segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Em poucas palavras... (Apresentação do Senhor)

                                                 


A família cristã

“«A família cristã constitui uma revelação e uma realização específica da comunhão eclesial; por esse motivo [...], há de ser designada como uma igreja doméstica» (Papa São João Paulo II). Ela é uma comunidade de fé, de esperança e de caridade: reveste-se duma importância singular na Igreja, como transparece do Novo Testamento (Cf. Ef 5, 21-6, 4; Cl 3, 18-21; 1 Pe 3, 1-7.).” (1)

 

 

(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 2204

Em poucas palavras... (Apresentação do Senhor)

                                         


Família: “Ecclesia domestica”

“Nos nossos dias, num mundo muitas vezes estranho e até hostil à fé, as famílias crentes são de primordial importância, como focos de fé viva e irradiante.

É por isso que o II Concílio do Vaticano chama à família, segundo uma antiga expressão, «Ecclesia domestica – Igreja doméstica» (Lumen Gentium n.11).

É no seio da família que os pais são, «pela palavra e pelo exemplo [...], os primeiros arautos da fé para os seus filhos, ao serviço da vocação própria de cada um e muito especialmente da vocação consagrada» (Lumen Gentium 11).”

 

(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 1656

Em poucas palavras... (Apresentação do Senhor)

                                         


A missão de evangelizar os filhos

“Pela graça do sacramento do matrimônio, os pais receberam a responsabilidade e o privilégio de evangelizar os filhos. Desde tenra idade devem iniciá-los nos mistérios da fé, de que são os «primeiros arautos» (Lumen Gentium 11).

Hão de associá-los, desde a sua primeira infância, à vida da Igreja. A maneira como se vive em família pode alimentar as disposições afetivas, que durante toda a vida permanecem como autêntico preâmbulo e esteio duma fé viva.” (1)

 

(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n.2225

Peregrinos da Esperança, aprendamos com Tobias

                                                       

Peregrinos da esperança, aprendamos com Tobias

Um pequeno decálogo do discípulo missionário do Senhor, à luz do Livro de Tobias:

01 – Ser vigilante em todas as obras.
02 – Mostrar-se prudente na conversação.
03 – Não fazer a ninguém o que para si não desejar.
04 – Dar do próprio pão a quem tem fome.
05 – Dar as próprias vestes aos que estão despidos.
06 – Dar de esmola todo o supérfluo.
07 – Bendizer ao Senhor em todo o tempo.
08 – Pedir ao Senhor que sejam retos os caminhos.
09 – Pedir ao Senhor êxito em todos os passos.
10 – Pedir ao Senhor êxito, também, em todos os projetos.

Dez bons propósitos a serem vividos, como discípulos missionários, para que sejamos sal da terra e luz do mundo, como nos disse o próprio Senhor (Mt 5,13-16), e sejamos peregrinos da esperança.

Estejam, portanto, presentes estas orientações em nosso pensar, falar e agir: vigilância, prudência, bondade, partilha, a súplica confiante ao Senhor para êxito em nosso discipulado, no anúncio e testemunho, acompanhado do louvor e gratidão por Sua presença que nos fortalece, porque nos envia o Seu Espírito para maior fidelidade ao Pai.


Fonte inspiradora: Tb 4,14b-15a.16ab.19a

Jesus, um sinal de contradição (Apresentação do Senhor)

                                                     

Jesus, um sinal de contradição


Sejamos enriquecidos pelo comentário ao Evangelho de Lucas, escrito por São Cirilo de Alexandria (séc. V):

“E o que disse de Cristo o profeta Simeão? Este menino vai ser causa tanto de queda como de reerguimento para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição, visto que o Emanuel é posto para os alicerces de Sião por Deus Pai, sendo uma pedra escolhida, angular e preciosa.

Aqueles, então, que confiaram n’Ele não se envergonharam; mas aqueles que eram descrentes e ignorantes, e incapazes de compreender o mistério a respeito d’Ele, caíram, e foram feitos em pedaços.

Por Deus Pai novamente foi dito em outro lugar: Eis que ponho em Sião uma pedra de tropeço e uma rocha de escândalo, e aquele que crê nela não será confundido; mas aquele sobre quem ela cair, ele será esmagado.

Mas o profeta tranquilizou aos israelitas dizendo: Só ao Senhor chameis de Santo, é a Ele que é preciso respeitar, a Ele que se deve temer. Ele será a pedra de escândalo e a pedra de tropeço.

No entanto, porque Israel não santificou o Emanuel, que é Senhor e Deus, nem estava disposto a confiar n’Ele, tropeçaram em uma pedra por causa da descrença, e ele foi feito em pedaços e caiu. Porém, muitos se reergueram, isto é, aqueles que abraçaram a fé n’Ele.

Por isso mudaram do legalismo para um ofício espiritual; tendo neles um espírito de serviço, foram enriquecidos com aquele Espírito que os torna livres, e que é o Espírito Santo; eles foram feitos participantes da natureza divina, considerados dignos da adoção filial, e de viver na esperança de alcançar a cidade que é do Alto, até mesmo a cidadania, ou seja, o Reino dos Céus.

E pelo sinal de contradição, Ele significa a preciosa Cruz, em nome da qual o sapientíssimo Paulo escreve: para os judeus é escândalo, e loucura para os pagãos. E novamente: Para os que estão perecendo é loucura; porém, para nós que somos salvos, é o poder de Deus para a salvação.

O sinal, portanto, de contradição, se para aqueles que perecem lhes parece ser loucura, todavia, para aqueles que reconhecem o seu poder, ele é salvação e vida.

E Simeão ainda disse à Santa Virgem: Sim, uma espada transpassará a tua alma, significando pela espada a dor que ela sofreria por Cristo, visto que ela trouxe à luz o crucificado; e sem saber que Ele seria mais forte do que a morte, e ressurgiria da sepultura. Ou tu podias imaginar que a Virgem não sabia disso, quando vamos encontrar até mesmo os Santos Apóstolos, então, com pouca fé; pois em verdade o bem-aventurado Tomé, se não introduzisse suas mãos no seu lado após a ressurreição, e sentisse também as marcas dos pregos, iria desacreditar os outros discípulos que lhe diziam que Cristo ressuscitou e tinha-se manifestado a eles.

O evangelista com sabedoria, portanto, para o nosso benefício nos ensina tudo quanto o Filho, feito carne, consentiu padecer por nossa pobreza, suportar em nosso benefício e em nosso favor, para que possamos glorificá-Lo como nosso Redentor e Senhor, nosso Salvador e nosso Deus: por quem e com quem a Deus Pai e pelo Espírito Santo sejam a glória e o poder pelos séculos dos séculos. Amém.” (1)

Este comentário nos ajuda no aprofundamento do quarto Mistério gozoso: a apresentação do Menino Jesus no Templo (cf. Lc 2,22-40).

Jesus é apresentado no Templo, e a Maria, Simeão anunciou que uma espada lhe transpassaria a alma (cf. Lc 2,33-35), porque Aquele Menino seria sinal de contradição para o mundo.

O ancião Simeão reconheceu aquela Criança como o Salvador do mundo, e nisto consistiu seu anúncio sobre a espada de dor de Nossa Senhora, numa plena e incondicional obediência à vontade de Deus.

Ela viveu cada momento da vida de Jesus, até o fim, no momento ápice aos pés da Cruz, quando Ele deu a vida por amor de todos nós, e recebeu o Corpo sem vida de Seu Filho.

Mas a fé em Deus, a fez presente junto aos apóstolos mais tarde, ao celebrar com os apóstolos o Mistério da Eucaristia (At 1,12-14).

Oportuna as palavras do Papa São João Paulo II na Encíclica “Ecclesia de Eucharistia”:   Impossível imaginar os sentimentos de Maria, ao ouvir dos lábios de Pedro, João, Tiago e restantes apóstolos as palavras da Última Ceia: « Isto é o meu corpo que vai ser entregue por vós » (Lc 22, 19). Aquele corpo, entregue em sacrifício e presente agora nas espécies sacramentais, era o mesmo corpo concebido no seu ventre!” 

Supliquemos a Deus que tenhamos coragem como Maria, na obediência e fidelidade à vontade divina, como discípulos missionários do Senhor, sinal de contradição para o mundo, no carregar de nossa cruz cotidiana. Amém.

  

(1)Lecionário Patrístico Dominical - Editora Vozes - 2013 - p.294


PS: Oportuno para a Celebração da Festa da Sagrada Família; Apresentação do Senhor no templo - passagem do Evangelho (Lc 2,22-40).

Em poucas palavras... (Apresentação do Senhor)

                                           


O Encontro de Simeão, Maria e Jesus

“O ancião toma o Menino nos seus braços,

mas o Menino é o Senhor do ancião;

uma Virgem dá à luz ficando virgem

e adora Aquele mesmo que gerou.” (1)

 

 

(1)Antífona Vésperas da Apresentação do Senhor - Cântico Evangélico – Magnificat (Lc 1,46-55)

Festa da Apresentação do Senhor : Anunciar Aquele que foi apresentado!

                                                           


Festa da Apresentação do Senhor:
Anunciar Aquele que foi apresentado!

A Festa Litúrgica da Apresentação do Senhor, celebrada dia 02 de fevereiro, teve sua origem no séc. IV, inicialmente no oriente.

No pleno cumprimento da Lei de Moisés, Maria e José levam o menino Jesus, depois de quarenta dias do Seu nascimento, para apresentá-Lo no templo.

Normalmente contemplamos este acontecimento quando rezamos os Mistérios gozosos, que na verdade, já trazem em si o germe dos mistérios dolorosos:

Quando Simeão, o justo e piedoso, lá no templo, anuncia a Maria que uma espada lhe transpassaria a alma, referia-se a missão Daquela criança, luz das nações, Salvador de todos os povos, causa de queda e reerguimento de muitos…

A apresentação do Senhor no templo não era apenas cumprimento de um ritual prescrito, de modo que os Santos Padres dizem que é muito mais:

Maria oferecia seu Filho para a obra da redenção com a que Ele estava comprometido desde o princípio…

Vejamos o que nos diz São Bernardo (séc. XII), sobre a Apresentação do Senhor:
“Oferece teu filho, Santa Virgem,
e apresenta ao Senhor o fruto bendito de teu ventre.
Oferece, para reconciliação de todos nós,
A Santa Vítima que é agradável a Deus” .

Nos braços de Simeão, o Menino Jesus não é só oferecido ao Pai, mas também ao mundo…
Maria é assim a Mãe da humanidade…
O dom da vida vem através de Maria…

Festa da Apresentação do Senhor:

Aquele que foi apresentado no templo é a luz do mundo e a Salvação tão esperada, agora por Ele há de ser realizada.

Ele é a luz de Deus enviada ao mundo, redenção da humanidade.

Acender as velas nesta celebração, e caminhar com elas nas mãos, é acolher Jesus como nossa luz e nossa salvação e, ao mesmo tempo, o compromisso de anunciá-Lo ao mundo.

Aquele que foi apresentado no templo, uma vez acolhido, também ao mundo deve ser apresentado, e isto acontece quando vivemos a graça do Batismo e somos sal da terra e luz do mundo, fazendo de nossa vida, uma agradável oferenda ao Senhor.

Ofertemos nossa vida cotidianamente com sacrifícios, constantes renúncias, lembrando que toda oferta é sacrifício, mas há de ser agradável sacrifício celebrado no Altar do Sacrifício do Senhor.

Assim, tomando nossa cruz 
com serenidade e fidelidade, segui-Lo;
até que um dia possamos fazer da Cruz
instrumento de travessia para a eternidade, para o céu.
Amém.

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG