca Romana nasceu em Roma, no ano de 1384, casando-se muito jovem e teve três filhos.

A época em que viveu foi marcada por grandes calamidades, e ajudou a muitos pobres com os seus bens, assim como dedicou-se aos doentes.

Uma vida admirável, pelo amor e compaixão em favor dos indigentes e na prática das virtudes, como é próprio de todos os santos e santas, notabilizada pela paciência e humildade.

Fundou ainda, a Congregação das Oblatas, sob a regra de São Bento no ano de 1425, vindo a fazer a passagem para a eternidade quinze anos depois.

Um ícone memorável, a exemplo do Bom Samaritano, que nos fala o Senhor na parábola   - “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10,33-34). 

Um luminar memorável para as mulheres e homens de todos os tempos, sobretudo ao refletimos sobre o Dia Internacional da Mulher (8 de agosto).

Concluo lembrando que o exemplo de Santa Francisca Romana está presente em nossas famílias, comunidades e sociedade, oferecendo o bálsamo do amor e da solidariedade para tantos feridos e caídos à beira do caminho.

Mulheres que nutrem os mais belos sentimentos de paciência, humildade e compaixão, porque movidas pelas virtudes divinas da fé, esperança e caridade, porque amadas pelo Senhor, são d’Ele grandes e imprescindíveis instrumentos e sinais.

O Senhor iluminou os nossos olhos (IVDTQA)

                                                       

O Senhor iluminou os nossos olhos

No 4º Domingo da Quaresma, a Igreja nos oferece, na Liturgia das Horas,  um texto escrito pelo Bispo Santo Agostinho (séc V),  extraído “Dos Tratados sobre o Evangelho de São João” sobre a passagem em que Jesus realiza o sinal da cura do cego de nascença (Jo 9,1-41).

“Diz o Senhor: Eu sou a luz do mundo. Quem me segue, não andará nas trevas, mas terá a luz da vida (Jo 8,12).

Estas breves palavras contêm um preceito e uma promessa. Façamos o que o Senhor mandou, para esperarmos sem receio receber o que prometeu, e não nos vir Ele a dizer no dia do Juízo: 'Fizeste o que mandei para esperares agora alcançar o que prometi?’ Responder-te-á: ‘Disse quem e seguisses’. Pediste um conselho de vida. De que vida, senão daquela sobre a qual foi dito: Em Vós está a fonte da vida?(Sl 35,10).

Por conseguinte, façamos agora o que nos manda, sigamos o Senhor, e quebremos os grilhões que nos impedem de segui-Lo. Mas quem é capaz de romper tais amarras se não for ajudado por Aquele de quem se disse: Quebrastes os meus grilhões (Sl 115,7). E também noutro salmo: É o Senhor quem liberta os cativos, o Senhor faz erguer-se o caído (Sl 145,7-8).

Somente os que assim são libertados e erguidos poderão seguir aquela luz que proclama: Eu sou a luz do mundo. Quem me segue, não andará nas trevas.

Realmente o Senhor faz os cegos verem. Os nossos olhos, irmãos, são agora iluminados pelo colírio da fé. Para restituir a vista ao cego de nascença, o Senhor começou por ungir-lhe os olhos com Sua saliva misturada com terra.

Cegos também nós nascemos de Adão, e precisamos de ser iluminados pelo Senhor. Ele misturou Sua saliva com a terra: E a Palavra Se fez Carne e habitou entre nós (Jo 1,14).

Misturou Sua saliva com a terra, como fora predito: A verdade brotou da terra (cf. Sl 84,12). E Ele próprio disse: Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida (Jo 14,6).

A verdade nos saciará quando O virmos face a face, porque também isso nos foi prometido. Pois quem ousaria esperar, se Deus não tivesse prometido ou dado?

Veremos face a face, como diz o Apóstolo: Agora, conheço apenas de modo imperfeito; agora, nós vemos num espelho, confusamente, mas, então, veremos face a face (1Cor 13,12).

E o Apóstolo João diz numa de suas Cartas: Caríssimos, desde já somos filhos de Deus, mas nem sequer se manifestou o que seremos! Sabemos que, quando Jesus Se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque O veremos tal como Ele é (1Jo 3,2). Eis a grande promessa!

Se O amas, segue-O! ‘Eu O amo, dizes tu, mas por onde O seguirei?’ Se o Senhor te houvesse dito: ‘Eu sou a Verdade e a Vida’, tu que desejas a verdade e aspiras à vida, certamente procurarias o caminho para alcançá-la e dirias a ti mesmo: ‘Grande coisa é a verdade, grande coisa é a vida! Ah, se fosse possível à minha alma encontrar o caminho para lá chegar!’

Queres conhecer o caminho? Ouve o que o Senhor diz em primeiro lugar: Eu sou o Caminho. Antes de dizer aonde deves ir, mostrou por onde deves seguir. Eu sou, diz Ele, o Caminho. O Caminho para onde? A Verdade e a Vida.

Disse primeiro por onde deves seguir e logo depois indicou para onde deves ir. 'Eu sou o Caminho, Eu sou a Verdade, Eu sou a Vida'. Permanecendo junto do Pai, é Verdade e Vida; revestindo-Se de nossa carne, tornou-Se o Caminho.

Não te é dito: ‘Esforça-te por encontrar o caminho, para que possas chegar à verdade e à vida’. Decerto não é isso que te dizem. Levanta-te, preguiçoso! O próprio Caminho veio ao teu encontro e te despertou do sono em que dormias, se é que chegou a despertar-te; levanta-te e anda!

Talvez tentes andar e não consigas, porque te doem os pés. Por que estão doendo? Não será pela dureza dos caminhos que a avareza te levou a percorrer?

Mas o Verbo de Deus curou também os coxos. ‘Eu tenho os pés sadios, respondes, mas não vejo o Caminho’. Lembra-te que Ele também deu a vista aos cegos”.

Santo Agostinho nos apresenta o Cristo, que é o caminho para a luz e a verdade para a vida, e enviado por Deus pode nos curar de toda enfermidade, de toda cegueira.

Assim como o cego de nascença, também sejamos curados de nossa cegueira interior, a mais empobrecedora de todas, a cegueira espiritual, tenhamos o coração iluminado para ver como Deus vê, pois Ele vê o coração e não as aparências (1Sm 16,7).

Curados de nossa cegueira para vivermos como filhos da luz, na prática da bondade, amor e verdade, como o Apóstolo nos exorta na Epístola (Ef 5, 8-14).

Curados, iluminados por Deus, e iluminadores do mundo, com Sua Divina luz, sejamos. Amém! 

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG