domingo, 26 de janeiro de 2025

Chamado, conversão e discipulado (IIIDTCB) (25/01)

                                                   

Chamado, conversão e discipulado

Com a Liturgia do 3º Domingo do Tempo Comum (ano B), refletimos sobre a vocação, o chamado que Deus nos faz esperando nossa resposta. Vocação como dom divino e resposta humana: Deus nos ama e nos chama à vida plena.

Na passagem da primeira Leitura (Jn 3, 1-5.10), refletimos sobre a vocação e missão de Jonas que foi chamado por Deus  para a pregação da conversão de Nínive, porque a Salvação que Deus oferece se destina a todos os povos (período provável entre 440 e 410 a.C.)

Através desta “ficção didática” da vocação de Jonas, que reluta em aceitar a missão, num primeiro momento, aprendemos sobre o imediato caminho de conversão de Nínive (capital do Império Assírio), que se tornou um modelo de resposta ao chamado e ao apelo de conversão que Deus nos faz em todo o tempo.

Duas lições desta conversão: embora considerados como maus, prepotentes, injustos e opressores, os ninivitas foram mais atentos aos desafios de Deus do que o próprio Povo eleito; e, também, que é preciso superar a visão nacionalista, particularista, exclusivista e xenófoba, que estava em moda e que ainda pode persistir ainda hoje. É preciso que aprendamos sobre a lógica de Deus, que é de bondade, misericórdia, perdão e amor sem limites.

Não é próprio da lógica divina ver os outros como inimigos que merecem ser destruídos, mas irmãos que precisam ser amados.

Urge que a humanidade aprenda a lógica de Deus; a lógica da misericórdia e bondade divina que ama os bons e os maus: os bons para que perseverem, os maus para que se convertam. Entretanto, é preciso disponibilidade e abertura para a conversão.

Deus não cristaliza o passado de pecado, não se fixa na história do pecado feito, mas nos aponta um futuro de vida nova, desde que saibamos nos questionar no tempo presente, e nos colocarmos em atitude de conversão, de transformação de pensamentos, palavras e atitudes.

Com a passagem da segunda Leitura (1 Cor  7,29-31), refletimos sobre a brevidade do tempo, com a necessidade de voltarmos nosso olhar para o futuro.

A comunidade de Corinto, embora jovem, viva e entusiasta, tem seus problemas e dificuldades próprias:
- Como viver a pureza evangélica dentro de uma cultura pagã?

- Como viver uma autêntica sexualidade integrada e integradora, como santuários do Espírito, onde se vivia uma realidade de desprezo à sexualidade?

- Na brevidade do tempo, como discernir na escolha de realidades terrenas, passageiras e efêmeras de um lado, e as realidades eternas de outro?

- Como viver o tempo presente na espera da segunda vinda do Senhor, a Sua vinda definitiva?

- Como viver neste mundo como peregrinos ao encontro de uma vida verdadeira e definitiva, que somente é encontrada na plena comunhão com Deus?

Na passagem do Evangelho (Mc  1,14-20), temos a proposta de conversão (“metanoia”) que Jesus faz para que O aceitemos, em incondicional adesão a Ele e ao Seu Evangelho.

Este caminho de conversão implica em acolhida da Boa Nova, com a transformação de mentalidade e comportamentos, assumindo novas atitudes, reformulando os valores que norteiam a própria vida. Trata-se de colocar Deus no centro da existência, e Sua vontade acima de tudo.

Temos também o chamado dos primeiros discípulos, que tudo largaram e se puseram a seguir o Senhor. Ele é o Messias esperado, que proclama o Reino de Deus, e para segui-Lo, na passagem do Evangelho, vemos algumas exigências para que sejamos discípulos missionários:

- A entrada na comunidade do Reino é uma iniciativa do próprio Jesus;

- Trata-se de um chamado categórico, exigente e radical, com total confiança no chamado, sem prometer garantias e sem dar maiores explicações;

- O chamado exige a adesão incondicional à Sua pessoa e à Sua Boa-Nova, pois somente assim o discípulo será uma pessoa nova, que vive no Amor de Deus expresso no amor aos irmãos;

- O chamado exige também uma resposta imediata, total e incondicional: é preciso que se deixe tudo.

É explícita a mensagem da passagem do Evangelho: Jesus convida a todos os homens e todas as mulheres para integrarem à comunidade do Reino de Deus por Ele inaugurado, bem como também é apresentado um modelo para a forma como os chamados devem escutar, acolher a este chamado.

Acolher o chamado é pôr-se a caminho, e isto nos caracteriza como discípulos, e a conversão será sempre necessária para que correspondamos melhor ao que Deus espera de nós.

Quanto maior a adesão ao Senhor, quanto mais nos sentirmos por Ele seduzidos, maior será nosso compromisso com o Reino, maior será nossa alegria, porque expressão de uma fé cheia de vigor, com a esperança renovada a cada dia, porque também nutridos pelo amor celebrado e derramado em cada Eucaristia.

Viver a vocação é ser revelador da bondade do Pai, vivendo em plenitude o sentido desta, traduzindo em caridade concreta para com os irmãos e irmãs o sinal de amor expresso na Eucaristia celebrada.

Correspondamos ao que Cristo espera de nós. Sejamos abertos aos apelos de conversão que Ele nos faz, para que com maior disponibilidade e prontidão nos coloquemos a serviço do Reino.

Na verdade, o discípulo é alguém que sentiu olhado pelo Cristo, como Ele olhou bem para Pedro, e este olhar chegou às entranhas de seu coração, que o seduziu por toda a vida, e este amor será declarado quando três vezes, mais tarde, haverá de declarar seu amor a Jesus para cuidar do rebanho a ele confiado.

Sintamo-nos também olhados por Deus, aceitemos olhá-Lo e vê-Lo no Seu Filho Amado, e o nosso coração para sempre seduzido será, assistidos pelo Espírito Santo para sermos alegres discípulos missionários do Reino.


PS: Fonte de pesquisa: www.Dehonianos.org/portal

O tempo é breve (IIIDTCB) (25/01)


O tempo é breve

“O tempo está abreviado...
a figura deste mundo passa”(1 Cor 7, 29-31)

A Palavra de Deus do 3º Domingo do Tempo Comum (ano B) nos fala sobre a brevidade do tempo, de modo que este é o fio condutor que liga e dá unidade temática às três leituras:

- Jn 3,1-5.10 - Dentro de quarenta dias... (1ª Leitura)
- 1 Cor 7, 29-31 - O tempo se fez curto... (2ª Leitura)
- Mc 1,14-20 - O tempo está realizado (Evangelho)

O Missal Dominical nos oferece uma reflexão enriquecedora para o aprofundamento da Liturgia deste dia:

“A vitória de Cristo sobre a morte é superação dos limites do tempo e do espaço. Cristo opera uma demitização do tempo contra as concepções que haviam divinizado, coisificado o incessante e incontrolável fluxo das estações.

A vitória sobre a morte cria um tempo e um espaço para o homem, tempo e espaço de construção de sua identidade e da identidade de toda a comunidade humana.

Um ‘tempo para o homem’ não é só dom; deve ser também conquista. Mas a busca de tempos de produção cada vez mais breves, a impossibilidade de deter-se, a máquina cada vez mais veloz como símbolo de potência, a incapacidade de controlar a corrida dos acontecimentos, a necessidade frenética de atualização para não se sentir superado de um dia para o outro, podem ser sintomas de uma nova sujeição do homem ao tempo. Uma marcha para trás”.

Quantas vezes também já dissemos “não temos tempo”, “como o tempo está passando tão rápido”, ou “o dia precisava ter mais que 24 horas”.

Estes sinais permitiram que se chamasse, por alguns, de “tempo líquido” (sociólogo Zigmunt Bauman), o tempo que se escoa pelas mãos, que nos escapa do controle, parecendo passar cada vez mais rápido.

Como discípulos de Jesus, que vivem sempre o tempo da espera do Senhor que vem, a Sua segunda vinda gloriosa, temos consciência de que o tempo é breve, a figura deste mundo passa, com olhares fixos na eternidade, nos valores eternos.

Com a sabedoria divina, vivemos a transitoriedade do tempo presente, com intensidade e esforço contínuo de santidade, para a qual Deus nos predestinou.

Sabemos também que o imperativo da conversão se faz presente em nossa vida, como esteve presente na vida nos ninivitas e de todos os povos e em todos os tempos.

Para aquele que crê, a história é como um navio atravessando o mar da vida, para ancorar no porto seguro da eternidade, certos de que o Senhor Jesus está conosco nesta travessia, com Sua presença e Palavra, dando-nos serenidade e confiança, fazendo acalmar os ventos contrários e jamais permitindo que naufraguemos e deixemos morrer sonhos, esperanças, compromissos concretos.

Urge administrar bem cada segundo da existência, empenhados e comprometidos com a cultura da vida, da solidariedade, do acolhimento e valorização do outro, sem jamais curvar à cultura do descarte do outro, porque fomos criados à imagem e semelhança de Deus, portanto portadores de dignidade e sacralidade divinas.

Nesta modernidade líquida, em que a vida, o tempo, a própria essência da fé cristã, o amor se liquefaz, é preciso conversão, mudança de mentalidade e de atitudes, para que reencontremos a beleza da solidez dos valores que devem nortear nossa vida, expresso em relações mais fraternas, sinceras, duradouras na acolhida do outro, não tendo como critério sua produtividade, mas a sua própria essência, ou seja, a sua existência como pessoa, que não é mercadoria de valor que com o tempo se deprecia.

Viver é dar matizes divinos a cada gesto nosso: matizes divinos dão, com certeza, o sentido e a beleza do existir, porque quanto mais humanos o formos, mais a transcendência divina resplandecerá em todo o mundo.

A adoração divina é sempre apelo de conversão para que mais humanos sejamos, e relações mais fraternas construamos, no respeito a quaisquer diferenças, sem jamais violar a liberdade do outro, na mais perfeita harmonia da liberdade com responsabilidade: liberdade de expressão sempre, mas com respeito à cultura do outro e seus valores, são mais do que nunca inseparáveis.

É sempre tempo de reaprendermos o valor e a beleza da vida, e da graça do tempo que o Senhor nos concedeu.


PS: Citações extraídas do Missal Dominical p.1995

A conversão no discipulado (IIIDTCB) (25/01)


 

A conversão no discipulado


Com a Liturgia do 3º Domingo do Tempo Comum (ano B) continuamos a refletir sobre o chamado de Deus e a resposta que devemos dar.

Dando um passo a mais, somos interpelados a uma atitude de conversão para melhor resposta ao chamado de Deus. O imperativo da conversão é indispensável para que possamos acolher bem e frutuosamente a proposta de Salvação de Deus que se dirige a todos os povos, a todas as nações. Ninguém fica excluído da misericórdia, bondade e ternura de Deus.

Na passagem da primeira Leitura (Jn 3,1-5.10), temos a figura de Jonas que num primeiro momento recusa a missão por Deus confiada de anunciar a conversão dos habitantes de Nínive. Somente num segundo momento é que Jonas aceita a missão, e a conversão dos ninivitas torna-se um modelo de resposta adequada ao chamamento de Deus.

Na Profecia de Jonas temos duas lições: a universalidade do Amor de Deus que ama os pecadores e quer a sua conversão e a abertura dos pagãos ao Projeto de Salvação de Deus, o que não necessariamente se deu com o Povo eleito. Mais uma vez contemplamos a lógica divina que é bondade e misericórdia.

A atualidade desta passagem bíblica nos leva a refletir sobre a fragilidade de nacionalismos, racismos, particularismos, exclusivismos, marginalização e atitudes xenofóbicas.

A passagem da segunda Leitura (1 Cor 7,29-31) nos leva à reflexão sobre a brevidade do tempo, com a expressão Paulina – “a figura deste mundo passa”. A adesão ao Reino e o amor a Jesus exigem que saibamos fazer uma escala de valores: o que é eterno e o que é efêmero. O discípulo de Jesus não pode ser seduzido pelo que é passageiro.

Reflitamos:

- Onde se encontram nossa esperança, confiança e objetivo de nossa vida?
- Sabemos viver intensamente cada momento que Deus nos concede, considerando sua brevidade?
- Os valores do Reino são os valores absolutos em nossa vida?

Da mesma forma, na passagem do Evangelho (Mc 1,14-20), Jesus faz a todos os homens o convite para se tornarem Seus discípulos, mas num necessário caminho de conversão e adesão à Sua Boa Nova. A chegada do Reino implica em “metanoia” (conversão) para sua acolhida. Acolher sua Boa Nova e nela acreditar num permanente caminho de conversão.

 Podemos dividir o Evangelho em duas partes:

- Na primeira temos um resumo da pregação de Jesus;
- Na segunda refletimos sobre os primeiros passos de Sua comunidade.

Há algumas marcas que transparecem e que nos levam ao aprofundamento:

- O chamamento dos discípulos é uma iniciativa de Jesus a homens simples do povo; pessoas com suas histórias de vida, profissão, ocupadas em atividades do cotidiano;

- O chamado é categórico – não há preparação remota para seguimento. Uma decisão radical que pedirá constante entrega da própria vida;

- A adesão e o seguimento não são abstratos para depois seguir. Adesão e seguimento num permanente processo de aprendizado para que, como pessoas novas, ame-se a Deus e aos irmãos;

- O chamado de Deus exige resposta pronta e imediata, total e incondicional. Deixar tudo para segui-Lo.

Diante disto já podemos nos questionar sobre:

- a disponibilidade que temos para a maravilhosa aventura do Reino;
a disposição e alegria que temos em sermos instrumentos do Reino de Deus;
- a nossa disposição em acolher e percorrer o caminho do discípulo, o caminho de conversão.

Iniciando mais um ano, que o olhar do Divino Mestre, que incansavelmente se volta para cada de nós, não fique sem uma resposta alegre e generosa.

Que nossas “trocas de olhares” com o Amado, nos levem a dizer sim ao Deus Amante, para que sejamos envolvidos pelo sopro do Amor que nos vem do Divino Espírito.

Que o olhar cheio de Amor e ternura de Deus pela humanidade tenha de cada de um nós o melhor olhar de quem se sentiu amado, seduzido e por Seu Amor envolvido.

É impossível ficar indiferente e insensível ao olhar amoroso de Deus e ao apelo de conversão que Ele nos faz insistentemente.

Quanto mais profunda e sincera nossa conversão mais límpido será nosso olhar, mais felizes o seremos.

Quanto mais correspondermos ao olhar amoroso de Deus, mais largos horizontes veremos, e um mundo novo vislumbraremos. Esta é a mística do Reino, esta é a mística e o efeito do Amor de Deus em nós. Deus nos ama para nos fazer melhores, realizados.

Deus nos ama, e quando nos deixamos envolver por este Amor o tempo tem outro sentido, as coisas que nos cercam também.

Ser discípulo é viver intensamente envolvido na paixão pelo Reino, inserido e envolvido pelo Amor Trinitário.

Que o nosso coração transborde o Amor Divino (IIIDTCB)(25/01)

                                                       


Que o nosso coração transborde o Amor Divino

“Pois o Amor que d’Ele vem e
experimentamos é impossível de ser contido.”

Aprofundemos o tema da Liturgia do 3º Domingo do Tempo Comum (Ano B): a Encarnação e Missão do Verbo, uma vez que a missão do Senhor é também a nossa missão, missão de uma comunidade que escuta, acolhe, acredita, anuncia, testemunha a Sua Palavra.

Vejamos o que nos diz o autor da Epístola aos Hebreus:

“Muitas vezes e de muitos modos falou Deus outrora aos nossos pais, pelos Profetas; nestes dias, que são os últimos, Ele nos falou por meio do Filho, a quem Ele constituiu herdeiro de todas as coisas e pelo qual Ele também criou o universo.

Este é o esplendor da glória do Pai, a expressão do Seu ser. Ele sustenta o universo com o poder de Sua Palavra. Tendo feito a purificação dos pecados, Ele sentou-Se à direita da Majestade Divina, nas alturas. Ele foi colocado tanto acima dos Anjos quanto o nome que Ele herdou supera o nome deles.” (Hb 1,1-4)

De fato, Deus Se revelou e Se comunicou com a humanidade num momento histórico, por meio de Jesus de Nazaré, a Palavra de Deus viva e encarnada.

Esta citação nos ajuda a dar um passo neste itinerário espiritual:

“Jesus é a Palavra de Deus no meio de nós, porque a Palavra não é uma coisa, mas uma pessoa: ‘A Palavra fez-Se Carne e habitou entre nós’ (Jo 1,14).

Jesus é o Messias enviado por Deus e consagrado pelo Espírito para falar em nome do Senhor, trazendo a Sua misericórdia, a liberdade e o auxílio aos cativos, aos pobres, aos oprimidos (Lc 4,14-21).

A condição hoje necessária a cada cristão é o acolhimento de Jesus e da Sua Palavra” (1)

Apresento citações do Missal Cotidiano para a compreensão desta inserção do Verbo em nossa história:

- “A Bíblia é a literatura de um povo; nela estão reunidas as vicissitudes, os sofrimentos, as angústias, as alegrias e as esperanças da história de um povo; as reflexões dos sábios, os líricos, os hinos dos poetas, as canções populares até a vida das primitivas comunidades cristãs... A história passada é lida como Palavra de Deus para que, à sua luz, possamos ler a nossa história, a nossa vida, e descobrir e encontrar Deus nas vicissitudes do nosso cotidiano”

“... A Igreja não proclama uma abstrata ideologia humana, mas a Palavra que Se fez Carne em Cristo, Filho de Deus, Senhor e Redentor de todos os homens”.

- “Antigo e Novo Testamento se tornam atuais, próximos, se não ficarmos presos à letra morta. Mais cedo ou mais tarde descobriremos que podemos dizer a cada página – ‘Aqui se fala de nós. Eu sou Adão.

Nós somos os apóstolos no mar. Encontramo-nos precisamente como Jesus no caminho do Calvário e da Ressurreição. Assim, através da Palavra de Deus, vamos lentamente descobrindo como é nossa vida aos olhos d’Ele, isto é, na dimensão profunda...’

A Palavra que vem de Deus possui a força e a eficácia de Deus. Interpela, provoca, consola, cria comunhão e salva, das mais diversas maneiras, conforme os momentos e as formas; todo ato de pregação é glorificação de Deus e acontecimento sociológico para os homens. Hoje, também, a Palavra quer tornar-se carne para nossa vida”.

A força e a eficácia da Palavra em nossa vida são inegáveis:

“A Palavra de Deus deve ser conhecida, redescoberta, vivida. A Palavra de Deus fundamenta a fé dos crentes e constrói a Igreja: ‘A Palavra de Deus é viva, eficaz’ (Hb 4,12); ‘toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para ensinar, para refutar, para corrigir, para educar... para que o homem de Deus seja perfeito, preparado para toda a boa obra’ (2Tm 3,16-17). Pedro diz claramente que: ’nascemos de novo, não de uma semente mortal, mas imortal, por meio da Palavra de Deus, que é viva e permanece’” (1Pd 1,23)”.

Concluamos com as palavras de São João Crisóstomo, em sua Homilia sobre o Evangelho de São João:

“As Escrituras não nos foram dadas para que as conservássemos só escritas nos livros, mas para que as gravássemos no coração [...] impressas na alma para que esta fosse purificada”.

Ouçamos o Senhor falando bem no fundo de nossa alma, sintamos Sua afetuosa presença.

Digamos a Ele o quanto ainda não bastante O amamos, mas digamos, também, que desejamos amá-Lo com todo o nosso ser, nossa alma, nossa força e nosso entendimento, pois Ele é Aquele que Se fez igual a nós, exceto no pecado, para caminhar conosco.

Reclinemos em Seu Sagrado Coração, como fez o discípulo amado, e nada mais digamos, pois diante do amor, as palavras se tornam desnecessárias. 

Refeitos pelo Amor e carinho do Senhor, revigorados pelo Pão da Palavra e da Eucaristia, vamos ao encontro de nosso próximo, pois o Amor que d’Ele vem e experimentamos é impossível de ser contido.


(1) Lecionário Comentado -  Volume Tempo Comum – Editora Paulus - Lisboa -  p.121. 

Vivamos com equilíbrio, justiça e piedade (26/01)

                                                        

Vivamos com equilíbrio, justiça e piedade 

No dia 26 de janeiro, celebramos a Memória de dois bispos da Igreja, São Timóteo e São Tito, discípulos e colaboradores de São Paulo

Timóteo nasceu em Listra, na Ásia Menor, de mãe judia e pai gentio, e converteu-se na primeira viagem de São Paulo àquela cidade. Destacou-se pela fidelidade com que seguia o Apóstolo; devia ser muito jovem quando São Paulo pediu aos cristãos de Corinto que o tratassem com respeito, e ainda não tinha muitos anos quando foi nomeado bispo de Éfeso. A tradição diz que morreu mártir nesta cidade.

Tito foi um dos discípulos mais apreciados por São Paulo. Filho de pais pagãos, foi convertido pelo próprio Apóstolo. Assistiu com ele e com Barnabé ao Concílio de Jerusalém. Nas Epístolas de São Paulo, aparece como um homem cheio de coragem e firmeza contra os falsos mestres e as doutrinas errôneas que já começavam a aparecer. Morreu, quase centenário, por volta do ano 105”.

Na passagem da Carta de Paulo a Tito, proclamada no Natal do Senhor (Missa da Noite), o Apóstolo nos apresenta a face de um Deus que comunica a Sua graça a todos, oferecendo a Salvação, conduzindo a todos para uma vida feliz e verdadeira (Tt 2,11-14).

O Nascimento de Jesus reorienta o curso da História e o sentido de nossas vidas, de modo que, acolhê-lo como nosso Salvador, d’Ele, tornar-se um discípulo, exigirá que vivamos com equilíbrio, justiça e piedade,  renunciando ao mal, como tão bem nos exorta o Apóstolo Paulo escrevendo a Tito.

Seja a nossa vida pautada por estas palavras, com sua densidade salutar e inesgotável: equilíbrio, justiça e piedade.

Em todos os momentos deste ano, nossos pensamentos e ações sejam iluminados por esta exortação, e tão somente assim, teremos vida plena e feliz.

  

Espírito de fortaleza, amor e sobriedade (26/01)

                                                         

Espírito de fortaleza, amor e sobriedade

No dia 26 de janeiro, celebramos a Memória dos Bispos São Timóteo e São Tito, e ouvimos, na primeira leitura, a passagem da segunda Carta de Paulo a Timóteo (2 Tm 1,1-8).

O Apóstolo Paulo exorta Timóteo, e toda a comunidade, a se manterem fiéis no discipulado, deixando de lado todo o medo, acomodação, instalação e distração.

Na vida dos discípulos missionários, não pode haver lugar para o desânimo e vacilo na fé. É preciso manter o ânimo, com fortaleza; enfrentar e superar as dificuldades, com fidelidade total no testemunho da fé n’Aquele que nos chamou, Jesus.

Tomando consciência da presença amorosa e da preocupação de Deus para conosco, continuar no bom combate, no testemunho da fé. É preciso sempre levar a sério a vocação para a qual Deus nos chama, superando toda e qualquer forma de timidez, medo, insegurança.

Deste modo, a presença de Deus sentimos pela ação do Espírito Santo, certos de que não nos foi dado “Espírito de timidez, mas de força, de amor, de sabedoria”.

Assim afirma o Missal Cotidiano:

“Não devemos envergonhar-nos de dar testemunho de Cristo. É necessário coragem diante dos opositores externos e internos à comunidade. Como Paulo, que não tem desgostos, porque lutou bem e está em vias de dar a Cristo o supremo testemunho de fé e amor, precisamos não nos deixar desgastar pela luta, mas permanecer unidos aos que receberam de Cristo a missão de guiar a comunidade dos fiéis” (p. 856). 

Com a graça, a misericórdia e a paz, da parte de Deus Pai e de Cristo Jesus, nosso Senhor, reavivemos a chama do dom de Deus, que nos foi concedida por Sua misericórdia, e não nos envergonhemos de dar testemunho de nosso Senhor e de todos os que por Ele foram chamados para a continuidade de Sua missão, como nos exortou o próprio Apóstolo Paulo (2Tm 1,8).

Renovemos, portanto, a alegria e o ardor na graça de sermos discípulos missionários do Senhor, fazendo a mais bela súplica: Enviai-nos, Senhor, o Vosso Espírito e renovai as nossas forças. Enviai-nos, Senhor, Vosso Espírito, e tudo se renovará. Amém. 

Timóteo e Tito: corajosas testemunhas e luminares de nossa fé (26/01)

                                                             

Timóteo e Tito: corajosas testemunhas e luminares de nossa fé
 
Fé não é ausência de problemas, ao contrário,
é saber que o Senhor caminha conosco e
nos ajuda a enfrentá-los e superá-los .
 
Celebramos no dia 26 de janeiro a Memória de dois Bispos da Igreja: São Timóteo e São Tito, que foram dois grandes fiéis colaboradores do Apóstolo Paulo nos primeiros momentos missionários da Igreja.


Sejamos enriquecidos por uma das Homilias do Bispo São João Crisóstomo (séc IV), na celebração desta Memória.


“Na estreiteza do cárcere, Paulo parecia habitar no céu. Recebia os açoites e feridas com mais alegria do que outros que recebem coroas de triunfo; e não apreciava menos as dores do que os prêmios, porque considerava estas mesmas dores como prêmios que desejava, e até as chamava de graças.


Caminhando com o Senhor, não são poucas  as dificuldades, provações, perseguições e incompreensões, como Ele mesmo advertiu quando escolhia, chamava, formava e enviava os Seus discípulos.
 
Considerai com atenção o significado disto: prêmio, para ele, era partir, para estar com Cristo (cf. Fl 1,23), ao passo que viver na carne significava o combate. Mas, por causa de Cristo, sobrepunha ao desejo do prêmio à vontade de prosseguir o combate, pois considerava ser isto mais necessário.
 
Estar longe de Cristo representava para ele o combate e o sofrimento, mais ainda, o máximo combate e a mais intensa dor. Pelo contrário, estar com Cristo era um prêmio único. Paulo, porém, por amor de Cristo, prefere o combate ao prêmio.
 
Talvez algum de vós afirme: Mas ele sempre dizia que tudo lhe era suave por amor de Cristo! Isso também eu afirmo, pois as coisas que são para nós causa de tristeza eram para ele enorme prazer.
 
E por que me refiro aos perigos e tribulações que sofreu? Na verdade, seu profundo desgosto o levava a dizer: Quem é fraco, que eu também não seja fraco com ele? Quem é escandalizado, que eu não fique ardendo de indignação? (2Cor 11,29).
 
Rogo-vos, pois, que não vos limiteis a admirar este tão ilustre exemplo de virtude, mas, imitai-o. Só assim poderemos ser participantes da sua glória.
 
E se algum de vós se admira por eu dizer que quem imita os méritos de Paulo participará da sua recompensa, ouça o que ele mesmo afirma: Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé. Agora está reservada para mim a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a  mim, mas também a todos que esperam com amor a Sua manifestação gloriosa (2Tm 4,7-8).
 
Por conseguinte, já que é oferecida a todos a mesma coroa de glória, esforcemo-nos todos por ser dignos dos bens prometidos.
 
Não devemos considerar em Paulo apenas a grandeza e a excelência das virtudes, a prontidão de espírito e o propósito firme, pelos quais mereceu tão grande graça; mas pensemos também que a sua natureza era em tudo igual à nossa; e assim, também a nós, as coisas que são muito difíceis parecerão fáceis e leves.
 
Suportando-as valorosamente neste breve espaço de tempo em que vivemos, ganharemos aquela coroa incorruptível e imortal, pela graça e misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo. A Ele a glória e o poder, agora e sempre, pelos séculos dos séculos. Amém.”
 
A São Timóteo e são Tito. colaboradores do Apóstolo Paulo, como mencionarmos, foram dirigidas as Cartas chamadas “Pastorais”, nas quais se encontram excelentes recomendações para a formação dos pastores e dos fiéis.
 
À luz do testemunho destas corajosas testemunhas do Evangelho, renovemos a nossa coragem e fidelidade no seguimento como discípulos missionários do Senhor.
 
Timóteo, filho de pai pagão e mãe judia, foi o discípulo predileto de Paulo, e  talvez tenha sido convertido pelo Apóstolo durante sua primeira viagem missionária. A ele, foi confiado inúmeros encargos, em várias circunstâncias, às comunidades de Tessalônica, Macedônia e Corinto.
 
No Novo Testamento, há duas Cartas dirigidas a São Timóteo pelo Apóstolo. Esteve ao lado de Paulo em sua primeira prisão, e sua presença foi solicitada por ele em sua segunda prisão. Exerceu a função de Bispo em Éfeso.
 
Tito, de família pagã, foi fiel colaborador de Paulo, provavelmente convertido na primeira viagem missionária do Apóstolo. Também acompanhou Paulo e Barnabé em viagem a Jerusalém, onde o Apóstolo se opôs energicamente aos que pretendiam impor a circuncisão a seu discípulo. Há uma Carta a ele dirigida no Novo Testamento.
 
Urge que vivamos com mais ardor a nossa fé, tendo como exemplos o testemunho de Timóteo, Tito e Paulo, a fim de que sejamos intrépidos na fé.
 
Neste sentido, compreendamos como ter fé,  não como ausência de problemas, ao contrário, é saber que o Senhor caminha conosco e nos ajuda a enfrentá-los e superá-los.
 
Oremos:
 
“Ó Deus, que ornastes São Timóteo e São Tito com as virtudes dos Apóstolos, concedei-nos, pela intercessão de ambos, viver neste mundo com piedade e justiça, para chegar ao céu, nossa pátria. Por N. S. J. C. Amém!”
 
 
PS: Passagem bíblica - Segunda Carta de Paulo a Timóteo (2 Tm 3,10-17)

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