segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026
Anunciemos Aquele que foi apresentado! (Sagrada Família - Ano B)
Anunciemos Aquele que foi apresentado!
“Encontramos o Messias” - O Cristo
“Encontramos o Messias” - O Cristo
“Encontramos o Messias” (Jo 1,41), Aquele que veio para:
- Salvar toda a humanidade, todos os povos;
- Vencer o poder do mal e libertar-nos dos espíritos impuros, de modo que nada pode opor-se à Sua Palavra e ação;
- Revelar a todos nós a importância e beleza da vida, com sua sacralidade;
- Devolver a alegria da missão e anunciar ao mundo as maravilhas que Deus realiza
- Revelar o rosto misericordioso do Pai - “Sede misericordiosos como o Pai” (cf. Lc 6,36);
- Ensinar a viver a compaixão, no temor, piedade, e solidariedade para com o outro.
- Curar nossas enfermidades, físicas e espirituais, como o fez curando a mulher com hemorragia;
- Comunicar e nos envolver com o Seu amor, que acolhe, perdoa e dá nova vida;
- Alcançar para nós, por Sua Morte e Ressurreição, a nossa Ressurreição;
- Morrer, ressuscitar e enviar do Pai o Espírito, para nos acompanhar na missão, e não tem Ele, o Senhor, outro plano – quer contar conosco, com nossos limites...
Tendo encontrado o Messias, renovemos a cada dia a graça deste encontro na Celebração da Eucaristia, crendo em Sua real presença, piamente; celebrando piedosamente e vivendo intensamente.
Ressoem as palavras de Santo Anselmo (séc. XII):
“Ensinai-me a Vos procurar e mostrai-Vos quando Vos procuro; não posso procurar-Vos se não me ensinais nem encontrar-Vos se não Vos mostrais. Que desejando eu Vos procure, procurando Vos deseje, amando Vos encontre, e encontrando Vos ame”.
Fontes inspiradoras:
- Liturgia da segunda-feira da quarta semana do tempo comum (ano par): 2 Sm 15,13-14.30; 16,5-13a; Sl 3; Mc 5,1-20.
- Liturgia da terça-feira da quarta semana do tempo comum (ano par): 2 Sm 18,9-10.14b.24-25a.30-19,3; Sl 85; Mc 5,21-43.
“Cala-te, sai deste homem!”
“Cala-te, sai deste homem!”
Sejamos enriquecidos pelo Comentário de São Jerônimo, Bispo da Igreja (séc. V), sobre a passagem do Evangelho de São Marcos (Mc 5,1-20) proclamada na quarta segunda-feira do Tempo Comum (ano B)
“E Jesus ameaçou: Cala-te e sai deste homem. A verdade não necessita de testemunho da mentira. Não vim para ser reconhecido pelo teu testemunho, mas para precipitar-te de minha criatura.
Não é belo o louvor na boca do pecador. Não necessito do testemunho daquele ao qual quero atormentar. Cala-te. Teu silêncio seja o meu louvor. Não quero que a tua voz me louve, mas os teus tormentos: tua pena é meu louvor.
Não me é agradável que me louves, mas que se retire. Cala-te e sai deste homem. Como se dissesse: sai de minha casa, o que fazes em minha morada? Eu desejo entrar: Cala-te e sai deste homem.
Deste homem, ou seja, deste animal racional. Sai deste homem: abandona esta morada preparada para mim. O Senhor deseja a sua casa: sai deste homem, deste animal racional.
Sai deste homem, disse também em outro lugar a uma legião de demônios para que saíssem de um homem e entrassem nos porcos.
Vede quão preciosa é a alma humana. Isto contradiz àqueles que creem que nós e os animais temos uma mesma alma e trazemos um mesmo espírito.
De um só homem é lançada a legião e envida a dois mil porcos, o que nos permite ver que é precioso o que se salva e de pouco valor o que se perde.
Sai deste homem e vai-te para os porcos, vai-te para os animais, vai-te para onde queiras, vai-te aos abismos. Abandona ao homem, ou seja, abandona uma propriedade particularmente minha.
Sai deste homem: não quero que tu possuas ao homem; para mim é uma injúria que habites no homem, sendo eu o que habita nele.
Eu assumi o corpo humano, eu habito no homem. Essa carne que possuis é parte de minha carne, portanto, sai deste homem.
E o espírito imundo, agitando-o violentamente... Com estes sinais mostrou sua dor, agitando-o violentamente.
Aquele demônio, ao sair, como não podia causar dano à alma, o fez ao corpo, e, como não podia fazer-se compreender por outro meio, manifesta com sinais corporais que saiu.
E o espírito imundo, agitando-o violentamente... Porque ali estava o espírito impuro que foge do espírito puro. E dando um grito, saiu dele. Com o clamor da voz e a agitação do corpo manifestou que saía.” (1)
Contemplemos a ação libertadora de Jesus, ontem, hoje e sempre em Sua Igreja.
Quão preciosos somos aos olhos de Deus, e nada pode roubar nossa liberdade, tão pouco violar a sacralidade de nossa existência.
Acolhamos com fé a Palavra do Senhor, que nos liberta de toda possessão, e faz luminosos nossos caminhos.
Experimentemos, cotidianamente, a força da Palavra de Deus, e dela nos saciemos incessantemente, renovando nossas forças no bom combate da fé.
(1)Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 – pág. 379-380
domingo, 1 de fevereiro de 2026
Bem-Aventuranças vividas, sal da terra e luz do mundo seremos (IVDTCA)
Bem-Aventuranças vividas, sal da terra e luz do mundo seremos
“Bem-Aventurados os pobres em espírito...”
No quarto Domingo do Tempo Comum (Ano A), refletimos sobre o caminho dos discípulos missionários do Senhor, de modo especial contemplado nas Bem-Aventuranças que Jesus Cristo nos apresenta, no alto da Montanha. Na passagem da primeira Leitura (Sf 2,3;3,12-13), o profeta Sofonias (séc. VII) denuncia o orgulho e a autossuficiência dos ricos e dos poderosos, acompanhado do convite ao Povo de Deus, para que se converta à pobreza, entregando-se nas mãos de Deus, com total confiança, abertura e fidelidade ao Seu Plano Divino. Na passagem da segunda Leitura (1 Cor 1,26-31), o apóstolo exorta a comunidade a encontrar em Cristo Crucificado a verdadeira sabedoria, que conduz à Salvação e à vida plena: “O cristão não tem outra missão senão dar a própria vida, deixá-la tomar gota a gota, dia a dia, reconhecendo que Cristo é o centro da vida e, fora do Seu amor, não se pode viver e nada tem valor... Paulo reconhece na disponibilidade interior de confiança e esperança para o amor de Cristo, a presença ativa do Cristo Ressuscitado. Ainda hoje, para cada comunidade nossa, como ontem para a comunidade de Corinto, nada é deveras grave senão perder o amor (cf.v.30)” (1). Com a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 5,1-12a), refletimos sobre as Bem-Aventuranças a serem vividas como caminho para a felicidade, que é em sua exata medida, o caminho para a santidade, e tão somente assim, sal da terra e luz do mundo seremos. Evidentemente, viver as Bem-Aventuranças, como projeto e desafio permanente, exige que carreguemos a cruz cotidianamente, com suas necessárias renúncias, o que somente será possível se crermos piamente que Jesus viveu, morreu e desceu à mansão dos mortos, mas Ressuscitou triunfalmente ao terceiro dia. Contemplemos as quatro primeiras Bem-Aventuranças, que definem a atitude fundamental do discípulo missionário de Jesus Cristo: pobre, aflito, manso e sedento de justiça. As quatro seguintes referem-se à vida de relação com o outro: ser misericordioso, puro de coração, promotor da paz e testemunha corajosa. Vejamos o que nos diz cada Bem-Aventurança do Sermão da Montanha: 1ª - pobres em espírito: trata-se de uma condição espiritual e não a pobreza material em si. Na linguagem hebraica pode ser entendido como devoto, fiel, aquele que coloca a sua confiança em Deus; 2ª - o discípulo é enviado não apenas para levar a Boa Notícia aos pobres, mas também consolar os aflitos, em situações difíceis, para que reencontrem a esperança, certos de que Deus intervirá e acabará com os motivos da aflição; 3ª - o discípulo viverá a mansidão na imitação de Jesus, com domínio dos instintos, e sabe que, mesmo em situações de oposição, respeita ao outro e não reage recorrendo a violência. A este é prometida a posse da terra que consiste na vida eterna no Reino dos céus, a Salvação; 4ª - o discípulo é faminto e sedento de justiça, empenha-se no cumprimento da Lei de Deus e se compromete em viver conforme a Sua vontade acima de tudo; e encontrará pleno cumprimento no Banquete Messiânico, que nos será oferecido na eternidade e que já experimentamos em cada Celebração da Eucaristia; 5ª - o discípulo se reconhece pecador e tem continuamente a necessidade da misericórdia divina, e esta acolhida o leva a viver as obras de misericórdia (corporais e espirituais); 6ª - o discípulo é puro de coração, e entende-se coração como a sede dos sentimentos e dos desejos, dos pensamentos e das ações. Ser puro de coração é ser sincero no proceder, que não pensa de um modo e age de outro. Não cultiva más intenções para com o próximo, e sua pureza diante de Deus não se obtém pela prática de alguns ritos, mas numa conduta de vida boa, sincera que se concretiza na prática do bem; 7ª - é promotor da paz em todos os âmbitos (família, comunidade e no mundo). Empenha-se concretamente no cultivo dos sentimentos de paz em atitudes de conciliação, compreensão e paciência. Sabe que a paz é dom de Deus, que nos criou à Sua imagem e semelhança, seremos chamados filhos de Deus, por isto o compromisso inadiável e irrenunciável na promoção da paz; 8ª - o discípulo pobre em espírito, aflito, com fome e sede justiça será perseguido. Sabe que encontrará hostilidades, mas tem plena convicção da presença de Deus, sabe que o Reino e suas Bem-Aventuranças lhe pertencerão. A perseguição enfrentada é um sinal de que se está ao lado de Cristo, na vivência de seu batismo e a dimensão profética. Na realização das atividades pastorais é sempre oportuno rever objetivos e estratégias para melhor anunciarmos e testemunharmos a Boa-Nova de Jesus Cristo. Conduzidos e iluminados pelas Bem-Aventuranças, seremos pobres em espírito, com absoluta e incondicional confiança em Deus; possuiremos a mansidão necessária para enfrentarmos as situações adversas; viveremos as aflições cotidianas, certos de que Deus jamais nos desampara, e nos dá Seu consolo, força e proteção. Nossa fome e sede de justiça serão saciadas, e não nos omitiremos nos sagrados compromissos por um novo céu e uma nova terra, com relações que expressem maior fraternidade e comunhão. Viveremos a misericórdia, expressa na acolhida, no perdão, na solidariedade, capacitando-nos e nos colocando com alegria como instrumentos da paz, para sinalizar a presença do Reino em nosso meio. Iluminados por elas, teremos a pureza de coração e de alma necessária, gerando e formando Cristo em nós e nos outros, com maturidade e coragem para suportar eventuais insultos, calúnias, tormentos, perseguições e, até mesmo a morte, se ela se fizer presente, ainda que indesejável, como assim testemunharam os profetas, apóstolos, mártires e tantos cristãos, nesta longa história de amor e fidelidade ao Senhor. Pelas Bem-Aventuranças iluminados, evangelizaremos com amor, zelo e alegria, com a presença do Espírito do Senhor que repousa sobre nós (Lc 4,18), firmando nossos passos com coragem, firmeza, fidelidade, sem vacilar na fé e no testemunho da esperança, acompanhado da prática do mandamento do Amor a Deus e ao próximo. Sejamos sempre conduzidos e iluminados pelas Bem-Aventuranças, com a convicção de que seremos julgados por Deus: “No entardecer de nossa vida seremos julgados pelo amor” (São João da Cruz). Oremos:
“Ó Deus, que prometestes aos pobres e aos humildes as alegrias do Vosso Reino, fazei que a Igreja não se deixe seduzir pelos poderes do mundo, mas, à semelhança dos pequenos do Evangelho, siga confiante o Seu Esposo e Senhor, para que possa experimentar a força do Vosso Espírito. Amém.”
Fonte – dehonianos.org
(1)Missal Cotidiano – Editora Paulus – p. 1214
Em poucas palavras... (IVDTCA)
“As bem-aventuranças retratam o rosto de Jesus”
“As bem-aventuranças retratam o rosto de Jesus Cristo e descrevem-nos a sua caridade: exprimem a vocação dos fiéis associados à glória da Sua Paixão e Ressurreição; definem os atos e atitudes características da vida cristã; são as promessas paradoxais que sustentam a esperança no meio das tribulações; anunciam aos discípulos as bênçãos e recompensas já obscuramente adquiridas; já estão inauguradas na vida da Virgem Maria e de todos os santos” (1)
(1)Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 1717
PS: Passagens do Evangelho - (Lc 6,17.20-26; Mt 5,1-12)
Em poucas palavras...
Bem-Aventuranças: o cartão de identidade do cristão
“As Bem-aventuranças são de algum modo o cartão de identidade do cristão, que o identifica como seguidor de Jesus.
Somos chamados a ser bem-aventurados, seguidores de Jesus, enfrentando os sofrimentos e angústias do nosso tempo com o espírito e o amor de Jesus.
Neste sentido, poderíamos assinalar novas situações para as vivermos com espírito renovado e sempre atual: felizes os que suportam com fé os males que outros lhes infligem e perdoam de coração; felizes os que olham nos olhos os descartados e marginalizados fazendo-se próximo deles; felizes os que reconhecem Deus em cada pessoa e lutam para que também outros o descubram; felizes os que protegem e cuidam da casa comum; felizes os que renunciam ao seu próprio bem-estar em benefício dos outros; felizes os que rezam e trabalham pela plena comunhão dos cristãos...
Todos eles são portadores da misericórdia e ternura de Deus, e d’Ele receberão sem dúvida a merecida recompensa.”
PS: Passagens do Evangelho - (Lc 6,17.20-26; Mt 5,1-12)
Em poucas palavras... (IVDTCA)
Bem-Aventuranças: “bilhete de identidade do cristão”
“Jesus explicou, com toda a simplicidade, o que é ser santo (Mt 5,3-12; Lc 6,20-23). Estas são como o bilhete de identidade do cristão. Assim, se um de nós se questionar sobre ‘como fazer para chegar a ser um bom cristão’, a resposta é simples: é necessário fazer – cada qual a seu modo – aquilo que Jesus disse no Sermão das Bem-Aventuranças. Nelas está delineado o rosto do Mestre, que somos chamados a deixar transparecer no dia a dia da nossa vida.” (1)
(1) Exortação Apostólica Gaudete et exsultate do Santo Pade Francisco – sobre a chamada à santidade no mundo atual – (Março de 2018) n. 63







