quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Mensagem do Papa Francisco para o XXX Dia Mundial do Doente - Síntese (2022)

                                                     


Mensagem do Papa Francisco para o XXX Dia Mundial do Doente - Síntese

A mensagem do Papa Francisco para o XXX Dia Mundial do Doente (11/02/2022) tem como tema: «Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso» (Lc 6, 36), e o convite para que nos coloquemos ao lado de quem sofre, num caminho da caridade, voltando nossos olhos para Deus que «rico em misericórdia» (Ef 2, 4), que olha sempre para os Seus filhos com amor de Pai, mesmo quando se afastam d’Ele.

A misericórdia é por excelência o nome de Deus, que expressa a Sua natureza não como um sentimento ocasional, mas como força presente em tudo o que Ele faz, e conjuntamente é força e ternura.

A prática da misericórdia nos faz testemunhas da caridade de Deus que, a exemplo de Jesus, misericórdia do Pai, derrama sobre as feridas dos enfermos o óleo da consolação e o vinho da esperança, tocando a carne sofredora do próprio Cristo:

“O convite de Jesus a ser misericordiosos como o Pai adquire um significado particular para os profissionais de saúde. Penso nos médicos, enfermeiros, técnicos de laboratório, auxiliares e cuidadores dos enfermos, bem como nos numerosos voluntários que doam tempo precioso a quem sofre. Queridos profissionais da saúde, o vosso serviço junto dos doentes, realizado com amor e competência, ultrapassa os limites da profissão para se tornar uma missão. As vossas mãos que tocam a carne sofredora de Cristo podem ser sinal das mãos misericordiosas do Pai. Permanecei cientes da grande dignidade da vossa profissão e da responsabilidade que ela acarreta”.

O Papa bendiz ao Senhor pelos progressos que a ciência médica realizou sobretudo nestes últimos tempos; as novas tecnologias que permitiram dispor de vias terapêuticas de grande utilidade para os doentes; a pesquisa que continua a dar a sua valiosa contribuição para derrotar velhas e novas patologias; a medicina de reabilitação que desenvolveu notavelmente os seus conhecimentos e competências.

É fundamental a proximidade na dimensão relacional com o enfermo na sua escuta e consolo.

Quanto aos lugares para o tratamento dos enfermos, destaca as necessárias “estalagens do bom samaritano” (cf Lc 10,34); instituições sanitárias católicas, sobretudo neste grave contexto de pandemia e cultura do descarte.

Ressalta a importância da pastoral da saúde cada vez mais reconhecida e indispensável, e deste modo, todos somos responsáveis, no exercício do “ministério da consolação”:

“A propósito, gostaria de lembrar que a proximidade aos enfermos e o seu cuidado pastoral não competem apenas a alguns ministros especificamente deputados para o efeito; visitar os enfermos é um convite feito por Cristo a todos os Seus discípulos. Quantos doentes e quantas pessoas idosas há que vivem em casa e esperam por uma visita! O ministério da consolação é tarefa de todo o batizado, recordando-se das palavras de Jesus: «Estive doente e visitastes-me» (Mt 25, 36)”.

Finaliza intercedendo a Maria, Saúde dos Enfermos, confiando todos os doentes e as suas famílias, para que unidos a Cristo, que carrega sobre Si o sofrimento do mundo, possam encontrar sentido, consolação e confiança; reza por todos os profissionais de saúde para que, ricos em misericórdia, ofereçam aos pacientes, juntamente com os tratamentos devidos, a sua proximidade fraterna; e concede-nos a Bênção Apostólica.

 

 

Se desejar, confira a mensagem na integra:

https://www.vatican.va/content/francesco/pt/messages/sick.html


XXVIIIMENSAGEM PARA O DIA MUNDIAL DO DOENTE (síntese) (2020)



XXVIII Mensagem para Dia Mundial do Doente (síntese)

Celebrando o XXVIII Dia Mundial do Doente, no dia 11 de fevereiro, o Papa Francisco nos agraciou com uma mensagem, cujo lema encontra-se no Evangelho de Mateus: Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei de aliviar-vos” (Mt 11, 28).

Ao pronunciar estas Palavras, Jesus tem diante de Seus olhos as pessoas que encontra todos os dias pelas estradas da Galileia: gente simples, pobres, doentes, pecadores, marginalizados pelo ditame da lei e pelo opressivo sistema social:

“...A quem vive na angústia devido à sua situação de fragilidade, sofrimento e fraqueza, Jesus Cristo não impõe leis, mas, na Sua misericórdia, oferece-Se a Si mesmo, isto é, a sua pessoa que dá alívio. A humanidade ferida é contemplada por Jesus com olhos que veem e observam, porque penetram em profundidade: não correm indiferentes, mas param e acolhem o homem todo e todo o homem segundo a respetiva condição de saúde, sem descartar ninguém, convidando cada um a fazer experiência de ternura entrando na vida d’Ele”.

Sobre a condição do doente e sua família, lembra o Papa “...na doença, a pessoa sente comprometidas não só a sua integridade física, mas também as várias dimensões da sua vida relacional, intelectiva, afetiva, espiritual; e por isso, além das terapias, espera amparo, solicitude, atenção, em suma, amor. Além disso, junto do doente, há uma família que sofre e pede, também ela, conforto e proximidade.

Apresenta o papel da Igreja como uma estalagem do Bom Samaritano que é Cristo” (cf. Lc 10,34): “...a casa onde podeis encontrar a sua graça, que se expressa na familiaridade, no acolhimento, no alívio. Nesta casa, podereis encontrar pessoas que, tendo sido curadas pela misericórdia de Deus na sua fragilidade, saberão ajudar-vos a levar a cruz, fazendo, das próprias feridas, frestas através das quais divisar o horizonte para além da doença e receber luz e ar para a vossa vida”.

Destaca o importante serviço nesta obra de restabelecimento dos irmãos desempenhado pelos profissionais da saúde – médicos, enfermeiros, pessoal sanitário, administrativo e auxiliar, voluntários, pondo em ação as respectivas competências e fazendo sentir a presença de Cristo, que proporciona consolação e cuida da pessoa doente tratando das suas feridas.

Chama a atenção de todos para que se coloque a pessoa acima do adjetivo doente, de modo que toda atividade tenha em vista a dignidade e a vida da pessoa sem qualquer cedência a atos de natureza eutanásica, de suicídio assistido ou supressão da vida, nem mesmo se for irreversível o estado da doença.

Daí a necessidade de abertura à dimensão transcendente, que pode oferecer o sentido pleno da profissão, lembrando que a vida é sagrada pertence a Deus, sendo, por conseguinte, inviolável e indisponível (cf. Instr. Donum vitae, 5; Enc. Evangelium vitae, 29-53):

“A vida há de ser acolhida, tutelada, respeitada e servida desde o seu início até à morte: exigem-no simultaneamente tanto a razão como a fé em Deus, autor da vida. Em certos casos, a objeção de consciência deverá tornar-se a vossa opção necessária, para permanecerdes coerentes com este ‘sim’ à vida e à pessoa... Quando não puderdes curar, podereis sempre cuidar com gestos e procedimentos que proporcionem amparo e alívio ao doente”.

O Papa enfatiza o fato de que, infelizmente, em alguns contextos de guerra e conflitos violentos, são atacados o pessoal sanitário e as estruturas que se ocupam da recepção e assistência dos doentes; e em algumas áreas, o próprio poder político pretende manipular a seu favor a assistência médica, limitando a justa autonomia da profissão sanitária.

Destaca o fato de muitos pelo mundo viverem sem possibilidades de acesso aos cuidados médicos, porque vivem na pobreza, e que os governos não podem sobrepor o aspecto econômico sobre o aspecto da justiça social, conciliando os princípios da solidariedade e subsidiariedade, na salvaguarda e restabelecimento da saúde.

Agradece aos voluntários que se colocam ao serviço dos doentes, procurando em não poucos casos suprir carências estruturais e refletindo, com gestos de ternura e proximidade, a imagem de Cristo Bom Samaritano.

Concedendo a Bênção Apostólica, finaliza confiando os enfermos, seus familiares e todos os profissionais da saúde à Virgem Maria - Saúde dos Enfermos.


PS: Se desejar, leia a mensagem na integra:

“Mensagem para o dia Mundial dos Enfermos (2012)

“Levanta-te e vai, a tua fé te salvou!”

Retomemos a Mensagem do Papa Bento XVI para o XX Dia Mundial do Doente - 2012.

Iluminado pela passagem do Evangelho na qual Jesus cura os dez leprosos – “Levanta-te e vai, a tua fé te salvou!” (Lc 17, 19) oferece riquíssima reflexão sobre os Sacramentos de Cura (Sacramento da Penitência e da Reconciliação e o Sacramento da Unção dos Enfermos), que se voltam e se alimentam do Sacramento da Eucaristia, pois nele encontram o seu cumprimento natural.

Ressaltou a missão da Igreja, e de todo cristão que, a exemplo de Cristo, que Se debruçou sobre os sofrimentos materiais e espirituais do homem para  curá-los, devem fazer o mesmo (cf. Lc 10, 29-37).

Urge a tomada de consciência acerca da importância da fé para aqueles que, angustiados pelo sofrimento e pela enfermidade, se aproximam do Senhor. Ajudá-los a sentir que Deus não nos abandona em nossas angústias e sofrimentos, mas está intimamente próximo e nos ajuda a suportá-los, e por isto deseja curar profundamente o nosso coração (cf. Mc 2, 1-12).

Cada Sacramento expressa e põe em prática a proximidade do próprio Deus, que redime nossa dimensão corporal e espiritual: criação e redenção são inseparáveis. Deus que de modo admirável nos criou, de modo mais admirável nos redimiu e os Sacramentos são expressão desta unidade indissociável.

Gratidão e alegria transbordam abundantemente no coração de quem é curado, redimido da alma e do corpo – como ele próprio o diz sobre o “binómio entre saúde física e renovação das dilacerações da alma ajuda-nos a compreender melhor os «Sacramentos de cura».

Ressaltou por vários parágrafos o valor inestimável do Sacramento da Penitência, que esteve com frequência no centro da reflexão dos Pastores da Igreja, precisamente devido à sua grande importância no caminho da vida cristã, uma vez que «toda a eficácia da Penitência consiste em restituir-nos à graça de Deus e em unir-nos a Ele numa amizade perfeita» (Catecismo da Igreja Católica, n. 1.468).

A exortação Paulina «Em nome de Cristo... sejamos embaixadores: através de nós, é o próprio Deus quem exorta. Suplicamo-vos, em nome de Jesus Cristo: deixai-vos reconciliar com Deus» (2Cor 5, 20) une-se estreitamente a vida e ação de Jesus que anunciou e tornou presente a misericórdia do Pai.

“Ele veio não para condenar, mas para perdoar e salvar, para incutir esperança também na obscuridade mais profunda do sofrimento e do pecado, para conceder a vida eterna; deste modo, no Sacramento da Penitência, na «medicina da confissão», a experiência do pecado não degenera em desespero, mas encontra o Amor que perdoa e transforma” (cf. João Paulo II, Exortação Apostólica pós-sinodal Reconciliatio et paenitentia, 31)."

O Papa falou dos momentos de sofrimento, nos quais podem surgir a “... tentação de se abandonar ao desânimo e ao desespero, mas podem também transformar-se assim em tempo de graça para voltar a si mesmo e, como o filho pródigo da Parábola, reconsiderar a própria vida, reconhecendo os próprios erros e fracassos, sentindo a saudade do abraço do Pai e repercorrendo o caminho rumo à sua Casa. No Seu grande Amor, Ele vigia sempre e de qualquer modo sobre a nossa existência, e espera-nos para oferecer a cada um dos filhos que volta para Ele, o dom da plena reconciliação e da alegria.”
Ressaltou a importância do Sacramento da Unção dos Enfermos, explicitando os Evangelhos de onde sobressai claramente o modo como Jesus sempre demonstrou uma atenção particular para com os enfermos. Ele não só convidou os Seus discípulos a curar as feridas dos mesmos (cf. Mt 10, 8; Lc 9, 2; 10, 9).

Refere-se também à Carta de Tiago que valoriza e “dá testemunho da presença deste gesto sacramental já na primeira comunidade cristã (cf. Tg 5, 14-16): mediante a Unção dos Enfermos, acompanhada pela Oração dos Presbíteros, a Igreja inteira recomenda os doentes ao Senhor sofredor e glorificado, a fim de que alivie as suas penas e os salve, aliás, exorta-os a unir-se espiritualmente à Paixão e à Morte de Cristo, para contribuir deste modo para o bem do Povo de Deus.”

Tal Sacramento leva-nos a contemplar o dúplice Mistério do Monte das Oliveiras: a senda da Paixão, como gesto supremo de Amor, e como lugar da Redenção da humanidade, morrendo e subindo ao Pai. – “Na Unção dos Enfermos, a matéria sacramental do óleo é-nos oferecida por assim dizer, «como medicamento de Deus... que agora nos torna seguros da Sua bondade e deve revigorar-nos e consolar, mas ao mesmo tempo aponta para além do momento da enfermidade, para a cura definitiva, a Ressurreição (cf. Tg 5, 14)».”

Chamou a atenção para uma consideração merecida a este Sacramento, por parte de toda a Igreja, tanto na reflexão como na atuação pastoral: Valorizar os conteúdos da Oração Litúrgica que se adaptam às diversas situações humanas ligadas à doença, e não só quando o doente está no fim da própria vida (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 1.514), e ainda salienta que o Sacramento da Unção dos Enfermos não deve ser considerado como quê «um Sacramento menor» em relação aos demais.

Este Sacramento bem compreendido revela a atenção e a cura pastoral pelos enfermos, como sinal da ternura de Deus por aqueles que se encontram no sofrimento, e o benefício espiritual que é oferecido também aos Sacerdotes e a toda a comunidade cristã, na consciência de que o que fazemos aos mais pequeninos, é ao próprio Jesus que o fazemos (cf. Mt 25, 40).

Ressaltou a importância da Eucaristia, que quando recebida no momento da doença, contribui de maneira singular para realizar tal transformação, associando aquele que se alimenta do Corpo e do Sangue de Jesus à oferenda que Ele fez de Si mesmo ao Pai, para a Salvação de todos.

Chamou-nos a atenção: “Toda a Comunidade Eclesial, e as comunidades paroquiais em particular, prestem atenção para garantir a possibilidade de se aproximarem com frequência da Comunhão Sacramental àqueles que, por motivos de saúde ou de idade, não podem acorrer aos lugares de culto. Deste modo, a estes irmãos e irmãs é oferecida a possibilidade de revigorar a relação com Cristo Crucificado e Ressuscitado, participando com a Sua vida oferecida por Amor a Cristo, na missão da própria Igreja.”

Reafirmou que os Sacerdotes “... que exercem a sua obra delicada nos hospitais, nas casas de cura e nas habitações dos doentes se sintam verdadeiros «“ministros dos enfermos”, sinal e instrumento da compaixão de Cristo, que deve alcançar cada homem assinalado pelo sofrimento» (Mensagem para o XVIII Dia Mundial do Doente, 22 de Novembro de 2009).”

Apontou para a Eucaristia como Alimento de eternidade, citando o próprio Evangelho de João: «Quem come a minha carne e bebe o meu Sangue tem a vida eterna, e Eu ressuscitá-lo-ei no último dia» (Jo 6, 54).

Citou Santo Inácio de Antioquia, que afirmou mais tarde: «A Eucaristia é remédio de imortalidade, antídoto contra a morte» (Carta aos Efésios, 20: PG 5, 661), Sacramento da passagem da morte para a vida, deste mundo para o Pai, que a todos espera na Jerusalém Celeste.

O Papa finalizou animando e encorajando todos os trabalhos que são feitos em favor do enfermo, pois o são, na exata medida, em favor do próprio Jesus, ressaltando que é sempre necessário redescobrir a força e a beleza da fé, aprofundar os seus conteúdos e testemunhá-los na vida de todos os dias (cf. Carta Apostólica Porta fidei, 11 de Outubro de 2011).

As primeiras lições que a renúncia nos ofereceu

                                                              

As primeiras lições que a renúncia nos ofereceu

Naquele amanhecer (11/02/13), fiquei atônito com a notícia revelada ao mundo sobre a renúncia do Papa.

Esperei algum tempo para me certificar se fato ou boato. Ao compreender que se tratava de um fato real, a serenidade voltou ao coração quando li suas próprias palavras, que precisam ser lidas por todos, católicos ou não.

“Caríssimos Irmãos, convoquei-vos para este Consistório não só por causa das três canonizações, mas também para vos comunicar uma decisão de grande importância para a vida da Igreja. Depois de ter examinado repetidamente a minha consciência diante de Deus, cheguei à certeza de que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são idôneas para exercer adequadamente o Ministério Petrino.

Estou bem consciente de que este ministério, pela sua essência espiritual, deve ser cumprido não só com as obras e com as palavras, mas também e igualmente sofrendo e rezando. Todavia, no mundo de hoje, sujeito a rápidas mudanças e agitado por questões de grande relevância para a vida da fé, para governar a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor, quer do corpo, quer da mente; vigor este, que, nos últimos meses, foi diminuindo de tal modo em mim que tenho de reconhecer a minha incapacidade para administrar bem o ministério que me foi confiado.

Por isso, bem consciente da gravidade deste ato, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério de Bispo de Roma, Sucessor de São Pedro, que me foi confiado pela mão dos Cardeais em 19 de Abril de 2005, pelo que, a partir de 28 de Fevereiro de 2013, às 20 horas sede de Roma, a sede de São Pedro, ficará vacante e deverá ser convocado, por aqueles a quem tal compete, o Conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice.

Caríssimos Irmãos, verdadeiramente de coração vos agradeço por todo o amor e a fadiga com que carregastes comigo o peso do meu ministério, e peço perdão por todos os meus defeitos.

Agora confiemos a Santa Igreja à solicitude do seu Pastor Supremo, Nosso Senhor Jesus Cristo, e peçamos a Maria, sua Mãe Santíssima, que assista, com a sua bondade materna, os Padres Cardeais na eleição do novo Sumo Pontífice.
Pelo que me diz respeito, nomeadamente no futuro, quero servir de todo o coração, com uma vida consagrada à Oração, a Santa Igreja de Deus".

Algumas horas passadas, compreendo na decisão do Papa como um belo gesto de humildade, reconhecendo que não tem mais condições físicas e de saúde para estar à frente da Santa Igreja em sua missão de Romano Pontífice.

Uma lição de vida a aprender, uma vez que vivemos momentos em que as pessoas estão muito ligadas ao poder. Ele, mesmo tendo cargo vitalício, abdicou pelo melhor da Igreja.

Indubitavelmente, uma lição a ser aprendida dentro e fora dos espaços da Igreja. Seu gesto foi expressão de coerência e amor à vida, um gesto humano para consigo mesmo, mas acima de tudo de amor para com a própria Igreja.

Cargos, ministérios, títulos são para servir a Igreja, antes de tudo à vivência da graça batismal, como Profetas, Sacerdotes e Reis.

Agora, cabe a nós rezar a Deus para que o assista como o fez até o presente, para que ele viva o propósito de uma vida consagrada à Igreja.

A renúncia ao cargo não o dispensou do bom combate da fé, até que mereça um dia a contemplação da face divina, a coroa da glória. 


terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

“Discurso do Papa Francisco à Cúria Romana”

                                             

“Discurso do Papa Francisco à Cúria Romana”

“Catálogo das Doenças curiais.”
“São doenças e tentações que
enfraquecem o nosso serviço ao Senhor.”

Retomemos o “Discurso do Papa Francisco à Cúria Romana”, por ocasião do final do Advento de 2014.

A Curia Romana, como o corpo humano, está exposta também às doenças, ao mau funcionamento, à enfermidade. E como um “corpo”, procura, séria e cotidianamente, ser mais viva, mais sadia, mais harmoniosa e mais unida em si mesma e com Cristo

O papa descreveu 15 prováveis doenças curiais mais costumeiras, afirmando: “estas doenças e tais tentações são naturalmente um perigo para todo cristão e para toda a Cúria, Comunidade, Congregação, Paróquia, Movimento eclesial e podem atingir quer em nível individual quer comunitário”.

1. “A doença do sentir-se “imortal”, “imune” ou até mesmo “indispensável” pondo de lado os controles necessários e habituais. Uma Cúria que não faz autocrítica, que não se atualiza, que não procura melhorar é um corpo enfermo. Uma visita ordinária aos cemitérios poderia ajudar-nos a ver os nomes de tantas pessoas, algumas das quais pensassem talvez que eram imortais, imunes e indispensáveis!...”

2. A doença do “martalismo” (que vem de Marta), da excessiva operosidade: ou seja, "daqueles que mergulham no trabalho, descuidando, inevitavelmente, 'a melhor parte': sentar-se aos pés de Jesus (cf Lc 10,38-42)... o tempo do descanso, para quem levou a termo a sua missão, é necessário, obrigatório e deve ser levado a sério: no passar um pouco de tempo com os familiares e no respeitar as férias como momentos de recarga espiritual e física; é necessário aprender o que ensina Coelet que «para tudo há um tempo» (3,1-15)".

3. A doença do “empedernimento” mental e espiritual: o perigo de tornar o coração de pedra, frio e endurecido, deixando de ter os mesmos sentimentos do Senhor (Fl 2,5); ou seja, "daqueles que possuem um coração de pedra e são de 'dura cerviz' (At 7,51-60); daqueles que, com o passar do tempo, perdem a serenidade interior, a vivacidade, a audácia e escondem-se atrás das folhas de papel, tornando-se 'máquinas de práticas' e não 'homens de Deus' (cf Hb 3,12)"

4. A doença da planificação excessiva e do funcionalismo: jamais ter como Igreja a pretensão de regulamentar e domesticar o Espírito Santo que é  frescor, fantasia, novidade - "É necessário preparar tudo bem, mas sem nunca cair na tentação de querer conter e pilotar a liberdade do Espírito Santo, que sempre permanece maior e mais generosa do que toda a planificação humana (cf. Jo 3,8)...” .

5. A doença da má coordenação: os  membros perdem a comunhão entre si e o corpo perde a sua funcionalidade harmoniosa e a sua temperança com a falta do  espírito de comunhão e de equipe.

6. A  doença do “alzheimer espiritual”: ou seja, o esquecimento da “história da salvação”, "...da história pessoal com o Senhor, do 'primeiro amor' (Ap 2,4)... É o que vemos naqueles que perderam a memória do seu encontro com o Senhor; naqueles que não têm o sentido deuteronômico da vida; naqueles que dependem completamente do seu presente, das suas paixões, caprichos e manias; naqueles que constroem em torno de si barreiras e hábitos, tornando-se, sempre mais escravos dos ídolos que esculpiram com as suas próprias mãos".

7. A doença da rivalidade e da vanglória: "...quando a aparência, as cores das vestes e as insígnias de honra se tornam o objetivo primordial da vida, esquecendo as palavras de São Paulo: 'Nada façais por espírito de partido ou vanglória, mas que a humildade vos ensine a considerar os outros superiores a vós mesmos. Cada qual tenha em vista não os seus próprios interesses , e sim os dos outros» (Fl 2,3-4)'".

8. “A doença da esquizofrenia existencial: há a criação de um mundo paralelo com uma vida oculta e dissoluta e a conversão é por demais urgente e indispensável para esta gravíssima doença (cf Lc 15,11-32) - "...é a doença dos que vivem uma vida dupla, fruto da hipocrisia típica do medíocre e do vazio espiritual progressivo que formaturas ou títulos acadêmicos não podem preencher”

9. A doença das bisbilhotices, das murmurações e do mexerico: É uma doença grave, que começa simplesmente, quem sabe, para trocar duas palavras e se apodera da pessoa, transformando-a em “semeadora de cizânia” (como satanás), e em tantos casos “homicida a sangue frio” da fama dos seus colegas e confrades - "É a doença das pessoas covardes que, não tendo a coragem de falar diretamente, falam pelas costas... guardemo-nos do terrorismo das maledicências!"

10. A doença de divinizar os chefes: "...é a doença dos que cortejam os Superiores, esperando obter a benevolência deles. São vítimas do carreirismo e do oportunismo, honrando as pessoas e não a Deus (cf Mt 23,8-12)...”

11. A doença da indiferença para com os outros:  Não se partilha o saber e, às vezes, por ciúme ou por astúcia, sente alegria ao ver o outro cair, ao invés de erguê-lo e encorajá-lo - "Quando alguém pensa somente em si mesmo e perde a sinceridade e o calor das relações humanas.”

12. A doença da cara fúnebre. Quer dizer, das pessoas grosseiras e sisudas que pensam que, para ser sérias, é necessário assumir as feições de melancolia, de severidade e tratar os outros – principalmente os que consideram inferiores – com rigidez, dureza e arrogância. Na realidade, a severidade teatral e o pessimismo estéril são muitas vezes sintomas de medo e de insegurança...”

13. A doença de acumular: "quando o Apóstolo procura preencher um vazio existencial no seu coração, acumulando bens materiais, não por necessidade, mas só para sentir-se seguro...”.

14. "A doença dos círculos fechados onde a pertença ao grupinho se torna mais forte do que a pertença ao Corpo  e, em algumas situações, ao próprio Cristo...".

15. “A doença do proveito mundano, dos exibicionismos, quando o apóstolo transforma o seu serviço em poder e o seu poder em mercadoria para obter dividendos humanos ou mais poder; é a doença das pessoas que procuram insaciavelmente multiplicar poderes e, com esta finalidade, são capazes de caluniar, de difamar e de desacreditar os outros, até mesmo nos jornais e nas revistas...”

Como podemos perceber, estas “doenças curiais” também estão presentes em nossas comunidades, e é preciso a ajuda do Espírito Santo que, com Sua ação, dá vida nova a quem a Ele se abre.

Como bem afirmou o Papa, o restabelecimento destas enfermidades é fruto da consciência da doença, e da decisão pessoal e comunitária de tratar-se, suportando pacientemente e com perseverança a terapia com propósito de mudança.

Há esperança de cura e conversão, ele diz citando o Bispo Santo Agostinho:  «Enquanto uma parte aderir ao corpo, a sua cura não é desesperada; mas o que foi cortado não pode nem curar-se nem sarar».

Concluo afirmando que, na Cúria Romana ou em qualquer lugar, estas “doenças” podem nos tornar enfermos, e necessitados  da cura que somente Deus pode nos oferecer, em sincera abertura de coração, tomando consciência de nossos pecados, para estabelecer novas relações mais humanas e fraternas, que expressem a verdadeira presença de Deus entre nós.



PS: Confira o texto integral acessando:  http://pt.radiovaticana.va/

Cristãos de coração

                                                                        

Cristãos de coração

Ouvimos a passagem do Evangelho de Marcos (Mc 7,1-13) proclamado na terça-feira da 5ª semana do Tempo Comum, que nos convida a refletir sobre como ser cristãos de coração e não apenas cristãos de palavras.

Um povo que honra a Deus apenas com os lábios, mas não o faz com o coração, encontra-se longe d’Ele, como dissera o Profeta Isaías, e o próprio Jesus.

Somos de palavras quando vivemos uma religiosidade de mero cumprimento de preceitos, normas e rituais, como se eles em si já nos alcançassem resultados, respostas, soluções sem maiores compromissos, como que num ritual de magia com matizes de superstição.

Quando somos cristãos de coração, amamos a Deus sobre todas as coisas, com nossa alma, força e entendimento, e este amor se torna concreto quando o expressamos também em relação ao nosso próximo.

Cristãos de coração, somos quando temos consciência de que somos templos de Deus, e que Ele também habita no nosso próximo, e assim nos reconhecemos santuários onde Deus habita, porque também criados por Ele, obra de Suas mãos, o sopro de vida d’Ele acolhido, feitos à Sua imagem e semelhança.

Cristãos de coração, seremos sempre se a nossa vida for marcada pela misericórdia e as obras que a expressem, tanto corporais como as espirituais.

Cristãos de coração, seremos, quando soubermos valorizar a pessoa humana e não medirmos esforços na promoção de sua dignidade, desde a concepção até o seu declínio natural.

E o seremos também quando soubermos falar menos, agir mais, e se for preciso falar ou calar, que seja  apenas o necessário, e para isto, precisamos de sobriedade e da sabedoria que nos vem do  Espírito.

Cristãos de coração, e não de palavras, não separa o culto celebrado da vida, ao contrário, celebra o que vive, e empenha-se em viver cada vez mais o que celebrou no Altar, encurtando a distância entre a fé e a vida, o culto e o cotidiano.

Cristãos de coração procuram viver inseparavelmente as virtudes divinas da fé, da esperança e da caridade, esperando, renovando e vivendo compromissos, na espera de um novo céu e de uma nova terra, aguardando ansiosamente a vinda gloriosa do Senhor, mas sem fazer da sua religião uma evasão, uma alienação do tempo presente, como uma fuga para o lugar nenhum.

Cristãos de coração vivem a solidariedade e a generosidade, com irrenunciáveis e inadiáveis compromissos fraternos, iluminados pela Palavra Divina, revigorados pela Santa Eucaristia, Alimento da caminhada e Pão de Eternidade.

Prática religiosa agradável ao Senhor

                                                             


Prática religiosa agradável ao Senhor

Reflexão à luz da passagem sobre a prática religiosa que agrada a Deus (Mc 7,1-13), proclamada na terça-feira da 5ª Semana do Tempo Comum.

Esta pressupõe o contínuo esforço de conversão, para que tenhamos pureza de coração, pois como o próprio Senhor disse: “somente os puros de coração verão a Deus” (Mt 5,8).

Já Moisés, na passagem do Livro do Deuteronômio  (Dt 4,1-2.6-8), acentuou o compromisso do Povo com a Palavra de Deus e Sua Aliança, numa sincera acolhida e vivência de Sua Lei. Não se pode adaptar, amenizar, suprimir e nada acrescentar à Palavra de Deus.

A Lei Divina deve ser vivida como expressão de gratidão a Deus; ainda mais porque ela é garantia de felicidade e liberdade, para concretizar os sonhos e esperanças do Povo Eleito e amado por Deus. Não se pode adulterar a Palavra de Deus ao sabor dos interesses pessoais.

Alguns perigos que nos acompanham e que devemos evitar:

- esvaziarmos a radicalidade da Palavra;
- cortarmos (omitirmos) seus aspectos mais questionadores;
- fazermos ou dizermos coisas que não procedem de Deus;
- cairmos num ativismo em que sacrificamos o tempo do silêncio orante diante de Deus, na acolhida de Sua Palavra;
- esvaziamento por causa do cansaço, da perda do sentido e, consequente, falta de espiritualidade e intimidade com a Palavra de Deus.

Também na Carta de São Tiago (Tg 1,17-18.21-22.27), vemos a inseparável relação  entre fé e obras. A fidelidade aos ensinamentos de Cristo nos compromete com o próximo (representado na figura do órfão e da viúva).

E nisto consiste a verdadeira religião, pura e sem mancha: solidariedade vivida e vigilância, para não se contaminar com os contravalores que o mundo apresenta.

É preciso, portanto, superar a frieza, o legalismo e o ritualismo religioso, procurando viver uma Religião comprometida com o Reino por Jesus inaugurado.

O autor da Carta nos exorta a não sermos meros ouvintes da Palavra, mas praticantes da mesma, não nos enganando a nós mesmos.

A Palavra de Deus quer encontrar no coração humano a frutuosa acolhida, portanto, há um itinerário da Palavra: acolher, acreditar, anunciar e testemunhar a Palavra de Deus, que nos garante vida e felicidade plena.

Voltando à passagem do Evangelho, Jesus nos convida à pureza de coração. Seus discípulos não podem  apenas “parecer”, mas é preciso “ser” sinal vivo da presença de Deus. Não basta parecer justo, tem que ser justo; não basta parecer piedoso, tem que ser piedoso; não basta parecer verdadeiro, tem que ser verdadeiro...

Mais que uma “carapaça exterior” é preciso de uma “coluna vertebral interior”. A religião não vive de aparências, e exige de cada crente uma sólida e forte estrutura para suportar o peso da cruz, a coragem do testemunho, a coerência de vida, o esforço contínuo de conversão, a solidariedade constante, caminho que não tem volta e tem apenas um destino: o céu.

Os mestres da Lei e os fariseus tinham aproximadamente 613 preceitos a cumprir (365 proibições e 248 prescrições). O povo simples, por não os conhecer, nem os praticar, era considerado impuro, e este será um tema de grande polêmica entre Jesus e os fariseus em vários momentos.

Para Jesus importa a pureza interior, a pureza do coração que é a sede de todos os sentimentos, desejos, pensamentos, projetos e decisões.

Jesus afirma: o que torna o homem impuro é o que sai de seu coração (apresenta uma longa lista) e não o que entra pela sua boca.

É do coração humano puro que nasce uma autêntica religião, a religião do coração, da intimidade profunda com Deus.

As Leis da Igreja não têm fins em si mesmas, mas garantem a nossa comunhão com Deus e com o próximo, na concretização do Reino.

É preciso que demos mais tempo à Palavra de Deus, em frutuosa Oração e reflexão que fará brotar novas atitudes e compromissos com Deus e o Seu Projeto para a Humanidade.

É sempre tempo de cultivar maior intimidade e compromisso com a Palavra de Deus.

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG