Setas ardentes do Amor Divino
“Mas quem pode livrar-se
porventura
dos laços que o amor arma
brandamente” (Camões)
É uma manhã como todas as demais: o sol desponta timidamente no
horizonte para iluminar o novo dia, com seus raios também aquecer e garantir a sagrada
teimosia da existência, não obstante depredações e destruições, superaquecimento
global, camada de ozônio...
Caminhando entre pedras e espinhos, sigo curando os cortes, e
vencendo as dores, carregando as lembranças sacramentadas pelas cicatrizes.
Não fosse o Amor do Amado, quem avançar suportaria? Mais fortes
seriam os turbilhões das emoções e medos a levar consigo os sonhos, metas,
cantos, prosas e a mais belas poesias.
Mas Deus e Seu amor, que dá vertigem, porque ultrapassa nossos
limites, as métricas dos méritos, créditos e débitos dos pecados e acertos que
marcam os humanos relacionamentos.
As esperanças se renovam, porque amados por Ele, Jesus, trazemos
nos olhos e no coração, a luz da fé, que nos torna intrépidos a vencer os
inevitáveis desafios.
Agora, por um instante, silêncio das entranhas do coração, tão
somente por Deus conhecido, declaro meu amor pelo Filho Amado do Pai; Amado que
nos ama com o Fogo do Amor do Espírito, e caminhamos mendicantes de imerecido Amor.
E assim, vou descortinando cada dia como páginas de um grande
livro, que somente o Autor da Vida conhece seu epílogo, ao Amado abrindo meu
coração, ferido pelas setas pontiagudas das Suas Palavras de ternura.
Tão lancinante dor do Amor que:
- Consome, sem me consumir, que, paradoxalmente me faz
reencontrar o verdadeiro sentido do existir, sem me fazer perder a direção da
vontade e o objetivo da alma do eterno encontro na eternidade Celestial,
plenitude de Luz e Amor;
- Devolve o olhar da transcendência, que rompe ilusões e nos
conduz no absolutamente essencial, para que a condição existencial tenha beleza
e graça;
- Garante a mais bela e necessária de todas as conexões: a conexão com o Divino e Sua vontade a se realizar. E tão somente assim, a felicidade alcançar. Amém.


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