terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Em poucas palavras...

                                                          


As Obras de Misericórdia 

Na fidelidade a Jesus e ao Evangelho, é preciso viver as Obras de Misericórdia: 

- Corporais (dar de comer aos famintos, dar de beber aos sedentos, vestir os nus, acolher os peregrinos, dar assistência aos enfermos, visitar os presos, enterrar os mortos); 

- Espirituais (aconselhar os indecisos, ensinar os ignorantes, admoestar os pecadores, consolar os aflitos, perdoar as ofensas, suportar com paciência as fraquezas do próximo, rezar a Deus pelos vivos e defuntos).

 

Deus quer tão apenas nossa resposta de amor

                                              

Deus quer tão apenas nossa resposta de amor

Voltemo-nos para a passagem do Livro de Gênesis (Gn 22,1-19), em que retrata o sacrifício de Abraão oferecendo seu filho único, Isaac, e sejamos enriquecidos pela Homilia do Presbítero Orígenes (séc. III).

Abraão tomou a lenha do sacrifício e colocou-a sobre os ombros de seu filho Isaac. Tomou na mão o fogo e o cutelo, e foram ambos juntos.

Ora, Isaac, carregando a lenha para o próprio holocausto, é uma figura de Cristo carregando Sua Cruz. No entanto levar a lenha para o holocausto é ofício de sacerdote.

Torna-se então ele mesmo a vítima e o sacerdote. O que se segue: e foram ambos juntos refere-se a essa realidade, porque Abraão, como sacrificador, leva o fogo e o cutelo; mas Isaac não vai atrás e sim a seu lado, para que se veja que, juntamente com ele, exerce igual sacerdócio.

E depois? Disse Isaac a seu pai Abraão: Pai! Neste momento, uma palavra assim parece uma tentação. Como terá abalado o coração paterno esta palavra do filho que ia ser imolado!

Mesmo endurecido pela fé, Abraão responde com voz branda: Que queres, filho? E ele: Vejo o fogo e a lenha, mas onde está a ovelha para o holocausto? Abraão respondeu: Deus providenciará uma ovelha para o holocausto, meu filho.

Impressiona-me a resposta cuidadosa e prudente de Abraão. Não sei o que via em espírito, pois responde olhando para o futuro e não para o presente: Deus mesmo providenciará uma ovelha. Assim fala do futuro ao filho que indaga pelo presente. O Senhor providenciava para Si um cordeiro em Cristo.

Abraão estendeu a mão para pegar a faca e imolar o filho. O Anjo do Senhor chamou-o do céu, dizendo: Abraão, Abraão. Respondeu ele: Eis-me aqui. Tornou o Anjo: Não toques no menino nem lhe faças nenhum mal. Agora sei que temes a Deus.

Comparemos estas palavras com as do Apóstolo a respeito de Deus: Ele não poupou Seu Filho, mas entregou-O por todos nós. Vede Deus rivalizando com os homens em magnífica generosidade. Abraão, mortal, ofereceu a Deus o filho mortal, que não morreria então. Deus entregou à morte por todos o Filho imortal.

Olhando Abraão para trás, viu um carneiro preso pelos chifres entre os espinhos. Dissemos acima, creio, que Isaac figurava Cristo e, no entanto, também o carneiro parece figurar Cristo.

É muito importante ver como ambos se relacionam a Cristo: Isaac que não foi morto e o carneiro que o foi. Cristo é o Verbo de Deus, mas o Verbo Se fez carne.

Padece, portanto, Cristo, mas, na carne; morre enquanto homem do qual o carneiro é figura; já dizia João: Eis o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo.

O Verbo, porém, permanece incorrupto, isto é, Cristo segundo o espírito; a imagem deste é Isaac. Por isto Ele é vítima e também pontífice segundo o Espírito. Pois aquele que oferece a vítima ao Pai, segundo a carne, este mesmo é oferecido no altar da Cruz.”

Roguemos a Deus que tenhamos a mesma coragem e fidelidade de Abraão, e também ofereçamos a Deus o melhor de nós para que o Seu Reino aconteça.

Somente assim daremos sentido à nossa vida, nosso sal não perderá o seu sabor, e a nossa luz resplandecerá nas sombras e nos momentos obscuros que tenhamos que enfrentar, e a luz de Deus comunicar.

Cremos que Deus está sempre pronto a dar o Seu Filho em Alimento na Eucaristia, para nos fortalecer no carregar de nossa cruz.

Ontem como hoje, Deus não cessa de nos amar, pois é próprio de Seu amor a eternidade: Deus nos amou ontem, hoje e sempre. Que o mesmo o façamos, com toda nossa força, alma, coração e entendimento.

O Amor de Deus pede de nós tão apenas amor e não sacrifícios: “Quero a misericórdia e não o sacrifício” (Mt 9, 13), confirmou-nos o Seu Filho Amado. 

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Testemunhar a fé, viver a misericórdia

                                                        

Testemunhar a fé, viver a misericórdia

Senhor, ajudai-nos a fim de que tomemos cada vez mais consciência de que na vida de fé, quando não se avança, recua, e que jamais podemos ficar parados, ou mesmo achar que já cumprimos a missão.

Senhor, que sejamos misericordiosos como o Pai, sendo sinal de Vossa presença, portanto, sinal do Vosso amor, em cada momento de nossa vida, fazendo de cada etapa vivida o começo de uma nova, porque nisto consiste a exigência do Reino por Vós inaugurado.

Senhor, queremos comprometer nossa vida contigo, vivendo a fé com ousadia e coragem, sempre a caminho, colocando-nos em plena disponibilidade para novos trabalhos, ou os mesmos, mas feitos com zelo, amor e alegria.


Senhor, renovai nossa sensibilidade e solidariedade aos apelos da realidade concreta na qual estamos inseridos, buscando superar novos desafios e obstáculos, com um olhar de misericórdia para com o nosso próximo.

Senhor, que Vos amando expressemos este amor procurando conhecer os problemas e necessidades daqueles que padecem qualquer dor ou sofrimento, vertendo lágrimas de angústia ou por qualquer outro dilacerante motivo.

Senhor, que jamais nos cansemos ou nos omitamos na prática das obras de misericórdia corporais e espirituais, pois tão somente assim, nossa oração será frutuosa e agradável, porque acompanhada de jejum, renúncias e concreta solidariedade. Amém.


Fonte inspiradora - Mc 6, 53-56 - segunda-feira da 5ª Semana do Tempo Comum e Lc 6,27-38 do 7º Domingo do Tempo Comum - ano C

Rezando com os Salmos - Sl 128 (129)

 



Jamais a perda da esperança em Deus

“–1 Quanto eu fui perseguido desde jovem,
que o diga Israel neste momento!
–2 Quanto eu fui perseguido desde jovem,
mas nunca me puderam derrotar!

–3 Araram lavradores o meu dorso,
rasgando longos sulcos com o arado.
–4 Mas o Senhor, que sempre age com justiça,
fez em pedaços as correias dos malvados.

–5 Que voltem para trás envergonhados
todos aqueles que odeiam a Sião!
–6 Sejam eles como a erva dos telhados,
que bem antes de arrancada já secou!

–7 Esta jamais enche a mão do ceifador
nem o regaço dos que juntam os seus feixes;
=8 para estes nunca dizem os que passam:
'Sobre vós desça a bênção do Senhor!
Em nome do Senhor vos bendizemos!'”

Ao rezar o Salmo 128(129), um salmo de romaria, o povo oprimido renova a sua esperança em Deus:

“A recordação da história do povo, feita de muitas aflições, das quais, porém, Deus sempre o libertou, inspira ao salmista um olhar confiante para o futuro: os atuais inimigos não poderão derrotá-lo” (1)

Seja a nossa confiança e esperança renovada no Senhor que nos assiste em todos os momentos, e completemos em nossa carne o que falta a paixão de Cristo, como nos fala o Apóstolo Paulo:

“Alegro-me nos sofrimentos que tenho suportado por vós e completo o que na minha carne falta às tribulações de Cristo, em favor do seu Corpo que é a Igreja.”(Cl 1,24)

 

(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB – p. 840


Prantos vespertinos, alegrias matutinas... (Sl 29)

                                          

Prantos vespertinos, alegrias matutinas...
 
“Eu Vos exalto, ó Senhor, pois me livrastes,
e preservastes minha vida da morte!...
 
Cantai Salmos ao Senhor, povo fiel,
Dai-lhe graças e invocai Seu Santo nome!
 
Pois Sua ira dura apenas um momento,
Mas Sua bondade permanece a vida inteira;
 
Se à tarde vem o pranto visitar-nos,
De manhã vem saudar-nos a alegria...” (Sl 29)
 
 
Contemplo a bondade divina, presença permanente
Nas alegrias, como também nas adversidades.
 
A vida é um mistério, complexo e intenso,
De prantos vespertinos e alegrias matutinas.
 
Assim foi naquela Sexta Maior da morte do Amado Senhor,
Prantos, dor também tão intensa, lágrimas dos amigos e de Sua Mãe.
 
Assim foi naquela tarde de sábado, num silêncio abismal,
Que o vazio a humanidade experimentou.
 
Ele estava na mansão dos mortos, almas libertando,
A humanidade desde sempre e para sempre redimindo.
 
Mas algo novo se inaugurou, na madrugada da Ressurreição,
Alegria incontida das mulheres e dos amigos resplandeceu.
 
Nunca mais os prantos vespertinos ficariam sem consolo,
Porque com a Ressurreição a alegria da vitória o mundo
 
Prantos vespertinos e alegrias matutinas
Todos também as temos, irremediavelmente.
 
Não somos condenados a eternos prantos,
Mas vocacionados à eterna e plena alegria.
 
Ainda que a tristeza venha por um instante, suportemos.
Sabedoria Divina invocada, superação, alegria experimentemos.
 
Ainda que o pranto e lágrimas de dor cortante pela morte nos fragilizem,
Serão secas pela promessa da imortalidade, fé na Ressurreição.
 
Entre prantos vespertinos e alegrias matutinas,
Vamos tecendo a teia da vida, escrevendo nossa história.
 
Confiantes na bondade e ternura divinas,
Nossos prantos aos céus chegando, alegria no coração saudando. Amém.


Entre palavras (...)

                                                                 

Entre palavras (...)

“A alegria de viver (...) a fragilidade da vida”.

O que seria este (...)?

Se (...) for “e”,
Temos que a alegria de viver e a fragilidade da vida coexistem inseparavelmente, e viver consistirá em redescobrir cotidianamente a alegria, assumindo os limites da condição humana, na real expressão da fragilidade da vida.

Se (...) for “depende”,
Aprendemos que a alegria de viver depende de como suportamos os revezes da vida, devido à sua indubitável fragilidade que nos acompanha da concepção ao seu declínio natural.

Se (...) for “pressupõe”,
Faz-nos tomar consciência de que a alegria de viver pressupõe a capacidade de lidar com a fragilidade da própria vida, com seus limites que se impõe cotidianamente.

Se (...) for “apesar”,
Implica que a alegria de viver é uma busca constante, apesar da fragilidade da vida que pode nos surpreender, por isto é preciso estar sempre vigilantes para eventuais acontecimentos que nos fragilizem ou queiram roubar nossa alegria, com a busca de caminhos de superação, acrisolamento, crescimento...

Se (...) for “com”,
A alegria de viver com a fragilidade da vida são inseparáveis, como a existência cristã só é pensável com a cruz cotidiana, com suas renúncias necessárias para seguimento do Divino Mestre.

Concluindo, o Senhor jamais nos desampara, sabe de nossas fraquezas, imperfeições, nos revela a misericórdia divina, e nos assegura que tão apenas com Ele podemos alcançar a plena alegria, se n’Ele permanecermos, alimentando-nos com a Seiva do Espírito, a Seiva do Amor.

Cada momento difícil por que tenhamos que passar, não nos fragilizará, mas será como que uma poda, para que, enxertados na Verdadeira Videira que é o Senhor, muitos e eternos frutos produzamos, como Ele mesmo nos assegurou (Jo 15).

Em poucas palavras...

                                                     

A necessária missão dos jovens

“Queridos jovens, ficarei feliz vendo-vos correr mais rápido do que os lentos e medrosos.

Correi «atraídos por aquele Rosto tão amado, que adoramos na sagrada Eucaristia e reconhecemos na carne do irmão que sofre.

O Espírito Santo vos impulsione nesta corrida para a frente. A Igreja precisa do vosso ímpeto, das vossas intuições, da vossa fé.

Nós temos necessidade disto! E quando chegardes aonde nós ainda não chegamos, tende a paciência de esperar por nós».”

 

(1) Exortação Apostólica Pós-Sinodal “Christus vivit” parágrafo n.299

 

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG