sábado, 7 de março de 2026

Deus, nosso único bem verdadeiro

                                                             

Deus, nosso único bem verdadeiro

“Vivamos, pois, unidos a Ele, subamos com Ele, a fim de que a serpente não possa encontrar na terra o nosso calcanhar e feri-lo”

Sejamos enriquecidos por um trecho do “Tratado sobre a fuga do mundo”, escrito pelo Bispo Santo Ambrósio (Séc. IV):

“Onde está o coração do homem está também o seu tesouro; pois Deus não costuma negar o bem aos que lhe pedem. Porque o Senhor é bom, e é bom, sobretudo para os que n’Ele esperam, unamo-nos a Ele, permaneçamos com Ele de toda a nossa alma, de todo o coração e de todas as forças, para vivermos na sua luz, vermos a Sua glória e gozarmos da graça da felicidade eterna.

Elevemos nossos corações para esse bem, permaneçamos e vivamos unidos a Ele, que está acima de tudo quanto possamos pensar ou imaginar; e concede a paz e a tranquilidade perpétuas, uma paz que ultrapassa toda a nossa compreensão e sentimento.

É esse o bem que tudo penetra; todos vivemos n’Ele e d’Ele dependemos; nada Lhe é superior, porque é divino. Só Deus é bom e, portanto, o que é bom é divino e o que é divino é bom; por isso se diz no salmo: Vós abris a mão e todos se fartam de bens (Sl 103,28).

É, com efeito, da bondade de Deus que nos vêm todos os bens, sem nenhuma mistura de mal. Esses bens são os que a Escritura promete aos fiéis, dizendo: Comereis dos bens da terra (Is 1,19).

Nós morremos com Cristo e trazemos em nosso corpo a morte de Cristo, para que também a vida de Cristo se manifeste em nós. Portanto, já não é a nossa própria vida que vivemos, mas a vida de Cristo: vida de inocência, vida de castidade, vida de sinceridade e de todas as virtudes.

Também ressuscitamos com Cristo; vivamos, pois, unidos a Ele, subamos com Ele, a fim de que a serpente não possa encontrar na terra o nosso calcanhar e feri-lo. 

Fujamos daqui. Podes fugir com o espírito, embora permaneças com o corpo; podes ficar aqui e estar ao mesmo tempo junto do Senhor, se teu coração estiver unido a Ele, se teus pensamentos se fixarem n’Ele, se percorreres Seus caminhos, guiado pela fé e não pelas aparências, se te refugiares junto d’Ele – que é nosso refúgio e nossa força, como disse Davi: Eu procuro meu refúgio em Vós, Senhor, que eu não seja envergonhado para sempre’(Sl 70,1).

Já que Deus é o nosso refúgio, e Deus está nos céus e no mais alto dos céus, é preciso fugir daqui para as alturas onde reina a paz, onde repousaremos de nossas fadigas, onde celebraremos o banquete do grande sábado, como disse Moisés: O repouso sabático da terra será para vós ocasião de festim (Lv 25,6).

Descansar em Deus e contemplar as Suas delícias é, na verdade, um banquete, cheio de alegria e felicidade. 

Fujamos, como os cervos, para as fontes das águas. Que a nossa alma sinta a mesma sede de Davi. Qual é esta fonte? Escuta o que ele diz: Em Vós está a fonte da vida’(Sl 35,10). 

Diga minha alma a esta fonte: Quando terei a alegria de ver a face de Deus? (Sl 41,3). Porque a fonte é o próprio Deus”. (1)

Aprofundando nossa espiritualidade, neste itinerário quaresmal, somos enriquecidos por pelos escritos do Bispo Santo Ambrósio (Séc. IV), em que nos exorta a buscarmos a Deus, o único bem verdadeiro.

Peregrinemos firmando nossos passos, solidificando nossa fé, dando razão de nossa esperança, inflamados pelo fogo da caridade que nos impele seguir adiante ao encontro de Deus, construindo relações de comunhão e fraternidade com nosso próximo.

Corramos, sem demora, para esta divina Fonte, Deus, nosso único, supremo e verdadeiro bem, que nada, absolutamente, pode ocupar Seu lugar, e que nossa alma tenha sede do Deus vivo, e o santo desejo de contemplá-Lo, face a face um dia.

No entanto, é necessário que sejamos vigilantes e vivamos unidos a Ele, Deus, e “subamos com Ele, a fim de que a serpente não possa encontrar na terra o nosso calcanhar e feri-lo”, a fim de que nãos ejamos fragilizados e assim desviados de santos propósitos, e mais perfeitamente configurados a Jesus, no Mistério de Sua Paixão, Morte e Ressurreição, sejamos.

(1) Liturgia das Horas - Volume Quaresma/Páscoa - Editora Paulus - pp. 179-180

Vire a página... (1)

                                                        


Vire a página...

“Ao cair da tarde daquele primeiro dia da semana, estando os discípulos reunidos a portas trancadas, por medo dos judeus,
Jesus entrou, pôs-Se no meio deles e disse:
"A Paz esteja convosco!" (Jo 20,19)

Vire a página! Viremos a página!
É Páscoa, nada mais será como antes.

O Ressuscitado Se manifesta na vida da comunidade,
Ontem, hoje e sempre, enquanto aguardamos Sua vinda...

Manifesta-Se ora caminhando com os discípulos,
Palavra anunciando, coração fazendo arder,

Não desvinculando Sua manifestação do partir o pão,
Em que possibilita os olhos se abrirem e O reconhecerem;

Ora Se manifesta rompendo as portas fechadas,
Ontem por medo dos judeus, hoje por algozes.

Também Se manifesta no escurecer do primeiro dia,
Porque, com Ele, tudo se recria – é Domingo, Dia do Senhor.

E, quando Sua manifestação acontece, Ele fica no centro,
Porque este é o Seu lugar, o lugar do Vitorioso, do Glorioso.

Ora manifesta-Se comunicando o dom da paz – “shalom”,
Que consiste em tudo que for necessário para termos vida plena.

Ele nos comunica o sopro do Espírito que nos acompanha,
Para com êxito a Sua missão continuar, vida nova inaugurar.

Creiamos sem mesmo ver e tocar, não sejamos incrédulos!
Bem-aventurados os que creem sem nunca terem visto, disse o Senhor.

Estejamos com Ele, unidos na hora das Chagas dolorosas,
Para exultar com Ele também, curados por Suas Chagas gloriosas.

Vire a página! Viremos a página!
É Páscoa, nada mais será como antes.

Retomemos a vivacidade e o dinamismo das primeiras comunidades
E nos empenhemos para construir relações de comunhão, de fraternidade.

É d’Ele que vem a força de que tanto precisamos,
Do vigor e vitalidade de Sua Palavra e do Pão da Eucaristia.

É vivendo em comunidade, na Fidelidade ao Pai de Amor Criador,
Que, como comunidade do Ressuscitado, temos a Vida Nova do Espírito.

Que nossos domingos não sejam apenas um dia de descanso,
Mas dia privilegiado do encontro com a Divina Fonte de Amor.

Que sintamos a fome de Deus saciada no Banquete da Eucaristia,
Para que não recuemos no combate pela vida, sem covardia.

Quando das Mesas Sagradas participamos com piedade,
Superamos todo medo, pecado, hesitação, incredulidade.

Quando das Mesas Sagradas participamos ativamente,
Não há espaço para infidelidades, lentidões, mediocridades...

Alegremo-nos, somos partícipes do Cenáculo da Comunhão,
No qual Ele Se torna presença de amor e alegria.

Alegremo-nos, somos partícipes do Cenáculo Provisório
Que aponta para o Banquete da Eternidade: a plena comunhão.

Com Ele supera-se todo cansaço, barreiras, limitação,
Porque é Vida Nova que emana de Sua Ressurreição.

Vire a página! Viremos a página!
É Páscoa, nada mais será como antes.

É tempo de firmar os passos, de pôr-se a caminho,
Fortalecendo os joelhos enfraquecidos, com ousadia na missão.

É tempo de enxugarmos mutuamente nossas lágrimas,
Em gestos solidários, para que Ele a última Palavra tenha.

É tempo de para águas mais profundas avançarmos,
Compreendendo a complexa realidade na qual estamos imersos.

É Tempo de abrirmo-nos ao sopro e à manifestação do Santo Espírito,
Para que descubramos caminhos novos na Evangelização.

É tempo de olharmos para o horizonte pela Páscoa alargado;
De renovarmos no coração a divina virtude da esperança;

De crescermos na virtude maior da caridade, amor em ação,
Para que tenhamos fé autêntica, viva, firme em consolidação.

É tempo de sermos Igreja da comunhão afetiva e efetiva,
Laços fraternos consumados em gestos de amor e partilha.

Com os limites próprios da humana convivência,
Vivendo a misericórdia, compreensão e o perdão.

É tempo de não nos acomodarmos com a iniquidade e a maldade,
Sendo no mundo sinal de justiça, ternura e bondade.

É tempo de nos despojarmos do fermento da mentira,
De sermos enriquecidos pelo fermento da sinceridade e verdade.

Vire a página! Viremos a página!
É Páscoa, nada mais será como antes.

Cada um de nós tem páginas a virar,
Novas páginas no Livro da vida escrever,

Até que chegue o esperado dia
De um novo céu e nova terra aparecer...

Será sempre Páscoa, terá um novo amanhecer
Quando páginas soubermos virar...

E Novas soubermos escrever,
Aprendizes dos erros cometidos

Para erros contumazes não cometer,
Alegria transbordante haverá de ser...

Viver consiste em se ter coragem
De virar a página.

A maior página na história que se virou:
Quando Ele passou pela morte, Ressuscitou!

Somos pascais, somos do Ressuscitado!
Saibamos virar nossas páginas:

Da escuridão para a luz,
Da tristeza para a alegria,

Do pranto para o consolo,
Do medo para a coragem,

Do desencanto para o encanto,
Do cortejo fúnebre para o cortejo da vida,

Da morte do nada mais sonhar,
Para mesmo no sol do meio-dia sonhar,

Da morte do ódio e sua corrosão,
Para o amor, numa nova relação.

Fazer, enfim, a passagem das passagens:
Da inexorável morte para a Ressurreição.

Viremos a página... 

Vire a página... (2)

                                               


Vire a página... 


Glorifiquemos a Deus por Sua bondade, graça e misericórdia,
Que sempre se manifestam em favor de nós, Seu amado povo,
Ainda que não mereçamos, e ao Seu amor não correspondamos.
 
Libertou Seu povo da escravidão do Egito,
Tirou de seus ombros o opróbrio, que por anos os afligia,
Cessou o maná, com frutos da terra de Canaã, o alimentou.
 
Por meio de Jesus, nos reconciliou,
Por Sua misericórdia novas criaturas nos fez,
Pela graça do batismo a nós concedido.
 
Selados pelo Espírito o fomos, morada do mais belo Hóspede.
Templos Seus, imerecidamente, por amor infinito, nos fez,
Em vasos de argila, em nós, Seu amor infinito derramou. 
 
Na parábola do filho pródigo, ou melhor, do Pai misericordioso,
O rosto misericordioso do Pai Amante nos revelou,
O Amado do Pai, Jesus, o Amor, o Santo Espírito nos enviou.
 
Parábola que traz em si uma crítica aos que não creem
Na possibilidade de conversão do pecador,
Fariseus e doutores da lei, de ontem e de hoje.
 
Deus é um Pai pleno de amor e compaixão,
Pronto a nos acolher, abraçar e perdoar,
Possibilidade de vida nova nos conceder.
 
Na simbologia da roupa, veste batismal nos foi dada,
No anel, filiação perdida, agora para sempre recuperada,
Sandália nos pés, porque a misericórdia nos faz peregrinos.
 
Peregrinar na esperança, do banquete participar,
Prefigurada na simbologia do cordeiro e da festa,
Do filho morto e perdido, com vida e reencontrado.
 
Assim é a misericórdia divina, uma graça concedida,
Para páginas de tantos nomes virar.
Perdão de Deus recebido, novas páginas escrever.

Virar a página do pecado para a graça,
Da escuridão para a luz, do ódio para o amor
Da morte para a vida, horizonte perdido, eternidade vislumbrada.
 
Virar a página de egoísmo e ambição e destruição
Para uma página de amor, partilha e solidariedade,
Que gera vida, fraternidade, vida feliz e comunhão.
 
Virar a página para novas atitudes
Em relação à Casa Comum que habitamos,
Uma Ecologia Integral, cuidado com toda a criação.
 
Cada um (a) de nós temos nossas páginas a virar...
Provemos e vejamos quão suave é o Senhor,
Que nos quer envolvidos em Sua ternura, bondade e amor.
 
Viremos a página, renovemos nossas forças na caminhada de fé,
Inflamados pela chama da caridade divina, sejamos,
Peregrinos da esperança, compromissos com o Reino renovados. Amém.
 
Fontes: Js 5,9a-10-12; Sl 33 (34); 2 Cor 5,17-21; Rm 5,1-5; Lc 15,1-3.11-32)


Quaresma: tempo de nossa purificação

                                                          

Quaresma: tempo de nossa purificação

Nas Laudes, do primeiro sábado da Quaresma, rezamos estes versículos do Livro do Profeta Isaías: 

"Lavai-vos, purificai-vos. Tirai a maldade de vossas ações de minha frente. Deixai de fazer o mal! Aprendei a fazer o bem! Procurai o direito, corrigi o opressor. Julgai a causa do órfão, defendei a viúva. Vinde, debatamos - diz o Senhor. Ainda que vossos pecados sejam como púrpura, tornar-se-ão brancos como a neve. Se forem vermelhos como o carmesim, tornar-se-ão como lã" (Is 1, 16-18).

Retomando atentamente o versículo 18, veremos que o Profeta nos ensina, a partir de onze verbos, a nos purificarmos de nossos pecados, e deste modo, ainda que sejam como púrpura se tornem brancos como a neve, ou se vermelho como o carmesim, se tornem como lã: 

1 - Lavai-vos.
2 - Purificai-vos.
3 - Tirai a maldade de vossas ações de minha frente.
4 - Deixai de fazer o mal!
5 - Aprendei a fazer o bem!
6 - Procurai o direito.
7 - Corrigi o opressor.
8 - Julgai a causa do órfão.
9 - Defendei a viúva.
10- Vinde.
11 - Debatamos - diz o Senhor.

A vivência intensa da Quaresma requer de nós o reconhecimento de nossa condição pecadora, diante da misericórdia divina: reconhecer nossos pecados e confessá-los, sobretudo no Sacramento da Penitência, como expressão maior desta misericórdia.

Como breve roteiro, ele possa nos ajudar nesta atitude penitencial, para nossa reflexão a fim de vivermos este tempo favorável de reconciliação, graça e salvação, como o Apóstolo Paulo nos exorta em memorável passagem (2 Cor 5,20-6,2). 
 


PS: Apropriada para a 2ª terça-feira da Quaresma, quando se proclama na primeira Leitura - Is 1,10.16-20

Culto e profecia

                                                            

Culto e profecia

“Vossas mãos estão cheias de sangue!
Lavai-vos e purificai-vos”  (Is 1,15-16).

À luz da passagem do Livro do Profeta Isaías (Is 1,16-18), oremos:

Senhor, fazei com que o brado de Isaías, tão carregado de dramaticidade, nos sensibilize, para não apresentarmos a Vós ofertas inúteis, acompanhadas de incenso, pois seria abominável.

Senhor, dirigi nossos passos, para que o amor e a verdade se encontrem em nosso ser e agir, pensamentos e palavras, no relacionamento cotidiano com nosso próximo.

Senhor, que jamais Vos ofereçamos sacrifícios, louvores e orações com as mãos gotejadas de sangue, e, assim, jamais nos descuidemos da promoção da justiça.

Senhor, não apenas queremos participar assiduamente das Missas, e nela rezar pelas necessidades dos pobres, órfãos, mas nos empenharmos concretamente em favor deles.

Senhor, ajudai-nos a viver uma fé comprometida, oferecendo nossas mãos, força, inteligência e voz, para que a paz e a justiça floresçam e reinem em todo o mundo. Amém!


Fonte de inspiração: Comentário do Missal Cotidiano, Editora Paulus, 1997, p.1019.
Apropriada para reflexão da passagem do Livro do Profeta Isaías (Is 1,10.16-20) proclamada na terça-feira da segunda semana da Quaresma.

A Parábola do Pai misericordioso

                                                         

A Parábola do Pai misericordioso

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 15,1-3.11-32), e é oportuno rezarmos esta Oração escrita por Santa Faustina Kowalska, escrita por ela em 1937, e que se encontra em seu Diário (p.163 - Caderno I), que muito nos ajuda na compreensão do que consiste a misericórdia para um cristão, e o que ela exige, para que seja autêntica e agradável a Deus.

Sejamos misericordiosos como o Pai! E somente seremos, se nos configurarmos decididamente a Jesus, que nos revela a Face misericordiosa do Pai, na plena comunhão com o Espírito Santo, o Amor.

Oremos:

Ajudai-me, Senhor, para que os meus olhos sejam misericordiosos, de modo que eu jamais suspeite nem julgue as pessoas pela aparência externa, mas perceba a beleza interior dos outros e possa ajudá-los.

Ajudai-me, Senhor, para que os meus ouvidos sejam misericordiosos, de modo que eu esteja atenta às necessidades dos meus irmãos e não me permitais permanecer indiferente diante de suas dores e lágrimas.

Ajudai-me, Senhor, para que a minha língua seja misericordiosa, de modo que eu nunca fale mal dos meus irmãos; que eu tenha para cada um deles uma palavra de conforto e de perdão.

Ajudai-me, Senhor, para que as minhas mãos sejam misericordiosas e transbordantes de boas obras, nem se cansem jamais de fazer o bem aos outros, enquanto, aceite para mim as tarefas mais difíceis e penosas.

Ajudai-me, Senhor, para que sejam misericordiosos também os meus pés, para que levem sem descanso ajuda aos meus irmãos, vencendo a fadiga e o cansaço; o meu repouso esteja no serviço ao próximo.

Ajudai-me, Senhor, para que o meu coração seja misericordioso e se torne sensível a todos os sofrimentos do próximo; ninguém receba uma recusa do meu coração. Que eu conviva sinceramente mesmo com aqueles que abusam de minha bondade. Quanto a mim, me encerro no Coração Misericordiosíssimo de Jesus, silenciando aos outros o quanto tenho que sofrer.

Vós mesmo mandais que eu me exercite em três graus da misericórdia; primeiro: Ato de misericórdia, de qualquer gênero que seja; segundo: Palavra de misericórdia – se não puder com a ação, então com a palavra; terceiro: Oração. Se não puder demonstrar a misericórdia com a ação nem com a palavra, sempre a posso com a oração. A minha oração pode atingir até onde não posso estar fisicamente.

Ó meu Jesus, transformai-me em Vós, porque Vós tudo podeis”. Amém.

Recriados pela misericórdia divina

                                                           

Recriados pela misericórdia divina

Reflexão à luz da passagem a passagem do Evangelho de Lucas (Lc 15,1-3.11-32).

A Parábola tem uma mensagem fundamental: a lógica do amor de Deus é a lógica do Amor incondicional, Amor sem restrições, amor sem fim, indefectível e se estende sobre bons e maus, sem exceções...

Ela é incomparavelmente diferente da lógica humana que às vezes se pauta pela prática da exclusão, do rancor, da indiferença, da não acolhida aos pecadores, do não acreditar na conversão do outro...

Nas passagens bíblicas (Ex 32,7-11.13-14; 1Tm 1,12-17),  contemplamos a atitude misericordiosa de Deus, ouvimos Sua voz como grande sinfonia de amor pela humanidade, um amor absoluto, gratuito, inesgotável, irrevogável...

São páginas da misericórdia, do amor, da bondade, da ternura, da magnanimidade divina para conosco!

O amor e o perdão divinos têm sempre a última palavra. Seu Amor fala mais alto, paradoxalmente a nossa surdez a Sua Palavra.

A lealdade de Deus para com Seu povo é incontestável, infinitamente além de nossas infidelidades, não correspondência ao Seu Projeto de vida, fraternidade e paz!

Deus é incapaz de deixar de nos amar, porque somos obra de Suas mãos; inacabadas, portando limitações que somente o amor é capaz de aprimorar.

O amor de Deus é a possibilidade de nos aprimorarmos, para que sejamos o que devemos ser, para que, mais verdadeiramente, imagem d’Ele, o sejamos... Por isto Seu amor jamais nos falta!

O amor vai ao encontro, acolhe, perdoa, reintegra, “carrega nos ombros do coração”, celebra com alegria inexpressível a volta de quem estava perdido e foi encontrado, estava morto e voltou a viver...

- Deus abomina o pecado, mas ama sem medida o pecador. Qual é minha atitude diante do pecador?

Entretanto, testemunhar a misericórdia jamais significa fazer pacto com o pecado.

“O Amor de Deus causa vertigem”, se não entramos em Sua dinâmica, Seu modo de ser e de amar!

Como não transbordar de alegria diante de um Deus que não pensa e não faz outra coisa, senão nos amar e querer o melhor para nós!

Deus é irredutível em nos amar, porque jamais desiste de nós. Muito diferente foi a atitude do irmão mais velho, na Parábola, que recriminou, não se alegrou, bem provavelmente, a festa não celebrou!

Somente quem ama é capaz de entrar na alegria de Deus! Na reflexão do Missal, deste domingo, encontramos uma afirmação de extrema beleza e profundidade: não sentirá necessidade alguma de ser perdoado, quem não tiver consciência de ter traído alguém a quem ama!

Infelizmente, na cidade, é grande o número dos que não são amados por ninguém, para os quais não se tem um olhar a não ser o olhar da eficiência econômica, do quanto é capaz de gerar riquezas...

Enquanto o mal existir, haverá a emergência e a necessidade do amor a ser vivido, para que o bem e a vida prevaleçam, a comunhão aconteça.

Moisés, confiante na misericórdia de Deus, não tem outra atitude senão suplicar a mesma para com o povo; nada quis para si, a não ser o bem daqueles que o Senhor lhe confiou

Paulo, por exemplo, foi alguém precioso para Deus. Não houvesse Deus o amado; não fosse a misericórdia de Deus, jamais ele seria o que foi, jamais seria para nós quem ele é. Assim é o amor: ajuda o outro a ser o que deve ser. Por isto o Mandamento do Amor é imperativo: amar e ser amado nos torna semelhante a Ele, o Amor, porque Deus é Amor (1Jo).

Lucas é por excelência o evangelista da ternura. Por isto, podemos afirmar:

Verdadeira e continuamente, a Misericórdia de Deus nos recria, nos aperfeiçoa e nos faz novas criaturas, e nos acolhe em cada Eucaristia ao redor de Sua Mesa:

“A Eucaristia reúne em torno da mesma Mesa, em alegria compartilhada, os filhos pródigos arrependidos e os que não se afastaram de casa. Juntos louvam o Pai misericordioso e voltam-se para Ele no início da Celebração.”  (1)


(1) Missal Quotidiano, Dominical e Ferial – Editora Paulus – Lisboa – p.410

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