segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Em poucas palavras...

                                              


Viver e transmitir com fidelidade o Evangelho

"Quem evangeliza não procura camuflar a força do Evangelho em fórmulas modernas, mais agradáveis. Procura unicamente vivê-Lo de modo mais transparente e transmiti-Lo como recebeu." (1)

 

 

 

(1)Missal Cotidiano – Editora Paulus – pág. 1244 – Comentário sobre a passagem da Primeira Carta de Paulo aos Colossenses (Cl 1,1,24-2,3)

Senhor, queremos caminhar contigo

                                                     

Senhor, queremos caminhar contigo 

“Há três coisas, meus irmãos,três coisas que mantém a fé,
dão firmeza à devoção e perseverança à virtude.
São elas a Oração, o Jejum e a Misericórdia.
O que a Oração pede, o Jejum alcança
e a Misericórdia recebe” (1)

Senhor, que neste Tempo Quaresmal, bem vivido, tomemos cada vez mais consciência de que na vida de fé, quando não se avança, recua, e que jamais podemos ficar parados, ou mesmo achar que já cumprimos a missão.

Senhor, queremos contigo viver intensamente o itinerário quaresmal, pondo-nos, com ousadia e coragem, sempre a caminho, colocando-nos em plena disponibilidade para novos trabalhos, ou os mesmos, mas feitos com zelo, amor e alegria.

Senhor, renovai nossa sensibilidade e solidariedade aos apelos da realidade concreta na qual estamos inseridos, buscando superar novos desafios e obstáculos, com um olhar de misericórdia para com o nosso próximo.

Senhor, que Vos amando expressemos este amor procurando conhecer os problemas e necessidades daqueles que padecem qualquer dor ou sofrimento, vertendo lágrimas de angústia ou por qualquer outro dilacerante motivo.

Senhor, que sejamos misericordiosos como o Pai, sendo sinal de Vossa presença, portanto, sinal do Vosso amor, em cada momento de nossa vida, fazendo de cada etapa vivida o começo de uma nova, porque nisto consiste a exigência do Reino por Vós inaugurado.

Senhor, que jamais nos cansemos ou nos omitamos na prática das obras de misericórdia corporais e espirituais, pois tão somente assim, nossa oração será frutuosa e agradável, porque acompanhada de jejum, renúncias e concreta solidariedade. Amém.



(1) Bispo São Pedro Crisólogo (séc. V)
Fonte inspiradora - Mc 6, 53-56

Concedei-nos, Senhor, vida e Salvação

                                                       


Concedei-nos, Senhor, vida e Salvação


Senhor Jesus Cristo, realizastes tantas curas, e ontem como hoje persiste, com efeito, o equívoco sobre a Boa-Nova que fostes enviado a anunciar e sobre a Salvação que nos alcançastes, bem como Vossa própria identidade.

Ontem como hoje, pode ocorrer que como as multidões, procuremos o pão e a cura e nos esqueçamos da conversão do coração, da adesão à Vossa Pessoa, do Projeto pelo qual destes a Vossa vida, da súplica do perdão de nossos tantos pecados.

Senhor Jesus Cristo, não permitais que caiamos na tentação da busca de uma Salvação exterior, fácil, obtida simplesmente “tocando Vossas vestes”, recitando uma oração, cumprindo uma prática externa, ou talvez entrando numa associação ou ordem religiosa.

Ajudai-nos, no caminho da Salvação, que se dá na profundeza de nosso coração, a fim de que seja interior e radical, curando o nosso coração, assumindo com renúncias e coragem a cruz de cada dia.

Senhor Jesus Cristo, que vejamos todas as demais curas como sinais de Vossa vontade de doação de Vossa Vida, da verdadeira Salvação, que é de todas as pessoas e da pessoa toda. Amém.

 

 

PS: Missal Cotidiano - Editora Paulus p.740 - Comentário da passagem do Evangelho de Marcos (Mc 1,40-45; 6,53-56).

Jesus quer nossa resposta de amor

                                    

Jesus quer nossa resposta de amor

Ouvimos, na sexta Quinta-feira do Tempo Comum, a passagem do Evangelho em que somos questionados sobre quem é Jesus para nós (Mc 8, 27-33).

Procuremos respostas para esta instigante questão - “Quem é Jesus para nós?” para maior correspondência às exigências para o Seu seguimento.

Somente na acolhida de Jesus e do Projeto Divino, que Ele vem realizar na mais perfeita obediência, no dom total da vida aos irmãos, é que estaremos, de fato, no caminho da vida plena, aparentemente um caminho de fracasso, porque inevitavelmente passa pela cruz.

Para nós, Jesus é “o Filho do Homem”, o Filho de Deus que oferece Sua vida como dom, por Amor a humanidade.

Pedro responde corretamente: “Tu és o Messias, o Filho de Deus”. Um Messias diferente do que se esperava, um Messias que passa pela Cruz, pela entrega da Sua vida.

Quem quiser segui-Lo terá que renunciar a si mesmo e tomar a sua cruz cotidianamente.

Renunciar a si mesmo será dizer não ao egoísmo, ao comodismo, ao orgulho e à autossuficiência, fazendo da própria vida doação total, amor radical, entrega até a morte, como o próprio Jesus o fez.

Jesus não pode ser para nós o que representa para alguns:

- homem bom, generoso e atento aos sofrimentos dos outros;
- admirável mestre da moral;
- condutor de massas que passou de moda;
- um revolucionário;
- ou ingênuo e inconsequente.

Como discípulos missionários do Senhor, Ele tem que ser o nosso Redentor, a razão de todo nosso existir. Precisamos ter sua Pessoa, Palavra e ensinamentos como referências fundamentais sobre as quais construímos a nossa existência.

Colocando-nos nas mãos de Deus, viver a nossa história como Pedro o fez, vivendo a vida complexa de sombras e luz. Deus sabe trabalhar com nossas fraquezas e limitações.

É preciso colocar-se a caminho, multiplicando gestos que expressem nossa fé em Deus e nossa fidelidade ao Seu Projeto de Vida Plena para toda a humanidade.

De fato, o Reino de Deus cresce apesar de nossas limitações e Deus nos chama e nos convida a participar desta construção. 

Reflitamos: 

-  Qual é a nossa resposta ao chamado de Deus na construção do Reino?
-  Como tem sido nossa participação?
-  De que modo estamos seguindo o Senhor?
-  Como estamos carregando a nossa cruz de cada dia?
   
Renovemos todos os dias nossa fidelidade ao Senhor, pois somente n’Ele, e com Ele, a alegria, a vida, a realização, a paz, porque  Ele é a nossa mais bela e inesgotável Divina Fonte de Amor. 

Primeiros para amar e servir

                                             


                                                     Primeiros para amar e servir

Na 7ª terça-feira do Tempo Comum, ouvimos a passagem do Evangelho em que Jesus faz o segundo anúncio de Sua Paixão (Mc 9,30-37), e temos a oportunidade de refletir sobre a verdadeira autoridade: 


A verdadeira autoridade não está em estar acima dos outros, oprimir os outros, na afirmação de si mesmos reduzindo os outros a escravos, clientes ou aduladores; está em ‘ser primeiros para os outros’. Em colocar o que se tem de bom a serviço de todos.

Isto cria a nova grandeza evangélica, que é verdadeira grandeza, porque, se é verdade que ‘os primeiros serão os últimos’, é verdade também que ‘os últimos’ (estes últimos dos quais nos falou o Evangelho serão os primeiros (Mt  20,16)”. (1)

Parece pequena a diferença, mas na verdade é  imensa: é preciso antes “ser primeiro que os outros”, “ser primeiro para os outros”.

Quantas vezes, vemos disputas dentro e fora de nossas comunidades, para ver quem é o melhor, quem chega primeiro, quem tem mais acesso, mais ibope.

A busca do primeiro que o outro só tem sentido se for movido pelo amor doação, serviço, para que todos tenham vida e vida plena.

Sejamos os primeiros a nos colocar alegremente no carregar da cruz, em solidariedade com os crucificados.

Também para carregar nossa cruz de cada dia, com renúncias, coragem e fidelidade, testemunhando e ajudando o próximo no carregar de sua cruz, como “Cirineus”, que o mundo tanto precisa, na promoção do bem, da verdade, da justiça, da ética, dos valores que, se vividos, tornam o mundo mais belo.


Sejamos os primeiros a promover o bem, a verdade, a justiça, a ética, os valores que, se vividos, tornam o mundo mais belo.

Sejamos os primeiros a estender a mão a quem mais precisa: primeiro para amar e servir. 


Eis a grande lição que Jesus nos dá nesta passagem do Evangelho e em todos os momentos

Eis a grande lição que Jesus nos dá na passagem do Evangelho, e que na Escola do Divino Mestre, Jesus, temos que aprender todos os dias e em todos os momentos, e deste modo nos tornamos sal da terra e luz do mundo, e vivemos o discipulado com ardor, amor e alegria.


(1) O Verbo Se faz Carne - Raniero Cantalamessa - Editora   Ave Maria - 2013 - p.438

Conduzidos pela loucura evangélica, a suprema sabedoria

                                                      

Conduzidos pela loucura evangélica, a suprema sabedoria

Na sétima terça-feira do Tempo Comum, ouvimos a passagem do Evangelho de Marcos (Mc 9,30-37), que trata do segundo anúncio da Paixão do Senhor, que desconcerta os discípulos, porque compreendem que seguir Jesus implica em viver como Ele; tornar-se como Ele, servos de todos.

Assim nos diz o comentário do Missal:

“... A experiência deveria mostrar que a suposta loucura evangélica é a suprema sabedoria. A cobiça, a intolerância, a inveja, a submissão aos instintos humanos de posse e de domínio, sempre geraram guerras e conflitos, encobertos ou declarados, não só no mundo, mas também nas comunidades cristãs e na própria Igreja.

Os frutos da paz e da justiça amadurecem lentamente, mas com firmeza, quando cada qual, em vez de tentar dominar os outros, torna-se humilde ‘servo de todos’. As comunidades cristãs, a Igreja, ‘serva e pobre’, devem oferecer ao mundo uma imagem da cidade do Alto.” (1)

Celebrando o Mistério da Eucaristia, mais uma vez, alimentados por Ela e pela Palavra proclamada, como discípulos missionários, renovemos sagrados compromissos de nos tornarmos, cada vez mais, como Jesus, nosso Divino Mestre e Senhor.

Deste modo cumpriremos plenamente a Lei Divina impressa nas entranhas de nosso coração, e viveremos o duplo Mandamento do Amor a Deus e ao próximo, e para tanto supliquemos a graça divina necessária.


(1) Missal Quotidiano Dominical e Ferial - Editora Paulus – Lisboa p.1959

Lírios manchados... até quando?

Lírios manchados... até quando?

"A voz do sangue do teu irmão 
está clamando por mim, da terra" (Gn 4,10)

Até quando:

- Lírios manchados pela violência doméstica e intrafamiliar por meio dos membros de uma família ou que ocupam o mesmo espaço, com intolerância, abusos, agressão e dominação de modo especial contra a mulher, criança, jovens e idosos?

Lírios manchados pela violência criminal, que é pratica de agressão grave às pessoas; pelo atentado à vida e aos seus bens?

Lírios manchados pela multiplicação do ódio e intolerância entre as pessoas, levando à morte por agressões corporais, armas brancas ou de fogo?

Lírios manchados pela violência da exploração do trabalho escravo,  infantil e juvenil?

Lírios manchados pelo tráfico de pessoas, drogas e armas que proliferam e crescem absurdamente?

Lírios manchados pela violência estrutural e sistêmica, gerando uma sociedade injusta e desigual, entre culturas, gêneros, faixas etárias e grupos étnicos?

Lírios manchados pela violência institucional por meio de suas regras, normas de funcionamento, com relações burocrática e políticas, perpetuando estruturas e comportamentos injustos?

Lírios manchados pela miséria, fome, submissões, exploração e repressões com faces diferenciadas?

Lírios manchados pela violência interpessoal para a superação de conflitos expressos em atitudes de prepotência, intimidação, discriminação, raiva, vingança e inveja?

Lírios manchados pelos danos morais, psicológicos e físicos, e por meio de ameaça, insultos, chantagens, constrangimentos, humilhação, manipulação, vigilância permanente, ridicularização, perseguição e tantas outras formas, causando danos e doenças emocionais e psíquicas, chegando à sua máxima expressão que é a morte?

Lírios manchados pela violência autoinfligida, com seus atos suicidas, automutilações, que crescem cada dia, e de modo acentuado, entre a juventude?

Lírios manchados pela violência étnico-racial, contra pessoas negras, indígenas, migrantes e refugiados?

Lírios manchados pela violência de gênero, multiplicado por atitudes de opressão e crueldade pelo fato do outro ser mulher, homem ou de outra orientação sexual?

Lírios manchados pela violência sexual, que leva alguém a presenciar, manter ou participar de relação sexual não desejada por meio da intimidação, ameaça, coação ou uso da força, como o assédio sexual, estupro, prostituição forçada, tráfico de pessoas para fins de exploração sexual?

Lírios manchados pela violência praticada por redes de exploração sexual, que agem vitimando crianças e adolescentes no mundo inteiro?

Lírios manchados pela violência simbólica, por meio de diferentes modos: arte, religião, mídia e outros sistemas simbólicos, reforçando relações assimétricas e hegemônicas, desqualificações, preconceitos?

Lírios manchados pela violência cultural, expressa por meio de valores, crenças, mitos, práticas, reproduzidos e naturalizados, com preconceitos que prejudicam e oprimem, por vezes, os diferentes?

Lírios machados pela mentira difundida, palavras impronunciáveis, pensamentos execráveis, olhares condenatórios ou de indiferença?

Lírios manchados por sentimentos cultivados, que são incompatíveis com a beleza e sacralidade da vida, e de modo especial, com os ensinamentos da Sagrada Escritura?

Lírios manchados pela violência religiosa, motivada pela intolerância e fanatismo, fundamentalismo, que não geram a comunhão e a fraternidade, a religação das pessoas entre si e com Deus?

Lírios manchados por causa da violação do Planeta Terra, nossa casa comum, por causa da depredação, ambição, consumo sem escrúpulos e destruição?

Lírios manchados por violências de tantos outros nomes:

Lírios manchados desde os primeiros momentos, a partir do pecado de nossos pais no Paraíso, em atitude autossuficiência, e rompimento da amizade divina.

Lírios manchados pelo sangue de Abel derramado, vítima da inveja de seu irmão, que ontem e hoje se repete, clamando aos céus.

Lírios manchados dos profetas e mártires de todos os tempos.

Divino Lírio manchado, Jesus, chagado, sangue derramado, na Cruz crucificado.

Divino Lírio manchado, Jesus, com Seu Sangue derramado, mundo novo reconciliado, nós amados e perdoados.

Divino Lírio manchado, Jesus, crucificado para crucificar e acabar com toda morte e violência, que atente contra a vida da humanidade.

Até quando os lírios serão manchados pelas lágrimas e sangue por causa da violência?

O que fazemos para que os lírios da paz floresçam no jardim que Deus nos colocou?

Ressoe em nosso coração o que o Senhor nos disse, e haveremos de, definitivamente, aprender: “Vós sois todos irmãos” (Mt 23,8).

Basta de lírios manchados, lírios manchados de lágrimas e sangue!
Não manchemos os lírios com nossas palavras, pensamentos, omissões e atitudes!

Fraternidade e superação da violência; cultura de vida e de paz.


Fontes de pesquisa:
Texto base da Campanha da Fraternidade 2018;
“Fraternidade e a superação da violência, um caminho de justiça e misericórdia” - Ir. Eurides Alves de Oliveira - Revista Convergência n.508 - janeiro/fevereiro 2018- ano LIII

Para reflexão da passagem do Livro de Gênesis (Gn 4,1-15.25)


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