quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Palavras... Homônimos que fazem a diferença!

                                                                          

Homônimos que fazem a diferença!

Homônimos?
Palavras com a mesma escrita ou pronúncia, mas sentidos diferentes.

Há alguns que devem sobressair em nossa vida.
Eis um caso típico: ora, hora e ora, ora!

Vejamos, por ora, este caso acima:
Há hora para tudo mesmo! Até hora para aprender. A hora fica mais bela para quem na vida ora, porque mesmo quem ora erra! Ora, ora! Quanto mais se não o fizesse! Ai meu Deus, que eu não perca a hora nesta reflexão sobre os homônimos! Ora, ora! Que importa? Se o que importa é o imperativo: Ora a Deus em toda hora!

Se algum erro aqui encontrar...
Que o encontre em frações ínfimas de uma hora!
Se não achar... Ora, ora! Deixe assim por ora.
Mas em toda hora: ora, ora, ora... Sem cessar!

Orar em toda hora, é o que conta! Ora, ora!
Que não se esqueça que é feliz quem em toda hora, a Deus ora!

Quem em todas as circunstâncias ora!
Preparado estará para toda hora:
Horas alegres e tristes;
De luzes e sombras,
Angústias e esperanças...

Nosso sim cotidiano ao chamado divino

                                                          


Nosso sim cotidiano ao chamado divino

“Falai, Senhor, que o Vosso servo escuta.”

A vocação de Samuel é um relato exemplar de vocação: A iniciativa procede de Deus, que Se compraz em chamar os pequenos. A partir deste momento, é preciso uma disponibilidade total e serena para responder aos chamamentos do Senhor.

O chamamento de Deus pode acontecer de muitos modos: ora a partir do desejo de conhecer melhor a Deus, ora a impressão de ter sido tocado pelo Seu olhar, ora pela própria vivência do Mistério que envolve aquele que se sente chamado...

Contudo, ninguém pode confiar nas suas certezas, e precisa sempre recorrer ao juízo, ao discernimento para perceber o chamado de Deus, porém é necessário que a última palavra seja de quem o recebeu, para isso, um mandato específico na Igreja ou na comunidade.

Quem se julga chamado deve permanecer disponível para responder à vontade de Deus, cujas implicações e exigências concretas se vão descobrindo e se tornando mais precisas progressivamente.

A vocação, o chamado divino de alguém é sempre uma história pessoal e singular, tecida de respostas cotidianas incessantes aos chamamentos divinos.

Sendo o chamado uma prerrogativa divina, implica também a participação humana daquele que foi chamado em alegre, confiante e perseverante resposta, fazendo próprias as palavras de Samuel após ter sido chamado por Deus: “Falai, Senhor, que o Vosso servo escuta” (1 Sm 3,19).

Ontem e hoje, Deus continua nos chamando e a graça de encontrar o Senhor no caminho e sentir o Seu olhar de amor a nos convidar é algo que as palavras todas não conseguem expressar. Procurar conhecê-Lo, vinculando-se progressivamente a Ele, configurados a Ele, são etapas de uma vocação cristã que transforma toda a vida e a vida toda.

Assim como Samuel, vamos crescendo nesta consciência do chamado, certos de que o Senhor está conosco e jamais nos desampara: É próprio do Amor de Deus escolher, chamar, assistir com Seu Espírito aquele que foi chamado; é próprio de quem ama não se separar do Amado.

E como Deus nos ama, e nos ama até o fim, por meio de Jesus Cristo, nos confia o Seu Espírito para permanecermos firmes na resposta que um dia demos.

Renovemos a alegria de trabalhar na Vinha do Senhor.

A natureza da verdadeira religião

 


A natureza da verdadeira religião

Com a passagem do Livro de Samuel (1 Sm 15,16-23), refletimos sobre a natureza da verdadeira religião’, que trata das relações de homens e mulheres com Deus.

Segundo o comentário do Missal Cotidiano, essas relações podem ser falsificadas de dois modos: pela presunção e pela ilusão:

“A presunção é a posição de quem diz: ‘Quanto a mim, vivo a religião a meu modo, não quero imposições de ninguém: vou à Igreja quando tenho vontade, pratico as ações que me sinto inclinado a praticar ou, não faço nada disso’.

A ilusão, ao contrário, leva a agir não por inclinação, mas por ignorância, ou porque, tomadas pelo engano do sentimento que faz com que deem muita importância a coisas secundárias ou a práticas supersticiosas, as pessoas se descuidam das que têm relevância fundamental.”

No entanto, a mensagem cristã ‘é de “suprema liberdade” (RC, 92), com um conteúdo bem preciso: “É Deus quem primeiro Se dirige ao homem, é Deus que faz ao homem uma ‘proposta’. Só o conhecimento dessa proposta dá ao homem a possibilidade de estabelecer com Deus um relacionamento autêntico. A escuta da Palavra de Deus e a genuína interpretação que lhe dão os pastores da Igreja oferecem esta possibilidade”.

Oremos:

Ó Deus, afastai de nós toda tentação de vivermos uma religião conforme nossos gostos, marcados pela presunção ou ilusão, o que nos levaria a uma pseudorreligião, e seríamos como sal sem sabor que nada mais presta, senão para ser pisado, e uma luz que não irradiaria a Vossa divina luz a quantos precisam.

Concedei-nos, na acolhida e escuta atenta da Vossa Palavra, que Vosso Filho Jesus Cristo nos transmitiu, colocá-La em prática, fortalecendo vínculos de relacionamentos autênticos Convosco, a fim de que nãos sejamos meros ouvintes, mas praticantes, contando com a presença e ação do Vosso Espírito Santo. Amém.

  

Fonte: Missal Cotidiano – Editora Paulus – pág. 647-648 

Amemos com ânsias de amor

                                                      

Amemos com ânsias de amor

Ouvindo uma cantora lírica, a letra dizia: “Feliz quem ama as ânsias do amor...” e completava: “Eu quero viver este sonho que me embriaga por muito tempo ainda... Esta embriaguez de juventude... Doce chama fique em minha alma...”.

Reflitamos sobre o sentido de cada letra desta letra.

Se ânsia for inquietação intensa e sofrida causada especialmente pela incerteza, será sinônimo de angústia e aflição.
Se ânsia for agonia, serão ânsias da morte.
Se ânsia for desejo ardente, será a manifestação deleitosa deste desejo como chama que não se apaga.

Fico com a última: sua manifestação como desejo ardente. Haverá forma mais bela de se manifestar ânsia?
Sim, feliz quem ama com desejo ardente de amor.
Faz da vida um belo sonho que embriaga, devora, impulsiona, lança, avança.
Faz da vida passos firmes em busca da concretização
dos mais sólidos e auspiciosos projetos: pessoal ou social,
pequeno ou amplo, único ou diverso, simples ou complexo...

Amar com ânsias de amor embriaga-nos de juventude
Para vivermos o momento no seu exato momento,
Sem arrependimentos de um passado vivido,
Com paixão pelo presente, corajosamente assumido,
Para um futuro por Deus e com Deus, amor imenso e intenso a ser eternamente consumido.

Passado, presente e futuro vivido com ânsias de amor.
Embriagado de sonhos, poesia, cantos e paixões.
Refeito na mais bela embriaguez, não das bebidas feitas por mãos humanas,
Alma embriagada pela Bebida Divina. Se ainda não fui entendido: inebriada.
Se ainda não compreendido fui: amado pelo Amado, pelo Amor que nos veio do Pai Eterno de Amor: extasiado, feliz, porque d’Ele vivemos, somos, nos movemos, existimos e voltamos.
Para amar e ser amado Ele nos Criou, porque Ele é Amor.

Que a doce chama fique em nossa alma e jamais se afaste.
Ó Deus como Te amo, por Ti me consumo, e somente assim existo. Amém.

Tenha minha alma ânsias do Vosso Amor, para que a doce chama fique nela. Nesta alma sedenta e misteriosa que me concedestes. Amém.

Cristãos de palavras ou de coração?

                                                        


Cristãos de palavras ou de coração?

“Este povo me honra com os lábios,
mas seu coração está longe de mim” (Mt 15,8)

É sempre tempo oportuno para revermos nossa conduta cristã: 

Somos cristãos de palavras ou de coração?

Seremos cristãos de palavras...
Quando vivermos uma religiosidade que consiste no  cumprimento de preceitos, normas e rituais, com frases bonitas, com efeitos especiais, por vezes apenas virtuais.

Seremos cristãos de palavras...
Quando apenas dissermos “Senhor, Senhor” e não colocarmos em prática a Palavra de Deus, edificando assim sobre a areia, na superficialidade que não suporta ventos e tempestades, momentos difíceis de provações e perseguições, contrariedades e tribulações.

Seremos cristãos de coração...
Quando edificarmos sobre a Rocha da Palavra do Senhor, nutridos por Sua Carne e Sangue, quando do Banquete Eucarístico participamos e Sua Palavra colocamos em prática.

Seremos cristãos de coração...
Quando amarmos a Deus sobre todas as coisas, com toda nossa força, alma e entendimento, e também, inseparavelmente, amarmos nossos irmãos que são templos d’Ele.

Seremos cristãos de coração...
Quando adorarmos a Deus em espírito e verdade, servindo-O nos irmãos e irmãs, na valorização da pessoa humana e promoção da sua dignidade.

Seremos cristãos de coração...
Quando falarmos menos, não necessariamente bonito e com eloquência, mas quando amarmos muito e nossas obras falarem mais que nossas palavras: compassivos, contemplativos, missionários,  solidários, generosos e fraternos.

Concedei-nos, ó Deus de bondade, a graça e a força necessária para que não sejamos cristãos de palavras, mas cristãos de coração, para maior viver no mundo a Palavra do Vosso Filho com a força e a luz do Espírito Santo. Amém.

“Miserere”

                                                              

“Miserere”

As poesias de Adélia Prado nos fazem reler o nosso cotidiano, e ainda mais, tocam de maneira ímpar nossos sentimentos, lembranças, emoções.  

Em seu livro “Miserere”, somos levados ao reconhecimento de nossa condição de finitude, fragilidade, pequenez diante do assombro do poder, de quaisquer outras posturas que nos roubem a beleza de tão apenas sermos quem somos, humanos.

Assim define a existência em uma de suas poesias:

“Branca de Neve

...Demoro aprender
que a linha reta é puro desconforto.
Sou curva, mista e quebrada,
sou humana. Como o doido,
bato a cabeça só pra gozar a delícia
de ver a dor sumir quando sossego”.

Paixão, infância, vida e morte, pecado e graça, perdas e encontros, entre outros fatos, que são a matéria prima da teia do cotidiano, encontramos em suas poesias.

Breves e tocantes, procurando rimar não em sua construção, mas com a realidade, em perene construção e reconstrução na busca da realização e felicidade. Rima com a beleza, com a vida, com a alegria, com a pureza que sentimos ao ler, e também ao ouvi-la.

Suas poesias e o seu modo de ser nos ajudam a renovar a esperança de que um mundo novo é possível, não tão distante daqui, no lugar onde nos encontramos, desde que a fé ganhe autenticidade pela ação gestada, silenciosamente, no coração de quem ama.

A mais bela esperança nada será se não for fecundada no coração de quem crê e procure traduzi-la em gestos concretos de amor e solidariedade.

Que todos se amem em uníssono!

Que todos se amem em uníssono!
Como em suave e harmoniosa melodia...

Em tempo de pós-modernidade, num mundo globalizado,  caracterizado por uma mudança de época, acentuam-se algumas marcas que clamam por superação: individualismo, fragmentação dos relacionamentos, consumismo, virtualização na convivência (redes sociais virtuais), anonimato. 

Evidentemente, também tem aspectos positivos: agilização na comunicação e transportes, descobertas significativas que atenuam dores e sofrimentos, avanços científicos que, se bem colocados a serviço da humanidade, possibilitam melhora substancial na condição da existência humana e maior cuidado com todo o planeta que “geme em dores de parto”... Há, enfim, clamores que bradam aos céus! E um que ultrapassa todos os tempos: “que todos se amem em uníssono, como numa suave e harmoniosa melodia”

Não amar em uníssono prolongará conflitos étnicos e religiosos pelo mundo; exacerbação de fundamentalismos de toda ordem, fazendo sucumbir esperanças de um novo tempo...

Que todos se amem em uníssono, uma suplica que haveremos de multiplicar... Um coro que haveremos de cantar incansavelmente.

Amar em uníssono, em perfeita harmonia, abandonando todos os instrumentos de morte, e fazendo vibrar todos os instrumentos que ajudem a  ressoar a suave melodia da dignidade e sacralidade da vida.

Amar em uníssono na família, criando espaços para o diálogo, para a acolhida, o perdão, a mútua ajuda, o encorajamento das forças, a solidificação de uma existência com princípios inalienáveis (amor, verdade, justiça, liberdade, paz...).

Amar em uníssono em nossas comunidades e em nossas pastorais, enquanto Igreja. Ainda temos um longo caminho a percorrer a fim de que nos reconheçam como discípulos críveis do Senhor Ressuscitado, pois Ele mesmo disse: amando-nos reconhecerão que dEle discípulos o somos...

Amar em uníssono em todos os âmbitos e em todos os espaços, condição indispensável para que possamos fazer renascer no mais profundo de nós a esperança; que aliada ao amor em uníssono, e ainda somada com a fé sólida e comprometida será certeza de um mundo novo.

Sem nos amarmos em uníssono não haverá horizonte promissor, o passado será tão apenas páginas de desolação, e o presente uma cruz insuportável a ser carregada e imposta  sobre os ombros do próximo.

Bem disse São João Crisóstomo: “O que é difícil o amor torna fácil”. Somente o amor em uníssono, sem ninguém se eximir e se excluir, é que fará brotar a semente que não morrerá em vão, florescerá e frutificará como bem cantou o poeta em “Coração de Estudante”:

"Quero falar uma coisa...
... E há que se cuidar do broto
Pra que a vida nos dê
flor, flor e fruto..."

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