terça-feira, 7 de julho de 2026

Operários da messe e testemunhas da compaixão divina

                                                    

Operários da messe e testemunhas da compaixão divina


“A messe é grande, mas os trabalhadores
são poucos. Por isso, pedi ao dono da messe
 que mande trabalhadores para a colheita” (Mt 9,37-38)

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de São Mateus (Mt 9,32-38), em que Jesus foi tomado de compaixão pela multidão, pois andavam como ovelhas sem pastor.

Renovemos nossos compromissos no aprofundamento e anúncio da nossa fé, para que a mesma resplandeça à luz da Palavra de Deus, como testemunhas da compaixão divina, vivendo a graça de discípulos missionários do Senhor.

Testemunhamos a nossa fé quando não nos dobramos aos pecados capitais que maculam a vida (soberba, avareza, luxúria, ira, gula, inveja e preguiça), que roubam o que ela tem de mais belo e sagrado.

Testemunhar a nossa fé resplandecendo a luz divina, exige também que lancemos mão dos diversos meios de comunicação, e a internet sem dúvida é um instrumento eficaz para comunicarmos o Evangelho a todos os povos, manifestarmos nosso amor a Deus na construção de relações mais fraternas com o nosso próximo. Todavia é preciso que estejamos atentos às implicações que seu uso indevido pode nos causar.

Viver intensamente a Fé exige corajosa e generosa resposta ao Senhor que nos chama para o cuidado da messe, pois como Ele disse “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos” (L 10,2).

Renovemos nossa alegria de amar e servir a Igreja, colocando nossos dons e carismas a serviço nas  diversas pastorais, movimentos e serviços.

Jesus volta permanentemente o seu olhar cheio de amor para nós pede que vendamos tudo para segui-Lo com alegria, disponibilidade, desapego, confiança e coragem, e nos garante cem vezes mais tudo que tenhamos renunciado, mas não sem perseguição.

Enfim, peçamos ao Senhor da messe, o verdadeiro consumador da nossa fé, que em todo tempo muitos corações se abram à alegria da Boa Nova do Reino, que a exemplo de Maria, respondam “sim” a vontade de Deus, para que empenhados e dedicados, dentro e fora da Igreja, construamos um mundo melhor.

Urge vivermos uma fé autêntica, fecunda, correspondendo ao chamado do Pai, para que nosso coração seja como a terra boa onde a Palavra de Deus cai e produz frutos de amor, alegria, vida e paz. Não há porque temer, recuar... Sua presença, força, ternura, amor e coragem nunca há de nos faltar na prática da compaixão divina, como indignos operários da messe do Senhor.

Maturidade e serenidade no seguimento do Senhor

                                                                   

Maturidade e serenidade no seguimento do Senhor

À luz da passagem do Evangelho da terça-feira da 14ª Semana Tempo Comum (Mt 9,32-38), refletimos sobre qual deve ser a verdadeira atitude dos discípulos de Jesus, diante de Sua ação.

Quando Jesus realiza a expulsão de um demônio, é caluniado, pois afirmam que é pelo poder do mal que Ele faz exorcismos.

Sem Se deixar abalar, Jesus simplesmente continua a Sua caminhada, preocupando-Se com o sofrimento e as dores de todos aqueles que encontra pelo caminho, fazendo o bem a todos, olhando a todos, com compaixão, preocupando-Se porque são como ovelhas que não têm pastor.

Assim também devemos ser, não devemos viver preocupados com as calúnias que nos são dirigidas, mas sim preocupados em fazer o bem.

Oportunas são as palavras do Apóstolo Pedro: “Porque melhor é que sofreis fazendo bem (se a vontade de Deus assim o quer), do que fazendo mal” (1 Pd 3,17).

Existem pessoas que vivem chorando pelos cantos, por causa das ofensas e calúnias das quais são vítimas no trabalho evangelizador. A Humanidade, por vezes, se apresenta como uma multidão doente e esgotada, perante a qual, a exemplo de Jesus, precisamos nos comover até as entranhas, comprometidos com a misericórdia de Deus, bebendo do seio de Amor, de onde nascem a nossa vida e a nossa Salvação.

Todos somos chamados a participar deste desígnio, colocando nossos talentos a serviço dos que mais precisam, pois tão somente assim são multiplicados, e rendemos a Deus verdadeira adoração, em espírito e verdade.

A fidelidade ao Senhor nos pede sempre crescimento em maturidade e serenidade diante das dificuldades, provações, perseguições, calúnias e difamações, como Ele mesmo nos disse, no Sermão da Montanha:

"Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa" (Mt 5, 11). 


PS: Oportuno para reflexão da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 11,14-23) proclamado na terceira Quinta-feira da Quaresma.

Que o nosso coração seja fecundo (XVDTCA)

                                                             

Que o nosso coração seja fecundo

“Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem.
O campo é o mundo. A boa semente são
os que pertencem ao Reino.”

A Liturgia do 15º Domingo do Tempo Comum (Ano A) nos convida a refletir sobre a importância e a centralidade da Palavra de Deus na vida daqueles que creem.

A passagem da primeira Leitura (Is 55,10-11) é um pequeno trecho do “Livro da Consolação”, e retrata a fase final do exílio (anos 550-540 a.C.).

O Povo de Deus encontra-se farto de belas palavras e promessas de libertação, que tardam em se realizar, e com isto a impaciência, a dúvida e o ceticismo enfraquecem a resistência dos exilados.

O Profeta, para evidenciar a eficácia da Palavra de Deus, utiliza o exemplo da chuva e da neve que, vindas do céu, tornam fecunda a terra, multiplicando a vida nos campos.

Uma imagem muito sugestiva, considerando que os judeus exilados na Babilônia devem se lembrar da chuva que cai no norte de Israel e da neve no monte Hermon. A água alimenta o rio Jordão, correndo por todo Israel, e por onde passa gera vida e fecundidade.

A mensagem que se comunica é de que a Palavra de Deus não falha, pois indica sempre caminhos de vida plena, verdadeira, expressa na liberdade e paz sem fim, não necessariamente segundo a lógica do tempo dos homens, dos seus desejos, projetos, interesses e critérios.

É necessário que se aprenda e respeite o ritmo e o tempo de Deus. E também, a eficácia da Palavra divina não dispensa compromissos e indica os caminhos que devem ser percorridos, renovando o ânimo para a intervenção no mundo. A Palavra divina não adormece a ação humana, mas impele para a transformação e renovação do mundo.

Com a passagem da segunda Leitura (Rm 8,18-23), continuamos a refletir sobre a vida segundo o Espírito, que consiste em deixar-se conduzir pela Palavra de Deus, e isto só é possível quando se acolhe a salvação como dom de Deus, que nos é alcançada por meio de Jesus Cristo, na ação do Espírito, que é derramado sobre todos os que aderem ao Seu Projeto e fazem parte de Sua comunidade.

A vida segundo o espírito consiste também em viver atentamente na escuta da Palavra de Deus, em plena obediência ao Projeto que Ele tem para nós, com renúncia ao egoísmo, aos interesses mesquinhos, ao comodismo, ao orgulho. É um caminho de doação da própria vida a Deus e aos outros.

A vida segundo o Espírito implica em maturidade para viver os sofrimentos, as renúncias, as dificuldades, que nada representam se comparadas com a felicidade sem fim que aqueles que creem encontrarão no fim do caminho.

A vida segundo a carne é, por sua vez, marcada por uma vida onde impera o egoísmo, o orgulho e a autossuficiência, que conduz ao pecado, à morte, à infelicidade total.

Viver consiste em saber fazer escolhas: viver segundo a carne, ou viver segundo o Espírito. Sendo pelo Espírito, pautar a vida pela Palavra divina e por ela ser conduzido.

Na proclamação do Evangelho (Mt 13,1-23), em que nos apresenta a Parábola do semeador, somos convidados a refletir sobre o modo como acolhemos a Palavra de Deus, e como comunicamos a Boa-Nova do Reino, que jamais pode ser interrompida, e que aos poucos vai revelando seu esplendor e fecundidade, a vida que Deus quer para a humanidade.

Neste capítulo, encontramos sete Parábolas de Jesus: do semeador; do grão de mostarda; do fermento; do trigo e do joio; do tesouro escondido; da pérola valiosa e da rede.

A linguagem em forma de Parábolas mexe com os ouvintes, arma controvérsia, e é um método pedagógico de reflexão em busca da verdade.

O Evangelista Mateus tem como sua preocupação a vida da comunidade, de modo que nas sete Parábolas, e na interpretação das mesmas, apresenta Jesus como o Pastor que exorta, anima, ensina e fortalece a fé dos que creem.

Sejamos fortalecidos em nosso itinerário de fé, trilhando caminhos, ainda que difíceis e desafiadores, mas sempre iluminados pela Palavra Divina proclamada, acolhida, meditada, partilhada, celebrada e testemunhada.

Empenhemo-nos para que a Palavra caia num chão fértil, que deve ser nosso coração, para que produza os frutos por Deus esperados: justiça, paz, amor, alegria, felicidade...

A Palavra de Deus é eficaz; é preciso que tornemos nosso coração mais fecundo, em séria e atenta escuta e vivência desta Palavra.

Nutridos pela força da Eucaristia, inebriados pelo Vinho Novo, a nós oferecidos no Cálice da Salvação, sejamos cada vez mais comprometidos com a mesa de nossos irmãos no cotidiano, até que sejamos merecedores de ser partícipes do Banquete Eterno, na glória da eternidade. Amém. 

Fonte de pesquisa: www.Dehonianos.org/portal

As parábolas do Reino de Deus (XVDTCA)

                                                         

As parábolas do Reino de Deus

“Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem.
O campo é o mundo. A boa semente são
os que pertencem ao Reino.”

No capítulo 13 do Evangelho de São Mateus, encontramos sete parábolas de Jesus Cristo sobre o Reino de Deus: do semeador; do grão de mostarda; do fermento; do trigo e do joio; do tesouro escondido; da pérola valiosa e da rede.

Reflitamos, sobre a primeira Parábola do semeador, sobre o modo como acolhemos a Palavra de Deus, e como comunicamos a Boa-Nova do Reino, que jamais pode ser interrompida, e que, aos poucos, vai revelando seu esplendor e fecundidade, a vida que Deus quer para a humanidade.

A linguagem em forma de Parábolas mexe com os ouvintes, arma controvérsia, e é um método pedagógico de reflexão em busca da verdade.

O Evangelista Mateus tem como sua preocupação a vida da comunidade, de modo que nas sete Parábolas, e na interpretação destas, apresenta Jesus como o Pastor que exorta, anima, ensina e fortalece a fé dos que creem.

Sejamos fortalecidos em nosso itinerário de fé, trilhando caminhos, ainda que difíceis e desafiadores, mas sempre iluminados pela Palavra Divina proclamada, acolhida, meditada, partilhada, celebrada e testemunhada.

Que nos empenhemos para que a Palavra caia num chão fértil, que deve ser nosso coração, para que produza os frutos por Deus esperados: justiça, paz, amor, alegria, felicidade...

A Palavra de Deus é eficaz; é preciso que tornemos nosso coração mais fecundo, em séria e atenta escuta e vivência desta Palavra.

Também, que nutridos pela força da Eucaristia, inebriados pelo Vinho Novo, a nós oferecidos no Cálice da Salvação, sejamos cada vez mais comprometidos com a mesa de nossos irmãos no cotidiano, até que sejamos merecedores de ser partícipes do Banquete Eterno, na glória da eternidade. Amém. 

Fonte de pesquisa: www.Dehonianos.org/portal

PS: Oportuno para reflexão das passagens do Evangelho: Lc 13,18-21; Mc 4,1-20; Mt 13,1-23

A Palavra de Deus: leitura e oração (XVDTCA)

                             

A Palavra de Deus: leitura e oração
                                      
    “A oração nos purifica, a leitura nos instrui”

Reflexão à luz da Palavra do Semeado conforme as passagens do Evangelho (Mt 13,1-9; Mc 4,1-9; Lc 8,4-15).

O Semeador é o próprio Jesus, assim como a semente é a Sua Palavra a cair no chão de nosso coração.

Sejamos enriquecidos pelos escritos do Bispo Santo Isidoro (séc. VII) sobre a importância da Palavra de Deus, e em que consiste a diferença da sua leitura ou oração.

“A Oração nos purifica, a leitura nos instrui. Usemos uma e outra, se é possível, porque as duas são coisas boas. Porém, se não for possível, é melhor rezar do que ler.

Quem deseja estar sempre com Deus, deve rezar e ler constantemente. Quando rezamos, falamos com o próprio Deus; mas quando lemos, é Deus que nos fala.

Todo progresso procede da leitura e da meditação. Com a leitura aprendemos o que não sabemos, com a meditação conservamos na memória o que aprendemos.

Da leitura da Sagrada Escritura recebemos uma dupla vantagem, porque ilumina a nossa inteligência e conduz o homem ao amor de Deus, depois de tê-lo arrancado das vaidades mundanas.

Duplo é também o fim que temos de propor-nos a ler: o primeiro, tratar de compreender o sentido das Escrituras; e em seguida, esforçar-nos por proclamá-la com a maior dignidade possível.

Quem lê, de fato, busca em primeiro lugar compreender o que lê, e somente depois trata de expressar de modo mais conveniente o que aprendeu.

Mas o bom leitor não se preocupa tanto de conhecer o que lê quanto de colocá-lo em prática. É menos árduo ignorar completamente um ideal do que, uma vez conhecido, não colocá-lo em prática. Portanto, assim como mediante a leitura demonstramos nosso desejo de conhecer, assim logo após ter conhecido temos de sentir o dever de colocar em prática as coisas boas que aprendemos.

Ninguém é capaz de aprofundar-se no sentido da Sagrada Escritura se não a lê com assiduidade, conforme está escrito: ‘Ama-a e ela te exaltará, glorificar-te-á quando a abraças’.

Quanto mais assíduo se é na leitura da Escritura, mais rico é o entendimento que se alcança. É o mesmo que acontece com a terra: quanto mais a cultivamos, mais produz.

Existem pessoas que, sendo inteligentes, são negligentes na leitura dos textos sagrados. Desta forma, com sua negligência manifestam seu desprezo por aquilo que poderiam ter aprendido mediante a leitura. Outros, no entanto, têm desejos de saber, porém sua escassa preparação se torna um obstáculo. Contudo, estes últimos, mediante uma leitura inteligente e assídua, chegam a conhecer o que os outros ignoram; mais inteligentes, porém preguiçosos e indiferentes.

Assim como uma pessoa, ainda que seja tarda em inteligência, consegue tirar fruto graças ao seu esforço e seu empenho no estudo, assim aquele que negligencia o dom da inteligência que Deus lhe concedeu se torna culpável de reprovação, porque rejeita um dom recebido e o deixa sem dar frutos.

Se a doutrina não está sustentada pela graça, não chega ao coração, mesmo que entre pelos ouvidos. Faz muito barulho por fora, mas não aproveita a alma. Somente quando intervém a graça, a Palavra de Deus desce dos ouvidos ao fundo do coração, e ali age intimamente, levando a compreensão do que foi lido”. (1)

Um pouco antes, São Jerônimo exortou-nos a amar a Palavra de Deus na Sagrada Escritura. Literalmente afirmou: “Ignorar as Escrituras é ignorar Cristo”.

Por isso, é importante que todo cristão viva em contato e em diálogo pessoal com a Palavra de Deus, que nos é entregue na Sagrada Escritura.

Este diálogo com Ela deve ter sempre duas dimensões: por um lado, deve haver um diálogo realmente pessoal, pois Deus fala conosco através da Sagrada Escritura e tem uma mensagem para cada um de nós.

A Sagrada Escritura não pode ser vista como uma Palavra do passado, mas como Palavra de Deus dirigida também a nós, quando procuramos entender o que o Senhor quer nos dizer.

Para não cair no individualismo, temos de ter presente que a Palavra de Deus nos é dada precisamente para construir comunhão e para nos unir na verdade de nosso caminho rumo a Deus.

Portanto, apesar de ser sempre uma Palavra pessoal, é também uma Palavra que edifica a comunidade, que edifica a Igreja verdadeiramente Sinodal. Por isso, temos de lê-la em comunhão com a Igreja viva.

O lugar privilegiado da leitura e da escuta da Palavra de Deus é a Liturgia, nela ao celebrar a Palavra e ao tornar presente o Sacramento do Corpo de Cristo, atualizamos a Palavra em nossa vida e a fazemos presente entre nós.

A Palavra de Deus transcende os tempos, ao contrário das opiniões humanas que passam. O que hoje se apresenta como moderno, amanhã estará ultrapassado. Ela é Palavra de Vida Eterna, tem em si a eternidade, vale para sempre. 

Com a leitura da Palavra Divina, podemos nos instruir acerca da vontade de Deus, mas quando a tomamos para a Oração, abrimos nosso coração e a Ele apresentamos nossos anseios, propósitos, angústias, esperanças,  alegrias e tristezas, em atenta espera de Sua resposta.

Os Salmistas nos ensinam que os ouvidos de Deus estão sempre abertos e prontos a nos conceder uma resposta, ainda que esta nos desinstale, nos questione, exija mudança de rumos, conceitos e paradigmas, e alargamento de horizontes…

“Na minha angústia, invoquei o Senhor, gritei para meu Deus:
do Seu templo ele ouviu a minha voz, e o meu clamor em Sua presença chegou aos Seus ouvidos.” (Sl 17,7)


(1) Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 – pp. 176-177

A Palavra do Senhor e a fecundidade de nosso coração (XVDTCA)

                                                        

A Palavra do Senhor e a fecundidade de nosso coração

Reflexão à luz da Parábola do Semeador (Mt 13,18-23; Mc 4,13-20; Lc 8,4-15):


“Os diversos terrenos, frequentemente presentes e misturados em nós, são a imagem do nosso coração desejoso porventura de escutar a Palavra, mas incapaz de compreendê-la em profundidade e de deixá-la criar raízes, de modo a poder dar fruto.

É necessário proceder a um trabalho atento e sapiente, libertando o coração de pedregulhos e de espinhos, separando a terra boa, isto é, exercendo aquela vigilância contínua a que convidam outras páginas do Evangelho (cf. Lc 12,35ss), e um sábio discernimento sobre tudo o que ocupa os nossos sentimentos e os nossos pensamentos” (1)

Completemos a reflexão com o Comentário do Missal Cotidiano (2), e assim, podemos falar em quatro categorias de pessoas ao ouvir a Palavra de Deus:

1º - Aqueles que a ouvem com planos próprios, sem muita disponibilidade para se questionar com a Palavra;

2º - Outros são superficiais, pois ouvem levianamente a Palavra, e da mesma forma esquecem;

3º - Muitos não têm tempo para tirar conclusões da Palavra, porque “têm muito que fazer”;

4º - Mas têm alguns que realmente refletem sobre a Palavra ouvida, e se dispõem a “mudar”, com uma disponibilidade mais ou menos ampla, que só Deus pode medir.

Corroborando ainda mais a reflexão: 

“O homem dos primeiros três quadros escuta, mas não compreende. Os motivos são diversos e colocam em evidência obstáculos cada vez mais sutis e, por vezes, difíceis de descobrir. A razão pode estar na intervenção do Maligno, mas também em algumas atitudes humanas, como a volubilidade e a superficialidade que se manifestam quando é necessário enfrentar dificuldades e provações, ou então a inquietação que nasce da preocupação pelas riquezas” (3).

De outro lado, a compreensão da Palavra de Deus não é um exercício intelectual, porque nasce da acolhida atenta e amorosa do que se ouviu, e da fé incondicional no Senhor, que nos dirige a Palavra divina para que, acolhida em chão fértil e pleno de fé, dê saborosos e abundantes frutos Pascais.

Além de nos questionarmos sobre o modo como acolhemos a Palavra, e com qual terreno nos identificamos, há uma segunda questão que o Comentário do Missal nos apresenta:

Na explicação da Parábola, o Senhor fala dos que ouvem, e notemos que não aparecem “Aqueles que não ouvem”.

Entretanto, há muitos que ainda não ouviram a Palavra do Senhor, e precisamos nos questionar se, como discípulos missionários do Senhor, estamos vivendo a graça de anunciar e testemunhar a Palavra de Deus a muitos, em todos os âmbitos e em todos os momentos.

Concluindo, oportunas as Palavras do Apóstolo Paulo aos Romanos (Rm 10,14-15):

“Como, pois, invocarão Aquele em quem não creram? e como crerão n’Aquele de quem não ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? como está escrito: Quão formosos os pés dos que anunciam o Evangelho de paz; dos que trazem alegres novas de boas coisas”.


(1) (3) - Lecionário Comentado – Tempo Comum – Volume I - Editora Paulus – Lisboa – 2011 – p.796
(2) Missal Cotidiano – Editora Paulus – p.1067

A Palavra Divina e a fecundidade de nosso coração (XVDTCA)

                                               

A Palavra Divina e a fecundidade de nosso coração
     
 “No silêncio orante, façamos a Palavra florescer”

Reflexão à luz da passagem do Evangelho (Mt 13,1-9; Mc 4,1-9; Lc 8,4-15), em que nos é apresentada a Parábola do Semeador.

Jesus nos dá a explicação da passagem do semeador que saiu a semear, e da semente que caiu em vários terrenos: à beira do caminho, em terreno pedregoso e com espinhos, e na terra boa.

Cada terreno corresponde a um homem e à sua reação diante da Palavra que foi ouvida. Os diversos terrenos, frequentemente presentes e misturados em nós são a mais perfeita expressão da imagem de nosso coração, desejoso de escutar a Palavra, mas, por vezes, incapaz de compreendê-la profundamente, deixando criar raízes para que dê os frutos abundantes por Deus esperados.

Deste modo, a conversão é algo permanente. A vigilância, perseverança e confiança na Palavra que o Semeador, Jesus, faz em nosso coração são necessárias.

Quando a Palavra acolhida for regada com a força da Eucaristia, e posta em prática, produzimos frutos abundantes de alegria, comunhão, vida, amor e paz.

No silêncio orante, acolhamos a Palavra como semente num coração bom e generoso, onde a Palavra encontra condições favoráveis para florescer e frutificar.

Reflitamos:

- Estamos imunes da superficialidade e dureza de coração na escuta, acolhida e vivência da Palavra Divina?
- Quando nosso coração é como um terreno pedregoso e espinhoso?

- Quem de nós está livre de uma escuta leviana que leva ao imediato esquecimento, insensibilidade e indiferença à Palavra ouvida?

- Estamos totalmente disponíveis para o Plano de Deus, abrindo  mão de planos próprios?
- Como passar do conhecimento à prática da Palavra de Deus?
- Como não cair num ativismo frenético, sacrificando o precioso tempo do recolhimento, da familiaridade, da amizade, intimidade e diálogo com Deus através da Oração?

Oremos:

“Espírito de Jesus, 
Vós que conheceis a nossa vida, as nossas provações, 
o perigo em que vivemos, 
abri os nossos corações, 
para que possamos acolher a Vossa Graça, 
e possamos  compreender aquilo que, 
em nós, atenta à esperança.

Dai-nos luz para discernir os caminhos 
do adversário na nossa vida, 
para não os subestimarmos, 
para estarmos vigilantes, 
para os prevenirmos, 
para podermos lutar corajosamente 
e sermos vitoriosos, 
permanecendo firmes na fé. Amém”.

Quem sou eu

Minha foto
4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG