sexta-feira, 3 de julho de 2026

“Meu Senhor e meu Deus”

                                            

“Meu Senhor e meu Deus”

Era o primeiro dia da semana... Um acontecimento memorável que marcou a vida dos primeiros discípulos, e, para sempre, a vida da Igreja, irradiando a luz que jamais se apaga, porque foi a manifestação gloriosa do Senhor Jesus, vivo e Ressuscitado.

Portas fechadas por medo dos judeus, compreensível, pois o que haviam feito ao Divino Mestre, poderiam o mesmo fazer com Seus discípulos seguidores. Quem não ficaria com medo diante do trágico acontecimento, da crudelíssima morte do Justo, Santo e Inocente?

Inspirado na passagem do Evangelho de João (20,19-31), apresento uma súplica, a fim de que nossas forças sejam renovadas, e também o nosso compromisso batismal, para que sal e luz da terra sejamos, vida nova, no Espírito, vivamos, gosto de Deus ao mundo demos

Oremos:

Senhor Jesus Ressuscitado, creio que para Vós não há porta e absolutamente nada que impeça Sua ação. Suplico-Vos, rompei a porta de meu coração, para nele fazer Vossa morada, e assim eu Vos acolha como o mais belo Hóspede.

Senhor, afastai de nós todo medo que possa nos fragilizar. Medo de tantos nomes, sobretudo nos momentos difíceis por que passamos. Vossa divina presença, Senhor, nos dá segurança, porque sois nosso refúgio, nosso escudo, nossa luz e proteção.

Senhor, ficai no centro de minha vida, assim como da comunidade que participo. Que absolutamente nada ocupe a centralidade em minha vida. Que eu saiba buscar, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça e tudo mais me será acrescentado, como Vós mesmo nos dissestes e nos assegurais.

Senhor, Vossa divina presença é para nós a comunicação da alegria, mas não a alegria ilusória e passageira que o mundo dá, e que nos afasta da verdadeira alegria, que somente de Vós procede. Pois Vós também dissestes, que somente Vós podeis nos dar a plena alegria.

Senhor Jesus, dai-me a Vossa paz, o Shalom, a plenitude de todos os bens, dons. Somente em Vós e convosco, eu encontro a paz plena, que não significa a ausência de problemas, ou uma falsa paz conseguida com drogas ou coisa semelhante, mas com seu alto preço consequente.

Senhor Jesus, como é maravilhoso poder contar com o Vosso sopro, que nos comunica a presença e ação do Espírito, que não nos permite que nos sintamos órfãos, e nos envia em missão para remissão dos pecados, inauguração de novos tempos, novos relacionamentos, mundo novo e reconciliado.

Senhor, unido ao Mistério de Vossa Paixão, em comunhão com Vossas Chagas dolorosas, cremos que sois vitorioso, glorioso, e que estais sentado à direita do Pai. Sem ter visto e nem tocado, como Tomé, também digo: “Meu Senhor e meu Deus”, exultante de alegria pelas Vossas Chagas gloriosas.

Senhor, renovo minha fé, e assim como Vosso Apóstolo Pedro nos exortou, quero testemunhá-la com a esperança que não murcha, que floresce em terrenos áridos e sombrios, porque impelido pelo Vosso amor que não passa, e o coração para sempre inflama. Amém. Aleluia.

Quem, por medo, as portas não fecharia?

                                           


Quem, por medo, as portas não fecharia?

“Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas,
por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e pondo-Se no meio deles, disse:  ‘A paz esteja convosco’”(Jo 20,19)
 
Quem a portas, por medo, não fecharia?
Eliminaram a vida do Amado, em quem tanto confiávamos.
Esperanças e confiança, com eles mortas, para sempre enterradas!
 
Enterradas?
Não. Definitivamente não!
Ressuscitou como disse. Aleluia!
 
Não há portas que possam impedir Sua nova presença.
Ele vive e está entre nós, O Primeiro e o último.
Aquele que vive, nos falou o discípulo amado(cf. Ap 1,17).
 
“Estive morto, mas agora estou vivo para sempre.
Eu tenho a chave da morte e da região dos mortos.
Escreve, pois o que viste, aquilo que está acontecendo
E que vai acontecer depois.” (cf. Ap. 1,18)
 
Com Ele vivo e Ressuscitado,
O início de uma nova criação,
Primeiro dia da semana.
 
Centralidade em nossas vidas em todos os momentos e lugar
Com Ele, por Ele, para Ele todo o nosso existir.
Com o sopro do Seu Espírito, há uma missão a cumprir.
 
Suas chagas que na sexta-feira escura da dor paixão e morte,
A mansão dos mortos, o sepulcro por amor visitou.
Mas o Pai, para sempre, em mesmo amor, glorificou.
 
Vive, para sempre, Aquele que tantos nos amou.
Viveremos para sempre por quem tanto nos amou.
Peregrinando na esperança, fiéis a divina missão
Que à Sua Igreja, com o Santo Espírito nos confiou. 
 
Vençamos todo o cansaço, todo o medo.
Anunciar o mundo o mais belo segredo de quem crê:
Nada mais será como antes. Ressuscitou Aleluia.
 
Quem, por medo, as portas não fecharia?
Mas agora não pode impedir o anúncio,
Corajoso testemunho. Aleluia! Aleluia!

No Banquete da Eucaristia, somos refeitos

                                                                 



No Banquete da Eucaristia, somos refeitos

“Ó Deus, ao participarmos da alegria da Salvação que encheu de júbilo são Mateus, recebendo o Salvador em sua casa, concedei sejamos sempre refeitos à mesa d’Aquele que veio chamar
à salvação não os justos, mas os pecadores.
Por Cristo, Nosso Senhor. Amém!”(1)

Mateus, a mesa para o Senhor e os pecadores preparou.
Pouco mais tarde é o Senhor quem o mesmo faria,
Mas não apenas a mesa prepararia...

Mais que mesa preparada, servo na Santa Ceia Se fez
E melhor Alimento a Mateus e a nós ofereceu:
Seu Corpo verdadeira Comida, Seu Sangue verdadeira Bebida.

No banquete de Mateus há um sustento necessário, provisório,
No Banquete do Divino, o Cordeiro, Alimento de eternidade,
Que nos compromete com o presente, Reino de Fraternidade.

No banquete de Mateus, acolhida e amizade partilhadas;
Refazem-se os laços fraternos, sinaliza-se a urgência da comunhão,
Banquete da misericórdia, sem barreiras e exclusão.

No Banquete do Deus da Vida, Eucaristia recebida,
Refeitos nós somos para continuarmos longa travessia,
Comprometidos com a defesa da vida, com a Força da Eucaristia.

Em cada Eucaristia celebrada, somos refeitos!
Refeitos para o sonho, o canto, a luta, a poesia;
Refeitos na coragem para reavivar a chama da profecia.

Em cada Eucaristia celebrada, somos refeitos!
Refeitos para atenta escuta aos clamores que procedem
Dos esmagados, pisoteados, marginalizados, sofridos.

Em cada Eucaristia celebrada, somos refeitos!
Refeitos, renovados, restaurados, reconciliados,
Pecados destruídos, vida nova celebrada e vivida.

Em cada Eucaristia celebrada, somos refeitos!
Refeitos, olhos abertos para caminhos novos,
Enriquecidos para viver as divinas virtudes.

Em cada Eucaristia celebrada, somos refeitos!
Refeitos, porque nossa alma tão bem enriquecida
De todos os dons preciosos, tão divinos, tão necessários.

Em cada Eucaristia celebrada, somos refeitos!
Refeitos para as mãos generosas estender,
Aquecer, abençoar, cuidar, plantar...

Em cada Eucaristia celebrada, somos refeitos!
Refeitos para a alegria da solidariedade, da comunhão...
Compromissos renovados para construir mundo mais irmão.


PS: Inspirado na  Oração pós-Comunhão da Festa de São Mateus (1) 

A esperança da vida plena e feliz

                                                   


A esperança da vida plena e feliz

Sejamos iluminados pelo início da chamada Carta de Barnabé (Séc. II), em que nos fala da esperança da vida como o início e o fim de nossa fé.

“Saúdo-vos na paz, filhos e filhas, em nome do Senhor que nos ama.
Por serem grandes e preciosas as liberalidades que Deus vos concedeu, mais que tudo e intensamente me alegro por vos saber felizes e esclarecidos. Pois assim acolhestes a graça do dom espiritual, enxertada na alma. Por isto ainda mais me felicito com a esperança de ser salvo, ao ver realmente derramado sobre vós o Espírito vindo da copiosa fonte do Senhor.

Estou plenamente convencido e consciente de que ao falar convosco vos ensinei muitas coisas, porque o Senhor me acompanhou no caminho da justiça; e sinto-me fortemente impelido a amar-vos mais do que a minha vida, porque são grandes a fé e a caridade que existem em vós pela esperança da vida.

Tendo em consideração que, se é de meu interesse por vossa causa partilhar convosco algo do que recebi, será minha paga servir a tais pessoas. Decidi, então, escrever-vos poucas palavras, para que, junto com a fé, tenhais perfeita ciência.

São três os preceitos do Senhor: a esperança da vida, início e fim de nossa fé; a justiça, início e fim do direito; caridade alegre e jovial, testemunho das obras de justiça.

Pelos profetas, o Senhor fez-nos conhecer as coisas passadas, as presentes e deu-nos saborear as primícias das futuras. Ao vermos tudo acontecer por ordem, tal como falou, devemos nós, mais ricos e seguros, assimilar o Seu temor.

Quanto a mim, não como mestre, mas como um de vós, mostrarei alguns poucos pontos, pelos quais vos alegrareis nas circunstâncias atuais.

Nestes dias maus, Ele mostra Seu poder; empenhemo-nos, pois, de coração em perscrutar os Mandamentos do Senhor. Nossos auxiliares são o temor e a paciência; apoiam-nos a generosidade e a continência que, aos olhos do Senhor, permanecem castas, no convívio da sabedoria, inteligência, ciência e conhecimento.

Todos os profetas nos revelaram não ter Ele necessidade de sacrifícios nem de holocaustos nem de oblações, dizendo: ‘Que tenho a ver com a multidão de vossos sacrifícios? diz o Senhor. Estou farto de holocaustos, de gorduras dos cordeiros; não quero o sangue de touros e de cabritos, mesmo que venhais à minha presença. Quem exige isto de vossas mãos? Não pisareis mais em meus átrios. Trazeis oblações de farinha? Será em vão. O incenso me é abominável; vossos novilúnios e solenidades, não as suporto (cf. Is 1,11-13)”.

Como discípulos missionários do Senhor, empenhemo-nos em viver os três preceitos do Senhor que Barnabé nos apresenta:

- “a esperança da vida, início e fim de nossa fé”;
- “a justiça, início e fim do direito”;
- “a caridade alegre e jovial, testemunho das obras de justiça”.

Oremos:

Ó Deus de bondade, ajudai-nos a fazer progresso no temor de Vós, com a paciência necessária para que vejamos florir e frutificar frutos de amor e justiça no mundo em que vivemos.

Concedei-nos a generosidade e a continência, e que elas permaneçam puras, vivendo com sabedoria, inteligência, ciência e conhecimento dos Vossos desígnios, ontem, hoje e sempre.

Fortalecei a esperança da vida plena e feliz, que é o início e o fim de nossa fé, quando parecer não mais haver sinais de esperança, e não tenha a última palavra a cultura da morte.

Ajudai-nos a buscar primeiro o Vosso Reino e a justiça, e tudo o mais nos será acrescentado, fiéis à fé que professamos e à Doutrina que nos conduz.

Revigorai em nossos corações a caridade alegre e jovial, a fim de que elas sejam testemunhos credíveis das obras de justiça dentro e fora da Igreja, em todos os âmbitos, na fidelidade a Jesus e com o Santo Espírito. Amém.

“Cuidemos de nossa casa comum”

        



“Cuidemos de nossa casa comum”
 
Em 2016, a Igreja no Brasil realizou a IV Campanha da Fraternidade Ecumênica, com um tema extremamente atual, complexo e desafiador: “Casa comum, nossa responsabilidade”, e o Lema: “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Am 5,24).
 
Retomamos a temática com a Campanha da Fraternidade de 2025, com o tema - "Fraternidade e Ecologia Integral", e com o lema -"Deus viu que tudo era muito bom" (cf. Gn 1,31).
 
Oportuno retomar os sete “erres” que, cada vez mais, devem fazer parte de nossa vida:
 
- Repensar os nossos hábitos de consumo e comportamentos. Vejamos onde podemos economizar e evitar a produção de lixo; 

- Reduzir o consumo e o uso de embalagens e produtos não recicláveis; 

- Reaproveitar materiais, papéis, embalagens etc., que muitas vezes vão para o lixo, mas que poderiam continuar sendo usados ou doados para outras pes­soas; 

- Reciclar, fazendo a separação/coleta seletiva do lixo; reciclá-lo ou doá-lo para quem o recicla (muitas pessoas ganham o próprio sustento e da família com este trabalho); 

- Recusar produtos descartáveis como plásticos e outros produtos que prejudicam o ecossistema; 

- Reparar produtos, prolongando sua vida útil; 

- Reintegrar restos de alimentos e outros materiais orgânicos à natureza, através da compostagem.

Com estas ações, que não exigem grande esforço, ao mesmo tempo em que cuidamos do Planeta, estaremos fazendo bem a nós mesmos e aos outros, e, com isto, exercitando a caridade fraterna.
 
Cuidemos do nosso Planeta, nossa Casa Comum, com a consciência de que devemos preservá-lo para as gerações que virão. Se não nos convertermos no uso das coisas, na relação com elas, estaremos comprometendo não somente o futuro, mas já também o presente, haja vista os acidentes e tragédias ambientais que vemos nos noticiários e bem perto de nós.
 


Curai, Senhor, a chaga de nossa incredulidade!

                                                           

 

Curai, Senhor, a chaga de nossa incredulidade!

                  “Ó frutuosa incredulidade para a nossa fé!”

 
Sejamos enriquecidos pela homilia do Papa São Gregório Magno (séc. VI), sobre o apóstolo São Tomé:


“Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio (Jo 20,24). Era o único discípulo que estava ausente. Ao voltar, ouviu o que acontecera, mas negou-se a acreditar.

Veio de novo o Senhor, e mostrou Seu lado ao discípulo incrédulo para que O pudesse apalpar; mostrou-lhe as mãos e, mostrando-lhe também a cicatriz de Suas chagas, curou a chaga daquela falta de fé.

Que pensais, irmãos caríssimos, de tudo isto? Pensais ter acontecido por acaso que aquele discípulo estivesse ausente naquela ocasião, que, ao voltar, ouvisse contar, que, ao ouvir, duvidasse, que, ao duvidar, apalpasse, e que, ao apalpar, acreditasse?

Nada disso aconteceu por acaso, mas por disposição da providência divina. A clemência do alto agiu de modo admirável a fim de que, ao apalpar as chagas do corpo de seu Mestre, aquele discípulo que duvidara curasse as chagas da nossa falta de fé.

A incredulidade de Tomé foi mais proveitosa para a nossa fé do que a fé dos discípulos que acreditaram logo. Pois, enquanto ele é reconduzido à fé porque pôde apalpar, o nosso espírito, pondo de lado toda dúvida, confirma-se na fé.

Deste modo, o discípulo que duvidou e apalpou tornou-se testemunha da verdade da Ressurreição. Tomé apalpou e exclamou: Meu Senhor e meu Deus! Jesus lhe disse: Acreditaste, porque me viste? (Jo 20,28-29).

Ora, como diz o Apóstolo Paulo: A fé é um modo de já possuir o que ainda se espera, a convicção acerca de realidades que não se veem (Hb 11,1). Logo, está claro que a fé é a prova daquelas realidades que não podem ser vistas. 

De fato, as coisas que podemos ver não são objeto de fé, e sim de conhecimento direto. Então, se Tomé viu e apalpou, por qual razão o Senhor lhe disse: Acreditaste, porque me viste?
 
É que ele viu uma coisa e acreditou noutra. A divindade não podia ser vista por um mortal. Ele viu a humanidade de Jesus e proclamou a fé na sua divindade, exclamando: Meu Senhor e meu Deus! Por conseguinte, tendo visto, acreditou. Vendo um verdadeiro homem, proclamou que Ele era Deus, a quem não podia ver.

Alegra-nos imensamente o que vem a seguir: Bem-aventurados os que creram sem ter visto (Jo 20,29). Não resta dúvida de que esta frase se refere especialmente a nós. Pois não vimos o Senhor em sua humanidade, mas O possuímos em nosso espírito. É a nós que ela se refere, desde que as obras acompanhem nossa fé.

Com efeito, quem crê verdadeiramente, realiza por suas ações a fé que professa. Mas, pelo contrário, a respeito daqueles que têm fé apenas de boca, eis o que diz São Paulo: Fazem profissão de conhecer a Deus, mas negam-no com a sua prática (Tt 1,16). É o que leva também São Tiago a afirmar: A fé, sem obras, é morta (Tg 2,26).”

Somente quando o Ressuscitado apareceu, oito dias depois, é que ele se encontrava e tocando as Chagas do Senhor, fez a grande profissão de fé: “Meu Senhor e meu Deus”.

Terá sido por acaso este acontecimento?  Não! Absolutamente!

As chagas de nossa falta de fé foram então curadas pelo gesto de Tomé. Ele expressou a nossa humanidade às vezes incrédula, cética, ateia, indiferente e materialista em demasia…

Bem afirmou o Papa São Gregório Magno: “… ao apalpar as Chagas do Corpo de seu mestre, aquele discípulo que duvidara curasse as chagas da nossa falta de fé…”

Tomé teve a coragem de, ao tocar as Chagas de Nosso Senhor, expor suas e nossas chagas, com toda sinceridade, sem hipocrisia e artificialismos, e possibilitou que pudéssemos fazer nosso ato de fé, para do Senhor ouvirmos: “Você acreditou porque me viu. Felizes aqueles que creem sem ter visto!”

Este apóstolo do Senhor fez um impressionante itinerário na caminhada de fé: passou do realismo humano ao conhecimento no Espírito; viu e testemunhou a realidade de Paixão e Morte de Jesus, e pôde professar a fé no Cristo Ressuscitado, quando Ele Se manifestou pela segunda vez aos discípulos, que reunidos estavam, de portas fechadas.
   
Não precisamos mais ficar envoltos e submersos na obscuridade da falta da fé, pois Tomé nos possibilitou, e em todo tempo, professar ao mundo que as dolorosas Chagas não tiveram a última palavra. Cremos nas Chagas gloriosas do Ressuscitado. Somos Pascais.
 
Urge que nossa fé seja verdadeiramente Pascal, e assim, digamos como Tomé, ainda que não tenhamos visto e nem tocado Jesus Ressuscitado: “Meu Senhor e meu Deus!”.

Ó bendita incredulidade de Tomé, que afastou de nós a mesma possibilidade da falta de fé, que imobiliza, paralisa, sem sonhos, perspectivas, horizontes de eternidade.
 
Possibilitou, também, em certo sentido, fazer de Tomé o primeiro devoto do trespassado e misericordioso Coração de Jesus!

Bendita incredulidade de Tomé, que cedeu lugar a mais bela profissão de fé: “Meu Senhor e meu Deus!”.

A profissão de fé de Tomé suscita em nós a proclamação da nossa fé no Ressuscitado, e agora é preciso coragem e ardor para anunciar e testemunhar com palavras e obras:

Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé!

 

Curai, Senhor, pelas Vossas santas e vitoriosas Chagas,

Nossas medíocres e doloridas chagas da incredulidade,

Da falta de esperança, da ausência da revigorada confiança,

Para que a caridade seja força que tudo supera e alcança!

 

Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé!

 

Fazei, Senhor, que passemos da incredulidade à fé.

Do infantilismo da fé à maturidade da mesma.

Da imaturidade ao amadurecimento espiritual,

Para que do Ressuscitado sejamos um pequeno sinal!

 

Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé!

 

Ó ingratas chagas de nossa humana incredulidade!

Ó Santas Chagas Vitoriosas do Ressuscitado!

Ó gesto tão solene, tão corajoso e sincero de Tomé,

Possibilitou-nos saltos qualitativos em nossa fé!

 

 Deus em Sua extrema clemência sempre nos surpreende.

E Seu Amor é verdadeiramente surpreendente,

pois quem ama surpreende!

Amém. Aleluia! 

  

PS: Oportuna para o 2º domingo da Páscoa, quando ouvimos a passagem do Evangelho de João (Jo 20,19-31), ou Jo 20,24-29),  em que Tomé faz a sua profissão de fé vendo e tocando nas chagas gloriosas do Cristo Ressuscitado, e também para o dia 03 de julho quando celebramos a sua Festa.


As cicatrizes do Ressuscitado

                                             

As cicatrizes do Ressuscitado

Sejamos enriquecidos por este trecho do Sermão de Santo Agostinho (séc. V), para melhor compreensão da passagem do Evangelho de João (Jo 20,19-31):

“Não lhes bastou vê-Lo com os próprios olhos: quiseram apalpar com as mãos seu corpo e as cicatrizes das feridas recentes; até o ponto de que o discípulo que tinha duvidado, tão prontamente como tocou e reconheceu as cicatrizes, exclamou: ‘Meu Senhor e Meu Deus!’ Aquelas cicatrizes eram as credenciais d’Aquele que tinha curado as feridas dos demais.

O Senhor não podia ressuscitar sem as cicatrizes? Sem dúvida, mas sabia que no coração de seus discípulos ficavam feridas que haveriam de ser curadas pelas cicatrizes conservadas em seu corpo. E o que respondeu o Senhor ao discípulo que, reconhecendo-O por seu Deus, exclamou: meu Senhor e meu Deus’? Disse-lhe: ‘Crestes porque me vistes? Bem-aventurados os que creram sem terem visto’....”   (1)

Como discípulos missionários do Senhor, façamos nossa profissão de fé no Cristo glorioso, Ressuscitado, e sejamos os bem-aventurados que creem sem nunca terem visto o Senhor.

O Círio Pascal, que acendemos na Vigília Pascal, lembra-nos que Jesus Cristo Ressuscitado é o princípio e o fim (Alfa e ômega), o mesmo ontem e hoje, e a Ele o tempo e a eternidade, a glória e o poder, pelos séculos sem fim.

Contemplemos as Chagas Gloriosas do Senhor, suas credenciais, as cicatrizes de Seu corpo glorioso, como nos falou o bispo, e sejam elas a cura de nossas feridas de nomes diversos.

Contemplando as Chagas Gloriosas do Senhor, revigorados na fé, fortalecidos na esperança, sejamos inflamados na caridade, comprometidos com quem padece as chagas no corpo, como a fome, abandono, exilados de suas terras e raízes...

Com Tomé, também digamos – “Meu Senhor e Meu Deus”, e como Tomé, que derramou seu sangue por amor ao Senhor, tenhamos a coragem para ser testemunhas do Ressuscitado. Amém. 

Quem sou eu

Minha foto
4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG