sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Rezando com os Salmos - SL 131 (132)

 




O Senhor é fiel às Suas promessas

“–1 Recordai-Vos, ó Senhor, do rei Davi
e de quanto vos foi ele dedicado;
–2 do juramento que ao Senhor havia feito
e de seu voto ao Poderoso de Jacó:

–3 'Não entrarei na minha tenda, minha casa,
nem subirei à minha cama em que repouso,
–4 não deixarei adormecerem os meus olhos,
nem cochilarem em descanso minhas pálpebras,
–5 até que eu ache um lugar para o Senhor,
uma casa para o Forte de Jacó!'

–6 Nós soubemos que a arca estava em Éfrata
e nos campos de Iaar a encontramos:
–7 Entremos no lugar em que Ele habita,
ante o escabelo de Seus pés o adoremos!

–8 Subi, Senhor, para o lugar de Vosso pouso,
subi Vós, com vossa arca poderosa!
–9 Que se vistam de alegria os Vossos santos,
e os Vossos sacerdotes, de justiça!
–10 Por causa de Davi, o Vosso servo,
não afasteis do vosso Ungido a Vossa face!

–11 O Senhor fez a Davi um juramento,
uma promessa que jamais renegará:
– 'Um herdeiro que é fruto do teu ventre
colocarei sobre o trono em teu lugar!

–12 Se teus filhos conservarem minha Aliança
e os preceitos que Lhes dei a conhecer,
– os filhos deles igualmente hão de sentar-se
eternamente sobre o trono que te dei!'

–13 Pois o Senhor quis para si Jerusalém
e a desejou para que fosse Sua morada:
–14 'Eis o lugar do meu repouso para sempre,
eu fico aqui: este é o lugar que preferi!'

–15 'Abençoarei suas colheitas largamente,
e os seus pobres com o pão saciarei!
–16 Vestirei de salvação seus sacerdotes,
de alegria exultarão os seus fiéis!'

–17 'De Davi farei brotar um forte Herdeiro,
acenderei ao meu Ungido uma lâmpada.
–18 Cobrirei de confusão seus inimigos,
mas sobre ele brilhará minha coroa!'”

Com o Salmo 131(132) contemplamos as promessas do Senhor à casa de Davi, como também podemos ver na passagem do Evangelho de São Lucas – “O Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi” (cf. Lc 1,32):

“Salmo de Romaria, recordando a promessa do rei Davi, de preparar uma morada estável para Deus, e a dupla promessa de Deus, de manter no trono a dinastia de Davi, e fixar no monte Sião a sua morada.” (1)

 

(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB – p. 841

Rezando com os Salmos - Sl 133 (134)

 


Louvemos ao Senhor

“–1 Vinde, agora, bendizei ao Senhor Deus,
vós todos, servidores do Senhor,
– que celebrais a liturgia no seu templo,
nos átrios da casa do Senhor.

–2 Levantai as vossas mãos ao santuário,
bendizei ao Senhor Deus a noite inteira!
–3 Que o Senhor te abençoe de Sião,
o Senhor que fez o céu e fez a terra!”

O Salmo 133(134) é uma Oração da noite no templo:

“Último dos salmos de romarias (120-134). Convida os sacerdotes ao louvor noturno e os exorta a orar pelos que voltam para casa. Despedindo o povo, ao terminar a liturgia, o sacerdote dá a bênção.” (1)

Em todo o tempo louvemos ao nosso Deus, como nos exorta o autor do Livro do Apocalipse – “Louvai o nosso Deus todos os seus servos e todos os que o temeis, pequenos e grandes!” (Ap 19,5).

Em todo o tempo louvemos ao Senhor, e podemos elevar esta oração, de modo especial ao terminar mais um dia que o Senhor tenha nos concedido. Amém.

(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB – p. 134

Rezando com os Salmos - Sl 130 (131)

 


Confiança e Serenidade necessárias


“Jesus, manso e humilde coração,
fazei nosso coração semelhante ao Vosso”
 

“–1 Senhor, meu coração não é orgulhoso, 
nem se eleva arrogante o meu olhar;
– não ando à procura de grandezas, 
nem tenho pretensões ambiciosas!

–2 Fiz calar e sossegar a minha alma; 
ela está em grande paz dentro de mim,
– como a criança bem tranquila, amamentada 
no regaço acolhedor de sua mãe.

–3 Confia no Senhor, ó Israel, 
desde agora e por toda a eternidade!”

Com O Salmo 130(131) expressamos nossa confiança filial em Deus e n’Ele repousamos confiantes e serenos:

“Salmo de romaria. Num ato de entrega confiante a Deus, o salmista se comprara com uma criança que confia plenamente na sua mãe.” (1)

Cremos na Palavra de Jesus alcança as entranhas mais profundas de nossa alma e coração: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e Eu vos darei descanso” (Mt 11,28).

De fato, somente Jesus pode nos oferecer o verdadeiro “descanso”, porque é “manso e humilde de coração” (Mt 11,29), e nos oferece os distintivos, que haveremos de carregar e viver, para que o mundo O reconheça e O veja em nós: a Cruz e o Mandamento do amor a Deus e ao próximo. Amém.


(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB – p.841

Tomemos consciência da dignidade nossa natureza

 


Tomemos consciência da dignidade nossa natureza

Sejamos enriquecidos por um dos Sermões escrito pelo Papa São Leão Magno (Séc. V):

“Tendo nascido, Nosso Senhor Jesus Cristo, verdadeiro homem, que jamais deixou de ser Deus verdadeiro, iniciou em Si uma nova criação.

Na figura do Seu nascimento, Ele entregou ao gênero humano um princípio segundo o espírito.

Que inteligência poderá compreender este mistério? Que lábios o poderão contar? A iniquidade voltou à inocência, a velhice, à novidade, filhos alheios são adotados como próprios, e estranhos têm parte na herança!

Acorda, ó homem; toma consciência da dignidade de tua natureza. Recorda-te de teres sido feito à imagem de Deus que, embora corrompida em Adão, foi recriada em Cristo. Portanto, usa de modo justo das criaturas visíveis, como gozas da terra, do mar, do céu, do ar, das fontes, dos rios e tudo quanto neles achas de belo e de admirável. Por tudo dá louvor e glória ao Criador!

Aprecia com os sentidos do corpo a luz material. Com toda a intensidade do espírito abraça aquela verdadeira luz que ilumina todo homem que vem a este mundo e à qual se refere o Profeta: Aproximai-vos dele e sereis iluminados e vossos rostos não se cobrirão de confusão. Se somos templo de Deus e se o Espírito de Deus habita em nós, o que qualquer fiel possui no coração é muito maior do que tudo quanto se admira no céu.

Caríssimos, não vos estamos sugerindo ou aconselhando a desprezardes as obras de Deus ou a julgardes haver algo contrário à vossa fé nos bens criados pelo Deus de bondade.

Nós vos exortamos, porém, a usardes com medida e discernimento da beleza de toda criatura e dos valores do universo, pois Aquilo que se vê é temporário, como diz o Apóstolo, quanto ao que não se vê, é eterno. Por conseguinte, nascidos para as realidades presentes, renascidos, porém, para as futuras não nos entreguemos aos bens temporais, mas estejamos atentos aos eternos. Para percebermos mais de perto nossa esperança, pensemos sobre o que a graça divina trouxe à nossa natureza.

Ouçamos o Apóstolo: Estais mortos e vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, vossa vida, aparecer, então também vós aparecereis com ele na glória. Ele que vive e reina com o Pai e o Espírito Santo por todos os séculos dos séculos. Amém.” (1)

Somos exortados a tomar consciência da dignidade de nossa natureza, e quão precioso somos aos olhos de Deus, porque feitos à Sua imagem e semelhança.

Assim, haveremos de ver em cada homem e mulher, templos sagrados da divina presença de Deus, e esta é uma das mais belas mensagem que podemos comunicar ao mundo.

E pelo Batismo nos tornamos morada do Espírito Santo, como nos falou o Apóstolo Paulo (cf. 1 Cor 3,16-23). Amém.


(1) Liturgia das Horas- Volume I do Tempo Comum – Editora Paulus – pp.166-167

Falar somente o que for de proveito espiritual

                                        


Falar somente o que for de proveito espiritual

Assim nos falaram os Pais do Deserto em um dos ditos anônimos:

“Um dos anciãos disse: ‘No início, costumávamos reunir-nos e falar do proveito espiritual; tornamo-nos como coros, coros de anjos, e éramos elevados ao céu.

Agora nos reunimos e chegamos a caluniar, afastando-nos um aos outros para o abismo’.”  (1)

Este dito pode nos ajudar nos tempos atuais, sobretudo no mundo virtual, em que se multiplicam postagens, comentários, críticas privadas de caridade, que por vezes podem criar muros, distanciamentos e não pontes de fraternidade, comunhão e amizade sincera.

E se considerarmos o avanço da Inteligência Artificial na geração de conteúdos, pode se tornar ainda mais grave.

O problema não são as ferramentas disponíveis, mas o bom uso que delas façamos, lembrando as palavras do Papa Leão XIV:

“Por isso, a exposição mediática, o uso das redes sociais e de todos os instrumentos hoje à disposição devem ser sempre avaliados com sabedoria, tendo como paradigma de discernimento o serviço à evangelização. ‘Tudo me é lícito ! Sim, mas nem tudo convém’ (1 Cor 6,12)”. (2)

Concluo com as palavras do Papa Francisco:

“Na era da inteligência artificial, não podemos esquecer que a poesia e o amor são necessários para salvar o humano. O que nenhum algoritmo conseguirá abarcar é, por exemplo, aquele momento de infância que se recorda com ternura e que continua a acontecer em todos os cantos do planeta, mesmo com o passar dos anos.” (3)

 

(1) Ditos anônimos dos Pais do Deserto – Editora Vozes – 2023 – n.238 – pp. 173

(2)Carta Apostólica –“Uma fidelidade que gera futuro” de 8 de dezembro de 2025

(3)Carta Encíclica Dilexit Nous – Papa Francisco – 2024 – parágrafo n. 20

Curados pelo Senhor para comunicar Sua Palavra

                                              

     
Curados pelo Senhor para comunicar Sua Palavra


“Olhando para o céu, suspirou e disse:
 “Effatha!”, que quer dizer “abre-te!”

Na sexta-feira da 5ª semana do Tempo Comum, ouvimos a passagem do Evangelho de Marcos (Mc 7,31-37), em que Jesus cura um surdo-mudo.

Nela contemplamos Jesus, Aquele que, em comunhão com o Pai, cura, liberta, toca-nos com Seu ser e Sua Palavra, e contemplemos o querer de Deus: a vida e a felicidade da humanidade.

Contemplamos a salvação de Deus que se destina a todos os povos. A pessoa do surdo, que falava com dificuldade, representa aquele que estava à margem da salvação no mundo judaico. 

Curando aquele homem, contemplamos a ação de Jesus que cura, liberta e integra a pessoa na vida da comunidade. Esta cura é uma catequese sobre a missão de Jesus que faz nascer em nós o Homem novo.

O Encontro com Jesus transforma a vida da pessoa que O acolhe. Abre os ouvidos à Palavra, abre os lábios para o anúncio. Cura de toda “surdez” que possamos conceber.

O Encontro com Cristo tira-nos da mediocridade e nos desperta para o compromisso, empenho e testemunho. Saímos de nosso isolamento empobrecedor, estabelecemos laços íntimos e fortes com Deus e fraternos com todos os nossos irmãos.

Encontrar-se com o Senhor implica em acolher, acreditar, converter, anunciar e testemunhar a Sua Palavra de Vida Eterna. A Evangelização será autêntica quando a Igreja sentir-se tocada pela Palavra de Jesus, e d’Ele se tornar fiel comunicadora.

A Igreja é comunicadora do grande “éffathá” do Senhor, ou seja, tem a missão de levar cada pessoa a sair do seu comodismo, fechamento e egoísmo, abrindo os olhos, ouvidos, boca, coração e todo o ser. 

Acolhendo com fé a Palavra de Deus nossos olhos se abrirão e na planície do deserto do desespero, das provações, nascerá, com certeza, a fina flor da esperança no coração da humanidade.

Em cada Eucaristia que celebramos, Jesus vem ao nosso encontro, nos toca com Sua Palavra e Sua Presença. Cada Eucaristia é uma passagem do Cristo Ressuscitado que nos toca e nos cura. 

Reflitamos:

- De que modo se dá o nosso encontro amoroso e libertador com Jesus?
- De qual surdez precisamos ser curados?
- Como temos levado a cura de Jesus ao outro?
- Somos comunicadores de Sua Palavra?

Urge Profetas curados pela Palavra do Senhor e fortalecidos pelo Seu Pão, Seu Corpo, a Eucaristia, para que, em tempo de desolação e desânimo, comuniquem a aurora de Deus.

Após o sol poente, cremos que há a escuridão da noite e que ao amanhecer a esperança se renovará.

Entre o sol poente e o sol nascente, entre o sol nascente e o sol poente, é o tempo contínuo, ininterrupto da acolhida e vivência da Palavra do Senhor, para que, como criaturas novas, construamos relações de amor, fraternidade, bondade.

Curados pela Palavra, possibilitemos como discípulos missionários, que outros também alcancem esta graça, pois a cura e a libertação, a vida e a felicidade é o que Deus quer para todos nós.

Peregrinar na esperança e irradiar luz divina

                                                               


Peregrinar na esperança e irradiar luz divina

Uma súplica luz da passagem da Carta de Paulo aos Efésios:

“Nenhuma palavra perniciosa deve sair dos vossos lábios, mas sim alguma palavra boa, capaz de edificar oportunamente e de trazer graça aos que a ouvem.

Não contristeis o Espírito Santo com o qual Deus vos marcou como com um selo para o dia da libertação.

Toda a amargura, irritação, cólera, gritaria, injúrias, tudo isso deve desaparecer do meio de vós, como toda a espécie de maldade.

Sede bons uns para com os outros, sede compassivos; perdoai-vos mutuamente, como Deus vos perdoou por meio de Cristo” (Ef 4,29-32).

Oremos:

Ó Deus, firmais nossos passos, como peregrinos de esperança, a fim de que jamais sucumbamos à força do pecado, e que, por Vossa infinita bondade, apagueis nossas transgressões e purificai nossos corações, eliminando toda ferrugem de nossa alma.

Afastai de nós toda inclinação para o mal, na vigilância de nossos pensamentos, palavras e ações, para que vivamos plenamente de acordo com a Vossa vontade.

Nós Vos adoramos e pedimos que carreguemos com fidelidade nossa cruz cotidiana, nos passos do Vosso Filho que por Sua gloriosa Cruz, trouxe a salvação para o mundo inteiro, na mais perfeita expressão de misericórdia.

Nós Vos adoramos e glorificamos por meio do Vosso Filho, o Cristo Salvador, Sol nascente e Luz sem ocaso, que ilumina os nossos passos desde o amanhecer, em comunhão com o Santo Espírito. Amém.

Quem sou eu

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG