sexta-feira, 26 de setembro de 2025

Por Vossa Morte e Ressurreição (25/09)

                                                   

Por Vossa Morte e Ressurreição

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 9,18-24), sejamos iluminados pelo escrito por São Basílio Magno, Doutor da Igreja (séc. IV).

“Na realidade, a total destruição da morte, a supressão da corrupção, o espólio do inferno, a subversão da tirania do diabo, o cancelamento do pecado do mundo, a abertura aos habitantes da terra das portas do céu e a união do céu e da terra: todas estas coisas são, repito, a prova digna de fé e de que o Emanuel é o Deus verdadeiro.

Por isso lhes ordena cobrir temporalmente o Mistério com o respeitoso véu do silêncio até que todo o processo da economia divina tenha chegado a sua natural culminação. Então, a saber: uma vez ressuscitado dentre os mortos, deu ordem de revelar o Mistério ao mundo inteiro, propondo a justificação pela fé e a purificação mediante o Batismo.

Ele disse verdadeiramente: Foi-me concedido todo poder no céu e na terra. Ide e fazei discípulos de todos os povos, batizando-os no nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo; ensinando-lhes a observar tudo o que vos tenho ordenado. Eu estarei convosco todos os dias até o fim do mundo”. (1)

Oremos:

Senhor, por Vossa Morte e Ressurreição,
contemplamos e cremos na total destruição da morte.

Senhor, por Vossa Morte e Ressurreição,
contemplamos e cremos na supressão da corrupção da carne.

Senhor, por Vossa Morte e Ressurreição,
contemplamos e cremos no despojamento e aniquilamento do inferno.

Senhor, por Vossa Morte e Ressurreição,
contemplamos e cremos na derrubada da tirania do diabo.

Senhor, por Vossa Morte e Ressurreição,
contemplamos e cremos no cancelamento de nossa dívida pelo pecado.

Senhor, por Vossa Morte e Ressurreição,
contemplamos e cremos na abertura das portas dos céus: nossa eternidade.

Senhor, por Vossa Morte e Ressurreição,
contemplamos e cremos que agora é o tempo de nossa missão de evangelizar.

Senhor, por Vossa Morte e Ressurreição,
Caminhas conosco, na comunhão com Vosso Pai e Vosso Espírito.
           
Senhor, por Vossa Morte e Ressurreição,
Sejam fortalecidos os pilares da evangelização: Pão, Palavra, Caridade e Missão. Amém.



(1) Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 – p.665.

Em poucas palavras...(26/09)

 


Fidelidade ao Servo Sofredor

“Temos sempre necessidade de ser confirmados na fé por Pedro, em seu magistério duradouro. Muitíssimas vezes nos esquecemos de que Jesus é o Messias sofredor, o qual nos pede que tomemos parte em Sua paixão e morte, e depois em sua ressurreição.” (1)

 

(1) Comentário do Missal Cotidiano – passagem do Evangelho de Lucas (Lc 9,18-22) – pág. 1315

 

 

Sementes a cultivar (27/10)

 


Sementes a cultivar


Como grãos de mostarda no chão do coração a cultivar.
Jardineiros do criador haveremos de ser em todo o tempo.
 
Sementes de nomes diversos em ações cotidianas semear,
Com a imprescindível ética nas palavras, discernimentos e ações.
 
Sementes do jardim da “casa da paz” não poderão faltar:
Amor, verdade, justiça, liberdade, respeito, solidariedade...
 
Regados e cultivados com a necessária oração cotidiana,
De modo especialíssimo na Eucaristia, Banquete de Eternidade. Amém.
 
Fontes: Mt 13:31-32; Mc4:30-32; Lc 13:18-19

"Hoje o céu está em festa!"(26/09)

                                                          

"Hoje o céu está em festa!"

Dezessete anos passados fiz a celebração das exéquias do Leonardo, o “Léo”, que acompanhei por pouco tempo, mas o bastante para jamais esquecê-lo. Há pessoas que nos marcam, nem tanto pelo tempo que viveram, mas pela intensidade com que viveram. O “Léo”, o “Leozinho” foi uma delas... Com  pouco mais de dois anos, nos antecipou na glória dos céus. 

Leonardo foi uma criança muito especial. Fez transplante de medula óssea, não teve sua vida prolongada entre nós, mas diante de Deus eternizada.

No hospital por longo tempo, enfrentou quimioterapias, radioterapias, mas o Léo sempre correndo de um lado para outro. Na fragilidade teimava e ousava contra a dor que se impunha aos limites que carregava. 

A todos impressionava, pela alegria e coragem. Sem se entregar, com desejo puro de viver; desejo que carrega dentro de si toda criança, os preferidos de Deus. Aquela criança que entrava no coração das pessoas há quatro anos entrou na glória dos céus. 

Como explicar que no velório de uma criança, quatro padres tenham passado para a oração e solidariedade ao longo do dia, considerando que isto não é tão comum? Todos nós com alguma ligação com a família, e sensibilizados pela páscoa de uma criança. Tivemos a presença da Igreja num momento tão difícil, tão dilacerante como é a morte, sobretudo a morte de uma criança, um inocente. Ali, inerte, feito anjo, sem movimentos, mas no céu sua alma se movimenta, porque adentrou na alegria e na plenitude do amor da glória de Deus. 

Estavam presentes seus pais, sua irmã, avós, avôs, padrinho e madrinha, tios e tias, familiares, amigos e amigas... E também a Comunidade de Fé, ali, ao redor daquele pequenino corpo, morada provisória que um dia acolheu aquele no Batismo por Leonardo foi chamado. 

Hoje, não mais um casebre possui, mas desfeito o seu corpo perecível, Deus lhe concedeu uma mansão espiritual, porque adentrou na plenitude dos céus. 

Leozinho está no céu, certamente sorrindo, livre de toda dor que com serenidade suportou, agora junto de Deus, dos Anjos e Santos, contemplando a face da Virgem Maria, talvez no colo da mesma, deve estar nos dizendo: 

“Estou bem!

Agradeço por vocês um dia terem me acolhido com todo carinho. Vivi só um pouquinho entre vocês, mas um dia a gente vai se encontrar para sempre. 

Estou tão bem!

Sei que vocês choram a minha partida, compreendo! Mas não fiquem tristes, estou mergulhado num mar infinito de amor. Os anjos brincam comigo, não sinto um pingo de dor, porque aqui não tem lugar para ela, reina o puro amor. 

Ah, Deus me deu uma morada muito linda como Ele prometeu, embora eu ainda não soubesse disso, porque não tive tempo de conhecer o Evangelho, mas o Senhor me revelou. 

Obrigado por tudo que fizeram a mim! Continuem unidos a mim em Oração, pois eu estarei sempre unido a vocês na Comunhão dos Santos. Embora não tenha tido tempo de aprender, gostava de ficar olhando para os Santinhos, para o Padre... 

Mamãe, não sabia que eu era apenas um grãozinho de trigo que ao morrer produziria os frutos queridos por Deus. 

Espero que com a minha partida, (não digo perda, pois sei onde estou), as pessoas valorizem e amem mais a vida. 

Peço que todos se lembrem de mim sempre; amando e defendendo a vida, sobretudo a vida de crianças e inocentes. Isto me trará muita alegria ao coração e a minha partida não terá sido em vão. 

Eu entrei na glória dos céus. Espero um dia acolher vocês por aqui, com um sorriso e um abraço. Tenho que parar agora, o coral dos Anjos me chama para o canto, para o louvor ao Senhor da vida... 

Continuem firmes na Oração e até um dia! Eu amo vocês, e serei sempre para vocês o Leonardo, o Léo, o Leozinho".

Ao final da celebração cantamos: “Mãezinha do céu, eu não sei rezar, azul é seu manto, branco é seu véu, mãezinha eu quero te ver lá no céu” O que aqui provisoriamente cantamos, o Leozinho contempla, o que nós queremos ele já alcançou! 

Na ocasião, veio a minha mente, outros momentos de separação provisória: Marquinhos e Maciel (dois irmãozinhos que morreram afogados em Rondônia em 2002) e tantos outros, que de Deus vieram, se moveram, viveram e para Deus tão cedo voltaram. Mistérios de Deus que meditamos em nosso coração! 

Jamais esquecerei aquela frase da mamãe e papai dos dois acima (Marquinhos e Maciel) – “Eles foram dois presentes que Deus nos deu, brincamos por algum tempo, e para Deus voltaram...”. 

Acolhamos e valorizemos a vida como “presente de Deus”, aproveitemos cada dia, cada hora, cada segundo, cada momento... 

A morte de inocentes nos leva a pensar, avaliar e valorizar a vida como dom divino que não pode ser desprezado, desvalorizado, desperdiçado.

A vida tem sua beleza para além do tempo que se vive. A vida destes inocentes tem uma medida que é infinitamente maior que a soma dos dias que viveram.

Quantos não valorizam a própria vida e têm atitudes que se voltam contra a mesma. É tempo de amar, defender e promover a vida, como a Igreja sempre nos ensina: do princípio até o seu declínio natural, para desabrochar na eternidade. 

Leonardo, o Leozinho, e outros tantos desabrocharam e floresceram na eternidade, no jardim de Deus!

“Ave Maria, cheia de graça...”.

O sim que Deus espera de nós (XXVIDTCA) (26/09)

                                                    

O sim que Deus espera de nós

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 21,28-32).

Contemplamos Jesus subindo para Jerusalém na consumação de Sua missão Redentora, e somos convidados a refletir sobre a nossa responsabilidade pessoal na salvação.

Com Ele, temos muito aprender, por amor à vida se entregar e morrer, para com Ele também, um dia, se merecedores, ressuscitar, a glória de Deus contemplar.


Nossa vocação, que é verdadeiramente um Dom Divino, que pressupõe uma resposta humana. Dom, porque uma iniciativa divina, graça por Deus concedida, porém a resposta humana deve ser dada na liberdade da pessoa.

Assim é a história das vocações bíblicas, e o que vemos ao longo de toda a História. Como afirmou o Bispo Santo Agostinho: “Aquele que te criou sem a tua vontade, não te salva se tu não queres”.

Deus é o chamamento, nós somos a resposta, sem fundamentalismos e fanatismos, superficialismos… Deus nos chama e nós respondemos!

Identificados com Jesus, O seguiremos na liberdade, pois foi para a liberdade que Ele nos libertou (Gl 5,1), de modo que a liberdade é fruto do Espírito de Deus oferecido a cada pessoa.

A verdadeira liberdade é viver no amor. Quanto mais amarmos mais livres o seremos. A ausência do amor remete-nos ao passado da escravidão, da vida centrada em si mesmo, marcada pela falsa liberdade que se confunde com libertinagem, que se manifesta no egoísmo, no isolamento, no orgulho, na autossuficiência, no individualismo, no egocentrismo.

Somente se é livre quando se ama… Na resposta ao chamado de Deus, em todo o tempo, exige-se a paciência e confiança em Sua Misericórdia, renúncias, radicalidade da entrega, despojamento, disponibilidade, generosidade, entusiasmo, perseverança, constância, confiança, alegria, liberdade, amor, etc.

Urge que cortemos toda e qualquer amarra que nos impeça de fazer da nossa vida doação total, entrega incondicional, expressa no amor que ama até o fim, até as últimas consequências, assim como fez Jesus, que por amor Se entregou em favor de todos nós – “Tendo nos amado, amou-nos até o fim” (Jo 13, 1).

Nossas comunidades, hoje, são levadas a refletir se, de fato, são comunidades voltadas para o amor, se servem ao Reino na liberdade e alegria.

A Deus se ama e se serve sem hesitações e restrições. Urge que nos coloquemos a caminho, no bom combate da fé, como nos exorta Paulo em sua Carta a Timóteo (1Tm 6,12).

Ao convite amoroso de Deus, só nos resta responder na liberdade, com amor, em alegre e profunda adesão, a serviço do Reino nos colocando…

Deste modo, vemos que a salvação é oferecida a todas as pessoas, e podemos ter atitudes de ingratidão, marcada pela infidelidade, indiferença, fechamento ou docilidade expressa em alegre resposta e adesão contínua e incondicional ao Senhor, com o coração por Ele mais que seduzido, apaixonado, e assim, verdadeiros discípulos missionários d’Ele ser.

Deus, que tanto nos ama, chama a cada um de nós, quer Se encontrar conosco, como alguém assim expressou: “É agora que te amo, é agora que quero encontrar-te, estar contigo”.

quinta-feira, 25 de setembro de 2025

A unidade do culto e da vida (25/09)

                                                  

A unidade do culto e da vida

“A vida celebra-se, o culto vive-se”

A passagem bíblica do Livro do Profeta Ageu, proclamada na quinta-feira da 25ª Semana do Tempo Comum - ano ímpar- (Ag 1,1-8) apresenta um tema muito significativo para a História do Povo de Deus: a edificação da Casa do Senhor.

Num período dificílimo, período do pós-exílio, tempo de reconstrução de tudo, a comunidade se encontrava em ruínas, com o imperativo da reconstrução do templo. Assim se uniram os repatriados que se ajudaram uns aos outros.

O profeta Ageu via a profunda unidade entre o culto e a vida, por isto a necessidade desta reconstrução com a participação de todos.

Assim lemos no comentário do Missal Cotidiano:

“Os cristãos não devem engolfar-se no mundo ou dele fugir. ‘Quem vai além ou não permanece na doutrina de Cristo não possui a Deus’ (2 Jo 9), mas Cristo nos ‘enviou ao mundo’ (Jo 17,18). A relação entre culto e vida pode mudar com os tempos, porém não pode ser destruída: a vida celebra-se, o culto vive-se.” (1)

Roguemos a Deus as graças e luzes necessárias para não sermos envolvidos e seduzidos pela mentalidade do mundo, com suas propostas sedutoras enganadoras, mas que também não fujamos, e não vivamos alheios ao que acontece em nossa volta.

Bem diz um dos Documentos da Igreja, aludindo sobre a íntima união da Igreja com toda a família humana:

As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração”. (2)

A autenticidade de vida cristã exige de nós que jamais divorciemos a vida do culto e o culto da vida, como bem expressou o Missal Cotidiano: “A vida celebra-se, o culto vive-se”, e tão apenas com a força e ação do Espírito, viveremos a Boa-Nova de Jesus, comprometidos com o Reino de Deus por Ele inaugurado.

(1) Missal Cotidiano - Editora Paulus - 1995 - p. 1308
(2) Gaudium Et Spes – Vaticano II – n.1

O caminho da fé (24/09)

                                                  

                                           O caminho da fé

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de São Lucas (Lc 9,7-9), em que Herodes manifesta o desejo de ver Jesus – “‘Quem é esse, portanto, de quem ouço tais coisas?’ E queria vê-Lo” (v.9).
 
Assim, lemos no Lecionário Comentado:
 
“Aquilo que se diz que Ele faz e prega precisa de uma explicação. Por isso Herodes deseja vê-Lo, para ficar com uma ideia acerca d’Ele. Mas, para compreender quem é Jesus não basta falar com Ele ou ver as Suas obras, sem que isso dê em discussão. O único meio para O conhecer é o da fé.” (1)
  
De fato, o único caminho para conhecermos Jesus é o caminho da fé, que nos leva, necessariamente, a uma comunidade concreta, a Sua Igreja, onde Ele Se deixa encontrar. E, de fato, não era este o propósito de Herodes.
 
Deste modo, o caminho da fé:
 
- Nos faz participantes de uma comunidade, onde amadurecemos na prática da caridade, reavivamos a esperança de um novo céu e uma nova terra;
 
- Autenticamente vivenciado, é imprescindível, para que sejamos uma Igreja Sinodal, caminhando juntos, na alegria e na tristeza, na angústia e esperança, em plena fidelidade a Jesus, fortalecendo os vínculos de comunhão fraterna, participação ativa, afetiva e consciente, na expressão da missão assumida com alegria e ardor;
 
- Não se separa da celebração da Eucaristia, porque da Mesa da Palavra participamos, para ouvi-la e colocá-la em prática no dia a dia, nutridos e fortalecidos pelo Pão da Eucaristia, na segunda mesa, que não se separa da primeira, nutridos pelo Corpo e Sangue de Cristo, verdadeira Comida, verdadeira Bebida;
 
- Alarga o horizonte de compromissos com a vida, desde sua concepção até seu declínio natural, e com a nossa Casa Comum, a fim de que todos tenham vida, e a tenham plenamente (Jo 10,10).
 
Na espera do Senhor Jesus, que virá em Sua glória nos julgar a todos nós, sejamos conduzidos e iluminados pelas Bem-Aventuranças (Mt 5,1-12) na prática da misericórdia (Mt 25,31-46), bem como nos falou São João da Cruz (séc. XVI): “No entardecer de nossa vida seremos julgados pelo amor”.


 
(1)Lecionário Comentado – Tempo Comum – Volume II - Editora Paulus – Lisboa – 2011 – p.421

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG