quinta-feira, 25 de setembro de 2025

Da primavera provisória à eterna Primavera de Deus (20/09)

                                                        

Da primavera provisória à eterna Primavera de Deus

“Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra,
nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis
acordarão as cores e os perfumes e a alegria
de nascer, no espírito das flores” –
 Cecília Meireles

Com as poetisas, nossos ouvidos ficam mais sensíveis aos sons que não ouvimos, às conversas que jamais imaginaríamos.

Com as inesquecíveis poetisas, nosso olfato ganha maior capacidade de captação, assim como nossos olhos conseguem ver um pouco mais longe ou mesmo enxergar os pequenos detalhes muitas vezes despercebidos.

Com as notáveis poetisas, somos despertados para falar de algo que devolva o reencantamento ao mundo, como numa alegre ciranda de crianças em pureza de coração, embora já não se veja tanto assim, reavivando as mais belas utopias...

Por onde andam as verdadeiras poetisas e poetas que o mundo precisa, que se aliam à voz da profecia, para que não percamos a força, o ardor no compromisso com a Boa-Nova do Reino?

Por onde ecoam as vozes que falam não apenas aos nossos ouvidos, mas conseguem nos desinstalar para avançarmos em águas mais profundas, descobrindo os doces e suaves mistérios da existência?

Por onde andam as mães e os pais que poetizando reinventam a linguagem, aprendendo a linguagem do Espírito, para comunicar aos filhos valores que não podem jamais ser esquecidos e ignorados?

Por onde andam os Bispos, Sacerdotes, Ministros e Discípulos missionários do Senhor, enamorados por Ele, em íntima comunhão e amizade, a Ele totalmente configurados, testemunhando uma fé luminosa, esperança renovada, impelidos pela caridade que não passa?

Por onde andam profissionais éticos e virtuosos, que não se curvam às tentações do ter, poder e ser, sem a busca dos privilégios desmedidos, sem escrúpulos, que venham multiplicar a dor e o sofrimento dos empobrecidos?

Se formos capazes de ainda captar a confidência das raízes neste tempo de primavera tão inspirador, se não deixarmos o brilho de nossos olhos ofuscar, e se nossos ouvidos, sintonizados com a voz do Santo Espírito que sopra onde bem quer, os veremos.

Veremos bem perto de nós, em nossas ruas e praças, comunidades e lugares por onde circulamos. Também serão vistos em cada um de nós pelo nosso modo de ser e viver, pensar e agir.
             
É preciso que a primavera das praças e jardins, bosques e alamedas não seja apenas nestes espaços.

É preciso que em todo lugar, onde vivemos, nos movemos e somos, seja uma primavera querida e sonhada por Deus, até que possamos adentrar no Jardim da Eternidade, o céu, onde as flores não morrem e jamais deixam de exalar o suave odor de amor, com os anjos e santos, no festim da eternidade, na plena comunhão com Deus. 

quarta-feira, 24 de setembro de 2025

Em poucas palavras... (28/09)

 


Pequeninos e disponíveis para o Reino

“Jesus não teme aqueles que dispõem secretamente de Seu nome para exorcizar; só podem fazê-lo, crendo em Seu poder salvífico.

Na ação apostólica, é preciso saber aceitar que também outros trabalhem em nome de Cristo. Para isso, cada um deve fazer-se pequenino, sem pretensões, com plena disponibilidade.” (1)

 

(1)Missal Cotidiano – Editora Paulus – 1995 – pág. 1324 – passagem do Evangelho – Lc 9,46-50

Discípulos do Divino Mestre (23/09)

                                                           

Discípulos do Divino Mestre

À luz da passagem do Evangelho proclamado na quarta-feira da 25ª Semana do Tempo Comum (Lc 9,1-6), apresento algumas características que devem ter os discípulos missionários de Jesus:

- O evangelizador não age em seu próprio nome, e ninguém é evangelizador por própria vontade, mas, antes, porque é enviado por Deus, de modo que continuamos a missão de Jesus, o que muito deveria nos alegrar e despertar sentimentos de gratidão, porque a graça do Senhor em nós é derramada para que a comuniquemos na pura gratuidade: graça, gratidão e gratuidade são elementos constitutivos da missão.

- Nenhum poder teríamos se não fosse conferido pelo próprio Senhor. Os poderes que temos não são nossos, não são propriedades nossas, ao contrário, nos são conferidos para serem usados com finalidade própria: a serviço do Reino de Deus, a fim de que todos tenhamos vida plenamente.

- O discípulo não vive à margem da vida, com suas alegrias e tristezas, angústias e esperanças. Sendo assim, sua inserção e a participação na vida das pessoas e das famílias, é fundamental, pois assim fez Jesus, assim também tem que fazer os Seus discípulos, como insistiu o Concílio Vaticano II, sobretudo no parágrafo n.1 da “Gaudium et Spes”.

- É preciso que o discípulo tenha liberdade diante dos bens materiais, que são necessários, mas não podem se tornar um empecilho para o trabalho, tão pouco podem ofuscar a força do anúncio e do testemunho. É preciso confiança total na providência de Deus, afinal somente Deus nos basta. Sendo Deus nosso Pastor, crer que Ele nada deixará nos faltar, como tão bem expressou o Salmista.

- Na vivência da dimensão profética do discipulado, dois objetivos o acompanham:

- A luta contra toda espécie de mal, que se manifesta na ordem da cura, tanto a física como a espiritual. O discípulo missionário do Senhor, com a Palavra e gestos pode se tornar um canal precioso da cura divina, que nos fará mais sãos, e assim mais agradáveis nossos cultos e louvores a Deus;

- A proclamação da presença do Reino de Deus na vida de todas as pessoas: Reino da verdade e da vida, Reino da santidade e da graça, Reino da justiça, do amor e da paz, como rezamos no Prefácio da Festa do Cristo Rei e Senhor do Universo.

Oremos:

“Senhor Deus, Vós que jamais abandonais o Vosso rebanho, continuais sempre a enviar ao Vosso Povo mensageiros da Vossa misericórdia e perdão, Vos agradecemos continuamente.

Vós que por meio do Vosso Filho Jesus Cristo escolhestes os Apóstolos como frágeis e pobres instrumentos para anunciarem o Vosso Reino, concedei à Vossa Igreja continuar a proclamar com confiança a Boa-Nova do Reino, em comunhão com o Espírito Santo que nos ilumina, fortalece e nos conduz. Amém!” 

terça-feira, 23 de setembro de 2025

Exigências para que da família do Senhor pertençamos(22/09)

                                   

Exigências para que da família do Senhor pertençamos

“Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática” (Lc 8,21)

À luz da passagem do Evangelho de São Lucas (Lc 8, 19-21), proclamado na Missa da terça-feira da 25ª Semana do Tempo Comum, vejamos algumas exigências para que pertençamos à família de Jesus, uma vez que ela não é constituída tão apenas pelos laços de sangue mas por todos aqueles que fazem a vontade de Deus.

- Escuta e prática da Palavra de Deus
- O Mandamento do Amor a Deus e ao próximo
- A prática da misericórdia para com  os pecadores, caridade com os pobres, amor aos amigos
- O perdão dado e recebido
- A partilha e a solidariedade do melhor que temos
- A acolhida do outro – prática das obras de misericórdia
- Compromisso com a Boa Nova do Reino: anúncio e testemunho
- Viver na graça, gratidão e gratuidade
- Viver o Programa das Bem-Aventuranças
- Celebrar e viver, viver e celebrar, inseparavelmente

Neste sentido, contemplamos Maria, Sua Mãe, como a mais perfeita e integrada em Sua família, porque não somente foi Mãe do Salvador, pela ação do Espírito Santo, mas, em todo o seu viver, sempre colocou a vontade de Deus acima da própria vontade.

Maria é por excelência modelo de escuta à prática da Palavra, e nos ensina o mesmo fazer, e mais: com ela também podemos contar, para que o mesmo façamos, ressoando em nosso coração suas palavras que não emanaram de seus lábios apenas, mas de um coração pleno do amor e graça divina:

“Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2, 5)

Escutar e por em prática a Palavra de Deus(22/09)

                                                                   

Escutar e por em prática a Palavra de Deus

Ouvimos na terça-feira da 25ª Semana do Tempo Comum a passagem do Evangelho de Lucas (Lc 8, 19-21).

Vejamos o que nos diz o Lecionário Comentado sobre Maria, a Mãe de Jesus:

“É Mãe do Senhor não só porque lhe deu uma vida humana, mas também porque escutou e cumpriu a Palavra de Deus” (1).

Para Jesus o mais importante é escutar a Palavra de Deus e fazer com que produza frutos na vida concreta, e Maria assim o fez, e nos deu o “Bendito Fruto do Seu Ventre”, Jesus, na fidelidade a Deus por meio da ação do Espírito Santo.

De fato, o que mais se faz necessário hoje são “pessoas que, com sua virtude quotidiana, deem testemunho de que da adesão à fé no Deus de Jesus Cristo, nasce uma Humanidade nova, mais capaz de ir ao encontro e de acolher o homem e a mulher sofredores de nosso tempo. É na relação pessoal entre pessoa e pessoa que tudo se joga e também a Palavra de Deus, muitas vezes entendida como algo de obscuro e distante da vida, pode ser apresentada como fonte de esperança, no meio da companhia dos homens” (2).

Somos testemunhas de quanto o Papa Francisco tem motivado para que não sejamos apenas assíduos ouvintes da Palavra de Deus, mas praticantes da mesma. Ele não só nos motiva, mas dá inúmeros testemunhos desta relação inseparável entre a escuta e a prática da Palavra de Deus proclamada, ouvida, meditada e na vida concretamente vivida.

Roguemos a Deus, para que membros da família do Senhor sejamos, na escuta atenta e prática da Palavra Divina que é luz para nosso caminho.

Aprendamos com Maria, Mãe, Mestra e Discípula do Senhor, para que assim também sejamos, pois ela melhor do que ninguém assim o fez, e assim membros da família do Senhor seremos, e poderemos dizer que Jesus é Senhor de nossa vida, e ela é, verdadeiramente nossa amantíssima mãe, que tanto nos ama e deseja que sejamos cumpridores da Palavra do Seu diviníssimo Filho.

Num mundo tão obscuro, com a fragilização da esperança, perda de princípios vitais que garantem uma nova humanidade, mais do que nunca, é tempo de ouvir e por em prática a Palavra de Deus, para que nossa fé seja frutuosa e acompanhada de gestos multiplicados de caridade.



(1) (2) Lecionário Comentado – Ed. Paulus – Vol. II – p. 412

Depois daquele silêncio orante...(23/09)

                                                   

Depois daquele silêncio orante...

Depois daquele silêncio orante...
Deus mais uma vez Se manifestou
Como o Deus de amor nunca bastante.
Em nenhum momento me abandonou.

Depois daquele silêncio orante...
Em que o sim para uma nova Paróquia foi dado,
Sua presença, graça e luz sinto em todo instante,
Em comunhão com o Povo de Deus a mim confiado.

Depois daquele silêncio orante...
Como indigno servo, pároco nomeado...
Aprofundar a comunhão com o Amor, Amado, Amante,
Trindade Santa a quem tudo deve ser creditado.

Depois daquele silêncio orante...
Novos relacionamentos a serem construídos,
No êxito, por Deus prometido, sempre confiante.
Hoje, confesso jamais ter me arrependido.

Depois daquele silêncio orante...
Missas, batizados, unções, casamentos...
Aprendizado e adaptação a todo instante,
Presença em eventos e em todos os Sacramentos.

Depois daquele silêncio orante...
Velórios, almoços, Encontros, amizades, poemas,
Voz Viva, pastorais e tantos momentos marcantes.
Uma voz no coração me diz sempre: “Nada temas!”

Depois daquele silêncio orante...
Trabalho Social, Fé e Política, grupos e movimentos,
Procurando edificar amizades em todo instante
Em sinceros e frutuosos relacionamentos.

Depois daquele silêncio orante...
Assembleia Paroquial e novos horizontes,
A comunhão diocesana tão importante,
Na Palavra e Eucaristia divinas fontes.

Depois daquele silêncio orante...
Com a comunidade crescimento da espiritualidade
Com mensagens tão atuais e instigantes,
De nossos amigos santos, quanta novidade!

Depois daquele silêncio orante...
Pe. Tito, hoje na glória do céu.
Pe. Frizzo, Pe Berardo, Pe. Paulo, e novamente o primeiro aqui conosco
Presenças diferenciadas e para mim tão importantes.

Depois daquele silêncio orante...
Um amor novo nasceu no meu coração.
Uma doce, terna, criatura apaixonante:
Nossa Senhora de Sion, minha nova devoção!

Depois daquele silêncio orante...
Um caminho foi por muitos percorrido,
Mas há muito mais nos esperando adiante,
Com Deus desafios serão sempre vencidos.

Dez anos de Paróquia! Deus seja louvado!
Há silêncios que mudam nossa vida...
Aquele mudou, e ainda há muito para ser mudado!
À Trindade Santa toda honra merecida!
Bendito seja Deus que vive eternamente!


PS: Hoje, como Bispo da Diocese de Guanhães-MG, glorifico a Deus pelos 10 anos em que fui Pároco da Paróquia Santo Antônio de Gopoúva. Meu reconhecimento, gratidão e carinho a todos que participaram e continuarão participando da minha história.

Da família do Senhor seremos se... (22/09)

                                                              


Da família do Senhor seremos se...

Na passagem do Evangelho ser proclamado na Missa da terça-feira da 25ª Semana do Tempo Comum, Jesus nos ensina que Sua família é constituída por todos aqueles que fazem a vontade de Deus, e não tão apenas pelos laços de sangue (Lc 8, 19-21).

É condição indispensável, portanto, um compromisso com o Evangelho e com o Reino de Deus, sem jamais fazer a separação entre que o se crê e o que se vive, o que se celebra e o que se traduz no cotidiano, nos mais diversos âmbitos da vida.

Deste modo, para Jesus há algumas exigências indispensáveis para que alguém se torne importante para Ele, e de Sua família faça parte:

- ouvir a Palavra de Deus, colocando em prática;

- pautar toda existência pelo Mandamento maior do Amor a Deus e ao próximo; amando como Ele nos ama – “amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei” (Jo 13,34);

- saber perdoar, e procurar o perdão, quando necessário, como expressão de que todos somos passíveis de erros e necessitados do perdão do outro, para vivermos a autêntica misericórdia que Ele nos ensinou;

- ter a alegria de partilhar o melhor que possui, para que o milagre da multiplicação continue a ser realizado, de modo que não haja necessitados entre nós;

- aprender que na acolhida do outro, se acolhe o próprio Jesus, sobretudo se for um pequenino, pobre, doente, marginalizado;

- saber se esforçar, quando preciso, em ser sinal de consolo, compreensão e solidariedade, como a mais bela expressão da compaixão divina com expressões concretas;

- ser comprometido com a Boa Nova do Reino, com coragem e profecia, sem deixar-se submergir no medo, na omissão e na indiferença;

- viver a doação pura e simples, sem nada esperar em troca, na mais perfeita alegria;

- saber ser feliz com os que são felizes, mas também saber chorar com os que choram;

- não somente se encontrar e se reunir para celebrar, orar, mas fazer o necessário prolongamento no dia a dia, jamais separando a Mesa da Palavra e do Altar das incontáveis mesas do cotidiano.

Evidentemente que poderíamos apresentar outras exigências, mas estas já são o bastante para avaliarmos o quanto somos, de fato, membros da família de Jesus.

Neste sentido, contemplamos Maria, Sua Mãe, como a mais perfeita e integrada em Sua família, porque não somente foi Mãe do Salvador, pela ação do Espírito Santo, mas em todo o seu viver sempre colocou a vontade de Deus acima da própria vontade.

Maria é por excelência modelo de escuta e prática da Palavra, e nos ensina o mesmo fazer, e mais: com ela também podemos contar, para que o mesmo façamos, ressoando em nosso coração suas palavras que não emanaram de seus lábios apenas, mas de um coração pleno do amor e graça divinas: “Fazei tudo o  que Ele vos disser” (Jo 2, 5).

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